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17/08/2005

CASE STUDY: inversão do ónus da prova?

Folheio a Análise Mensal de Julho, da série Estudos Económicos e Financeiros do BPI, que considero uma instituição relativamente fiável (pelo menos suficientemente fiável para lhe confiar as parcas poupanças com que tentarei enfrentar durante algum tempo a anunciada insolvência do sistema de segurança social). Convém esclarecer que, não havendo instituições absolutamente fiáveis, há inúmeras instituições absolutamente infiáveis - para começar todas as que não estão submetidas ao escrutínio do mercado.

Num artigo de opinião sobre «Despesa Pública», um quadro de topo e uma técnica do BPI dedicam o melhor do seu esforço analítico, em 4 densas páginas A4 corpo 8, a concluir que «o nível das despesas sobre o PIB é um mau alvo da política económica», porque «não revela o nível ou a qualidade dos serviços públicos« que aliás «não destoam da UE. Não revelam um Estado esbanjador. É claro que há problemas de eficiência e desperdício ... mas ... » bla bla bla.

O que é que isto tem de extraordinário? Não foi já foi dito e escrito muitas vezes. Sem dúvida. Mas a novidade é o esforço analítico despendido para fundamentar conclusões que são consideradas no mundo do pensamento único como um acquis da economia oficial, axiomas da doutrina económica dominante que não careciam até há pouco de demonstração.

Na melhor hipótese, a novidade do exemplo (há outros) poderá significar talvez que está a dar alguns frutos a intervenção cívica dumas almas penadas de pendor liberal, nas suas diversas encarnações e manifestações, principalmente na Bloguilha.

Se for isso, pode ser um sinal importante. A mudança de paradigma. A diferença entre empurrar um comboio parado e manter um comboio a andar. Ou, como dizem os advogados, a inversão do ónus da prova.

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