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09/08/2005

DIÁRIO DE BORDO: ainda m'espanto às vezes e cada vez mais m'avergonho (*)

Ao pestanejar pelas dezenas de páginas do estudo de Outubro de 2004 «Desenvolvimento integrado das infra-estruturas de transporte em Portugal» da Espírito Santo Research, dirigido por Miguel Frasquilho, caíram-me os olhos nas primeiras linhas do Sumário Executivo que poderiam ser subscritas por um aluno do 1º ano de economia da Moderna:
«As infra-estruturas de transporte têm um tempo de vida útil bastante longo. O facto de exigirem montantes de investimento bastante elevados - e que são pouco flexíveis - implica que quaisquer erros cometidos na tomada de decisão saiam muito caros e tenham efeitos de longo prazo nefastos.»
Recordei então, outra vez, as palavras do ministro das Obras Públicas (segundo o Público de 20-07):
«"Cada um dos projectos será depois avaliado à medida que for sendo implementado", afirmou o ministro, considerando que essa é a atitude normal neste tipo de obras.»
Como terá sido possível um homem competente e bem preparado, que não pode desconhecer o que um estudante de Economia não ignora, sucumbir à tentação jacobina de usar os argumentos «adequados» aos fins que supõe justos?

(*) Vá-se lá saber porquê, assaltou-me a divisa do Abrupto.

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