Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

05/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (107b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 107a)

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro». A falência técnica

No SNS, uma das paixões socialistas, a par com a educação, mais de metade das empresas públicas está em estado de falência técnica e todas tiveram prejuízos em 2022. Sublinhe-se que duas das antigas PPP revertidas foram das que tiverem menores prejuízos. O governo precisará de mais algum tempo para colocar as antigas PPP ao nível das demais EPE.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro». A desfaçatez do Dr. Costa

Recapitulando: em 2015 o Dr. Costa prometeu que mais meio milhão de “utentes” passariam a ter médico de família, reduzindo para metade os cerca de um milhão que ainda não tinham. Desde então, periodicamente o Dr. Costa fez novas promessas e anúncios (ver este pro memoria de 07-10-2021) enquanto o número de “utentes” sem médico de família aumentava. Oito anos depois o milhão herdado do governo neoliberal transformou-se em um milhão e setecentos mil e o Dr. Costa diz que em 2026  «haverá em Portugal excesso de médicos de família». É demasiado até para um aldrabão encartado. 

O estado natural das empresas penduradas no Estado sucial também não é famoso

Em 2016 o governo do Dr. Costa concedeu à Cidade Ébano, uma carpintaria em Murça, 1,1 milhões de euros do Portugal 2020. Acabou de falir, deixando 2,2 milhões de dividas a 66 credores, incluindo o IAPMEI com o montante do subsídio de 1,1 milhões.

O milagre das “contas certas” contado às criancinhas


O milagre das “contas certas” é mais a maldição da carga fiscal.

Investimento público, a autoestrada mexicana do PS

Ao fim de vários anos já não deve ser necessário explicar como funciona esta autoestrada (em caso de dúvida, seguir o link acima). Uma vez mais, o investimento público em 2023 ficou abaixo do orçamento em cerca de um quarto, sendo os baixos graus de execução precisamente nas áreas mais carecidas de investimento e em que o agitprop socialista se esmerou a apresentar grandes aumentos no OE2023: Saúde (43,2%), do Ensino Básico e Secundário e Administração Escolar (27,9%), da CP (18,5%), IP excluindo as concessões (67,8%), Metropolitano de Lisboa (48,6%). (fonte UTAO)

Choque da realidade com a Boa Nova da rodo-ferrovia dos orçamentos

Jornal Eco

Se o investimento público tem sido um exercício de mistificação orçamental, o investimento em infraestruturas é um exercício de pura aldrabice, sobretudo em relação ao investimento ferroviário como aliás é notório nos quase 32 mil dias atraso total na execução do Ferrovia 2020. 

Choque da realidade com a Boa Nova da habitação pública

Oito meses depois da transformação da Parque Escolar (uma empresa pública dedicada à requalificação e remodelação de escolas secundárias) em Construção Pública, também dedicada à a construção de habitação pública, ainda só foi lançado um concurso público.

O Estado sucial é um caloteiro

No final de Janeiro os pagamentos em atraso das entidade públicas aumentaram 99 milhões para 428 milhões em relação a Janeiro do ano passado.

Ainda não é o mafarrico

Por agora, é apenas o aumento para o triplo em 12 meses do número das empresas em lay-off.

«Pagar a dívida é ideia de criança» / A engenharia orçamental como ferramenta de agitprop

Em Janeiro a dívida pública voltou a aumentar 7,6 mil milhões de euros para 270,6 mil milhões, depois de cinco meses a descer e um final de ano com uma golpada tipicamente socialista, a saber os certificados especiais de dívida pública de curto prazo (CEDIC) foram usados para baixar o rácio da dívida, como mostrou Miranda Sarmento.

04/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (107a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Como distrair a populaça com causas fracturantes marginais

Alguém se lembra da campanha para legalizar a adopção de crianças por casais gays que em 2016 levou o parlamento a aprovar a lei que entrou em vigor em 1 de Março de 2016? A coisa era apresentada como se dezenas de milhar de gays estivessem em estado de desespero. Pois bem, em oito anos 40 (quarenta) casais adoptaram 55 (cinquenta e cinco) crianças.

Situação e oposição concordam que a Defesa Nacional não é uma prioridade

Os líderes do PSD e do PS concordam que aumentar a despesa com a defesa para atingir o compromisso de 2% do PIB assumido com a NATO pode esperar até 2028 ou 2030, respectivamente. E invasão da Ucrânia pelos exércitos putinescos não quer dizer nada? Pois parece que não talvez. Talvez acreditem que os portugueses viveriam muito bem como parte do império russo.

O que nos diz o investimento directo estrangeiro sobre o que pensa a estranja do Portugal socialista?

Diz-nos que a estranja não pensa grande coisa porque o montante do IDE voltou a descer de cerca de 8 milhões em 2022 para cerca de 6,8 milhões em 2023, dos quais mais de metade foi investimento imobiliário, o qual cresceu de cerca de 1,6 mil milhões em 2020 (23% do total) para 3,9 mil milhões em 2023 (57% do total). (fonte BdP)

Se quisermos ser optimistas, diz-nos que estranja acha que Portugal é um país bom para viver, mas não para produzir.

O que nos dizem as exportações de bens sobre o sector exportador?

Dizem-nos que o sector exportador tem baixa produtividade e é pouco sofisticado, visto que representando metade do PIB só representa um quinto do valor acrescentado total. Diz-nos também que a dimensão das empresas exportadoras é muito baixa e que mais de 90% das empresas só representam 23% do valor exportado.

Expresso

E também nos dizem que é mais uma área onde o PS agita os 50% que as exportações representam do PIB quando só atingiram 48% em valor nominal influenciado pelo aumento dos preços ou 46% se considerarmos o valor real. (fonte Ricardo Pinheiro Alves)

O Portugal dos Pequeninos ao serviço da vaca marsupial pública

Um inquérito da DGAEP mostrou que 84% dos funcionários públicos inquiridos prefere a redução de horário sem perda de salário com uma semana de quatro dias.

O PS avariou o elevador social e as consequências serão pesadas

mais liberdade

Não é preciso ser um cientista social para olhar para o diagrama e concluir que os filhos dos pobres continuarão pobres – a especialidade do socialismo é a criação de pobres. Se admitirmos, como nós aqui no (Im)pertinências, que o talento está aleatoriamente distribuído, daqui resulta um enorme desperdício.

O estado natural das empresas públicas do Estado sucial é o estado de falência

O Conselho das Finanças Públicas apurou que um terço das empresas públicas está em estado de falência técnica, isto é, tem capitais próprios negativos ou, dito de outra maneira, tem um passivo superior ao activo, o que numa empresa privada determinaria a obrigação do órgão de gestão a apresentar à insolvência.

(Continua)

03/03/2024

American foreign policy delusions

«For 30 years American foreign policy has struggled with delusions that the end of the cold war meant the world was somehow overcoming history. It has turned out, to Washington’s sorrow, that the internet and capitalism did not make liberal values self-actualising in China or Russia. They did not guarantee democracy in Afghanistan or in Arab countries, even when backed up by American might. Now it appears that some nations still harbour revanchist ambitions. That was as true in the second world war as it was in the first, and in the Peloponnesian war, too. Only a fool would choose to keep learning these hard lessons all over again.»

What America can learn from Sparta

02/03/2024

Os "governos de gestão" não gerem todos da mesma maneira

Desde as eleições de Novembro, ganhas sem maioria parlamentar pelo Partido da Liberdade liderado por Geert Wilders, que desde essa altura tenta ainda sem sucesso negociar uma plataforma parlamentar que lhe permita governar, os Países Baixos têm um governo que por cá se chamaria de gestão.

O "governo de gestão" liderado por Mark Rutte do VVD, um partido do centro direita que defende a economia de mercado, anunciou há dias que os Países Baixos vão entregar 100 milhões de euros à Ucrânia para munições. O "governo de gestão" do Dr. Costa do PS, um partido que defende o socialismo, anunciou uma contribuição com o mesmo propósito de 1 milhão de euros. 

A proporção das ajudas dos dois países é 100 para 1. A proporção do PIB (a paridade dos poderes de compra) dos dois países é de 3,5 vezes para 1.

01/03/2024

Dúvidas (368) - Por que são os pobrezinhos de Lisboa muito mais caloteiros do que os do Porto?

Segundo o JN, nos bairros sociais de Lisboa as rendas por pagar atingem 45 milhões de euros a uma média de 2 mil euros por fogo nos cerca de 22 mil fogos. Na cidade do Porto, os números são 25 mil euros em dívida a 2 euros por fogo dos cerca de 13 mil fogos.

Suspeito que não seja suficiente a explicação da câmara de Lisboa ter tido presidentes socialistas em 31 de 46 anos, enquanto a câmara de Porto teve presidentes socialistas em apenas 12 anos no mesmo período. Talvez tenhamos que considerar os séculos em que Lisboa tem sido sede da corte monárquica, republicana, corporativa e socialista, sucessivamente.

A defesa dos centros de decisão nacional (30) - Greenvolt. Está quase feito

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17), (18), (19), (20), (21), (22), (23), (24), (25), (26), (27), (28) e (29)]

Recordemos, uma vez mais, os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que passado algum tempo venderam a estrangeiros as suas empresas e as inúmeras declarações no mesmo sentido da esquerdalhada em geral. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos surge pelo endividamento gigantesco de públicos e privados e pela consequente descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.

Pronto, está quase feito. A Autoridade da Concorrência não se opõe à OPA para 60% da Greenvolt pela KKK, uma private equity americana com uma carteira equivalente a 2,3 vezes o PIB português. A Greenvolt é uma das não muitas empresas de sucesso cotada em bolsa com sete accionistas portugueses de referência, entre os quais a Actium, uma participada da Cofina de Paulo Fernandes

As private equity são como o algodão, não enganam. Se compram é porque acreditam que as empresas são viáveis e terão sucesso. Infelizmente, não é possível fazer este teste do algodão a todas as empresas penduradas no Estado sucial o que proporcionaria um excelente critério para identificar os elefantes brancos que circulam em manada pela economia portuguesa. Quando falo de empresas penduradas no Estado sucial não me refiro às empresas públicas. Essas não estão penduradas, estão alojadas na bolsa da vaca marsupial pública, nunca foram viáveis e 1/3 delas estão em situação de falência. 

29/02/2024

SERVIÇO PÚBLICO: Uma obra de demolição de alguns dos mitos mais populares no Portugal dos Pequeninos (5)

Continuação de (1), (2), (3) e (4) 

Mais um post sobre os mitos cuja demolição considero mais importante, recordando que os factos que fundamentam a demolição foram amplamente estudados e documentados no livro de Nuno Palma (NP) e nas dezenas de trabalhos de investigação que publicou (cfr o seu Research output).

No post anterior referi a conclusão de NP de que a afluência de ouro do Brasil destruiu a maior parte de uma indústria incipiente (sobretudo nos têxteis, sabão, ferro, vidro e seda). Acrescento que, de acordo com os dados citados, as percentagens da população a trabalhar fora da agricultura (grande parte na indústria) foi crescendo gradualmente a partir de meados do século XVII, atingiu o máximo com mais de 45% em meados do século seguinte para desde então ter decrescido para cerca de 36% em 1890, precisamente no período de afluência do ouro.

Ao mesmo tempo que teve impacto na economia e nas actividades económicas, o ouro brasileiro teve repercussões políticas e sociais significativas. Desde logo, como sublinha NP, criou um capitalismo de compadrio que capturou o Estado e, acrescento, se manteve desde então quase intacto até meados do século XX e nas últimas décadas se transformou num capitalismo dependente pendurado nos fundos europeus.

Na esfera política, um efeito perverso da abundância de receitas extraordinárias do Estado resultou de, a partir de D. João V, o rei ter deixado depender dos impostos que até então precisara de negociar com as Cortes as quais deixaram de reunir a partir de então, iniciando um ciclo de centralização,

Deve salientar-se nesse período, a expulsão dos Jesuítas por Pombal de efeitos profundos no ensino com uma enorme redução do número de estudantes e do nível de ensino das matérias. Tudo isto está bem documentado no livro de NP que conclui que a partir de então Portugal, que antes não estava atrasado na educação, experimentou um retrocesso ainda hoje persistente. 

Vem a propósito citar Jorge Buesco que no seu "Matemática em Portugal" escreveu «a criação do ensino público pombalino foi provavelmente a grande oportunidade perdida para a Matemática em Portugal». Isso explicará a tradicional inumeracia das nossas elites merdosas a que aqui no (Im)pertinências dedicámos muitas dezenas de post sob a etiqueta «a tabuada faz muita falta». Essa inumeracia, que no jornalismo de causas é endémica, junto com a incultura, a preguiça e a falta de escrúpulos explica muita do superficialidade opinativa, na melhor hipótese, ou o enviesamento deliberado, na hipótese mais provável.

(Continua)

28/02/2024

How the Radical Left Conquered Almost Everything for a Time (VIII)

(Continued from I, II, III, IV, V, VI and  VII)
More examples picked up from those described by Christopher Rufo of neo-Marxism in institutions controlled by the clique of believers.

«Over the past decade the entire range of federal agencies, from the Environmental Protection Agency to the Federal Bureau of Investigation, has adopted critical race theory as an in-house ideology. In quick succession, these department created new programming that condemned the United States as “systematically racist”, interrogated employees for their “whiteness” and demanded loyalty to government by “anti-racism”, or, more accurately, government by the principles of critical race theory.  (…) 
 
Even federal defense contractors have submitted to the new ideology. 
Lockheed Martin, the nation's largest defense firm, sent white male executives on a mission to deconstruct their "white male privilege." The instructors told the men that "white male culture" and the values of "rugged individualism," "hard work," and "striving towards success" were "devastating" to minorities.

Raytheon, the second-largest defense firm, followed suit. The company launched an "anti-racism" program, teaching the principles of "intersectionality" and instructing employees to recognize "interlocking systems of oppression" and "break down power into privilege and marginalization." Whites, according to Raytheon's diversity consultant, "have the privilege of individuality" and must silence themselves in front of minorities. Finally, following the logic of critical race theory to its conclusion, the firm told employees to reject the principle of equality outright. The colorblind standard of "equal treatment and access to opportunities" is not enough; the company must instead strive for "equity," which "focuses on the equality of the outcome. "»

(To be continued)

27/02/2024

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (208) - Mais do que vergonha

Público

Mais do que vergonha, é estupidez porque (1) admitem a decomposição em que deixam o Estado sucial que ocuparam durante oito anos, (2) por isso julgam necessário encontrar um culpado e (3) não encontram ninguém mais à mão do que uma criatura há anos retirada da política - ainda assim, vá lá, não apontaram o Botas ou o Dr. Marcelo (o padrinho do que está em Belém).

É também um insulto à inteligência dos eleitores que não são estúpidos.

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (106b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 106a)

A lenda do corte de pensões pelo governo neoliberal

Nós aqui no (Im)pertinências depois de anos a escrever posts sobre esta lenda que o coro do PS com o situacionismo jornalístico e a comentadoria amiga está constantemente a invocar, já não conseguimos escrever mais nada, pelo que aproveitamos todas as boleias. Desta vez vamos à boleia de Miguel Poiares Maduro e pedindo desculpa pela extensão do excerto, aqui vai uma citação muito esclarecedora:

«Uma década depois talvez seja tempo de distinguir factos de opiniões. Eis os factos. O primeiro corte de pensões ocorreu com o Governo Sócrates que congelou a quase totalidade das pensões e criou a “tristemente famosa” contribuição extraordinária de solidariedade, inicialmente aplicável apenas às pensões mais elevadas. Foi ainda o Governo socialista que, primeiro no PEC4 e depois já no Memorando de Entendimento assinado com a troika, previu o alargamento deste corte para as pensões acima de €1500. Em dezembro de 2011, na segunda revisão do Memorando, já negociada com o Governo de Passos, são previstos cortes adicionais. Determinante nessa revisão foi a descoberta de que a estimativa do défice para 2010, usada como pressuposto das medidas acordadas, era incorreta. A estimativa era de 9,1% do PIB e o défice foi, afinal, de 11,4%. Um buraco de aproximadamente €4 mil milhões nos pressupostos originais do Memorando. Embora a revisão do Memorando previsse que os novos cortes começassem nas pensões de €485, a medida adotada pelo Governo acabou por atingir ‘apenas’ as pensões acima dos €600. Parte destas medidas, tal como outras alternativas subsequentes, vieram a ser anuladas pelo Tribunal Constitucional (TC) sendo parcialmente compensadas pelo igualmente “tristemente famoso” “enorme aumento de impostos”. A jurisprudência do Tribunal também impôs o carácter transitório dos cortes. A grande maioria dos cortes de pensões foi revertida ainda pelo Governo de Passos Coelho com exceção daqueles aplicáveis às pensões mais elevadas.»

Como explicar que com juízes tão competentes a Justiça funcione tão mal?

«Basta atentar na forma como os magistrados são avaliados por outros magistrados, numa lógica obviamente corporativista e da ‘clique’ instalada. Haverá, aliás, outra profissão em que 90% dos avaliados tenham nota equivalente ou superior a ‘Bom’? Ou seja, todos têm praticamente ‘Bom’ ou ‘Muito Bom’ (ou equivalente a ‘Relevante’ e ‘Excelente’)». (Justiça da roleta russa)

Ainda não é o mafarrico, que espera pelo fim da bazuca

Expresso

Por agora é só um aviso: há sete meses consecutivos que o número de desempregados sobe. Em Janeiro estava nos 335 mil, ainda muito longe dos anos negros da crise.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

Também tem sido muito celebrada a redução do rácio de endividamento da economia (relação com o PIB da dívida total pública e privada, excluindo entidades financeiras) que desceu de 28,4% em 2023, apesar do aumento do endividamento em 4,2 mil milhões. Ninguém nos jornais e na comentadoria parece ter reparado que uma boa parte dessa redução se deve exclusivamente ao aumento do PIB nominal por via da inflação.

26/02/2024

ARTIGO DEFUNTO: Num país em que a imprensa é livre e o jornalismo é profissional há escrutínio do que dizem os políticos...

... não é o caso do Portugal dos Pequeninos onde um ex-ministro de vários governos, actual líder do partido que foi governo nos últimos 8 anos e em 75% do tempo nos últimos 30 anos, sem correr o risco de ser desmentido ou sequer questionado, se pode dar ao luxo de falar do governo de Passos Coelho como «o Governo que convidou os portugueses a emigrar», ou «convidaram os professores a deixar a docência. Estamos a sofrer consequências da redução de professores promovida pelo governo deles», ou ameaçar que o SNS sofrerá com um governo da AD com a «entrega aos privados», depois dos governos de que fez parte deixarem o SNS à beira do colapso, por várias razões incluindo pela resolução dos contratos de PPP com os "privados".

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (106a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O Dr. Costa e o PS deixam o Estado sucial em estado de decomposição

Depois de 8 anos a governar, o PS deixa como herança uma administração pública inchada e ineficiente, o SNS em colapso, as Forças Armadas e as Forças de Segurança em estado de paralisia, com militares e polícias em pré-insurreição, uma Justiça ineficaz que se esgota em disputas internas, uma economia pendurada nos subsídios e no turismo, uma carga fiscal pantagruélica, etc. (um grande etc.)

Sobre os resultados quantificados da governação socialista na economia remeto para este artigo de Miranda Sarmento que faz uma boa síntese.

De onde parece fazer sentido a pergunta: porque não deixar a família do de cujus administrar tão pesada herança?

O Dr. Pedro Nuno como administrador da pesada herança

Fiz essa pergunta a um amigo socialista que me respondeu que talvez o Dr. Pedro Nuno não tenha as condições para isso uma vez que, para dar um só exemplo, em três dias apresentou quatro posições diferentes para a formação de um governo saído das eleições. Ocorreu-me o dilema que McMurphy, protagonizado por Nicholson, se propunha induzir na enfermeira Ratched no «Voando sobre um ninho de cucos» de Milos Forman. Por falta de pachorra não vou descrever essas posições e remeto para este artigo de José Miguel Júdice que as descreve com muita clareza.

O tão celebrado excedente externo tem de agradecer-se aos turistas que nos visitam e aos emigrantes que nos deixam

Banco de Portugal

Sem os turistas, no lugar de um saldo de cerca de 19 mil milhões nas viagens e turismo (=25,1 mM de exportação – 6,3 mM de importações de viagens) teríamos um saldo próximo de zero e o excedente externo de 7,2 mM seria um défice externo de 12 mM. Sem esquecer as remessas dos emigrantes (isto é, aqueles portugueses que votam com os pés e abandonam o paraíso socialista) que no ano passado atingiram os 4 mM representando mais de metade do excedente externo.

E, já agora, atente-se que o celebrado excedente externo de 2,72% do PIB é, ainda assim, inferior aos 3,29% em 2013, no terceiro ano do resgate consequente da governação socialista na modalidade socrática.

Além dos turistas e dos emigrantes devemos acrescentar os contribuintes europeus à lista dos benfeitores

Segundo as previsões da CE, em 2024 e 2025 o crescimento da economia portuguesa será 0,9% e 1,6%. A mesma CE estima em 3,5% até 2026 o impacto do PRR. Sem a bazuca do Dr. Costa, o crescimento da economia portuguesa seria ainda mais poucochinho com diz o Dr. Costa.

Estarão as boys da PARCA a conseguir ir ao WC com o governo em gestão?

A Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar (PARCA), também conhecida como Observatório de Preços, é um de mais de uma centena de observatórios, que proporcionam muitas centenas de jobs for the boys. A PARCA informou que não está a reunir desde Setembro porque o governo está em gestão desde Janeiro.

(Continua)


25/02/2024

Ser de esquerda é... (26) - ... é mentir por boas causas e não acontecer nada

A semana passada escrevi sobre a estória inventada pela líder berloquista Dr.ª Mariana Mortágua do «sobressalto da minha avó ao receber cartas do senhorio», sobressalto que logo se soube ser uma aldrabice visto que a avó já tinha à época uma idade que não permitiria o seu despejo de acordo com a lei em vigor.

Agora ficou a saber-se ainda que o apartamento da avó se situa na Avenida de Roma, uma das zonas mais caras de Lisboa, tem mais de 100 metros quadrados e é propriedade de uma fundação que desenvolve actividades assistenciais a pessoas com problemas psiquiátricos, actividades que são financiadas pelas rendas dos imóveis, entre as quais a renda de 400 (quatrocentos) euros da avô da Dr.ª Mariana, uma renda que representará entre um terço a um sexto do valor de mercado das rendas de apartamentos equivalentes.

Não fosse a Dr.ª Mariana líder de um partido de esquerda que conta com a  benevolência de uma parte significativa dos jornalistas estacionados nas redacções, teria a sua carreira terminada com ignomínia.    

Outros "Ser de esquerda é..."

24/02/2024

Viram-se gregos para lá chegar

Desde que o Syriza e o seu líder foram mandados para casa pelos eleitores (recordemos que para o Dr. Costa de 2015 «Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha») a Grécia desapareceu dos radares dos mídia portugueses e não se encontra uma notícia, um comentário, uma referência.

Porquê? Pelas razões do costume. As redacções estão ocupadas por jornalistas de causas e de serventuários (jornalistas cujas causas são apenas as relacionadas com as suas carreiras) que esperam que o silêncio faça esquecer os desastres da esquerda grega e os sucessos do actual governo.

Recapitulando:      

As eleições do ano passado foram ganhas pela Nova Democracia com a mesma percentagem (quase 40%) das eleições anteriores, com 146 lugares, perdendo 12 lugares. O Syriza, o Berloque de Esquerda grego, obteve 32% dos votos e 71 lugares, perdendo 15. O Pasok, a versão grega do PS, obteve 8% dos votos e 41 lugares, tendo ganho 19.

O primeiro-ministro grego desde 8 de Julho de 2019, reeleito em 24 de Maio do ano passado, e líder da Nova Democracia Kyriakos Mitsotakis, antes de se dedicar à política em exclusivo frequentou Harvard e formou-se em estudos sociais, recebendo o Prémio Hoopes e sua tese foi publicada como um livro intitulado «The Pitfalls of Foreign Policy»; frequentou mais tarde Stanford e Harvard, foi consultor da McKinsey em Londres e desempenhou vários cargos na área financeira e foi nomeado em 2003 pelo Fórum Económico Mundial como um líder global do futuro.

Faz lembrar o CV do Dr. Costa ou do Dr. Pedro Nuno ou mesmo de qualquer outro primeiro-ministro do Portugal dos Pequeninos. É claro que isto e o resto não puderam deixar de fazer diferença e para citar apenas alguns acontecimento recentes, o governo grego criou uma comissão para supervisionar a aplicação dos fundos europeus liderada pelo prémio Nobel da Economia Christopher Pissarides, que evitou acrescentar novos elefantes brancos à manada criada pelos governos anteriores do Pasok e os que lhes sucederam e está a introduzir reformas importantes nos vários níveis de governação, no sistema de saúde e no ordenamento do território.

23/02/2024

Na Rússia do Czar Putin o passado continua mais imprevisível do que o futuro

Comentando aqui a simpatia do Dr. Miguel Sousa Tavares pela «conhecida tese de que a independência da Ucrânia foi um erro histórico», propus-me questionar a fantasia do Czar. A conhecida tese é fundada na ideia de que durante 10 séculos os russos e ucranianos foram um povo único que só recentemente os seus inimigos externos dividiram, ideia que o Czar formulou num ensaio publicado em Julho de 2021 com argumentos que lhe serviriam para justificar a invasão no ano seguinte.

Tudo começou segundo Putin no século IX com a identidade russo-ucraniana Kyivan Rus. Esta confederação governada por vikings que se fundiram com eslavos locais foi a origem da Rússia, da Ucrânia e da actual Bielorrússia. Em meados do séculos XI Kyivan Rus começou a fragmentar-se e no séculos XIII deixou de existir como uma única entidade quando os mongóis cercaram Kyiv.

Depois do declínio do Império Mongol no século XIV, o território correspondente à Ucrânia fez parte da República das Duas Nações, constituída pelo Reino da Polónia e o Grão-Ducado da Lituânia, até que em meados do século XVII os cossacos formaram o Hetmanato, o seu próprio estado independente, que o ucranianos vêem como a origem da sua identidade - a palavra eslava "Ucrânia" significa terra fronteiriça. No final do século XVII o Hetmanato dividiu-se em duas partes, uma controlada pela República das Duas Nações e outra pelo Principado de Moscóvia. 

Já no início do século XVIII o líder cossaco Ivan Mazepa (um herói para ucranianos) revoltou-se contra Pedro o Grande, que se tornou o primeiro imperador da Rússia em 1721. No final desse século o Império Russo desmembrou a República das Duas Nações e expulsou os otomanos do sul da Ucrânia, incluindo a Crimeia que foi anexada por Catarina a Grande em 1783, e desmantelou o que restava do Hetmanato.

Depois da revolução bolchevique em 1917, as autoridades de Kyiv fundaram a República Popular da Ucrânia, que em 1918 declarou independência e foi submetida por Lenine que reconhecendo a identidade nacional ucraniana aceitou a criação de uma república ucraniana socialista e o uso da língua ucraniana. Esta república tornou-se em 1922 um dos membros fundadores da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Na década seguinte Estaline levou a cabo a coletivização forçada da agricultura de que resultou o Holodomor, uma fome devastadora que dizimou milhões de ucranianos. 

A URSS não resistiu às reformas que Gorbatchov tentou adoptar e em 1991 colapsou e as suas 15 repúblicas tornaram-se independentes. A Ucrânia herdou o terceiro maior arsenal nuclear e aceitou desmantelá-lo em troca das garantias de segurança que os EUA, a GB e a Federação Russa assinaram no chamado memorando de Budapeste. A partir daqui a história é bem conhecida.

Moral da história (que não tem moral): ucranianos e russos são um povo tão único como são portugueses e espanhóis, com a diferença de que a Aljubarrota da Ucrânia só agora chegou e ainda não está ganha. 

(fonte principal «A short history of Russia and Ukraine» com os seus elucidativos sete mapas)

22/02/2024

A caldeirada espanhola. Um dos futuros possíveis para a caldeirada lusitana (sem o tempero independentista, a não ser que o Bokassa das Ilhas...)

«Quando o Partido Popular (PP) conservador venceu as eleições espanholas em 1996, os seus apoiantes gritavam "Pujol! Enano! Habla castellano!" Eles provocavam o diminuto líder separatista da Catalunha, Jordi Pujol: "Pujol! Anão! Fala espanhol!" No dia seguinte, porém, descobriu-se que o PP precisaria do apoio do partido de Pujol para governar, e  o canto rapidamente mudou para "Pujol! Guaperas! Habla lo que quieras!"

Os nacionalistas regionais da Espanha tendem a seguir seu próprio caminho. Os dois grandes partidos nacionais não formam grandes coligações. Assim, quando não têm maiorias, tanto o PP como os socialistas de centro-esquerda transferem poderes para a Catalunha e o País Basco em troca de votos. Mas o actual governo socialista de Pedro Sánchez, nomeado em Novembro, já testa o ponto de ruptura desses arranjos.

Para garantir os votos para voltar ao poder, Sánchez prometeu a um partido separatista catalão, o Junts per Catalunya (Juntos pela Catalunha), uma amnistia para os organizadores de um referendo ilegal de independência realizado em 2017. Isso enfureceu muitos espanhóis. Mas Junts prometeu dar "estabilidade" na legislatura.

No entanto, em 10 de janeiro, quando o governo precisava da aprovação parlamentar de três decretos, Junts recuou. Um decreto incluiu medidas económicas necessárias para desbloquear uma parcela de € 10 mil milhões dos fundos da UE de recuperação da Covid. No final, esse decreto e um outro foram aprovados, mas a um elevado custo. Junts e os socialistas concordaram que o governo transferiria o controle da imigração para a Catalunha. Os analistas coçaram a cabeça sobre como seria exatamente o controle da imigração a nível regional.

Os partidos também não tinham resolvido isso. O acordo escrito referia-se a uma transferência "completa" de autoridade sobre imigração. Sánchez afirma que isso não inclui o controle de fronteiras ou a expulsão de migrantes. O secretário-geral do Junts, Jordi Turull, insiste que "'completo' deve significar completo" e ameaça retirar o apoio do partido ao governo a menos que haja progresso em direcção a outro referendo de independência. Sánchez defende seus acordos com os vários separatistas nacionais da Espanha, argumentando que eles garantem um governo "progressista". Mas o Junts é um partido conservador próximo dos interesses empresariais da Catalunha, e seus líderes namoram com o chauvinismo catalão.

Para piorar as coisas, Sánchez tem problemas à esquerda. Seu terceiro decreto, sobre gastos sociais, fracassou em 10 de janeiro não por causa de Junts, mas por causa de um diferendo com o Sumar, o parceiro menor da coligação de esquerda do primeiro-ministro, ele próprio uma caldeirada. Um partido do Sumar, o Podemos, deixou o grupo por não lhe terem atribuído ministérios no novo governo e votou contra o decreto de gastos sociais. O Podemos argumentou que os subsídios de desemprego seriam reduzidos, o que era discutível. A verdadeira causa é provavelmente o azedume entre Sumar e Podemos. Seja qual for a causa, Sánchez não pode contar com o Podemos como parte de sua frágil maioria.

Em toda a Europa, os partidos de centro-direita e centro-esquerda não estão conseguindo conquistar as maiorias de que outrora desfrutavam. Mas muitos países resolvem isso com coligações alargadas. A recusa da esquerda e da direita espanholas em atravessar o corredor torna isso mais difícil. As divisões entre o centro e a periferia – não apenas catalã, mas basca, galega e assim por diante – estão tornando isso quase impossível.

A melhor esperança de Sánchez, por enquanto, pode ser a distração. Uma investigação do jornal La Vanguardia, com sede em Barcelona, afirma que o governo anterior do PP, no poder de 2011 a 2018, se envolveu em truques ilegais contra líderes nacionalistas catalães. Sánchez diz que o assunto será analisado "até às últimas consequências". Atacar a direita (e o medo da extrema-direita) manteve a esquerda e os separatistas unidos. No entanto, o foco na repressão espanhola do passado também alimenta o ímpeto independentista da Catalunha. O primeiro-ministro é um artista inveterado de fuga . Mas é difícil imaginar como pode sobreviver quase mais quatro anos.»

(tradução automática daqui)

21/02/2024

How the Radical Left Conquered Almost Everything for a Time (VII)

(Continued from I, II, III, IV, V and VI)
More examples picked up from those described by Christopher Rufo of neo-Marxism in institutions controlled by the clique of believers.

«If the cities of Tigard and Beaverton represent the categories of theory and praxis, the city of Portland represents their conclusion: power.
 
In recent years, Portland has emerged as the leading hub of America left-wing radical movements. The city's loose network of Marxist, anarchist, and anti-fascist groups has turned the street riot into an art form. After the death of George Floyd, Portland's radicals attacked police officers and laid siege to federal buildings for more than one hundred consecutive nights; they armed themselves with rocks, bottles, shields, knives, guns, bricks, lasers, boards, explosives, gasoline, barricades, spike strips, brass knuckles, and Molotov cocktails. Following the chaos, many downtown businesses closed their doors and insurance companies began to raise premiums or refuse to issue policies because of the risk of ongoing property destruction.

The same philosophy that animates the street radicals also animates the bureaucrats at Portland Public Schools, who have institutionalized the philosophy of social justice and incorporated political activism into every aspect of the education system. In recent years, administrators have pledged to make "antiracism" the district's "north star," promising to build "'an education system that intentionally disrupts - and builds leaders to disrupt systems of oppression. '' (…)

At one anti-racism session, this teacher was required to participate in a line of oppression" exercise. The trainers lined up a group of educators and shouted out various injustices -racism, sexism, homophobia, etc. - then asked the teachers who would suffer from these harms to step forward. The room was then divided into the oppressors and the oppressed, with straight white men and women forced to reckon with their identity as oppressors. The objective, according to the teacher, was to consolidate ideological power and intimidate white teachers into submission through collective guilt and fear of being labelled racists. 

The anti-racism program "was the battering ram," but the ultimate goal, according to the teacher, is the “dismantling of Western culture” and the ushering in a new left-wing utopia”. “I have no doubt that that’s exactly what they want” the teacher said. “And dismantling means just picking it apart until there’s nothing to hold it up anymore and then they can replace it.”

Today, the ideology of “anti-racism” has permeated every department in the district. »
 
(To be continued)

20/02/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (105b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 105a)

“O PS grávido do Estado”. O caminho para o socialismo passa por fazer de todos os portugueses funcionários

Aumentar o número de funcionários num país em que a administração pública funciona cada vez pior é definitivamente a vocação do Dr. Costa e do PS. Em apenas 8 oito anos, durante os quais a população residente aumentou 0,006%, o número de funcionários cresceu 13,0% de 659.138 para 745.406, ou seja, 2.166 vezes mais.


Democracia avariada

Sob a batuta do Dr. Costa o índice de democracia da Economist Intelligence Unit (EIU) está em queda desde 2019 e Portugal é classificado como uma democracia com falhas com o terceiro mais baixo índice de “Funcionamento do governo” (6,79) na Europa Ocidental, a seguir a Chipre (5,36) e Turquia (5,00).

A lição de Mme Ourmières-Widene saiu um poucachinho cara aos contribuintes

«Christine Ourmières-Widener afirma, em entrevista à CNN Portugal, que uma das lições que aprendeu com o seu despedimento foi não voltar a trabalhar para uma transportada aérea pública.» (fonte)

Choque da realidade com o anúncio …

Há um ano a ministra da Justiça anunciava a contratação de 200 oficiais de justiça. Decorrido um ano, constata-se que um terço dos novos oficiais de justiça desistiram ao fim de menos de seis meses (fonte).

Pescadinha de rabo na boca

Se uma empresa privada garantisse as suas responsabilidades por pensões num fundo composto por acções próprias isso seria um caso de polícia pela razão óbvia de se a empresa falisse o fundo de pensões não valeria um caracol. 

mais liberdade

Num quarto resgate, o que valerá o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social com 75% de dívida pública?

Portugueses no topo da Óropa e até do Mundo

mais liberdade

Vem a propósito da pescadinha lembrar o acelerado envelhecimento populacional que ameaça a sustentabilidade da Segurança Social.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Recordando: decorridos mais de quatro anos da nacionalização, a facturação da EFACEC caiu de 430 milhões para menos de 100 milhões, foram torrados mais de 300 milhões e o total de perdas do Estado e dos outros accionistas atingirá 513 milhões. O fundo Mutares ficará com o mono com um capital de 300 milhões onde entrou com apenas 15 milhões de capital e 60 milhões de garantias bancárias. Pelo caminho, soube-se agora, durante esses quatro anos metade dos trabalhadores com mestrado ou doutoramento foram-se embora.

19/02/2024

Navalny’s Letter to the former Soviet dissident Natan Sharansky

«Natan Sharansky, one of the great heroes of the twentieth century, corresponded with Alexei Navalny, one of the great heroes of the twenty-first. Navalny, through his lawyers, managed to get a Russian copy of Sharansky’s famous memoir Fear No Evil. He read it in the gulag where he was killed on February 16, 2023.»
 
First letter written by Alexei Navalny to Natan Sharansky

Extract from the English translation published by Free Press:

«Your book gives hope because the similarity between the two systems—the Soviet Union and Putin’s Russia—their ideological resemblance, the hypocrisy that serves as the very basis of their essence, and the continuity from the former to the latter—all this guarantees an equally inevitable collapse. Like the one we witnessed.

The most important thing is to arrive at the correct conclusions, so that this state of lies and hypocrisy does not enter a new cycle. In the preface of the 1991 edition you write that dissidents in prisons have kept the “virus of freedom” and it is important to prevent the KGB from inventing a vaccine against it. Alas, they have invented it. But in the current situation, it is not them who are to blame, but us, who naively thought that there was no going back to the old ways. And for the sake of good, it’s okay to rig elections a little bit here, or influence the courts a little bit there, and stifle the press a bit over here. 

These little things, and the belief that it is possible to modernize authoritarianism, are the ingredients of this vaccine. 

Nonetheless, the “virus of freedom” is far from being eradicated. It is no longer tens or hundreds as before, but tens and hundreds of thousands who are not scared to speak out for freedom and against the war⁵, despite the threats. Hundreds of them are in prisons, but I am confident that they will not be broken and they will not give up.

And many of them draw strength and inspiration from your story and your legacy. 

I am definitely one of them.

My thanks to you. 

Yours, 

Aleksei»

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (105a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Então não estamos a crescer mais do que a Óropa?

«Bons sinais de confiança. As previsões da confirmam que Portugal continuará a crescer acima da média da UE e da Zona Euro em 2024 e 2025» escreveu o Dr. Costa. Vejamos o que em português corrente são bons sinais de confiança. Como se pode ver no gráfico seguinte:

- Em 2024 o crescimento português previsto é 0,9% contra 0,7% da UE e apenas 7 países crescem menos e só dois deles (Chipre e Croácia) pertencem ao nosso clube;
- Em 2025 o crescimento português previsto é 1,6% contra 1,2% da UE e apenas 5 crescem menos e desses só um do nosso clube (Croácia).

Fonte

Em conclusão, Portugal cresce mais do que os países ricos, a quem é em termos práticos impossível manter o ritmo de crescimento dos pobres, e entre estes últimos cresce menos do que quase todos os outros. Ou seja, o Portugal dos Pequeninos a caminho do socialismo continua irremediavelmente a ser ultrapassado pelos seus compagnons de route, os países ex-comunistas e os do Sul da Europa.

Onde nos pode levar o caminho para o socialismo

Segundo um estudo recentemente publicado da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Portugal terá em 2033 o terceiro nível de vida mais baixo da UE se não houver mudança de políticas, ou seja, se o PS continuar a ocupar o Estado sucial.

A Justiça do Portugal dos Pequeninos não é cega, é trôpega

Vinte e um dias depois do desembarque de um batalhão de 300 judites no Reino do Bokassa das Ilhas, batalhão que garantiu ter encontrado indícios de vários crimes supostamente perpetrados por uma clique ligada ao Regente do Reino, ficando os arguidos em prisão preventiva, o juiz de instrução concluiu não existirem tais indícios e mandou libertar os arguidos.

PPP boas são as que ajudam à engenharia financeira das contas certas

Depois de ter encerrado pela mão da Dr. Temido várias PPP bem sucedidas na área da Saúde e, em consequência, ter degradado ainda mais o SNS, o governo socialista descobriu que afinal as PPP podem ser boas para o Hospital de Lisboa Oriental, logo um hospital que foi definido como prioritário em 2003 pelo governo PSD e que desde então andou de Herodes para Pilatos com grupos de trabalho, programas, declarações e a parafernália habitual para empurrar com a barriga.

Redescoberto, o projecto foi retirado da naftalina para apresentar obra (por fazer) durante a campanha eleitoral com um pequeno pormenor: a PPP que o governo pretender(ia) negociar não é para fazer a gestão do hospital que o governo comprovadamente não sabe fazer, é para financiar o investimento das instalações e do equipamento, evitando que o governo se endivide, às custas de pagar um diferencial de juros mais elevado de 7,5 a 10 milhões por ano do que no caso do financiamento ser com dívida pública (estimativa de João Duque).

Mais Boas Novas hospitalares em campanha eleitoral

O Hospital Central do Algarve, que anda no ar desde 2002 previsto para entrar em funcionamento em 2013, é mais um coelho tirado da cartola do Dr. Costa a um mês das eleições em plena campanha eleitoral.

Zingarelho pedronunista para aumentar o incumprimento no crédito à habitação

Depois de vários anos a tutelar a habitação em que lançou vários programas de Renda Acessível que de que resultaram 771-contratos-771 contratos, equivalentes a 0,084% dos 921 mil arrendamentos em Portugal, o Dr. Pedro Nuno, agora com o chapéu de chefe do PS e putativo próximo primeiro-ministro, produziu mais uma ideia brilhante que consiste em transformar o Estado sucial em garante dos empréstimos dos jovens para compra de habitação, induzindo a banca a relaxar a avaliação do risco de crédito sabendo que os contribuintes pagarão o que o mutuário não pagar.

(Continua)