«Na Venezuela, o país onde há filas para tudo, os preservativos e pílulas anticoncepcionais tornaram-se um luxo escasso (já se fazem encomendas nas redes sociais). A Bloomberg diz que uma caixa de 36 preservativos custa 4760 bolívares, quase o salário mínimo, cerca de 650€ no câmbio oficial ou 25€, no mercado negro. As ONG alertam: "Na América do sul, a Venezuela tem o 3º maior índice de infeções de sida por habitante e uma das mais altas taxas de gravidez na adolescência".» (Expresso Curto)
Acrescentem-se 79 mortes violentas por 100 mil habitantes (eram 19 em 1998 no início do chávismo), o que faz da Venezuela o 3.º país mais violento do mundo a seguir às Honduras.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
12/02/2015
11/02/2015
ARTIGO DE DEFUNTO: A arte de bem titular (7)
«Alemanha é o país que mais desviou crescimento de Portugal» titulou o DN. Podia ser só mais um título estúpido do jornalismo de causas, mas não é – o próprio artigo é um exercício de manipulação só prejudicado pela ignorância.
Não vou gastar mais cera com tão ruim defunto porque já outros o fizeram muito melhor do que a minha falta de pachorra permitiria. Como aqui Maria João Marques ontem e aqui Miguel Botelho Moniz hoje no Insurgente
Não vou gastar mais cera com tão ruim defunto porque já outros o fizeram muito melhor do que a minha falta de pachorra permitiria. Como aqui Maria João Marques ontem e aqui Miguel Botelho Moniz hoje no Insurgente
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BREIQUINGUE NIUZ: Portugal não é a Grécia (por enquanto)
«Portugal realizou hoje um leilão de dívida com maturidade de 10 anos, num montante total de 1.25 mil milhões de euros. Este valor situa-se no máximo do intervalo previamente anunciado (€1MM €1.25MM), tendo a taxa de juro suportada fixado um novo mínimo histórico, de 2.5062%.
Na última operação comparável, realizada no passado mês de Novembro, a taxa de juro implícita nos títulos com maturidade a 10 anos foi de 3.1755%, tendo o custo da dívida de idêntica maturidade, emitida aquando na emissão de dívida sindicada realizada em Janeiro, sido de 2.92%.
De referir ainda que a procura total ascendeu a 2.35 mil milhões de euros, ultrapassando a oferta em 1.88 vezes, o que compara um rácio de 2.07 vezes no leilão realizado no final de 2014.
O resultado deste leilão tem particular importância por se realizar no mesmo dia em que o Eurogrupo se reúne para discutir o futuro do financiamento à Grécia, após nos últimos dias se ter assistido a algum extremar de posições entre autoridades gregas e alemãs, situação que, até ao momento, não se reflectiu negativamente sobre o custo da dívida dos demais países da periferia da Europa.»
De uma newsletter do BPI
Na última operação comparável, realizada no passado mês de Novembro, a taxa de juro implícita nos títulos com maturidade a 10 anos foi de 3.1755%, tendo o custo da dívida de idêntica maturidade, emitida aquando na emissão de dívida sindicada realizada em Janeiro, sido de 2.92%.
De referir ainda que a procura total ascendeu a 2.35 mil milhões de euros, ultrapassando a oferta em 1.88 vezes, o que compara um rácio de 2.07 vezes no leilão realizado no final de 2014.
O resultado deste leilão tem particular importância por se realizar no mesmo dia em que o Eurogrupo se reúne para discutir o futuro do financiamento à Grécia, após nos últimos dias se ter assistido a algum extremar de posições entre autoridades gregas e alemãs, situação que, até ao momento, não se reflectiu negativamente sobre o custo da dívida dos demais países da periferia da Europa.»
De uma newsletter do BPI
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Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo (por vezes)
Ainda não tinha secado a tinta dos jornais que citaram o «plano B que é obter financiamento de outra fonte» (Rússia, China e EU) de Panos Kammenos, ministro grego da Defesa, e já o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros grego garantia ter a China oferecido financiamento.
Ainda não tinha secado a tinta dos jornais que citaram o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros grego e já «o ministro dos negócios Estrangeiros chinês garantiu esta quarta-feira através do seu porta-voz que não tem conhecimento de qualquer oferta de Pequim para ajudar a Grécia.»
Devemos reconhecer que, até agora, quem fez mais para inviabilizar os planos lunáticos do governo Syriza-Anel não foi a Alemanha, nem a CE, nem mesmo o poderoso Passos Coelho. Foram os lunáticos.
Ainda não tinha secado a tinta dos jornais que citaram o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros grego e já «o ministro dos negócios Estrangeiros chinês garantiu esta quarta-feira através do seu porta-voz que não tem conhecimento de qualquer oferta de Pequim para ajudar a Grécia.»
Devemos reconhecer que, até agora, quem fez mais para inviabilizar os planos lunáticos do governo Syriza-Anel não foi a Alemanha, nem a CE, nem mesmo o poderoso Passos Coelho. Foram os lunáticos.
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ACREDITE SE QUISER: Pobres vivendo como ricos e ricos vivendo como pobres são situações sustentáveis a longo prazo
«Salário mínimo na Grécia é 1,5 vezes o português vai ficar 50% acima do português e está quase ao nível dos Estados Unidos». (Expresso online de ontem)
«Doze Estados americanos pagam aos seus senadores estaduais salários base de US $10.000 ou menos. Nove Estados pagam mais de US $50.000. A maioria dos Estados pagam uma senha de presença por dia e os custos de quilometragem durante o tempo que os legisladores estão na sessão. Muitas legislaturas dos Estados têm sessões em part-time, às vezes apenas algumas semanas por ano, o que exige obriga os políticos desses Estados a manterem os seus empregos, a menos que sejam suficientemente ricos.» (MarketWatch de ontem)
«Doze Estados americanos pagam aos seus senadores estaduais salários base de US $10.000 ou menos. Nove Estados pagam mais de US $50.000. A maioria dos Estados pagam uma senha de presença por dia e os custos de quilometragem durante o tempo que os legisladores estão na sessão. Muitas legislaturas dos Estados têm sessões em part-time, às vezes apenas algumas semanas por ano, o que exige obriga os políticos desses Estados a manterem os seus empregos, a menos que sejam suficientemente ricos.» (MarketWatch de ontem)
CASE STUDY: Dissonância cognitiva
Como é possível a coexistência no governo grego da coligação Syriza-Anel de um primeiro-ministro que defende um haircut da dívida e que a Grécia tem «obrigação histórica e moral» de reclamar à Alemanha cerca de 162 mil milhões de euros referentes a indemnizações da Segunda Guerra Mundial, entre outras coisas, com um ministro da Defesa de extrema-direita que se dispõe a fazer acordos com a Rússia ou China para obter dinheiro, e de ambos com o ministro das Finanças Varoufakis?
Ministro das Finanças que em 2012 escreveu no seu blogue sobre o manifesto do Syriza que não valia o papel em que estava escrito:
Ministro das Finanças que em 2012 escreveu no seu blogue sobre o manifesto do Syriza que não valia o papel em que estava escrito:
«It is not worth the paper it is written on. While replete with good intentions, it is hort (?) on detail, full of promises that cannot, and will not be fulfilled (the greatest one is that austerity will be cancelled), a hotchpotch of policies that are neither here nor there. Just ignore it.»Ministro das Finanças que a semana passada, em entrevista ao jornal alemão Die Zeit, perguntado «During the campaign, Syriza announced a spending programme worth billions. Can it be implemented without new debts?», respondeu
«It has to. I can promise you: Excluding interest payments, Greece will never present a budget deficit again. Never, never, never!»Daí, entre várias outras coisas, a elevada probabilidade de implosão do governo grego, isto, claro, no caso de não ocorrer antes uma explosão.
10/02/2015
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (VI)
Panos Kammenos, ministro grego da Defesa, mostrando um grande apego patriótico e coerência de princípios, ameaçou
Entretanto, os investidores - isto é aqueles capitalistas exploradores que nos emprestam dinheiro e que emprestaram noutros tempos à Grécia para as nossas e as pândegas deles - estão a ficar nervosos connosco, como já vimos, e a tremer só de ouvir falar grego.
«O que nós queremos é um acordo. Mas se não houver nenhum acordo - esperemos que haja - e se virmos que a Alemanha se mantém intransigente e que quer rebentar com a Europa, então teremos a obrigação de avançar para o plano B que é obter financiamento de outra fonte.»A «outra fonte» é a Rússia ou a China (também citou os EU para disfarçar). Se Kammenos não fosse líder do Anel que faz parte da coligação com o Syriza, o Anel, um pequeno partido de extrema-direita, seria classificado pela esquerdalhada como nazi e o seu líder como o Fuehrer.
Entretanto, os investidores - isto é aqueles capitalistas exploradores que nos emprestam dinheiro e que emprestaram noutros tempos à Grécia para as nossas e as pândegas deles - estão a ficar nervosos connosco, como já vimos, e a tremer só de ouvir falar grego.
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| Yields da Grécia e de Portugal (Fonte: Bloomberg) |
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Lost in translation (223) – O grego é uma língua muito difícil e ‘o’ Alex chumbou em História
«Tsipras diz que Grécia tem "obrigação histórica e moral" de reclamar indemnizações à Alemanha», titulou o Expresso.
«Um tropo obrigatório desta esquerda neo-romântica é o pagamento da dívida de guerra da Alemanha, que a Inglaterra e a América indexaram ao aumento de exportações da República Federal. O exemplo não serve. Em primeiro lugar, o exército americano e o exército inglês ocupavam a Alemanha e queriam o apoio dela para resistir à expansão soviética que, naquele tempo, parecia ameaçar a Europa. Em segundo lugar, a Alemanha estava fisicamente arrasada pelos bombardeamentos de 1943-45 e o Ocidente não tinha dinheiro para a reconstruir e a alimentar: esquecer a dívida de guerra era do seu interesse (e, ao mesmo tempo, um bom passo político). Já a América não perdoou um tostão da dívida da Inglaterra, que pontualmente a pagou. As pessoas crescidas sabem disto. E a sra. Merkel também. Por isso avisou que não receberia Tsipras (para não aturar a mistura de chantagem e choradeiras com que ele anda por aí a maçar o mundo) e mandou o ministro das Finanças comunicar ao jovem que, para ele, não estava em casa.»
Escreveu Vasco Pulido Valente no Público
Aditamento:
«Mesmo após a Conferência sobre as dívidas da Alemanha organizada em 1953 que veio rever (e atenuar) os termos do pagamento das sanções aplicadas nas Conferências de Paris, após o fim da II Guerra Mundial, a Alemanha pagou até aos anos 60 mais 115 milhões de marcos às vítimas dos nazis na Grécia e enviou maquinaria pesada para restituir o setor produtivo do país. No entanto, Tsipras defende, tal como vários economistas gregos apuraram no relatório para Samaras, que a dívida atual se situa em 162 mil milhões de euros – 108 mil milhões devido às infraestruturas destruídas e 54 mil milhões dizem respeito ao ouro e dinheiro retirado dos bancos gregos durante a ocupação.» (Observador)
«Um tropo obrigatório desta esquerda neo-romântica é o pagamento da dívida de guerra da Alemanha, que a Inglaterra e a América indexaram ao aumento de exportações da República Federal. O exemplo não serve. Em primeiro lugar, o exército americano e o exército inglês ocupavam a Alemanha e queriam o apoio dela para resistir à expansão soviética que, naquele tempo, parecia ameaçar a Europa. Em segundo lugar, a Alemanha estava fisicamente arrasada pelos bombardeamentos de 1943-45 e o Ocidente não tinha dinheiro para a reconstruir e a alimentar: esquecer a dívida de guerra era do seu interesse (e, ao mesmo tempo, um bom passo político). Já a América não perdoou um tostão da dívida da Inglaterra, que pontualmente a pagou. As pessoas crescidas sabem disto. E a sra. Merkel também. Por isso avisou que não receberia Tsipras (para não aturar a mistura de chantagem e choradeiras com que ele anda por aí a maçar o mundo) e mandou o ministro das Finanças comunicar ao jovem que, para ele, não estava em casa.»
Escreveu Vasco Pulido Valente no Público
Aditamento:
«Mesmo após a Conferência sobre as dívidas da Alemanha organizada em 1953 que veio rever (e atenuar) os termos do pagamento das sanções aplicadas nas Conferências de Paris, após o fim da II Guerra Mundial, a Alemanha pagou até aos anos 60 mais 115 milhões de marcos às vítimas dos nazis na Grécia e enviou maquinaria pesada para restituir o setor produtivo do país. No entanto, Tsipras defende, tal como vários economistas gregos apuraram no relatório para Samaras, que a dívida atual se situa em 162 mil milhões de euros – 108 mil milhões devido às infraestruturas destruídas e 54 mil milhões dizem respeito ao ouro e dinheiro retirado dos bancos gregos durante a ocupação.» (Observador)
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09/02/2015
ARTIGO DEFUNTO: O pensamento delirante radical chic
«Para mostrar ao que vinha, a Grécia entrou a matar: reposição do salário mínimo, eletricidade gratuita para mais de cem mil famílias que não a conseguem pagar, reposição do 13º mês para reformas inferiores a 700 euros, suspensão das privatizações. No prolongamento das sanções à Ucrânia e nas relações com a Rússia, deixou um primeiro aviso: a Europa tem muito a perder se encurralar os gregos. Depois dos sinais de força, Tsipras e Varoufakis começaram o périplo europeu para procurar aliados e falar diretamente com os responsáveis políticos. Ganhou espaço político.»
Escreveu Daniel Oliveira, sob o título «Somos gregos», no Expresso, o jornalista, ex-PCP, ex-Plataforma de Esquerda, ex-BE, actual Fórum Manifesto e Tempo de Avançar (para onde?). E por que não, já que estamos a falar de «política», para «mostrar ao que vinha», dar mais «sinais de força» e ganhar «mais espaço político», o Syriza aumentar para o dobro o salário mínimo, dar electricidade a 600 mil famílias, repor o 13.º mês e dar mais o 14.º mês, nacionalizar mais umas quantas empresas privadas e, last but not least, fazer uma aliança com o seu colega Putin?
Escreveu Daniel Oliveira, sob o título «Somos gregos», no Expresso, o jornalista, ex-PCP, ex-Plataforma de Esquerda, ex-BE, actual Fórum Manifesto e Tempo de Avançar (para onde?). E por que não, já que estamos a falar de «política», para «mostrar ao que vinha», dar mais «sinais de força» e ganhar «mais espaço político», o Syriza aumentar para o dobro o salário mínimo, dar electricidade a 600 mil famílias, repor o 13.º mês e dar mais o 14.º mês, nacionalizar mais umas quantas empresas privadas e, last but not least, fazer uma aliança com o seu colega Putin?
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TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Coisas que outros escreveram sobre Costa, as quais, por isso, já não precisam de ser escritas (11)
Outras coisas: «Para mim Costa não é um mistério», (2), (3), (4), (5), (6), (7) , (8), (9) e (10).
«Na entrevista de três páginas ao "Público'', anteontem, António Costa diz coisas muito acertadas, faz diagnósticos muito correctos sobre o país e a Europa, mas, se me perguntarem hoje o que disse ele de novo ou de importante (considerando que até aqui não tinha dito rigorosamente nada), confesso que não me consigo lembrar de coisa alguma, só generalidades inócuas.
Perguntado como vem acompanhando a situação na Grécia, responde com o Governo português. Perguntado se concorda com a convocação de uma conferência europeia para discutir as dívidas públicas, responde comentando a recusa de Passos Coelho, mas sem dizer em concreto qual deveria ser a posição do Governo. Perguntado sobre o plano grego, responde que "numa Europa a 28 ninguém pode prever resultados" e que sempre recusou que "a renegociação da dívida seja a única e necessária solução", mas sim a concorrência de "diferentes variáveis". Já o seu diagnóstico crítico sobre a política europeia está correcto e é bem fundamentado, mas quando insiste no investimento público como meio indispensável para relançar a economia e o crescimento, isso devolve-nos à questão que ele acha que não é essencial: como gerar meios para o investimento público num país em que os saldos orçamentais primários positivos, conquistados a duras penas e a preço mortal para a economia, são integralmente absorvidos pelo serviço da dívida e mesmo assim não chegam, obrigando a novos pedidos de empréstimo e a um agravamento constante da dívida? Como é que a dívida pode ser sustentável, como ele diz, como é que pode não ser o problema principal, se o seu pagamento exige cada vez mais meios que tornam virtualmente impossível o crescimento económico?»
Miguel Sousa Tavares continua no mesmo tom por mais 5 colunas da sua peça no Expresso com o título surpreendente «Ó António, diga qualquer coisa, porra!» É mais um desiludido. Lamentavelmente, a maioria dos desiludidos está desiludida pelas razões erradas. O problema não está principalmente em António Costa - um político bom no género mau. O problema está no género, que é como quem diz nas políticas.
«Na entrevista de três páginas ao "Público'', anteontem, António Costa diz coisas muito acertadas, faz diagnósticos muito correctos sobre o país e a Europa, mas, se me perguntarem hoje o que disse ele de novo ou de importante (considerando que até aqui não tinha dito rigorosamente nada), confesso que não me consigo lembrar de coisa alguma, só generalidades inócuas.
Perguntado como vem acompanhando a situação na Grécia, responde com o Governo português. Perguntado se concorda com a convocação de uma conferência europeia para discutir as dívidas públicas, responde comentando a recusa de Passos Coelho, mas sem dizer em concreto qual deveria ser a posição do Governo. Perguntado sobre o plano grego, responde que "numa Europa a 28 ninguém pode prever resultados" e que sempre recusou que "a renegociação da dívida seja a única e necessária solução", mas sim a concorrência de "diferentes variáveis". Já o seu diagnóstico crítico sobre a política europeia está correcto e é bem fundamentado, mas quando insiste no investimento público como meio indispensável para relançar a economia e o crescimento, isso devolve-nos à questão que ele acha que não é essencial: como gerar meios para o investimento público num país em que os saldos orçamentais primários positivos, conquistados a duras penas e a preço mortal para a economia, são integralmente absorvidos pelo serviço da dívida e mesmo assim não chegam, obrigando a novos pedidos de empréstimo e a um agravamento constante da dívida? Como é que a dívida pode ser sustentável, como ele diz, como é que pode não ser o problema principal, se o seu pagamento exige cada vez mais meios que tornam virtualmente impossível o crescimento económico?»
Miguel Sousa Tavares continua no mesmo tom por mais 5 colunas da sua peça no Expresso com o título surpreendente «Ó António, diga qualquer coisa, porra!» É mais um desiludido. Lamentavelmente, a maioria dos desiludidos está desiludida pelas razões erradas. O problema não está principalmente em António Costa - um político bom no género mau. O problema está no género, que é como quem diz nas políticas.
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Lost in translation (222) – O grego é uma língua muito difícil
Os mídia traduziram uma passagem do discurso do camarada Alexis Tsipras, na apresentação do programa do Governo no parlamento grego, assim: «A Grécia tem a obrigação moral para com o seu povo, para com a sua História e para com todos os povos europeus que lutaram e deram o seu sangue contra o nazismo.»
Só pode ser um erro de tradução motivado por um encalhe dos jornalistas de causas nos anos 40. Não terá ‘o’ Alexis dito: «A Grécia tem a obrigação moral para com o seu povo, para com a sua História e para com todos os povos europeus de lhes devolver o dinheiro emprestado»?
Só pode ser um erro de tradução motivado por um encalhe dos jornalistas de causas nos anos 40. Não terá ‘o’ Alexis dito: «A Grécia tem a obrigação moral para com o seu povo, para com a sua História e para com todos os povos europeus de lhes devolver o dinheiro emprestado»?
08/02/2015
Mitos (187) - Os novos ícones da esquerda
«O ministro das Finanças grego é sexy, porra!», escreveu Isabel Moreira num sítio qualquer. O jornalismo de causas e a esquerda andavam carecidíssimos de um herói. Descobriram dois, ‘o’ Alexis e ‘o’ Yanis, sendo que o segundo está a ganhar nos mídia o estatuto de vedeta.
Veja-se a página 15 da Revista do Expresso dedicada ao Varoufas, como com intimidade irónica lhe chama o comendador Marques de Correia, umas páginas mais à frente. É um panegírico na forma de «um currículo visual», com uma fotografia hollywoodesca no centro, rodeada pela evocação comovedora da vida do herói. Evocação que começa com o nascimento e o episódio mitológico da invasão da sua casa aos 6 anos pelo esbirros dos coronéis para prender o pai, e acaba no dia 30 de Janeiro quando «corta a cabeça à troika», passando pela «terceira vitória de Margaret Thatcher» que o levou a abandonar a «velha Albion», porque foi «demais».
Tem sido um longo caminho, desde Lenine, Trotsky, Estaline, Mao, Castro, Che Guevara, até aos ícones Alexis e Yanis, acompanhando a evolução do marxismo desde a ditadura do proletariado até às causas fracturantes e ao politicamente correcto do marxismo cultural.
Veja-se a página 15 da Revista do Expresso dedicada ao Varoufas, como com intimidade irónica lhe chama o comendador Marques de Correia, umas páginas mais à frente. É um panegírico na forma de «um currículo visual», com uma fotografia hollywoodesca no centro, rodeada pela evocação comovedora da vida do herói. Evocação que começa com o nascimento e o episódio mitológico da invasão da sua casa aos 6 anos pelo esbirros dos coronéis para prender o pai, e acaba no dia 30 de Janeiro quando «corta a cabeça à troika», passando pela «terceira vitória de Margaret Thatcher» que o levou a abandonar a «velha Albion», porque foi «demais».
Tem sido um longo caminho, desde Lenine, Trotsky, Estaline, Mao, Castro, Che Guevara, até aos ícones Alexis e Yanis, acompanhando a evolução do marxismo desde a ditadura do proletariado até às causas fracturantes e ao politicamente correcto do marxismo cultural.
07/02/2015
A maldição da tabuada (21) – É por causa dos défices
Só tenho uma explicação para o facto de o governo andar vai para 4 anos a dizer-nos que está a cumprir todas as medidas do Memorando de Entendimento por excesso, a oposição andar durante 3 anos a dizer-nos que o governo é um lacaio da senhora Merkel e faz tudo o que lhe mandam e no último ano ter passado a dizer que afinal o governo não cumpriu o Memorando (que por acaso foi negociado e assinado por uma parte da oposição no lavar dos cestos da vindima do PS).
Explicação que me ocorreu quando soube que a Comissão Europeia considerou como cumpridas apenas 36% das reformas estruturais. Quando se passa os olhos pelas 34 páginas do Memorando - onde logo na primeira se escreve «if targets are missed or expected to be missed, additional action will be taken» - isso corresponde a menos de uma reforma estrutural cumprida por página.
É a maldição da tabuada resultante do défice de numeracia, um défice mais persistente e mais grave do que os défices do OE ou o défice das contas externas, só talvez ultrapassado pelo défice de memória, e que, pelo menos vai para mais de 250 anos, desde que o marquês de Pombal expulsou os jesuítas – os únicos que sabiam fazer contas - aflige sem qualquer discriminação governos, oposições, jornalistas, opinion dealers e o homo lusitanicus em geral.
Explicação que me ocorreu quando soube que a Comissão Europeia considerou como cumpridas apenas 36% das reformas estruturais. Quando se passa os olhos pelas 34 páginas do Memorando - onde logo na primeira se escreve «if targets are missed or expected to be missed, additional action will be taken» - isso corresponde a menos de uma reforma estrutural cumprida por página.
É a maldição da tabuada resultante do défice de numeracia, um défice mais persistente e mais grave do que os défices do OE ou o défice das contas externas, só talvez ultrapassado pelo défice de memória, e que, pelo menos vai para mais de 250 anos, desde que o marquês de Pombal expulsou os jesuítas – os únicos que sabiam fazer contas - aflige sem qualquer discriminação governos, oposições, jornalistas, opinion dealers e o homo lusitanicus em geral.
Dúvidas (76) – It’s a bird, it’s a plane, it’s Superman? It’s Alexis & Yanis
No seu afã de promover a imagem do governo grego e fazer passar as suas chantagens delirantes por algo de coerente e fazível, os jornalistas da causa grega usam o melhor da sua imaginação. Pedro Santos Guerreiro, que com o seu estilo gongórico até é bom no género mau, descreve no Expresso online o que na cabecinha dele é essencialmente a «negociação» entre a Grécia e Alemanha com o exemplo do «jogo do cobarde» em que estes dois países são camiões que se vão cruzar numa estrada onde só cabe um.
Por coincidência, ou talvez não, José Ferreira Machado, ex-director da Faculdade de Economia da Nova, usou no dia seguinte no jornal SOL o mesmo exemplo trocando a Alemanha pela UE e o camião da Grécia por um chaço em mau estado e concluindo «o resultado da colisão frontal não é simétrico: um perderá a ‘vida’ e outro sofrerá, somente, um arranhão.»
06/02/2015
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (V)
Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças, e Yanis Varoufakis, o ministro grego da Bancarrota, encontraram-se e concordaram em discordar.
«What are Spaniards to make of the news from Greece?» pergunta-se no Financial Times Andrés Ortega do Instituto Real Elcano, ex-responsável pelo planeamento do gabinete do primeiro-ministro espanhol. Antes de responder, Ortega lembra alguns factos geralmente omitidos no «conto de fadas»: a Espanha, com um quarto da mão-de-obra desempregada e finanças problemáticas herdadas do governo PSOE, tal como as da Grécia foram herdadas do PASOK de Papandreou e as de Portugal do PS de Sócrates, contribuiu com 26 mil milhões para os fundos de resgate que financiaram a Grécia o que é mais de metade dos 40 mil milhões que a Espanha recebeu do ESM para recapitalizar os seus bancos. E a Grécia? «Twice rescued, has also made sacrifices, but is yet to push really deep reforms».
Há quem considere que o governo grego está a cometer erros. Talvez esteja nas suas tácticas, porém isso não é o mais importante. Classificar as acções e políticas Syriza como erros seria o mesmo que concluir ter o lacrau da fábula errado ao morder a rã a meio da travessia do rio. Morder é da natureza do lacrau, como o programa do Syriza é da sua natureza. Alterar a natureza do Syriza é um feito ao nível do lacrau se converter numa inofensiva lagartixa.
«What are Spaniards to make of the news from Greece?» pergunta-se no Financial Times Andrés Ortega do Instituto Real Elcano, ex-responsável pelo planeamento do gabinete do primeiro-ministro espanhol. Antes de responder, Ortega lembra alguns factos geralmente omitidos no «conto de fadas»: a Espanha, com um quarto da mão-de-obra desempregada e finanças problemáticas herdadas do governo PSOE, tal como as da Grécia foram herdadas do PASOK de Papandreou e as de Portugal do PS de Sócrates, contribuiu com 26 mil milhões para os fundos de resgate que financiaram a Grécia o que é mais de metade dos 40 mil milhões que a Espanha recebeu do ESM para recapitalizar os seus bancos. E a Grécia? «Twice rescued, has also made sacrifices, but is yet to push really deep reforms».
Há quem considere que o governo grego está a cometer erros. Talvez esteja nas suas tácticas, porém isso não é o mais importante. Classificar as acções e políticas Syriza como erros seria o mesmo que concluir ter o lacrau da fábula errado ao morder a rã a meio da travessia do rio. Morder é da natureza do lacrau, como o programa do Syriza é da sua natureza. Alterar a natureza do Syriza é um feito ao nível do lacrau se converter numa inofensiva lagartixa.
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BREIQUINGUE NIUZ: Boas e más notícias
A boa notícia é que a Comissão Europeia reviu a sua previsão de crescimento em 2015 em alta para 1,6%, superior à previsão do governo português (1,5%) – facto mais raro do que os anos bissextos.
A má notícia é que devido aos contos de fadas do governo grego Syriza-Anel e às mudanças semânticos nos seus planos para transformar a Grécia na Venezuela do Sul da Europa, com os alemães em vez do petróleo, os investidores - isto é aqueles capitalistas exploradores que nos emprestam dinheiro para as nossas pândegas - estão a ficar nervosos, como se pode ver pelos chiliques dos yields das OT a 10 anos.
A má notícia é que devido aos contos de fadas do governo grego Syriza-Anel e às mudanças semânticos nos seus planos para transformar a Grécia na Venezuela do Sul da Europa, com os alemães em vez do petróleo, os investidores - isto é aqueles capitalistas exploradores que nos emprestam dinheiro para as nossas pândegas - estão a ficar nervosos, como se pode ver pelos chiliques dos yields das OT a 10 anos.
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| Fonte: Bloomberg |
05/02/2015
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Portugal pode não ser a Grécia e o PS pode ser o PASOK
«O PS ainda não é o PASOK por sorte. Em 2009, também venceu umas eleições a negar a “austeridade”, para depois andar de PEC em PEC. Em 2011, deixou um país arruinado, mas teve a sorte de haver uma coligação de direita que, com mais ou menos dificuldade, executou o bastante do memorando para equilibrar as contas. O PS, dispensado de ajudar, pôde fazer de cigarra da anti-austeridade, ajudado ainda pelo modo como o velho PCP e a velhinha UDP (sob o pseudónimo de BE) bloqueiam o desenvolvimento de “Syrizas” ou de “Podemos”. Mas não é difícil imaginar o PS transformado num PASOK. Basta-lhe ir às eleições de 2015 com o programa do PASOK de 2009 ou o do Syriza.
A Grécia ou Portugal não têm economias para sustentar os seus “modelos sociais”. Restam-lhes três alternativas: ou reformam a economia para competir nos mercados internacionais, que é por onde podem crescer sem engendrar dívida; ou convencem a Alemanha a pagar as contas; ou abandonam o euro e aceitam uma descida tremenda de nível de vida. Para esta última opção, não há “base social de apoio” (como a esquerda radical gosta de dizer), e é por isso que os Hollandes e os Tsipras acabam, sem querer, na lei Macron ou no elogio patético da “Alemanha hegemónica”.»
«Como é que o PS pode ser o PASOK», Rui Ramos no Observador
A Grécia ou Portugal não têm economias para sustentar os seus “modelos sociais”. Restam-lhes três alternativas: ou reformam a economia para competir nos mercados internacionais, que é por onde podem crescer sem engendrar dívida; ou convencem a Alemanha a pagar as contas; ou abandonam o euro e aceitam uma descida tremenda de nível de vida. Para esta última opção, não há “base social de apoio” (como a esquerda radical gosta de dizer), e é por isso que os Hollandes e os Tsipras acabam, sem querer, na lei Macron ou no elogio patético da “Alemanha hegemónica”.»
«Como é que o PS pode ser o PASOK», Rui Ramos no Observador
Chávez & Chávez, Sucessores (26) – O caminho para a servidão é também o caminho para as prateleiras vazias (parte III)
Venezuela’s crisis: queues today, coup tomorrow?
«Nicolás Maduro, Venezuela’s increasingly unpopular left-wing president, is rattled. On Sunday he had the owners of a chain-store arrested, blaming them for causing long queues. But scapegoating shopkeepers will not alleviate the shortages of basic goods that have spread across the country. These are a consequence of misguided policies, compounded by the slump in the price of oil, which is almost Venezuela’s only export. Mr Maduro has recoiled from measures to steady the economy, including devaluing the bolívar and raising the price of ultra-cheap petrol. This makes more likely a default on Venezuela’s foreign debt by the end of the year. And a political crack-up could come much sooner: if the opposition wins parliamentary elections this year it could vote to hold a referendum to oust Mr Maduro from office in 2016. Venezuelans fear that the autocratic regime will respond by increasing repression - or that social unrest will trigger a coup.»The Economist Espresso via e-mail
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| No verdadeiro socialismo nunca faltam prateleiras vazias (fila para o centro comercial em S. Cristobal) |
Pro memoria (221) – Pagando o sistema de cobranças das SCUT (III)
Continuação deste post. Para uma recapitulação mais completa ver a etiqueta CCUT (Com Custos para o Utilizador e o Tanso)
«As receitas de portagem obtidas pelas Estradas de Portugal (EP) em 2014 cobriram apenas 27% dos encargos que a empresa pública teve com as auto-estradas concessionadas. Só as subconcessões, lançadas no Governo de José Sócrates, representaram em 2014 um encargo para a Estradas de Portugal de quase 300 milhões de euros, tendo apenas gerado 17,8 milhões de receitas de portagem.» (Jornal de Negócios)
Insistindo: nos momentos mais exaltados, os indignados que hoje vociferam contra a austeridade, a troika, a Merkel e o governo deveriam bater nas suas desconchavadas monas para se punirem por esses anos de alienação, poupando-nos a essa indignação tão tardia quanto inútil.
«As receitas de portagem obtidas pelas Estradas de Portugal (EP) em 2014 cobriram apenas 27% dos encargos que a empresa pública teve com as auto-estradas concessionadas. Só as subconcessões, lançadas no Governo de José Sócrates, representaram em 2014 um encargo para a Estradas de Portugal de quase 300 milhões de euros, tendo apenas gerado 17,8 milhões de receitas de portagem.» (Jornal de Negócios)
Insistindo: nos momentos mais exaltados, os indignados que hoje vociferam contra a austeridade, a troika, a Merkel e o governo deveriam bater nas suas desconchavadas monas para se punirem por esses anos de alienação, poupando-nos a essa indignação tão tardia quanto inútil.
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CCUT,
Complexo político-empresarial socialista,
gestão pública
04/02/2015
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (IV)
Outros purgatórios a caminho dos infernos.
Em uma semana o facho de vedeta do conto de fadas do governo Syriza-Anel passou das mãos de Alexis Tsipras para Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças que em 2012 escreveu no seu blogue a respeito do manifesto do Syriza «It is not worth the paper it is written on» e que, talvez por isso, à primeira vista pareceria merecedor de um pouco mais de atenção. Sobretudo porque as suas propostas aparentam ser mais realistas e por isso estão a ser muito celebradas pela generalidade dos mídia nacionais e internacionais.
Porém, à segunda vista, repara-se que Varoufakis apresenta dia sim, dia não, um novo plano, que em rigor é sempre o mesmo, como escreve Tyler Durden no Zero Hedge:
Em uma semana o facho de vedeta do conto de fadas do governo Syriza-Anel passou das mãos de Alexis Tsipras para Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças que em 2012 escreveu no seu blogue a respeito do manifesto do Syriza «It is not worth the paper it is written on» e que, talvez por isso, à primeira vista pareceria merecedor de um pouco mais de atenção. Sobretudo porque as suas propostas aparentam ser mais realistas e por isso estão a ser muito celebradas pela generalidade dos mídia nacionais e internacionais.
Porém, à segunda vista, repara-se que Varoufakis apresenta dia sim, dia não, um novo plano, que em rigor é sempre o mesmo, como escreve Tyler Durden no Zero Hedge:
«If there was any confusion how Germany would react to the latest Greek plan, even though as we explicitly stated yesterday, the "new" Greek plan is really the "old" Greek plan but repackaged semantically for appeal to German taxpayers, even as the proposal to involve Europe's public entities in a distressed debt restructuring is a non-starter, all confusion can be now abandoned following remarks by Merkel's ally Kauder in which he not only called the Greek debt plan "half-baked" saying he will no longer respond to new proposals from Athens "every day", but making it clear that there will be no renegotiation of the existing bailout proposal saying "we have agreements with Greece and not with a government - and these agreements have to be adhered to.»E dificilmente poderia ser mais do que semântica, por uma razão muito simples: o governo Syriza-Anel é um saco de gatos, não apenas pelas irremediáveis diferenças entre os dois partidos, mas pelas próprias diferenças no interior do Syriza, uma federação de esquerdistas infantis, semelhante ao nosso Bloco de Esquerda, que mistura trotskistas, maoístas, comunistas reciclados e etc. O stock de realismo é negligenciável e as cedências de facto à retórica nacionalista e anti-austeridade arriscam-se a fazer ruir o equilíbrio precário em organizações por natureza propensas à eterna dissidência.
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