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25/07/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (24)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

Em 2018, o governo comprou para o Exército por 6 milhões drones de vigilância de fogos que não foram usados. Em 2020, o governo compra mais 12 drones para a Força Aérea e começa a contratar guardas-florestais, cujas funções de vigilância num país normal seriam substituídas pelos drones. Em Julho desse ano, a Força Aérea assina o contrato; a 17 desse mês o ministro do Ambiente diz que os drones estariam operacionais dentro de dias; a 4 de Agosto os ministros fazem uma acção de promoção; a 30 de Setembro só estavam operacionais quatro dos doze drones e um desses drones que voava em teste despenhou-se em Beja. Decorrido mais um ano, só estavam disponíveis 7 desses drones e, entretanto, os de descolagem vertical foram suspensos e um dos outros despenhou-se em 11 de Agosto do ano passado o que levou a suspender todos.

Ponto de situação: de uma dúzia de drones comprados em 2020 por ajuste directo num contrato que o TdC considerou desastroso, em Julho deste ano só 3 estavam a ser utilizados. Pior é difícil, até para o Estado sucial gerido pela clique socialista.

A função zingarilho da Boa Nova é do tipo quanto mais, mais

Se as coisas correm mal isso não é necessariamente um problema. O problema é quando a choldra começa a perceber e, então, quanto mais se torna impossível de esconder por trás do nevoeiro informativo a cargo do jornalismo alinhado, mais o governo tira coelhos da cartola que têm uma vida tão curta quanto a dos coelhos dos vendedores da banha da cobra nas feiras. Alguns exemplos de anúncios dos últimos dias:
A consistência não é o forte do Dr. Costa

À segunda-feira, o Dr. Costa puxa dos galões das energias renováveis na produção de electricidade para se recusar a participar nas medidas propostas pela CE para reduzir dependência energética da Rússia. Segundo ele, tais medidas seriam «para compensar o atraso em que outros se colocaram quando podiam e deviam ter feito investimentos como nós fizemos nas energias renováveis». À quinta-feira, manda o secretário de Estado da Energia dizer que se opõe à redução de 15% da utilização do gás proposta pela CE porque «estamos a usar o gás por absoluta necessidade» para… a produção de electricidade.

Plano para manter a flutuar o Estado sucial em afundamento

Dos 16 mil milhões de euros do PRR, às empresas privadas chegaram até agora 9 milhões de euros e às empresas públicas chegaram mais de 700 milhões de euros, em cima das centenas de milhões que recebem de subsídios.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

No final de Junho, o saldo da dívida directa do Estado atingiu a cifra prodigiosa de 281,3 mil milhões o que permitirá ao governo manter o honroso terceiro lugar do rácio de dívida pública, imediatamente a seguir à Grécia e à Itália.

Afinal a RTP não é só uma câmara de eco socialista. Também se dedica à “investigação e desenvolvimento

Pelo menos é a justificação do contrato de consultoria com a Ernst & Young para estudar os benefícios fiscais ao abrigo do sistema de incentivos fiscais da I&D empresarial (SIFIDE).

O Estado sucial como máquina de extorsão

[O índice de Bird é um indicador mais adequado do que a carga fiscal para medir o esforço fiscal em termos do poder de compra e do nível de vida. Ver nota metodológica no site da +Liberdade.]

A autoestrada mexicana do investimento na saúde

Fonte
[Ver aqui a estória da autoestrada mexicana]

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

A quebra da actividade económica na zona euro e a crescente evidência de que inflação não será apenas de curto prazo tornam cada vez mais prováveis uma possível estagflação, ou seja, uma espécie de chuva na eira e sol no nabal. No caso português o aumento da taxa de juro do BCE para 0,50% irá agravar a tendência dos mercados da dívida, dívida que no final do 1.º semestre estava já praticamente toda com yields positivas.

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