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13/08/2011

Mitos (51) – as teorias da conspiração sobre as agências de rating (V)

[Continuação de (I), (II), (III) e (IV)]

Segundo a teoria da conspiração sobre agências de rating partilhada pelo conhecido especialista financeiro Professor Doutor Marcelo e por todas aquelas luminárias apenas iluminadas sobre a existência de um pequeno problema a afligir-nos há mais de uma década pela intervenção do FMI/BCE/FEEF, as coisas passam-se assim:
  1. Ocorre uma conspiração (do grupo de Bilderberg, de Wall Street, do Tea Party, dum governo americano - de preferência republicano - ou dos sábios do Sião);
  2. Uma agência de rating emite um outlook negativo prenunciando um possível downgrade da notação;
  3. Outras agências de rating fazem o mesmo;
  4. Os mercados ficam nervosos;
  5. Os spreads dos Credit Default Swaps (CDS) começam a subir;
  6. Uma agência de rating, eventualmente seguida de outras, degrada a notação um ou mais níveis;
  7. Os mercados entram em pânico;
  8. Os spreads dos Credit Default Swaps (CDS) sobem para a estratosfera;
  9. Repete-se o ciclo infernal com mais outlooks negativos, downgrades,…
Como explicar à luz destas teorias os dois seguintes fenómenos dos últimos dias?

Fenómeno A
Durante vários meses, o presidente Obama, os senadores e os congressistas republicanos e democratas discutiram ad nauseum o aumento do limite de endividamento e as respectivas contrapartidas de aumento, segundo uns, redução, segundo outros, dos impostos e das despesas públicas. As agências emitiram vários outlooks negativos e a Standard & Poors degradou a notação de triple A (dívida sem risco) para AA+. Finalmente o governo, senado e congresso chegaram a um acordo. Poucos dias depois o governo emitiu dívida a 10 anos com yields historicamente baixos e mais baixos do que antes do downgrade.

Fenómeno B
Nos últimos dias os mercados ficaram nervosos com a dívida pública francesa e os spreads dos Credit Default Swaps (CDS) dispararam. As agências de rating não emitiram ainda nenhum outlook e a notação da dívida pública francesa continua triple A (dívida sem risco).

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