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03/08/2011

DIÁRIO DE BORDO: Keep it simple, pá

Deve ser possível encontrar nas profundezas da psique lusitana uma explicação da irresistível tendência para complicar tudo, do mais simples ao muito complexo. Não vou fazer esse exercício demasiado complexo para a minha psique. Vou apenas dar dois exemplos de complicações linguísticas que me vieram à mente a propósito do Memorandum of Understanding (MoU) do FMI/BCE/CE:
  • Mind the gap - Tenha atenção ao intervalo entre a carruagem e o cais 
  • Staff only - É expressamente proibida a entrada de pessoas estranhas ao serviço.
Voltando ao MoU, com 34 páginas em inglês expandidas para 55 na sua versão portuguesa. É certo ser a versão portuguesa em caracteres Arial MT 11 e a inglesa em Times New Roman 12, tornando um pouco difícil a comparação. Contudo, as estatísticas do Word mostram-nos que a versão inglesa tem 13.131 palavras com 75.135 caracteres contra 15.412 com 93.185, respectivamente, da versão portuguesa, quase mais 1/4 de verborreia.

Mas o pior está para vir, quando extravasamos o domínio da língua e passamos ao domínio do pensamento (e da acção) e comparamos a versão verborreica de 55 páginas do MoU com um pletórico documento de 130 páginas, com o propósito, em parte comum, da «Reforma da Despesa Pública», mas um âmbito consideravelmente mais reduzido (só previa 50 medidas). Este documento foi produzido há 10 anos por um grupo de luminárias do bloco central, sob inspiração do cardeal Pina Moura à época ministro das Finanças de Guterres - para mais pormenores do contexto de produção e conteúdo do papiro cardinalício ler esta retrospectiva.

É desnecessário lembrar ter sido tal documento imediatamente engavetado no dia seguinte à sua apresentação ao país com grande pompa e circunstância. Como engavetado seria o MoU, sem a condição no pain no gain ou seja não há medidas, não há dinheiro, não há dinheiro, não há palhaços, não há palhaços, não há circo. Valha-nos o FMI.

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