Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/06/2011

Como funciona a mente de um artista independente

Margarida Gil, realizadora de 4 filmes subsidiados nos seus 60 anos de idade - OK, Malick também só fez 4 longas-metragens - e presidente da Associação Portuguesa de Realizadores, entende que «pensar que a bilheteira vai ser o suporte do cinema português, ou mesmo do outro cinema, dá vontade de rir».

A vontade de rir deve-se ao programa de governo não acabar com os subsídios mas «ter em conta os resultados de bilheteira e o número de espectadores obtidos pelos filmes anteriores dos produtores e realizadores candidatos a apoios».

Segundo esta realizadora do cinema independente, «as bilheteiras não pagam os filmes» e por isso o referido princípio para pagar subsídios «vai ser outra perda de tempo que vai custar muito dinheiro ao país».

Reconheço alguma razão à insigne realizadora: pensar que a bilheteira vai ser o suporte do cinema português dá vontade de rir. E subsidiar filmes de realizadores incapazes de ter um público dá o quê? Aos sujeitos passivos dar-lhes-à vontade de chorar.

A Margarida Gil só lhe daria vontade de chorar se lhe cortassem de vez os subsídios e a deixassem, e a todos os seus colegas independentes, obrigada a viver do produto da sua arte.

Sem comentários: