Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
30/04/2012
SERVIÇO PÚBLICO: Indicadores da Zona Euro
No Wall Street Journal, oito indicadores dos países da Zona Euro: PIB 2011 e variação prevista para 2012; dívida pública em valor e em % do PIB; défice orçamental 2011 em valor e em % do PIB; défice/superavit primário em % do PIB; inflação nos últimos 12 meses; taxas de desemprego.
CASE STUDY: Elefantes brancos em Espanha (6)
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| Estação do TGV de Requena-Utiel |
[Da colectânea apócrifa «ESPAÑA PAIS DE MILLONARIOS» dos resultados (principalmente, mas não só) do socialismo ibérico em Espanha]
29/04/2012
A paz social pode estar em perigo
É o que dizem quase todas luminárias, e eu com elas. Diferentemente, a incapacidade de pagar a dívida não está em perigo, já é uma realidade – o Eurostat confirma o défice de 4,2% e a dívida pública de 107,8% do PIB em 2011, depois da engenharia financeira da transferência do fundo de pensões da banca.
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DIÁRIO DE BORDO: «Arre, que o Portugal que se vê é só isto!»
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| Fernando Pessoa - uma quase-autobiografia |
Talvez devido à minha ignorância, esperaria que a Casa Fernando Pessoa promovesse, publicitasse, patrocinasse, sei lá, tivesse uma iniciativa qualquer, a propósito de uma biografia de 700 páginas, laboriosamente escrita durante 8 anos pelo pessoano amador José Paulo Cavalcanti Filho, que com muitíssimo trabalho de investigação escavou a vida de Pessoa, aparentemente mais do que qualquer outra até aqui. Devo estar enganado, porque além de hospedar a apresentação do livro pelo autor no passado dia 26, nada parece ter sido feito.
A defesa dos centros de decisão nacional (8) – soberania e dívida não rimam
[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)]
«A comissão executiva da REN, liderada por Rui Cartaxo, atribuiu, na passada quinta-feira, este pelouro a Shan Shewu, ex-quadro da State Grid que passou a integrar o ‘staff' da REN. A decisão, segundo o Diário Económico apurou, está a gerar mal-estar dentro e fora da empresa pela sensibilidade da matéria, relacionada com a soberania do planeamento energético.»
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. O mais difícil foi alienar a soberania política ao eixo Paris-Bruxelas-Berlim. Temos estado a trabalhar para isso há décadas, mas sem o grande impulso socrático não chegaríamos lá tão cedo.
Já que chegámos onde chegámos, porque não alienar a soberania do planeamento energético a Pequim?
«A comissão executiva da REN, liderada por Rui Cartaxo, atribuiu, na passada quinta-feira, este pelouro a Shan Shewu, ex-quadro da State Grid que passou a integrar o ‘staff' da REN. A decisão, segundo o Diário Económico apurou, está a gerar mal-estar dentro e fora da empresa pela sensibilidade da matéria, relacionada com a soberania do planeamento energético.»
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. O mais difícil foi alienar a soberania política ao eixo Paris-Bruxelas-Berlim. Temos estado a trabalhar para isso há décadas, mas sem o grande impulso socrático não chegaríamos lá tão cedo.
Já que chegámos onde chegámos, porque não alienar a soberania do planeamento energético a Pequim?
28/04/2012
Lost in translation (141) – PS quer que quem paga as prestações da sua casa pague também as dos outros
«PS quer fundo para apoiar quem não consiga pagar prestações da casa.»
Esse fundo … «não será financiado pelo Estado.» Fico mais descansado. Pois claro que não, esse fundo será financiado pelos mesmos sujeitos passivos.
Esse fundo … «não será financiado pelo Estado.» Fico mais descansado. Pois claro que não, esse fundo será financiado pelos mesmos sujeitos passivos.
A metalúrgica do regime afunda-se com ele (6)
Actualização de (1), (2), (3), (4) e (5)
De estrela da economia socrática levada ao colo pelo jornalismo promocional, a Martifer foi-se afundando e nem o acolhimento pela Mota-Engil em 2007 a salvou de ir fechando aos poucos as suas unidades (ver retrospectiva nos posts anteriores).
Agora está a ser a vez da Martifer Solar vender centrais fotovoltaicas em desenvolvimento no Algarve e na região de Lisboa.
De estrela da economia socrática levada ao colo pelo jornalismo promocional, a Martifer foi-se afundando e nem o acolhimento pela Mota-Engil em 2007 a salvou de ir fechando aos poucos as suas unidades (ver retrospectiva nos posts anteriores).
Agora está a ser a vez da Martifer Solar vender centrais fotovoltaicas em desenvolvimento no Algarve e na região de Lisboa.
Devemos ficar preocupados? (2)
«Constâncio acredita num regresso aos mercados em 2013.»
Esta fé surge-lhe 3 semanas depois de ter admitido a necessidade de um novo resgate e uma dúzia de anos depois de ter garantido que a importância da balança de pagamentos para Portugal após a adopção do Euro seria parecida com a do Mississipi.
Receio que não sejam só os espanhóis que devem ficar preocupados com as competências preditivas do ex-ministro anexo. Ó Impertinente, tens a certeza que isso é mesmo o princípio do princípio?
Esta fé surge-lhe 3 semanas depois de ter admitido a necessidade de um novo resgate e uma dúzia de anos depois de ter garantido que a importância da balança de pagamentos para Portugal após a adopção do Euro seria parecida com a do Mississipi.
Receio que não sejam só os espanhóis que devem ficar preocupados com as competências preditivas do ex-ministro anexo. Ó Impertinente, tens a certeza que isso é mesmo o princípio do princípio?
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27/04/2012
Engenheiros e técnicos? E licenciados em sociologia, artes performativas ou ciências da educação não precisam? (2)
A Nokia Siemens Networks tem actualmente 1.500 técnicos e espera duplicar esse número com a criação de um Global Delivery Center onde investirá 90 milhões de euros (devidamente incentivados pelo Álvaro com o nosso dinheirinho, que ninguém cá enterra nada só pelos nossos bonitos olhos) onde «disponibilizará ferramentas, processos e recursos altamente qualificados para gerir remotamente redes de banda larga móveis para operadores em todo o mundo».
A Nokia junta-se aos belgas que também não precisam das nossas legiões de licenciados em sociologia, artes performativas ou ciências da educação. Como é que se ocupam estes jovens? Só se for nos happenings dos occupy qualquer coisa.
A Nokia junta-se aos belgas que também não precisam das nossas legiões de licenciados em sociologia, artes performativas ou ciências da educação. Como é que se ocupam estes jovens? Só se for nos happenings dos occupy qualquer coisa.
SERVIÇO PÚBLICO: A justiça em Portugal não é cega, mas é coxa (5) [e surda]
[Sequela de (1), (2), (3) e (4)]
Num país onde a justiça funcionasse e a sua máquina não estivesse infiltrada pelas redes maçónicas e partidárias, o que se passou ontem no tribunal do Barreiro obrigaria a reabrir a investigação e constituir como arguido o ausente em Paris.
Nicholhas Lamb, antigo director da Benoy Architects, ouvido em videoconferência, fez declarações altamente comprometedoras para José Sócrates, então ministro do Ambiente, entre as quais esta pérola:
Num país onde a justiça funcionasse e a sua máquina não estivesse infiltrada pelas redes maçónicas e partidárias, o que se passou ontem no tribunal do Barreiro obrigaria a reabrir a investigação e constituir como arguido o ausente em Paris.
Nicholhas Lamb, antigo director da Benoy Architects, ouvido em videoconferência, fez declarações altamente comprometedoras para José Sócrates, então ministro do Ambiente, entre as quais esta pérola:
«O que o ministro disse foi que o problema não era a Benoy, mas a equipa de arquitetos. Eram os arquitetos errados e apoiavam o partido errado».
26/04/2012
DIÁRIO DE BORDO: Os donos do 25 de Abril querem nomear os representantes do povo
Durante a «verdadeira» comemoração do 25 de Abril, o coronel Vasco Lourenço acusou os eleitos de já não representarem a sociedade portuguesa, com a autoridade de quem nunca se submeteu a uma eleição e que lhe advém de ser um dos representantes da corporação de oficiais que depois de décadas de convivência amigável com o fascismo se zangaram com o regime, montaram um golpe militar, se deixaram instrumentalizar pelos comunistas e pelos esquerdistas de todas as tendências, e só foram desmontados do cavalo do poder, no dizer pitoresco do coronel do Campo Pequeno, e da tutela do regime, depois dos 8 longos anos desde 25-04-1974 até 30-09-1982. Reavivando as memórias, recorde-se que as reivindicações da corporação na origem do golpe militar residiam no descontentamento entre os oficiais do quadro por estarem a ser promovidos a capitães oficiais milicianos na segunda vez que eram mobilizados para fazer o trabalho que os profissionais da Academia Militar não faziam. Recorde-se serem incorporados compulsivamente todos os soldados e serem milicianos a esmagadoras maioria dos sargentos e oficiais subalternos que no mato faziam a guerra. Não havia praticamente um comandante de pelotão que não fosse alferes miliciano. Contem-se as baixas e vejam-se quantos oficiais do quadro foram abatidos em combate.
Recorde-se ainda que a essa corporação de oficiais representada pelo coronel Vasco Lourenço se deve creditar o abandono das ex-colónias e a sua entrega ao comunismo tribalista que esteve na origem de guerras civis em Angola e Moçambique que se prolongarem por 3 décadas e fizeram muito mais vítimas do que a guerra colonial.
Declaração de interesse: depois de 39 meses a «servir a pátria» na retaguarda (fui um dos primeiros classificados do COM e a mobilização começava pelos últimos) estava na calha para ser mobilizado como capitão para uma das colónias. Fui salvo pelo gongo do 25 de Abril.
BREIQUINGUE NIUZ: Portugal precisará de reestruturar a dívida, garante uma agência amiga
«Para pagar os juros, para pagar e reduzir a dívida, Portugal não pode crescer a taxas baixas, tem de crescer a taxas relativamente elevadas e, portanto, tem de procurar crescimento na ordem dos 4 a 5% para conseguir definitivamente dar a volta à situação», disse José Poças Esteves na apresentação do relatório trimestral da SaeR.
Parafraseando Alfred Kahn, assessor do presidente Carter repreendido por ter previsto em 1978 uma depressão, é como se a SaeR tivesse dito «we're in danger of having a banana soon».
A SaeR deve ser, pois, o que os detractores das agências de notação chamariam uma agência amiga. A diferença entre amigas e inimigas é que estas vão direitas ao assunto.
Parafraseando Alfred Kahn, assessor do presidente Carter repreendido por ter previsto em 1978 uma depressão, é como se a SaeR tivesse dito «we're in danger of having a banana soon».
A SaeR deve ser, pois, o que os detractores das agências de notação chamariam uma agência amiga. A diferença entre amigas e inimigas é que estas vão direitas ao assunto.
25/04/2012
DIÁRIO DE BORDO: Precisamos de um novo 25 de Abril?
«“Precisamos de um novo 25 de Abril?” Não pude acreditar. Temos uma democracia e perguntam se precisamos de um golpe de Estado? Terei chegado por engano à Guiné?»
Reflexões de João Carlos Espada no Público (citado pelo Blasfémias), ao chegar à Portela vindo do Brasil.
[Por falar nisso, acabo de receber um email do Petição Pública a anunciar uma nova petição: «Precisamos de outro 25 de Abril?» O número de subscritores será um índice do grau de insanidade esquerdizante do país.]
Reflexões de João Carlos Espada no Público (citado pelo Blasfémias), ao chegar à Portela vindo do Brasil.
[Por falar nisso, acabo de receber um email do Petição Pública a anunciar uma nova petição: «Precisamos de outro 25 de Abril?» O número de subscritores será um índice do grau de insanidade esquerdizante do país.]
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Lost in translation (140) – Um endividamento «colossal» e 3 intervenções do FMI, queria ele dizer
«O 25 de Abril dos nossos dias está também em mostrar ao mundo o muito de positivo que o país tem e o respeito que merecemos das outras nações», perorou Cavaco Silva esta manhã no parlamento.
Na cabeça desta gente medíocre que tem governado o país com os resultados conhecidos e a entrega da soberania à troika é indispensável louvaminhar a mediocridade para branquear as suas responsabilidades.
Na cabeça desta gente medíocre que tem governado o país com os resultados conhecidos e a entrega da soberania à troika é indispensável louvaminhar a mediocridade para branquear as suas responsabilidades.
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «A lusofonia é uma espécie de colonialismo de esquerda»
«A noção de lusofonia corresponde em Portugal, historicamente, a uma espécie de colonialismo de esquerda, à ideia de que, desaparecido o império colonial português, seria possível manter um seu substituto espiritual.
A ideia de lusofonia é geralmente usada em Portugal como uma espécie de cartaz daquilo a que se poderia chamar o excepcionalismo português, a ideia de que os portugueses são diferentes de todos os outros. A ideia de excepcionalismo português é usada para encontrar justificações políticas para toda uma série de acções.
… É como que a versão de esquerda de uma causa que nos anos 40 era defendida com a ajuda de palavras como “fé”, “império” ou “religião”. Hoje já não se fala de fé, nem de império ou religião, mas fala-se de lusofonia. Com motivações muito parecidas. Felizmente, os meios para pôr em prática esta agenda são escassos. E mais: muitas das pessoas que são contra o acordo são a favor da noção de lusofonia. Acham é que é possível defender a língua doutra maneira. Simpatizando embora com a hostilidade destas pessoas face ao AO, entendo ser um mal-entendido deplorável invocarem a lusofonia, a cultura comum, etc.
Se um angolano for cleptocrata, só porque fala português é menos cleptocrata. E se um timorense for mártir, só porque fala português é mais mártir. Ora não é nem menos cleptocrata nem mais mártir. Falar português não acrescenta nem tira nada. Recorremos a esta noção para pensarmos que somos especiais. A ideia de imaginar que um país é especial por causa da língua é tão nefasta como imaginar que se é especial por motivo da raça ou da cor da pele, ou dos sapatos que calçamos, ou do penteado.»
Miguel Tamen
A ideia de lusofonia é geralmente usada em Portugal como uma espécie de cartaz daquilo a que se poderia chamar o excepcionalismo português, a ideia de que os portugueses são diferentes de todos os outros. A ideia de excepcionalismo português é usada para encontrar justificações políticas para toda uma série de acções.
… É como que a versão de esquerda de uma causa que nos anos 40 era defendida com a ajuda de palavras como “fé”, “império” ou “religião”. Hoje já não se fala de fé, nem de império ou religião, mas fala-se de lusofonia. Com motivações muito parecidas. Felizmente, os meios para pôr em prática esta agenda são escassos. E mais: muitas das pessoas que são contra o acordo são a favor da noção de lusofonia. Acham é que é possível defender a língua doutra maneira. Simpatizando embora com a hostilidade destas pessoas face ao AO, entendo ser um mal-entendido deplorável invocarem a lusofonia, a cultura comum, etc.
Se um angolano for cleptocrata, só porque fala português é menos cleptocrata. E se um timorense for mártir, só porque fala português é mais mártir. Ora não é nem menos cleptocrata nem mais mártir. Falar português não acrescenta nem tira nada. Recorremos a esta noção para pensarmos que somos especiais. A ideia de imaginar que um país é especial por causa da língua é tão nefasta como imaginar que se é especial por motivo da raça ou da cor da pele, ou dos sapatos que calçamos, ou do penteado.»
Miguel Tamen
24/04/2012
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (57) – «passava o dinheiro para o PS»
«Fomos colegas no Instituto Superior Técnico. Houve um jantar de curso e nesse jantar o Cravinho (*) a certa altura chama-me de parte e diz: “Tens algum tempo livre?”. E eu disse: “Tenho, mas porquê?”; “Eu precisava de ti para uma empresa”; “Que empresa?”; “Agora não interessa, a gente daqui a uns tempos fala”. Passado uns tempos chamou-me e disse-me: “Eu quero que vás para a Junta Autónoma das Estradas, mas não digas a ninguém que o gajo que lá está [Maranha das Neves] nem sonha”. O Cravinho deu-me os 10 mandamentos do que eu precisava de fazer na Junta, limpar a casa, obras que era preciso fazer, etc. Entretanto, comecei a conhecer a casa, dei a volta ao país todo e um dia disse-lhe: “Há aqui uma série de coisas que é preciso fazer e há 11 fulanos que é preciso pôr na rua”. Ele retorceu-se, chamou-me daí a dois dias, disse que era muito complicado. O problema é que era através de uma das pessoas que eu queria pôr na rua que passava o dinheiro para o PS.»
Garcia dos Santos ao ionline
(*) João Cravinho, ministro do 1.º governo Guterres na época a que Garcia dos Santos se refere, talvez moído pelo remorso, apresentou ao parlamento mais tarde, em 2006, um pacote de medidas anti-corrupção, incluindo a criminalização do enriquecimento ilícito. A proposta não chegou a ser votada e Cravinho abandonou o parlamento e foi premiado com um lugar em Londres no Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento.
Garcia dos Santos ao ionline
(*) João Cravinho, ministro do 1.º governo Guterres na época a que Garcia dos Santos se refere, talvez moído pelo remorso, apresentou ao parlamento mais tarde, em 2006, um pacote de medidas anti-corrupção, incluindo a criminalização do enriquecimento ilícito. A proposta não chegou a ser votada e Cravinho abandonou o parlamento e foi premiado com um lugar em Londres no Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento.
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A democracia dos proprietários do 25 de Abril não é para todos
À primeira vista parece um paradoxo.
Um coronel, em nome de uma associação de militares, cuja maioria há 3 décadas preconizou uma «democracia» terceiro-mundista tutelada pela tropa, sentenciou que «a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril» e por isso a tropa não iria comparecer às comemorações oficiais.
Mário Soares e Manuel Alegre há 3 décadas opuseram-se com sucesso à tropa que pretendia perpetuar a tutela. Mais recentemente foram cúmplices pelas palavras e pelo silêncio com as políticas que ao arruinaram do país lhe fizeram perder a soberania para a troika governar em nome do eixo Paris-Bruxelas-Berlim. Agora, solidarizaram-se com a tropa decretando que o «governo não está em linha com os ideais do 25 de Abril», governo que como se sabe saiu de eleições livres.
À segunda vista, tudo faz sentido. Uns e outros consideram-se proprietários do 25 de Abril. São os novos situacionistas.
Um coronel, em nome de uma associação de militares, cuja maioria há 3 décadas preconizou uma «democracia» terceiro-mundista tutelada pela tropa, sentenciou que «a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril» e por isso a tropa não iria comparecer às comemorações oficiais.
Mário Soares e Manuel Alegre há 3 décadas opuseram-se com sucesso à tropa que pretendia perpetuar a tutela. Mais recentemente foram cúmplices pelas palavras e pelo silêncio com as políticas que ao arruinaram do país lhe fizeram perder a soberania para a troika governar em nome do eixo Paris-Bruxelas-Berlim. Agora, solidarizaram-se com a tropa decretando que o «governo não está em linha com os ideais do 25 de Abril», governo que como se sabe saiu de eleições livres.
À segunda vista, tudo faz sentido. Uns e outros consideram-se proprietários do 25 de Abril. São os novos situacionistas.
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