Quando ontem fui actualizar os meus dados do Covid-19 constatei no site da DGS que o número de infectados tinha diminuído e estranhamente os dados detalhados não estavam disponíveis. Pensei ter visto mal e fui consultar no worldometers a posição de Portugal. Encontrei esta nota que deixaria os portugueses envergonhados se ainda lhes restasse alguma vergonha depois de assistirem sem um sobressalto a um governo a exigir a caridade da Óropa:
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
03/05/2020
ARTIGO DEFUNTO: A mente do jornalista infectada pela excitação anti-fássista (2)
Seguindo a sugestão deste comentário. aqui vai a imagem da newsletter do semanário de reverência citada no post anterior.
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02/05/2020
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (93) - As leis "capitalistas" não se aplicam aos comunistas
Como é sabido, o Partido Comunista é um baluarte da defesa dos trabalhadores contra os despedimentos e é ferozmente contra o patronato. Salvo se o patrão foi o próprio Partido e o despedido for um seu funcionário de muitos anos que não aceitou uma mudança compulsiva do seu local habitual de trabalho de Setúbal para o recinto da Festa do Avante no Seixal.
Como o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu que o partido-patrão deveria reintegrar o trabalhador-dirigente, o «colectivo partidário» - supõe-se que seja o equivalente ao conselho executivo do partido-patrão - considera que «todo o processo até hoje mostra que a pessoa em causa provocou as condições objectivas de um conflito laboral para em torno dele alcançar o que pretendia: atacar o PCP, denegrir a sua imagem e pôr em causa a sua identidade». O facto deste argumento poder ser usado por qualquer patrão capitalista substituindo apenas «o PCP» por «a empresa» não é coisa que tire o sono ao «colectivo partidário».
Talvez os comunistas consideram que não se lhes aplicam as leis "capitalistas", o que explicaria ter o Sr. Jerónimo, secretário-geral do PCP e deputado, morador em Pirescoxe, saído do concelho da residência para o concelho de Lisboa para participar na manif do 1.º de Maio, acompanhado de vários outros funcionários residentes fora de Lisboa, em manifesta violação das regras em vigor do estado de emergência. Sem consequências, acrescente-se.
Já que falo na manif do 1.º de Maio, constato que este ano o Partido Comunista dispensou os fotógrafos e operadores de câmara de causas que costumam compor os vazios da manif escolhendo as objectivas, os ângulos apropriados e as profundidades de campo apropriadas.
Como o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu que o partido-patrão deveria reintegrar o trabalhador-dirigente, o «colectivo partidário» - supõe-se que seja o equivalente ao conselho executivo do partido-patrão - considera que «todo o processo até hoje mostra que a pessoa em causa provocou as condições objectivas de um conflito laboral para em torno dele alcançar o que pretendia: atacar o PCP, denegrir a sua imagem e pôr em causa a sua identidade». O facto deste argumento poder ser usado por qualquer patrão capitalista substituindo apenas «o PCP» por «a empresa» não é coisa que tire o sono ao «colectivo partidário».
Talvez os comunistas consideram que não se lhes aplicam as leis "capitalistas", o que explicaria ter o Sr. Jerónimo, secretário-geral do PCP e deputado, morador em Pirescoxe, saído do concelho da residência para o concelho de Lisboa para participar na manif do 1.º de Maio, acompanhado de vários outros funcionários residentes fora de Lisboa, em manifesta violação das regras em vigor do estado de emergência. Sem consequências, acrescente-se.
Já que falo na manif do 1.º de Maio, constato que este ano o Partido Comunista dispensou os fotógrafos e operadores de câmara de causas que costumam compor os vazios da manif escolhendo as objectivas, os ângulos apropriados e as profundidades de campo apropriadas.
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01/05/2020
ARTIGO DEFUNTO: A lista de Salgado (6)
Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)
Parece haver só duas pessoas em Portugal que não esqueceram o maior escândalo do jornalismo de causas, na modalidade saco-azul. Um deles é este vosso escriba e o outro é António Galamba - actualmente uma bête noire do Dr. Costa - que reincidiu há dias com outro artigo sobre o assunto: Os jornalistas no saco azul do GES e a teoria geral do funil.
Tudo começou há quatro anos quando o Expresso e a TVI divulgaram as primeiras informações sobre os Papéis do Panamá entre os quais se encontrava uma lista de avenças e compensações pagas pelo GES a mais de uma centena de pessoas, incluindo políticos, gestores e jornalistas até hoje não divulgada.
Muita gente, incluindo eu próprio, entendeu que essa lista fazia parte dos Papéis do Panamá. Mais tarde o Expresso publicou uma Nota Editorial onde esclareceu que «a lista de alegados pagamentos não está nos Panama Papers. Está no Ministério Público».
Parece haver só duas pessoas em Portugal que não esqueceram o maior escândalo do jornalismo de causas, na modalidade saco-azul. Um deles é este vosso escriba e o outro é António Galamba - actualmente uma bête noire do Dr. Costa - que reincidiu há dias com outro artigo sobre o assunto: Os jornalistas no saco azul do GES e a teoria geral do funil.
Tudo começou há quatro anos quando o Expresso e a TVI divulgaram as primeiras informações sobre os Papéis do Panamá entre os quais se encontrava uma lista de avenças e compensações pagas pelo GES a mais de uma centena de pessoas, incluindo políticos, gestores e jornalistas até hoje não divulgada.
Muita gente, incluindo eu próprio, entendeu que essa lista fazia parte dos Papéis do Panamá. Mais tarde o Expresso publicou uma Nota Editorial onde esclareceu que «a lista de alegados pagamentos não está nos Panama Papers. Está no Ministério Público».
Seja no Ministério Público, seja noutro lado qualquer, o assunto morreu desde então. Perdão, o assunto foi morto pela doutrina corporativista dos jornalistas em geral que desde então guardaram de Conrado o prudente silêncio, com pouquíssimas excepção, entre as quais destaco Vítor Rainho no jornal i.
30/04/2020
ARTIGO DEFUNTO: A mente do jornalista infectada pela excitação anti-fássista
Pode ler-se no Expresso Curto desta manhã:
«Encurralado, Bolsonaro não teve outro remédio senão dar o braço a torcer. E cancelou a nomeação do amigo para diretor geral da Polícia Federal.
Ao mesmo tempo, o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a ultrapassar um milhão de infetados pelo Covid 19.»
«Encurralado, Bolsonaro não teve outro remédio senão dar o braço a torcer. E cancelou a nomeação do amigo para diretor geral da Polícia Federal.
Ao mesmo tempo, o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a ultrapassar um milhão de infetados pelo Covid 19.»
O jornalista de causas em serviço à newsletter do semanário de reverência multiplicou por 12 e picos do número de infectados, possivelmente com a mente infectada pela excitação de ver Jair Bolsonaro dar um tiro no pé (algo que começa a ser tão frequente que nem deveria ser notícia). Acrescento que o número de infectados por milhão de habitantes é no Brasil 375, menos de um sexto dos 2.403 de Portugal.
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| worldometer |
Vem a propósito dizer que as newletters do semanário de reverência estão cada vez mais enjoativas. Escritas em prosa gongórica, com choradinhos, citações avulsas e uma secção «O QUE EU ANDO A LER» que faz lembrar as estantes por trás dos palhaços confinados pelo Covid-19 nas suas casas que aparecem na TV a produzir vacuidades. Não é preciso, e seria injusto, comparar com as newsletters da Economist, da Spectator e muitas outras produzidas por profissionais para tornar patente a mediocridade enfatuada do jornalismo reverencial, bastando comparar com a do Observador.
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29/04/2020
A poupança dos outros compra as empresas que a nossa falta de poupança obriga a vender
Desde o PREC, nos idos de 1975, quando na onda de nacionalizações todos os grupos económicos foram desmantelados, o capitalismo português muito pendurado no Estado Novo entrou no modo de degenerescência. Com as reprivatizações e a entrada para a CEE pareceu que o processo se invertera, mas foi uma aparência fugaz.
Uma dívida pública cada dia mais pesada, que gerou três resgates, levou os governos a alienar participações de controlo ou mesmo a totalidade do capital das únicas empresas públicas sustentáveis. As outras, que ninguém jamais comprará, continuaram a torrar os nossos impostos.
Numa sociedade civil esmagada por Estado capturado por neo-situacionistas de várias cores, uma cultura subsídio-dependente, a falta de gosto pelo risco empresarial e a crónica falta de capital, resultante da crónica falta de poupança, essas empresas públicas, e muitas empresas privadas, só poderiam ser compradas por capital estrangeiro, nalguns casos por grupo estatais ou para-estatais, como os chineses.
E assim se foi praticamente a banca, os seguros, as telecomunicações, as utilities como a REN, energia como a GALP e a EDP. Em todas elas o capital português é agora inexistente ou residual.
A Brisa era das poucas empresas que ainda restava com uma participação portuguesa de controlo do grupo José de Mello, a parte que resistiu do grupo CUF, o maior grupo industrial português desmantelado no PREC. Deixará de ser, o grupo José de Mello está a vender a Brisa aos holandeses da ABP, aos coreanos da NPS e aos suíços da Swiss Life Asset Managers e ficará com apenas 17% dos 52,4% que detinha.
A ironia é que a razão da venda é a falta de capital e o pesado endividamento do grupo José de Mello, num quadro geral de descapitalização da economia portuguesa resultado da falta de poupança dos portugueses, e os compradores são as referidas três empresas cujo negócio é a gestão de fundos de pensões que acumulam a poupança de holandeses, coreanos e suíços e garantem que eles continuarão a receber pensões no futuro.
Enquanto isso, no Portugal dos Pequeninos, no sistema de segurança social pay-as-you-go, depois dos saldos negativos que estão a voltar com as vacas magras, vamos ver o que sobra dos 20 mil milhões de reservas do FESS acumulados nas vacas gordas (suficientes para pagar um ano e meio de pensões).
Uma dívida pública cada dia mais pesada, que gerou três resgates, levou os governos a alienar participações de controlo ou mesmo a totalidade do capital das únicas empresas públicas sustentáveis. As outras, que ninguém jamais comprará, continuaram a torrar os nossos impostos.
Numa sociedade civil esmagada por Estado capturado por neo-situacionistas de várias cores, uma cultura subsídio-dependente, a falta de gosto pelo risco empresarial e a crónica falta de capital, resultante da crónica falta de poupança, essas empresas públicas, e muitas empresas privadas, só poderiam ser compradas por capital estrangeiro, nalguns casos por grupo estatais ou para-estatais, como os chineses.
E assim se foi praticamente a banca, os seguros, as telecomunicações, as utilities como a REN, energia como a GALP e a EDP. Em todas elas o capital português é agora inexistente ou residual.
A Brisa era das poucas empresas que ainda restava com uma participação portuguesa de controlo do grupo José de Mello, a parte que resistiu do grupo CUF, o maior grupo industrial português desmantelado no PREC. Deixará de ser, o grupo José de Mello está a vender a Brisa aos holandeses da ABP, aos coreanos da NPS e aos suíços da Swiss Life Asset Managers e ficará com apenas 17% dos 52,4% que detinha.
A ironia é que a razão da venda é a falta de capital e o pesado endividamento do grupo José de Mello, num quadro geral de descapitalização da economia portuguesa resultado da falta de poupança dos portugueses, e os compradores são as referidas três empresas cujo negócio é a gestão de fundos de pensões que acumulam a poupança de holandeses, coreanos e suíços e garantem que eles continuarão a receber pensões no futuro.
Enquanto isso, no Portugal dos Pequeninos, no sistema de segurança social pay-as-you-go, depois dos saldos negativos que estão a voltar com as vacas magras, vamos ver o que sobra dos 20 mil milhões de reservas do FESS acumulados nas vacas gordas (suficientes para pagar um ano e meio de pensões).
CASE STUDY: Um imenso Portugal (56) - Como destruir um capital político
Em Janeiro de 2019 Jair Bolsonaro ganhava as eleições presidenciais com uma maioria de 58 milhões de votos, derrotando um PT minado pela corrupção, com Lula preso e desacreditado. Dezasseis meses e muitos erros depois, Jair Bolsonaro destruiu uma fracção do seu capital político e está a ser abandonado por parte do seu eleitorado que já nem se opõe ao impeachment. Só se pode queixar dele próprio.
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é muito para um homem só,
tiro no pé,
verdade inconveniente
28/04/2020
Dúvidas (302) - Irá o Dr. Costa assumir as vacas magras como se atribuiu as gordas voadoras?
O Dr. Costa e o seu governo passaram cinco anos a atribuir-se o sucesso das empresas exportadoras e da pletora turística que sustentaram as vacas gordas voadoras. Agora que as exportações se estão a afundar e os turistas a desertar, irão o Dr. Costa e o governo declarar-se responsáveis pelas vacas ficarem só com a pele em cima dos ossos?
De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (12) - Há infectados que não foram testados?
Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.
Antes de tentar responder à pergunta em referência, recordo que citei no post anterior a tendência dos humanos para procurar factos que confirmem os pré-conceitos e a tendência para a conformidade, ambas explicam porque estão a ser aceites acriticamente as narrativas catastrofistas relacionadas com a pandemia. Acrescento agora uma tendência estudada e comprovada pelo Nobel Daniel Kahneman, nos seus trabalhos sobre a economia comportamental, a que chamou «negative bias», consistindo num enviesamento da mente humana que tende a relevar mais os eventos negativos do que os positivos e por isso torna mais fácil "vender" narrativas catastrofistas.
No post anterior propus-me analisar alguns factos e estimativas que indiciam a subestimação do número de infectados e começo por recordar alguns dados já referidos:
Considerem-se ainda os dados dos testes da Islândia, abrangendo aleatoriamente uma parte significativa da população, que aliás é apenas de 360 mil, com os da Holanda que apenas testou as pessoas que apresentavam sintomas graves de Covid-19.
Como se pode ver no gráfico anterior, os casos positivos na Holanda concentraram-se nos mais velhos, enquanto na Islândia se concentraram nos mais jovens e metade das pessoas com testes positivos não apresentou sintomas. Podemos assim concluir: (1) uma grande parte das pessoas infectadas não tinha sintomas e por isso não foram testados porque na Holanda, como em Portugal e na maioria dos países, apenas se testam os indivíduos com sintomas; (2) são sobretudo os mais velhos que apresentam sintomas, frequentemente graves e com uma taxa de fatalidade muito elevada que influencia a média. Isso é confirmado em todos os países que apresentam uma elevada idade mediana (a idade acima da qual se encontra metade os óbitos), e que na Itália, por exemplo, é superior a 80 anos.
Nos casos em que um grupo é testado intensivamente o número de óbitos revela uma taxa de letalidade muito baixa. Também na Itália (ver no quadro seguinte) os médicos e enfermeiros foram testados maciçamente tendo sido identificado 17 mil positivos, dos quais apenas morreram 60, com a taxa de letalidade geral de 0,4% e de 0,15% nas idades até 59 anos.
Para finalizar, com dados mais recentes, a Agência Sueca de Saúde Pública estimou que «há aproximadamente 75 casos não confirmados em cada caso notificado de Covid-19». Na Cidade de Nova Iorque onde foram testados 156 mil casos positivos, a percentagem de infectados segundo o mayor Cuomo foi estimada em 21,2% ou seja cerca de 1,8 milhões, isto é 12 por cada caso testado, significando que a taxa de letalidade não é 7,5% (11.708/156.100) mas 0,65% (11.798/1.800.000), uma vez mais, comparável à gripe comum.
É nesta altura que surge a inevitável pergunta: se há indícios significativos de que o número de pessoas infectadas sem sintomas é várias vezes superior ao número de testes positivos, porque ainda não foram feitos testes aleatórios a uma amostra representativa da população?
Antes de tentar responder à pergunta em referência, recordo que citei no post anterior a tendência dos humanos para procurar factos que confirmem os pré-conceitos e a tendência para a conformidade, ambas explicam porque estão a ser aceites acriticamente as narrativas catastrofistas relacionadas com a pandemia. Acrescento agora uma tendência estudada e comprovada pelo Nobel Daniel Kahneman, nos seus trabalhos sobre a economia comportamental, a que chamou «negative bias», consistindo num enviesamento da mente humana que tende a relevar mais os eventos negativos do que os positivos e por isso torna mais fácil "vender" narrativas catastrofistas.
No post anterior propus-me analisar alguns factos e estimativas que indiciam a subestimação do número de infectados e começo por recordar alguns dados já referidos:
- 17-04 - COVID-19 Antibody Seroprevalence in Santa Clara County, California - o número de infectados foi estimado em 50 a 85 vezes o número de testes positivos
- 17-04 - Massachusetts General Chelsea Healthcare Center - cerca de 1/3 da população de Chelsea foi exposta ao vírus
Considerem-se ainda os dados dos testes da Islândia, abrangendo aleatoriamente uma parte significativa da população, que aliás é apenas de 360 mil, com os da Holanda que apenas testou as pessoas que apresentavam sintomas graves de Covid-19.
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Nos casos em que um grupo é testado intensivamente o número de óbitos revela uma taxa de letalidade muito baixa. Também na Itália (ver no quadro seguinte) os médicos e enfermeiros foram testados maciçamente tendo sido identificado 17 mil positivos, dos quais apenas morreram 60, com a taxa de letalidade geral de 0,4% e de 0,15% nas idades até 59 anos.
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É nesta altura que surge a inevitável pergunta: se há indícios significativos de que o número de pessoas infectadas sem sintomas é várias vezes superior ao número de testes positivos, porque ainda não foram feitos testes aleatórios a uma amostra representativa da população?
27/04/2020
O coronavírus no agitprop do Novo Império do Meio (6) - A autocracia de Xi Jinpeng mostra as suas garras
Continuação de outros posts.
«Todas as dúvidas sobre o que realmente se passou no início da pandemia começam em Dezembro em Wuhan, ainda antes das tentativas das autoridades para abafarem as notícias da eclosão da doença e de terem mandado calar os médicos que falavam dela.»
Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (29) - Em tempo de vírus (VII)
Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias
Os ricos que paguem a crise ou a arrogância os pedintes
Se os portugueses não tivessem perdido a dignidade há muito, a rábula do Dr. Costa para esmifrar uns milhares de milhões à Óropa seria uma vergonha para todos. Não há por aqui uma ideia, um desígnio, umas ganas, um assomo de coragem. Há apenas um pedinchar, uma narrativa de chantagem, um parlapié de subsídios, de mutualização da dívida, de fundo perdido que se propaga por toda a sociedade contaminando empresários e cidadãos.
A Óropa com que esta gente enche a boca e os discursos é apenas um expediente para sobreviver sem esforço, com nomes pomposos como «uma bazuca de magnitude muito significativa.
O síndrome de Estocolmo também ataca os portugueses
Baptizei de síndrome de Estocolmo o fenómeno do crescimento da popularidades dos líderes europeus com a adopção das medidas de combate à pandemia, pressupondo que o fenómeno é semelhante ao sentimento dos raptados face aos raptores.
O fenómeno do aumento das taxas de aprovação nessas circunstâncias parece ser comum no continente americano. Exemplos: Martin Vizcarra, o presidente peruano, de 52% para 87%; Alberto Fernandez, o presidente argentino, subiu para mais de 80%; Sebastián Piñera, o presidente chileno, aumento de 10% para 21%. As excepções, com perda de popularidade, são os presidentes que se manifestaram contra medidas de confinamento: Trump no Estados Unidos, Bolsonaro no Brasil e Lopez Obrador no México, que partilham também de diversas modalidade de populismo: errático, de direita e de esquerda, respectivamente.
Entre nós, os líderes do PS e do PS-D e S. Ex.ª o PR também melhoraram as suas notas. O primeiro e o terceiro por serem co-autores das medidas e o segundo, candidato a co-líder situacionista, porque declarou que quem fosse contra seria anti-patriótico.
«Queda monumental»
Foi com esta expressão que S. Ex.ª fez a previsão mais acertada do PIB, batendo irremediavelmente os economistas de profissão, na sua maioria pertencentes ao quadro da Mouse School of Economics ou adeptos do pensamento milagroso, uma corrente também muito popular.
E monumental será mesmo a queda, quando já estão 1,1 milhões de trabalhadores em lay-off, ou um quinto da população activa, o custo das medidas de apoio é estimado pelo governo em 2,8 mil milhões por mês, e há sectores inteiros profundamente afectados, como o turismo, que representou o ano passado cerca de um sexto do PIB, com menos 40% de entradas até ao fim do ano.
Sem esquecer o impacto das mais de 210 mil moratórias valendo 19 mil milhões de euros que farão a banca recuar 10 anos e muito provavelmente voltar a entrar em estado de assistência com o dinheiro dos contribuintes. Impacto a que se acrescentarão a consequência da subida dos yields que já se está a verificar em imparidades de muitos milhões nos títulos que detêm da dívida pública a taxas de juro próximas de zero.
Mestres do ilusionismo
Depois de andar cinco anos a palrar sobre a página da austeridade, se ainda tiver um módico de lucidez, o Dr. Costa já deve ter percebido que, por muito habilidade e falta de escrúpulos para distorcer a realidade que se lhe reconheça, com a "queda monumental" que S. Ex.ª antecipou, falar em austeridade será um understatement. E por isso fugiu-lhe a boca para a verdade na entrevista ao Expresso que rapidamente negou com a habitual desenvoltura com que lida com as mentiras e as meias-verdades.
Se o Guardian conhecesse a realidade portuguesa teria publicado a entrevista ao secretário de Estado da Saúde português na secção humorística, que seria a secção adequada para afirmações como «o governo tomou as medidas certas na hora certa», referindo-se ao governo ir atrás do pânico dos cidadãos que uma semana antes do estado de excepção estavam a fazer confinamento por conta própria, ou como «a rápida reacção de Portugal foi ajudada por cinco anos de investimentos sustentados para trazer o serviço nacional de saúde de volta aos níveis pré-austeridade», referindo-se ao aumento da despesa com salários resultante da "reposição de direitos" (35 horas, etc.), para cuidar da sua freguesia eleitoral, e às cativações das despesas com equipamentos que deixaram o SNS à beira da paralisia.
Cuidando da freguesia eleitoral
E os cuidados a com freguesia eleitoral prolongam-se, por incrível e imoral que seja, já depois de se saber que estamos no inicio da maior crise em décadas, com o pagamento desde o dia 20 de Abril dos aumentos retroactivos a Janeiro dos funcionários públicos, enquanto mais de um milhão de trabalhadores do "privado" (é assim no palrar socialês que é designado o sector produtivo do país) estão em lay-off e umas centenas de milhares engrossaram o desemprego.
As dívidas não são para se pagar, foi isto que ele aprendeu
Quando vos disserem que o aumento da dívida pública no final do ano para não menos do que uns astronómicos 150% do PIB (é o meu palpite) foi resultante do Covid-19, respondei-lhes que a pandemia está inocente porque herdou quase tudo dos governos socialistas em 11 dos últimos 15 anos. O mesmo em relação ao endividamento total da economia que no final de Fevereiro antes de qualquer medida Covid-19 estava em 723,7 mil milhões, um aumento de 170 mil milhões em relação a finais de 2007.
Os ricos que paguem a crise ou a arrogância os pedintes
Se os portugueses não tivessem perdido a dignidade há muito, a rábula do Dr. Costa para esmifrar uns milhares de milhões à Óropa seria uma vergonha para todos. Não há por aqui uma ideia, um desígnio, umas ganas, um assomo de coragem. Há apenas um pedinchar, uma narrativa de chantagem, um parlapié de subsídios, de mutualização da dívida, de fundo perdido que se propaga por toda a sociedade contaminando empresários e cidadãos.
A Óropa com que esta gente enche a boca e os discursos é apenas um expediente para sobreviver sem esforço, com nomes pomposos como «uma bazuca de magnitude muito significativa.
O síndrome de Estocolmo também ataca os portugueses
Baptizei de síndrome de Estocolmo o fenómeno do crescimento da popularidades dos líderes europeus com a adopção das medidas de combate à pandemia, pressupondo que o fenómeno é semelhante ao sentimento dos raptados face aos raptores.
O fenómeno do aumento das taxas de aprovação nessas circunstâncias parece ser comum no continente americano. Exemplos: Martin Vizcarra, o presidente peruano, de 52% para 87%; Alberto Fernandez, o presidente argentino, subiu para mais de 80%; Sebastián Piñera, o presidente chileno, aumento de 10% para 21%. As excepções, com perda de popularidade, são os presidentes que se manifestaram contra medidas de confinamento: Trump no Estados Unidos, Bolsonaro no Brasil e Lopez Obrador no México, que partilham também de diversas modalidade de populismo: errático, de direita e de esquerda, respectivamente.
Entre nós, os líderes do PS e do PS-D e S. Ex.ª o PR também melhoraram as suas notas. O primeiro e o terceiro por serem co-autores das medidas e o segundo, candidato a co-líder situacionista, porque declarou que quem fosse contra seria anti-patriótico.
«Queda monumental»
Foi com esta expressão que S. Ex.ª fez a previsão mais acertada do PIB, batendo irremediavelmente os economistas de profissão, na sua maioria pertencentes ao quadro da Mouse School of Economics ou adeptos do pensamento milagroso, uma corrente também muito popular.
E monumental será mesmo a queda, quando já estão 1,1 milhões de trabalhadores em lay-off, ou um quinto da população activa, o custo das medidas de apoio é estimado pelo governo em 2,8 mil milhões por mês, e há sectores inteiros profundamente afectados, como o turismo, que representou o ano passado cerca de um sexto do PIB, com menos 40% de entradas até ao fim do ano.
Sem esquecer o impacto das mais de 210 mil moratórias valendo 19 mil milhões de euros que farão a banca recuar 10 anos e muito provavelmente voltar a entrar em estado de assistência com o dinheiro dos contribuintes. Impacto a que se acrescentarão a consequência da subida dos yields que já se está a verificar em imparidades de muitos milhões nos títulos que detêm da dívida pública a taxas de juro próximas de zero.
Mestres do ilusionismo
Depois de andar cinco anos a palrar sobre a página da austeridade, se ainda tiver um módico de lucidez, o Dr. Costa já deve ter percebido que, por muito habilidade e falta de escrúpulos para distorcer a realidade que se lhe reconheça, com a "queda monumental" que S. Ex.ª antecipou, falar em austeridade será um understatement. E por isso fugiu-lhe a boca para a verdade na entrevista ao Expresso que rapidamente negou com a habitual desenvoltura com que lida com as mentiras e as meias-verdades.
Se o Guardian conhecesse a realidade portuguesa teria publicado a entrevista ao secretário de Estado da Saúde português na secção humorística, que seria a secção adequada para afirmações como «o governo tomou as medidas certas na hora certa», referindo-se ao governo ir atrás do pânico dos cidadãos que uma semana antes do estado de excepção estavam a fazer confinamento por conta própria, ou como «a rápida reacção de Portugal foi ajudada por cinco anos de investimentos sustentados para trazer o serviço nacional de saúde de volta aos níveis pré-austeridade», referindo-se ao aumento da despesa com salários resultante da "reposição de direitos" (35 horas, etc.), para cuidar da sua freguesia eleitoral, e às cativações das despesas com equipamentos que deixaram o SNS à beira da paralisia.
Cuidando da freguesia eleitoral
E os cuidados a com freguesia eleitoral prolongam-se, por incrível e imoral que seja, já depois de se saber que estamos no inicio da maior crise em décadas, com o pagamento desde o dia 20 de Abril dos aumentos retroactivos a Janeiro dos funcionários públicos, enquanto mais de um milhão de trabalhadores do "privado" (é assim no palrar socialês que é designado o sector produtivo do país) estão em lay-off e umas centenas de milhares engrossaram o desemprego.
As dívidas não são para se pagar, foi isto que ele aprendeu
Quando vos disserem que o aumento da dívida pública no final do ano para não menos do que uns astronómicos 150% do PIB (é o meu palpite) foi resultante do Covid-19, respondei-lhes que a pandemia está inocente porque herdou quase tudo dos governos socialistas em 11 dos últimos 15 anos. O mesmo em relação ao endividamento total da economia que no final de Fevereiro antes de qualquer medida Covid-19 estava em 723,7 mil milhões, um aumento de 170 mil milhões em relação a finais de 2007.
26/04/2020
Dúvidas (301) - Estarão a falar do mesmo Moro?
- 22 de Abril de 2019 - Sócrates: Sérgio Moro era um “activista disfarçado de juiz”
- 6 de Julho de 2019 - «Novas mensagens da “Vaza-Jato” mostram que Sérgio Moro cometeu ilegalidades»
- 24 de Abril de 2020 - «Sergio Moro demitiu-se e acusou Bolsonaro de interferência política na Polícia Federal»
- 24 de Abril de 2020 - «Moro sai do Governo e aponta o caminho do fim de Bolsonaro»
O jornalismo de causas do Público escolhe os factos, eu escolhi os títulos.
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Não só as luminárias das esquerdas têm sonhos húmidos com pandemias e catástrofes em geral
Sim, concordo que as luminárias das esquerdas têm sonhos húmidos com pandemias e catástrofes em geral, mas não são os únicos. Esses sonhos são transversais à esquerda e à direita, abarcam os inimigos declarados (poucos) e os falsos amigos da liberdade (muitos), e por isso está lá praticamente toda a esquerda, porque a esquerda libertária jaz algures no cemitério das ideias e os ideais igualitários da esquerda só podem ser realizados com muito Estado e limitação da liberdade num grau menor (socialismo) ou maior (comunismo).
Alguns exemplos de inimigos da liberdade que estão a cavalgar a onda da pandemia:
«Toda a atenção do mundo está no Covid-19. Talvez tenha sido uma coincidência que a China tenha escolhido esse momento para reforçar seu controle em torno de recifes disputados no Mar da China Meridional, prender os democratas mais importantes de Hong Kong e abrir um buraco na Lei Básica de Hong Kong. Mas talvez não. Governantes de todos os lugares perceberam que agora é a hora perfeita para fazer coisas ultrajantes, certos de que o resto do mundo quase não se dará conta. Muitos estão aproveitando a pandemia para se apropriar de mais poder. (...)
O poder crescente de Xi Jinping em Hong Kong é um entre muitos. Em todo o mundo, autocratas e futuros autocratas aguardam uma oportunidade sem precedentes. Covid-19 é uma emergência como nenhuma outra. Os governos precisam de ferramentas extras para lidar com isso. Nada menos que 84 promulgaram leis de emergência, concedendo poderes extraordinários ao executivo. Em alguns casos, esses poderes são necessários para combater a pandemia e serão abandonados quando terminar. Mas, em muitos casos, não são e não serão. Os lugares em maior risco são aqueles onde as raízes da democracia são superficiais e os controlos institucionais são fracos.
Veja-se a Hungria, onde o primeiro-ministro Viktor Orban vem emfraquecendo freios e contrapesos há uma década. Sob uma nova lei de coronavírus, ele agora pode governar por decreto. Tornou-se, de fato, um ditador, e permanecerá assim até que o parlamento revogue seus novos poderes. Uma vez que é controlado pelo seu partido, isso pode não acontecer durante algum tempo. A Hungria é membro da União Europeia, um clube de democracias ricas, mas está agindo como o Togo ou a Sérvia, cujos líderes acabaram de assumir poderes semelhantes sob o mesmo pretexto.
Alguns exemplos de inimigos da liberdade que estão a cavalgar a onda da pandemia:
«Toda a atenção do mundo está no Covid-19. Talvez tenha sido uma coincidência que a China tenha escolhido esse momento para reforçar seu controle em torno de recifes disputados no Mar da China Meridional, prender os democratas mais importantes de Hong Kong e abrir um buraco na Lei Básica de Hong Kong. Mas talvez não. Governantes de todos os lugares perceberam que agora é a hora perfeita para fazer coisas ultrajantes, certos de que o resto do mundo quase não se dará conta. Muitos estão aproveitando a pandemia para se apropriar de mais poder. (...)
O poder crescente de Xi Jinping em Hong Kong é um entre muitos. Em todo o mundo, autocratas e futuros autocratas aguardam uma oportunidade sem precedentes. Covid-19 é uma emergência como nenhuma outra. Os governos precisam de ferramentas extras para lidar com isso. Nada menos que 84 promulgaram leis de emergência, concedendo poderes extraordinários ao executivo. Em alguns casos, esses poderes são necessários para combater a pandemia e serão abandonados quando terminar. Mas, em muitos casos, não são e não serão. Os lugares em maior risco são aqueles onde as raízes da democracia são superficiais e os controlos institucionais são fracos.
Veja-se a Hungria, onde o primeiro-ministro Viktor Orban vem emfraquecendo freios e contrapesos há uma década. Sob uma nova lei de coronavírus, ele agora pode governar por decreto. Tornou-se, de fato, um ditador, e permanecerá assim até que o parlamento revogue seus novos poderes. Uma vez que é controlado pelo seu partido, isso pode não acontecer durante algum tempo. A Hungria é membro da União Europeia, um clube de democracias ricas, mas está agindo como o Togo ou a Sérvia, cujos líderes acabaram de assumir poderes semelhantes sob o mesmo pretexto.
25/04/2020
DIÁRIO DE BORDO: Um 25 de Abril impertinente
O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser.
Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.
Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.
Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).
Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.
Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?
Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.
E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.
[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]
Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.
Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.
Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).
Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.
Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?
Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.
E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.
[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]
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Chávez & Chávez, Sucessores (75) - O socialismo chávista é mais mortal do que o Covid-19
Outras obras do chávismo.
David Beasley, director do World Food Programme (WFP) das Nações Unidas alertou para o risco de o mundo enfrentar fomes de «proporções bíblicas» causadas pela pandemia. Segundo Beasley sofrem de fome entre 135 a 250 milhões - as Nações Unidas produzem estimativas em intervalos de proporções bíblicas.
Entre os dez países mais em risco encontramos um país que tem as maiores reservas de petróleo de todo o mundo e já foi o país mais rico da América Latina antes de ser tomado de assalto pelo socialismo bolivariano na modalidade chávismo. Morto o coronel Chávez, sucedeu-lhe Nicolás Maduro, o actual caudilho da mafia esquerdista que controla o país.
O impacto da subnutrição, frequentemente fome absoluta, é tal que a altura e o peso das crianças venezuelanas desce constantemente e «vários milhões de pessoas sofram danos físicos irreversíveis e precisem ser cuidadas pelo resto da vida», segundo Juan Berríos da Comissão de Direitos Humanos do Estado de Zulia (CODHEZ), uma ONG. Mais de quatro milhões já fugiram do paraíso chávista e entre eles muitos médicos que nos países, como o Chile, estão a suprir a insuficiência existente.
Entre os dez países mais em risco encontramos um país que tem as maiores reservas de petróleo de todo o mundo e já foi o país mais rico da América Latina antes de ser tomado de assalto pelo socialismo bolivariano na modalidade chávismo. Morto o coronel Chávez, sucedeu-lhe Nicolás Maduro, o actual caudilho da mafia esquerdista que controla o país.
O impacto da subnutrição, frequentemente fome absoluta, é tal que a altura e o peso das crianças venezuelanas desce constantemente e «vários milhões de pessoas sofram danos físicos irreversíveis e precisem ser cuidadas pelo resto da vida», segundo Juan Berríos da Comissão de Direitos Humanos do Estado de Zulia (CODHEZ), uma ONG. Mais de quatro milhões já fugiram do paraíso chávista e entre eles muitos médicos que nos países, como o Chile, estão a suprir a insuficiência existente.
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A pandemia como um shot na veia mirrada do jornalismo de causas ou de como a produção jornalística tem de ser manipulada com luvas e lida com máscara
Estarei a exagerar com um título alarmista a propósito do alarmismo dos mídia do regime? Pois estarei, mas invoco em meu socorro o representante de uma instituição com décadas de experiência na manipulação dos mídia e da opinião pública.
Nada menos do que o Sr. Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português que desabafou em entrevista ao semanário de reverência a seguinte chocante constatação:
Nada menos do que o Sr. Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português que desabafou em entrevista ao semanário de reverência a seguinte chocante constatação:
«A comunicação social dominante - alguns, não todos - criou a onda do medo e do alarmismo. Fiquei uns dias em casa, devido à situação, e sentava-me perante as televisões e ficava esmagado. Não é a questão da necessidade de informar, isso é o elemento fundamental e o papel da comunicação social. Agora, assisti muitas vezes a peças que conduziam ao medo, ao alarmismo, às vezes à resignação»Tirando os «alguns», em que estarei em total desacordo com o camarada sobre quais sejam as excepções, surpreendentemente e por uma vez, sem que constitua precedente, partilho das suas preocupações.
24/04/2020
De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (11) - Qual é afinal a taxa de letalidade do Covid-19? (3)
Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.
O meu propósito não é encontrar o "verdadeiro" valor da taxa de letalidade, algo que não existe visto que depende de inúmeros factores e varia no tempo. O meu propósito é simplesmente questionar a opinião, dominante nos mídia e geralmente aceite pela opinião pública, de que esta pandemia é tão letal que justificaria destruir a economia para salvar milhões de vidas supostamente em risco. E questionar essa opinião dominante tentando mostrar como ela é fundada em interpretações erradas de factos verdadeiros, na melhor hipótese, ou baseada em dados incompletos ou mesmo falsificados, na pior hipótese.
Não vou especular sobre teorias da conspiração, como por exemplo, de que existe uma intenção consciente de empolar a letalidade para justificar uma interferência do Estado, sempre acolhida com alegria por quase todas as esquerdas (e por várias direitas). Não sei se existe, mas o que existe certamente é, por um lado, a tendência humana para procurar factos que confirmem os seus pré-conceitos (sim, não estou imunizado contra este vírus, tomo medicação...) e por outro a tendência para a conformidade que leva um grande número de pessoas a partilhar as ideias que julgam ser da maioria do grupo onde se integram, tendências exacerbadas pelo pânico alimentado pelos mídias a quem objectivamente convém.
Num post anterior lembrei a distinção entre taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.). O post seguinte focou-se na dificuldade de estimar taxa de letalidade da pandemia devido às causas de mortes incluírem por e com Covid-19 e, principalmente, porque o número de testes é ainda muito reduzido, só são identificados uma parte dos infectados e, devido à grande transmissibilidade do vírus, o número real de infectados é muito maior.
Ainda no post seguinte, citei uma dezena de estimativas que sugerem isso mesmo. Vou acrescentar mais algumas estimativas provenientes de fontes que considerei credíveis com a informação de que dispunha. Em todos os casos trata-se de factos verificados ou, excepcionalmente, de opiniões razoavelmente suportadas em factos.
O meu propósito não é encontrar o "verdadeiro" valor da taxa de letalidade, algo que não existe visto que depende de inúmeros factores e varia no tempo. O meu propósito é simplesmente questionar a opinião, dominante nos mídia e geralmente aceite pela opinião pública, de que esta pandemia é tão letal que justificaria destruir a economia para salvar milhões de vidas supostamente em risco. E questionar essa opinião dominante tentando mostrar como ela é fundada em interpretações erradas de factos verdadeiros, na melhor hipótese, ou baseada em dados incompletos ou mesmo falsificados, na pior hipótese.
Não vou especular sobre teorias da conspiração, como por exemplo, de que existe uma intenção consciente de empolar a letalidade para justificar uma interferência do Estado, sempre acolhida com alegria por quase todas as esquerdas (e por várias direitas). Não sei se existe, mas o que existe certamente é, por um lado, a tendência humana para procurar factos que confirmem os seus pré-conceitos (sim, não estou imunizado contra este vírus, tomo medicação...) e por outro a tendência para a conformidade que leva um grande número de pessoas a partilhar as ideias que julgam ser da maioria do grupo onde se integram, tendências exacerbadas pelo pânico alimentado pelos mídias a quem objectivamente convém.
Num post anterior lembrei a distinção entre taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.). O post seguinte focou-se na dificuldade de estimar taxa de letalidade da pandemia devido às causas de mortes incluírem por e com Covid-19 e, principalmente, porque o número de testes é ainda muito reduzido, só são identificados uma parte dos infectados e, devido à grande transmissibilidade do vírus, o número real de infectados é muito maior.
Ainda no post seguinte, citei uma dezena de estimativas que sugerem isso mesmo. Vou acrescentar mais algumas estimativas provenientes de fontes que considerei credíveis com a informação de que dispunha. Em todos os casos trata-se de factos verificados ou, excepcionalmente, de opiniões razoavelmente suportadas em factos.
- 06-03 - Teste em mais de 100 mil pessoa na Coreia do Sul, mostraram que uma letalidade cerca de 0,6% (fonte)
- 19-03 - Estimating clinical severity of COVID-19 from the transmission dynamics in Wuhan, China, letalidade de 1,4%
- 08-04 Testes pelo Rigshospitalet na Dinamarca permitiram estimar a letalidade em 0,16%
- 10-04 - O distrito de Heinsberg na Renânia Norte-Vestfália, apresentava uma letalidade de 0,37%
- Actual - A Islândia apresentava hoje uma letalidade de 0,56% (fonte)
Como referi num post anterior, as taxas de letalidade (geralmente com a designação errada de taxa de mortalidade) citadas nos mídia portugueses são várias vezes maiores. Nalguns casos é citada a OMS (a agência das Nações Unidas que deu cobertura à dilação do atraso da comunicação da pandemia na China e à falsificação de dados) que garantiu que esta pandemia é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009, o que equivale a dizer que fará mais de dois milhões de mortos.
O que explica estas discrepâncias? Aparte os casos de falsificação pura e dura, as sobrestimativas da letalidade resultam muito mais da subestimação do número de infectados, ou seja do denominador da taxa de letalidade, do que do número de óbitos no numerador, apesar deste também estar inflacionado pela consideração de todas mortes de pessoas infectadas e apenas aquelas causadas pelo vírus.
Por isso, penso que vale a pena analisar alguns factos e estimativas que comprovam a subestimação do número de infectados, o que farei num post seguinte.
(Continua)
Volta José, estás perdoado. Os teus discípulos querem seguir o teu exemplo. A nossa sorte é que não têm dinheiro
Depois de cinco anos de vacas gordas voadoras a cortar no investimento indispensável para manter os serviços públicos a funcionar e a privilegiar a "reposição de direitos" da sua freguesia eleitoral, o governo entra no período com vacas magras em terra a fazer este anúncio megalómano pela boca do ministro do Planeamento. A propósito, quando neste governo foi criado o ministério do Planeamento fiquei à espera dos planos quinquenais tão queridos dos colectivistas de todos os matizes,
Para o pior e o melhor, o governo vai ficar rapidamente sem dinheiro, nem mesmo para manter sossegada a sua freguesia e se quiser investir terá que se endividar pesadamente - enquanto houver crédito.
23/04/2020
Para o caso de estarem distraídos com a pandemia, os coronabonds e a mutualização da dívida convém não esquecer que...
«A produção de mais riqueza que se possa distribuir não está dependente da produção de dinheiro com o BCE ou do federalismo orçamental de Bruxelas, mas do aprofundamento do Mercado Único na área dos serviços», escreveu Avelino de Jesus no Jornal de Negócios.
Podemos discutir se é com aprofundamento do Mercado Único na área dos serviços ou outra estratégia, mas deveríamos perceber que não vamos lá com helicopter money ou outra panaceia qualquer.
Iríamos lá com a panaceia comunista que se diz em comunês
e que traduzido em esquerdês se diz "os ricos que paguem a crise".
É uma fórmula que, tudo leva a crer, seja partilhada pelos socialistas sem ganas de o dizer em português corrente. O único que tinha lata para tal era o Dr. Pedro Nuno Santos, fundador do pedronunismo, que desistiu das falas radicais em benefício das legítimas expectativas de suceder ao Dr. Costa. Por isso se pode dizer hoje, sem fazer essa ressalva, que um socialista é um esquerdista sem ganas.
Dita abertamente ou não, a ideia é óptima porque nos dispensaria de fazermos pela vida assumindo o estatuto de mendicante perpétuo. Tem, porém, aquele pequeno problema que é os ricos não parecem dispostos a pagar a crise. Conviria, por isso, ir pensando nas alternativas difíceis, porque as fáceis já foram todas tentadas e deram no que deram.
Podemos discutir se é com aprofundamento do Mercado Único na área dos serviços ou outra estratégia, mas deveríamos perceber que não vamos lá com helicopter money ou outra panaceia qualquer.
Iríamos lá com a panaceia comunista que se diz em comunês
e que traduzido em esquerdês se diz "os ricos que paguem a crise".
É uma fórmula que, tudo leva a crer, seja partilhada pelos socialistas sem ganas de o dizer em português corrente. O único que tinha lata para tal era o Dr. Pedro Nuno Santos, fundador do pedronunismo, que desistiu das falas radicais em benefício das legítimas expectativas de suceder ao Dr. Costa. Por isso se pode dizer hoje, sem fazer essa ressalva, que um socialista é um esquerdista sem ganas.
Dita abertamente ou não, a ideia é óptima porque nos dispensaria de fazermos pela vida assumindo o estatuto de mendicante perpétuo. Tem, porém, aquele pequeno problema que é os ricos não parecem dispostos a pagar a crise. Conviria, por isso, ir pensando nas alternativas difíceis, porque as fáceis já foram todas tentadas e deram no que deram.
Sugestões de protestos do Estado português
A propósito de «a China (que) protesta por todo o mundo por se chamar “vírus da China” a um vírus que apareceu na China», Helena Matos propõe uma lista de protestos e entre eles um único protesto do Estado português que «pensa em pensar na hipótese hipotética de apresentar uma proposta prévia e provisória de decisão na ONU para se ponderar pensar mudar o nome da “caravela portuguesa”, um bicho gelatinoso do alto mar, para “alforreca portuguesa”.».
A lista parece-me óptima, mas pouco patriótica porque haverá certamente muito mais protestos justos do lado português. Por agora, estou a lembrar-me do «fazer de português» («fare il portoghese») com que os italianos nos insultam para designar os borlistas. Tudo porque em 1716 houve uns italianos que se quiserem fazer de portugueses para entrar à borla nas festas durante a embaixada que D. João V enviou ao papa Clemente XI.
Neste caso em concreto, o protesto junto do Estado italiano é urgente, antes que o repugnante Senhor Wopke Hoekstra, o ministro das Finanças holandês, aproveitando o peditório dos coronabonds / mutualização da dívida, se lembre de meter-nos a nós, aos italianos e espanhóis no mesmo saco dos portoghesi. Infelizmente, deixámos passar o Brexit e perdemos a oportunidade de fazer o protesto para «inglês ver».
A lista parece-me óptima, mas pouco patriótica porque haverá certamente muito mais protestos justos do lado português. Por agora, estou a lembrar-me do «fazer de português» («fare il portoghese») com que os italianos nos insultam para designar os borlistas. Tudo porque em 1716 houve uns italianos que se quiserem fazer de portugueses para entrar à borla nas festas durante a embaixada que D. João V enviou ao papa Clemente XI.
Neste caso em concreto, o protesto junto do Estado italiano é urgente, antes que o repugnante Senhor Wopke Hoekstra, o ministro das Finanças holandês, aproveitando o peditório dos coronabonds / mutualização da dívida, se lembre de meter-nos a nós, aos italianos e espanhóis no mesmo saco dos portoghesi. Infelizmente, deixámos passar o Brexit e perdemos a oportunidade de fazer o protesto para «inglês ver».
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