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03/02/2018

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (51)

Outras preces.

«Não me tenho pronunciado por uma razão muito simples: porque não há matéria para me pronunciar», disse o Venerando Chefe de Estado, a propósito da trapalhada dos dois bilhetes para a bancada presidencial do Estádio dos Lampiões pedidos pelo Ronaldo das Finanças aos Lampiões, a que se seguiu o conhecimento da conclusão da isenção de IMI do filho do presidente dos Lampiões, devido a um «empurrão», empurrão que o filho agradeceu ao pai por email tornado público.

Tem o Venerando inteira razão. Não teria ele mais do que fazer para ter ocupado 177 horas, sete minutos e 48 segundos de Janeiro de 2016 a Dezembro de 2017 com temas importantíssimos para o futuro da Nação como, para citar um só exemplo, as conclusões da sua vistoria à porta da Associação Recreativa de Vila Nova da Rainha.

Salvo erro no mesmo dia em que não se pronunciou sobre os bilhetes do Ronaldo das Finanças, o Venerando pronunciou-se que não se pronuncia sobre questões concretas e vê só o panorama global e, falando sobre o panorama global, pronunciou-se sobre a Caixa que «é um processo de recuperação difícil, e que exige sacrifícios de vária natureza» e ainda se pronunciou sobre a «a alternativa (que) era ou deixar morrer a Caixa, o que era péssimo para a economia e para o país, ou fazer um esforço colectivo, partilhado por muitos».

Estranhamente, o Venerando não se pronunciou sobre a razão dos sacrifícios patrióticos para salvar uma Caixa que vem há décadas torrando dinheiro dos contribuintes para enterrar em elefantes brancos do regime e emprestar dinheiro a figuras de cera do regime para o enterrarem nos seus elefantes brancos privados e acabarem arquivados nos malparados. Talvez por ser uma questão concreta e o Venerando só ver o panorama global.

LEMA: Quando um dia, mais tarde ou mais cedo, o motor do rebocador que puxa a economia portuguesa começar a gripar e nos cair outra vez por cima o enorme calhau que vimos acumulando há décadas, a populaça, que hoje aplaude - os mais néscios - ou escuta com benevolência - os mais distraídos - estas inanidades, babar-se-à de indignação e raiva proporcional ao aplauso e à benevolência de hoje.

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