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25/09/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (84a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O Dr. Medina a fazer de conta que tem no chapéu a solução milagrosa para os juros altos

A moratória dos juros do crédito à habitação que o Dr. Medina tirou no chapéu consiste em manter durante dois anos as mensalidades calculadas com base em 70% das taxas Euribor e chutar para a frente os 30%, que terão de ser devolvidos ao fim de quatro anos, adicionando-os à dívida no pressuposto que as taxas, entretanto, baixem o suficiente para acomodar os juros diferidos durante dois anos. Pressuposto que é mais wishful thinking quando se pode constatar que a taxa actual (por exemplo a Euribor 3 m que, por muito estúpido que seja, é a mais frequente nos créditos à habitação) está dentro do intervalo de variação das taxas num período “normal” como o da primeira década deste século.

Fonte

Choque da realidade com as políticas de habitação do Dr. Costa

Segundo os cálculos do jornal Eco, entre 2017 e 2022 o parque habitacional teve um aumento inferior a 100 mil edifícios, menos em 6 anos do que a média anual no início do século.

Um Estado em decomposição

Apenas dois dos muitos exemplos. O scanner que permite examinar os contentores do porto de Lisboa está decrépito, precisa de ser substituído e está avariado há tempos o que tem feito a felicidade dos traficantes que usam o porto de Lisboa para introduzir o “produto” na Óropa.

Muitos quilómetros de cabos de alta tensão estão a ser regularmente roubados em troços que por estarem remodelação têm a energia cortada.

Choque ferroviário da Boa Nova com a realidade

Aplicando ao investimento na ferrovia o princípio geral autoestrada mexicana do PS, o governo cortou o investimento previsto no OE2023 na ferrovia em 46% e 18% nos metros, numa situação em que entre 1995 e 2018 a extensão de ferrovia diminuiu 18% o que compara com um aumento da rodovia de 364%.

A reabertura da Linha da Beira Alta prevista para Novembro não vai acontecer.

O ponto de situação do Ferrovia 2020 segundo o Público é o seguinte:


«A educação é a nossa paixão»

Quando o governo do Dr. Costa tomou conta da paixão socialista havia no ensino público não universitário 120,9 mil professores número que aumentou em 10,2 mil para 131,1 mil (fonte PORDATA). No início deste ano lectivo voltam a faltar professores em quase todas as disciplinas e faltam quase o triplo dos professores de Português e o dobro dos de Matemática no 3.º ciclo e secundário.

Para entreter o público e mostrar serviço, o ministro da Educação anuncia que vai ser disponibilizado um edifício em Lisboa para alojar 29 (vinte e nove) professores.

(Continua)

19/08/2023

SERVIÇO PÚBLICO: Nível de vida, saúde e longevidade

No final do ano passado, o Global Institute da McKinsey (um dos grandes da consultoria que faz mais coisas do que ter aconselhado a Purdue Pharma na promoção da vendas de opioides) publicou um interessante estudo «Pixels of Progress: A granular look at human development around the world» profusamente ilustrado com gráficos dinâmicos mostrando a relação entre as diferentes vertentes do desenvolvimento social em várias regiões do mundo durante um período de vinte anos de 2000 a 2019.   

Adaptámos desse estudo os seguintes três diagramas.


O primeiro mostra os diferentes ritmos e caminhos percorridos por três regiões de três países da Europa de Leste relacionando nesse período o aumento do PIB per capita com o aumento da esperança de vida e comparando-o com o conjunto dos países de Leste que nesse período duplicaram o PIB pc e acrescentaram 6 anos à esperança de vida.


O segundo diagrama compara no princípio e no fim do período de referência a relação entre o PIB pc e a esperança de vida em mais de 40 mil microrregiões em todo o mundo, mostrando que a correlação (ilustrada pela inclinação das duas rectas do ajustamento linear) entre as duas variáveis diminui significativamente em 20 anos. Dito de modo mais simples, à medida que a esperança de vida aumentava o efeito das diferenças de nível de vida na longevidade foi diminuindo.


O terceiro diagrama relaciona o aumento da longevidade com o nível de vida e a inovação, mostrando que o efeito de ambos na esperança de vida é aproximadamente igual, sendo certo que a inovação tem também um efeito no nível de vida.

29/11/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (113) - A Passarola Afundada (V)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Os amanhãs que cantam do Dr. Costa

O resultado das eleições de sábado do PSD é uma demonstração que o Dr. Costa não brinca em serviço quando está em causa a sua cabeça. Apostou todas as fichas, colocou a máquina mediática ao serviço da continuidade do Dr. Rio e ganhou. Tem agora a garantia que, mesmo sem uma maioria provavelmente fora do seu alcance, desembaraçado dos restos do naufrágio da geringonça, terá condições para navegar à bolina do PS-D no novo mandato e desembarcar a tempo das eleições presidenciais de 2026. Melhor é impossível.

Mais uma factura atrasada da geringonça

O desmantelamento da PPP do Hospital de Braga, por razões ideológicas para pacificar o berloquismo do BE, o pedronunismo do PS e os encalhados do PCP, traduziu-se num agravamento de 60 milhões (39%) dos custos e provavelmente terá como consequência uma redução da qualidade dos serviços.

«Em defesa do SNS, sempre»

Como habitualmente, mais demissões nos hospitais. Desta foram os chefes da urgência cirúrgica do Hospital de Santa Maria. Desde o fim da proibição de saída do SNS em Maio, despediram-se mais de 400 médicos.

Confrontada com o colapso, a ministra do SNS chuta para o lado e insinua que o problema está na falta de «resiliência» dos profissionais, o que até poderá ser um dos problemas, mas não certamente o principal. Perante a revolta corporativa, picada por S. Ex.ª, que não perde uma oportunidade para garantir que os portugueses são os melhores dos melhores, a ministra pediu desculpa duas vezes.

Take Another Plan

Em resposta aos voos da TAP para a Madeira que custam em média uns mil euros, a Ryanair oferece 350 mil lugares em 10 rotas para a Madeira em 2022, empurrando a TAP para o terceiro lugar na região atrás das duas low cost.

Temos assim a garantia de continuidade dos prejuízos da TAP, que até Setembro atingiram 628 milhões, e de que o Dr. Pedro Nuno continuará a extorquir-nos injecções de fundos à pala da sua candidatura a cacique do PS.

O Big Brother apoderou-se do Banco de Portugal

A partir de 1 de Março todos os empréstimos contratualizados de qualquer montante e envolvendo quaisquer entidades, particulares (incluindo entre familiares) ou empresas, terão de ser comunicados ao BdP que criará uma base de dados. O pretexto: «prevenção e combate à atividade financeira não autorizada e proteção dos consumidores».

16/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (10)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Apreciamos a liberdade da nossa imprensa

Depois do caso do lítio que o programa "Sexta às 9" da RTP, o canal governamental, foi forçado a apresentar só depois das eleições pela directora Maria Flor Pedroso, prima do Dr. Costa (cá está, outra vez, a grande família socialista), temos o caso do Instituto Superior de Comunicação Empresarial, onde lecciona Maria Flor Pedroso, e de cuja proprietária é amiga (lá está, os amigos são uma espécie de prolongamento da família), a quem avisou e aconselhou sobre as investigações inconvenientes da jornalista Sandra Felgueiras (uma metediça, está visto).

Não fora o movimento (lá está, espontâneo) de 113 indignados jornalistas que se mobilizaram num abaixo-assinado (lá está, o abaixo-assinado como arma de luta), e a directora da RTP e prima do Dr. Costa estaria ameaçada de ser injustamente impedida de continuar a exercer o seu múnus patriótico. Logo agora, que o primo Dr. Costa destacou o antigo administrador da RTP, dono de um fornecedor de conteúdos para RTP e seu fiel amigo (lá está, os amigos são para as ocasiões) para a secretaria de Estado dos Mídia onde se prepara para lançar uma «campanha de sensibilização» para educar os jornalistas a produzirem e os leitores a consumirem informação rigorosa (lá está, a coisa já tinha sido pensada por Eric Arthur Blair quando imaginou o ministério da Verdade).

É uma vergonha pretender proibir a palavra vergonha

Talvez cumprindo a sua vocação de grande educador do povo, o Dr. Ferro Rodrigues com o seu chapéu de segunda figura do Estado Sucial admoestou e ameaçou o deputado do Chega por usar as palavras «vergonha» e «vergonhoso» demasiadas vezes a propósito da governação do Dr. Costa o que, no seu entender, significava «desprestigiar as instituições democráticas».


É muita ousadia para quem já esteve «cagando para o segredo de justiça» e pertence ao grupo parlamentar socialista cujos deputados já usaram 259 vezes a palavra vergonha só na última década.

O tiro ao Centeno tornou-se o desporto oficial

No primeiro mandato o bode expiatório foi o governo "neoliberal" papel que passados cinco anos já prescreveu. Foi preciso, portanto, encontrar um substituto. Está encontrado e, por coincidência, é o herói do primeiro mandato - o Ronaldo das Finanças. Não apenas os seus colegas de governo sopram dissidências para os jornalistas amigos como até a Dr.ª Ferreira Leite, uma antiga ministra das Finanças, classificou de «faz de conta» o orçamento e exortou os colegas do Dr. Centeno a verem-se livres dele, mostrando que não apenas faz o serviço socialista quando o PS está na oposição, como mostrou durante os 4 anos do governo do seu partido, mas igualmente quando o PS governa. O Dr. Costa deveria agradecer-lhe criando uma comissão para a Dr.ª Manuela presidir.

A coisa até já passou a fronteira e chegou a Bruxelas onde, numa reunião do Conselho Europeu com o Ronaldo presente com o chapéu da Zona Euro, este e o Dr. Costa se pegaram a propósito do orçamento europeu que o primeiro exaltou e o segundo detractou para espanto dos presentes que não estavam habituados a tal coisa. Até o circunspecto semanário de reverência dedica quase uma página ao tema.

11/11/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (5)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Geringonça suprimida. Viva a passarola

«Onde está o celebrado território programático da convergência histórica das esquerdas?» perguntou-se Sérgio Sousa Pinto, respondendo: «A 'geringonça' apareceu para suprimir uma ilegitimidade. Suprimida a ilegitimidade, supriu-se a 'geringonça'».

Web Summit - as dormidas já ninguém nos tira

Por muito que as trombetas da imprensa amiga soprem (quase todos os jornais com excepção do SOL se auto-excitaram com a coisa), o certo é que é essencialmente um evento turístico que dá muito jeito para fazer entrar uns cobres e, vá lá, um palco para as nossas elites merdosas exibirem o seu provincianismo cosmopolita convencidas da sua notoriedade global. Vem a propósito dizer que os mídia internacionais, com poucas e secundárias excepções se borrifaram para o evento: sem querer fazer passar um indicador como facto estabelecido, o certo é que a pesquisa no Google «web summit lisbon site:.com» na secção notícias no último mês mostra 152 referências.

E, claro, também dá jeito para o Paddy facturar uns euros na venda das camisolas fabricadas pela empresa da sua mulher. Sendo inquestionável que faz entrar uns cobres a estimativa entre os 111 e os 176 milhões é pura fantasia porque, em vez de medir o impacto marginal das estadias dos participantes que representam cerca de 70% das receitas, medem o valor bruto, como se sem Web Summit, os hotéis, os restaurantes e os transportes ficassem vazios.

O PS como barriga de aluguer de causas fracturantes

Para além dos múltiplos efeitos habituais nocivos da governação socialista, em consequência da dependência de Costa do suporte do BE a identidade do género e as outras obsessões do berloquismo entraram pela porta da frente na agenda do governo anterior. Suprimida a geringonça, essas causas começaram a entrar pela porta dos fundos, como a eutanásia que não fazia parte do programa do governo e agora vai ser objecto de uma iniciativa legislativa do grupo parlamentar do PS, segundo o Expresso.

01/10/2019

SERVIÇO PÚBLICO: António Costa, el gran prestidigitador

O Prestidigitador de Bosch
«Prosseguindo as reflexões semanais a que me propus, salientarei que potencialmente a informação é um dever, a publicidade um direito, a propaganda um abuso. Esta abre as portas à demagogia das falsas promessas e considerações. Manipula a credulidade do destinatário, sendo certo que há quem goste de ser bem enganado. O sucesso do ilusionista assenta aí. O público sabe que está a ser alvo do logro, mas quanto mais difícil lhe resulta perceber como, mais aplaude. António Costa na sua idiossincrasia gostará de saber, que ó reconheço como o melhor mágico do cenário político português, ultrapassando, na arte do fazer de conta, quantos rivais de cariz guterrista, futuros socráticos ou não, o acompanharam há anos no êxito de substituir no PS a ética cavalheiresca de Jorge Sampaio. Rasteira atrás de rasteira, ainda hoje me doem as canelas.

O atual primeiro-ministro já era um desembaraçado demagogo, mas a parceria, durante quatro anos, com o BE aperfeiçoou a ávida enunciação de quantas necessidades e aspirações se lembrem, para segundo as melhores regras do marketing político as transformar em objetivos, sem cuidar das possibilidades de os materializar sem as graves sequelas da irresponsabilidade e do despesismo. A isso a CDU não se opôs, fiel à incongruência dos comunistas serem austeros quando governam, mas reivindicativos quando tal não ocorre. Os dirigentes da Intersindical seriam silenciados na União Soviética.»

Excerto de «O futuro está ao virar da esquina», Joaquim Silva Pinto no jornal SOL

O título do post é roubado deste artigo do El País, da altura em que perdeu as eleições e ficou primeiro-ministro. O jornalista viu logo desde o princípio quem era a criatura. Quatro anos depois um terço dos portugueses ainda não perceberam.

03/06/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (190)

Outras avarias da geringonça e do país.

Finalmente, veio a ser pública a quarta carta que o ex-ministro das Finanças Campos e Cunha escreveu a José Sócrates explicando as razões porque pedia a demissão, razões que são um libelo à governação socialista e, por inerência, à dúzia de acólitos do animal feroz que ainda por aí circulam. A começar pelo actual primeiro-ministro Costa (o "merdas sem tomates", segundo Sócrates), Santos Silva (actual ministro dos Negócios Estrangeiros), Vieira da Silva, homem para toda a obra, a continuar com Freitas do Amaral, um socialista frustrado, e muitos outros, e a terminar com Teixeira dos Santos, o sucessor de Campos e Cunha que foi apanhado em mais uma mentira ao fazer um depoimento a limpar a folha do chefe, assumindo a responsabilidade por nomear Vara contra a vontade do chefe, uma semana antes de ser pública a carta de Campos e Cunha esclarecendo que a razão principal para se demitir foi a pressão de Sócrates para que nomeasse Vara. É o esgoto socialista em todo o esplendor.

O cobrador do fraque do Estado Sucial

A estória das operações stop do fisco sob ameaça de penhora dos veículos já foi aqui contada. Resta acrescentar que eram do conhecimento da DG das Finanças em Lisboa e estavam a ser preparadas acções de rua para penhorar activos financeiros e que vai (ou iria?) ser lançada «uma megaoperação de fiscalização a casamentos e festivais de música».

O Estado Sucial ocupado pela geringonça que nos assalta na rua para extorquir impostos, que nos quer impor uma dieta e controlar os nossos hábitos e gostos, é o mesmo Estado Sucial que não sabe o paradeiro de 170 obras de arte à sua guarda, incluindo quadros de Vieira da Silva e Júlio Pomar, José de Guimarães, Malangatana e muitos outros.

18/02/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (175)

Outras avarias da geringonça e do país.

Dizem alguns comentadores que Costa começa a dar sinais de desorientação. Não estou certo que os seus ziguezagues signifiquem isso, podem muito bem ser apenas a consequência de Costa só ter uma política consistente - manter-se no poder. Daí não ter qualquer problema em anunciar uma barragem de medidas, leis, projectos e planos independentemente da sua exequibilidade ou mesmo da sua intenção efectiva de os executar apenas para encher o espaço mediático, à semelhança dos seus mestres Guterres e Sócrates.

Talvez seja o caso do Direito Real de Habitação Duradoura, ou para simplificar Arrendamento Vitalício, a sua última produção em matéria do arrendamento, um perfeito disparate que na sua versão mais benigna é a generalização da versão dos arrendamentos anteriores a 2003 para os inquilinos com mais de 65 anos.

01/10/2018

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (155)

Outras avarias da geringonça e do país.

As últimas semanas foram pródigas em espectáculos. Com a preciosa ajuda de Marcelo, que nos serviu outra vichyssoise, assistimos a semana passada ao desenlace da peça de teatro da recondução/nomeação da PGR, cuja acção mais importante se desenrolou nos bastidores ao abrigo dos olhares do público. Peça iniciada há longos meses com uma deixa («mandato longo e único») de uma personagem entrada em palco pela esquerda baixa, que foi repetida como um mantra por todos os protagonistas, incluindo Marcelo se desdisse ainda mais do que o habitual.

Se o primeiro foi uma farsa, o outro espectáculo foi a comédia da «suspensão da decisão» de mudar o Infarmed para o Porto, cinco vezes garantida por Costa, decisão que já se sabia e agora se confirmou ter sido apenas mais um coelho tirado da cartola por Costa para entreter o prefeito do Porto.

A quem pense que a capacidade do governo de Costa para montar espectáculos se esgota nesses sucessos, recomenda-se que veja o êxito ininterrupto há mais de um ano no palco de Tancos, animado por um ministro que desafia qualquer comediante em exercício, com novos desenvolvimentos todas as semanas. No último desenvolvimento, imaginativamente baptizado «Operação Húbris» (soberba) pela Judite, os polícias e confundiram-se com os ladrões.

18/12/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (114)

Outras avarias da geringonça.

Não vou gastar muita cera com o defunto Raríssimas, a propósito do qual já aqui e aqui queimei umas velas num tom irónico - o mais apropriado a este exemplo clássico da promiscuidade entre o Estado governado por socialistas de várias tendências e a sociedade civil que é cada vez mais um apêndice do primeiro. Destaco apenas dois episódios que dispensam quaisquer outros: num orçamento marcado pelas cativações de verbas prioritárias, o governo encontrou espaço para quadruplicar este ano para 1,2 milhões os subsídios ao empreendimento de Dona Paula e o ministro Vieira da Silva dispôs-se a apadrinhar uma cerimónia em que a Raríssima foi considerada uma fundação que nunca foi.

E o que dizer à substituição do demissionário secretário de Estado da Saúde, conhecedor íntimo no sentido bíblico de Dona Paula, por mais outro membro da numerosa família socialista, Rosa Matos Zorrinho, cônjuge de Carlos Zorrinho, eurodeputado e membro influente do aparelho socialista. À nomeada ex-presidente da ARS do Alentejo foram atribuídas compras obscuras - nada de especialmente grave pelo padrões socialistas, reconheça-se. E, falando da família socialista, consulte-se aqui uma lista incompletíssima de familiares e amigos do peito que pululam no aparelho governativo costista.

26/06/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (89)

Outras avarias da geringonça.

Para refrescar as memórias apagadas pelo jornalismo de causas, convirá recordar que o Lacerda Machado, amigo que Costa encarregou de negociar a reversão da reprivatização e de seguida nomeou administrador da TAP, é o mesmo Lacerda Machado administrador da Geocapital (com os dinheiros de Stanley Ho) que detinha 65% da VEM (Varig Engenharia e Manutenção) em parceria com a TAP que detinha 35%, parceria negociada em 2005 com o governo Sócrates. E era o mesmo Lacerda Machado que quando se comprovou que a VEM era um negócio falhado usou uma cláusula do contrato que ele tinha empandeirado ao governo para forçar a TAP a comprar em 2007 os 65% da Geocapital ficando a TAP desde então a suportar os prejuízos  (ver aqui um resumo). E é o mesmo Lacerda Machado que fez parte da equipa que Costa como ministro da Administração Interna nomeou para renegociar o contrato do SIRESP, sistema que tem uma história de falhanços, o último dos quais no incêndio de Pedrógão Grande (ver aqui um resumo e ver aqui a história). E foi o mesmo Lacerda Machado que o mesmo Costa encarregou de negociar os helicópteros Kamov para combate aos incêndios florestais, frequentemente inaptos para voar, que segundo as contas do Expresso até Abril do ano passado tinham custado 348 milhões de euros ou 35 mil euros por hora de voo.

26/04/2017

SERVIÇO PÚBLICO: Porque falha a justiça penal?

«Abandonado o moralismo e o justicialismo, porque falha a justiça penal? Porque temos corrupção sem corruptos? A teoria da conspiração da classe política não me parece convincente. Num artigo anterior sobre o Ministério Público, apontei duas pistas. Por um lado, a incapacidade orçamental de disponibilizar mais recursos. E sabemos que isso não vai mudar, não pode mudar e provavelmente não deve mudar (porque as estatísticas europeias indicam que, em valores relativos, já gastamos mais, temos mais procuradores e mais tribunais do que a média). Por outro lado, os consensos jurídicos que rejeitam qualquer aproximação aos modelos europeus (oposição ao princípio da oportunidade, imoralidade da delação premiada, a hierarquização do Ministério Público acompanhada de um sistema de prestação de contas exogâmico seria uma violação inaceitável da independência). Do casamento destas duas restrições, incapacidade orçamental de disponibilizar mais recursos e consensos jurídicos que rejeitam qualquer aproximação aos modelos europeus, resulta a atual situação.»

Excerto de «Corrupção sem corruptos», Nuno Garoupa no DN

Um exemplo da falta de aproximação aos modelos europeus:

Sumário do Acórdão de 29 Mar. 2017 do Tribunal da Relação do Porto

Sendo os arguidos de nacionalidade sul-americana e não lhes tendo sido nomeado o competente intérprete aquando a busca domiciliária, as provas obtidas nessa busca são nulas,

Resumo da Jusnet

BUSCA DOMICILIÁRIA. FALTA DE INTÉRPRETE. 
Quando houver de intervir no processo pessoa que não conhecer ou não dominar a língua portuguesa, é nomeado intérprete idóneo, ainda que a entidade que preside ao ato ou qualquer dos participantes processuais conheçam a língua por aquela utilizada. Em conformidade, a falta de nomeação de intérprete constitui uma nulidade dependente de arguição, nos casos em que a lei a considerar obrigatória. Nestes termos, a busca domiciliária efetuada na residência do arguido de nacionalidade sul-americana é nula pelo facto de a autorização dessa busca não ter sido traduzida para espanhol, nem ter sido validada por parte do Juiz de Instrução Criminal, tendo a mesma sido realizada sem ser na sequência de um flagrante delito. Com efeito, não releva que o arguido tenha assinado a autorização de busca, pois se presume que a mesma não foi assinada por não ter sido traduzida para a sua língua. 
ARGUIÇÃO DA NULIDADE. Considerando que não foi nomeado intérprete na busca domiciliária, não era exigível aos arguidos que até ao fim desse ato fosse arguida a nulidade, pois para tanto são necessários conhecimentos técnico-jurídicos e os arguidos não estavam representados por defensor.

09/03/2017

SERVIÇO PÚBLICO: «Agora é fácil, não é?»

«Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto. E a julgar pelo número de heróis anti-Salgado que surgem hoje publicamente é muito provável que não seja a última.

Quando o Banco de Portugal (BdP) iniciou o seu processo de investigação ao Banco Espírito Santo não tinha os elementos legais para derrubar Ricardo Salgado, por muitas que fossem as suspeitas ou até evidencias de que as coisas estavam muito piores do que se imaginava. Mas o grande obstáculo à atuação do Banco de Portugal era muito mais do que legal. Era uma parede construída pelo poder do então Dono Disto Tudo.

Hoje é fácil atacar Ricardo Salgado. Na altura não só era difícil poucos ousavam criticar publicamente o GES. E não estou só a falar dos líderes de opinião que se mantiveram fiéis a Salgado quase até ao fim, como foi o caso de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas também de muitos banqueiros que, à semelhança de outros casos como  o do BPN, se mantiveram calados até o escândalo rebentar.

Não eram só algumas pessoas. Era toda uma economia assente nos braços fortes do Grupo Espírito Santo e da sua capacidade de Influência. Com destaque para o poder político dos partidos do centro.

05/08/2016

SERVIÇO PÚBLICO: «Se a questão decisiva da economia portuguesa é saber por que não cresce o investimento, qual a razão dessa terrível situação?»

«Ora os valores do investimento dão os sinais mais aterradores, nunca vistos na nossa economia. Depois da maior queda da história registada, que o reduziu quase a metade (contraiu 42% do terceiro trimestre de 2001 ao primeiro de 2013), seguiu-se uma recuperação medíocre e insuficiente. Apesar de a economia estar a crescer desde 2013 e a taxa de desemprego ter descido cinco pontos percentuais, de 17,5% para 12,4%, o investimento total caiu em cinco dos últimos treze trimestres e registou uma taxa homóloga -0,6% no princípio deste ano. Acumulado, só subiu 13% desde o início de 2013. O seu peso no produto, que andava acima de 30% nos anos 1970, era de 25% quando entrámos na CEE em 1986 e 28% quando entrámos no euro em 1999, anda agora pelos 15%. Valores assim são evidentemente inferiores aos mínimos que permitem manter o stock capital. Podemos pois dizer com segurança que Portugal está a desinvestir em termos líquidos desde 2011, deixando degradar a capacidade empresarial instalada.

[...]

Mas afinal, se a questão decisiva da economia portuguesa é saber por que não cresce o investimento, qual a razão dessa terrível situação? A resposta está precisamente no enviesamento dos debates e temas que ocupam as autoridades. Quem é que, português ou sobretudo estrangeiro, quererá investir num país com esta governação? Os empresários não são estúpidos e sentem bem o clima político. Num mundo globalizado é difícil um país atrair empreendimentos de valor, mesmo quando se empenha nesse sentido. Quando se ignora a questão, dedicando-se a distribuir benesses que ainda não foram produzidas, os investimentos não só não vêm, mas até se perdem os que se tinham. Assim não é difícil explicar por que o investimento não cresce. Estranho é que ainda exista algum.»

Excerto de «A pergunta decisiva», João César das Neves no DN

21/01/2016

SERVIÇO PÚBLICO: Da próxima vez também não vai ser diferente (6)

[Uma espécie de continuação de «Too big to fail» - another financial volcanic eruption in the making (1) e (2) e de «Da próxima vez também...» (1), (2), (3), (4) e (5)]

Tenho dedicado esta série de posts a antecipar os resultados das políticas de quantitative easing (QE) e de taxas de juro evanescentes adoptadas pela Fed, primeiro, e depois copiadas, sucessivamente, pelo Banco de Inglaterra, pelo BCE e pelo Banco Central do Japão.

Escrevi que nas bolsas americanas aditivadas pelo QE e as taxas de juro da Fed, os valores do P/E Ratio (price-to-earning ratio, isto é a relação entre a cotação das acções e os dividendos pagos) atingiram níveis insustentáveis e, de facto, não sustentados pelo fraco crescimento dos lucros. Evolução semelhante se deu nas bolsas europeias, japonesas e, por último, chinesas (neste caso cumulativamente com outras razões). Também os preços nos mercados imobiliários, sobretudo americano e britânico, atingiram níveis estratosféricos.

Pois bem, como tudo o que sobe um dia desce, estamos desde o princípio do ano a assistir à queda das cotações em todos as bolsas e, após anos de experimentalismo dos bancos centrais, começámos a assistir à quebra do longo e pesado silêncio de gurus que agora anunciam o apocalipse. Exemplos: Larry Summers (ex-secretário do tesouro americano), George Osborne (chanceler britânico), George Soros (o homem da Quarta-Feira Negra que afundou a libra em 1992), Albert Edwards (da Société Générale, este com um pouco mais de moral), entre outros, sem esquecer os economistas do RBS (Royal Bank of Scotland) que há dias anunciaram o fim do mundo - os mesmos economistas que não previram o afundamento do próprio RBS em 2008.

Como escreveu há dias um jornalista (sem causas), se fosse, seria esta a primeira vez que gurus e analistas previram uma crise dos mercados. Não sei se o apocalipse está a caminho (duvido), até porque a economia mundial não está assim tão mal (as economias que estão mal são as dos produtores de matérias-primas), o que sei é que os inevitáveis ciclos dos mercados ao serem manipulados pelos bancos centrais nos últimos 8 anos podem ter ajustamentos violentos que de outro modo poderiam (talvez) ser aterragens suaves. Com ou sem apocalipse, os bancos centrais ao usarem intensamente o QE e manipularem as taxas de juros estão agora desarmados para reagirem – por exemplo, como espevitar os mercados baixando taxas de juro que estão próximas de zero?

Moral da estória, como disse um jogador qualquer: prognósticos só no fim do jogo.

13/11/2015

SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (15)

(Uma espécie de continuação da saga de Teixeira dos Santos)

No princípio de Setembro, Mário Centeno, o Futuro Ministro das Finanças de Portugal, considerava que atingir a meta do défice deste ano «não é verosímil dado o que temos estado a observar na execução orçamental, nem em termos da despesa, nem em termos da receita» porque «impõem sobre défice do segundo semestre um esforço absolutamente titânico para se cumprir os 2,7%».

Dois meses e meio depois, já a caminho do Terreiro do Paço, em entrevista à Renascença, Centeno disse a Henrique Monteiro, que o revelou no Expresso da Manhã, esperar um défice de 3% este ano. É certo que 3% não é o mesmo de 2,7%, contudo, considerando que não estamos no domínio da física atómica e o seu antecessor e correligionário Teixeira dos Santos ter falhado estrondosamente todos os défices, nomeadamente o de 2009 que começou em 2,2% e acabou em 10,0%, não deveria Mário Centeno admitir que falhando até as suas previsões avant la lettre dos défices alheios seria melhor a nação preparar-se para a repetição da tradição socialista nos défices próprios?


Entretanto, tirando partido do Facebook tele-evangelista, recapitulemos o «momento Zen» de Centeno onde já são visíveis as suas dificuldades com os números.

21/09/2015

SERVIÇO PÚBLICO: Já é demasiado tarde para ser o princípio do princípio e ainda é cedo para o fim do princípio

[Princípios do princípio]

A semana passada a S&P melhorou o rating da dívida pública portuguesa de BB para BB+ (mantendo-se «predominantemente especulativo») e degradou o outlook de positivo para estável, de onde se poderá deduzir que a probabilidade de ter novo upgrade brevemente é muito diminuta. É uma boa notícia porque a notação fica apenas à distância do nível BBB- de «qualidade média», mas deve ser colocada em perspectiva.

Em Abril de 2010 a notação da S&P ainda era A+ (6 níveis acima da actual BB+) e desceu então dois níveis para A-. A Moody’s esperou até Outubro desse ano para descer os mesmos dois níveis para A1 (correspondente ao A+ da S&P). Para voltarmos às notações de antes da bancarrota socialistas vamos ter de esperar anos, se tivermos juízo.

Uma outra boa notícia foi o aumento da taxa de emprego (percentagem da população empregada em relação à população total de 15 a 64 anos) de 62,8% no 1.º trimestre para 64,2% no 2.º trimestre deste ano. É claro que ainda estamos longe dos 67,7% do final de 2008, taxa inchada por empregos insustentáveis ou seja empregos sustentados por empresas inviáveis, mas já se atingiu praticamente a taxa do 1.º trimestre de 2011 (64,3%) no estertor do socratismo. (fonte Eurostat 16-09-2015)

01/06/2015

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim (4)

Outros princípios: (1), (2), (3)

Este é o quarto post de uma série que se segue a uma outra série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro do ano passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade começaram entretanto a comprometer os progressos penosamente conseguidos.

Agora, a 4 meses das eleições, confirmam-se os efeitos negativos da involução iniciada com o final do PAEF, por agora ainda parcialmente compensados com uma dinâmica resultante de nos 3 primeiros anos, como já aqui escrevi, o governo ter diminuído o intervencionismo na economia, deixado de fazer o papel dos empresários, de pretender saber o que era bom para a economia, de extorquir recursos para o celebrado investimento público e se ter limitado a extorquir cada vez mais impostos para pagar a máquina extorsionária.

Involução? E, no entanto, o crescimento de 0,6% no 2.º trimestre de 2014 subiu para 1,5% do 1.º trimestre deste ano. Pois subiu, mas a cavalo do consumo privado que cresceu 2,5% em relação ao período homólogo de 2014. E se a formação bruta de capital fixo aumentou 8,5% foi a cavalo da construção – mudam-se os tempos, permanecem as vontades.

Involução? E, no entanto, no que respeita ao comércio internacional, quando comparamos o 1.º trimestre deste ano com o 1.º trimestre de 2014 constatamos que o défice melhorou de -2.630 para -1.969 milhões e as importações diminuíram 1,4%. É verdade. Porém, quando eliminamos o efeito da redução dos preços das importações de petróleo (as importações de combustíveis diminuíram 30,1%) constatamos que as restantes importações aumentaram 4,7% e não por causa dos bens de investimento que apenas aumentaram 3,3%. Foi à custa do aumento das importações de automóveis (39,6%) e de bens de consumo duradouros (7,3%). Não fosse a redução do preço do petróleo e o défice ficaria praticamente na mesma. É só esperar pelo aumento já em curso dos preços do petróleo.

Se em cima disto encavalitarmos os estímulos ao consumo do PS (cujo efeito marginal será como sempre foi o aumento das importações), não é difícil antecipar em 2 ou 3 anos o regresso da troika. Ou menos tempo se, como é provável, a bancarrota anunciada de Grécia se consumar e os mercados escaldados aumentarem os yields da dívida pública para os níveis de há 3 anos, ou seja dos actuais 2,5% para OT a 10 anos (subiu 1% em relação aos mínimos de Março) para os 12% de há 3 anos.

22/01/2015

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim (3)

Outros princípios: (1), (2)

Repetindo-me: durante mais de dois anos publiquei a série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade começaram entretanto a comprometer alguns os progressos.

Se as reformas foram tão pífias como foi possível ter arrebitado a economia que não vive ao colo do Estado, conseguir pela primeira vez em décadas equilibrar as contas externas (saldo positivo até Outubro nas Balanças Corrente + Capital de € 3,4 mil milhões – contra 2,8 mil milhões o ano passado), ganhar a confiança dos investidores colocando a semana passada 10 mil milhões a 10 anos a uma taxa média de 2,92% e 2 mil milhões a 30 anos a uma taxa média de 4,131%, com uma procura que quase triplicou a oferta?

Apesar de tudo eles ainda acreditam em nós (Fonte: Bloomberg)
A resposta é: porque o governo diminuiu o seu intervencionismo na economia, deixou de querer fazer o papel dos empresários, de pretender saber o que era bom para a economia, de extorquir recursos para o celebrado investimento público e limitou-se à extorquir cada vez mais impostos para pagar a máquina extorsionária.

31/08/2014

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim (2)

Repetindo-me: durante mais de dois anos publiquei a série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade estão a comprometer os progressos feitos.

O orçamento rectificativo veio confirmar os sinais de fumo que aqui mencionei. Apesar da redução dos efectivos na administração pública, as despesas com o pessoal resvalaram em cerca de 1,5 mil milhões dos quais menos de 1/3 se justificam pelo chumbo do Tribunal Constitucional. Não é grave é gravíssimo e revela uma estória mal contada. O défice só não dispara porque a já pesadíssima carga fiscal aumenta 1,2 mil milhões o que reduz a consolidação fiscal a uma mera operação de extorsão fiscal.

Em conclusão, se este é um governo liberal, quando chegar o governo socialista pode logo convocar uma assembleia de credores. Se nem sob a pressão da intervenção externa o país foi capaz de se reformar, devemos suspeitar que o país é irreformável.