Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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24/04/2013

A maldição da tabuada (15) – Estará o fim da maldição à vista?

O tema da tabuada, ou melhor o tema da sua maldição, tem sido recorrente no (Im)pertinências, cujos contribuintes penaram na infância para conseguir fazer contas de cabeça, competência que ao longo da vida adulta nos tem dado muito jeito.

Se dúvidas tivesse, a observação da inumeracia reinante e a consequente dificuldade de distinguir milhões de biliões e de relacionar grandezas (a audição de praticamente todas as luminárias residentes na televisão e da maioria esmagadora dos jornalistas de causas fundamenta esta asserção) confirmaria a utilidade do domínio desta ferramenta mental.

Por essa razão, não espanta ter sido com grande alívio que fiquei a saber estar à vista o fim deste mito da inutilidade de saber a tabuada par cœur, criado por sucessivas gerações de filhos espirituais de Rousseau. E foi sem surpresa que também fiquei a saber que a Associação dos Professores de Matemática entende que a reintrodução da aprendizagem da tabuada significa «retroceder 40 anos o ensino em geral e, em particular, o da Matemática». Oposição que, considerando os resultados de 40 anos dos métodos preconizados pela bendita Associação, vem desvanecer as últimas dúvidas que poderia ter.

Faço votos para que acabe por prevalecer o bom senso e o saber de experiência feito e só tenhamos que esperar outros 40 anos para desfazer os efeitos nefastos dos lunáticos dos últimos 40 anos.

[Para uma retrospectiva das consequências desta maldição, ver a etiqueta: «a tabuada faz muita falta»]

23/09/2016

A maldição da tabuada (32) - Não saber a tabuada nunca foi uma desculpa para errar as contas (I)

O (Im)pertinências tem sustentado que os problemas com as contas, públicas e privadas, que afectam políticos, economistas, jornalistas e até, imagine-se, contabilistas, resultam da nossa falta de vocação para os números, sobre cuja origem aqui especulei. Falta de vocação que as luminárias que se têm dedicado a instruir a população nas últimas décadas pensaram superar eliminando a tabuada. Por isso lhe temos chamado a maldição da tabuada.


Acontece que essa falta de vocação não pode ser alibi para errar as contas pelo menos desde que existem dispositivos de cálculo. Ou seja desde 2.700 AC quando foi inventado na Mesopotâmia o ábaco, um zingarelho como o acima reproduzido. Nos próximos posts vou tentar demonstrar que, ainda que tivéssemos falhado o ábaco, tivemos muitas outras oportunidades ao longo da nossa história para superar a maldição da tabuada.

20/09/2014

A maldição da tabuada (18) – Em média não sabem calcular médias

«É a primeira vítima do erro registado na colocação de mais de mil professores contratados para as cerca de 300 escolas com contrato de autonomia e Teip (territórios educativos de intervenção prioritária). Mário Agostinho Alves Pereira, diretor-geral da Administração Escolar desde 2009 até hoje, assumiu a responsabilidade pela aplicação de uma fórmula que calculou mal as classificações de milhares de candidatos às bolsas de contratação de escola e apresentou a demissão, apurou o Expresso. O pedido foi aceite pelo ministro da Educação.» (Expresso)

O erro consistiu em calcular uma média de duas variáveis de natureza diferente sem primeiro as tornar comparáveis. Exemplo: a média de 20 km e 40 milhas não é 30 kmilhas, é 34,1395 km ou 21,2139 milhas.

Os professores, a oposição e com eles o jornalismo de causas pediram a demissão do ministro. Sem razão. Primeiro porque não foi o ministro, por acaso um matemático, que determinou o processo de cálculo. Segundo porque os técnicos que prepararam o processo de cálculo e a lista de professores dele resultante não foram alunos do ministro, foram provavelmente alunos de professores sindicalizados na FENPROF e representados pelo sindicalista Dr. Mário Nogueira que estava na 1.ª fila das galerias do parlamento aos gritos a pedir a demissão do ministro. Terceiro porque provavelmente a maioria dos deputados da oposição (e da situação, já agora) que vituperaram o ministro não dominam os rudimentos da aritmética elementar. Quarto porque os jornalistas que fizeram eco da indignação dos profs e da oposição não foram capazes de explicar decentemente qual o erro em causa – com a uma única excepção da jornalista do Observador.

Para sermos justos, devemos observar com bonomia quer os erros, quer as indignações, quer a incapacidade de explicar os erros. Trata-se, afinal, da maldição da tabuada, um mal que nos aflige há séculos – segundo os entendidos, um mal que começou com a expulsão pelo Marquês de Pombal em 1789 dos jesuítas, as únicas almas que à época eram capazes de calcular médias simples e ponderadas.

Um mal que explica as nossas dificuldades com as contas públicas e privadas e com as nossas dívidas públicas e privadas e que infelizmente não parece ter sido percebido pelo presidente da Estónia Toomas Hendrik Ilves que nesta sua intervenção nos humilha, insinuando que gastamos mais do que ganhamos e pedimos emprestado mais do que podemos pagar, o que levou os estonianos, mais pobres do que os portugueses, a resgatar-nos, acusa. É uma crítica fácil e demagógica. Tivesse a Estónia os nossos problemas com tabuada e não falariam de cátedra.

06/01/2019

Vivemos num estado policial? (16) / Maldição da tabuada (49) - Sim, vivemos. E por isso os polícias, cujo número não sabemos ao certo, continuam a ser insuficientes

Outros casos de polícia / Outras maldições da tabuada

Recapitulando:

Segundo o relatório da OCDE divulgado em Fevereiro de 2017, Portugal «tem 432 polícias por 100 mil habitantes, um valor que torna a polícia portuguesa 36% mais bem equipada do que as polícias na média dos países europeus» (jornal Eco). Note-se que os GNR são polícias com outro nome e são contados como tais nas estatísticas da OCDE.

Refira-se também que existem 16-sindicatos-16 de polícias e o mais recente tinha em Abril do ano passado 451 associados e 459 dirigentes e delegados.

Novos desenvolvimentos:

Na realidade não são novos desenvolvimentos. É mais do mesmo. Literalmente mais do mesmo.

Desta vez é o Eurostat que com dois anos de atraso nos informa que, afinal, dois anos antes, a Tugalândia já tinha 451 polícias por 100 mil habitantes, mais do que os 432 que a OCDE nos dizia que tínhamos. Como, num caso e noutro, os dados tiveram origem num departamento qualquer do governo português, esta diferença só pode dever-se a mais uma manifestação da maldição da tabuada que assola a Pátria e em especial o Estado português, maldição que explica, entre outras coisas, as dificuldades dos nossos infantes com a matemática e as dificuldades dos pais deles com os orçamentos e as contas.

29/04/2017

A maldição da tabuada (44) – A saúde está pela hora da morte, segundo a agência do regime e o semanário de reverência

«A saúde em Portugal representa quase dois terços da despesa total do Estado, mas está entre as mais baixas da União Europeia, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira que faz o retrato do sistema de saúde português.

Segundo o relatório, a despesa pública com a saúde em Portugal totaliza 64,7% do total dos encargos do Estado, enquanto a média da UE é de 76%.»

Excerto do artigo do Expresso «Despesa pública em saúde em Portugal entre as mais baixas da União Europeia»

Dois terços da despesa total do Estado? 

Ora vejamos as despesas do Estado em milhões de euros em 2015 (Pordata)
  • (A) Saúde 8.518,4
  • (B) Total  48.493,5
  • (A) / (B) = 17,6%
É claro que multiplicar por quatro a despesa com saúde é um disparate de um tamanho não poderia vir de um relatório do Observatório Europeu de Saúde. Por descargo de consciência fui vasculhar no «Portugal, Health system review» e a páginas 48 descobri a origem da confusão: onde se escrevia «General government health expenditure as % of total health expenditure» a Lusa leu e escreveu, e o semanário de reverência reproduziu, despesa pública com a saúde em Portugal em % do total dos encargos do Estado.

Acontece, é um erro. Não, não é «um erro», é não ter a mínima noção da grandeza e da proporção das variáveis da despesa pública. É assim como confundir a distância do Terreiro do Paço a Cacilhas com a distância de Peniche às Berlengas. É a maldição da tabuada.

16/07/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (74a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O governo do Dr. Costa é o pior governo desde Dona Maria II…

… com a possível excepção dos governos da I República, nomeadamente do Partido Democrata, o proto-partido Socialista. É o veredicto impertinente.

Finalmente percebi o que significa «ética republicana». Parte 1 - «Rei, Capitão, Soldado, Ladrão»

O Dr. Capitão, o Secretário de Estado, agora demitido por ter contratado um ASPON fantasma e à época na comissão liquidatária da Empordef, foi questionado por um general que colocou reservas às contas da OGMA. Na falta de orientações do Dr. Capitão, o general abordou o Dr. Cravinho, o ministro da Defesa de então, que em resposta o demitiu sem mais delongas.

Finalmente percebi o que significa «ética republicana». Parte 2 - A família socialista é muito unida

Segundo o Expresso, geralmente uma fonte confiável para as intrigas da corte socialista, o substituto do Dr. Capitão será um sobrinho da ex-ministra e actual eurodeputada socialista Dr. Leitão Marques.

O Dr. Adão tem razão, malgré lui

O Dr. Adão, ministro da Cultura, que secretamente parece aspirar a ministro da Propaganda, escandalizou a oposição pelos comentários que fez à CPI da TAP. Com pouca razão. Sem ser exaustivo, eis alguns juízos com os quais é difícil não concordar: «há coisas que vi nesta comissão de inquérito que me inquietam como cidadão», «há uma interação entre a cobertura noticiosa da atividade política e o comentário político», «o que vejo é no PS é um conjunto de dirigentes e quadros de excelência que me faz dizer que a sucessão no PS não é um problema» (interpreto que ele queria dizer que o Dr. Costa pode ir embora descansado porque no PS há lá mais do mesmo).

O Dr. Costa puxa do seu diploma Summa cum laude da Mouse School of Economics e corrige Mme Lagarde (continuação)

Ontem mesmo, o outro contribuinte do (Im)pertinências deu mais um contributo par afundar a tese do Dr. Costa (e do Dr. Marcelo e do Dr. Montenegro) sobre o papel nos lucros como motor da inflação.

A maldição da tabuada

Depois de dois anos suspensos, os resultados do exame de Matemática do 9.º ano são os piores desde 2013 e mostram quase 60% de notas negativas e 20% tiveram a nota mínima.

De volta ao velho normal

O dinheiro de helicóptero da bazuca está a ser uma grande ajuda para a venda de automóveis topo de gama. No primeiro semestre as vendas da Porsche em Portugal aumentaram 34% e no segundo trimestre as da Tesla aumentaram mais de 80% e num país que representa menos de 1,5% do PIB da UE representam 4% do total europeu.

As bazucas estão entupidas. Devemos dar graças ao Senhor

O PT2020 ainda dura e foi prorrogado até ao fim de 2023. A execução do PT2030 é pior de sempre. Ainda bem porque já temos muitos Porsches e Teslas e se a grana fluísse mais rapidamente só iria incendiar a inflação com poucos benefícios para o investimento produtivo.

Choque da realidade com a Boa Nova

A linha circular do Metro de Lisboa que deveria estar terminada em 2024 tem um atraso de 30 meses.

Ferrovia 2020 está com atraso total em todos os troços de 27.355 dias.

O Vórtex é um paradigma do Bloco Central dos Golpes & Esquemas

Da operação Vórtex (mais um belo nome prantado pelo DIAP) saiu a acusação do Dr. Pinto Moreira, deputado do PSD (que cobrava 25 mil euros por «démarche») e o Dr. Miguel Reis do PS, ex-presidente da Câmara de Espinho, por 14 crimes.

(Continua)

09/12/2020

Maldição da tabuada (55) - Ele diz que é culpa do governo PSD. Não é, mas percebe-se. Ele não sabe fazer contas

Citando Filipe Oliveira

«O TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study) é uma avaliação internacional organizada de quatro em quatro anos pela International Association for the Evaluation of Educational Achievement, IEA. A aplicação de testes estandardizados – com conteúdos e graus de complexidade e de dificuldade equivalentes entre as diferentes edições – permite comparar o desempenho dos alunos portugueses com o dos alunos oriundos dos outros países participantes. Permite igualmente, a nível nacional, seguir a evolução da qualidade da aprendizagem e, de forma mais lata, do sistema educativo nacional. Os testes são concebidos após uma análise detalhada dos currículos do 4.º ano dos diferentes países, centrando-se nos conteúdos comuns previstos para esse ano de escolaridade. Os resultados agora alcançados pelos alunos portugueses no TIMSS 2019 evidenciam um enorme retrocesso relativamente a 2015.
 
(...) será seguro afirmar que estes dois grupos de alunos, avaliados no seu 4.º ano pelo TIMSS 2015 e pelo TIMSS 2019, fizeram percursos escolares totalmente distintos, nunca se tendo verificado em Portugal uma rutura tão drástica e radical do nosso sistema educativo como no período que separou estas duas edições. Na verdade, mais do que os alunos, foram avaliadas duas conceções inconciliáveis de Currículo e de Escola.»

Sabendo-se que:
  • O governo do Dr. Costa apoiado pela geringonça tomou posse em 26 de Novembro de 2015;
  • Os deputados da geringonça aprovaram no dia seguinte o projecto de lei do BE que suprimiu os exames finais dos 1.º e 2.º ciclos;
  • Desde então foram introduzidas várias outras alterações visando fazer os professores e os alunos felizes; 
  • Ao governo do Dr. Costa sucedeu-lhe outro em 26 de Outubro de 2019, apoiado pelo BE e do PCP;
  • A avaliação do TIMSS 2019 foi dos alunos que frequentaram o 1.º ciclo do ensino básico nos anos lectivos de 2016-17 a 2019-20 durante os governos do Dr. Costa;
  • Os resultados da avaliação do TIMSS 2019 pioraram em relação ao TIMSS 2015.  
Pergunta-se: de quem é a responsabilidade pela degradação dos resultados entre 2015 e 2019? 

Resposta do SE Adjunto e da Educação do Dr. Costa: a responsabilidade é das políticas educativas aplicadas pelo ex-ministro Nuno Crato do governo PSD-CDS.

Conclusão: o SE Adjunto é mais uma vítima da maldição da tabuada.

30/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 56a)

Os malefícios da falta de concorrência

Uma da maiores falhas na construção do mercado único europeu é o sector de serviços onde está quase tudo inalterado, com excepção do tímido passo da Directiva FOS (Livre Prestação de Serviços). Uma das consequências práticas é que não há um mercado único de serviços, há 27 mercados nacionais num sector em que os obstáculos à concorrência são grandes, mesmo dentro do mesmo mercado nacional, devido à limitação pela dimensão e à granulosidade que impede a comparação entre serviços (exemplo entre muitos outros: na advocacia a diversidade dos quadros legais e regulamentares e das práticas jurídicas impedem praticamente a concorrência entre profissionais de países diferentes). Essa fragmentação dos mercados de serviços tem várias consequências, como seja a dificuldade dos operadores ganharem dimensão e melhorarem a qualidade dos serviços e a sua produtividade e a falta de concorrência com efeitos directos no nível dos preços.


O diagrama acima, extraído do relatório do FMI sobre Portugal, mostra bem como o impacto do aumento do preço dos serviços em Portugal é o factor determinante na inflação subjacente (core inflation).

A maldição da tabuada

Repetindo-me, a dificuldade com os números é uma realidade recorrente no Portugal dos Pequeninos, em geral, e em particular nos “gestores” (vejam-se numerosos exemplos na etiqueta “a tabuada faz muita falta”). No caso dos políticos, com poucas excepções, da teoria dos números só conhecem os imaginários. No caso das instituições, um exemplo recente é o de uma instituição cujo propósito é, precisamente, lidar com os números do Portugal dos Pequeninos, incluindo as Estatísticas Demográficas cuja edição de 2024 o INE ainda não publicou por ainda não ter todos os dados demográficos, nomeadamente os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo.

Finalmente com atraso de anos, o INE informou-nos do resultado da irresponsabilidade da política socialista de imigração, nos anos dos governos do Dr. Costa em que o expediente da “manifestação de interesse” permitiu uma entrada descontrolada de imigrantes que encontraram emprego, como aqui já escrevemos várias vezes, nos sectores com menor valor acrescentado, principalmente agricultura e turismo onde os imigrantes representam quase metade da mão-de-obra.

E, de repente, o elefante entrou na sala

Toda a gente deveria saber que a riqueza de um país resulta principalmente da produtividade dos seus trabalhadores, que esta não se altera aumentando os salários e que a produtividade do trabalho depende do valor dos bens produzidos, do número de trabalhadores envolvidos e do tempo de trabalho. Por isso, se a produção se mantém e o número de trabalhadores e/ou o tempo de trabalho aumentam, a produtividade desce e o país fica mais pobre.

Como há anos se vem escrevendo nesta oficina, a baixa produtividade tem sido o calcanhar de Aquiles do Portugal dos Pequeninos. Ainda há dias nestas crónicas se constatava a diferença de 14,6 pontos percentuais entre a produtividade portuguesa de 66,8% da média da UE e o salário médio que representa 81,4% dessa média.

mais liberdade

Pois bem, agora que são conhecidos os números da população residente corrigidos pela emigração, descobrimos que, em vez dos 10,7 milhões, somos 11,4 milhões, o resultado é que o PIB per capita PPP foi corrigido e Portugal caiu quatro lugares no ranking da UE, ou mais exactamente os portugueses perceberam que o seu país afinal era mais pobre o que imaginavam.

01/10/2018

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (155)

Outras avarias da geringonça e do país.

As últimas semanas foram pródigas em espectáculos. Com a preciosa ajuda de Marcelo, que nos serviu outra vichyssoise, assistimos a semana passada ao desenlace da peça de teatro da recondução/nomeação da PGR, cuja acção mais importante se desenrolou nos bastidores ao abrigo dos olhares do público. Peça iniciada há longos meses com uma deixa («mandato longo e único») de uma personagem entrada em palco pela esquerda baixa, que foi repetida como um mantra por todos os protagonistas, incluindo Marcelo se desdisse ainda mais do que o habitual.

Se o primeiro foi uma farsa, o outro espectáculo foi a comédia da «suspensão da decisão» de mudar o Infarmed para o Porto, cinco vezes garantida por Costa, decisão que já se sabia e agora se confirmou ter sido apenas mais um coelho tirado da cartola por Costa para entreter o prefeito do Porto.

A quem pense que a capacidade do governo de Costa para montar espectáculos se esgota nesses sucessos, recomenda-se que veja o êxito ininterrupto há mais de um ano no palco de Tancos, animado por um ministro que desafia qualquer comediante em exercício, com novos desenvolvimentos todas as semanas. No último desenvolvimento, imaginativamente baptizado «Operação Húbris» (soberba) pela Judite, os polícias e confundiram-se com os ladrões.

04/01/2017

A maldição da tabuada (43) – A tabuada comunista é no sistema hexadecimal

Segundo um estudo da CGTP, a central sindical do Partido Comunista, considerando «a evolução da inflação e da produtividade ao longo dos anos», o SMN não deveria ser 557 euros, o valor agora fixado, mas pelo menos 902 euros.

Como o salário mínimo nacional em 1974 a preços correntes era de 3.300$, o que convertido a preços de 2015 (Pordata) equivaleria a 535€, e o salário mensal médio em 2014 (Pordata) era de 910€, o SMN pretendido pela CGTP equivaleria a praticamente 100% do salário médio (em 2014 era 53%).

É claro que, mantendo-se a mesma distribuição salarial, se o SMN fosse 902 euros, o salário médio seria superior a 1.700 euros e o volume total de salários dos 5,2 milhões de activos atingiria 146 mil milhões de euros e seria superior a 70% do PIB (Pordata), Ou, dito de outro modo, o salário médio deixaria de ser o salário médio e estaríamos noutro país.

A evolução da produtividade por trabalhador e hora em termos nominais que era de uns deprimentes 70% da média EU28 em 2004, em 2015 não passava de 79%, a 9.ª mais baixa da EU28 (Eurostat).

Isto faz lembrar a estória aqui contada pelo Impertinente, por coincidência passada em 1974 com um militante da Intersindical, a antecessora da CGTP, que fazendo umas contas com a mesma tabuada exigia um SMN superior ao rendimento médio.

Por que não vai esta gente fazer contas com a sua tabuada para os paraísos socialistas? Por exemplo para Cuba, que tem um salário mínimo anual inferior ao salário mínimo português mensal (fonte). Ou para a Venezuela, que tem um salário mínimo mensal equivalente a $60 (câmbio oficial) que valem $12 no mercado negro.

28/02/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (4)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Estão em marcha as obras de ampliação do edifício decrépito do Estado sucial

Com a aparente cooperação do Dr. Rio, que só quer ir embora depois de ajudar o Dr. Costa a acrescentar mais um andar ao edifício do Estado sucial, e o implícito beneplácito do Dr. Marcelo, estão em curso pela voz da Dr.ª Luísa Salgueiro, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, as manobras para aprovar sem dor a "regionalização", que é o nome dado à criação de mais uns milhares de tenças para "regionalizar" um país que tem menos de metade da população média das dez maiores cidades do mundo. A inventiva manobra passa por um "ajuste" da Constituição - não confundir com revisão - para permitir que o referendo seja aprovado com menos de metade dos eleitores, referendo que à cautela deve omitir o mapa das regiões porque já está tudo "consolidado".

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Depois de um ano e meio, o Dr. Siza Vieira impingiu à DST a EFACEC, o zombie estatal a trabalhar a metade da sua capacidade, com as encomendas de 2019 e 2020 ainda não entregues, sem mercado, sem capital e com uma dívida pantagruélica. Por prudência, o Dr. Siza ainda reservou para os contribuintes uma participação de 25% que lhes permitirá continuar a torrar dinheiro no zombie. O Expresso questionou-se sobre o que poderá ter sido oferecido à DST para "facilitar" o acordo e parece sugerir subliminarmente: o concurso de 819 milhões de automotoras para o outro zombie.

Trocando hardware por software

O governo lançou um concurso para comprar helicópteros usados com o máximo de 35 anos (médios) ou de 5 anos (ligeiros) para o combate aos incêndios florestais. Logo os críticos maldosos baptizaram o concurso de "Sucata". A verdade é que, ainda assim, estão previstos quase 70 milhões para a sucata. Se fossem helicópteros novos custariam 250 milhões, admitamos. Ora com a poupança de 180 milhões será possível pagar durante um ano (depois logo se vê) vários milhares de funcionários para engrossar a freguesia eleitoral.

24/09/2016

A maldição da tabuada (33) - Não saber a tabuada nunca foi uma desculpa para errar as contas (II)

Episódio anterior (I)

Outra oportunidade ao longo da nossa história para superar a maldição da tabuada foi o «Sector» abaixo reproduzido.



O «Sector» supõe-se ter sido inventado por Galileo Galilei nos finais do século XVI e permitia realizar um certo número de operações matemáticas para fins militares. Quem diz militares diz para afinar o tiro e quem diz afinar o tiro diz afinar os défices orçamentais para evitar dar tiros nos pés. Este zingarelho teria feito as delícias do Dr. Teixeira dos Santos para calcular o défice de 2009 que começou por ser 2,2% e acabou em 10%.

07/02/2015

A maldição da tabuada (21) – É por causa dos défices

Só tenho uma explicação para o facto de o governo andar vai para 4 anos a dizer-nos que está a cumprir todas as medidas do Memorando de Entendimento por excesso, a oposição andar durante 3 anos a dizer-nos que o governo é um lacaio da senhora Merkel e faz tudo o que lhe mandam e no último ano ter passado a dizer que afinal o governo não cumpriu o Memorando (que por acaso foi negociado e assinado por uma parte da oposição no lavar dos cestos da vindima do PS).

Explicação que me ocorreu quando soube que a Comissão Europeia considerou como cumpridas apenas 36% das reformas estruturais. Quando se passa os olhos pelas 34 páginas do Memorando - onde logo na primeira se escreve «if targets are missed or expected to be missed, additional action will be taken» - isso corresponde a menos de uma reforma estrutural cumprida por página.

É a maldição da tabuada resultante do défice de numeracia, um défice mais persistente e mais grave do que os défices do OE ou o défice das contas externas, só talvez ultrapassado pelo défice de memória, e que, pelo menos vai para mais de 250 anos, desde que o marquês de Pombal expulsou os jesuítas – os únicos que sabiam fazer contas - aflige sem qualquer discriminação governos, oposições, jornalistas, opinion dealers e o homo lusitanicus em geral.

27/06/2012

A maldição da tabuada (10) – se não sabes medir, não sabes gerir (III)

Introdução (igual em toda esta série de posts)

Num país normal os problemas identificam-se e a sua extensão mede-se. Pode ser que os vários interesses em jogo ou as diferentes doutrinas não se entendam sobre o que é um problema, mas geralmente conseguem pôr-se de acordo com a métrica, visto que métrica costuma ser um conceito razoavelmente objectivo.

Portugal não é um país normal também a este respeito, porque o verdadeiro problema não é geralmente «o problema». O verdadeiro problema é a medida, segundo um certa métrica, duma coisa que não se sabe se é um problema ou, sabendo-se, não se conhece a sua gravidade. E porquê? Há vários porquês, mas hoje vou só exemplificar, mais uma vez, o porquê relacionado com tabuada.

30/12/2025

Crónica da passagem de um governo (30)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Boa Nova

Em linha com as previsões do OE 2026, o Banco de Portugal reviu as previsões de crescimento do PIB para 2% este ano e 2,3% em 2026, crescimento à custa do aumento da despesa pública, da redução das taxas do BCE e da entrada dos dinheiros do PRR (a bazuca do Dr. Costa). Tudo isso e mais o turismo estão a dar pasto às vacas gordas.

Choque da realidade com a Boa Nova

Em Maio do ano passado, o governo anunciou o plano “Construir Portugal: uma Nova Estratégia para a Habitação” com 30 medidas para enfrentar a crise na habitação. Decorridos 20 meses, os preços de venda aumentaram cerca de 27% e o preço médio está perto de 250 mil euros.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… colocar a funcionar a app gov.pt que se destinaria a substituir os documentos pessoais (cartão de cidadão, carta de condução, etc.), a qual, de cada vez que se acede, pede para se aceitar uma vez mais os “Termos e Condições” e, a maioria das vezes, fica a moer uns minutos e acaba no ecrã “Página Web não disponível”?

A maldição da tabuada

A dificuldade com os números é uma realidade recorrente no Portugal dos Pequeninos, em geral, e em particular nos “gestores” (vejam-se numerosos exemplos na etiqueta “a tabuada faz muita falta”). No caso dos políticos, com poucas excepções, da teoria dos números só conhecem os imaginários. No caso das instituições, um exemplo recente é o de uma instituição cujo propósito é, precisamente, lidar com os números do Portugal dos Pequeninos, incluindo as Estatísticas Demográficas cuja edição de 2024 o INE ainda não publicou por ainda não ter todos os dados demográficos, nomeadamente os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo.

O governo AD também circula na autoestrada mexicana do investimento

O conceito de auto-estrada mexicana está aqui enunciado e a estória do investimento público como campo das manobras orçamentais do PS está aqui contada. O governo AD orçamentou um crescimento da ordem dos 30% e até ao final do 3.º trimestre o crescimento foi apenas 17%, executou apenas metade do investimento previsto. Está assim a garantir que continuamos a circular na mesma autoestrada.

O superavit deveria ser usado para reduzir a dívida pública

Na antevéspera do Natal o governo anunciou que o Pai Natal - ou seja, os contribuintes - lhe ofereceu um «excedente de cerca de 3 000 milhões de euros (3,8% do PIB) no 3º Trimestre» e que estava «confiante de que país terá um superavit no final deste ano de, pelo menos, 0,3% do PIB».

É claro que, com as vacas voadoras do Dr. Costa aterradas há mais de um ano, faria todo o sentido usar o superavit para reduzir a dívida pública antes da irremediável chegada das vacas magras. Faria, se o humilde superavit de 0,3% não viesse a ser conseguido à custa de uma execução do investimento público inferior ao orçamentado.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS». A pulseira dourada e a IA

Até agora os “utentes” urgentes do SNS eram sujeitos a uma triagem por cores (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Azul) baseada na gravidade aparente dos sintomas, inspirada no Protocolo de Manchester. O governo iniciou agora um projecto-piloto no Hospital Amadora-Sintra para permitir reclassificar os “utentes” azuis, verdes e amarelos com um questionário que será analisado por um sistema de IA que preparará um plano de tratamento, permitindo reduzir de uma hora o tempo de espera médio de mais de 15 horas. Será o princípio da realização da profecia do ministro da Reforma do Estado, Dr. Matias, de que Portugal virá a ser «um líder mundial na IA»?

10/05/2019

Mitos (288) - O contrário do dogma do aquecimento global (XX)

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Um dos efeitos nefastos atribuído ao aquecimento global que recorde-se, segundo a vulgata da ciência de causas do clima, resulta exclusivamente da actividade humana - ou abreviadamente do capitalismo -, é a extinção maciça das espécies. Um milhão de espécies estão ameaçadas segundo o relatório da agência ambiental da ONU Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services, de um total cujas estimativas variam entre dois ou três milhões até quase dez milhões - o estudo das espécies sofre do mesma maldição da tabuada que assola as nossas elites.

A ser assim, e até pode ser, estaria em curso a sexta extinção maciça da história do planeta. A primeira foi a extinção do final do Ordovícico há 445 milhões de anos, resultante da redução da concentração de dióxido de carbono na atmosfera causada pela diminuição da actividade vulcânica. Pausa para respirar, foi exactamente o contrário do que estará agora a acontecer devido exclusivamente, recorde-se outra vez, à actividade humana. De onde, podemos concluir que por agora estamos livres da extinção do Ordovícico. 

As três seguintes tiveram causas variadas em que o capitalismo parece estar inocente, aliás a segunda até parece uma maldição para o movimenta vegan, uma vez que se julga ter resultado de uma expansão da cobertura vegetal seguida do crescimento explosiva de algas (para mais pormenores ler este artigo do Observador onde está tudo muito bem explicadinho para leigos como nós) .

Fast forward e chegamos à quinta extinção maciça, a mais conhecida, no final do Cretácico, para aí há 66 milhões de anos, que parece ter resultado do impacto de um enorme asteróide na planície de Yucatan no actual México. Foi desta que resultou o extinção dos dinossauros, com excepção evidentemente dos apparatchiks do PCP.

A escala das cinco extinções maciças e, pelo menos na quinta, a rapidez, são tais que envergonham a obra humana. Ou seja, neste caso, o capitalismo, a exploração do homem pelo homem. Sendo certo que o comunismo, que, como se sabe, é o contrário do capitalismo, enquanto durou parece ter produzido mais danos ambientais do que o capitalismo, sem contar claro com os danos à espécie humana cujo número de vítimas se estima entre 70 e 100 milhões.

16/10/2011

DIÁRIO DE BORDO: A maldição da tabuada (outra vez)

Porquê os «indignados» estão indignados? A acreditar no que eles dizem, o que requer alguma fé, estão indignados por não terem emprego. Se fossem sinceros diriam que poderiam bem continuar a viver sem trabalhar, o lhes faz falta é a grana.

E porque não têm emprego? Talvez por não saberem fazer nada que alguém esteja disposto a pagar para ser feito. Dito assim, de repente, pode parecer uma provocação reaccionária. Pode mas não é. Ou melhor, apesar de reaccionária, não é provocação. Vejamos mais de perto.

Na manifestação de ontem, segundo a organização e a imprensa amiga portuguesa  estiveram 100 mil indignados. Segundo El País, terão sido 12 mil ou 25 mil (segundo a versão da organização para El País) ou 30 mil (segundo a versão do Público do que teria sido a versão do El País), mas também poderão ter sido 50 mil.

O que indicia esta disparidade de estimativas de manifestantes variando entre 12 mil e 100 mil? Indicia problemas de numeracia, dificuldades com a aritmética, quer dos manifestantes quer dos jornalistas old fashioned quer dos jornalistas de causas (supondo que é possível distinguir entre uns e outros). Não será a maldição da tabuada o obstáculo principal para os «indignados» conseguirem o almejado emprego, sabendo-se que já não há vagas no jornalismo, uma das poucas profissões em que do domínio da aritmética não é um requisito?

27/09/2016

A maldição da tabuada (34) - Não saber a tabuada nunca foi uma desculpa para errar as contas (III)

Episódios anteriores (I) e (II)

Ainda outra oportunidade, ao nosso dispor ainda em vida de El-Rei Dom Filipe II "O Pio", para superar a maldição da tabuada foi a calculadora «Bones».


A «Bones» foi inventada em 1617 por John Napier, um matemático escocês, que se inspirou num sistema de multiplicação de matriz popularizado pelo matemático otomano Nasuh. O zingarelho de Napier podia fazer as 4 operações básicas e ainda extrair raízes quadradas e seria certamente muito apreciado pelo Doutor Centeno para as suas previsões de crescimento do PIB, que por falta de um zingarelho adequado deram o que estão a dar.

14/08/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (96)

Outras avarias da geringonça.

Prosseguindo a produção de mistificações em geral e em particular sobre as suas responsabilidades directas no fracasso do SIRESP, Costa começou por não ficar satisfeito com as conclusões dos relatórios (não, não é paródia) e em entrevista ao Expresso tenta chutar a bola para fora do seu campo: «o colapso do SIRESP resultou do colapso da rede da PT». Sobre este chuto de Costa, veja-se esta sequência de acontecimentos e declarações que vai desde o incêndio de Pedrógão até à responsabilização da PT.

Este expediente de Costa tem uma piada acrescida porque a justificação principal do SIRESP foi proporcionar um meio de comunicação seguro e alternativo às comunicações públicas existentes. Se calhar teria sido melhor entregar a cada bombeiro e a cada elemento da Protecção Civil um Nokia 3310 de menos de 50 euros.