O mês passado o Dr. Orbán organizou mais uma "cimeira demográfica", um evento bienal que tem lugar desde 2015 dedicado ao "familismo" que a direita conservadora europeia pretende substituirá o feminismo, e, promovendo a natalidade, tornará supérflua a imigração.
Para tal, no caso da Hungria o governo do Fidesz, no poder há 13 anos, vem tomando medidas para promover a família e aumentar a natalidade, tais como as mulheres com quatro filhos beneficiam de isenção vitalícia do imposto sobre o rendimento, os pais podem pedir empréstimos que vão sendo anulados à medida que têm filhos, as clínicas de tratamento de fertilidade foram nacionalizadas, etc.
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| Dados da PORDATA |
Esperavam os ideólogos desta engenharia social que dela resultasse um aumento significativo de natalidade, mas a demografia não parece comover-se com tais desígnios. Comparando a taxa de fecundidade geral (número de nascimentos por cada 1000 mulheres em idade fértil, ou seja, entre os 15 e os 49 anos de idade) da Hungria a partir do início do consulado do Dr. Orbán em 2010 houve um aumento, contudo, nada garante que seja sustentável como mostram os exemplos de muitos outros países que após um aumento viram a natalidade regressar aos valores mais baixos. De resto, foi isso mesmo que aconteceu com a Hungria que entre 1971 e 1975 viu a taxa de fecundidade subir de 56 para 73 e nos anos seguintes cair para 37. Ainda assim, os valores estão claramente abaixo de vários outros países como a Dinamarca e os Países Baixos que não têm uma abordagem ideológica nem praticam engenharia social, simplesmente no caso da Dinamarca as famílias com filhos pequenos dispõem de apoios financeiros.
