Recapitulando:
Em 2 de Março do ano passado o major-general Carlos Branco explicava à CNN como a "Operação Especial" das forças russas que tinham acabado de invadir a Ucrânia seria um passeio. «O objetivo é cercar Kiev e obter a capitulação sem combates», postulou.
Quase um ano depois, a invasão russa falhou em toda a linha e transformou-se numa manobra dos EUA na cabeça do major-general que celebra o facto de não ter havido uma «vitória ucraniana no campo de batalha».
Ontem, no aniversário da invasão que era para durar alguns dias, o Sr. major-general escreveu um longo manifesto com o título «E se a Ucrânia não ganhar a guerra?», surpreendente para quem há um ano considerava que a invasão seria uma grande vitória do glorioso exército russo e culminaria com a capitulação sem combates.
Se o título é surpreendente, o texto é o que seria de esperar de uma criatura que escreveu o que escreveu. Questiona o «dogmatismo» da vitória da Ucrânia anunciada pelos «comentadores», o que para um comentador que há um ano celebrava a vitória iminente da Rússia é de uma grande falta de decoro. Declara a sua fé que «a iniciativa estratégica e tática» regresse à Rússia. Acusa a maléfica Washington que visava apear o Czar e substituí-lo por um «à Ieltsin», mas que já não visa porque as sanções não afectaram a Rússia e, pelo contrário, reforçaram Putin e «as ocidentais mostraram-se incapazes de responderem às necessidades militares de Kiev». O resto do manifesto é dedicado a mostrar as divisões «ocidentais» e as manobras dos «falcões e a dirigentes revanchistas não controláveis». Nem mesmo o embaixador russo em Lisboa faria melhor.