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29/03/2010

A defesa dos centros de decisão nacional (3) - a procissão ainda vai no adro

[Continuação de (1) e (2)]

A coisa começou com um Manifesto dos 40, seguido pouco depois pelo Compromisso Portugal, fóruns de empresários e gestores que defendiam a manutenção no rectângulo dos chamados centros de decisão nacional.

Ainda a tinta das assinaturas dos manifestos e compromissos não tinha secado e a família Vaz Guedes vendia a Somague aos espanhóis da Sacyr Vallehermoso – hoje, esmagada pelo endividamento, não tarda estará a vender-se a alguém. Depois foi a Galp vendida aos italianos e aos angolanos. Mais recentemente Teixeira Duarte, também signatário, e outros accionistas vendem as suas participações na Cimpor aos brasileiros.

A semana passada começou a circular o rumor, confirmado pelas movimentações na bolsa, de que está em preparação um aumento da posição da Sonangol no Millenium bcp. Os angolanos terão exigido aliviar a blindagem (uma iniquidade que vem dos tempos de Jardim Gonçalves) aumentando de 10% para 20% o limite dos direitos de voto.

E o que dizer dos saldos previstos no PEC 2010-3 das jóias da coroa socialista: Galp, EDP, Cahora Bassa, Estaleiros Navais, ANA, TAP, CP, EMEF, BPN, Caixa Seguros, CTT, INAPA, SPE? É o equivalente a uma família financeiramente libertina que, depois de torrar os activos fungíveis da herança e de assaltar a caixa das esmolas da capela, começa a vender as pratas, não para educar os filhos, o que seria aceitável, mas para pagar as dívidas de jogo.

Assim prossegue o eterno sacrifício dos «princípios» à dura realidade da falta de dinheiro do país, do estado, das empresas e das famílias, produto inevitável do desgoverno. A procissão ainda vai no adro.

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