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03/06/2010

CASE STUDY: De desilusão em desilusão outra vez

Alguns amigos, e muitos outros que não são amigos, iludidos sobre a alegada irrelevância dos défices (do orçamento, do comércio externo e de poupança, a que acrescento hoje os défices de integridade e de competência dos decisores) e do irremediavelmente crescente endividamento, uns, e outros, iludidos também sobre a alegada irrelevância do crescimento, não anteciparam o que, se não fora a ilusão, seria fácil de antecipar. Viria um dia em que para manter os dedos seria necessário vender os anéis, que é como quem diz os inalienáveis centros de decisão nacional. Como virá também um dia em que depois de vendidos os anéis será preciso vender alguns dedos, que é como quem diz parcelas da soberania portuguesa.

O primeiro dia já chegou e continuará a chegar. Depois da CIMPOR - uma empresa estratégica enquanto os accionistas não estiveram soterrados pelas dívidas – foi a vez da participação da PT na Vivo, uma participação estratégica enquanto os accionistas não se sentiram entalados entre as dívidas da própria PT, as dívidas duns accionistas a outros accionistas (*) e as mais-valias que resultarão da oferta da Telefonica.

(*) Vários dos accionistas fazem parte do complexo político-empresarial socialista: Ongoing, o amigo Oliveira, a Visabeira e o insubstituível Joe Berardo, pelo lado dos devedores; pelo lado dos credores a Caixa e o BES (o deus ex machina da Ongoing), isto é a banca do regime.

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