Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

17/11/2004

DIÁRIO DE BORDO: Desculpo-os porque eles não sabem o que fazem.

Uns quantos eleitores do no-Bush resolveram pedir desculpa ao mundo pelo seu insucesso e criaram o site Sorry Everybody, que segundo a Wired News já teve 27 milhões de hits.
Se o resultado tivesse sido outro esperariam estes tolos que o resto do mundo lhes desse os parabéns?
O politicamente correcto ianque está irremediavelmente infectado de megalomania.

CASE STUDY: A TREC (Trasfega Revolucionária Em Curso)

A notícia do encerramento anunciado de dois notórios tanques de criogénio repletos de mentes encalhadas no tempo já tem umas semanas. O Impertinências não se apressou a comentá-la porque estamos a falar da antiguidade e, nestas matérias, não há urgências.

Com grande sincronismo, vão fechar para reciclagem duas organizações revolucionárias dos anos 70, elas próprias inspiradas em criaturas dos anos cinquenta, chegadas a Portugal atrasadas, bolorentas e fora do prazo de validade. Uma, a União Democrática Popular (UDP), uma frente popular para acolher, segundo o modelo estalinista, o povo liderado pela sua vanguarda, na circunstância o PCP(Reconstruído). A outra, o Partido Socialista Revolucionário, um apêndice duma coisa chamada Liga Comunista Internacionalista, coisa essa enxameada de fervorosos seguidores do homem em cuja cabeça o camarada Estaline (cujos fervorosos seguidores enxameavam a UDP) tinha mandar enterrar um picador de gelo, na cidade do México, no intervalo de duas levas duns milhões de contra-revolucionários enviados para apodrecerem no gulag, onde a vanguarda do proletariado costumava enterrar em vida os inimigos da revolução.

E porquê vão fechar? No caso da UDP, «tem a ver com duas razões. Por um lado, com a prática do Bloco de Esquerda, que é um projecto com sucesso que tem marcado a situação política nacional. Por outro, com as exigências da lei». No caso do PSR, «é a evolução natural e coerente».

E pronto. Enquanto não chega a ditadura do proletariado, lá vão os rapazes entreter-se a fumar uns charros, trocar de namoradas e fazer umas maninfestações enquanto esperam os amanhãs que cantam.

Veja AQUI o franchising Gulag - «um projecto com sucesso».

16/11/2004

LOG BOOK: I'm a sceptic and I want "liberal" back to its original owner.

«Yet there ought to be a word - not to mention, here and there, a political party - to stand for what liberalism used to mean. The idea, with its roots in English and Scottish political philosophy of the 18th century, speaks up for individual rights and freedoms, and challenges over-mighty government and other forms of power. In that sense, traditional English liberalism favoured small government - but, crucially, it viewed a government's efforts to legislate religion and personal morality as sceptically as it regarded the attempt to regulate trade (the favoured economic intervention of the age). This, in our view, remains a very appealing, as well as internally consistent, kind of scepticism.
Better to hand "liberal" back to its original owner. For the use of the right, we therefore recommend the following insults: leftist, statist, collectivist, socialist. For the use of the left: conservative, neoconservative, far-right extremist and apologist for capitalism. That will free "liberal" to be used exclusively from now on in its proper sense, as we shall continue to use it regardless. All we need now is the political party.
»

[The Economist, Nov 4th 2004]

15/11/2004

BLOGARIDADES: Mais palavras para quê? Está lá tudo.

A blogosfera é um vasto oceano efervescente de vida e de talento. Até na minúscula bloguilha, muitos blogonautas domésticos fabricam uma vasta quantidade de bytes de grande qualidade. Mesmo a esquerdalhada, às vezes, raramente, produz algumas coisas de jeito. O que não é dizer pouco - é um gesto de grande tolerância do Impertinências que não se repetirá antes do Natal.

É difícil para o Impertinências cuidar da vida e seguir regularmente mais do que umas poucas dezenas de blogues. Mas isso não desculpa passar este tempo sem visitar Semiramis - que poderia ter já sido levada pelas pombas, depois de ter morto mais um dos seus namorados.

Cheguei lá via um link ao post Politicamente correcto. Mais palavras para quê? Está lá tudo.

14/11/2004

TRIVIALIDADES: O Picareta Falante está de volta.

Afinal as notícias sobre a agonia do engenheiro Guterres pela política nacional desde que terminou o seu consolado são grandemente exageradas. Ele voltou. O chefe do pior governo desde dona Maria II, de acordo com o seu falecido ministro das Finanças, voltou igual a si próprio: um grossista de sound bites.
E voltou porquê? Segundo comentadores geralmente bem informados, para preparar a sua candidatura ao lugar mais apetecido por qualquer político português em trânsito para a reforma. Mas o Impertinências tem outra tese: o Picareta Falante voltou porque o seu título de chefe do pior governo desde dona Maria II está ameaçado por outro grande grossista de sound bites: o doutor Lopes, himself.

TRIVIALIDADES: Afinal o que se passou em Barcelos?

«Santana Lopes quer liderar o Governo até 2014»
É este o rapaz do casino errante e do túnel interruptus que há 6 meses queria ser presidente da República? Estamos a falar do mesmo?

«Congresso do PSD: moção de Santana Lopes aprovada sem votos contra»
Congresso do quê? Santana de quem? Não queriam eles dizer PCP e Jerónimo de Sousa?

13/11/2004

SERVIÇO PÚBLICO: A Sociedade da Informação.

«Ora aqui está: um simpático contribuinte (com os impostos em dia), que tenha o azar de lhe roubarem a carteira e a sorte de se poder deslocar a Lisboa com alguma facilidade, terá que despender 45 euros e gastar 347 minutos (excluindo tempo e gastos com deslocações) do seu tempo (do patrão, que com grande probabilidade podem ser os contribuintes) para substituir o BI, Carta de condução, cartão de contribuinte e cartão da segurança social.
Nem sequer falo dos 20 euros que tive que pagar pela substituição de 2 cartões MB, nem tão pouco com o cancelamento dos 2 cartões de crédito que tenho (um custou 35 euros). Quanto à carteira propriamente dita, podemos sempre recorrer à do nosso avô, a cheirar a mofo, mas que aguentará até ao próximo Natal.
Perguntei-me constantemente: porquê tanta burocracia ? porquê tantos cartões ? porque não simplificar, com uma única base de dados, mesmo que queiram manter o merdoso n.º do BI, NIF, SS e por aí fora ? Estúpido, eu, claro ! A resposta é óbvia: aumentaria o desemprego e a paz social ficaria seriamente agitada. Mas não sairá mais barato ao País, pagar os salários destes vampiros da vaca marsupial pública, mas poupar tempo e dinheiro aos contribuintes e aos respectivos patrões, através da modernização dos sistemas e dos processos da vaca ? Continuem a falar de aumento de produtividade, continuem...
»

[Relato dum leitor e amigo do Impertinências a quem foram à carteira várias vezes. Só da primeira vez é que não deu por isso.]

Está por pouco esta horrenda complicação. Não tarda o doutor Lopes, com uma "dedicação sem precedentes", vai trazer até nós a Sociedade da Informação.

12/11/2004

ESTÓRIA E MORAL: O apagador de promessas (Capítulo 3)

Estória
«A apresentação da estratégia para a Sociedade da Informação reuniu ... dez ministros e vinte secretários de Estado, além de presidentes de câmara, associações e afins ... que ouviram Santana Lopes prometer "uma dedicação sem precedentes do Governo" a esta área. A Sociedade da Informação tem sido, de resto, uma paixão de vários executivos.» , conta-nos o DN.

O engenheiro Guterres durante o seu consolado teve duas paixões: a educação e a justiça. O doutor Lopes nos seus mais modestos consolados, regista três: a pala do Sporting, o casino errante e o túnel interruptus.

Deus nos livre e salve a Sociedade da Informação das promessas de "dedicação sem precedentes" do doutor Lopes, para já não falar da sua paixão ou das juras de amor eterno.

Moral

Todas as paixões, como o nome indica, vêm do facto de sofrermos em vez de governarmos (Alain-Fournier)

11/11/2004

SERVIÇO PÚBLICO: O modelo do costume.

O INE publicou ontem as «Estatísticas do Comércio Internacional - Janeiro a Agosto de 2004». O défice da balança comercial aumentou 20,3% relativamente ao período homólogo do ano passado, resultado das importações terem aumentado 1,3 mil milhões de euros contra apenas 0,3 mil milhões de euros das exportação. Os maiores aumentos das importações intracomunitárias (o INE não desagrega fora da UE por grupos de produtos) são nos grupos de produtos Veículos e outro material de transporte (0,41 mil milhões de euros) e Máquinas e aparelhos (0,39 mil milhões de euros). Não me cheira que a maior parte sejam bens de investimento (*).

O modelo do costume continua de boa saúde. Continua a ser o consumo que puxa pela economia e não o investimento. Consumo que, como era de esperar, puxa pelas importações (bom, o investimento também puxaria, mas mais tarde sempre poderia empurrar as exportações). Importações que agravam o défice da balança comercial. No passado, a coisa levaria, mais tarde ou mais cedo, a uma desvalorização do escudo, agora leva a um progressivo endividamento ao exterior. E a que leva o endividamento ao exterior? A várias coisas possíveis. Uma delas, especialmente abominada pelo coro choroso das classes empresarial e política, é a transferência dos centros de decisão para o exterior. Empresas soterradas por passivos cada vez maiores são um brinde para quem as quiser comprar, pois claro.

Não há almoços à borla.

(*) A coisa tem que ir pelo cheiro porque o INE não desagrega Veículos e outro material de transporte que inclui dois capítulos da Nomenclatura Combinada em que o 86 são só bens de investimento (possivelmente com pouco peso) e o 87 terá um parte substancial de bens de consumo duradouro. Como não desagrega Máquinas e aparelhos que inclui dois capítulos da Nomenclatura Combinada - o 84 são só bens de investimento (no caso com pouco peso) e o 85 só terá bens de consumo duradouro.

DIÁRIO DE BORDO: O mundo fica melhor. (ACTUALIZADO)

Morre Arafat e desaparece um terrorista sanguinário (entre muitos outros milhares, lembro os 11 atletas israelitas friamente assassinados nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972, pela facção Setembro Negro da OLP), um ditador sem escrúpulos e um corrupto que sugou o dinheiro das ajudas ao povo palestino para se tornar um dos mais ricos do mundo (ver, por exemplo, «Auditing Arafat» na Forbes).

A fraqueza e capitulação do ocidente concederam um prémio Nobel da Paz, a quem nunca a quis, mas isso não lava os crimes de Arafat.

O mundo fica melhor e o povo palestino ganha uma oportunidade para resolver o seu destino. E todos nós temos a oportunidade de assistir ao circo global de patetice, cinismo, hipocrisia e cobardia, que partidos, governos e luminárias estão já a montar para chorar a morte do terrorista, ditador e corrupto.

ACTUALIZAÇÃO:
«As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa - que decidiram mudar o nome para Brigadas do Mártir Yasser Arafat - mostraram a sua face mais dura e culparam o Governo israelita pela morte do "rais". Este grupo, próximo da Fatah de Arafat, já fez saber que irá atacar Israel "por todos os lados".»
O mundo continua um lugar perigoso.

10/11/2004

DIÁRIO DE BORDO: Há 15 anos, foi bonita a festa, pá.

Fez ontem 15 anos o muro de Berlim colapsou. Foi bonita a festa, pá. Para um irremediável pessimista social as festas acabam depressa e ficam as ressacas. Os sonhos de paz eterna já se esfumaram. O mundo voltou a ser aquilo que sempre foi e sempre será - um lugar perigoso para se viver.

Já era um lugar perigoso para viver há 66 anos, precisamente no mesmo dia 10 de Novembro, na Noite de Cristal, em que 35.000 judeus foram arrebanhados de suas casas pelos nazis.

Continua a ser um lugar perigoso, mesmo na pátria da tolerância onde esta noite o terrorismo voltou a dar sinais.

Continuará a ser um lugar perigoso para viver, apesar dos esforços do nosso governo que vai passar a aplicar coimas ao fabrico de armas químicas. Como 60% dessas coimas serão receita do OE, ora aqui está uma oportunidade de reduzir o défice.

ESTÓRIA E MORAL: O apagador de promessas (Capítulo 2)

Estória
Para não ficar atrás do primeiro ministro, o doutor Mexia, depois de se propor esfarrapar em 2005 as receitas das portagens a partir de 2035, que serão compensadas com os cobres a esbulhar aos meus netos, promete em Bragança 800 milhões de euros para estradas no Nordeste Transmontano, o que facilitará a fuga ao atraso, em direcção a Espanha ou ao Porto.
Se os cobres dos meus netos não chegarem para asfaltar o atraso, o doutor Mexia pode pedir ao doutor Bagão Félix alguns dos cobres que os funcionários da Caixa e do Banco de Portugal puseram de parte para a sua velhice e que ele se propõe entornar para dentro do buraco orçamental deste ano.

Moral
«Quando tudo o que se tem é um martelo, tem-se tendência para ver tudo como pregos» (Lei de Maslow).

09/11/2004

SERVIÇO PÚBLICO: A conspiração do silêncio.

Isto, citado aqui, que se murmura há imenso tempo, a propósito de Arafat, e de que existem 350.000 referências na internet pode ser verdade ou ser mentira. Se for verdade, só terá alguma importância por ser um comportamento duramente condenado e punido pela lei islâmica. Mas, verdade ou mentira, porque não se fala disso nos média institucionais que dão abrigo aos maiores disparates a respeito dos suspeitos do costume? Porquê, por exemplo a imprensa francesa, que trata respeitosamente o terrorista e ditador Arafat por Monsieur Arafat, escreve sobre um Bush que hipoteticamente sorveria linhas de coca, mas omite qualquer referência às hipotéticas perversões de Arafat?
Um exemplo perfeito do enviesamento dos média infestados, um pouco por todo o lado, pela esquerdalhada sempre pronta a perdoar os seus ídolos.
Não podia vir mais a propósito adicionar à secção «Internacional Impertinente» o blogue politicamente incorrecto Davids Medienkritik dedicado à denúncia do enviesamento nos média alemães.

BLOGARIDADES: Trasladação de VALETE FRATES! seguida dos limites à inteligência da esquerda inteligente.

O VALETE FRATES!, um «Blog filo-americano, anti-comunista e defensor da economia de mercado» e «papista», residente no «Repositório Liberal» aqui ao lado, teve o seu passamento no dia 3. Já tratei da sua trasladação para a campa «Baixas em combate», onde fica em boa companhia.

A Praia, o único blogue residente na secção «Espécies Ameaçadas», mais abaixo, exemplifica aqui como há um limite para tudo na vida. Por exemplo, para a inteligência da esquerda inteligente, que não resiste a insinuar a estupidez dos que escolhem o que ela rejeita («mesmo os apoiantes de Bush devem dar-se conta»), como se fosse o Impertinências nos seus piores dias.

Esquerda inteligente (segundo o Glossário)
Há quem defenda que existe uma contradição nos termos esquerda e inteligente. Mas são fanáticos de direita a quem não devemos emprestar os ouvidos.
Definir esquerda é complicado, mas é possível formular a coisa duma forma simples. Para mim, esquerda é o credo que sacrifica a liberdade em nome da igualdade, na dúvida (esquerda «democrática») ou sempre (a «outra» esquerda). Dependendo do tamanho da certeza ou da dúvida, podemos aqui meter toda a gente de esquerda – desde o doutor José Estaline, que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava, até ao engenheiro Guterres, que só tinha dúvidas e estava sempre a enganar-se.
Definir inteligente é estupidamente difícil. Para simplificar, inteligente é aquilo que consigo suportar sem agonia – é um bocado subjectivo, mas o blogue é meu.

08/11/2004

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: O camarada, qual índio Tupi, na rapidez da caminhada, deixou a alma para trás.

Secção Padre Anchieta
Segundo o dirigente comunista Angelo Alves, a eleição de George W. Bush foi um «rude golpe no que resta da democracia nos EUA».
Para felicidade do camarada Alves e nosso gáudio, o que falta na democracia nos EUA, podemos encontrar, durante mais algum tempo, em Cuba e na Coreia do Norte, onde os mesmos líderes escolhem há décadas, sabiamente, os mesmos povos.
À míngua de mais, merece o camarada o máximo de 5 bourbons que o Impertinências reserva para estas ocasiões.

07/11/2004

DIÁRIO DE BORDO: «Está tudo dito».

«Nunca me senti francês em França como me senti americano nos EUA. ... Perguntavam-lhe (à mulher) se eu era jardineiro do INSEAD. ... A França é governada pela direita com um aparelho estatal e económico para manter tudo como está, corporativista; a Inglaterra governada pela esquerda está plena de dinamismo, e de iniciativa e de mudança. Está tudo dito
[António Borges, ex-director e presumível jardineiro do INSEAD, actual vice-presidente da Goldman Sachs em Londres, e um dos dons sebastiões que se perfilam no nevoeiro da reserva da nação à espera de a salvarem de si própria, em entrevista ao Expresso de 06-11]

Está tudo dito? Quase tudo. Falta acrescentar que é por essas e por outras que a estupidentsia desconstrutivista doméstica é francófona.

06/11/2004

PUBLIC SERVICE: It's the economy stupid! (Part 2)

After GDP increase 3rd quarter, «U.S. nonfarm payrolls increased by a surprisingly large 337,000 in October, about double what economists had expected, the Labor Department reported Friday».

CASE STUDY: Fado tropical ou Brega & Chique. (ALTERADO)

O que há de comum entre um carioca brega evangélico e um alfacinha chique educado no estrangeiro?

António Garotinho é um político brasileiro populista, de famílias pobres da baixa fluminense, com pouca educação, evangélico, que veste com gosto duvidoso. Começou a sua carreira política montado na popularidade que ganhou como «radialista» com os seus programas de grande sucesso. Cumpriu dois mandatos como governador do Rio, e está a cumprir um terceiro por interposta pessoa - sua mulher Rosinha que o nomeou seu secretário de estado da segurança. Foi candidato a PR e perdeu contra Lula.

O doutor António Mexia é um sujeito de boas famílias, com um bom ar, que veste com elegância, tem um MBA de grande prestígio (salvo erro do INSEAD), foi presidente da Galp Energia e é o actual ministro das obras públicas, transportes e comunicação.

O que há de comum entre duas pessoas aparentemente tão diferentes? Falam ambos português, claro. Um é filho de portugueses e o outro talvez seja neto ou bisneto.

Com esse património comum partilham ainda outra coisa: a política de hipotecar o futuro à salvação das encrencas do presente.

O primeiro trocou 30 anos de receitas do petróleo do estado do Rio «por entrada de dinheiro fresco agora», torrando a grana para os 10 governadores seguintes. O segundo «para descalçar a bota das Scut ... decidiu "encaixar" já, através de um contrato de securitização, as receitas das portagens a cobrar ... do ano 2035 em diante» (Sérgio Figueiredo no JN)


[Os Garotinhos, Garotinho com Fidel e Mexia (sem Rosinha nem Fidel) - dois países, a mesma luta]

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
...
Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial
[Fado Tropical, Chico Buarque]

05/11/2004

BLOGARIDADES: O relativismo moral é absolutamente imoral.

Se tivesse lido a Sábado de 8 de Outubro, teria publicado um SERVIÇO PÚBLICO impertinente no dia seguinte. Não li. Não faz mal. O Homem a dias (infelizmente, cada vez mais, homem à semana), acabou por publicar no dia 4 o seu texto os «Direitos Humanos: modo de usar». Mais palavras para quê? Está lá tudo.

SERVIÇO PÚBLICO: Deitar dinheiro para cima dos problemas. Outra vez.

«A Administração Pública vai ser alvo de um investimento de 140 milhões de euros ao abrigo do Programa Operacional de Administração Pública, essencialmente centrado nas acções de formação e requalificação, anunciou ontem a secretária de Estado da tutela, Sofia Galvão.» (DN)
Camadas sedimentares sucessivas de aparatchiks do PCP (ainda restam alguns), do PS, do PSD e mais recentemente do PP, sobrepondo-se às camadas de rocha burocrata do cretácico e do jurássico que parasitam o trabalho dos temporários, constituem uma formação geológica quase impenetrável a mudança.
Só quem não tem nenhuma ideia do que seja a gestão das organizações e não conheça o estado actual da administração pública portuguesa, ou acredite em milagres, poderá esperar que o resultado de entornar 140 milhões de euros em cima do problema seja mais do que animar o mercado da consultoria de recursos humanos. Na melhor hipótese. Na pior será atulhar ainda mais a vaca marsupial pública com novos utentes para formar e requalificar os utentes com direitos adquiridos.

E não tem solução? Lá ter, talvez tenha. Mas exige outras políticas, outras medidas e, claro, outra gente.