Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

13/03/2015

Ressabiados do regime (15) – Rui Rio, uma oportunidade de negócio excelentíssimo

«Rui Rio decide até ao outono se quer ser líder do PSD, Presidente da República ou coisa nenhuma» titulou a Visão, talvez para polir o ego da criatura sem perceber o ridículo do polimento.

Apesar de não ter má ideia da criatura – parece saber a tabuada, o que coloca desde logo num patamar superior ao de muitos políticos, e conseguiu colocar no seu lugar o Alberto João Jardim das Antas – parece-me haver um desvio tão pronunciado entre a ideia que o homem tem de si próprio e o seu presuntivo papel na vida política que me ocorre dizer que com ele se poderia fazer um negócio excelentíssimo: comprá-lo pelo que ele vale e vendê-lo pelo que ele julga que vale.

12/03/2015

SERVIÇO PÚBLICO: O volta-face de Piketty

Afinal, o próprio celebrado Thomas Piketty, autor de «Capital in the 21st Century», um calhamaço com quase 700-páginas-700 que deixou a salivar de excitação Paul Krugman, keynesianos unidos de todo o mundo e a esquerdalhada em massa incluindo economistas, sociólogos, opinion dealers, jornalistas de causas and all that jazz, afinal, dizia eu, e cito Robert Rosenkranz no WSJ, «now in an extraordinary about-face, Mr. Piketty has backtracked, undermining the policy prescriptions many have based on his conclusions. In “About Capital in the 21st Century,” slated for May publication in the American Economic Review but already available online, Mr. Piketty writes that far too much has been read into his thesis».

Para quem, como eu, não tiver ganas de ler as 700-páginas-700 do celebrado calhamaço, recomendo a leitura das mais digeríveis 15 páginas do volta-face «About Capital in the 21st Century», que é afinal um bom exemplo da diferença entre a ciência de causas sem escrúpulos e a ciência de causas com escrúpulos, que é capaz de reconhecer os excessos de tortura da ciência em nome das causas.

Pro memoria (226) – O estalinismo está vivo no jornalismo de causas

«Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado» escreveu em 1948 George Orwell no seu «1984», possivelmente inspirado nas práticas correntes à época na União Soviética de José Estaline de reescrever a história e suprimir nas fotos os caídos em desgraça (a maioria assassinados ou apodrecidos no Gulag) – exemplo: Leon Trotsky desapareceu completamente das fotografias oficiais.

Pois bem, muitas décadas depois, o New York Times publicou uma foto da marcha da comemoração do 50.º aniversário do Blood Sunday em Selma, Alabama da qual suprimiu George W. Bush que se encontrava na cabeça da manifestação a meia dúzia de metros de Obama. Ora compare-se a primeira foto publicada pelo NYT centrada em Obama com a foto seguinte.

Fonte: Telegraph via Insurgente

11/03/2015

SERVIÇO PÚBLICO: A justiça em Portugal não é cega, mas é coxa (6)

[Sequela de (1)(2), (3)(4) e (5)]

Fonte: "Painel de Avaliação da Justiça na UE de 2015"

ACREDITE SE QUISER: Austeridade chegou ao PS

«Direcção de Costa impõe austeridade no Largo do Rato até ao fim do ano»

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XII) – tudo como dantes, mas com menos dinheiro

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Enquanto o dinheiro se vai esgotando, o governo Syriza-Anel, depois de assaltar as reservas de caixa dos fundos de pensões e de entidades do sector público, foi agora a correr ao fundo de recapitalização da banca retirando-lhe 555 milhões de euros antecipando-se à recuperação pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) de 11 mil milhões de euros que só poderão vir a ser usados para recapitalizar os bancos e por autorização expressa do BCE e do FEEF.

Enquanto isso, Panos Kammenos, ministro grego da Defesa e líder do Anel, o partido de extrema-direita coligado o Syriza, ameaçou: «se a Europa nos deixa nesta crise, nós vamos inundá-la de imigrantes, e vai ser ainda pior para Berlim se nessa onda de milhões de imigrantes económicos estiverem também alguns jihadistas do Estado Islâmico».

Se Kammenos com a sua minúscula moca fala grosso, fazendo o contrário do que aconselhou Roosevelt («speak softly and carry a big stick»), o seu colega Varoufakis ao enviar mais esta proposta ao Eurogrupo ignorou outro sábio conselho («if you have nothing to say then keep your mouth shut»).

Proposta que nas suas longas 11 páginas contém inúmeras vacuidades e pelo menos uma reforma que se não fosse apresentada por um governo «amigo» faria relinchar de indignação toda a esquerdalhada - imagine-se um exército de estudantes, donas de casa e turistas pagos à hora, munidos de gravadores e câmaras vídeo, recrutados para caçarem os infractores fiscais.

10/03/2015

Mitos (192) – Herr Nein Wolfgang Schäuble

En août 2013, le philosophe Jürgen Habermas, peu susceptible de sympathie avec les Conservateurs de son pays, saluait en Wolfgang Schäuble « le dernier européen » du cabinet Merkel, il saluait une tribune signée par le ministre et publiée dans plusieurs pays européen et titrée «non à l'Europe allemande.

C'est ensuite un enfant de la culture ouest-allemande de l'après-guerre qui allie un attachement indéfectible à la démocratie libérale en politique à la « culture de la stabilité » en économie. Wolfgang Schäuble déteste les extrêmes en politique, comme la RFA les a toujours abhorrés, elle qui a successivement interdit en 1955 le parti communiste et en 1969 le parti néo-nazi NPD. On se souvient qu'il avait regretté après les élections européennes de mai 2014 qu'une « formation fasciste », le Front national, fût arrivée en tête en France. Il n'a pas hésité, alors que certains politiques de la CDU voulait se rapprocher des Eurosceptiques d'Alternative für Deutschland, de les qualifier de "honte pour l'Allemagne." Et l'on n'a guère besoin d'insister sur ses rapports avec Syriza."

«Wolfgang Schäuble, l'énigmatique européen», Romaric Godin redactor de La Tribune

A superioridade moral imobiliária do socialismo

Da esquerda para a direita e de cima para baixo: Héron Castilho, Lisboa (José Sócrates); Passy, 16ème, Paris (José Sócrates); Avenida da Liberdade, Lisboa (António Costa); Rua Milharada, Massamá (Pedro Passos Coelho)

09/03/2015

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Há o antes e apesar de e há o durante e por causa de


«Pedro Passos Coelho não se explicou com particular clareza na história dos atrasos à Segurança Social e ao IRS. Porém, acertou se calhar inadvertidamente em cheio quando jurou não ter, "ao contrário de outros", usado o cargo para enriquecer. De facto, há que separar os pecadilhos cometidos por quem não espera mandar nisto e os esquemas elaborados por quem manda. E não se trata apenas da dimensão das falhas: terríveis ou minúsculos, os deslizes que regressam para prejudicar os senhores no poder não são comparáveis aos deslizes que advêm desse mesmo poder e beneficiam os respectivos titulares. A imprevidência não é igual ao abuso. 

 José Sócrates, que enfiou o barrete com esplendor, está detido por suspeita, presumivelmente fundada, de artimanhas complicadas e decorrentes de funções governativas - não por assinar belas moradias na Beira Interior ou concluir licenciaturas ao domingo. Espertezas destas não são um achado jornalístico: são a regra no "meio", aliás confirmada nas notícias que de imediato se espalharam sobre a lisura cívica dos que implícita ou explicitamente desataram a pedir a cabeça do primeiro-ministro, do Dr. Costa (alegadas trapalhadas na sisa) ao Sr. Alegre (reforma de três mil euros por três meses na RDP).»

«Um perfeito político» por ALBERTO GONÇALVES no DN

Se me for permitido, acrescentaria às referidas trapalhadas as várias do Dr. Soares (Macau, prédio da fundação oferecido pelo Júnior, subsídios à fundação and so on), do Dr. Cavaco (acções do SLN), só para me limitar às Mais Altas Figuras do Regime,

ACREDITE SE QUISER: São pobres e muito mal agradecidos

«Quando decorreram já 25 anos desde que os fundos europeus começaram a entrar em Portugal, a soma total de verbas atribuídas ao país é superior à riqueza criada num ano. Desde 1989, três anos depois da adesão à CEE, Portugal recebeu 178 mil milhões de euros da EU», ou seja cerca de 20 milhões por dia. Portugal é o segundo país que mais fundos recebe, proporcionalmente. (Jornal i)

Segundo o Eurobarómetro, citado pelo Expresso, só 38% dos portugueses têm uma imagem positiva da EU, 24% associa-a ao desemprego, 72% vê-a responsável pela austeridade e 62% demasiado burocrática.

Demonstrando que tem todas as condições para ser primeiro-ministro deste país, António Costa também acha que os responsáveis pelas nossas desgraças não são os portugueses, são ELES - é a União Europeia. Pode ler-se aqui o que ele pensa a esse respeito e, já agora, o que eu penso a respeito do que ele pensa.

Lost in translation (230) – Reestruturação? Qual reestruturação?

Fonte: Jornal SOL

08/03/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (7)

O mês passado as vendas de veículos ligeiros aumentaram 31%, tendo sido vendidos cerca de 30 mil veículos nos dois primeiros meses. Segundo as previsões da ACAP as vendas de veículos ligeiros devem atingir 187 mil. Lá se vão uns 2 mil milhões de euros em importações ou 1,1% do PIB.

O que posso dizer sobre isto? Nada que não tenha já dito. Vou por isso repetir-me.

É certo que, com cerca de 4,5 milhões de veículos de passageiros em circulação com uma idade média de quase 12 anos, 187 mil novos veículos por ano são insuficientes para a renovação do parque automóvel que careceria de 400 – 500 mil por ano. Contudo, se por um lado cada novo automóvel significa pelo menos dezena de milhar de euros no saldo da balança comercial, por outro o parque automóvel português é desproporcionado em relação à população e ao poder de compra quando se compara com as médias europeias. É o resultado de incentivos errados desde a adopção do Euro: crédito artificialmente barato e fácil.

Com um parque com a dimensão actual, para se ter uma idade média compatível com a segurança – por exemplo 8 anos – seria necessário importar mais de meio milhão de carros novos todos os anos, ou seja uma quantia astronómica superior ao défice de 2013 ou a 3 anos de exportações da AutoEuropa. Mais um sinal de vivermos acima das nossas posses.

Disso resulta que, não se podendo reproduzir a primeira década prodigiosa deste século, por nos faltar o crédito externo, ou importamos menos automóveis e reduzimos gradualmente o parque automóvel à dimensão da nossa capacidade de o pagar ou aumentamos a exportação de outros bens. Sol na eira e chuva no nabal não será possível.

07/03/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XII) – já estão a assaltar os mealheiros

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Sem acesso aos mercados e com os fundos da troika - perdão instituições – congelados, o vencimento de um empréstimo de 1,5 mil milhões do FMI ainda este mês e a tesouraria seca, o governo Syriza-Anel está a assaltar as reservas de caixa dos fundos de pensões e de entidades do sector público usando operações de recompra de curto prazo através das quais os fundos e essas entidades fazem depósitos com os quais o banco central grego financia a agência de gestão da dívida pública que oferece como colateral obrigações do tesouro grego. (Reuters)

António Costa, um admirador das políticas do governo grego, deveria fazer uma cimeira com Tsipras ou pelo menos enviar um assessor a Atenas para se familiarizar com estas técnicas.

06/03/2015

¿Por qué no te callas? (14) – A arte de dar tiros nos pés

«Houve anos em que entreguei declarações e pagamentos fora de prazo com coima e juros, umas vezes por distracção, outras por falta de dinheiro», disse Passos Coelho ao SOL.

Vem nos manuais: se queres evitar especulação e matar o assunto conta tudo quanto há para contar de uma só vez; dá respostas antes que te façam perguntas e evita o ridículo (que é mortal),

CONDIÇÃO MASCULINA: E porque não vestirem sutiãs?

«Figuras públicas calçam saltos altos em defesa dos direitos da mulher». Parece haver uns quantos homens que não encontram o seu soi-disant self identitário ou, para adaptar a paródia que escrevi há 10 anos para ironizar com as tretas do falecido Prado Coelho,
talvez ocultem o desejo recalcado, o ímpeto reprimido, a vontade semântica de resolver o assunto in situ. Repressão auto-infligida que conduz inescapavelmente ao trespasse simbólico, à ponte desconstruída por um processo identitário do self para a persona intuída da mulher desconhecida. Um self sem salvação, nem ressurreição, nem redenção. Um self pleno de subjectividade racional, singular, patriarcal e eurocêntrica, onde reside, afinal, um foco de tensões entre retrocesso e progresso. Um self polimórfico criador de subjectividades que anseiam ripostar ao centro, desconstruindo-se para o efeito.

A atracção fatal entre a banca do regime e o poder (28) - Já não damos mais para este peditório

[Mais atracções fatais]


«Gestores do BES e ESFG terão praticado 4 atos de gestão ruinosa e desobedecido a 21 ordens do Banco de Portugal» (Observador)

Depois de vai para 6 anos a pregar aos peixinhos escrevendo sobre as trafulhices do deus ex machina e das suas criaturas, agora que até nos cabeleireiros (e nos barbeiros, para não nos acusarem de porcos machistas) se elabora tão abundantemente sobre o BES, o GES, o Ricardo, a Comporta e o diabo a sete, enough is enough.

Os contribuintes do (Im)pertinências resolveram por unanimidade só voltar a escrever sobre este tema quando o tio Ricardo for julgado.

Mitos (191) – A crise agravou as desigualdades, teve efeitos mais graves em Portugal e os pobres foram os mais afectados e entre eles os idosos (III)

Continuação de (I) e (II)

«Portugal é o país da UE onde a desigualdade salarial mais cresceu nos últimos anos», com estas ou palavras semelhantes, é um título recorrente. Desta vez foi o Negócios, mas poderia ter sido qualquer outro jornal. Não vou repetir-me porque neste post já demonstrei que estes postulados do jornalismo de causas são falaciosos.

Vou apenas acrescentar que desta vez o jornalista incluiu a suposta desigualdade de remuneração entre sexos (a que o politicamente correcto chama de géneros), assim descrita: «em 2013, os trabalhadores do sexo masculino em Portugal ganhavam, em média, mais 13% do que as mulheres. Cinco anos antes essa diferença era de apenas 9,2%».

Preparava-me para desmanchar mais esta falácia, quando me lembrei que ontem de manhã Henrique Monteiro (um dos poucos jornalistas que consegue ver claro onde a maioria só vê nevoeiro) [*] no Expresso Curto escreveu o que transcrevo e me dispensa de acrescentar algo mais a não ser que também li e apreciei Sowell e até por coincidência o citei a este respeito:

«Sowell, um economista de Stanford, descreve uma série de falácias e factos que se tornaram lugares-comuns mesmo entre os economistas. Dois exemplos, um de factos e outro de falácias. Facto: “A mais importante razão para as mulheres terem salários inferiores ao dos homens não está no facto de receberem menos para fazerem as mesmas coisas, mas sim no facto de não fazerem as mesmas coisas, estarem distribuídas de forma diferente pelos empregos e trabalharem, no geral, menos horas”. Falácia: Se a desigualdade aumenta é porque a pobreza aumenta. Ora a desigualdade pode aumentar com os mais pobres a ficarem menos pobres. Se um rico ganha 100 e um pobre 10 e o rico for aumentado 10% e o pobre 20%, a desigualdade, que era de 90, passa a ser de 98 e o pobre está menos pobre.»

[*] Obviamente que a etiqueta «bons exemplos» aqui em baixo é aplicável ao que escreveu Henrique Monteiro e não ao citado artigo do Negócios.

05/03/2015

Títulos inspirados (38) - Ele sabe do que fala

«Sócrates acusa Passos de “acto desprezível” que o deixa “perto da miséria moral”», titula o Público, citando uma carta do animal feroz publicada pela imprensa amiga. É «a opinião de um especialista» titulou por sua vez, com toda a propriedade, o Insurgente.

Lost in translation (229) – Juncker traduzido pelo jornalismo de causas doméstico


Entrevista publicada ontem de El Pais a Jean-Claude Juncker, presidente da CE;

«P. El tradicional eje franco-alemán parece cosa del pasado. ¿Qué opinión le merece lo que Tony Judt denominaba “el inquietante poderío de Alemania”?

R. Grecia es el ejemplo de que esa impresión acerca de que Alemania lidera Europa con mano de hierro no se corresponde con la realidad. Ha habido varios países más severos que Alemania: Holanda, Finlandia, Eslovaquia, los bálticos, Austria. En las últimas semanas, España y Portugal han sido muy exigentes en relación con Grecia.»

O mesmo Juncker citado hoje por El Pais corrigindo as interpretações da entrevista:

«“No he observado que España y Portugal tengan un plan diabólico para derrotar a [Alexis] Tsipras”, el primer ministro griego, ha dicho Juncker en tono irónico. “Si hubiera observado que Mariano y Pedro estuvieran haciendo algo similar, habría actuado, pero no ha sido así”, ha añadido.»

Da entrevista do El Pais, o jornalismo de causas doméstico extraiu a conclusão que «Juncker acusa Portugal e Espanha de terem sido muito exigentes com a Grécia» (exemplo do DN) para induzir a comprovação da teoria conspiratória de Tsipras. No contexto da pergunta a conclusão mais razoável seria que a Alemanha manda menos do que se pensa ou que há uma dezena de países, entre os quais Portugal e Espanha, que não vão na conversa de Tsipras. Vejam-se por exemplo as opiniões de dirigentes da Eslováquia, Estória, Letónica e Lituânia citadas aqui.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XI) – multiplicam-se as rachas no edifício Syriza-Anel

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Já aqui se assinalaram os riscos do colapso da coligação e do governo Syriza-Anel. A estabilidade de uma coligação contra natura de dois partidos dos extremos do arco político já seria difícil em circunstâncias normais, quando se sabe que o Syriza é, só por si, um saco de gatos trotskistas, marxistas, leninistas, comunistas renovadores, etc. com as tradições de fraccionismo endémicas nestes grupúsculos. Em circunstâncias difíceis e perante o fracasso da estratégia negocial intimidatória essa estabilidade afigura-se impossível.

A adicionar aos sinais já conhecidos como a dissidência pública de alguns cabecilhas (exemplo: o eurodeputado Manolis Glezos), manifestações violentas contra o governo e a invenção de inimigos externos (Espanha e Portugal), veio agora a confirmar-se a já suspeitada desautorização do Varoufakis pelas inconfidências de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, em entrevista ao Financial Times, citada no Observador, onde revelou, entre outras inconveniências, que a partir de certa altura Varoufakis ficou fora do circuito.