Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

25/02/2015

Pro memoria (225) – E que tal vendermos o nosso não veto ao prolongamento do programa acordo com a troika as instituições?

Nos idos de 1985 a Grécia mostrava assim o preço da sua solidariedade

Um dia como os outros na vida do estado sucial (22) – Afinal há gente preocupada com a privacidade nas escolas

Apesar das imensas dúvidas quanto à capacidade do ensino público, encalhado nos parâmetros sindicais do Partido Comunista, se adaptar, com esforço ainda consigo perceber a lógica de substituir o chumbo ou reprovação escolar, agora rebaptizado, segundo o processo de reforma semântica em curso (PRSC), de retenção, por uma «espécie de “transição condicionada” – ou seja, o aluno passa, tendo no ano seguinte um apoio suplementar nas disciplinas em que revelou maiores dificuldades».

Ultrapassa-me o propósito de outra das medidas recomendadas pelo Conselho Nacional de Educação: acabar com obrigatoriedade «de afixação pública e obrigatória das pautas com notas individuais e nominais» nas escolas.

Mitos (189) – Mitologia grega (II)

Sempre segundo a esquerdalhada e o jornalismo de causas (simplificadamente, estes são a mão que escreve as teses dos primeiros), as negociações semânticas do Syriza com o Eurogrupo estão a ser um grandioso sucesso.

Quem não vai nessa conversa é Manolis Glezos, eurodeputado do Syriza, um herói da resistência antinazi e ícone do Syriza, que escreve no «Movimento de Cidadãos Activos» o artigo «Antes que seja demasiado tarde»:
«Chamar à troika ‘instituições’, transformar o Memorando de Entendimento em Acordo e tornar os credores ‘parceiros’ modifica tanto a situação em que nos encontramos como passar a chamar carne ao peixe. … Pela minha parte, peço desculpa ao povo grego por ter participado nesta ilusão.»

24/02/2015

BREIQUINGUE NIUZ: Eurogrupo aprovou extensão do programa acordo de assistência

Press-release do Eurogrupo:

«The Eurogroup today discussed the first list of reform measures presented by the Greek authorities, based on the current arrangement, which will be further specified and then agreed with the institutions at the latest by the end of April. The institutions provided us with their first view that they consider this list of measures to be sufficiently comprehensive to be a valid starting point for a successful conclusion of the review.

We therefore agreed to proceed with the national procedures with a view to reaching the final decision on the extension by up to four months of the current Master Financial Assistance Facility Agreement.

We call on the Greek authorities to further develop and broaden the list of reform measures, based on the current arrangement, in close coordination with the institutions in order to allow for a speedy and successful conclusion of the review.»

Glossário:
  • «Current arrangement» = programa de assistência 
  • «Then agreed with the instituitions» = depois de aprovado pela troika 
  • «Successful conclusion of the review» = aprovação pela troika das medidas

Mitos (188) – Mitologia grega (I)

A esquerdalhada e o jornalismo de causas domésticos têm vindo a apontar o dedinho acusatório à ministra das Finanças por, dizem eles, estar a ser na questão Syriza versus Eurogrupo mais papista do que o papa, sendo papa o ministro Shäuble. Maria Luís Albuquerque nega. Se disse o que lhe atribuem, fez mal em não assumir porque ficaria em boa companhia.

O certo é que vários dirigentes políticos da Europa de Leste – dos países que foram ocupados pelo Império Soviético e tendo experimentado as fórmulas da esquerda comunista e bloquista ficaram imunizados - não tiveram papas na língua e deixaram muito claro o que pensavam sobre o assunto:

  • «Ninguém na Europa quer dar dinheiro à Grécia», Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia 
  • «A zona euro está mais estável e mais forte do que há cinco anos e a hipotética saída de um dos seus membros teria um fraco impacto», Maris Lauri, ministra das Finanças da Estónia
  • «A cooperação com a Grécia só pode ter por base o programa de assistência financeira existente, com condições claras», Janis Reirs, ministro das Finanças da Letónia 
  • «A política de austeridade foi o único remédio para nós e não vejo motivo para os gregos não a aplicarem … o populismo" grego é perigoso para a Europa», Andrius Kubilius, antigo primeiro-ministro da Lituânia.

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (20) Unintended consequences (III)

Outras marteladas.

Não. Não é só Guan Jianzhong da agência de rating chinesa Dagong que descrê das propriedades miraculosas do alívio quantitativo e prevê «uma nova crise financeira mundial nos próximos anos». Também o Nobel Robert Shiller alerta para esse cenário baseado no cálculo do indicador CAPE (cyclically adjusted price-earnings ratio), por ele construído, cujo valor actual (27,8) ultrapassou o de 2007 antes da crise financeira.

Fonte: The Economist Espresso
E poderia ser outra maneira? Poder, poderia, mas quando o pior pode acontecer, muitas vezes acontece. E, a este respeito, é difícil imaginar pior do que as impressoras dos bancos centrais a todo o vapor alimentando bolhas nos mercados imobiliários americanos e ingleses e nas bolsas, com vários máximos dos índices bolsistas americanos atingidos recentemente (o último na 6.ª feira), as acções japonesas num máximo de 16 anos, as bolsas europeias em máximos de 7 anos e a de Londres prestes a atingir novo recorde.

Depois não se diga que não fomos avisados.

A mentira como política oficial (9) - Agarrem-me senão atiro-me

Cartoon KAL na Economist

«Já todos sabemos o que conseguiu o Syriza: em vez da troika, passou a haver “instituições”; em vez do programa, “acordo”; em vez de credores, “parceiros”; em vez de austeridade, “condições”. Enfim, a transfiguração semântica servirá para muita coisa, mas não chega para esconder que o Syriza enganou os gregos, quando, para ganhar as eleições, prometeu que bastava dar dois berros à Merkel para tudo se tornar fácil. Agora, como todos os mentirosos, resta-lhe continuar a mentir, recorrendo ao delírio verbal consentido pelos seus parceiros europeus para inventar “batalhas ganhas” em guerras perdidas.»

Rui Ramos no Observador

23/02/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (VII)

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Os gregos continuam a manifestar a sua confiança no êxito das negociações entre a Eurozona e o governo grego do circo mediático Tsipras-Varoufakis.

Serviço da Reuters desta manhã:

«Deposit outflows from Greece's banks rose last week to around 3 billion euros, according to JP Morgan estimates, ahead of Friday's last-minute aid extension agreement with the country's euro zone creditors.

The 50 percent increase in the pace of outflows from the prior week's 2 billion euros meant Greek banks were on track to run out of collateral for new loans in eight weeks as opposed to 14 the week before, JP Morgan said.

This is based on its calculation that of a maximum 108 billion euros of financing available from the European Central Bank and Greek central bank, Greek banks have already used up 85 billion euros, leaving them with 23 billion euros if needed.

Hard data on Greek bank deposit flows come with a long time lag, meaning estimates are the most up-to-date guides.

Outflows apparently accelerated during last week.

They totaled more than 1 billion euros over Wednesday and Thursday, three senior banking sources told Reuters on Friday, and about 1 billion euros on Friday alone, another senior banker said.»

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A imobilidade social é uma bandeira de esquerda

«O que verdadeiramente indigna a esquerda é o seu tradicional inimigo: a ascensão social. Para quem ganha a vida através da "ajuda" aos pobres, não há pior do que um pobre que vence na primeira e dispensou a hipocrisia da segunda. Não há pior, em suma, do que um pobre que deixou de o ser - excepto o que, para cúmulo, se atreve a contar a sua história. 

 O marxismo, clássico ou "moderno", aprecia um mundo arrumadinho e imóvel, onde a pobreza é menos um estado do que uma condição vitalícia. Não se trata apenas de viver a pretexto dos necessitados: trata-se de garantir que estes continuam a necessitar - de abonos, protestos ou discursos "solidários". É por isso que se abomina o descaramento dos "arrivistas", dos "novos-ricos" e até dos recém--remediados ao mesmo tempo que se dedicam lengalengas demagógicas aos velhos e, conquista suprema, aos novos pobres. A miséria alheia assegura o sucesso dos que juram combatê-la mas celebram o seu crescimento, real ou desejado. O episódio do "pretinho salazarista" limitou-se a recordar uma fraude cruel: os amigos dos pobres só gostam deles assim.»

«Os amigos dos pobres» por Alberto Gonçalves do DN

Se me for permitido puxar a brasa à sardinha do (Im)pertinência, acrescento leia-se também a série de posts sobre o mito «os socialistas são amigos dos pobres».


SERVIÇO PÚBLICO: O acordo do Eurogrupo com o governo Tsipras-Yanis explicado às criancinhas (2)

Há várias maneiras de perceber em que consistiu o acordo de 6.ª feira passada do Eurogrupo com o governo Tsipras-Yanis, mas nenhuma delas consiste em ler o que sobre esse acordo escreveu o jornalismo de causas nos mídia portugueses. Uma maneira possível é ler este post. Outra é ler o que escreveu esta madrugada a Economist no seu Espresso.

Spartan conditions: Greece’s bail-out


«The bail-out extension to which Greece agreed on Friday left several questions unanswered. Not the least was exactly what measures the Greeks would have to take to jump-start economic growth. Today, therefore, Greece will submit to the European Commission, the European Central Bank and the IMF (the institutions formerly known as the “troika”) a list of reforms it intends to pursue in the coming months. These are likely to include crackdowns on tax evasion and corruption; Greece may find pension and labour-market reforms harder. If the institutions are satisfied, up to €7.2 billion ($8.2 billion), the sum remaining in the bail-out kitty, may eventually be disbursed. Under the terms of last week’s deal, though, the final review of Greece’s efforts needed to unlock the funds may not take place until the end of April, which raises a second unanswered question: how will Greece fund itself until then?»

SERVIÇO PÚBLICO: A Irlanda não é Portugal e Portugal não é a Grécia

Evolução dos yields nos últimos 12 meses das OT a 10 anos da Irlanda, Portugal e Grécia (Fonte: Bloomberg)

Lost in translation (227) – there is no such thing as flag carrier (III)

Continuação de (I) e (II)
«A TAP pouco contribuiu para o crescimento do Algarve, Madeira ou Porto. Temos de agradecer às companhias Low cost, que foram os grandes salvadores do turismo
Entrevista ao Expresso de Dionísio Pestana, presidente do grupo Pestana, o maior grupo hoteleiro português «com 6.335 unidades de alojamento, 12.980 camas e 59 empreendimentos turísticos... aproximadamente o dobro de unidades de alojamento do segundo classificado» (fonte).

22/02/2015

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (18) Unintended consequences (II)

Outras marteladas.

É inegável que o alívio quantitativo depois de 6 anos de taxas de juro evanescentes e de triliões injectados na economia teve resultados, pelo menos nos Estados Unidos e no Reino Unido. Contudo, é também inegável que alguns desses resultados não são exactamente os resultados que a Fed e o BoE procuravam e são assombrosamente parecidos com os cenários de pré-crise 2008.

Um deles é a volatilidade cambial que aumentou 50% em relação ao ano passado. As perturbações que essa volatilidade pode introduzir no comércio externo é o menor dos problemas comparado com as consequências de uma guerra cambial.

Fonte: The Economist Espresso
Outra consequência indesejada são as bolhas já aqui referidas nos mercados imobiliários e de capitais. Como exemplo das primeiras, leia-se o artigo «Stream of Foreign Wealth Flows to Elite New York Real Estate» no NYT e tenha-se em conta que estudos recentes («The Great Mortgaging: Housing Finance, Crises, and Business Cycles» citado pela Economist) mostram que a parte do crédito para compra de habitação tem vindo crescer e absorve hoje a maior parte do crédito bancário disponível para as empresas - «far from channelling money to companies, modern banks resemble “real-estate funds”, the authors claim, in which long-term mortgage lending is funded by short-term borrowing from the public».

Quanto às bolsas, em particular as bolsas americanas, os PER (price-to-earning ratio) atingiram valores insustentáveis e, de facto, não sustentados pelo fraco crescimento dos lucros em 2014. Recordem-se, uma vez mais, os diagramas seguintes.

Fonte: The Economist 
Aditivada pela impressora da Fed, a economia americana cresce a cavalo do consumo e está a ser o principal motor da economia mundial. Em consequência, o défice comercial americano excluindo combustíveis (cuja importação tem diminuído devido ao aumento da produção interna pelo fracking) cresce desde 2009 aproximando-se perigosamente dos níveis anteriores à crise (ver «The unbalanced global economy - American shopper»).

Não admira, por isso, que o número de cépticos do alívio quantitativo aumente cada dia. Um dos últimos foi Guan Jianzhong da agência de rating chinesa Dagong que prevê «uma nova crise financeira mundial nos próximos anos… é difícil dizer exactamente quando pode acontecer, mas todos os sinais de alerta estão presentes: volume crescente de dívidas e um progresso económico instável das economias nos EUA, Europa, China e outros países em desenvolvimento».

Depois não se diga que não fomos avisados.

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (30) – Os primórdios do Nanny State

Quando o noivo era escolhido pelo ministério da Inducação Nacional não havia divórcios. Agora que a coisa ficou a cargo exclusivamente das noivas veja-se o resultado.

Enviado por JB

21/02/2015

SERVIÇO PÚBLICO: O acordo do Eurogrupo com o governo Tsipras-Yanis explicado às criancinhas

De uma forma muito sintética, o acordo consistiu em: acordamos continuar a tentar chegar a acordo ou para usar a descrição do Negócios:
«Mais empréstimos? Sim, mas a Grécia ainda tem de explicar como os quer usar e a troika tem de concordar. Há espaço para mudar políticas? Se encaixarem no actual programa, sim. Há flexibilidade orçamental? Só para acomodar menor crescimento. Quando chega mais dinheiro? Talvez só em Maio. E o que está reservado para os bancos, pode pagar salários? Não, e vai sair de Atenas
Ou, ainda, explicado em europês:
«The Eurogroup notes, in the framework of the existing arrangement, the request from the Greek authorities for an extension of the Master Financial Assistance Facility Agreement (MFFA), which is underpinned by a set of commitments. The purpose of the extension is the successful completion of the review on the basis of the conditions in the current arrangement, making best use of the given flexibility which will be considered jointly with the Greek authorities and the institutions. This extension would also bridge the time for discussions on a possible follow-up arrangement between the Eurogroup, the institutions and Greece
A grande conquista do duo Alexis-Yanis foi a substituição do nome «troika» por «TTMTIFCT» (that thing made up of three institutions formerly called troika). Só por isso, esta conquista permitirá ao governo Tsipras-Anel continuar o seu trabalho de agit-prop iludindo patetas, os quais infelizmente parecem constituir um fracção significativa dos gregos.

A defesa dos centros de decisão nacional (11) – Unintended consequences (II)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7),  (8), (9) e (10)]


Recapitulando: a coisa começou com um Manifesto dos 40, seguido pouco depois pelo Compromisso Portugal, fóruns de empresários e gestores que defendiam a manutenção no rectângulo dos chamados centros de decisão nacional. Vários dos que juraram correram a vender os seus anéis na primeira oportunidade.

Com a OPA do CaixaBank sobre o BPI, a que se seguirá provavelmente a compra do Novo Banco pelo BPI, já maioritariamente espanhol, cumpre-se mais uma etapa desta tragicomédia da defesa dos centros de decisão nacional. Ao mesmo tempo, se assim for, a banca espanhola passará a controlar quase metade do mercado português e La Caixa ganhará dimensão para competir com os outros grandes bancos espanhóis e ganhar novos mercados.

Poderia ser de outra maneira? Não, não poderia. Para manter os benditos centros de decisão nacional, os empresários, os bancos, as famílias, enfim o país, não poderiam estar afundados em dívidas como estão. E para toda essa gente não estar afundada em dívidas teria começado por ser indispensável, entre muitas outras coisas, não ter acreditado nas tretas do ministro anexo Vítor Constâncio que na sua famosa declaração Mississipi garantiu aos papalvos que o resultado dos défices externos crónicos e do consequente endividamento seria para um país integrando a Zona Euro - que está a milhas de ser uma zona monetária óptima - o mesmo do que para um dos Estados Unidos.

20/02/2015

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Somos inimputáveis? A esquerda quer colocar-nos no jardim infantil

«De facto, entre os mais impressionantes resultados da crise está esta espécie de infantilização dos países em dificuldades: não há políticas historicamente erradas, nem governos responsáveis pelo endividamento excessivo, nem eleitorados que tenham dado os seus votos a maus partidos – há apenas pobres vítimas de tenebrosos esquemas neoliberais. Para quê darmo-nos ao trabalho de assumir os erros, se podemos inventar tão bonitas teorias da conspiração? Para a esquerda europeia pró-Syriza, é como se a Alemanha e os seus bancos andassem a preparar um assalto aos países da periferia desde tempos imemoriais.

... Se não queremos ser caricaturados e simplificados, seja na Grécia ou em Portugal, convinha começar por acabar de vez com um discurso de tal forma desculpabilizador que nos transforma a todos em cidadãos inimputáveis. Se é esse o caminho único para a salvação da Europa, por favor, deixem-me circular em contramão.
»

«A infantilização de um país», João Miguel Tavares no Público

Lost in translation (226) – O Blasfémias não compreende o socialês dos Costas

Helena Matos cita ironicamente o Público:
«À esquerda e à direita, os deputados perguntaram pelas propostas do PS, mas Alberto Costa disse não querer “perturbar a avaliação” dos eleitores e remeteu a apresentação de ideias para mais tarde
Por coincidência, 3 posts antes João Miranda explica uma proposta recente de António Costa:
«Actualmente é possível obter um visto gold em Portugal investindo 500 mil euros. O investidor recebe o visto e usufrui do seu investimento. Se comprar uma casa pode usufruir dessa casa ou do rendimento dessa casa. Se abrir um negócio pode gerir esse negócio e usufruir dos rendimentos desse negócio. António Costa propõe-se atrair investidores com os vistos gold para que o investimento reverta para um fundo a gerir pelo IAPMEI. O fundo seria usado para recapitalizar empresas endividadas. Portanto, em troca de um visto gold o investidor estrangeiro terá o privilégio de ver o seu dinheiro gerido por um fundo que investe em empresas endividadas. Não é claro se o investidor estrangeiro poderá alguma vez reaver o dinheiro nem em que condições.»
Que mais será preciso para justificar a preocupação de Alberto Costa de não apresentar propostas para não «perturbar a avaliação» dos eleitores?

19/02/2015

SERVIÇO PÚBLICO: A Grécia pela manhã

The Economist Espresso

«Today the new Greek government will present the rest of the euro zone with a request to extend its second bail-out, which is due to expire on February 28th, by four to six months. Greece is in trouble: it cannot fund itself on the markets, its banks are haemorrhaging deposits and tax revenues are drying up. But European officials have not been satisfied by previous Greek proposals, which sought funds but rejected many of the reform and austerity conditions attached to the bail-out. If today’s offer contains more concessions, the zone’s finance ministers may meet tomorrow to discuss it. But even if an extension is agreed, it will only buy time to negotiate a long-term solution to Greece’s funding needs. Given the cognitive gap between Greece and its creditors, those talks could make the past few weeks look like a cakewalk

Expresso Curto

«Na guerra de palavras a Grécia diz que não é um prolongamento do atual programa mas apenas do financiamento. Os países do Euro dizem que é a mesma coisa. Pelo caminho a Grécia parece cada vez mais encurralada na sua própria armadilha.

O BCE prolongou a linha de emergência de liquidez aos bancos gregos em mais 3,3 mil milhões, por 15 dias. Mas o banco central grego queria 10 mil milhões. Um sinal de que a situação dos bancos gregos está cada vez mais difícil. A JP Morgan estima que os bancos estejam a perder cerca de 2 mil milhões de euros por semana em depósitos.

Esta parece se a grande questão neste momento: com as previsões económicas em queda (Fitch cortou, outra vez, perspetivas de crescimento para 1,5%) já começam as especulações em quanto tempo vai a Grécia ficar sem dinheiro?

Entretanto Alexis Tsipras triunfou onde o seu antecessor tinha falhado e conseguiu eleger um novo presidente grego. Prokopis Pavlopoulos, ex-ministro num governo do partido Nova Democracia, começa a sua presidência envolto em polémica ao ser acusado de ter arranjado emprego na administração pública para milhares de amigos e simpatizantes do seu partido entre 2004 e 2009.»

Observador

«São 18 ministros das finanças sentados com um economista-académico radical e funky, que nunca tinha estado num Governo antes», diz um engravatado qualquer a respeito de Yanis Varoufakis, o «marxista errático», segundo ele próprio. É caso para dizer que neste caso o estilo não ajuda a substância (ver aqui uma interessante descrição de algumas das irritantes excentricidades de 'o' Yanus,

Dúvidas (78) - Costa com «obra feita» em Lisboa. Amanhã em Portugal? (6)

Outras obras feitas de Costa.

Prenunciando o que poderá vir a fazer se os eleitores distraidamente o colocarem em S. Bento, António Costa deixou uma bela herança na CML. Como foi noticiado a semana passada, das novas tarifas de saneamento e de resíduos urbanos vai resultar um aumento de 150% de 29,2 milhões em 2014 para 74,4 milhões em 2015, em cima de um acréscimo de 2,6 milhões da derrama (a parte que as Finanças entregam à câmara de Lisboa como adicional ao IRC das empresas sedeadas em Lisboa, valor não encontra paralelo em qualquer outra autarquia). No total, o orçamento de 2015 prevê 290 milhões de impostos directos, mais 27,3 milhões (9,4%) do que 2014.

Entretanto, a CML vai perdoar ao Benfica uma dívida de 1,8 milhões ao Benfica e legalizar edifícios ilegalmente construídos.

Confrontado com o aumento das taxas municipais, António Costa que continua a fazer de líder do PS ao mesmo tempo que, pelo sim pelo não, mantém a cadeira quente na praça do Município, aparece a fazer inaugurações (desta vez a ponte sobre a 2.ª circular) e a dar boas notícias, como um desconto de 15% na taxa de resíduos urbanos aos restaurantes e hotéis.