Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

19/02/2015

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Respeitai o luto da esquerdalhada

Os últimos meses não têm trazido boas notícias para a esquerdalhada doméstica.

É a vaga de fundo que tarda em empurrar para S. Bento o ungido, que apresenta sondagens que teriam servido para humilhar o Calimero Seguro se ele ainda por aí andasse.

É o salvífico candidato a Belém que tarda em aparecer.

São os diktats do esquerdismo infantil desengravatado do Syriza coligado com o direitismo senil do Anel que tardam em impressionar os dirigentes europeus engravatados.

E é agora a confirmação, se precisa fosse, de mais uma traição do PS francês, que não tardou, pela mão de Hollande e Manuel Valls ao retirarem do parlamento para votação o pacote de reformas de liberalização económica que vai ser aprovado hoje (quinta-feira) pelo governo francês.

Decididamente, os amanhãs tardam em cantar.

18/02/2015

Chávez & Chávez, Sucessores (28) – HSBC, banco do socialismo chávista

Clicar para ampliar
«No período em que o reeleito presidente Hugo Chávez se declarava socialista e aumentava seu programa de nacionalizações, entre 2005 e 2007, o Governo da Venezuela mantinha depósitos no valor de 12 bilhões de dólares (33,2 bilhões de reais, pelo câmbio atual) em quatro contas do HSBC Private Banking na Suíça, já na época questionado por sua opacidade e por dar cobertura a sonegadores de impostos. A informação consta na chamada Lista Falciani, a relação de clientes da filial suíça do HSBC que o especialista em informática Hervé Falciani obteve em 2010 e que agora foi revelada graças a uma investigação jornalística internacional, liderada pelos jornais Le Monde e The Guardian, numa parceria com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que conta com a participação de 140 repórteres de 45 países.» (El País do Brasil, via Com jornalismo assim, quem precisa de censura?)

Será o entranhado desvelo com que o jornalismo de causas vê o socialismo chávista que explica os nossos mídia (com excepção do Observador) terem ignorado uma notícia com mais de uma semana?

E, por falar nas realizações da revolução socialista versão chávista, vejam-se os diagramas aqui ao lado e leia-se o ponto de situação da Economist: «The revolution at bay».

SERVIÇO PÚBLICO: Alguns factos e opiniões desalinhadas sobre o resgate da Grécia


«A realidade tem sempre o problema de estragar algumas supostas boas ideias revolucionárias. Uma delas é a pequena utopia de que um eleitorado de 10 milhões de habitantes de um país que tem a evasão fiscal e a pequena corrupção bem impregnada no seu dia-a-dia iria mudar o rumo político da União Europeia. Outra, que é a versão da mesma moeda, é a fantasia de que um país que já vai no segundo programa de resgate financeiro sem cumprir acordos básicos poderia convencer os seus credores a perdoarem boa parte da sua dívida. A Grécia, que já teve direito a privilégios que Portugal e a Irlanda não tiveram, virou-se para a extrema-esquerda para pressionar a Europa mas teve um choque frontal com a dura realidade: não há almoços grátis.

Ontem o Eurogrupo mostrou aos gregos que o seu voto não tem mais valor do que os votos dos restantes países europeus. Um país não vale mais do que 18 – é uma aritmética simples que escapa ao raciocínio dos revolucionários amigos do Syriza. Muito menos quando a Grécia suspendeu uma avaliação da troika e quer cometer a pequena loucura de recusar a próxima tranche quando fica sem dinheiro daqui a 15 dias.»

Luís Rosa no Jornal i

«Com os seus mercados tradicionais a crescer e os salários fortemente reduzidos, as exportações gregas não crescem.

Em preços constantes de 2010, em 2008 as exportações da Grécia eram de 58,9 biliões de euros e as portuguesas 54,7 biliões de euros. Em 2014 as posições estão invertidas: as gregas são 55,8 biliões de euros e as portuguesas 65,5 biliões de euros. Por todo o lado (veja-se a tabela anexa) as exportações estão, após o tombo pós-crise, em franca recuperação. A Grécia é das poucas excepções.

De facto, as reformas estruturais desenhadas no papel pela Troika não foram implementadas. Continuam as dificuldades burocráticas nas exportações. O controlo do Estado e das corporações parasitárias sobre a economia continua forte, em particular as restrições no mercado de produtos que se estendem à exportação. Apesar da elevada despesa pública, não conseguiram construir um Estado social decente. Por exemplo, ainda andam às voltas para implementar o elementar rendimento mínimo.

O problema grego não está na governança das instituições europeias, mas na grega.

As facilidades obtidas pelo governo grego, em tão elevado montante e durante tanto tempo, justificariam outros resultados, tanto no plano económico como no social.»

Avelino de Jesus, professor do ISEG, no Jornal de Negócios

«Uma diferença fundamental reside nos fundamentos económicos. Ao longo dos últimos dois anos, outros países periféricos da Zona Euro têm provado a sua capacidade de ajustamento, ao reduzirem os seus défices orçamentais, aumentarem as exportações e registarem excedentes em conta corrente, negando, assim, a necessidade de financiamento. Na verdade, a Grécia é o único país que tem constantemente arrastado os pés sobre as reformas e registado um péssimo desempenho ao nível das exportações.

Na verdade, as exigências do governo grego baseiam-se num mal-entendido. Para começar, o Syriza e outros argumentam que a dívida pública da Grécia, de 170% do PIB, é insustentável e deve ser cortado. Dado que a dívida oficial do país constitui a maior parte da sua dívida pública global, o governo quer vê-la reduzida.

Contudo, os credores oficiais da Grécia concederam-lhe períodos de carência bastante longos e taxas de juros bastante baixas, pelo que o encargo é suportável. A Grécia gasta menos com o serviço da dívida do que a Itália ou a Irlanda, sendo que ambos os países têm rácios (brutos) da dívida em relação ao PIB muito mais baixos. Com os pagamentos da dívida externa da Grécia a representar apenas 1,5% do PIB, o serviço da dívida não é o problema do país.

O custo relativamente baixo do serviço da dívida também anula as justificações do Syriza para apelar ao fim da austeridade. O último programa de resgate da "troika" (Fundo Monetário Internacional, BCE e Comissão Europeia), iniciado em 2010, prevê um excedente primário (que exclui o pagamento de juros) de 4% do PIB este ano. Isso seria um pouco mais do que o necessário para cobrir os pagamentos de juros, o que permitiria à Grécia começar finalmente a reduzir a sua dívida.»

Daniel Gros do Centro de Estudos Políticos Europeus, no Jornal de Negócios

Pro memoria (224) – A crédito

O Eurogrupo prescindiu da cláusula pari passu e aceitou o reembolso antecipado da parte do empréstimo do FMI que poderá ser pago com emissões possíveis actualmente a taxas mais baixas, o que permitirá poupar pelo menos 500 milhões de euros. Já agora, recordemos a inevitabilidade de um novo resgate segundo os oráculos amplificados pelo jornalismo de causas nos anos de 2012 e 2013.

Segundo os números da Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público, «a 31 de dezembro de 2014, o emprego no sector das administrações públicas situava-se em 655 620 postos de trabalho, revelando uma quebra global de 2,7 % em termos homólogos (menos 18 474 postos de trabalho) e de 9,8 % face a 31 de dezembro de 2011 (menos 71 365 postos de trabalho).». Não havendo evidência de que a eficácia do aparelho do Estado gerido por este governo seja pior do que o gerido pelo anterior temos de concluir que a sua eficiência aumentou quase 10%.

17/02/2015

DIÁRIO DE BORDO: Leitura recomendada aos radicais chic que falam em nome dos pobres


«Pobreza? Tenham decência, nem sabem do que estão a falar», Gabriel Mithá Ribeiro no Observador

Ressabiados do regime (14) – «O seu ódio ao Governo é ligeiramente superior ao seu amor a Portugal»

«Mas como há por aí muita gente que não gosta que a realidade se intrometa no meio das suas convicções, boa parte dos dinamizadores do famoso Manifesto dos 74 – de Bagão Félix a Pacheco Pereira, de Freitas do Amaral a Carvalho da Silva, de Ferro Rodrigues a Francisco Louçã – decidiu voltar a juntar-se para mais um espectacular abaixo-assinado, desta vez aconselhando a pátria a ser mais solidária com a Grécia. Portugal anda há cinco anos a tentar fugir desse barco – os 74 insistem em empurrar-nos lá para dentro. Como gesto patriótico, diria que é coxo e desinteligente, mas a verdade é que estamos a falar das mesmas pessoas que em Março de 2014 – dois meses antes do final do programa de ajustamento – acharam que era a altura ideal para informar o mundo de que a dívida pública portuguesa era insustentável e teria de ser reestruturada. 

O problema de boa parte dos referidos signatários é que o seu ódio ao Governo é ligeiramente superior ao seu amor a Portugal – e por isso insistem numa colagem política que dá imenso jeito às suas teses, mas não dá jeito algum ao país, sobretudo numa altura em que a possibilidade de a Grécia sair do euro é uma hipótese que ganha cada vez mais força. Basta, aliás, ler os jornais para verificar que a Irlanda está a criticar os gregos e a estratégia do Syriza com a mesma intensidade que Portugal. É evidente que os países que foram intervencionados, e cujas contas públicas ainda se encontram fragilizadas, têm todo o interesse em aumentar o fosso que os separa da Grécia – não em diminuí-lo. A razão é absolutamente óbvia: se a Grécia sair do euro, eles não querem ser os próximos

João Miguel Tavares no Público

CASE STUDY: A atracção por Belém - a lista dos que não se excluem não pára de crescer (5)

Outras atracções.


Da última vez a lista já tinha 13-criaturas-13:
  • António Sampaio da Nóvoa, uma invenção de Mário Soares, pode ser descartada a todo o momento 
  • Santana Lopes, estava escrito nas estrelas, já se chegou à frente e ao contrário dos outros não esperou pela vaga de fundo - espera que a vaga de fundo vá atrás dele 
  • António Capucho, já se mostrou disponível e para não haver dúvidas declarou que votará no PS
  • Francisco Louçã, o tele-evangelista, não se excluiu 
  • Durão Barroso, nega, mas não resistiria a uma vaga de fundo 
  • António Guterres, diz que está livre 
  • Marcelo Rebelo de Sousa, só será candidato se Cristo descer à terra, mas como já desceu uma vez... 
  • Rui Rio admite candidatar-se se houver «muita gente que desejava mesmo e deposita muita confiança em mim», ou seja espera a famosa vaga de fundo
  • Bagão Félix, um socialista do CDS 
  • Carlos César, um socialista do PS 
  • Jaime Gama, um dos socialistas menos socialista do PS 
  • Carvalho da Silva, um dos ex-comunistas mais socialista e outra das reservas de Mário Soares
  • Marinho e Pinto, um cata ventos socialistas ou outros.
Dessa lista talvez tenhamos de retirar Durão Barroso e António Guterres - depois de uma década a respirar ares de civilização hesitam a respirar o mofo de Belém.

Entretanto, nos últimos dias surgiram mais duas candidaturas:
  • Manuela Ferreira Leite, proposta por Pedro Adão e Silva, um guru de António Costa, como uma candidata do socialismo orgânico de evolução na continuidade 
  • Paulo Morais, proposta por si próprio como um candidato do Norte orgânico alternativo a Rui Rio.

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (17) – Aliviar, alivia, de momento alivia o crescimento no Japão (III)

Outras marteladas. Continuação de (I) e (II)

Fonte: The Economist Espresso
A Abenomics e em particular a bazuca do quantitative easing de Abe não parecem estar a ter o sucesso esperado. Segundo a Bloomberg: «The economy shrank 6.7 percent in the three months after Abe increased the sales tax in April, and dropped 2.3 percent in the third quarter, according to Monday’s revised data. Taken for 2014 as a whole, GDP came to a standstill after two years of expansion, reflecting the blow from the tax hike as the government tries to contain the world’s heaviest debt burden.»

16/02/2015

Dúvidas (77) - Terá o jornalista de causas adivinhado o pensamento de Wolfgang Schauble?

Recuperando a sua melhor tradição de manipulação dos tempos do salazarismo e dos tempos do PREC, o Diário de Notícias, agora sob a presidência do Dr. Proença de Carvalho, uma espécie de Mefistófeles do regime, a uma notícia onde cita Wolfgang Schauble que disse que os gregos «elegeram um governo que de momento se comporta de maneira bastante irresponsável» pespegou-lhe o título
«Ministro alemão lamenta que gregos tenham elegido governo de "forma irresponsável"»

Exemplos do costume (27) – A solidariedade dos caloteiros

Homenagem do (Im)pertinências ao
Bokassa da Ilhas (Jaime Gama dixit)
«Hoje estou numa atitude de protesto e de solidariedade. Trouxe um chapéu grego para exprimir a minha solidariedade com o Syriza, por isso, levanto a minha voz: não pagamos, não pagamos!» Alberto João Jardim falando aos jornalistas no último desfile de Carnaval da Madeira a que assistiu como chefe do Governo regional. (Expresso Curto)

ACREDITE SE QUISER: Uma Europa refém do esquerdismo vitimizante

Existe um país na Zona Euro, com uma dívida superior a 175% do seu PIB (Portugal 130%), com uma notação de «lixo» de todas as agências de rating, país a quem em Abril de 2012 já foi perdoada mais de metade (53,5% ou 100 mil milhões) da sua dívida de então, e posteriormente em Dezembro desse ano feita uma recompra de dívida que a reduziu em mais 20,6 mil milhões.

Essa dívida, actualmente de 317 mil milhões, dos quais 2/3 detidos pelo European Financial Stability Facility com uma maturidade média de mais de 30 anos, tem nos mercados das obrigações a 10 anos um yield de 9,3% (Portugal 2,4%), mas paga em média juros de 2,3%, inferiores aos de Portugal (3,9%) e até Alemanha (2,4%) – ou melhor pagaria se não tivesse uma moratória de 10 anos para os juros.

Fonte; The Economist Espresso
A maior parte dessa dívida tem ainda uma moratória de 10 anos para amortizações, o que lhe dá para a totalidade uma maturidade média de 16,5 anos dupla da Alemanha e da Itália (Portugal 12,5 anos) .

Esse país – a Grécia - tem uma carga fiscal total de 38,1% do PIB, inferior à média da Zona Euro (41,6%) e da Alemanha (39,7%) e estima-se que tenha a maior evasão fiscal de toda a EU.  Quanto ao peso dos juros no PIB, veja-se no diagrama seguinte a sua leveza comparativamente com outros países,

(Fontes: Economist e  «Greece’s debt pile: is it really unsustainable?», FT)

Esse país teve eleições recentemente que deram a vitória ao Syriza, uma frente de trotskistas, maoístas e esquerdistas sortidos, que com 36,3% dos votos expressos e 22,7% dos votos possíveis obteve 49,7% dos deputados, graças a um bónus de 50 lugares para o partido mais votado, bónus ao qual o Syriza sempre se opôs, até dele beneficiar. No dia seguinte às eleições, o Syriza constituiu governo em coligação com o Anel, um pequeno partido com 13 deputados, de extrema-direita, xenófobo e homofóbico que defende um sistema de educação inspirado na religião ortodoxa. Esse partido em Portugal seria facilmente classificado como fascista – a menos que fizesse uma coligação com o BE, o Syriza doméstico. Em matéria de política externa o actual governo alinhou-se rapidamente com Putin, o czar de todas as Rússias, embora ninguém saiba se isso é mais do que chantagem para extorquir dinheiro à UE.

Entre as primeiras medidas aprovadas encontra-se o aumento para 1,5 vezes o salário mínimo, quase ao nível dos Estados Unidos, electricidade gratuita para mais de cem mil famílias, reposição do 13.º mês para reformas inferiores a 700 euros, readmissão de milhares de funcionário públicos e suspensão das privatizações.

De seguida, o governo grego apresentou o seu caderno reivindicativo aos outros 18 países da Zona Euro, baseado no princípio de que «a Europa tem de respeitar a democracia» o que para este governo significa que os eleitores gregos (ou mais exactamente cerca de 2,5 milhões dos 6,3 milhões de eleitores) devem impor as suas condições aos restantes 315 milhões de habitantes dos países da Zona Euro. Esse caderno reivindicativo, cujo conteúdo foi mudando ao longo dos dias, começou por ser o perdão da dívida, encapotado na sua conversão em obrigações perpétuas, o fim do programa de ajustamento e a «expulsão» da troika, o pagamento pela Alemanha de 162 mil milhões de euros de supostas indemnizações da Segunda Guerra Mundial (ver aqui o delírio histórico desta exigência adicional, em cima de 115 milhões de marcos pagos às vítimas dos nazis na Grécia e à maquinaria pesada enviada para reconstituir a indústria grega), entre outras fantasias «legitimadas» pelas eleições.

Ao contrário do que a retórica interna poderia fazer crer, esses delírios não estão a ter o acolhimento esperado por parte dos países benfeitores. Não obstante, ou talvez por isso mesmo, esses delírios têm sido acolhidos entusiasticamente pelas forças políticas ideologicamente próximas do Syriza e do Anel, ou seja a extrema-esquerda e a extrema-direita – entenda-se sobretudo na Europa do Sul, porque no resto da Europa mesmo os contribuintes com simpatias por essas forças políticas não parecem muito dispostos a pagar as festividades.

Em teoria, é um pouco mais difícil de perceber o entusiasmo de alguns partidos de centro-esquerda como o PS de António Costa e dos mídia, com particular destaque para os domésticos, que elegeram Tsipras e Varoufakis como seus heróis e fizeram deles vedetas mediáticas a um grau de ridículo próximo do culto dos jogadores galácticos de futebol. Em teoria, porque na prática apenas confirma quanto ao PS, ter perdido o norte, agora que percebeu não haver dinheiro para torrar, e, quanto aos mídia, a reconhecida falta de independência e o seu controlo pelo jornalismo de causas.

15/02/2015

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Não se pode confiar nesta gente

Secção Still crazy after all these years


«É um crescimento insuficiente e medíocre. Os resultados são medíocres e são comemorados como se de uma vitória se tratasse. Estes números são maus. Nós não entendemos a euforia do líder parlamentar do PSD», disse Ferro Rodrigues na sexta-feira no parlamento.

O actual líder parlamentar do PS referia-se aos números preliminares do INE que apontam para um crescimento de 0,9% no ano passado, o último ano do Programa de Assistência Económica e Financeira negociado pelo governo socialista em resultado da bancarrota em Maio de 2011 que levou à demissão de José Sócrates e à sua fuga para Paris. Segundo Ferro Rodrigues, durante este período o governo adoptou «políticas de austeridade - penalizadoras e completamente estúpidas do ponto de vista económico e social».

Ferro Rodrigues não explicou porque em vários anos de governação socialista resultou das políticas inteligentíssimas adoptadas um crescimento inferior ao de 2014, segundo ele «insuficiente e medíocre», nem tão pouco explicou como foi possível durante o socratismo o PIB ter decrescido a uma taxa média anual de -0,6%.

(Os períodos atribuídos a cada governo iniciam-se com o primeiro ano civil completo de mandato)

Por isso, não entendo a euforia do líder parlamentar do PS e receio que o défice de memória demonstrado e a extrema dificuldade de lidar com a realidade o inabilitem para o cargo de líder parlamentar, para já não falar de uma eventual pasta ministerial num governo liderado por António Costa.

Por estas e por outras, que não tenho agora tempo nem pachorra de explicar, atribuo-lhe 5 chateaubriands pelas confusões de memória e entre causas e efeitos e 5 bourbons por nada ter aprendido nem esquecido.

14/02/2015

Pro memoria (223) - Não deitemos fora a criança com a água de a lavar

O facto de a frenética eurodeputada Ana Gomes, a pasionaria do Rato, ser uma espécie de metralhadora desgovernada que gasta a sua reduzida pontaria a atirar sobre tudo quanto mexe não nos deve levar a descartar todas as suas actividades bélicas.

O «Tiro ao Portas», como lhe chama a Visão, pode ser que tenha, e tem certamente, várias pistas falsas, mas algumas merecem uma investigação. Por exemplo o «súbito afluxo financeiro que bafejou o CDS, (a) sucessão de 105 depósitos em numerário (no total de 1 060 250 euros) nas contas do CDS-PP, no BES, em dezembro de 2014», dinheiro depositado por personagens fictícias (algumas delas com apurado sentido de humor, como o célebre Jacinto Leite Capelo Rego), cujo rasto leva até aos submarinos.

DIÁRIO DE BORDO: Como o justicialismo degenera (outra vez) em oportunismo e falta de princípios (VIII)


aqui se fez referência a umas trapalhadas de Íñigo Errejón, «um dos fundadores e ideólogos do Podemos e o estratega da campanha que levou Pablo Iglésias e mais quatro ao Parlamento Europeu» e actual secretário político.»

Agora é a vez de outro fundador do Podemos estar envolvido em evasão fiscal. Trata-se de Juan Carlos Monedero que «criou uma empresa instrumental em 2013 para facturar 425.150 euros por trabalhos realizados três anos para os governos de Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador». (El Mundo via Com jornalismo assim...)

Não é extraordinário um partido disfarçado de objecto político não identificado que vive a apontar o dedo acusador à «descomposición política y moral de las élites tradicionales, con la corrupción» consiga ter os seus dirigentes corrompidos ainda antes de chegarem ao poder?

13/02/2015

Pro memoria (222) – A estória repete-se. Primeiro é melodrama, depois é farsa

«Teria assinado o manifesto (se tivesse tido oportunidade), seguramente, porque estou de acordo com ele», disse José Sócrates na sua homilia semanal no púlpito da RTP no dia 16 de Março do ano passado, a respeito do documento assinado por 70 luminárias propondo a reestruturação da dívida pública.

Menos de um ano depois, o seu sucessor António Costa disse em Bruxelas que também teria assinado a carta aberta (se tivesse tido oportunidade?) de outras 32 luminárias dirigida ao primeiro-ministro para rever a posição sobre a Grécia.

Disse ainda o ungido, «depois de três anos de experiência, há um resultado muito claro: a austeridade fracassou do ponto de vista político e fracassou do ponto de vista económico. Do ponto de vista económico, gerou deflação e gerou desemprego; e do ponto de vista político, só tem vindo a fortalecer os radicalismos

Não chega perdoarmos-lhe por continuar a não perceber não ser a austeridade uma política mas uma espécie de externalidade das políticas socialistas dos governos do seu partido em que ele participou. Teremos também de lhe perdoar não ter percebido que as políticas socialistas de «crescimento» seguidas durante muito mais do que 3 anos fracassaram do ponto de vista económico, geraram uma intensa promiscuidade entre os governos socialistas e as empresas do regime, geraram um crescimento muito abaixo da média europeia e geraram desemprego (não geraram deflação, o que seria o menor dos problemas) e, pior de tudo, levaram o país à bancarrota de onde resultaram os constrangimentos a que chama austeridade e de que tanto se queixa.

É muito perdão para um homem só.

TRIVIALIDADES: Desengravatamento, uma causa fracturante

Enviado por JARF, um notório admirador de ‘o’ Alexis e de ‘o’ Yanis

Nota histórica:

A palavra «gravata» deriva do francês «cravate», uma corruptela da palavra «croate». O trapo que hoje pode custar centenas de euros e compõe as camisas de muitos homens (e algumas mulheres) teve origem num outro trapo usado no pescoço pelos hussardos croatas de um regimento de cavalaria baptizado Royal-Cravates por Luis XIV em 1666.

O trapo foi muito apreciado pelos franceses, espalhou-se mais tarde um pouco por todo o mundo, e podia ser visto nos pescoços de muita gente, incluindo a esquerdalhada. Até recentemente. Morto Che Guevara, caído o muro de Berlim, enfiada na gaveta a ditadura do proletariado, transformado o marxismo no politicamente correcto, substituídos os assaltos aos palácios de Inverno e as guerras de «libertação» pelas causas fracturantes, o radical chic, herdeiro nas sociedades afluentes desse lixo histórico, adicionou o desengravatamento a essas causas.

12/02/2015

Lost in translation (225) – Dito em grego é muito diferente

Alexis Tsipras, ‘o’ Alexis da nossa esquerdalhada, foi citado como tendo dito «a Europa tem de respeitar a democracia e as regras europeias». Lido à letra, à primeira vista, isso já aconteceria uma vez que todos os outros 18 países da Zona Euro concordam em discordar das soluções gregas que consistem essencialmente em responsabilizar os contribuintes desses outros países pelos despautérios do povo grego e as trafulhices dos seus políticos.

Em consequência, só pode haver um erro de tradução. Em grego ele terá dito «Ευρώπη πρέπει να σέβονται τη δημοκρατία μας και θα πρέπει να ακολουθούν τους κανόνες μας» e isso, sim, fará sentido, e toda a gente percebe. Só não percebem os outros 18 que estão a fugir com o rabo à seringa.

ACREDITE SE QUISER: Estavam os dois de preto, ele com a fralda de fora e ela de cabedal

«Ele chegou de blazer e calças pretas, com um cachecol com o padrão da conhecida marca Burberry ao pescoço e com uma já vista camisa azul clara aos quadradinhos. Apenas um botão aberto e, claro, com as fraldas fora das calças.
Ela esperava-o toda de preto e de cabedal. Um casaco de pele, num estilo pop/rock, e uma singela jóia aparentemente de ouro ao pescoço faziam-na destoar de um grupo de homens de fato e gravata. Ela brilhava entre eles como uma estrela numa noite escura.
Quando ele e ela se encontraram, cumprimentaram-se, sorriram muito, trocaram olhares... Chegaram mesmo a quase encostar as cabeças num gesto mais ousado.
... começou bem, de forma fofinha entre ele e ela. Com ambos rendidos um ao outro, perdidos entre sorrisos e olhares cúmplices.»
De onde foi retirado este excerto?
  • «As cinquenta sombras de Grey» de E. L. James 
  • «Solo me quedas tu» de Corin Tellado 
  • Script do episódio 321 da temporada 9 de «O sexo e a cidade» 
  • «Adultério» de Paulo Coelho 
  • Outro sítio
Se escolheu «outro sítio» acertou.

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (16) – O mito da deflação (III)

Outras marteladas.

Quem acredita que a deflação é um problema que compromete fatalmente o crescimento deveria iluminar os cépticos com a explicação do porquê o Brasil governado pelo PT vai no 6.º trimestre consecutivo com o crescimento a desacelerar e no 3.º trimestre em recessão, ao mesmo tempo que mostra uma pujante inflação a crescer há 4 trimestres.

Fonte: The Economist Espresso

E, já agora, se não for pedir muito, poderá explicar também porque a China teve nos últimos 12 meses uma inflação homóloga de apenas 0,8% e baixou pelo 35.º mês consecutivo os preços de produção, apresenta ao mesmo tempo um pujante crescimento na região dos 7-8%.

Lost in translation (224) - Liquidez? Qual liquidez? Verão? Qual Verão?

«O ministro da Economia, Giorgos Stathakis, explicou numa entrevista ao Wall Street Journal que o país estava com menos verbas já que antecipando as eleições muitos gregos atrasaram os pagamentos de impostos (o que acontece sempre em vésperas de votações) e agora esperam ainda para saber o que vai acontecer a vários dos impostos. Stathakis acrescentou mais tarde, no entanto, que o Governo tem um plano para aumentar a colecta e que não espera problemas de liquidez antes do Verão.» (Público)

Fonte: The Economist Espresso