Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

06/05/2012

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (55) – Yes he could. How dared he?

«It was just another lie that was told in order to get elected», disse-se de Obama na CNN. (aqui, via Insurgente)

E se a celebrada carreira universitária de Obama «was nothing more than a political stepping stool»? (aqui e aqui, via Insurgente)

Com este currículo, quem é que nos faz lembrar Obama?

E para que servem os milhares de ventoinhas semeadas por todo o país?

Como explicar que o investimento pantagruélico em energias renováveis, nomeadamente parques eólicos e foto-voltaicos, com procura garantida e preço por kW para amigos, não evitou o aumento da importação em 2011 de 227 milhões de euros em electricidade e de 300 milhões de euros em carvão (para a produção de electricidade)?

Para um princípio de resposta ler o artigo de Mira Amaral aqui transcrito.

DIÁRIO DE BORDO: O melhor da arte urbana 2011 (11)

05/05/2012

ARTIGO DEFUNTO: Agora é oficial. Acção Socialista com outro nome.

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Estado assistencialista falhado (7) – O parlamento foi invadido por marcianos lunáticos

Resolução da Assembleia da República n.º 61/2012

Por um envelhecimento ativo

A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Chamando os bois pelos nomes

E o sistema de ensino?

É péssimo. O sistema de ensino deixou-se contagiar por uma ideologia pseudo-esquerdista que tentou fazer iguais todos os alunos, mas por baixo. A exigência não foi valorizada. Em 1974, a revolução apanhou-me a meio do doutoramento e pedi para ficar cá mais um ano, para poder participar. E estive a dar aulas, mas dois meses depois já não aguentava os alunos. Os estudantes diziam que não queriam notas, que eles é que faziam os curricula e que eu não mandava em ninguém. Respondi: “Óptimo, vou-me embora.” E não é só culpa da esquerda, pois a direita está penetrada das mesmas utopias pseudo-igualitárias. Ministros como o Marçal Grilo ou o Roberto Carneiro, em vez de terem uma ideologia própria, reflectem este banho cultural que considera que aos alunos, coitadinhos, não se lhes pode dar más notas, pois ficam com auto-estima negativa. Devemos dar aos filhos dos pobres as mesmas oportunidades que aos filhos dos ricos e não baixar os níveis de exigência para que toda a gente passe, como durante anos aconteceu.

DIÁRIO DE BORDO: Respostas a uma pergunta retórica

KAL's cartoon, Economist

«Quanto tempo Portugal vai estar assim?» Depende do barbeiro.

04/05/2012

Lost in translation (142) – o sucesso de Portugal é muito problemático, teria ela dito se falasse português

Segundo Maria Malas Mroueh, directora da Fitch, o «sucesso de Portugal depende do consenso político para reformas estruturais.» Sabendo-se que a única coisa em que o governo e a oposição estão de acordo é aumentar impostos e que já passámos o ponto em que a segunda derivada da curva de Laffer muda de sinal, pode-se antecipar que o sucesso nacional fica a depender da boa vontade internacional.

Estou a dar o meu melhor para escapar a esta esquizofrenia paranóica…

… que está a atacar grande número de portugueses, incluindo jornalistas, leitores de jornais, sindicalistas, pensadores de todas as correntes, sociólogos (?), opinion dealers, ministros, políticos de vários quadrantes, os combatentes da ASAE, deputados da nação e muitos outros ilustres. Tudo por causa do desconto na compra de mercearias que a cadeia Pingo Doce resolver conceder e que muitos portugueses compreensivelmente resolveram aceitar com um entusiasmo tão intenso que superou as manifestações do dia do trabalhador.

Como se comprova, o meu melhor não é suficientemente bom.

CASE STUDY: Elefantes brancos em Espanha (7)

Centro de Artes de Alcorcón
Uma escola de circo e estábulos para animais onde o alcaide socialista torrou 120 milhões para fazer apenas 69% da obra, depois de uma derrapagem de 40% (pouco se comparada com as derrapagens do socialismo lusitano). Para construir o mausoléu destruiu-se um parque (ver mais informação aqui e imagens do antes e depois aqui).

[Da colectânea apócrifa «ESPAÑA PAIS DE MILLONARIOS» dos resultados (principalmente, mas não só) do socialismo ibérico em Espanha]

03/05/2012

Uma equipa mais portuguesa do que o Benfica depois de ter ganho à melhor equipa do mundo ganhou a melhor liga do mundo

Com Mourinho, os adjuntos Louro, Faria e Morais, e os jogadores Ronaldo, Pepe,
Fábio Coentrão,  Carvalho, o Real Madrid tem mais portugueses do que os lampiões

Ministra Cristas ultrapassou pela esquerda o líder socialista (2)

Prosseguindo a sua governação de inspiração socialista, a ministra Cristas prometeu ontem no parlamento, a propósito da campanha de 50% de desconto do Pingo Doce, ir produzir mais uma ejaculação do órgão legislativo para combater as promoções dos hipermercados.

Agora que o governo tem em curso a transferência da soberania para o eixo Paris-Bruxelas-Berlim e fica por isso com mais tempo livre, é uma excelente ideia ocupar-se dos hipermercados, dos supermercados e até dos minimercados e fazê-los funcionar tão bem como faz a gestão da administração pública, da justiça, das polícias, da tropa, etc.

Bem haja, senhora ministra. Nunca se arrependa.

ARTIGO DEFUNTO: Onde se fica a saber, a propósito da IKEA, que nos paraísos socialistas soviéticos havia trabalho forçado

Durante as décadas de 70 e 80, a empresa sueca IKEA manteve um contrato com o governo da Alemanha de Leste, para a fabricação dos seus produtos nesse paraíso do socialismo soviético. O governo da Alemanha de Leste tinha uma polícia secreta chamada Stasi encarregada de proteger o Estado Socialista dos seus inimigos capitalistas.

40 anos depois, jornalistas suecos descobrem nos arquivos da Stasi documentos, tornados públicos com a queda do muro de Berlim e o colapso do paraíso socialista soviético sob a pressão do imperialismo ianque, que provam que o governo da Alemanha de Leste utilizava trabalho forçado dos prisioneiros políticos dissidentes para fabricar os produtos da IKEA.

Pergunta: como deve descrever estes factos um jornal económico português pertencente à Ongoing, cujo deus ex machina é um dos bancos do regime? Fácil meu caro Watson, assim:
«A multinacional sueca utilizou prisioneiros políticos da antiga Alemanha Oriental como trabalhadores forçados nas décadas de 1970 e 1980».

02/05/2012

Mitos (70) - A esquerdalhada defende os interesses do povo

Para a esquerdalhada o povo é composto por adolescentes retardados e pouco inteligentes e por isso incapazes de discernir o seu próprio interesse e tomar as decisões adequadas. Até aqui muita gente concordará - incluindo este vosso criado, com a adenda que para esse retardamento têm contribuído os talentos da própria esquerdalhada.

A seguir é que a porca torce o rabo, porque o remédio que a esquerdalhada quer administrar até ao fim dos tempos consiste em assaltar e usar o Estado para dar colo a esses presumíveis adolescentes retardados com a inevitável consequência de perpetuar a sua dependência. É aqui que a esquerdalhada perde a nossa companhia.

Se viesse a ser assim, seria a primeira vez em décadas que uma previsão do governo se cumpriria

2013 será «o ano do início da recuperação económica e prevê-se que em 2016 esteja eliminado o hiato do produto, ... espera-se que a atividade económica tenha atingido o seu nível potencial», disse o ministro Vítor Gaspar. Como se fosse pouco, ainda disse que a economia crescerá 2,5% em 2016, nesse ano o défice orçamental será de 0,5%, a despesa pública será de 42% do PIB e, cereja em cima do bolo, os subsídios de férias e de Natal serão repostos ao ritmo de 25% por ano a partir de 2015.

Se Keynes fosse vivo, teria dito, em vez de a longo prazo estaremos todos mortos, a médio prazo já não estaremos cá para responder pelas nossas previsões e, se estivermos, ninguém se lembrará.

ESTÓRIA E MORAL: Para não ter respostas erradas é preciso fazer as perguntas certas

Estória

«Quanto tempo Portugal vai estar assim?», perguntou-se Pacheco Pereira no Público (pode ler-se o post do Abrupto). Começando por uma pergunta retórica, não espanta que o texto seja apenas uma extensa e erudita lamúria, deserto de tentativas de lhe responder.

Em vez dessa pergunta ou, pelo menos, antes dela, devem ser feitas outras. Quantas décadas foram necessárias para Portugal estar assim? O que fizeram os portugueses durante esse tempo para Portugal estar assim? O que deveriam ter feito os portugueses para Portugal não estar assim? E, já agora, porquê a maioria dos portugueses e quase toda uma legião de luminárias de várias especialidades e doutrinas só no final de uma longa marcha que nos conduziu a estar assim percebeu que Portugal está assim? São algumas dessas outras perguntas prévias.

Talvez seja até prudente cada um perguntar-se, antes de todas essas perguntas, em que consiste o «estar assim»?

Moral

«Para dizer que vai acontecer, é preciso entender o que já aconteceu
Nicolau Maquiavel

01/05/2012

Povo combate a austeridade no dia do trabalhador atacando as lojas do Pingo Doce

«Filas e confusão à porta das lojas Pingo Doce»

SERVIÇO PÚBLICO:E se François Hollande for eleito e reincarnar «mon ami» Miterrand ?

«Em Maio de 1981, François Mitterrand - vencendo o incumbente Valéry Giscard d'Estaing - é eleito primeiro presidente socialista da 5ª República francesa. Prometia alargar ainda mais o controle e dirigismo estatal sobre a economia, ameaçava "quebrar o capitalismo", "derrubar o muro do dinheiro" e executar um extenso programa de nacionalizações. Numa altura em que, nos EUA e no Reino Unido, Reagan e Thatcher se moviam em sentido contrário, Mitterrrand servia uma forte mistura de keynesianismo, nacionalismo e controle de estatal.

Ministra Cristas ultrapassou pela esquerda o líder socialista

"Discordo da nova taxa, do novo imposto sobre as grandes superfícies em Portugal, porque verdadeiramente, como todos os portugueses já perceberam, não vão ser as grandes superfícies a pagar esse novo imposto e essa taxa. Vão ser os consumidores ou os produtores. Quero ser muito claro. Se o Governo optar por uma proposta de lei a ser votada na Assembleia da República, o PS votará contra este novo imposto.»

Foram palavras de António José Seguro talvez contaminado por algum vírus liberal ou, mais provavelmente, fazendo o seu papel de querer substituir a falta de uma coluna vertebral programática por uma estudada firmeza socrática.

É também uma resposta à altura da mesma falta de coluna vertebral programática do CDS, em primeira linha, e do governo em segunda linha.

DIÁRIO DE BORDO: «Arre, que o Portugal que se vê é só isto!» (2)

A propósito da Casa Fernando Pessoa e do seu desinteresse pelo trabalho biográfico de José Paulo Cavalcanti Filho, o leitor JPR enviou a seguinte mensagem, chamando a atenção para um outro caso ainda mais desesperado de desperdício de recursos.
Você acha que não fazem nada? Até concordo consigo, mas de repente lembrei-me do Instituto Camões, e de uma dirigente do mesmo que encontrei num jantar, e que me confessou que tinha um orçamento de quarenta e tal milhões de euros quase todos gastos a pagar despesas de pessoal. Peanuts, claro... Visitar o site deles é um tratado, e até se aprende entre muitas coisas que em 2010 (vide Balanço Social) "cada assistente técnico faltou em média 39,5 dias, cada técnico superior faltou em média 24,47 dias, cada docente do ensino básico e secundário faltou em média 8,18 dias e que cada dirigente intermédio faltou em média 3,87 dias" (pag. 28). Nada mau para o que dizem ser o organismo do Estado com melhor média salarial.
[Obrigado por reconhecer que somos livres pensadores e não temos uma agenda – temos a nossa agenda, que consiste em não ter agendas alheias.]