O SÍNDROMA DE MUNCHHAUSEN (*): Existe um motivo suplementar para tentar encontrar Ben Laden: precisa de ajuda psiquiátrica, pois está absolutamente convencido que destruiu dois edifícios nos EUA no dia 11 de Setembro de 2001.(*) Para quem (como eu) não sabe (sabia) o que é a coisa: o síndroma de Munchhausen é um distúrbio psiquiátrico que consiste em procurar simular sintomas de doenças graves. Bem vistas as coisas, os adeptos das teorias conspiratórias talvez apenas estejam a tentar disfarçar.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
12/09/2006
BLOGARIDADES: reductio ab absurdo
11/09/2006
BREIQUINGUE NIUZ: Prós e contras
Estou a assistir ao frente a frente do doutor Pacheco Pereira com o doutor Louçã. É extraordinário como de repente o doutor Louçã envelheceu. Envelheceu, mas está acutilante como de costume. O doutor Soares, se lá estivesse, certamente não apreciaria aquela piada do imperialismo americano interferir nos negócios internos de países soberanos, como foi o caso, durante o verão quente de 75, da mãozinha ianque que embalou o doutor Soares. Embalo que o doutor Louçã, nessa altura ainda de calções, tão apaixonadamente denunciou.
BREIQUINGUE NIUZ: já somos dois (pelo menos)
«O Banco Central Europeu (BCE) duvida que o Governo português consiga cumprir o compromisso assumido com os parceiros da União Europeia (UE) de reduzir este ano o défice orçamental para 4,6% do PIB.
A quatro meses do fim do exercício orçamental de 2006, a autoridade monetária do euro queixa-se de falta de informação e diz persistir "bastante incerteza" sobre os resultados das medidas de contenção anunciadas no Executivo, noticia hoje (*) o Jornal de Negócios»
(*) Isto é, sexta-feira passada - trata-se de breiquingue niuz.
A quatro meses do fim do exercício orçamental de 2006, a autoridade monetária do euro queixa-se de falta de informação e diz persistir "bastante incerteza" sobre os resultados das medidas de contenção anunciadas no Executivo, noticia hoje (*) o Jornal de Negócios»
(*) Isto é, sexta-feira passada - trata-se de breiquingue niuz.
10/09/2006
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: assim não dá!
- Ó chavala, vamo lá dar uma cambalhota?(«Preço dos preservativos em Portugal pode condicionar prática do sexo seguro» no Público e comentário do mano mentoche, que está longe de pátria)
- Prontes, atão vamo. Põe lá a borrachinha?
- Tás doida ó galdéria?
- Adelino, Adelino! Tu não ouviste o stôr lá do centro? Tu não ouviste os gajos do Bloco a explicar que a borrachinha era tão importante como a seringa?
- Eles falam, falam. E tu sabes quanto sobrou depois de pagar os 2 chutos à Maluca?
- ?
- Cem méreis! E sabes quanto custa uma embalage de camisas?
- Sei lá, mano.
- Quinhentos paus! Tás a ver? Olha se não fosse eu tratar das finanças. Estavas feita, ó minha.
- Voltando à cambolhota, coméque a gente faz?
- Lá terá que ser sexo não seguro.
- O Sócrates é mesmo um mau ministro. Anda preocupado com o crescimento, com investimento estrangeiro, com a inflação.
- Que se lixe a economia: a malta já nem tem para dar umas quecas.
09/09/2006
08/09/2006
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: "uma concepção diferente de terrorismo"
Secção Padre Anchieta
A propósito do protesto do embaixador da Colômbia pela presença na festa do Avante duns «activistas» das FARC, bando que a UE classifica como terrorista, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PC, vociferou «que esta operação e esta deriva em relação à nossa festa procura esconder a responsabilidade deste Governo em relação a actos de terrorismo de Estado» e mais disse que havia um "silêncio de chumbo" sobre este "terrorismo de Estado". (Público)
Assim de repente, pensei que o camarada Sousa teria aliviado o silêncio de chumbo e desistido de branquear a chacina de milhões e a obliteração nos Gulag soviéticos de outros milhões de dissidentes entre 1917 e 1989, nesse paraíso dos trabalhadores chamado União Soviética e entre 1945 e 1989 nos países da Cortina de Ferro. Estaria Jerónimo de Sousa à beira do que os seus camaradas costumam chamar auto-crítica?
Umas linhas mais abaixo percebi tudo. «A "questão central" é que o PCP tem "uma concepção diferente de terrorismo" comparativamente à UE e Estados Unidos.»
É por estas, e por outras, que o Impertinências atribui mais uns chateubriands, pela «concepção diferente de terrorismo», uns ignóbeis, pelo branqueamento da história da URSS e do PCUS, e, inevitavelmente, uns bourbons porque Jerónimo de Sousa nada aprende e nada esquece.
Esclarecimento a quem possa estar interessado:
A definição de terrorismo adoptada nas Proposed Definitions of Terrorism da ONU cobre algumas das acções das FARC, malgré Jerónimo, mas não cobre as acções da CIA, aussi malgré Jerónimo.
A propósito do protesto do embaixador da Colômbia pela presença na festa do Avante duns «activistas» das FARC, bando que a UE classifica como terrorista, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PC, vociferou «que esta operação e esta deriva em relação à nossa festa procura esconder a responsabilidade deste Governo em relação a actos de terrorismo de Estado» e mais disse que havia um "silêncio de chumbo" sobre este "terrorismo de Estado". (Público)
Assim de repente, pensei que o camarada Sousa teria aliviado o silêncio de chumbo e desistido de branquear a chacina de milhões e a obliteração nos Gulag soviéticos de outros milhões de dissidentes entre 1917 e 1989, nesse paraíso dos trabalhadores chamado União Soviética e entre 1945 e 1989 nos países da Cortina de Ferro. Estaria Jerónimo de Sousa à beira do que os seus camaradas costumam chamar auto-crítica?
Umas linhas mais abaixo percebi tudo. «A "questão central" é que o PCP tem "uma concepção diferente de terrorismo" comparativamente à UE e Estados Unidos.»
É por estas, e por outras, que o Impertinências atribui mais uns chateubriands, pela «concepção diferente de terrorismo», uns ignóbeis, pelo branqueamento da história da URSS e do PCUS, e, inevitavelmente, uns bourbons porque Jerónimo de Sousa nada aprende e nada esquece.
Esclarecimento a quem possa estar interessado:
A definição de terrorismo adoptada nas Proposed Definitions of Terrorism da ONU cobre algumas das acções das FARC, malgré Jerónimo, mas não cobre as acções da CIA, aussi malgré Jerónimo.
Terrorism is an anxiety-inspiring method of repeated violent action, employed by (semi-) clandestine individual, group or state actors, for idiosyncratic, criminal or political reasons, whereby - in contrast to assassination - the direct targets of violence are not the main targets. The immediate human victims of violence are generally chosen randomly (targets of opportunity) or selectively (representative or symbolic targets) from a target population, and serve as message generators. Threat- and violence-based communication processes between terrorist (organization), (imperilled) victims, and main targets are used to manipulate the main target (audience(s)), turning it into a target of terror, a target of demands, or a target of attention, depending on whether intimidation, coercion, or propaganda is primarily sought" (Schmid, 1988).
07/09/2006
DIÁRIO DE BORDO: a maiêutica do aborto (11)
Para não voltar às velhas perguntas fáceis de resposta difícil e às perguntas difíceis de resposta fácil como em (0), (1), (2), (*), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10), desta vez uma pergunta retórica.
O PS retomou os trabalhos de parto do referendo sobre o aborto cuja proposta pretende apresentar no próximo dia 15 na reabertura do parlamento, mas como caldos de galinha e cuidados sempre ajudaram os partos, um «dirigente da bancada socialista disse à Lusa que o PS vai "esperar um mês para o referendo não cair em Dezembro", mês de Natal, uma altura que alguns defensores da despenalização da interrupção voluntária da gravidez nas primeiras semanas de gestação consideram desvantajosa», conta-nos o Público.
O que levará os deputados do PS a pensar que os eleitores estão menos predispostos ao aborto durante o mês de Natal? Qual será a época mais favorável ao aborto? Sem pensar muito no assunto, diria que talvez sejam os meses de Julho e Agosto, quando os portugueses são confrontados com trocar o nordeste brasileiro pela Quarteira e com o insucesso escolar dos seus rebentos.
(*) O n.º 3 abortou.
O PS retomou os trabalhos de parto do referendo sobre o aborto cuja proposta pretende apresentar no próximo dia 15 na reabertura do parlamento, mas como caldos de galinha e cuidados sempre ajudaram os partos, um «dirigente da bancada socialista disse à Lusa que o PS vai "esperar um mês para o referendo não cair em Dezembro", mês de Natal, uma altura que alguns defensores da despenalização da interrupção voluntária da gravidez nas primeiras semanas de gestação consideram desvantajosa», conta-nos o Público.
O que levará os deputados do PS a pensar que os eleitores estão menos predispostos ao aborto durante o mês de Natal? Qual será a época mais favorável ao aborto? Sem pensar muito no assunto, diria que talvez sejam os meses de Julho e Agosto, quando os portugueses são confrontados com trocar o nordeste brasileiro pela Quarteira e com o insucesso escolar dos seus rebentos.
(*) O n.º 3 abortou.
06/09/2006
ARTIGO DEFUNTO: exaltações mediáticas induzidas
Por muito que se valorize (e seria desonestidade desvalorizar) a simplificação de formalidades estúpidas para criar uma empresa, é um manifesto exagero o Diário Económico titular na 1.ª página «Portugal é o mais ágil do mundo a criar empresas» para referenciar um pífia reforma que nunca terá efeitos mensuráveis na dinamização da economia. Exagero e distorção porque da pífia reforma pode não resultar a criação duma única empresa, quanto mais transmutar-nos no mais ágil do mundo a criar empresas.
O Jornal de Negócios mostra um pouco mais de compostura, citando uma co-autora do relatório "Doing Business 2007" que «afirma ... que Portugal fez menos do que os seus parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e efectivamente, apenas registámos uma reforma positiva». Uma leitura rápida do Overview ajuda a mitigar as excitações.
O mesmo JN descompõe o que tinha composto, ao titular «Clima de confiança atinge máximo de quase dois anos» para nomear um facto que tanto pode ser um erro estatístico como uma insignificância estatística: «o indicador de confiança dos consumidores subiu dos 35,8 pontos negativos para 34 pontos negativos».
Todas estas exaltações mediáticas fazem parte da boa imprensa de que o governo tem desfrutado e, na sua essência, reflectem a visão colectivista do PS, que imagina que «a economia depende dos 100 palhaços que vão à televisão falar de economia». E reflectem também a tentação manipulatória do governo que não resiste a fabricar o que julga ser uma clima favorável aos negócios. É um equívoco, porque o efeito mais significativo deste «optimismo» induzido é dar munição às corporações de interesses instalados e dos direitos adquiridos que ganham argumentos reforçados para sabotar as mais tímidas reformas, que assim perdem o sentido - se tudo está a correr tão bem, como o governo nos quer fazer acreditar, para quê os «sacrifícios»?
O Jornal de Negócios mostra um pouco mais de compostura, citando uma co-autora do relatório "Doing Business 2007" que «afirma ... que Portugal fez menos do que os seus parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e efectivamente, apenas registámos uma reforma positiva». Uma leitura rápida do Overview ajuda a mitigar as excitações.
O mesmo JN descompõe o que tinha composto, ao titular «Clima de confiança atinge máximo de quase dois anos» para nomear um facto que tanto pode ser um erro estatístico como uma insignificância estatística: «o indicador de confiança dos consumidores subiu dos 35,8 pontos negativos para 34 pontos negativos».
Todas estas exaltações mediáticas fazem parte da boa imprensa de que o governo tem desfrutado e, na sua essência, reflectem a visão colectivista do PS, que imagina que «a economia depende dos 100 palhaços que vão à televisão falar de economia». E reflectem também a tentação manipulatória do governo que não resiste a fabricar o que julga ser uma clima favorável aos negócios. É um equívoco, porque o efeito mais significativo deste «optimismo» induzido é dar munição às corporações de interesses instalados e dos direitos adquiridos que ganham argumentos reforçados para sabotar as mais tímidas reformas, que assim perdem o sentido - se tudo está a correr tão bem, como o governo nos quer fazer acreditar, para quê os «sacrifícios»?
05/09/2006
BLOGARIDADES: abaixo o nacional-engraçadismo
Há sinais na Bloguilha dum higiénico movimento anti-engraçadismo, duma cruzada para expurgar essa moléstia da sociedade civil. Camilo já foi convocado.
Talvez fruto da influência e exemplo pessoal do professor Oliveira Salazar e do doutor Cunhal, podemos considerar o engraçadismo tecnicamente em extinção nos meios políticos. Abundam os bons exemplos (*) à esquerda e à direita e ao centro, do doutor Louça, do engenheiro Sócrates, o doutor Manuel Monteiro, ou do emérito e agora retirado professor doutor Freitas do Amaral, talvez o mais anti-engraçado político de todos os tempos. Nas meninges de todas estas criaturas procurar-se-à em vão quaisquer sinais de contaminação pelo engraçadismo. Só o caso do doutor Marques Mendes parece ainda indefinido.
Poderá dizer-se que não existem políticos engraçados? Não. Pode dizer-se apenas que, com pouquíssimas excepções, como a do doutor Alberto João Jardim, o Bokassa das Ilhas, segundo a expressão engraçada do doutor Gama, os políticos engraçados estão desacreditados. Quero dizer absolutamente desacreditados, porque o doutor Jardim só está relativamente desacreditado no Continente.
Também na intelectualidade é já hoje difícil encontrar uma criatura, sobretudo ligada às artes & letras e à cóltura em geral, que não se tome impiedosamente a sério - estado de alma que, desculpem a fraqueza, não deixa de ser engraçado.
Se na política e na cóltura a praga do engraçadismo está contida, e nas artes performativas como os entertainers ou os palhaços se tem que aceitar como uma deformação profissional, está tudo por fazer na Bloguilha, onde germinam almas saturadas de engraçadismo. Um só exemplo que vale por todos: o maradona de A causa foi modificada, o anti-cristo da gravitas.
(*) Para arrumar o assunto poderia citar o caso de praticamente todos os ocupantes do Palácio de Belém, o lugar geométrico do anti-engraçadismo e da gravitas, com a possível excepção do doutor Soares, que talvez por isso falhou a reeleição.
Talvez fruto da influência e exemplo pessoal do professor Oliveira Salazar e do doutor Cunhal, podemos considerar o engraçadismo tecnicamente em extinção nos meios políticos. Abundam os bons exemplos (*) à esquerda e à direita e ao centro, do doutor Louça, do engenheiro Sócrates, o doutor Manuel Monteiro, ou do emérito e agora retirado professor doutor Freitas do Amaral, talvez o mais anti-engraçado político de todos os tempos. Nas meninges de todas estas criaturas procurar-se-à em vão quaisquer sinais de contaminação pelo engraçadismo. Só o caso do doutor Marques Mendes parece ainda indefinido.
Poderá dizer-se que não existem políticos engraçados? Não. Pode dizer-se apenas que, com pouquíssimas excepções, como a do doutor Alberto João Jardim, o Bokassa das Ilhas, segundo a expressão engraçada do doutor Gama, os políticos engraçados estão desacreditados. Quero dizer absolutamente desacreditados, porque o doutor Jardim só está relativamente desacreditado no Continente.
Também na intelectualidade é já hoje difícil encontrar uma criatura, sobretudo ligada às artes & letras e à cóltura em geral, que não se tome impiedosamente a sério - estado de alma que, desculpem a fraqueza, não deixa de ser engraçado.
Se na política e na cóltura a praga do engraçadismo está contida, e nas artes performativas como os entertainers ou os palhaços se tem que aceitar como uma deformação profissional, está tudo por fazer na Bloguilha, onde germinam almas saturadas de engraçadismo. Um só exemplo que vale por todos: o maradona de A causa foi modificada, o anti-cristo da gravitas.
(*) Para arrumar o assunto poderia citar o caso de praticamente todos os ocupantes do Palácio de Belém, o lugar geométrico do anti-engraçadismo e da gravitas, com a possível excepção do doutor Soares, que talvez por isso falhou a reeleição.
04/09/2006
NÓS VISTOS POR ELES: lost in translation
Após um longo interregno, retoma-se esta secção do Impertinências, com as impressões de duas vítimas fugidas dos escombros do império soviético para os escombros do 5.º império, que quase assolaparam os seus rebentos.
Alla desistiu de ter o filho, de 12 anos, a estudar em Portugal. Ao fim de seis anos de escolaridade, fartou-se de o ouvir dizer que «ia descansar para a escola», que aqui se aprendia brincando e da «grande indisciplina» que marcava o dia-a-dia do ano lectivo nacional. O miúdo até ia bem - era um dos melhores da turma - mas voltou para a Ucrânia. Lá, garante a mãe, é «tudo muito diferente. A professora não é uma amiga, é quem ensina. Os alunos estão lá para trabalhar e aprender. Não há brincadeira».(Expresso 02-09, «O ensino aqui é o pior de tudo»)
Explicar que só no final do 4.° ano é exigido que os alunos portugueses saibam ler, escrever e contar, torna-se difícil de traduzir. Porque o fosso que divide a educação nacional e a das memórias dos imigrantes do Leste é, de facto, de tamanho «extra large». «Prefiro nem falar disso», diz Julia Gundarina, uma professora russa que apesar de estar cá há cinco anos e de «gostar tanto» que nem pensa em voltar para casa, assume que «a educação é pior de tudo». Estranham, sobretudo, a maneira como se ensina, a falta de ordem, a «balda» generalizada.
03/09/2006
ARTIGO DEFUNTO: we’ve all been attacked by the bacteria of stupidity
O artigo escrito por Ghazi Hamad, porta-voz do governo do Hamas, no jornal israelita Al Ayyam, parece ter despertado pouco interesse (et pour cause) ao jornalismo de causas da paróquia. Para além desta ou desta notícia, e da referência de João Pereira Coutinho na sua coluna Estado Crítico do Expresso, não me dei conta que o dito jornalismo de causas tivesse dado eco às lúcidas palavras de Ghazi Hamad. Tão pouco a Bloguilha parece ter-se interessado. Algumas dessas palavras ficam aqui transcritas na versão do NYT.
“Gaza is suffering under the yoke of anarchy and the swords of thugs,” Ghazi Hamad, a former Hamas newspaper editor and the spokesman for the current Hamas government, wrote in an article published Sunday in Al Ayyam, the Palestinian newspaper.(Hamas Spokesman Blames Palestinians for Gaza Chaos, NY Times 29-08 - registo necessário)
After so much optimism when Israelis pulled out of Gaza a year ago, he wrote, “life became a nightmare and an intolerable burden.”
He urged Palestinians to look to themselves, not to Israel, for the causes. But he appeared not to be placing the blame on Hamas or the Palestinian Authority’s prime minister, Ismail Haniya of Hamas. He said various armed groups in the Gaza Strip — most affiliated with Fatah, Hamas’s rival — were responsible for the chaos.
“We’ve all been attacked by the bacteria of stupidity,” Mr. Hamad wrote. “We have lost our sense of direction.” He addressed the armed groups: “Please have mercy on Gaza. Have mercy on us from your demagogy, chaos, guns, thugs, infighting. Let Gaza breathe a bit. Let it live.”
He also questioned the utility of firing rockets into Israel that cause few casualties but result in many Palestinian deaths when the Israelis retaliate. He seemed to be arguing for other armed groups to follow the Hamas decision to halt rocket fire into Israel. His article was first described in English on Monday in The Jerusalem Post.
...
Mr. Hamad said that his article, in a newspaper normally associated with Fatah, was a personal comment. Despite the taunt at Fatah, it was important for its criticism of the penchant to blame Israel and its occupation of Palestinian lands for every ill — even after Israeli troops and settlers had left Gaza.
“I’m not interested in discussing the ugliness and brutality of the occupation because it is not a secret,” he wrote. “I prefer self-criticism and self-evaluation. We’re used to blaming our mistakes on others.”
Palestinian joy after the Israeli departure “made us forget the most important question — what is our next step?” he wrote.
“When you walk in the streets of Gaza City,” he continued, “you cannot but close your eyes because of what you see there: unimaginable chaos, careless policemen, young men carrying guns and strutting with pride and families receiving condolences for their dead in the middle of the street.”
Mr. Hamad said those who saw themselves as fighting Israel were working at cross-purposes. “It is strange that when a big effort is taken to reopen Rafah crossing to ease the suffering of the people, you see others who go to shell rockets toward the crossing, or when someone talks about cease-fire and its importance, you find those who go and shell more rockets,” he wrote. “Of course I do not deny that the occupation committed massacres that cannot be justified, but I support negotiations over what can be fixed.”
Some Palestinians will agree or disagree with him, he wrote, “but running away from self-confrontation will only cause us more pain.”
01/09/2006
CASE STUDY: Alan Turing, adiantado mental
As ILGAs, os Opus Gay e as outras associações de maricagem deviam escolher melhor os seus mártires. Em vez de promoverem as criaturas que estoiram de AIDS, depois de anos de irresponsável, dissoluta e obsessiva promiscuidade, deviam adoptar Alan Turing.
Alan Turing, o matemático inglês nascido em 1912, lançou em 1936, com 24 anos, os fundamentos da computação avant la lettre ao usar o sistema binário na programação da «Universal Turing Machine» por si criada, que foi o primeiro computador da história. Como se isso e muitos outros contributos que deu fosse pouco, Turing contribuiu decisivamente para encurtar a II guerra mundial, ao criar a «Bombe», um dispositivo para decifrar código criado pela máquina de encriptação «Enigma» usada para transmitir mensagens dos comandos para as forças alemãs.
Num clima ultra-conservador e de paranóia da segurança potenciado pela guerra fria, as suas realizações de nada lhe valeram quando, preso em 1952 por práticas homossexuais, foi obrigado a trocar um ano de prisão por injecções de estrogéneo para «neutralizar» as suas tendências. Perseguido e ostracizado, desde então, Turing suicidou-se em 1954.
(A propósito de A man who counted de David Leavitt; ver também The Alan Turing Home Page)
Declaração de desinteresse:
Este blogue desalinhado, desconforme, herético, heterodoxo e homofóbico, só é homofóbico na precisa medida em que não suporta as paradas de orgulho gay e em geral todas as maninfestações que pretendem contrabandear a aceitação da diferença da anormalidade pela promoção da normalidade da diferença.
Alan Turing, o matemático inglês nascido em 1912, lançou em 1936, com 24 anos, os fundamentos da computação avant la lettre ao usar o sistema binário na programação da «Universal Turing Machine» por si criada, que foi o primeiro computador da história. Como se isso e muitos outros contributos que deu fosse pouco, Turing contribuiu decisivamente para encurtar a II guerra mundial, ao criar a «Bombe», um dispositivo para decifrar código criado pela máquina de encriptação «Enigma» usada para transmitir mensagens dos comandos para as forças alemãs.
Num clima ultra-conservador e de paranóia da segurança potenciado pela guerra fria, as suas realizações de nada lhe valeram quando, preso em 1952 por práticas homossexuais, foi obrigado a trocar um ano de prisão por injecções de estrogéneo para «neutralizar» as suas tendências. Perseguido e ostracizado, desde então, Turing suicidou-se em 1954.
(A propósito de A man who counted de David Leavitt; ver também The Alan Turing Home Page)
Declaração de desinteresse:
Este blogue desalinhado, desconforme, herético, heterodoxo e homofóbico, só é homofóbico na precisa medida em que não suporta as paradas de orgulho gay e em geral todas as maninfestações que pretendem contrabandear a aceitação da diferença da anormalidade pela promoção da normalidade da diferença.
31/08/2006
DIÁLOGOS DE PLUTÃO (*): sexo oral
- Ó vizinha, já sabe que o Jaquim faz sexo oral?(Poderia ter sido ouvido num cabeleireiro de Bragança, mas veio-me à mente ao rever a briga do Corrado Soprano com a namorada)
- Sexo oral?
- Mas com quem? Com quem faz o grande malandro essa coisa?
- Com a namorada, a Sónia Vanessa, aquela brasileira.
- Ora essa! Não me diga!
- Digo, digo. Toda a gente fala disso no cabeleireiro.
- Mas, se é que posso perguntar ...
- Pergunte, pergunte.
- O que é essa coisa de sexo oral?
- Olhe filha, não sei bem, mas parece que é o sexo de que se fala nos cabeleireiros.
(*) Novo formato tablóide objecto celeste.
30/08/2006
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o jornalismo de causas visto pelo fundamentalismo islâmico
Secção Idiotas Inúteis
Qualquer criatura com um módico de senso já se terá interrogado como é possível que centenas de jornalistas de causas, que fazem a cobertura dos conflitos em que estão envolvidos tropas israelitas ou americanas, se disponham a colaborar activamente na montagem de farsas que depois são difundidas pelas TVs do mundo inteiro, fazendo babar de ódio a esquerdalhada de serviço em todas as esquinas do mundo.
Eu já me interroguei e comecei a suspeitar que o jornalismo de causas é praticado por um bando de idiotas inúteis para o mundo civilizado, mas muito úteis para a barbárie. Ao dizer idiotas inúteis, mas úteis, não queria dizer «idiotas» inúteis, mas úteis, queria simplesmente utilizar o teaser para sublinhar a utilidade que essas almas têm hoje para fundamentalismo islâmico, como tiveram no passado para a barbárie soviética.
Não queria, mas pouco a pouco tendo a inclinar-me para considerar literalmente a idiotia do idiota inútil. Vejo agora que não estou sozinho. Estou aliás em óptima companhia: a dos terroristas, perdão combatentes, do Hezzbolah que publicaram no site www.moqavemat.com a foto da esquerda com um suposto barco israelita atingido por um míssil do partido de deus.
O jornal australiano Herald Sun desmontou a falsificação e publicou aquela foto acompanhada da foto da direita do destroyer australiano desactivado Torrens que foi afundado pela marinha australiana na costa oeste da Austrália em 1998. (fonte: O Insurgente cujo link perdi - sorry).
(Mais tarde o partido de deus removeu a foto do seu site)
O que prova isto? Pouca coisa. Prova que podemos considerar demonstrada a minha suspeita. Pelo menos no que toca ao Hezbollah, que não têm dúvidas que a mais óbvia das suas falsificações apanha tão distraidamene colaborante o bando do jornalismo de causas que o partido de deus só pode considerá-los úteis, mas idiotas.
Por isto, e por todas as outras desavergonhadas cumplicidades, atribuo ao bando do jornalismo de causas 5 chateaubriands e 5 ignóbeis como prémio colectivo e de carreira.
Qualquer criatura com um módico de senso já se terá interrogado como é possível que centenas de jornalistas de causas, que fazem a cobertura dos conflitos em que estão envolvidos tropas israelitas ou americanas, se disponham a colaborar activamente na montagem de farsas que depois são difundidas pelas TVs do mundo inteiro, fazendo babar de ódio a esquerdalhada de serviço em todas as esquinas do mundo.
Eu já me interroguei e comecei a suspeitar que o jornalismo de causas é praticado por um bando de idiotas inúteis para o mundo civilizado, mas muito úteis para a barbárie. Ao dizer idiotas inúteis, mas úteis, não queria dizer «idiotas» inúteis, mas úteis, queria simplesmente utilizar o teaser para sublinhar a utilidade que essas almas têm hoje para fundamentalismo islâmico, como tiveram no passado para a barbárie soviética.
Não queria, mas pouco a pouco tendo a inclinar-me para considerar literalmente a idiotia do idiota inútil. Vejo agora que não estou sozinho. Estou aliás em óptima companhia: a dos terroristas, perdão combatentes, do Hezzbolah que publicaram no site www.moqavemat.com a foto da esquerda com um suposto barco israelita atingido por um míssil do partido de deus.O jornal australiano Herald Sun desmontou a falsificação e publicou aquela foto acompanhada da foto da direita do destroyer australiano desactivado Torrens que foi afundado pela marinha australiana na costa oeste da Austrália em 1998. (fonte: O Insurgente cujo link perdi - sorry).
(Mais tarde o partido de deus removeu a foto do seu site)
O que prova isto? Pouca coisa. Prova que podemos considerar demonstrada a minha suspeita. Pelo menos no que toca ao Hezbollah, que não têm dúvidas que a mais óbvia das suas falsificações apanha tão distraidamene colaborante o bando do jornalismo de causas que o partido de deus só pode considerá-los úteis, mas idiotas.
Por isto, e por todas as outras desavergonhadas cumplicidades, atribuo ao bando do jornalismo de causas 5 chateaubriands e 5 ignóbeis como prémio colectivo e de carreira.
29/08/2006
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: it's a bird, it's a plane, it's superman!
- O Glossário das Impertinências vai ter que ser alterado.(diálogo inspirado nas efabulações aqui e aqui)
- Ah, sim? E porquê? já que falas disso.
- Porque Plutão já não é o planeta mais pequeno do sistema solar.
- Cresceu?
- Não. Deixou de ser planeta.
- Então é o quê? Um pássaro? Um avião?
- É um objecto celeste.
- E quem é que decidiu isso? O Luís Filipe Vieira?
- Não. Foi a União Astronómica Internacional.
- E eu posso continuar a considerar que Plutão é um planeta?
- Cada um chama-lhe o que quiser.
- Quem disse isso? O maradona?
- Não, foi um outro que percebe de coisas.
- E se eu falar do «planeta mais pequeno do sistema solar» os outros sabem que estou a falar de Plutão?
- Que pergunta. Haja deus. Fazes uma convenção com os gajos com quem falares do tema.
- E isso não é complicado?
- Será. Mas é aí que está o quid.
Quem sou eu? Um planeta? Um objecto celeste?
28/08/2006
O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: relativismo posicional
«A "utilíssima informação posicional" do Expresso que cita no seu post de ontem é inútil, além de errada. O ministro da Economia está à esquerda na foto mas não está à esquerda do primeiro ministro - está à sua direita. Por isso, a jornalista ao dar como referencial o primeiro ministro, deveria ter escrito à direita de José Sócrates» (de um email de uma detractora acidental).
Isto levanta uma interessante questão que poderá tornar-se um tema recorrente na bloguilha, se alguma das luminárias de serviço por ele se interessar (não vou dar sugestões para não ferir os delicados egos).
A questão do foro do relativismo posicional, poderá colocar-se assim: estará o doutor Pinho à esquerda do engenheiro Sócrates, do ponto de vista do observador, apesar de estar à direita do senhor engenheiro, do ponto de vista deste? E, num caso ou noutro, tendo o senhor engenheiro o seu ministro à sua direita, poderá este último ter o seu chefe à sua esquerda?
Isto levanta uma interessante questão que poderá tornar-se um tema recorrente na bloguilha, se alguma das luminárias de serviço por ele se interessar (não vou dar sugestões para não ferir os delicados egos).
A questão do foro do relativismo posicional, poderá colocar-se assim: estará o doutor Pinho à esquerda do engenheiro Sócrates, do ponto de vista do observador, apesar de estar à direita do senhor engenheiro, do ponto de vista deste? E, num caso ou noutro, tendo o senhor engenheiro o seu ministro à sua direita, poderá este último ter o seu chefe à sua esquerda?
27/08/2006
ARTIGO DEFUNTO: estatísticas de causas e nacional-graxismo
Confesso que não me dei ao trabalho de verificar como o Gabinete de Estratégia e Estudos do ministério da Economia e Inovação inovou os números do desemprego das Estatísticas de Emprego do INE (disponível com registo), a que fiz referência a semana passada neste post. Seja como for, o GEE deu matéria-prima ao jornalismo de causas para fabricar um artigo que ocupa metade da broadsheet n.º 3 (ou será broadshit?) com uma chamada na 1.ª página do Caderno de Causas de Economia do Expresso.No ponto em que as coisas estão, não me escandaliza muito a manipulação das estatísticas ao serviço de causas. É afinal uma das poucas áreas de competência dos governos socialistas (um pouco mais do que dos outros, reconheça-se). Também me escandaliza pouco o serviço que o jornalismo de causas costuma prestar ao governo do senhor engenheiro a fabricar artigos sobre as estatísticas fabricadas pelo governo. Mas tudo tem um limite. Até a lisonja, que enjoa se for em excesso, como o açúcar.
Enjoa e soa a falso. Como o artigo defunto encimado pela foto do ministro da encomenda, com ar cansado, depois da laboriosa criação de 52.801 empregos, mas irradiando optimismo, e ladeado pelo senhor engenheiro procurando no bolso a caneta para conferir as contas do milagre.
PS:
Note-se a utilíssima informação posicional sobre o doutor Pinho - «à esquerda de José Sócrates».
25/08/2006
SERVIÇO PÚBLICO: continua a não haver vida para além do orçamento
Quanto mais o governo esconjura o défice, mais este o persegue. É mais um exemplo das funções zingarilho.
Enquanto o défice persegue o governo, este persegue os sujeitos passivos com uma factura fiscal cada vez mais pesada, enquanto se auto felicita pela contenção do défice à custa dessa factura. É o que nos mostra aqui e agora, quando já não é cúmplice, o doutor Frasquilho. Para só citar dois índices, veja-se o que se está a passar com a despesa corrente e a despesa corrente primária do Estado que o orçamento deste ano previa crescessem 1,5% e 0,7%, respectivamente, mas que até Julho já cresceram 7,8% e 8,7%. Torna-se óbvio que, com esta pletora da vaca marsupial pública, a única maneira de conter o défice é aumentar os impostos (e a dívida pública), que é precisamente o que está acontecer.
Não há Simplex que nos valha. Pelo contrário, quanto mais Simplex, mais complex - outra função zingarilho. Para levar a cabo (no papel) a reengenharia do estado napoleónico-estalinista contratam-se mais uns assessores e uns técnicos e adjudica-se a coisa a uns consultores. Resultado: não se reduz a despesa com vencimentos dos utentes residentes da vaca, por um lado, e aumenta-se a despesa por outro, com os novos residentes e prestadores de serviços. Ao mesmo tempo, a inexorável lei de Parkinson faz aumentar a burocracia dos antigos residentes até encher todo o tempo disponível. Propósito que é fácil, porque é pouco o tempo que fica livre aos residentes depois de tratarem das suas vidinhas.
Para concluir, ainda outra função zingarilho: quando mais durar o período de borla do governo do senhor engenheiro, mais retroactivos os sujeitos passivos lhe irão cobrar. Não será tão cedo, mas chegará a hora da cobrança em que as ilusões do senhor engenheiro serão trocadas por outras do mesmo jaez, na esperança que a coisa se resolve sem dor. Até ao momento em que, em estado de desespero, os sujeitos passivos estarão dispostos a aceitar até a reencarnação do professor Botas.
Enquanto o défice persegue o governo, este persegue os sujeitos passivos com uma factura fiscal cada vez mais pesada, enquanto se auto felicita pela contenção do défice à custa dessa factura. É o que nos mostra aqui e agora, quando já não é cúmplice, o doutor Frasquilho. Para só citar dois índices, veja-se o que se está a passar com a despesa corrente e a despesa corrente primária do Estado que o orçamento deste ano previa crescessem 1,5% e 0,7%, respectivamente, mas que até Julho já cresceram 7,8% e 8,7%. Torna-se óbvio que, com esta pletora da vaca marsupial pública, a única maneira de conter o défice é aumentar os impostos (e a dívida pública), que é precisamente o que está acontecer.
Não há Simplex que nos valha. Pelo contrário, quanto mais Simplex, mais complex - outra função zingarilho. Para levar a cabo (no papel) a reengenharia do estado napoleónico-estalinista contratam-se mais uns assessores e uns técnicos e adjudica-se a coisa a uns consultores. Resultado: não se reduz a despesa com vencimentos dos utentes residentes da vaca, por um lado, e aumenta-se a despesa por outro, com os novos residentes e prestadores de serviços. Ao mesmo tempo, a inexorável lei de Parkinson faz aumentar a burocracia dos antigos residentes até encher todo o tempo disponível. Propósito que é fácil, porque é pouco o tempo que fica livre aos residentes depois de tratarem das suas vidinhas.
Para concluir, ainda outra função zingarilho: quando mais durar o período de borla do governo do senhor engenheiro, mais retroactivos os sujeitos passivos lhe irão cobrar. Não será tão cedo, mas chegará a hora da cobrança em que as ilusões do senhor engenheiro serão trocadas por outras do mesmo jaez, na esperança que a coisa se resolve sem dor. Até ao momento em que, em estado de desespero, os sujeitos passivos estarão dispostos a aceitar até a reencarnação do professor Botas.
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24/08/2006
DIÁRIO DE BORDO: as coisas que uma mente perversa fantasia (nos piores dias)
Nos meus piores dias chego a desejar que se apresse o domínio do fundamentalismo islâmico para estas gajas serem enfiadas debaixo duma burkha e feitas escravas sexuais dum qualquer Muhammad que lhes aplique a cultura do cabo eléctrico e lhes arrime umas valentes porradas com o dito.A marmanja aqui ao lado, que se maninfestava em Beirute um dia destes, não precisa de esperar sentada porque está quase a ser recrutada para o harém do xeque Nasrallah cuja foto ostenta orgulhosa.
(Cheguei a esta foto começando n' O Insurgente, continuando no 25 centímetros de neve e chegando a O Jumento. Foi uma longa viagem mas valeu a pena.)
23/08/2006
SERVIÇO PÚBLICO: amnistia de causas
A Amnistia Internacional publicou hoje um relatório onde conclui ter Israel «uma política de destruição deliberada das infra-estruturas civis libanesas, incluindo crimes de guerra, durante o conflito recente».
Admitamos que sim, por agora. E perguntemos: a Amnistia Internacional já anunciou um relatório sobre a política do partido de deus ao serviço do Irão de destruição deliberada das infra-estruturas civis e dos cidadãos israelitas com os seus 12.000-roquetes-12.000 laboriosamente armazenados nas barbas do exército fantoche libanês?
Admitamos que sim, por agora. E perguntemos: a Amnistia Internacional já anunciou um relatório sobre a política do partido de deus ao serviço do Irão de destruição deliberada das infra-estruturas civis e dos cidadãos israelitas com os seus 12.000-roquetes-12.000 laboriosamente armazenados nas barbas do exército fantoche libanês?
CASE STUDY: uma mão à frente e outra atrás
«Um jornalista francês chegou a dar a receita para combater o desemprego elevadíssimo que o país sofria no início do século XX: cada um começa a trabalhar com uma mão atrás das costas», lembrou hoje no Jornal de Notícias Sérgio de Figueiredo, a propósito do estudo de Edward Prescott que baseado nas estatísticas da OCDE explica a pouca vontade dos europeus em geral, e dos franceses em particular, para darem corda aos sapatos pela pesada carga fiscal de que são sujeitos passivos.
22/08/2006
21/08/2006
ESTÓRIA E MORAL: o pior cego é o que não quer ver
Estória
Com a preciosa ajuda do jornalismo de causas (modalidade causas governamentais), o governo vem tentando vender aos sujeitos passivos a ideia de que a economia começou a dar sinais positivos. Se nos lembrarmos que, na situação de estagnação em que se vive faz 3 anos, qualquer centésima de crescimento do PIB parece o começo do fim do calvário, e esquecendo que mesmo esses tímidos sinais podem significar tanto como aquilo que os analistas do mercado de capitais costumam chamar o dead cat jump, a coisa apresentada pelos spin doctors ao serviço do governo parece começar a endireitar-se, sobretudo quando se fala da milagrosa redução do desemprego.
O último milagre foi apresentado pelo INE a semana passada e referido pela imprensa económica, nuns casos com prudência (como aqui ou aqui), noutros com algum lirismo. Foi preciso esperar pelo DN de hoje sob o título «Um em cada seis desistiu de procurar emprego» para mostrar que a «redução (do desemprego) fez-se mais à custa da passagem de desempregados para a inactividade do que pela criação de emprego. Uns terão desistido de procurar emprego porque reuniram as condições para se reformar e outros porque se sentem desencorajados e não acreditam que possam voltar a empregar-se».
E, no entanto, isso mesmo estava escarrapachado na página 10 das Estatísticas de Emprego do INE (disponível com registo), como se pode ver no diagrama seguinte.

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Moral
There are lies, there are damned lies, and there are statistics (Benjamim Disraeli, 1º ministro da rainha Victoria)
Com a preciosa ajuda do jornalismo de causas (modalidade causas governamentais), o governo vem tentando vender aos sujeitos passivos a ideia de que a economia começou a dar sinais positivos. Se nos lembrarmos que, na situação de estagnação em que se vive faz 3 anos, qualquer centésima de crescimento do PIB parece o começo do fim do calvário, e esquecendo que mesmo esses tímidos sinais podem significar tanto como aquilo que os analistas do mercado de capitais costumam chamar o dead cat jump, a coisa apresentada pelos spin doctors ao serviço do governo parece começar a endireitar-se, sobretudo quando se fala da milagrosa redução do desemprego.
O último milagre foi apresentado pelo INE a semana passada e referido pela imprensa económica, nuns casos com prudência (como aqui ou aqui), noutros com algum lirismo. Foi preciso esperar pelo DN de hoje sob o título «Um em cada seis desistiu de procurar emprego» para mostrar que a «redução (do desemprego) fez-se mais à custa da passagem de desempregados para a inactividade do que pela criação de emprego. Uns terão desistido de procurar emprego porque reuniram as condições para se reformar e outros porque se sentem desencorajados e não acreditam que possam voltar a empregar-se».
E, no entanto, isso mesmo estava escarrapachado na página 10 das Estatísticas de Emprego do INE (disponível com registo), como se pode ver no diagrama seguinte.

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Moral
There are lies, there are damned lies, and there are statistics (Benjamim Disraeli, 1º ministro da rainha Victoria)
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jornalismo de causas,
milagres
19/08/2006
18/08/2006
DIÁRIO DE BORDO: com alguns amigos que Israel tem, talvez não precise de tantos inimigos (2)
Sendo cada vez mais obviamente errada a resposta de Israel ao terrorismo do Hezbolah, interrogava-me sobre o que fazer, confessando-me sem nenhuma receita.
Não tenho eu, mas talvez tenha o mercado. Graças ao Google, lá consegui encontrar o rasto do estudo dos Zussman (Asaf da Universidade de Cornell e Noam do Banco de Israel) Assassinations: Evaluating the Effectiveness of a Counterterrorism Policy Using Stock Market Data, aqui citado. Eis o resumo (para abrir o apetite que pode ser saciado aqui):
Não tenho eu, mas talvez tenha o mercado. Graças ao Google, lá consegui encontrar o rasto do estudo dos Zussman (Asaf da Universidade de Cornell e Noam do Banco de Israel) Assassinations: Evaluating the Effectiveness of a Counterterrorism Policy Using Stock Market Data, aqui citado. Eis o resumo (para abrir o apetite que pode ser saciado aqui):
«Assassinating members of Palestinian terrorist organizations was a major element in Israel’s counterterrorism effort during the Palestinian uprising which started in 2000. We evaluate the effectiveness of this policy indirectly by examining Israeli stock market reactions to assassinations. Our approach relies on the assumption that the market should react positively to news of effective counterterrorism measures but negatively to news of counterproductive ones. The main result of the analysis is that the market reacts strongly to assassinations of senior members in Palestinian terrorist organizations: it declines following attempts to assassinate political leaders but rises following attempts to assassinate military ones.»Face às conclusões destes Duponts, eu direi mesmo mais: se a coisa funcionou com o terrorismo palestino, há boas razões para admitir que também pode funcionar com o terrorismo do partido de deus a soldo do Irão. Pode-se começar já com o xeque Nasrallah, cuja cobertura deve estar meio descurada, enquanto comemora o êxito dos seus roquetes com a preciosa e inesperada ajuda dos europeus.
15/08/2006
CASE STUDY: a medicina é mais dolorosa do que a doença (por enquanto)
O insurgente André Azevedo Alves escreve na Dia D do Público de ontem um interessante artigo, aqui transcrito, sobre a transição dum sistema de segurança social baseado na repartição, para um sistema misto em que a componente social seria na mesma base e a componente variável (o excedente) seria capitalizada para cada trabalhador contribuinte para o sistema.
No geral concordo com as suas considerações. Um sistema deste tipo é muito mais equitativo e financeiramente sustentável do que pay-as-you-go em que vivemos. Recorde-se que este último foi introduzido nos finais dos anos 60 e princípio dos anos 70 em quase todos os países europeus, e em Portugal, sustentado nas premissas miríficas da eternidade dum estado de coisas que seria passageiro, como do viu, e apenas tornado possível pela demografia do pós-guerra e os resultados da notável recuperação económica suportada pelo esforço duma geração.
Em relação à escapatória dos custos de transição que o governo alega, para empurrar o problema e a solução mais para frente, como fizeram todos os outros governos que o precederam, André Azevedo Alves não refere que a falácia do governo se sustenta duma questão muito simples frequentemente esquecida: a contabilidade pública não é uma contabilidade de custos e proveitos, com um balanço que reflecte a situação patrimonial e uma demonstração de resultados, mas uma contabilidade de receitas e despesas. Resulta deste pecado original que só são reflectidas nas contas dum ano as despesas liquidadas nesse ano, como em tempos aqui recordei.
É por isso que o governo se preocupa com as consequências naturais da adopção desse sistema misto que o obrigaria a relevar as enormes responsabilidades já incorridas por pensões a pagar e o gigantesco volume das responsabilidades futuras por direitos adquiridos dos actuais activos. É como um icebergue de que se esconde a grande massa submersa. Submersa na incúria, negligência e manipulação fraudulenta do sistema de segurança social a que os governos sem excepção se têm dedicado.
Do relevar dessas responsabilidades decorreria a visibilidade do enorme gap entre a dívida pública nominal e a real. A menos que o governo adoptasse o sistema misto e entregasse à gestão privada o segundo pilar. Mas seria pior a emenda do que o soneto, porque perderia desde logo o volume considerável das contribuições deste segundo pilar, com o qual deixaria de poder financiar o pagamento das pensões em curso.
Não se espere, pois, que este governo, ou qualquer outro que lhe suceda, leve a cabo as dolorosas reformas a não ser quando o horizonte de sustentabilidade da segurança social coincida com seu mandato.
No geral concordo com as suas considerações. Um sistema deste tipo é muito mais equitativo e financeiramente sustentável do que pay-as-you-go em que vivemos. Recorde-se que este último foi introduzido nos finais dos anos 60 e princípio dos anos 70 em quase todos os países europeus, e em Portugal, sustentado nas premissas miríficas da eternidade dum estado de coisas que seria passageiro, como do viu, e apenas tornado possível pela demografia do pós-guerra e os resultados da notável recuperação económica suportada pelo esforço duma geração.
Em relação à escapatória dos custos de transição que o governo alega, para empurrar o problema e a solução mais para frente, como fizeram todos os outros governos que o precederam, André Azevedo Alves não refere que a falácia do governo se sustenta duma questão muito simples frequentemente esquecida: a contabilidade pública não é uma contabilidade de custos e proveitos, com um balanço que reflecte a situação patrimonial e uma demonstração de resultados, mas uma contabilidade de receitas e despesas. Resulta deste pecado original que só são reflectidas nas contas dum ano as despesas liquidadas nesse ano, como em tempos aqui recordei.
É por isso que o governo se preocupa com as consequências naturais da adopção desse sistema misto que o obrigaria a relevar as enormes responsabilidades já incorridas por pensões a pagar e o gigantesco volume das responsabilidades futuras por direitos adquiridos dos actuais activos. É como um icebergue de que se esconde a grande massa submersa. Submersa na incúria, negligência e manipulação fraudulenta do sistema de segurança social a que os governos sem excepção se têm dedicado.
Do relevar dessas responsabilidades decorreria a visibilidade do enorme gap entre a dívida pública nominal e a real. A menos que o governo adoptasse o sistema misto e entregasse à gestão privada o segundo pilar. Mas seria pior a emenda do que o soneto, porque perderia desde logo o volume considerável das contribuições deste segundo pilar, com o qual deixaria de poder financiar o pagamento das pensões em curso.
Não se espere, pois, que este governo, ou qualquer outro que lhe suceda, leve a cabo as dolorosas reformas a não ser quando o horizonte de sustentabilidade da segurança social coincida com seu mandato.
13/08/2006
CASE STUDY: divagações impertinentes
Se é verdade que sempre me pareceu evidente a tese de Ortega y Gasset yo soy yo y mi circunstancia, as minhas experiências no laboratório de filosofia da puta da vida conduziram-me, ao longo dos anos, a adicionar-lhe a tese recíproca la circunstancia es mi circunstancia y soy yo. Seria possível compreender os feitos militares de Napoleão sem os considerar como compensação para o seu minguado atributo masculino? Teria havido a 2.ª invasão do Iraque sem o fellatio desfrutado pelo doutor Clinton? (*)
Vem isto a propósito do desvendar do mistério que, durante mais de 30 anos, foi para mim a fixação obsessiva dum grupelho chamado MRPP no Partido Comunista, nos comunistas em geral e no doutor Álvaro Barreirinhas Cunhal em particular. É certo que todos os grupelhos maoístas europeus nascidos com o levantar dos calhaus parisienses em 68 sofriam da mesma moléstia. Porém, no caso no nosso MRPP, a família fundadora dos Matos (Arnaldo, o grande educador da classe operária, como se auto-intitulava, e o mano Danilo) apresentava-se como um caso tão excessivo que dificilmente se poderia explicar só pela ortodoxia m-l. Ali havia coisa. E coisa do foro da psiquiatria.
Muitos anos depois, ao passar os olhos pela biografia duma galerista chamada Ana Saramago Matos, filha do camarada Danilo e sobrinha do grande educador, percebi tudo. A mocinha é neta do camarada José Saramago e, consequentemente, este camarada, director do Diário de Notícias durante o verão de 1975 e saneador dos desalinhados, incluindo um sortido de fassistas e verdadeiros comunistas do MRPP, é (ou foi) sogro do camarada Danilo, irmão do grande educador. Imaginem-se as cenas familiares, o azedume, os ódios remoídos, a mistura explosiva da parentela com a política. Et voilà.
(*) Ver o resultado das investigações do Impertinências nos posts subtilmente titulados O tamanho interessa? e do fellatio à operação Choque & Cagaço.
Vem isto a propósito do desvendar do mistério que, durante mais de 30 anos, foi para mim a fixação obsessiva dum grupelho chamado MRPP no Partido Comunista, nos comunistas em geral e no doutor Álvaro Barreirinhas Cunhal em particular. É certo que todos os grupelhos maoístas europeus nascidos com o levantar dos calhaus parisienses em 68 sofriam da mesma moléstia. Porém, no caso no nosso MRPP, a família fundadora dos Matos (Arnaldo, o grande educador da classe operária, como se auto-intitulava, e o mano Danilo) apresentava-se como um caso tão excessivo que dificilmente se poderia explicar só pela ortodoxia m-l. Ali havia coisa. E coisa do foro da psiquiatria.
Muitos anos depois, ao passar os olhos pela biografia duma galerista chamada Ana Saramago Matos, filha do camarada Danilo e sobrinha do grande educador, percebi tudo. A mocinha é neta do camarada José Saramago e, consequentemente, este camarada, director do Diário de Notícias durante o verão de 1975 e saneador dos desalinhados, incluindo um sortido de fassistas e verdadeiros comunistas do MRPP, é (ou foi) sogro do camarada Danilo, irmão do grande educador. Imaginem-se as cenas familiares, o azedume, os ódios remoídos, a mistura explosiva da parentela com a política. Et voilà.
(*) Ver o resultado das investigações do Impertinências nos posts subtilmente titulados O tamanho interessa? e do fellatio à operação Choque & Cagaço.
12/08/2006
DIÁRIO DE BORDO: com alguns amigos que Israel tem, talvez não precise de tantos inimigos
Cá em casa não tem havido motivação para entrar no crescente histerismo maniqueísta com que tem sido tratado o reacender do conflito no Médio Oriente. Vou tocar o tema, por uma vez.
É indesmentível que Israel está rodeada de inimigos desejosos de erradicar da região o povo judeu. Está fora de causa que o estado de Israel tem direito à existência e a defender-se pelos meios necessários e razoavelmente adequados. As guerras nunca foram passeios de convivência e nunca o serão e, por isso, ninguém de boa fé pode negar que da acção militar podem sempre resultar baixas «colaterais», por maiores cuidados que as forças militares tenham para as evitar. No contexto da história deste conflito, é relativamente moderado o número de perdas civis infligidas pelas forças armadas israelitas, mesmo esquecendo que um certo número delas serão provavelmente de terroristas do Hezbolah que se servem das populações como escudo, e mesmo sem descontar a hábil montagem do braço mediático do fundamentalismo islâmico sabujamente servido pelo jornalismo de causas.
É, aliás, insuportável ouvir o choro hipócrita pelas «vítimas inocentes» das pudicas virgens que apoiam Castro, têm dúvidas sobre se a Coreia do Norte é uma democracia, e silenciaram e silenciam os milhões de vítimas das várias modalidades do colectivismo.
Então o que está errado? Está errado Israel, 24 anos depois de ter entrado no vespeiro do Líbano à caça da Fatah, voltar a fazê-lo por um inimigo mais fanático, muito melhor organizado e armado. É uma guerra que não pode ganhar. Teria que incendiar o palheiro para encontrar a agulha do partido de deus e com isso destruir por 1 ou 2 gerações o que resta do estado libanês, que chegou a ser um dia a Suíça do médio oriente, alimentando o fanatismo islâmico, alienando o povo islâmico que não participa das encenações montadas com a cumplicidade da imprensa ocidental e alienando mais alguns dos seus últimos amigos e, finalmente, ficando numa situação pior do que o ponto de partida.
É uma estratégia errada. Sharon, que várias vezes foi provocado com incursões do Hezbolah sem reagir, não a teria adoptado e essa estratégia mostra mais fraqueza do que força. O que fazer? Não tenho nenhuma receita.
É indesmentível que Israel está rodeada de inimigos desejosos de erradicar da região o povo judeu. Está fora de causa que o estado de Israel tem direito à existência e a defender-se pelos meios necessários e razoavelmente adequados. As guerras nunca foram passeios de convivência e nunca o serão e, por isso, ninguém de boa fé pode negar que da acção militar podem sempre resultar baixas «colaterais», por maiores cuidados que as forças militares tenham para as evitar. No contexto da história deste conflito, é relativamente moderado o número de perdas civis infligidas pelas forças armadas israelitas, mesmo esquecendo que um certo número delas serão provavelmente de terroristas do Hezbolah que se servem das populações como escudo, e mesmo sem descontar a hábil montagem do braço mediático do fundamentalismo islâmico sabujamente servido pelo jornalismo de causas.
É, aliás, insuportável ouvir o choro hipócrita pelas «vítimas inocentes» das pudicas virgens que apoiam Castro, têm dúvidas sobre se a Coreia do Norte é uma democracia, e silenciaram e silenciam os milhões de vítimas das várias modalidades do colectivismo.
Então o que está errado? Está errado Israel, 24 anos depois de ter entrado no vespeiro do Líbano à caça da Fatah, voltar a fazê-lo por um inimigo mais fanático, muito melhor organizado e armado. É uma guerra que não pode ganhar. Teria que incendiar o palheiro para encontrar a agulha do partido de deus e com isso destruir por 1 ou 2 gerações o que resta do estado libanês, que chegou a ser um dia a Suíça do médio oriente, alimentando o fanatismo islâmico, alienando o povo islâmico que não participa das encenações montadas com a cumplicidade da imprensa ocidental e alienando mais alguns dos seus últimos amigos e, finalmente, ficando numa situação pior do que o ponto de partida.
É uma estratégia errada. Sharon, que várias vezes foi provocado com incursões do Hezbolah sem reagir, não a teria adoptado e essa estratégia mostra mais fraqueza do que força. O que fazer? Não tenho nenhuma receita.
10/08/2006
BLOGARIDADES: conservado em criogénio
Na minha juventude dei umas esmolas para o peditório do anti-fassismo e da esquerdalhada. Não muitas, mas o suficiente para ficar dispensado de mais óbolos até ao fim dos meus dias. É por isso que não devem contar comigo para ler aqueles blogues que vocês sabem. E muito menos falar deles. Só abro uma excepção para as sofisticações dalgum radical chic ou de esquerda inteligente, aqui representada (à direita) pelo A Praia.
Esclareço isto para não se imaginar que frequentei a criatura conservada em criogénio que habita o blogue escalpelizado aqui pelo blasfemo João Miranda, que não encontrou nada mais interessante para escalpelizar (estamos na silly season). A criatura enviou uma «mensagem de solidariedade ao povo cubano» reproduzida no Granma que reza assim (nunca o verbo rezar foi tão adequado):
Esclareço isto para não se imaginar que frequentei a criatura conservada em criogénio que habita o blogue escalpelizado aqui pelo blasfemo João Miranda, que não encontrou nada mais interessante para escalpelizar (estamos na silly season). A criatura enviou uma «mensagem de solidariedade ao povo cubano» reproduzida no Granma que reza assim (nunca o verbo rezar foi tão adequado):
"Queridos camaradas,Soy militante del Partido Comunista Portugués y amo profundamente la Revolución Cubana, patrimonio indestructible de la Humanidad. Quiero, en mi nombre y en este de mi familia, desear la lista recuperación de nuestro Comandante Fidel Castro. Quiero, también, garantizar que somos muchos millares lo que, en Portugal, estamos listos para defender a Cuba contra los nazis conducidos por esta siniestra figura de nombre Bush. ¡La lucha continua!¡Viva la Revolución Cubana!"Brr. E eu a pensar que estavam extintos.
09/08/2006
BREIQUINGUE NIUZ: desaparecidos em combate
Faz amanhã 4 semanas que o ministro das Finanças fez no parlamento o anúncio mais espantoso deste século: 120.000 (cento e vinte mil) funcionários públicos tinham desaparecido em 7 anos.
Na penúltima contagem em 1999, durante o consolado do saudoso picareta falante, tinham sido encontrados cerca de 700 mil funcionários. Nos anos seguintes, somando as entradas e subtraindo as demissões e reformas foi-se chegando a um número de 750.000, que parece ter sido durante algum tempo a única coisa que tinha o consenso do governo e da oposição. Foi assim. O doutor Teixeira dos Santos estragou a plataforma numérica do bloco central (o BE e o PCP não se interessam por coisas da aritmética e o CDS andava ocupado com os ex-combatentes que não desapareceram em combate) anunciando que «existem 580.291 funcionários públicos em Portugal».
Não são cerca de 600 mil, nem mesmo cerca de 580 mil, ou ainda cerca de 580.300. Nada disso. São exactamente 580.291, quinhentos e oitenta mil duzentos e noventa e um. Noventa e um, note-se.
Perguntareis: mas porquê só agora ó impertinente falas deste anúncio, velho de 4 semanas? E eu respondo: estive à espera do rebentar do escândalo, da moção de censura, do levantamento dos sindicatos, duma insurreição, do protesto da ordem dos técnicos de estatística. Em vão. Com a maior tranquilidade, a nossa democracia mostrou a sua maturidade. A coisa morreu na hora e no local.
À primeira vista pareceu-me incompreensível. Depois, dia após dia, nestas 4 semanas, amadureci o assunto e cheguei a uma aliviante conclusão. Considerando os tropeços com a aritmética que os patrícios têm evidenciado nos últimos 30 anos, exemplificados com as obras públicas que deveriam durar dois anos e duram cinco, ou que deveriam custar 100 e acabam custando 600, o desaparecimento de 120.000 utentes da vaca marsupial pública acabou por me parecer um episódio menor. Afinal são só 16%.
Na penúltima contagem em 1999, durante o consolado do saudoso picareta falante, tinham sido encontrados cerca de 700 mil funcionários. Nos anos seguintes, somando as entradas e subtraindo as demissões e reformas foi-se chegando a um número de 750.000, que parece ter sido durante algum tempo a única coisa que tinha o consenso do governo e da oposição. Foi assim. O doutor Teixeira dos Santos estragou a plataforma numérica do bloco central (o BE e o PCP não se interessam por coisas da aritmética e o CDS andava ocupado com os ex-combatentes que não desapareceram em combate) anunciando que «existem 580.291 funcionários públicos em Portugal».
Não são cerca de 600 mil, nem mesmo cerca de 580 mil, ou ainda cerca de 580.300. Nada disso. São exactamente 580.291, quinhentos e oitenta mil duzentos e noventa e um. Noventa e um, note-se.
Perguntareis: mas porquê só agora ó impertinente falas deste anúncio, velho de 4 semanas? E eu respondo: estive à espera do rebentar do escândalo, da moção de censura, do levantamento dos sindicatos, duma insurreição, do protesto da ordem dos técnicos de estatística. Em vão. Com a maior tranquilidade, a nossa democracia mostrou a sua maturidade. A coisa morreu na hora e no local.
À primeira vista pareceu-me incompreensível. Depois, dia após dia, nestas 4 semanas, amadureci o assunto e cheguei a uma aliviante conclusão. Considerando os tropeços com a aritmética que os patrícios têm evidenciado nos últimos 30 anos, exemplificados com as obras públicas que deveriam durar dois anos e duram cinco, ou que deveriam custar 100 e acabam custando 600, o desaparecimento de 120.000 utentes da vaca marsupial pública acabou por me parecer um episódio menor. Afinal são só 16%.
08/08/2006
SERVIÇO PÚBLICO: ser singular é cada vez mais plural
Mais de 1/3 dos contribuintes da Segurança Social têm um dos 36 regimes contributivos especiais com taxas sociais únicas inferiores à geral. Para que não houvesse dúvidas sobre o ímpeto reformista do governo, este já garantiu a continuidade de algumas dessas situações.
Enquanto isso, o governo mantém a disposição de continuar a aumentar a contribuição mínima dos profissionais liberais, mostrando assim a sua preferência por um trade off que consiste em aliviar os apertos do presente à custa de maiores apertos do futuro.
(Fonte: DN)
Enquanto isso, o governo mantém a disposição de continuar a aumentar a contribuição mínima dos profissionais liberais, mostrando assim a sua preferência por um trade off que consiste em aliviar os apertos do presente à custa de maiores apertos do futuro.
(Fonte: DN)
06/08/2006
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o clube do esperma sortudo
Secção Assaults of thoughts
Warren Buffett, o Sage of Omaha, presidente da Berkshire Hathaway, um dos maiores grupos financeiros do mundo, foi aqui recentemente citado a propósito do seu donativo à fundação Gates. Indesculpavelmente não foram citadas as suas explicações para o facto de ter preferido entregar a maior parte de sua fortuna à fundação Gates em vez de a deixar para a sua criação torrar com aquela insanidade habitual em quem delapida o que ganhou sem esforço (*). A sua explicação é todo um programa de vida: «não acredito na riqueza dinástica» e «o sistema de mercado não tem funcionado em termos dos pobres», disse, ridicularizando de caminho os herdeiros chamando-lhes «membros do clube do esperma sortudo» (pague para ver o NY Times ou leia à borla esta entrevista do Sage à Fortune onde ele não mostra o jogo todo).
2 afonsos pelo donativo e 3 pelo programa de vida.
(*) Até na nossa paróquia podemos encontrar esta espécie abundantemente representada em certos meios e nas revistas do social. É claro que estão tão perto dos filhos de Warren Buffett, no dinheiro e no resto, como o senhor Joe Berardo está próximo do Sage, no dinheiro e principalmente no resto.
Warren Buffett, o Sage of Omaha, presidente da Berkshire Hathaway, um dos maiores grupos financeiros do mundo, foi aqui recentemente citado a propósito do seu donativo à fundação Gates. Indesculpavelmente não foram citadas as suas explicações para o facto de ter preferido entregar a maior parte de sua fortuna à fundação Gates em vez de a deixar para a sua criação torrar com aquela insanidade habitual em quem delapida o que ganhou sem esforço (*). A sua explicação é todo um programa de vida: «não acredito na riqueza dinástica» e «o sistema de mercado não tem funcionado em termos dos pobres», disse, ridicularizando de caminho os herdeiros chamando-lhes «membros do clube do esperma sortudo» (pague para ver o NY Times ou leia à borla esta entrevista do Sage à Fortune onde ele não mostra o jogo todo).
2 afonsos pelo donativo e 3 pelo programa de vida.
(*) Até na nossa paróquia podemos encontrar esta espécie abundantemente representada em certos meios e nas revistas do social. É claro que estão tão perto dos filhos de Warren Buffett, no dinheiro e no resto, como o senhor Joe Berardo está próximo do Sage, no dinheiro e principalmente no resto.
05/08/2006
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: a coerência do mal e o bem da incoerência
- Porventura consideras a coerência como uma virtude, Calisto?(Diálogo lido neste inspirado post do bomba inteligente, a propósito do que o doutor Miguel Sousa Tavares disse do ditador Castro, que também poderia ser dito a propósito de Hitler, de Estaline ou simplesmente do nosso Botas)
- Sim, porque devemos agir segundo as nossas convicções.
- Então se as nossas convicções forem de má índole, ainda te parecerá uma virtude?
- O que é mau para uns pode não ser mau para outros.
- Então, estás disposto a elogiar um serial killer?
- Não, claro que não!
- Mas um serial killer é coerente, logo será, segundo dizes, virtuoso.
- Não, porque nesse caso trata-se de elogiar a coerência no mal e não no bem e o mal nunca pode ser elogiado.
- Mas se é assim, Calisto, o que deve ser elogiado é o bem e não a coerência, se não corremos o risco de confundirmos Ética com Estética e de perpetuarmos o conforto do relativismo.
04/08/2006
03/08/2006
SERVIÇO PÚBLICO: extorsão pura e simples
No seu afã de espremer os sujeitos passivos, o governo não cessa de imaginar novas formas de o fazer. O ministro da Insegurança Social (*) enviou mais uma sonda para o espaço mediático. Anunciou o ministro a intenção de aplicar a taxa social única a «novas formas de remuneração como as despesas de representação, a utilização de carro, as indemnizações por extinção de contrato de trabalho ou as ajudas de custo».
Extorsão pura e simples. Porquê? Elementar meu caro Watson. A TSU não é um imposto para financiar as despesas do estado. A taxa social única (TSU) é uma taxa para determinar a contribuição definida para um fundo de pensões compulsivamente criado pelo estado para proporcionar um benefício no futuro aos participantes do fundo. Até há alguns anos, este benefício era um benefício definido. Gradualmente, o benefício tornou-se cada vez menos definido e, eventualmente, até não garantido.
A TSU incide sobre a remuneração que servirá de base para calcular a pensão estatutária. Se o governo alargar a incidência da TSU às novas formas de remuneração deveria lógica e equitativamente passar a incluí-las na remuneração anual. Se o fizer, aumentará as pensões mais elevadas, precisamente aquelas que o governo na sua obsessão igualitária quer reduzir. Mas é claro que o governo não tem a mínima intenção de aumentar essas pensões, nem faria sentido quando o sistema ameaça colapsar. O governo pretende simplesmente adiar o colapso, extorquindo mais umas massas, usando um esquema arbitrário que a ser aplicado desligaria ainda mais as contribuições dos benefícios, promovendo a irresponsabilidade individual e colocando os contribuintes cada vez mais na dependência da engenharia social do estado colectivista. E tudo isto com o aplauso do imenso rebanho de dependentes e a paralisia dos sujeitos passivos.
(*) O ministro, recorde-se, fez parte do governo do picareta falante que prometeu 50 anos de sustentabilidade financeira do sistema.
Extorsão pura e simples. Porquê? Elementar meu caro Watson. A TSU não é um imposto para financiar as despesas do estado. A taxa social única (TSU) é uma taxa para determinar a contribuição definida para um fundo de pensões compulsivamente criado pelo estado para proporcionar um benefício no futuro aos participantes do fundo. Até há alguns anos, este benefício era um benefício definido. Gradualmente, o benefício tornou-se cada vez menos definido e, eventualmente, até não garantido.
A TSU incide sobre a remuneração que servirá de base para calcular a pensão estatutária. Se o governo alargar a incidência da TSU às novas formas de remuneração deveria lógica e equitativamente passar a incluí-las na remuneração anual. Se o fizer, aumentará as pensões mais elevadas, precisamente aquelas que o governo na sua obsessão igualitária quer reduzir. Mas é claro que o governo não tem a mínima intenção de aumentar essas pensões, nem faria sentido quando o sistema ameaça colapsar. O governo pretende simplesmente adiar o colapso, extorquindo mais umas massas, usando um esquema arbitrário que a ser aplicado desligaria ainda mais as contribuições dos benefícios, promovendo a irresponsabilidade individual e colocando os contribuintes cada vez mais na dependência da engenharia social do estado colectivista. E tudo isto com o aplauso do imenso rebanho de dependentes e a paralisia dos sujeitos passivos.
(*) O ministro, recorde-se, fez parte do governo do picareta falante que prometeu 50 anos de sustentabilidade financeira do sistema.
02/08/2006
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: não têm perdão
Segundo um estudo da Deloitte baseado em dados de 2002, e citado pelo Jornal de Negócios, 55% dos trabalhadores, perdão empregados, municipais tem 6 ou menos anos de escolaridade. Em média cada empregado municipal falta 22 dias úteis (um mês de calendário) por ano.
Perante esta situação da qual os próprios songamogas estacionados nas autarquias são os primeiros responsáveis, o que dirá o papagaio que está no lugar do presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses? Que as câmaras vão arregaçar as mangas e enxotar para trabalhar a choldra que vive à custa dos sujeitos passivos e mandar os sobejantes para casa?
Nada disso. O papagaio é um intelectual. O papagaio diz coisas como «acompanhar e controlar o posicionamento dos municípios no contexto nacional», precaver «algum tipo de ataque menos fundamentado», «uma espécie de balanço social que convém aos municípios terem» e outras vacuidades semelhantes. Acaba concluindo que o problema «ultrapassa» os autarcas e que a coisa «tem sido colocado à tutela».
Ultrapassa? Colocado à tutela? O que está o papagaio e os outros milhares de aparatchiks a fazer nas mais de 3 centenas de câmaras que infestam o país?
Em qualquer empresa de vão de escada a maioria deles teria sido escorraçada por incompetência e corrupção. Não têm perdão.
Perante esta situação da qual os próprios songamogas estacionados nas autarquias são os primeiros responsáveis, o que dirá o papagaio que está no lugar do presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses? Que as câmaras vão arregaçar as mangas e enxotar para trabalhar a choldra que vive à custa dos sujeitos passivos e mandar os sobejantes para casa?
Nada disso. O papagaio é um intelectual. O papagaio diz coisas como «acompanhar e controlar o posicionamento dos municípios no contexto nacional», precaver «algum tipo de ataque menos fundamentado», «uma espécie de balanço social que convém aos municípios terem» e outras vacuidades semelhantes. Acaba concluindo que o problema «ultrapassa» os autarcas e que a coisa «tem sido colocado à tutela».
Ultrapassa? Colocado à tutela? O que está o papagaio e os outros milhares de aparatchiks a fazer nas mais de 3 centenas de câmaras que infestam o país?
Em qualquer empresa de vão de escada a maioria deles teria sido escorraçada por incompetência e corrupção. Não têm perdão.
01/08/2006
NÓS VISTOS POR ELES: a não ser que seja socialista
«Gosto de Pessoa porque este detestava experiências, porque era humilde, e porque se apercebeu que aqui, na Terra, apenas coabitam as pessoas, e quem sabe Deus. Ou seja, o homem é um ser tão ridículo que, a não ser que seja socialista, não tem capacidade para construir uma ordem social superior resultante da relação livre e interessada entre os vários indivíduos.» (Miguel Angel Belloso, no DE)Nós? Nós e os outros.
30/07/2006
CASE STUDY: filantropia compulsiva
A pianista Maria João Pires vai «descansar de Portugal» para o Brasil. «Sofri fisicamente todos os anos que me dediquei ao projecto» (Belgais), explica.
Percebe-se o cansaço e o sofrimento, porque não é fácil fazer filantropia com o dinheiro dos sujeitos passivos, sempre a refilarem e a lamentarem cada cêntimo dos Eur 1.820.000 extorquidos pelo fisco para o ministério da Educação atirar para cima do projecto em 6 anos, para pagar, entre outras fantasias, 2 professores para 5 alunos.
Os Bill Gates, os Warren Buffet e até o nosso Champas teriam muito a aprender com Maria João Pires em matéria de empreendedorismo filantrópico.
Declaração de desinteresse:
Tenho contribuído regular, voluntariamente e com gusto para os rendimentos da pianista, comprando muito da sua produção.
Percebe-se o cansaço e o sofrimento, porque não é fácil fazer filantropia com o dinheiro dos sujeitos passivos, sempre a refilarem e a lamentarem cada cêntimo dos Eur 1.820.000 extorquidos pelo fisco para o ministério da Educação atirar para cima do projecto em 6 anos, para pagar, entre outras fantasias, 2 professores para 5 alunos.
Os Bill Gates, os Warren Buffet e até o nosso Champas teriam muito a aprender com Maria João Pires em matéria de empreendedorismo filantrópico.
Declaração de desinteresse:
Tenho contribuído regular, voluntariamente e com gusto para os rendimentos da pianista, comprando muito da sua produção.
ARTIGO DEFUNTO: a star is born
A foto (um plano americano), do senhor Joe Berardo, com ar satisfeito, pousando para a campanha do cartão American Express (daí tratar-se dum plano americano), ocupa 1/4 da 1.ª página do caderno Economia do Expresso.Qual é o interesse jornalístico da coisa perguntarão os cépticos? Aquele ar maroto revela, mais do que esconde, uma satisfação íntima de quem se imagina admirado por uns cem mil sujeitos passivos, parte de um vasto universo de tansos que não lêem o tablóide formato standard de Paço de Arcos, mas que lhe pagam o museu e lhe arredondam a colecção. Não chega?
29/07/2006
CASE STUDY: o hacking é a continuação da política dos motherfuckers por outros meios
Por falta de tempo, não tenho acompanhado a pirataria ao Abrupto. E, por falta de ciência, ainda não percebi se é hacking, blogger identity theft ou outra qualquer coisa. Como quer que seja, acho razoável especular que tem propósitos políticos. Pois se até a insignificância do Impertinências mereceu em tempos o interesse de motherfuckers a quem dediquei a seguinte oração:
To all those motherfuckers who have sent me emails with virus, I wish they burn in the hells of theirs and be expelled from their shitty trade unions, get knocked to death in antiglobalization demonstrations, be left behind by their Elbeegitee companions, get the needle with the shot be buried into their eyes, be no more invited by the other snobbish creatures, or get sodomized with a dynamite cartridge by the Jihad militia.(oração e o relato no post «To whom it may be concerned – the motherfuckers», onde os principais motherfuckers estão identificados)
Amen.
27/07/2006
SERVIÇO PÚBLICO: É isto surpreendente? Não de todo. (3)
Já não se trata apenas de não encontrar as soluções, trata-se de não saber qual o problema.
Não só os utentes da vaca marsupial pública com lugar cativo não dão mostra de diminuir em número e custo, como os aspirantes ao lugar cativo aumentam assustadoramente. Diz o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado que as despesas com os temporários aumentaram 46,8% em 2005 para 45,8 milhões de euros e as com os avençados ou atarefados terão aumentado 12,6% para 40,2 milhões. E queixam-se os aparatchiks sindicais que as despesas com o pessoal do lugar cativo só «aumentaram apenas 2,1% – um valor inferior ao aumento salarial de tabela que foi de 2,2% – para 5.553,4 milhões de euros». Convém lembrar que este «apenas 2,1%» se segue a um aumento das aposentações e a um suposto congelamento de progressões automáticas. (Fonte JN)
É a lei de Parkinson. Ainda hoje a patroa ficou 3 horas numa repartição de finanças à espera que os sistemas desentupissem. Não tem remédio. Não há simplex que nos valha.
Não só os utentes da vaca marsupial pública com lugar cativo não dão mostra de diminuir em número e custo, como os aspirantes ao lugar cativo aumentam assustadoramente. Diz o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado que as despesas com os temporários aumentaram 46,8% em 2005 para 45,8 milhões de euros e as com os avençados ou atarefados terão aumentado 12,6% para 40,2 milhões. E queixam-se os aparatchiks sindicais que as despesas com o pessoal do lugar cativo só «aumentaram apenas 2,1% – um valor inferior ao aumento salarial de tabela que foi de 2,2% – para 5.553,4 milhões de euros». Convém lembrar que este «apenas 2,1%» se segue a um aumento das aposentações e a um suposto congelamento de progressões automáticas. (Fonte JN)
É a lei de Parkinson. Ainda hoje a patroa ficou 3 horas numa repartição de finanças à espera que os sistemas desentupissem. Não tem remédio. Não há simplex que nos valha.
26/07/2006
BREIQUINGUE NIUZ: nós por cá
«Um antigo analista da casa de investimento Robertson Stephens foi condenado a pagar dois milhões de dólares após ter sido considerado culpado de enganar os investidores com opiniões demasiado optimistas sobre alguns títulos na época da bolha dotcom.» (JN)
Nós por cá temos o gato por lebre.
Nós por cá temos o gato por lebre.
SERVIÇO PÚBLICO: simplex e reforcex
Sob o lema "Simplificar e reforçar direitos" a Unidade de Missão (que bonito nome!) apresentou hoje ao ministro da Justiça o anteprojecto da revisão do Código do Processo Penal. «Entre as principais alterações, inclui-se a redução dos prazos de prisão preventiva ... O limite máximo de quatro anos e nove meses passa para...», passa para, passa para, passa para?
15 dias? Gelado. 3 meses? Muito frio. Um ano? Frio. Última tentativa: dois anos? Morno. Quatro-anos-quatro.
Lá terei que actualizar o Glossário das Impertinências, onde prisão preventiva (Juridiquês), estava assim definida:
15 dias? Gelado. 3 meses? Muito frio. Um ano? Frio. Última tentativa: dois anos? Morno. Quatro-anos-quatro.
Lá terei que actualizar o Glossário das Impertinências, onde prisão preventiva (Juridiquês), estava assim definida:
Medida prevista na lei e aplicável aos putativos arguidos, que consubstancia uma regalia dos investigadores, dos juizes e dos funcionários judiciais, permitindo-lhes prosseguir e documentar, cuidadosamente e sem pressas desnecessárias, uma investigação. Em certos casos pode atingir 4,5 anos.
25/07/2006
CASE STUDY: a falta que faz um plano tecnológico
Ray Ozzie, o cinquentão a quem a Microsoft comprou a Groove Networks, actual chief technical officer da Microsoft, escolhido o mês passado por Bill Gates para o substituir gradualmente como chief software arquitect, escreveu há 20 anos as primeiras 3.500.000 (três e meio milhões) linhas de código do Lotus Notes, uma solução absolutamente inovadora de software «cooperativo».O que teria feito nos seus trintas o bom do Ozzie se andasse por aqui na paróquia lusitana por essa altura? Escreveria ele, como empresário das TI, nem que fosse umas linhazitas de código, fosse do que fosse, mesmo de vapourware? Não estou a ver. Provavelmente nem seria capaz de reconhecer o mais banal dos comandos da mais banal de linguagens de programação. Ficaria aliás desqualificado no meio se soubesse fazer alguma coisa de aproveitável. Seria em contrapartida um conhecedor do sistema de incentivos, dos fundos estruturais e dos restaurantes in da época (hoje quase todos fechados), usaria um lencinho no bolso, talvez, seria portador dum double windsor, quem sabe?, e falaria políticonomês, certamente.
A falta que faz um plano tecnológico.
23/07/2006
SERVIÇO PÚBLICO: É isto surpreendente? Não de todo.(2)
Não tem solução? Tem sim senhor. Tem a solução que as organizações com sucesso aplicam. Perguntem a quem sabe. Terminava assim o post de há dias sobre a pletora de utentes da vaca marsupial pública que o governo do engenheiro Sócrates vem alimentando, enquanto entretém a imprensa com anúncios dos amanhãs que cantam.
Se há organizações que pouca gente considera de sucesso aqui no burgo são as seguradoras, o patinho feio dos serviços financeiros. Enquanto a banca resplandece de eficiência e lucros, as seguradoras empalidecem na sombra do seu cinzentismo e dos seus lucros medíocres. Por isso, se comparasse as resplandecentes organizações bancárias geridas por mediáticas luminárias com o monstro do doutor Cavaco, o estado napoleónico-estalinista, todos os que me lessem não me levariam a sério (ainda me levariam menos a sério).
Ilustre-se o crescimento do monstro desde 1986 usando o gráfico seguinte do doutor Frasquilho publicado recentemente no Jornal de Negócios:

Compare-se com a evolução do mercado segurador português no mesmo período. Qual era a situação em 1986? Um pouco parecida com a do monstro: uma maioria de empresas paquidérmicas, com destaque para as empresas públicas que controlavam 80% do volume da facturação. O volume dos prémios brutos emitidos era então de PTE 114 mil milhões, o que a preços correntes de 2005 valeria hoje Eur 1,7 milhões. Para atingir esse volume de produção, as seguradoras precisaram nesse longínquo 1986, ano da entrada na comunidade europeia, de cerca de 14.000 trabalhadores, incluindo songamongas parecidos com os seus homólogos utentes da vaca.
Em 2005, menos de 20 anos depois, com as empresas públicas representando um pouco mais de 20% do mercado (1), cerca de 10.500 trabalhadores, incluindo ainda os songamongas sobreviventes, produziam Eur 13,6 mil milhões. Dito de outro modo, a produtividade medida por PBE/trabalhador a preços de 2005 aumentou de Eur 118 mil para Eur 1,3 milhões, isto é 11 vezes, a um ritmo anual superior a 10%.(2)
Imagine-se os serviços do estado a serem geridos pela cinzenta mediocracia seguradora, a enfrentarem a concorrência, a lutarem pela sobrevivência e a prestar contas a accionistas. É preciso acrescenter mais alguma coisa?
Notas soltas:
(1) Já tinha sido menos, mas com as manobras dos governos do engenheiro Guterres e do doutor José Manuel, a Mundial Confiança, primeiro, e a Império e a Bonança, depois, foram re-nacionacionalizadas e empurradas para dentro do paquidérmico grupo Caixa.
(2) Os puristas poderão dizer que as coisas não são comparáveis, o que é verdade, porque o ramo Vida, que aumentou a sua quota de menos de 10% para quase 70%, com as suas operações de capitalização, PPRs, etc., é muito menos mão-de-obra intensivo e o recurso ao outsourcing aumentou. Poderão dizer, mas deverão calar-se perante o aumento de 11 vezes da produtividade e da redução drástica do rácio de despesas.
Se há organizações que pouca gente considera de sucesso aqui no burgo são as seguradoras, o patinho feio dos serviços financeiros. Enquanto a banca resplandece de eficiência e lucros, as seguradoras empalidecem na sombra do seu cinzentismo e dos seus lucros medíocres. Por isso, se comparasse as resplandecentes organizações bancárias geridas por mediáticas luminárias com o monstro do doutor Cavaco, o estado napoleónico-estalinista, todos os que me lessem não me levariam a sério (ainda me levariam menos a sério).
Ilustre-se o crescimento do monstro desde 1986 usando o gráfico seguinte do doutor Frasquilho publicado recentemente no Jornal de Negócios:

Compare-se com a evolução do mercado segurador português no mesmo período. Qual era a situação em 1986? Um pouco parecida com a do monstro: uma maioria de empresas paquidérmicas, com destaque para as empresas públicas que controlavam 80% do volume da facturação. O volume dos prémios brutos emitidos era então de PTE 114 mil milhões, o que a preços correntes de 2005 valeria hoje Eur 1,7 milhões. Para atingir esse volume de produção, as seguradoras precisaram nesse longínquo 1986, ano da entrada na comunidade europeia, de cerca de 14.000 trabalhadores, incluindo songamongas parecidos com os seus homólogos utentes da vaca.
Em 2005, menos de 20 anos depois, com as empresas públicas representando um pouco mais de 20% do mercado (1), cerca de 10.500 trabalhadores, incluindo ainda os songamongas sobreviventes, produziam Eur 13,6 mil milhões. Dito de outro modo, a produtividade medida por PBE/trabalhador a preços de 2005 aumentou de Eur 118 mil para Eur 1,3 milhões, isto é 11 vezes, a um ritmo anual superior a 10%.(2)
Imagine-se os serviços do estado a serem geridos pela cinzenta mediocracia seguradora, a enfrentarem a concorrência, a lutarem pela sobrevivência e a prestar contas a accionistas. É preciso acrescenter mais alguma coisa?
Notas soltas:
(1) Já tinha sido menos, mas com as manobras dos governos do engenheiro Guterres e do doutor José Manuel, a Mundial Confiança, primeiro, e a Império e a Bonança, depois, foram re-nacionacionalizadas e empurradas para dentro do paquidérmico grupo Caixa.
(2) Os puristas poderão dizer que as coisas não são comparáveis, o que é verdade, porque o ramo Vida, que aumentou a sua quota de menos de 10% para quase 70%, com as suas operações de capitalização, PPRs, etc., é muito menos mão-de-obra intensivo e o recurso ao outsourcing aumentou. Poderão dizer, mas deverão calar-se perante o aumento de 11 vezes da produtividade e da redução drástica do rácio de despesas.
22/07/2006
TRIVIALIDADES: 'retratos do trabalho' na edp
O "toque" de Mexia, segundo o Diário Económico, visto pel'O Independente.
('Retratos do trabalho', Copyright Abrupto)
('Retratos do trabalho', Copyright Abrupto)
20/07/2006
O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: o que é grave é fingir que se faz o lugar do outro e não fazer o lugar próprio
A propósito do «É isto surpreendente? Não de todo.», escreve um detractor acidental que «o grave não é isso (o aumento dos utentes da vaca), que até contribui para diminuir o desemprego, o grave é o Governo (com maiúscula) não conseguir o crescimento da economia».
Peço licença para discordar. Não é grave o governo (com minúscula) não conseguir o crescimento da economia, porque os «200 palhaços que vão à televisão falar de economia» (professor João César das Neves) a única coisa que conseguem é fazer crescer a economia mediática. Não é grave o governo não fazer o que compete às empresas, aos empresários, aos trabalhadores e aos gestores. É grave o governo não fazer o que lhe compete.
Peço licença para discordar. Não é grave o governo (com minúscula) não conseguir o crescimento da economia, porque os «200 palhaços que vão à televisão falar de economia» (professor João César das Neves) a única coisa que conseguem é fazer crescer a economia mediática. Não é grave o governo não fazer o que compete às empresas, aos empresários, aos trabalhadores e aos gestores. É grave o governo não fazer o que lhe compete.
SERVIÇO PÚBLICO: É isto surpreendente? Não de todo.
O monstro, segundo um dos seus pais (o doutor Cavaco, recorde-se), o Moloch, segundo a Joana do Semiramis, ou o estado napoleónico-estalinista encarnado na vaca marsupial pública não pára de crescer. Se o ano passado a vaca teve um ganho líquido de (apenas) 4.401 utentes isso ficou a dever-se ao facto do governo do engenheiro Sócrates só ter tido pouco mais de meio ano de exercício do período de borla.
Este ano, já com a máquina aquecida, o governo do engenheiro Sócrates começou a mostrar do que é capaz. Nos primeiros seis meses do ano, enviou para a reforma (com 90% do último salário) 12.254 utentes da vaca e pendurou nas suas enfezadas tetas 22.420 outros utentes efectivos e um número desconhecido de utentes clandestinos (fonte Diário Económico). Em duas penadas, o objectivo de reduzir «pelo menos 75 mil efectivos (que) ao longo dos quatro anos de legislatura» metamorfoseou-se num objectivo de reduzir 89.567 efectivos em 2,5 anos.
É isto surpreendente? Não de todo. Será para os sujeitos passivos que, além de passivos, sejam distraídos. Esquecendo as teorias conspiratórias (o propósito secreto do governo é arruinar definitivamente o monstro para vender o ouro ao bandido - os espanhóis, por exemplo), deixando de lado outras teorias igualmente especulativas, a explicação verosímil é pura e simples incompetência. Nesta área vê-se definitivamente melhor do que, por exemplo, no éter do plano tecnológico e das outras fantasias com que o governo tem entretido o povo.
Que outra coisa seria esperar dum bando de gente que, na sua maioria nunca teve uma profissão, não faz a mínima ideia de como se gere uma organização, que imagina que transformar a horripilante monstruosidade da vaca em qualquer coisa que justifique a usurpação de recursos do país se possa fazer com discursos e ejaculações legislativas? Algum dia alguém viu uma organização monopolista com 750.000 empregados e com poderes soberanos de extorquir dinheiro à sociedade civil auto-refomar-se? Pode o governo coleccionar simplexes aos centos que a inelutável lei de Parkinson irá expandir a burocracia até encher o tempo disponível de 750.000 songamongas and counting.
Não tem solução? Tem sim senhor. Tem a solução que as organizações com sucesso aplicam. Perguntem a quem sabe.
Este ano, já com a máquina aquecida, o governo do engenheiro Sócrates começou a mostrar do que é capaz. Nos primeiros seis meses do ano, enviou para a reforma (com 90% do último salário) 12.254 utentes da vaca e pendurou nas suas enfezadas tetas 22.420 outros utentes efectivos e um número desconhecido de utentes clandestinos (fonte Diário Económico). Em duas penadas, o objectivo de reduzir «pelo menos 75 mil efectivos (que) ao longo dos quatro anos de legislatura» metamorfoseou-se num objectivo de reduzir 89.567 efectivos em 2,5 anos.
É isto surpreendente? Não de todo. Será para os sujeitos passivos que, além de passivos, sejam distraídos. Esquecendo as teorias conspiratórias (o propósito secreto do governo é arruinar definitivamente o monstro para vender o ouro ao bandido - os espanhóis, por exemplo), deixando de lado outras teorias igualmente especulativas, a explicação verosímil é pura e simples incompetência. Nesta área vê-se definitivamente melhor do que, por exemplo, no éter do plano tecnológico e das outras fantasias com que o governo tem entretido o povo.
Que outra coisa seria esperar dum bando de gente que, na sua maioria nunca teve uma profissão, não faz a mínima ideia de como se gere uma organização, que imagina que transformar a horripilante monstruosidade da vaca em qualquer coisa que justifique a usurpação de recursos do país se possa fazer com discursos e ejaculações legislativas? Algum dia alguém viu uma organização monopolista com 750.000 empregados e com poderes soberanos de extorquir dinheiro à sociedade civil auto-refomar-se? Pode o governo coleccionar simplexes aos centos que a inelutável lei de Parkinson irá expandir a burocracia até encher o tempo disponível de 750.000 songamongas and counting.
Não tem solução? Tem sim senhor. Tem a solução que as organizações com sucesso aplicam. Perguntem a quem sabe.
19/07/2006
ARTIGO DEFUNTO: Liga da Boa Imprensa JN 7 - DE 3
Notícias de hoje sobre a EDP no Jornal de Negócios e no Diário Económico:
- Posição da EDP no BCP não vai ser vendida durante a OPA
- Mexia confortável com participação da Iberdrola na EDP
- António Mexia não quer que a EDP seja protegida de OPA
- EDP quer que a exposição ao Brasil fique limitada a 20% do EBITDA
- Eléctrica remunera cada acção com 11 cêntimos em 2006
- EDP pretende atingir 2.802 MW nas renováveis em 2008
- EDP quer aumentar dividendos acima de 8% por ano
- António Mexia quer EDP independente e acção cara
- EDP dispara 2,05% com apresentação de plano estratégico
- EDP prevê investir 5,6 mil M€ entre 2006 e 2008
TRIVIALIDADES: Pais do Amaral & Parceiros 5 - Azevedos 1
Miguel Pais do Amaral e os seus parceiros numa eventual oferta concorrente (ou sucessiva) à OPA lançada pela Sonaecom sobre o capital da Portugal Telecom já tem uma equipa de cinco sociedades de advogados a trabalhar no «dossier».
No campeonato dos advogados o engenheiro Miguel já bateu irremediavelmente o engenheiro Belmiro.
No campeonato dos advogados o engenheiro Miguel já bateu irremediavelmente o engenheiro Belmiro.
18/07/2006
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: a vida está difícil para as gajas
- Ó pá, viste aquele gajo no domingo?(Várias tribos no balneário. A tribo silenciosa dos bandulhos atafulhados, a tribo chilreante dos metrosexuais e BG, indistinguíveis a olho nu, mirando-se ao espelho, a tribo ruidosa dos grunhos e a tribo vulgar de Lineu, na circunstância essencialmente representada por moi e um outro infeliz. Percebo os sacrifícios que as gajas têm que se sujeitar para abarbatarem um gajo normal, por assim dizer.)
- Qual gajo? Porra. Explica-te.
- O gajo do rafting.
- O gajo do rafting? Qual gajo do rafting?
- Tás um bocado estúpido, meu. O gajo da quinta.
- Ah! Aquele merdas do dono da quinta?
- Té quim fim, mén.
- E quéque tinha o merdas?
- Que pergunta, pá. A gaja.
- A gaja?
- Sim, a gaja que andava com ele.
- Já percebi. Era boa cómómilho. Pra ti, meu. Não faz o meu género.
16/07/2006
DIÁRIO DE BORDO: provações de um «utente» da Telepac (2)
A provações, seguem-se sempre mais provações.
No 23.º (vigésimo terceiro) dia depois do 1.º pedido de transferência e 3.º (terceiro) depois do cancelamento da conta, face às minhas angustiadas perguntas, desincumbe-se o majestático operador incumbente: «se encontra em processo de activação desde o dia 13.07.2006 o novo serviço associado ao username xpto, sendo nesse mesmo dia cancelado o antigo».
Vede como tudo se explica. Qual é a pressa?
No 23.º (vigésimo terceiro) dia depois do 1.º pedido de transferência e 3.º (terceiro) depois do cancelamento da conta, face às minhas angustiadas perguntas, desincumbe-se o majestático operador incumbente: «se encontra em processo de activação desde o dia 13.07.2006 o novo serviço associado ao username xpto, sendo nesse mesmo dia cancelado o antigo».
Vede como tudo se explica. Qual é a pressa?
14/07/2006
DIÁRIO DE BORDO: provações de um «utente» da Telepac
No dia 22 de Junho comuniquei por email à Telepac que em 7 de Julho mudaria a minha oficina para outro local, mantendo o mesmo n.º de telefone e pedindo a transferência da ligação ADSL para esse mesmo número no novo local (por acaso a 1 km do antigo e na mesma área PT). Apesar do meu email identificar o nome do «utente», o n.º de telefone e o username ADSL, a Telepac responde-me pedindo o que já sabia pelo meu email e o que podia saber consultando a minha conta, como o n.º de contribuinte e outras informações reconhecidamente indispensáveis para transferir a ligação.
No dia seguinte enviei a informação pedida e recebo como resposta a sugestão de «ao contactar a PT Comunicações, deverá solicitar a mudança exterior do número telefone e de todos os serviços que se encontrem associados, onde inclui o ADSL». Obedientemente, assim fiz. No dia 7 de Julho a PT instala-me os telefones fixos na oficina e diz que a ligação ADSL seria feita pela Telepac nas 24 a 48 horas úteis seguintes. Nos dias imediatos (até ontem) fui telefonando, ora para a PT, ora para a Telepac, tentando salvar-me no naufrágio digital em que me afundava. Do lado da PT o assunto era empurrado para a Telepac. Do lado da Telepac faziam-me perguntas inteligentes como qual o sistema operativo, se os microfiltros bla bla, se não sei quê bla bla, e qual o modelo de modem. Face à informação de que o modem não era do modelo vendido pela Telepac, ouvia-se um ah!, pois claro do outro lado da linha. Ao segundo ah! tive que perder um pouco a compostura para explicar que a ligação não estava pura e simplesmente activada e que estavam a querer tratar a doença errada.
E assim andei, até ontem. Apesar de tudo podendo ter acesso às minhas contas de email e à web através de GPRS e WiFi. No final da manhã, ao tentar aceder à minha conta recebo esta simpática mensagem «O seu acesso Internet encontra-se bloqueado para utilização, porque de acordo com os nossos registos existe(m) factura(s) cujo pagamento não foi ainda registado apesar de estarem ultrapassados os prazos limite.» Sendo a minha oficina de boas contas, saltou-me a tampa e agredi verbalmente a pobre operadora que me atendeu a seguir. Fiquei ainda pior quando a mocinha, dorida da porrada, se deu ao trabalho de procurar no buraco negro que são as BDs da Telepac e, após uma apneia de 10 minutos, facturada a Euro 0,3025/m, emergiu explicando que «o serviço tinha sido cancelado por mudança de morada e seria reactivado entre 3 a 5 dias úteis».
Entretanto, os clientes (não tenho «utentes») que me enviam emails recebem a resposta «... does not like recipient. Remote host said: 550 That e-mail address has been suspended (#5.7.1)» e ficam a saber que o gajo com quem fazem negócios não é apreciado pela Telepac.
Em resposta ao minha última mensagem (enviada por uma conta analógica de recurso) em que me interrogo «não sei se a Telepac consegue perceber que actuando com esta absoluta negligência está a destruir o seu activo mais importante que são os clientes» recebo a higiénica resposta «o processo de activação do serviço ADSL na linha telefónica com o número xpto se encontra em curso, pelo que solicitamos que aguarde a sua conclusão. Desta forma, esperamos ter contribuído para o esclarecimento da situação em causa, lamentando a situação verificada e os transtornos causados.»
E pronto, por hoje é tudo. Desejo as maiores felicidades ao doutor Paulo Azevedo na entrada na barbacã dos songamongas e na subsequente expulsão dos vassalos do Visconde Barão acoitados na torre de menagem, recentemente abandonada pelo doutor Horta e Costa, o dandy com o melhor aparelhado double windsor e o mais belo roupão de seda das telecomunicações mundiais.
No dia seguinte enviei a informação pedida e recebo como resposta a sugestão de «ao contactar a PT Comunicações, deverá solicitar a mudança exterior do número telefone e de todos os serviços que se encontrem associados, onde inclui o ADSL». Obedientemente, assim fiz. No dia 7 de Julho a PT instala-me os telefones fixos na oficina e diz que a ligação ADSL seria feita pela Telepac nas 24 a 48 horas úteis seguintes. Nos dias imediatos (até ontem) fui telefonando, ora para a PT, ora para a Telepac, tentando salvar-me no naufrágio digital em que me afundava. Do lado da PT o assunto era empurrado para a Telepac. Do lado da Telepac faziam-me perguntas inteligentes como qual o sistema operativo, se os microfiltros bla bla, se não sei quê bla bla, e qual o modelo de modem. Face à informação de que o modem não era do modelo vendido pela Telepac, ouvia-se um ah!, pois claro do outro lado da linha. Ao segundo ah! tive que perder um pouco a compostura para explicar que a ligação não estava pura e simplesmente activada e que estavam a querer tratar a doença errada.
E assim andei, até ontem. Apesar de tudo podendo ter acesso às minhas contas de email e à web através de GPRS e WiFi. No final da manhã, ao tentar aceder à minha conta recebo esta simpática mensagem «O seu acesso Internet encontra-se bloqueado para utilização, porque de acordo com os nossos registos existe(m) factura(s) cujo pagamento não foi ainda registado apesar de estarem ultrapassados os prazos limite.» Sendo a minha oficina de boas contas, saltou-me a tampa e agredi verbalmente a pobre operadora que me atendeu a seguir. Fiquei ainda pior quando a mocinha, dorida da porrada, se deu ao trabalho de procurar no buraco negro que são as BDs da Telepac e, após uma apneia de 10 minutos, facturada a Euro 0,3025/m, emergiu explicando que «o serviço tinha sido cancelado por mudança de morada e seria reactivado entre 3 a 5 dias úteis».
Entretanto, os clientes (não tenho «utentes») que me enviam emails recebem a resposta «... does not like recipient. Remote host said: 550 That e-mail address has been suspended (#5.7.1)» e ficam a saber que o gajo com quem fazem negócios não é apreciado pela Telepac.
Em resposta ao minha última mensagem (enviada por uma conta analógica de recurso) em que me interrogo «não sei se a Telepac consegue perceber que actuando com esta absoluta negligência está a destruir o seu activo mais importante que são os clientes» recebo a higiénica resposta «o processo de activação do serviço ADSL na linha telefónica com o número xpto se encontra em curso, pelo que solicitamos que aguarde a sua conclusão. Desta forma, esperamos ter contribuído para o esclarecimento da situação em causa, lamentando a situação verificada e os transtornos causados.»
E pronto, por hoje é tudo. Desejo as maiores felicidades ao doutor Paulo Azevedo na entrada na barbacã dos songamongas e na subsequente expulsão dos vassalos do Visconde Barão acoitados na torre de menagem, recentemente abandonada pelo doutor Horta e Costa, o dandy com o melhor aparelhado double windsor e o mais belo roupão de seda das telecomunicações mundiais.
12/07/2006
SERVIÇO PÚBLICO: a gravidez pode ser um acidente de trabalho?
«Se uma prostituta engravidar de um cliente, é um acidente de trabalho?», interrogou-se o doutor António Ferreira Ramos, advogado da noite numa entrevista à Única, mostrando a sua irremediável ignorância da Lei n.º 100/97 de 13 de Setembro (cujo conceito de acidente de trabalho também é aplicável aos profissionais liberais), que estipula no seu Artigo 6.º - Conceito de acidente de trabalho:
1 - É acidente de trabalho aquele que se verifique no local e no tempo de trabalho e produza directa ou indirectamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte.
2 - Considera-se também acidente de trabalho o ocorrido:
a) No trajecto de ida e de regresso para e do local de trabalho, nos termos em que vier a ser definido em regulamentação posterior;
b) Na execução de serviços espontaneamente prestados e de que possa resultar proveito económico para a entidade empregadora;
c) No local de trabalho, quando no exercício do direito de reunião ou de actividade de representante dos trabalhadores, nos termos da lei;
d) No local de trabalho, quando em frequência de curso de formação profissional ou, fora do local de trabalho, quando exista autorização expressa da entidade empregadora para tal frequência;
e) Em actividade de procura de emprego durante o crédito de horas para tal concedido por lei aos trabalhadores com processo de cessação de contrato de trabalho em curso;
f) Fora do local ou do tempo de trabalho, quando verificado na execução de serviços determinados pela entidade empregadora ou por esta consentidos.
3 - Entende-se por local de trabalho todo o lugar em que o trabalhador se encontra ou deva dirigir-se em virtude do seu trabalho e em que esteja, directa ou indirectamente, sujeito ao controlo do empregador.
4 - Entende-se por tempo de trabalho, além do período normal de laboração, o que preceder o seu início, em actos de preparação ou com ele relacionados, e o que se lhe seguir, em actos também com ele relacionados, e ainda as interrupções normais ou forçosas de trabalho.
5 - Se a lesão corporal, perturbação ou doença for reconhecida a seguir a um acidente presume-se consequência deste.
6 - Se a lesão corporal, perturbação ou doença não for reconhecida a seguir a um acidente, compete ao sinistrado ou aos beneficiários legais provar que foi consequência dele.
Em conclusão, não restando dúvidas que no caso a coisa acontecida foi no local e no tempo de trabalho e que dela resulta redução na capacidade de trabalho ou de ganho, a gravidez de uma prostituta será acidente de trabalho se for considerada uma lesão corporal, perturbação funcional ou doença. Conclusão que deverá ter o acordo da esquerdalhada em bloco.
Declaração de desinteresse:
Não sou advogado (nem mesmo jurista) e não estou grávido.
1 - É acidente de trabalho aquele que se verifique no local e no tempo de trabalho e produza directa ou indirectamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte.
2 - Considera-se também acidente de trabalho o ocorrido:
a) No trajecto de ida e de regresso para e do local de trabalho, nos termos em que vier a ser definido em regulamentação posterior;
b) Na execução de serviços espontaneamente prestados e de que possa resultar proveito económico para a entidade empregadora;
c) No local de trabalho, quando no exercício do direito de reunião ou de actividade de representante dos trabalhadores, nos termos da lei;
d) No local de trabalho, quando em frequência de curso de formação profissional ou, fora do local de trabalho, quando exista autorização expressa da entidade empregadora para tal frequência;
e) Em actividade de procura de emprego durante o crédito de horas para tal concedido por lei aos trabalhadores com processo de cessação de contrato de trabalho em curso;
f) Fora do local ou do tempo de trabalho, quando verificado na execução de serviços determinados pela entidade empregadora ou por esta consentidos.
3 - Entende-se por local de trabalho todo o lugar em que o trabalhador se encontra ou deva dirigir-se em virtude do seu trabalho e em que esteja, directa ou indirectamente, sujeito ao controlo do empregador.
4 - Entende-se por tempo de trabalho, além do período normal de laboração, o que preceder o seu início, em actos de preparação ou com ele relacionados, e o que se lhe seguir, em actos também com ele relacionados, e ainda as interrupções normais ou forçosas de trabalho.
5 - Se a lesão corporal, perturbação ou doença for reconhecida a seguir a um acidente presume-se consequência deste.
6 - Se a lesão corporal, perturbação ou doença não for reconhecida a seguir a um acidente, compete ao sinistrado ou aos beneficiários legais provar que foi consequência dele.
Em conclusão, não restando dúvidas que no caso a coisa acontecida foi no local e no tempo de trabalho e que dela resulta redução na capacidade de trabalho ou de ganho, a gravidez de uma prostituta será acidente de trabalho se for considerada uma lesão corporal, perturbação funcional ou doença. Conclusão que deverá ter o acordo da esquerdalhada em bloco.
Declaração de desinteresse:
Não sou advogado (nem mesmo jurista) e não estou grávido.
10/07/2006
SERVIÇO PÚBLICO: ejaculação ilógica
Qual é a lógica que leva um governo que tem ejaculações do órgão legislativo banindo o fumo de locais públicos, a admitir que o ministério da agricultura tenha a seguinte ejaculação normativa?
Despacho Normativo n.º 36/2006. DR 121 SÉRIE I-B de 2006-06-26 do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas que estabelece as regras nacionais complementares para atribuição da ajuda directa à produção de tabaco.
Declaração de interesse:
Aqui no Impertinências não se fuma faz mais de 10 anos.
Despacho Normativo n.º 36/2006. DR 121 SÉRIE I-B de 2006-06-26 do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas que estabelece as regras nacionais complementares para atribuição da ajuda directa à produção de tabaco.
Declaração de interesse:
Aqui no Impertinências não se fuma faz mais de 10 anos.
09/07/2006
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: oh my goodness, what a waste of time
- Então o que faz agora?(inspirado num putativo diálogo, ocorrido na ópera de Salzburgo, entre a dama de ferro e o professor gelatina mutante)
- Sou presidente da assembleia geral das Nações Unidas.
- Ah, que graça. Então substituiu aquele ... como é que ele se chama? Esta minha memória!
- !?
- Ó meu deus, que grande perda de tempo. Não sabia de nada, indeed.
DIÁRIO DE BORDO: the game is over, back to business
Já aqui falei da OPA da Mittal sobre a Arcelor. Faltou dizer que o capitalismo do 3.º mundo (pardon, das economias emergentes) tem bastante imaginação e sentido de humor - pelo menos o senhor Mittal mostrou ter quando fez publicar na imprensa internacional vários anúncios como estes.


06/07/2006
BREIQUINGUE NIUZ: se ele o diz
"Ce fut le match le plus éprouvant depuis le début du tournoi, on a souffert pendant tout le match", a reconnu Domenech. (Le Monde)Zizou 1 - Rapazes de Scolari 0
05/07/2006
CASE STUDY: torcida cobra do escrete
Esta é mais uma das contribuições recentes do Impertinências para mostrar aos incréus que olham a bola com ares superiores que o futebol é uma disciplina científica. É também uma advertência aos miúdos do mister Scolari para não tirarem o olho do senhor Se-dane e não darem descanso aquele pretão comprido, o Terrible Henry.
(enviado pelo amigo Edu de BH, MG)








(enviado pelo amigo Edu de BH, MG)








04/07/2006
DIÁRIO DE BORDO: seria só herético, heterodoxo e homofóbico
Já estava sem pachorra para a atitude ingrata do povo incólto e das luminárias com mister Scolari. Estou a ficar sem pachorra com a atitude da intelligentzia face à bola. Enquanto a choldra rejubila com os sucessos dos rapazes do mister Scolari, a intelligentzia olha para o lado agoniada com a vulgaridade. Ainda se fossem só as luminárias obesas, movendo-se com dificuldade de uma vernissage para um colóquio, gemendo no entretanto sob as mãozinhas da menina do shiatsu. Se fossem só essas, eu compreenderia. É natural que lhes dê uma pontinha de mal disfarçada inveja ao verem uns miúdos cheios de virilina, idolatrados por umas miúdas já fora do seu alcance.
Até aí cheguei. É mais difícil de perceber a agonia das luminárias escorreitas, elegantes, bronzeadas, movendo-se com elegância de uma vernissage para um colóquio, gemendo no entretanto sob os aparelhos do ginásio. Só se for inveja. Outra inveja. Qual é o problema afinal? Se os rapazes do mister Scolari tivessem baqueado na fase de qualificação, seria por isso que os jovens ignorantes ficariam mas letrados, os professores mais proficientes, os funcionários públicos mais diligentes, os políticos mais competentes, os empresários mais afoitos, os trabalhadores mais produtivos e a intelligentzia menos pesporrente? Não? Então porque não deixam o povo incólto em paz, rejubilando com o êxito dos nossos únicos profissionais de sucesso? Porque não dão corda aos sapatinhos de pelica e começam a fazer pelas suas vidinhas?
Se as luminárias de todos os quadrantes e especialidades estivessem ao nível dos rapazes de mister Scolari, já teríamos resmas de prémios Nobel, Francoforte ficaria coalhada de escribas portugueses autografando livros que se venderiam como pão quente, os departamentos de patentes de todo o mundo fariam horas extraordinárias para registar o produto das nossas criativas mentes, as nossas empresas estariam no Stoxx50, e eu não teria um blogue desalinhado, desconforme, herético, heterodoxo, homofóbico, fora do baralho e impertinente. Seria só herético, heterodoxo e homofóbico.
Até aí cheguei. É mais difícil de perceber a agonia das luminárias escorreitas, elegantes, bronzeadas, movendo-se com elegância de uma vernissage para um colóquio, gemendo no entretanto sob os aparelhos do ginásio. Só se for inveja. Outra inveja. Qual é o problema afinal? Se os rapazes do mister Scolari tivessem baqueado na fase de qualificação, seria por isso que os jovens ignorantes ficariam mas letrados, os professores mais proficientes, os funcionários públicos mais diligentes, os políticos mais competentes, os empresários mais afoitos, os trabalhadores mais produtivos e a intelligentzia menos pesporrente? Não? Então porque não deixam o povo incólto em paz, rejubilando com o êxito dos nossos únicos profissionais de sucesso? Porque não dão corda aos sapatinhos de pelica e começam a fazer pelas suas vidinhas?
Se as luminárias de todos os quadrantes e especialidades estivessem ao nível dos rapazes de mister Scolari, já teríamos resmas de prémios Nobel, Francoforte ficaria coalhada de escribas portugueses autografando livros que se venderiam como pão quente, os departamentos de patentes de todo o mundo fariam horas extraordinárias para registar o produto das nossas criativas mentes, as nossas empresas estariam no Stoxx50, e eu não teria um blogue desalinhado, desconforme, herético, heterodoxo, homofóbico, fora do baralho e impertinente. Seria só herético, heterodoxo e homofóbico.
02/07/2006
ARTIGO DEFUNTO: «sofri muito»
É difícil imaginar mais manteiguismo do que tem regularmente demonstrado o Expresso pelo excelso professor Freitas do Amaral. A última demonstração de ontem é talvez a mais notória: uma mancha (na circunstância melhor chamada de nódoa) que ocupa 1/3 da primeira página e 2/3 da segunda, com duas fotos. Uma das fotos deve ter sido pensada para ficar na hagiografia do excelso: o professor assistindo «ao anúncio da sua demissão pelo porta-voz, António Carneiro Jacinto». O porta-voz, a quem deve ser creditada a boa imprensa de que dispôs o excelso, fica também imortalizado na hagiografia.
A estória contada, que inclui o relatório do neurologista para lhe dar mais credibilidade, é inconfiável, precisamente pelo visível esforço para a tornar confiável. A verdade costuma ser simples, não precisa de tanta manteiga. É por isso que é mais fácil acreditar na versão do Correio de Manhã: «Freitas do Amaral demitiu-se ontem do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros por motivos de saúde. Esta foi a versão oficial, mas, segundo apurou o CM, a demissão deveu-se a um acumular de situações, sendo decisivas discussões com o embaixador norte-americano e conflitos com um assessor diplomático de José Sócrates.» Acumular de tensões a que não deve ser estranho o desapontamento do excelso ao ver-se preterido, quando o senhor engenheiro aproveitou magistralmente o erro de cálculo do doutor Soares a chegar-se à frente para a presidência da República e, duma só cajadada, ceifou os dois coelhos - bem haja senhor engenheiro.
Declaração de interesse:
O Impertinências não gosta do senhor professor, do seu ar de luminária cansada, do seu enfatuado aspecto professoral, do seu papel de guru tardio do esquerdismo senil. Mas estes juízos sobre o excelso não impedem o Impertinências de constatar adicionalmente que o senhor professor nunca foi um aliado confiável, nem mesmo para o engenheiro Sócrates.
O desvelo do Impertinências pelo senhor professor está amplamente demonstrado em inúmeros posts que lhe foram dedicados - o último foi sobre a sua excelsa fadiga.
A estória contada, que inclui o relatório do neurologista para lhe dar mais credibilidade, é inconfiável, precisamente pelo visível esforço para a tornar confiável. A verdade costuma ser simples, não precisa de tanta manteiga. É por isso que é mais fácil acreditar na versão do Correio de Manhã: «Freitas do Amaral demitiu-se ontem do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros por motivos de saúde. Esta foi a versão oficial, mas, segundo apurou o CM, a demissão deveu-se a um acumular de situações, sendo decisivas discussões com o embaixador norte-americano e conflitos com um assessor diplomático de José Sócrates.» Acumular de tensões a que não deve ser estranho o desapontamento do excelso ao ver-se preterido, quando o senhor engenheiro aproveitou magistralmente o erro de cálculo do doutor Soares a chegar-se à frente para a presidência da República e, duma só cajadada, ceifou os dois coelhos - bem haja senhor engenheiro.
Declaração de interesse:
O Impertinências não gosta do senhor professor, do seu ar de luminária cansada, do seu enfatuado aspecto professoral, do seu papel de guru tardio do esquerdismo senil. Mas estes juízos sobre o excelso não impedem o Impertinências de constatar adicionalmente que o senhor professor nunca foi um aliado confiável, nem mesmo para o engenheiro Sócrates.
O desvelo do Impertinências pelo senhor professor está amplamente demonstrado em inúmeros posts que lhe foram dedicados - o último foi sobre a sua excelsa fadiga.
01/07/2006
DIÁRIO DE BORDO: e eu não disse?

«Leram o que o Impertinências escreveu esta manhã, seus bobos? Vítor Baía? Quem é esse aí? Ide fazer pelas vossas vidinhas.»
DIÁRIO DE BORDO: perscrutar a alma dos patrícios à procura do lugar do outro
O que levará um número considerável de portuguesas e portugueses, desde o povo incólto até às luminárias, a sofrer do síndroma do treinador de bancada (STB), a remoer azedume contra mister Scolari? Porque não sei quê, dizem, que deviam lá estar uns que não estão (o Quaresma, o garboso Baía et alia), e não sei que mais, que não deviam lá estar outros que lá estão (os cansados Costinha e Figo et alia), que com aqueles maravilhosos rapazes até um treinador coxo chegava aos quartos de final, para não dizer à final, que o homem é um bruto, que não aceita palpites, que ganha de mais, que os jornalistas se acagaçam de lhe fazer perguntas (*).
Desde quando os misters portugueses da selecção, incluindo aquele mister que fazia os jogadores passar fome de bola, ou aquele outro que pendurava alhos no balneário, não chegam onde o mister Scolari chegou no campeonato da Óropa e no do mundo? Há uns quarenta anos, ao que parece.
Sendo assim porque é que os misters de bancada andam a puir as calças na dita e a fazer o lugar do outro, em vez de darem corda aos sapatos e fazer pelas suas vidinhas?
(*) Isto é verdade. Porém, não significa nada: eles acagaçam-se com tanta coisa.
Desde quando os misters portugueses da selecção, incluindo aquele mister que fazia os jogadores passar fome de bola, ou aquele outro que pendurava alhos no balneário, não chegam onde o mister Scolari chegou no campeonato da Óropa e no do mundo? Há uns quarenta anos, ao que parece.
Sendo assim porque é que os misters de bancada andam a puir as calças na dita e a fazer o lugar do outro, em vez de darem corda aos sapatos e fazer pelas suas vidinhas?
(*) Isto é verdade. Porém, não significa nada: eles acagaçam-se com tanta coisa.
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