- Isabel Furtado de Têxteis Manuel Gonçalves (48) bate Vladimir Putin (49) e o Almirante Gouveia e Melo (50);
- André Ventura (44) bate Cristiano Ronaldo (45) e Pinto Balsemão (46);
- Fernando Campos Nunes da Visabeira (18) sobrepõe a Friedrich Merz (20) e Emmanuel Macron (21);
- Cláudia Azevedo (8) supera Xi Jinping (9) que quase foi apanhado por Marcelo Rebelo de Sousa (10);
- Por um triz Paulo Macedo da CGD (6) não apanha Ursula von der Leyen (4) e António Costa (5),
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
10/09/2025
ARTIGO DEFUNTO: Ranking Mais Idiota do Ano
08/04/2025
Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (55)
O Dr. Pedro Nuno seria como aquela senhora da anedota que tinha muito passado, pouco presente e nenhum futuro, se não fosse o facto de também o seu passado não ser muito. Quanto ao resto está como a senhora. De facto, por um lado é abandonado por costistas, como o Dr. Medina, e por livres-pensadores (ou o que há de mais parecido com isso no PS), como o Dr. Sousa Pinto, por outro a Dr. Alexandra Leitão disfarça cada vez menos as suas ambições e candidata-se a presidente da câmara de Lisboa, ensaiando o caminho bem sucedido para a liderança do Dr. Costa e o caminho interrompido do Dr. Medina.
Insanidade é pretender continuar a fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes
Ao proporem resolver o problema da habitação com o congelamento das rendas o Berloque de Esquerda e o PCP poderão ter algumas desculpas - o primeiro nunca esteve no governo e o segundo já lá não está desde o PREC. O PS não tem nenhumas desculpas porque experimentou a receita durante oito anos com os resultados conhecidos.
O mesmo PS não precisa de ser sujeito ao teste do algodão e mostra ao que iria se ganhasse as eleições. Propõe-se usar 1.500 milhões do excedente orçamental «não para resultados imprevisíveis» (por exemplo investimento), mas para «decisões fáceis, com resultados imediatos ou diretos», por exemplo IVA zero num cabaz básico, IVA reduzido na electricidade e, inevitavelmente, propõe-se aumentar o salário mínimo.
Um quarto de século de várias modalidades de socialismo só podia dar nisto
| mais liberdade |
«Não faltam saídas a “um dos maiores ativos da política portuguesa”»
Foi com este título encomiástico e quiçá encomendado que a jornalista, porta-voz e assessora de imprensa do Dr. Marcelo, «faz agora quatro meses (foi) atrás de Mário Centeno até à Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, onde o governador do Banco de Portugal ia dar uma aula aberta» para escrever uma peça com 8 (oito) longas páginas promovendo-o a um lugar à altura que pode ser «cargo internacional ou voltar à política. Há um PS que conta com ele. Se a instabilidade apertar, quem sabe?» Sim, quem sabe se o Dr. Marcelo também não conta com ele para chefiar uma espécie de governo de iniciativa presidencial de “salvação nacional” depois de eleições inconclusivas.
15/10/2024
Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (29)
De um lado, os gatos realistas e moderados como o Dr. Francisco Assis e o Dr. José Luís Carneiro, ou o «estupefacto» Dr. Vieira da Silva, reforçados ocasionalmente pelo diletantismo do Dr. Sousa Pinto, que defendem a viabilização do orçamento, do outro lado os gatos assanhados do círculo de influência do Dr. Pedro Nuno, o já baptizado Bloco de Esquerda Mais, comandados pela gata assanhada Dr.ª Leitão, e no meio o próprio Dr. Pedro Nuno que hesita entre assanhar-se e dar umas marradinhas amigáveis ao Dr. Montenegro. Enquanto isso, o resto da gataria aguarda impaciente o resultado e, qualquer que seja, anseia por recuperar as mordomias perdidas com o afastamento da vaca marsupial pública.
Em conclusão, ficou razoavelmente confirmado que a competência como capo di tutti capi do Dr. Pedro Nuno não está à altura da sua ambição e ainda menos da sua jactância.
Take Another Plan. As versões do Sr. Neeleman e do Dr. Pedro Nuno são diferentes. A Airbus acreditou no primeiro e desconfiou do segundo. Faites vos jeux
Em entrevista ao Expresso David Neeleman, ex-accionista da TAP, desmente tudo o que o Dr. Pedro Nuno foi dizendo sobre o processo de renacionalização da TAP e concluiu «perdi a confiança no Estado português como parceiro», entrando assim directa e atrasadamente para um cada vez mais numeroso grupo de empresários.
Boa Nova
São muito discutíveis os resultados no aumento da natalidade do alargamento de licença parental de 120 ou 150 dias para 180 ou 210 dias consecutivos aprovado pelo PS, com a ajuda do Chega. Os únicos resultados indiscutíveis são que vai custar aos contribuintes uns 400 milhões de euros.
«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»
O governo do Eng. José “Animal Feroz” Sócrates decidiu terminar a PPP do Hospital Amadora-Sintra depois de 14 anos de excelentes resultados que nos anos seguintes se foram degradando, degradação que está a culminar com o escândalo da denúncia de más práticas.
Deixaram o SNS rastos mas as «meninas do presidente» foram atendidas
No seu depoimento na comissão parlamentar a médica neuropediatra, que tratou as gémeas luso-brasileiras “encaminhadas” pelo Dr. Rebelo de Sousa Filho, revelou que «a ordem vem de alguém superior ao secretário de Estado» e que as gémeas eram conhecidas como «as meninas do Presidente».
18/02/2024
O irreprimível e indisfarçável fascínio do Dr. Tavares por homens fortes prejudica a sua clarividência
Que o Dr. Miguel Sousa Tavares parece sofrer de um irreprimível e indisfarçável fascínio pelos homens que ele considera fortes é uma inferência fundada nas peças que ele há anos vem dedicando na sua coluna cativa do Expresso ao Sr. Eng. Sócrates e ao Sr. Czar Putin, entre outros.
Na mais recente dessas peças, o Dr. Sousa Tavares comenta a entrevista a Vladimir Putin de Tucker Carlson, conhecido produtor de factos alternativos que a Fox News considerou um exagero e o despediu. Nessa peça o Dr. Tavares considera a entrevista «um “furo” por todos invejado» e interroga-se porque «a boa e instalada imprensa “liberal” ocidental (não) tinha conseguido um estatuto de isenção suficiente aos olhos do Kremlin para fazer o trabalho que Carlson fez». Divergiu, pois, do próprio entrevistado que considerou mole a condição da entrevista por Carlson.
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| Ordem do Apóstolo Santo André |
Para o Dr. Tavares, Putin não é um autocrata - apenas «habitualmente o tratam» assim - e não disfarça a simpatia pelas suas teses que implicitamente aceita: a Ucrânia é parte da Rússia e o «facto indesmentível» que justificaria a invasão foi a «iminente adesão da Ucrânia à NATO e à luz do constante alargamento da NATO a leste desde 1991».
Sobre a Ucrânia ser parte da Rússia um destes dias publicarei um post questionando a fantasia do Czar e do Dr. Tavares. Sobre o constante alargamento da NATO a leste remeto para o post que o outro contribuinte publicou com o título irónico «Tal como a Divina Providência fez passar os rios através das cidades, assim as agressões da Rússia aos países vizinhos se seguem às adesões à Nato».
Em duas páginas A4 o Dr. Tavares arruma em três penadas a «imprensa “liberal” ocidental» desprovida de «um estatuto de isenção suficiente aos olhos do Kremlin», imprensa que, para ele, pelos vistos, não se compara com o profissionalismo, isenção, rigor e independência da câmara de eco da imprensa russa, e desclassifica o Sr. Putin como um autocrata. Por isso e pelo resto, o Dr. Sousa Tavares mereceria uma condecoração do Kremlin.
Ocorre-me a piada do humorista Ricardo Araújo Pereira - para o Dr. Miguel Sousa Tavares só há três pessoas acima de qualquer suspeita: José Sócrates, Ricardo Salgado e Pinto da Costa. Podemos acrescentar Vladimir Vladimirovitch Putin.
02/04/2023
O prof Sachs é apenas mais um académico "maluquinho" ressentido do Ocidente
Jeffrey D. Sachs, um «professor de economia reconhecido mundialmente, autor de "best-sellers", inovador educador e líder global em desenvolvimento sustentável», com um enviesamento acentuadamente esquerdista, acrescento eu, escreveu no seu site sobre a guerra na Ucrânia um panfleto «The Ninth Anniversary of the Ukraine War» do qual, com o atraso de um mês, o Jornal de Negócios publicou uma versão em português.
A tese do prof Sachs, segundo o Jornal de Negócios, pode resumir-se assim:
«Esta é uma guerra que começou devido à pressão impulsiva dos neoconservadores norte-americanos em prol do alargamento da NATO, seguida da participação – por parte desses mesmos neoconservadores – na operação de mudança de regime de 2014.»
Por coincidência, escrevi o ano passado um post sobre os maluquinhos que defendem teses semelhantes fundadas não nos factos históricos, que agora recordo, mas em inserções ideológicas na amígdala e no córtex parietal. Aqui vai a lista cronológica:
As "operações militares especiais" russas são a resposta à expansão da NATO, uma teoria da conspiração para devotos do Czar e para maluquinhos
- 1939 URSS e Alemanha de Hitler assinam Pacto Molotov-Ribbentrop e invadem a Polónia
- 1939-1940 URSS invade a Finlândia e anexa Região do lago Ladoga
- 1944-1949 URSS instala governos fantoches na Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Checoslováquia, Hungria, Polônia e Roménia
- 1949 Criação da NATO com Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido
- 1952 Adesão à NATO da Grécia e Turquia
- 1955 Adesão à NATO da Alemanha Federal
- 1956 URSS esmaga a revolução democrática da Hungria
- 1968 URSS invade a Checoslováquia, derruba governo de Dubček e instala um governo fantoche
- 1982 Adesão da Espanha à NATO
- 1989 Queda do Muro de Berlim
- 1991 Dissolução da URSS
- 1991 Extinção do Comecon
- 1991-1992 Guerra da Ossétia do Sul
- 1991-1994 Guerra na Abecásia
- 1992 Guerra da Transnístria
- 1992 Conflito na Ossétia do Norte
- 1992–1997 Guerra Civil do Tajiquistão
- 1993 Guerra Civil na Geórgia
- 1994-1996 Primeira guerra na Chechénia
- 1999 Invasão do Daguestão
- 1999–2009 Segunda Guerra da Chechênia
- 1999 Adesão à NATO da República Checa, Hungria, Polónia e Bulgária
- 2008 Guerra Russo-Georgiana
- 2009 Insurgência no Cáucaso Norte
- 2009 Adesão à NATO da Albânia e Croácia
- 2013 Euromaidan na Ucrânia
- 2014 Anexação russa da Crimeia
- 2017 Adesão à NATO do Montenegro
- 2020 Adesão à NATO da Macedónia do Norte
- 2022 Invasão russa da Ucrânia
- 2022 Pedido de adesão à NATO da Finlândia e Suécia
29/05/2022
TIROU-ME AS PALAVRAS DE BOCA: As classes palradoras do Portugal dos Pequeninos desconstroem o atraso
«Com a viragem do milénio quis a providência que as sementes do pós-modernismo, semeadas em Paris a partir dos anos 70 do século anterior, germinassem, com o surpreendente propósito de abolir a realidade e instituir o império das narrativas. Escusado será dizer que a novidade, importada via universidades americanas, encontrou entre nós o ecossistema ideal, pois não há povo mais farto da realidade que os portugueses, por muito boas razões.
Num país em que a falta de produtividade é relativamente compensada pelo pleno emprego e por vidas sacrificadas ao trabalho, as classes palradoras, acolitadas pelas universidades e departamentos de ciências sociais, descobriram, renovada, a nossa inclinação ancestral e vivem num mundo de narrativas e representações, como eles dizem, agora com o respaldo das civilizações superiores. Antigamente, a investigação era uma atividade de resultado relativamente incerto, que supunha integridade e abertura ao desconhecido; agora, consiste numa violentação da realidade para dela extrair a murro a comprovação dos preconceitos da narrativa. Se fulano, sobrevivência da modernidade, falar em atraso, beltrano, flor da pós-modernidade, pergunta: o que é “atraso”? Para quê vencer o atraso se podemos desconstruir o atraso?»
Sérgio Sousa Pinto, excerto de Os assassinos de planetas
20/05/2022
As "operações militares especiais" russas são a resposta à expansão da NATO, uma teoria da conspiração para devotos do Czar e para maluquinhos
- 1939 URSS e Alemanha de Hitler assinam Pacto Molotov-Ribbentrop e invadem a Polónia
- 1939-1940 URSS invade a Finlândia e anexa Região do lago Ladoga
- 1944-1949 URSS instala governos fantoches na Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Checoslováquia, Hungria, Polônia e Roménia
- 1949 Criação da NATO com Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido
- 1952 Adesão à NATO da Grécia e Turquia
- 1955 Adesão à NATO da Alemanha Federal
- 1956 URSS esmaga a revolução democrática da Hungria
- 1968 URSS invade a Checoslováquia, derruba governo de Dubček e instala um governo fantoche
- 1982 Adesão da Espanha à NATO
- 1989 Queda do Muro de Berlim
- 1991 Dissolução da URSS
- 1991 Extinção do Comecon
- 1991-1992 Guerra da Ossétia do Sul
- 1991-1994 Guerra na Abecásia
- 1992 Guerra da Transnístria
- 1992 Conflito na Ossétia do Norte
- 1992–1997 Guerra Civil do Tajiquistão
- 1993 Guerra Civil na Geórgia
- 1994-1996 Primeira guerra na Chechénia
- 1999 Invasão do Daguestão
- 1999–2009 Segunda Guerra da Chechênia
- 1999 Adesão à NATO da República Checa, Hungria, Polónia e Bulgária
- 2008 Guerra Russo-Georgiana
- 2009 Insurgência no Cáucaso Norte
- 2009 Adesão à NATO da Albânia e Croácia
- 2013 Euromaidan na Ucrânia
- 2014 Anexação russa da Crimeia
- 2017 Adesão à NATO do Montenegro
- 2020 Adesão à NATO da Macedónia do Norte
- 2022 Invasão russa da Ucrânia
- 2022 Pedido de adesão à NATO da Finlândia e Suécia
18/05/2022
Lembrai aos ocidentais ressentidos que o Ocidente não é um mito e se fosse era um belo mito
«Ocidente não é um mito e se fosse era um belo mito. Mas é uma realidade tangível, feita de instituições morais e sociais. O Governo constitucional, assente na minimização do arbítrio e na maximização do direito não é um mito. É um legado da república romana. A faculdade democrática de despedirmos os nossos governantes e escolhermos outros também não é um mito. É um legado de Atenas. A inviolabilidade dos direitos, liberdades e garantias individuais também não é um mito. Funda-se na proclamação da dignidade da pessoa humana e na fundamental igualdade entre todos os Homens, cada um sendo um fim em si mesmo. É um legado do cristianismo, uma religião nascida no Médio Oriente helenizado. O espaço público aberto à livre expressão das opiniões e das ideias também não é um mito. É o segredo do progresso e da adaptabilidade das democracias liberais às circunstancias novas e imprevistas, condição indispensável da inovação e da mudança. Sócrates foi condenado porque Atenas era democrática mas não era liberal. Platão e Aristóteles não se restabeleceram dos abusos democráticos. Não acreditavam que o bom, o belo e o justo fossem alcançáveis de braço no ar. As suas admoestações e advertências vigoraram até ao século XVIII, no cristianismo e no governo dos Homens, até à grande revolução.
O comunismo foi uma aberração do racionalismo e do elitismo platónico, metastizado no vanguardismo. Resultou numa experiência histórica atroz, que converteu parte do Ocidente numa sucursal sem Deus das teocracias orientais. O parto do Ocidente foi doloroso, repleto de crimes e padecimentos. O Ocidente, carregado de cicatrizes, é a síntese a que chegámos, sofridamente, e a que não podemos renunciar, pois fora dele só há trevas, como diriam os romanos do mundo exterior.
O Ocidente há muito deixou de ser um conceito geográfico. O Gabão pode ser ocidental, se assim o escolher e se disso for capaz. A internet e a aviação fizeram com que o Gabão esteja hoje infinitamente mais perto de nós do que nós, nosso canto ocidental, estávamos da Atenas do século V a.c.. O Ocidente não é um mito, mas pode ser uma meta.
A China levanta-se da servidão coletivista porque decidiu ocidentalizar-se. A força da China advém do seu sistema económico, tecnológico e militar copiado do Ocidente. A dívida da China ressurgente para com Mao é zero. Mao é apenas o legitimador da dinastia reinante, a dinastia do imperador coletivo.
Nenhuma fatalidade histórica empurra a Rússia para a autocracia. Os ocidentais ressentidos com o Ocidente — uma agremiação heterogénea — imaginam a Rússia como uma nova Esparta, feita de guerreiros indiferentes ao baixo materialismo de um Ocidente corrompido pelo luxo, que marcham com uma arma na mão esquerda e “Os Irmãos Karamazov” na direita. Os russófilos de direita pensam que estão perante o exército branco do almirante Kolchak. Os de esquerda imaginam Trotskys aos pontapés a desaguar no Donbas, saltando de comboios blindados.
Tudo isso integra a grandeza do Ocidente: trocámos um mundo de servos e senhores pelo caótico pluralismo democrático e pela concomitante e inevitável abundância de maluquinhos. Podem abjurar o Ocidente, onde têm a cautela de residir, mas não o podem substituir pelas fantasias da sua predileção. E é assim que deve ser, para nosso merecido descanso.»
Os maluquinhos, Sérgio Sousa Pinto
26/07/2021
Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (95) - Em tempo de vírus (LXXII)
O Dr. Leão anunciou que a economia poderá crescer 9% no biénio 2021-2022 que «vai ser o período de maior crescimento do século». Esqueceu-se de mencionar que tal só será possível porque o PIB caiu -7,7% em 2020 e não reparou que no triénio 2020-2022 o vertiginoso crescimento anual será 0,2%.
26/04/2021
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Sérgio Sousa Pinto e a manifestação da intolerância cultural e da ditadura do politicamente correcto
Sérgio Sousa Pinto, um exemplo raro de militante socialista tolerante e provido de coluna vertebral, resolveu participar na convenção Portugal e os portugueses - Reconfiguração social, política e económica para as próximas décadas, promovida pelo Movimento Europa e Liberdade, onde intervirão várias outras personalidades públicas que vão desde o centro-esquerda, centro-direita e a direita liberal até à extrema-direita, tais como Fátima Bonifácio, José Manuel Fernandes, João Cotrim de Figueiredo, Paulo Portas e muitos outros incluindo Álvaro Beleza, Henrique Neto e ainda André Ventura, a bête-noire da esquerdalhada.
24/04/2021
O Partido Socialista apodreceu e com ele apodreceu a 3.ª República (2)
Continuação deste apodrecimento.
«A história do Acórdão 90/2019 do Tribunal Constitucional, de que falei aqui na semana passada e que Ivo Rosa utilizou para mandar abaixo toda a Operação Marquês (com o argumento de que o prazo de prescrição para os crimes de corrupção activa começou a contar em 2006, e portanto tudo estava prescrito), ficou ainda mais interessante com as informações reveladas pelo programa da RTP Sexta às 9.
Em primeiro lugar, ficámos a conhecer o nome do advogado que interpôs o recurso junto do Tribunal Constitucional (TC) a que Ivo Rosa se agarrou com grande entusiasmo. Chama-se Rui Patrício, e é um ás na sua profissão. Em 21 de Março de 2018, o Supremo Tribunal de Justiça tinha condenado um cliente seu a cinco anos e sete meses de prisão pela prática de nove crimes de corrupção a activa e dois crimes de peculato (trata-se de um caso de processos de falência que não envolveu figuras públicas). Em meados de 2018, o advogado recorreu ao TC, argumentando que os crimes de corrupção estavam prescritos.
Graças a Deus, a justiça nem sempre é lenta, e o TC deu-lhe razão a 6 de Fevereiro de 2019. Numa jogada de mestre, Rui Patrício ganhou em vários tabuleiros: inocentou directamente o cliente das falências com aquele acórdão, e inocentou mais três clientes por tabela. Como? Simples: Rui Patrício é também advogado de Hélder Bataglia, de Bárbara Vara (filha de Armando Vara) e de Rui Horta e Costa (ex-administrador do empreendimento de Vale do Lobo), todos eles não pronunciados por decisão de Ivo Rosa com base no Acórdão 90/2019, que lhe caiu no colo a meio da instrução da Operação Marquês.
Mas há mais. Graças ao Sexta às 9, ficámos também a saber por que razão Manuel da Costa Andrade, então presidente do Tribunal Constitucional (abandonou este ano o cargo), não participou (e bem) na decisão da 1.ª secção do TC. Costa Andrade estava impedido de o fazer, porque em Novembro de 2015 assinou um parecer encomendado por Rui Patrício, no qual defende a tese da prescrição dos crimes de corrupção a partir do momento da promessa, invocando para isso o respeito pelo princípio da legalidade, argumento central utilizado pelo Juiz relator Cláudio Monteiro no Acórdão 90/2019.
Esse parecer, curiosamente, não foi assinado só por Costa Andrade. Foi assinado também pela professora Cláudia Cruz Santos, actual deputada do PS, e não por acaso citada pelo próprio juiz Cláudio Monteiro, ex-deputado do PS, no Acórdão 90/2019. Como se as coincidências não bastassem, ainda há mais uma: Manuel da Costa Andrade, ex-deputado do PSD, é pai de João Costa Andrade, advogado de José Paulo Pinto de Sousa, o fidelíssimo primo de José Sócrates, que também escapou à pronúncia.
Há quem afirme que o mero elencar destes factos é uma forma ínvia de pôr em causa a reputação de pessoas respeitáveis, sobre as quais não recai suspeita alguma. Deixem-me esclarecer que não é a reputação das pessoas que está em causa, mas esta bambochata de ligações familiares, financeiras ou políticas. Somos um país dominado por uma elite minúscula que vive em circuito fechado, pejada de conflitos de interesses, porque o advogado já encomendou pareceres ao juiz, o filho seguiu as pisadas do pai, a professora esta no parlamento a sonhar com o TC (com uma perninha no futebol) e o político, o banqueiro ou o grande empresário que de repente é apanhado sabe muito bem a que portas ir bater para se safar. Isto é o sistema. Não foi criado por Sócrates . E continuará muito para além dele.»
28/11/2020
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Podia estar a referir-se aos berloquistas e ao papagaio-mór do reino. E talvez esteja
Sérgio Sousa Pinto em entrevista ao Jornal Económico
05/11/2020
Dúvidas (293) - Como chegou a América a isto?
«Como chegou a América a isto?
“Why it has to be Joe Biden”, foi a última capa da Economist, trombeta do centro-direita moderado e business friendly. A prestigiosa revista podia ter formulado uma pergunta retórica – “Why it has to be Joe Biden?” – para depois nos expor os seus argumentos, no que seria talvez a operação de persuasão mais fácil da história do proselitismo jornalístico. Mas não. O que a Economist faz é dizer aos americanos o que um jornal de Boston poderia declarar aos patriotas, por volta de 1775: “Why you have to fight the british”, se queres ser um bom americano. Trump é o inimigo interno e “a América precisa de ti.” Este é o tom geral da imprensa, quanto mais respeitável mais exaltada e peremptória, no seu lancinante apelo. Do New York Times ao Washington Post, de ambos à National Review, liberais e conservadores acotovelam-se numa improvável barricada e, ombro com ombro, abrem fogo de barragem contra o thug de Brooklin, como se ele fosse a encarnação moderna de um casaca vermelha da guerra da independência, ou de um escravocrata da Confederação. A própria campanha de Biden reúne financiamentos inauditos, que deixam Trump, o intocável (no sentido hindu), para trás, exprimindo a força da América respeitável e próspera, das duas costas e das cidades.
Para nós, europeus, a questão nunca ofereceu dúvidas: Trump revolve-nos as tripas, o seu chauvinismo bronco e a sua indiferença em relação à verdade e à mentira, atira-o para fora dos nossos consensos há muito estabelecidos, é insuportável ao palato delicado do velho continente; é um ser rude, primário, vulgar e cor de laranja.
As políticas de Trump, apesar da algazarra, são menos controversas que o personagem que por elas dá a cara; podemos lamentar o abandono do tratado com o Irão ou o famoso muro fronteiriço, aliás começado por Clinton; podemos não gostar do fracking e da denúncia dos acordos do clima. Mas, cá como lá, o verdadeiro objeto da execração geral é o homem em si, os modos, a boçalidade desenvolta de novo-rico grosseiro - o que ele representa.
No entanto, o populista desbocado arrasta consigo metade da América. Porquê?
Podemos começar pela razão mais superficial: Joe Biden não entusiasmou ninguém. Mantê-lo armazenado em casa foi prudente, mas era preciso mais do que isso para vencer. A escolha de Biden não pode ser perdoada ao establishment democrata. Sleepy Joe, como lhe chama Trump, que nos seus comícios se socorreu de um ecrã gigante para exibir gafes, confusões e observações taralhoucas do seu adversário, que, digamos assim, não está na força da idade. Mas a razão fundamental do entusiasmo furioso que Trump gera na sua heteróclita tribo não se deve à decrepitude do adversário. Paul Auster, dinamizador de um movimento de escritores anti-Trump pôs dolorosamente o dedo na ferida: o partido democrata desertou dos trabalhadores, da América humilde excluída da prosperidade, dos que têm ficado para trás, sobretudo os brancos pobres e oficialmente invisíveis de um país em processo de desindustrialização.
É o globalismo que verdadeiramente foi a votos nestas eleições, um enfrentamento entre a América dos vencedores e a América dos esquecidos. Chamar o povo de Trump de canalha e ralé (“deplorables”,”irredeemables”), como fez Hillary, nunca ajudou. A globalização reduziu as desigualdades entre os países, agravando-as dentro de cada país. Talvez os Estados Unidos sejam a caricatura disso mesmo, vítimas da sua fractura abissal, com os magnatas de Sillicon Valley a acumularem fortunas inauditas, sobre os despojos da América da General Motors, industrial e sindical, criadora de empregos e de classe média, agora deslocalizada.
Obama, o mais inspirador e brilhante político do nosso tempo, ele próprio expressão do melhor da América, batalhou penosamente, de comício em comício, para pôr fim ao pesadelo boçal e ultra-conservador. Há algo de trágico nisto de ver um homem que encarnou uma das mais decentes versões do futuro americano a apelar ao voto num idoso saído do seu pantanoso passado, com pouco a dizer, que tem apenas para oferecer o regresso a uma normalidade sem Trump.
O bilionário de Brooklin tem uma intuição politica assassina: não quer unir o seu grande país continental, onde o declínio relativo convive com novas fortunas, as maiores que a história conheceu; quer dividir, explorando fracturas que há demasiado tempo Democratas e Republicanos fazem por não ver; Trump empenhou-se em mobilizar a sua parte do país, que acredita maioritária, mobilizando indecorosamente os resíduos mais abjectos da América profunda, reabrindo feridas antigas e infectadas, convidando o racismo subterrâneo e larvar, eterna chaga nacional, a subir com ele ao palco, para participar, com os seus votos, na construção da sua tortuosa concepção da grandeza americana.
Não é preciso ser um génio para perceber as contradições que a globalização engendrou, e que Trump tão bem sabe navegar: como é possível os gigantescos colossos da HigTec e de Wall Street votarem ao lado dos sindicatos democratas, unidos em torno de um qualquer programa comum? Talvez seja essa a grande intuição de Trump: os políticos do globalismo transitaram para um paradigma do futuro, um paraíso pós-industrial, pós trabalho manual, pós-ferrugem; mas o mundo antigo morre devagar, numa agonia lenta e dolorosa. Ainda está lá, humilhado, declinante, mas talvez ainda maioritário. Quer levantar uma vez mais a cabeça para se vingar, confusamente, inarticuladamente, em nome da segunda emenda ou de outra coisa qualquer, tirar desforço de um mundo novo e assustador, que não contempla um lugar para eles. Obama não teve tempo, talvez porque lhe negaram cedo a maioria nas câmaras. Não sabemos se teria sido bem-sucedido. Desse drama emergiu o ogre de Brooklin, com as suas frases de cinco palavras.
O pobre Biden é um embaraço mantido em bom recato. No fundo é um adereço anacrónico, uma promessa desvitalizada de regresso a um business as usual passado, a uma era pré-Trump, mas também pré-Obama. Estas eleições foram, efetivamente, um plebiscito a Trump. No meio de tantos erros e incúrias, ainda há, dizem os analistas e peritos, esperança. Resta aguardar até a fim do escrutínio, com o coração pesado. Com o sem Trump, a América mudou, e não foi notoriamente para melhor.»
A grande náusea, Sérgio Sousa Pinto no Expresso
12/09/2020
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Sérgio Sousa Pinto, um socialista desalinhado
Aceitemos que manifesto e contra-manifesto fazem parte da chamada guerra cultural gramsciana. O que é inaceitável é prosélitos de uma disciplina de "Educação para a Cidadania", exigirem a sua expulsão do PS e o insultarem com um «facho mofento». Isto diz tanto sobre a disciplina como sobre o autores dos insultos.
29/05/2020
ESTÓRIA E MORAL: E porque não o Dr. Centeno no BdP, se no Portugal dos Pequeninos a tradição é o que sempre foi?
Falhada a candidatura ao FMI e à CE, é justo que ao Dr. Mário Centeno seja atribuído um lugar de prestígio e devidamente remunerado (*) para que ele possa repousar dos seus 5 anos de ministro das Finanças.
(*) Há uns anos, quando foi governador o Dr. Constâncio, a tença anual era 250 mil euros, o dobro do salário de Bernard Bernanke, o presidente do FED na época, ou mais de 4 vezes, se tomarmos em conta o nível médio de salários em Portugal e nos EU. Como o BdP é cada vez mais uma mera sucursal do BCE, digamos que se trata de uma tença principesca.
Espíritos maldosos e mentes retorcidas dizem que, tendo sido ministro das Finanças e nessa qualidade uma espécie de chefe do governador do Banco de Portugal, a que acrescentam o facto de enquanto ministro «não avançou com a lei que lhe retiraria poderes caso mudasse de cadeira», existe um conflito de interesses entre o Dr. Centeno ministro e o Dr. Centeno putativo governador.
Há mesmo quem defenda que um governador deverá ter um perfil puramente técnico e ser independente e o Dr. Centeno fez, dizem os detractores, uma gestão política das Finanças públicas e foi um fiel executor da estratégica de poder do PS, privilegiando as despesas com o pessoal (et pour cause), engordando os efectivos de funcionários públicos (a que alguns maldosos chamam a freguesia eleitoral do PS) e cortando no investimento e nas despesas de capital. Há até quem lembre que ele garantiu que a redução para as 35 horas não teria impacto orçamental.
Além de maldade e retorcedura mental, há nesses detractores uma imensa ignorância da História Pátria. Ora passemos em revista os antecessores do Dr. Centeno (socorro-me da informação do BdP, que não inclui o actual governador, nem a parte mais política do currículo do Dr. Constâncio que aditei a vermelho):
António Augusto Pereira de Miranda
- Governador (1887-1891) - ... político, deputado, ..., Ministro da Fazenda.
- Governador (1891-94) - Político, Deputado (Ponta-Delgada), ...
- Governador (1895-1907) - Político (Partido Regenerador), ... Juiz do Supremo Tribunal Administrativo e Presidente da Liga Naval.
- Governador (1907-1910) - Comerciante e Financeiro, Presidente da Associação Comercial de Lisboa, Deputado por Arganil, .... Pertencia ao Partido Regenerador Liberal.
- Governador (1911-36) - Político, ... Ministro das Finanças, Deputado. Colaborador de "A Luta" e "A Pátria".
- Governador (1957-63) - Advogado, Político, Ministro da Agricultura, Ministro da Economia e Ministro do Comércio e Indústria (interino).
- Governador (1966-74) - Economista, Professor Universitário, Ministro das Finanças (1955-65), ...
- Vice-Governador (1960-1974), Governador interino (1963-66) e Governador (1974-1975, 1980-85) - ... Ministro das Finanças e do Plano. ...
- Governador (1975-80) - Economista, Ministro das Finanças e do Plano (1978), ...
- Governador durante o período de 1985-86 e de fevereiro de 2000 a maio de 2010. Foi Vice-Presidente do Banco Central Europeu durante o período de 2010-2018. ... Antes da sua nomeação era Administrador do Banco Português de Investimento (1995-2000) e Administrador não executivo da Electricidade de Portugal (1998-2000). ... Secretário de Estado do Orçamento e do Plano no VI Governo Provisório em 1976. Eleito deputado à Assembleia da República em 1976, voltou a ser membro do Parlamento nos períodos 1980-81 e 1987-88. ... Foi Ministro das Finanças e do Plano do II Governo Constitucional em 1978. [Secretário-geral do Partido Socialista, de 1986 a 1989, e candidato derrotado a primeiro-ministro, em 1987].
- Governador (1986-1992) - Economista, Diretor e Vogal do Conselho de Gestão do BPSM (1973-1976), Administrador da Caixa Geral de Depósitos (1979-1981), Secretário de Estado do Tesouro (1980-1981), Secretário de Estado do Ministro das Finanças e do Tesouro (1985-1986).
- Técnico Assessor e Técnico Consultor (1979-87), Administrador (1987-90) e Governador (1992-94) - ... , Ministro das Finanças (1990-91), Economista do FMI (1984-87), ...
- Foi Governador de junho de 1994 a fevereiro de 2000. ... Antes da sua nomeação ocupava o cargo de Secretário de Estado-Adjunto e das Finanças (1993-94), tendo sido Secretário de Estado-Adjunto e do Comércio Externo (1991-93), Administrador do Banco Totta & Açores (1989-91), Secretário de Estado da Indústria (1987-89) e Administrador do IPE (1986-87). ...
Conflito de interesses? Qual conflito de interesses? No Portugal dos Pequeninos não há conflito de interesses. Só há interesses em conflito.
27/01/2020
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Ou, melhor, tiraram-me
Porém, se Sousa Pinto me tirou palavras da boca, Bernardo Blanco de O Insurgente tirou-me o post do blog porque resolveu ele próprio, e bem, publicá-lo hoje aqui. Ainda assim, não resisto a citar a parte mais lúcida e crítica do socialismo provinciano dominante no Portugal dos Pequeninos. Aqui vai à guisa de teaser:
«Ora, em 2020 ainda se encontram socialistas que falam do sector privado como sector dos “negócios” com um esgar de repulsa. O sector público, instituído em nome do bem geral, é ontologicamente superior ao mundo dos negócios, da cobiça, da acumulação e da exploração. Nesta mundivisão, o atraso português deixa de existir e é substituído pelo atraso “nos direitos” dos portugueses face aos outros povos com os quais (felizmente) persistimos em comparar-nos. A diferença é toda. O progresso nos “direitos”, espalhafatosamente materializado em conquistas cada vez mais simbólicas ou pífias, num cortejo de bombos e cantigas de embalar, carece de recursos, a obter, forçosamente, “onde se estão a acumular”.
As classes médias cada vez gozam de mais “direitos” e subsidiações, para (alegadamente) acederem a bens e serviços que noutros países pagam tranquilamente do seu bolso, porque a punção fiscal é menos esmagadora. A fantasia dos “direitos” domina a boca de cena, e a política — da extrema-esquerda à extrema-direita — é uma grande feira de “direitos”, propostos por demagogos de todas as persuasões. Cada vez mais distante está o problema do atraso português, “the sick man of Europe” da Europa Ocidental, agora disfarçado pela chegada à União Europeia de países muito mais pobres e muito mais martirizados pela história.»
12/11/2019
Um “saco com caranguejos” e um “ninho com lacraus”
Está Sousa Pinto duplamente equivocado. «O celebrado território programático da convergência histórica das esquerdas» foi encontrado na posição comum de retirar a palavra a dois partidos recém chegados ao parlamento Chega e Iniciativa Liberal nos debates quinzenais, nas interpelações ao Governo e no debate sobre o estado da Nação, invocando o regimento que na legislatura passada havia sido excepcionado para o PAN.
Não foi, portanto, suprimida a geringonça. Foi apenas suspensa.
Então e o Livre vai poder intervir? Não, não vai, mas trata-se um dano colateral. Por receio do escândalo, a geringonça renascida não teve tomates e deixou o Livre no mesmo saco do Chega e do Iniciativa Liberal.
E, por falar em saco, lembrei-me de Américo Duarte, o deputado único da UDP, uma organização estalinista actualmente integrada no Bloco de Esquerda que hoje pelo mesmo critério também seria silenciada. Costumava Américo Duarte, por alturas do PREC, referir-se ao parlamento como «saco de caranguejos» e «ninho de lacraus», expressões um tanto exageradas mas uma boa descrição para o parlamento actual substituindo a preposição «de» por «com».
11/11/2019
Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (5)
Geringonça suprimida. Viva a passarola
«Onde está o celebrado território programático da convergência histórica das esquerdas?» perguntou-se Sérgio Sousa Pinto, respondendo: «A 'geringonça' apareceu para suprimir uma ilegitimidade. Suprimida a ilegitimidade, supriu-se a 'geringonça'».
Web Summit - as dormidas já ninguém nos tira
Por muito que as trombetas da imprensa amiga soprem (quase todos os jornais com excepção do SOL se auto-excitaram com a coisa), o certo é que é essencialmente um evento turístico que dá muito jeito para fazer entrar uns cobres e, vá lá, um palco para as nossas elites merdosas exibirem o seu provincianismo cosmopolita convencidas da sua notoriedade global. Vem a propósito dizer que os mídia internacionais, com poucas e secundárias excepções se borrifaram para o evento: sem querer fazer passar um indicador como facto estabelecido, o certo é que a pesquisa no Google «web summit lisbon site:.com» na secção notícias no último mês mostra 152 referências.
E, claro, também dá jeito para o Paddy facturar uns euros na venda das camisolas fabricadas pela empresa da sua mulher. Sendo inquestionável que faz entrar uns cobres a estimativa entre os 111 e os 176 milhões é pura fantasia porque, em vez de medir o impacto marginal das estadias dos participantes que representam cerca de 70% das receitas, medem o valor bruto, como se sem Web Summit, os hotéis, os restaurantes e os transportes ficassem vazios.
O PS como barriga de aluguer de causas fracturantes
Para além dos múltiplos efeitos habituais nocivos da governação socialista, em consequência da dependência de Costa do suporte do BE a identidade do género e as outras obsessões do berloquismo entraram pela porta da frente na agenda do governo anterior. Suprimida a geringonça, essas causas começaram a entrar pela porta dos fundos, como a eutanásia que não fazia parte do programa do governo e agora vai ser objecto de uma iniciativa legislativa do grupo parlamentar do PS, segundo o Expresso.
24/04/2019
SERVIÇO PÚBLICO: As raízes do Brexit
Talvez pelo seu passado de causas fracturantes, quando já tinha idade para ter juízo, não tenho levado muito a sério Sérgio Sousa Pinto. Por isso, foi com alguma surpresa que li no Expresso do fim de semana o seu texto «Os ingleses na sua ilha», uma visão lúcida sobre as raízes do Brexit que aqui transcrevo em benefício dos leitores que não frequentam o semanário de reverência.
«A confusão e caos em que o 'Brexit' se transformou têm sido um bálsamo para inúmeras famílias no continente. A esquerda arcaica, a esquerda cosmopolita e globalista, a direita liberal, os beatos da Europa, os seus senhores, e, por todos, a picareta falante Guy Verhofstadt, escondem mal o seu íntimo regozijo com a débâcle britânica, e sobretudo inglesa. Infelizmente, não há razões para festejos. A saída do Reino Unido representa muito mais do que uma perda quantitativa para a Europa, medida em PIB, comércio, orçamento, influência. A saída do Reino Unido terá um impacto qualitativo na Europa pós-'Brexit', no sentido em que a Europa sairá modificada na sua natureza, resultará numa qualquer outra coisa, ainda impossível de antecipar, transformada a um nível muito mais profundo do que a mera amputação de uma ilha. O que o futuro reserva ao Reino Unido não é problema nosso. O impacto da sua saída no projeto de integração continental, no seu desenho e no seu. destino, não pode deixar de o ser. A Europa é tributária de um núcleo de valores políticos e históricos, que são o legado cultural britânico à nossa civilização comum, e de que o Reino Unido tem sido, à sua maneira, guardião. O espírito da integração europeia repousa, em não pequena medida, na adesão de todos a esse tronco central, à tradição da liberdade e às suas instituições, que, devidamente testadas pelo tempo, a garantem. Uma parte importante da Europa que saiu de si para ir ao encontro do mundo, a Europa pós-colonial, separa-se do conjunto, deixando-nos num plano inclinado, que adorna em direção ao centro europeu, germânico, eslavo, de tradição e cultura mais comunitarista que liberal.
05/11/2018
Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (160)
Para quem imagina que geringonça é um expediente inócuo para cumprir a ambição de Costa ser primeiro-ministro apesar de ter perdido as eleições, é melhor pensar outra vez. O custo para o país de cavalgar as políticas públicas socialistas erradas com as políticas absurdas de comunistas e bloquistas não se limita às parvoíces da «horrível catequese identitária», como lhes chamou Sérgio Sousa Pinto, um socialista antigo adepto das causas fracturantes que com a idade ganhou algum siso.A redução das propinas das universidades, um osso que Costa deu ao BE para roer debaixo da mesa orçamental, é mais exemplo de uma bandeira esquerdista que beneficia as famílias com maiores rendimentos e não compensa as de baixos rendimentos para quem bolsas e alojamentos de baixo custo seriam preferíveis. Outro exemplo, ainda não consumado mas que pode por em risco a gestão privada dos cinco novos hospitais anunciados (mais uma vez) pelo governo, é o combate em nome de uma concepção soviética do Estado às Parcerias Público-Privadas hospitalares que uma vez mais se confirmaram ser a solução mais eficiente e, portanto, com mais qualidade e mais barata para os contribuintes, da gestão hospitalar: em cem hospitais os melhores são três PPP.




