| Marina Ovsyannikova a furar o blackout putinesco |
«Há seis meses, fui obrigado a deixar a minha casa na Rússia para evitar a ameaça de prisão. O meu crime? Ser jornalista independente. Há três anos, criei o Proekt, um site de reportagem de investigação, que fez cair sobre mim e sobre a nossa equipa toda a força do aparelho repressivo criado por Vladimir Putin para silenciar os meios de comunicação social críticos.
Primeiro, fomos acusados de difamação criminosa. Eventualmente, após ter sido detido e interrogado em várias ocasiões, o Proekt foi declarado “organização indesejável” com a maioria dos nossos funcionários, eu incluído, a ficar com o rótulo de “agentes estrangeiros” – a nossa empresa está registada nos Estados Unidos, pelo que qualquer salário pago aos nossos funcionários conta como financiamento estrangeiro. Há seis meses, perante a inevitável ameaça de uma pena de prisão, exilei-me nos Estados Unidos.
Desde então, tenho continuado a minha missão a partir do estrangeiro e criei uma redacção de investigação em língua russa. Até ao momento da invasão da Ucrânia, sabíamos que os russos podiam aceder às nossas reportagens na Internet. Agora, isso está a tornar-se cada vez mais difícil, uma vez que o processo de supressão de vozes independentes que o Kremlin iniciou há cerca de uma década atingiu novas dimensões totalitárias.
Em casa, na Rússia, qualquer jornalista disposto a chamar “guerra” ao que está a acontecer na Ucrânia tornou-se inimigo do Presidente russo, podendo ser alvo de uma nova lei que visa desmascarar “notícias falsas", que ameaça com uma pena de prisão de até 15 anos.»
Excerto do depoimento de Roman Badanin publicado no Público