Porque está o Brexit a falhar em toda a linha, ao ponto do governo de BoJo propor ao parlamento uma violação do tratado que assinou em Janeiro com a UE? Certamente porque uma reforma desta magnitude está a ser conduzida como uma questão eleitoral. Em primeiro lugar, porque o referendo convocado por Cameron foi um expediente para evitar perder as eleições para o UK Independence Party de Nigel Farage. Em segundo lugar, porque a campanha pelo Brexit foi promovida por todos os partidos com mentiras e meias verdades e os eleitores, nomeadamente os restos da classe operária que rejeitaram o esquerdismo de Corbyn, votaram no Brexit proposto pelos conservadores com base em premissas falaciosas. Em terceiro lugar, porque um referendo sobre uma questão complexa como esta é de legitimidade duvidosa porque a maioria dos eleitores não tem a informação fiável indispensável nem condições para avaliar as alternativas - é por isso que a democracia liberal assenta na representação e existem os parlamentos.
No passado, as grandes reformas no Reino Unido foram longamente discutidas e preparadas. As reformas mais importantes envolveram trabalhistas e conservadores durante décadas que recorreram intensamente uma instituição tipicamente britânica - o think-tank. A criação do Estado Social pelos trabalhistas no pós-guerra conduzida pelo governo trabalhista de Clement Attlee foi uma ideia e um projecto amadurecido entre as duas guerras. O beco sem saída do Estado Social trabalhista abriu a oportunidade à reforma conduzida pelo governo de Margaret Thatcher que adoptou as políticas liberais inspiradas por Friedrich Hayek e propostas pelo Centre for Policy Studies. Nada disto se passou, está a passar ou improvavelmente se passará no caso do Brexit onde o debate está sufocado pela demagogia. Não vai acabar bem e o Partido Conservador vai ser o primeiro a pagar a factura. Talvez então Boris Johnson perceba que está tão longe de ser Winston Churchill como Theresa May de ter sido Margaret Thatcher.