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15/03/2020

SERVIÇO PÚBLICO: "A coisa mais perigosa sobre o coronavírus é a histeria" (3)

Em retrospectiva: há um mês, publicámos o gráfico seguinte representando vários cenários da evolução típica de uma epidemia com os dados então conhecidos do Covid-19 que se circunscreviam nessa altura praticamente só à China. Duas semanas depois, com o mesmo propósito de mostrar a dimensão da ameaça e evitar a histeria, citámos o artigo de Ross Clark na Spectator.

A ray of hope in the coronavirus curve

Publicamos agora o gráfico do Center for Systems Science and Engineering (CSSE) da Johns Hopkins University (JHU) dos novos casos infectados e recuperados, onde são perfeitamente visíveis as curvas China e resto do mundo, sendo certo que o número de novos casos no resto do mundo continuará a crescer durante mais algum tempo por uma razão óbvia: o resto do mundo tem cinco vezes mais população do que a China.

The Center for Systems Science and Engineering (CSSE) at JHU
A evolução do número de infectados nas epidemias pode ser explicada por um modelo matemático graficamente representado por uma curva com um perfil característico (ver o primeiro gráfico), embora com parâmetros que variam muito com o número de novos casos, o ritmo de crescimento e a extensão do período de contágio. Evidentemente que esta é uma abordagem aproximada e falível, em todo o caso preferível à paranóia, à ignorância arrogante e às teorias da conspiração.

Óscar Felgueiras, um matemático da Faculdade de Ciências do Porto, construiu 3 cenários de crescimento diário e estimou que no cenário mais provável haverá por dia cerca de 1.200 novos infectados no final da próxima semana.

Jorge Buescu, um matemático da Faculdade de Ciências de Lisboa, preparou um modelo com os parâmetros que estimou para Portugal e construiu três cenários que o Expresso publicou sendo que no cenário mais provável haverá um total de cerca de 20 mil infectados no final deste mês. Dependendo da eficácia das medidas de contenção, o número de novos infectados continuará a aumentar durante o mês de Abril e poderá durante o mês de Maio atingir o ponto de inflexão começando então a diminuir.