No próprio dia em que foi publicada a entrevista que o Expresso anunciou na primeira página (*), a Dr.ª Graça Freitas negou completamente em conferência de imprensa o que havia dito: «Afasto completamente. Já vamos no quarto cenário e os dados são cada vez mais favoráveis e o grau de incerteza é cada vez menor».
Por essa altura, a China, onde tudo começou há dois meses, com 1.400 milhões de habitantes - 140 vezes a população de Portugal -, tinha menos de 80 mil infectados e havia menos de 10 mil no resto do mundo.
Uns dias antes, na quinta-feira anterior, a ministra da Saúde garantia: «estamos preparados para que um cenário semelhante àquele que está a acontecer em Itália possa acontecer também no nosso país. (...) Temos já 10 hospitais preparados para entrar, se for necessário, em modo de acolhimento de doentes».
Ontem, segunda-feira, havia 2-casos de possíveis infectados-2 em Portugal e a Directora-Geral da Saúde anunciou que os hospitais de Santo António e de São João, no Porto, «esgotaram a capacidade». Esgotaram a capacidade? Dois casos?
(*) Foi uma espécie de repetição ao contrário da célebre primeira página de 5 de Fevereiro de 2011 onde se anunciava «O FMI já não vem». E não, não se trata de "engano", trata-se de enganar.
