Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

01/11/2012

Pro memoria (78) – O défice de memória dos comentadores

Durante várias décadas fizemos o caminho que nos conduziu ao bailout da troika onde chegámos com:
  • Maior desemprego dos últimos 90 anos;
  • Maior dívida pública dos últimos 160 anos;
  • Mais baixo crescimento económico dos últimos 90 anos;
  • Maior dívida externa dos últimos 120 anos;
  • Mais baixa taxa de poupança dos últimos 50 anos;
  • Segunda maior taxa de emigração dos últimos 160 anos.
Chegámos aqui sob o ruidoso silêncio da esmagadora maioria das luminárias deste país, em particular dos comentadores, como Daniel Oliveira que ontem, antes da votação do orçamento, ameaçava os deputados de dedinho no ar porque «cada um deles, nominalmente, será responsável por todas as consequências que este orçamento venha a ter para o País».

Em que 5.ª dimensão terá andado Daniel Oliveira? Estes deputados serão responsáveis? Pois serão. E os governos que propuseram e executaram e os outros deputados que aprovaram os orçamentos do passado que nos conduziram a um orçamento como este, ou parecido, ter que ser aprovado serão responsáveis porquê? Por nos fazerem felizes na nossa ignorância das consequências?

E como explicar que uma criatura de quem nunca se ouviu defender os círculos uninominais vem agora meter medo aos deputados considerando-os «nominalmente» responsáveis?

Sem comentários: