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27/07/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Testes de (pouca) resistência (2)

Aparentemente os mercados europeus parecem estar a reagir positivamente aos resultados dos testes, com os principais índices a mostrar alguma euforia. Isso significa que aparentemente o que escrevi aqui ontem parece completamente infundado? Not so fast. Os mercados de capitais são como os pássaros. É preciso deixá-los pousar. Entretanto, as reacções dos analistas são frequentemente cépticas, to say the least.

Confirma-se que as insuficiências de capital detectadas (3,5 mil milhões) estão muito longe das estimativas: Nomura 30 mil milhões; Goldman Sachs 38 mil milhões, Barclays 85 mil milhões. Confirma-se que a maioria da dívida pública não foi considerada por estar classificada (arbitrariamente) como banking book – por exemplo a dívida grega foi assim classificada em 90% pelos bancos testados. Se os testes tivessem considerado a totalidade da dívida pública (e não apenas a banking book) teriam ficado 24 bancos abaixo de 6% do Tier 1.

Em resumo, os stress tests conduzidos pelo troika Comissão Europeia, BCE e Comité de Supervisores Bancários Europeus ficam a parecer-se bastante como uma operação de marketing para induzir confiança nos mercados. Vamos ver nos próximos dias como estes reagem a frio.

Algumas análises heterodoxas:
É claro que sempre podemos descartar as questões incómodas e imaginar mais uma teoria da conspiração, desta vez dos analistas anglo-saxónicos. Infelizmente a realidade expulsa pela porta da frente volta a entrar pela porta das trazeiras, mais tarde ou mais cedo.

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