| Fonte: Correio de Manhã |
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
02/06/2013
Mitos (111) – O povo exige a demissão do governo e novas eleições
SERVIÇO PÚBLICO: Duas dúvidas existenciais sobre o agravamento do défice em 600 milhões a melhoria do défice em 200 milhões
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Do lado da receita, não há surpresas; os impostos directos aumentam 18% em resultado do aumento das taxas de IRS e os indirectos diminuem 4% pela quebra do consumo; as contribuições para a segurança social aumentam 4% devido à componente CGA;
Do lado da despesa tudo aumenta, como seria de esperar, porque as reformas do Estado estão à espera do guião/argumentário do Dr. Paulo Portas; o aumento das despesas com o pessoal explica-se devido à antecipação do subsídio que representará 320 milhões – sem isso as despesas com pessoa teriam baixado de 148 milhões; as despesas de saúde reduzem-se ligeiramente o que num contexto de aumento sistemático desde há décadas é mais positivo do que parece; as outras despesas (uma parte será investimento) aumentam sem que se perceba porquê.
01/06/2013
Bons exemplos (60) – Lá se fazem, cá se pagam (II)
Desta vez a culpa parece não ter morrido solteira. Depois de ter «remodelado» dois secretários de Estado, Paulo Braga Lino e Juvenal Silva Peneda, corresponsáveis por perdas potenciais dos swaps especulativos de taxa de juro, o governo decidiu demitir «Presidentes executivos, administradores e gestores financeiros das empresas públicas de transportes, Metro de Lisboa e do Porto, Carris, STCP, CP e EGREP».
DIÁRIO DE BORDO: Viva o capitalismo, a globalização, o liberalismo clássico e a juventude (liberal)
Infelizmente só se encontram vestígios do liberalismo clássico e dos jovens liberais nesta jangada de pedra. Tratemos, pois, esses vestígios como se fossem espécies em ameaçadas.
Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (63) – A administração Obama tenta emendar a Primeira Emenda
«The Obama administration has pursued more such cases than all previous administrations combined, including one against a former CIA official charged with leaking U.S. intelligence on Iran and another against a former FBI contract linguist who pleaded guilty to leaking to a blogger.»Ver aqui uma retrospectiva do Washington Post das acções do executivo para limitar o direito de livre expressão. Sim, é esse mesmo Washington Post do Watergate, tão reverenciado pela esquerdalhada que assobia para o lado quando os seus darlings são apanhados com as calças na mão.
31/05/2013
ESTADO DE SÍTIO: Uma república das bananas a que só falta um coronel
«O provedor de Justiça afirma (em entrevista à Antena 1) que poderia haver um refrescamento da situação política se houvesse eleições legislativas antecipadas no mesmo dia das autárquicas. Alfredo José de Sousa considera que, se não for dessa forma, só haverá eleições depois de junho de 2014.»
Face a este coro de gente falsamente democrática, para quem as eleições apenas servem para legitimar as suas escolhas, espera-se que o governo, se não consegue tirar o Estado do atoleiro em que a governação socialista o deixou, capturado pelos donos da III República, ao menos preste um serviço à democracia cumprindo o mandato até ao fim.
Face a este coro de gente falsamente democrática, para quem as eleições apenas servem para legitimar as suas escolhas, espera-se que o governo, se não consegue tirar o Estado do atoleiro em que a governação socialista o deixou, capturado pelos donos da III República, ao menos preste um serviço à democracia cumprindo o mandato até ao fim.
Parece-me difícil restaurar o sentido de decência naquela companhia…
Ontem na Aula Magna, no comício da Frente Popular, Mário Soares decretou que o governo «não deve ser considera legítimo», considerando as manifestações que envolveram, com boa vontade, um ou dois por cento dos portugueses, e por ter ignorado a Constituição.
30/05/2013
Um dia como os outros na vida do estado sucial (9)
Regedor da freguesia de Carnide ocupa estação dos CTT e consegue compromisso da administração de manter aberta a estação.
A deputada europeia Ana Gomes queixou-se em Dezembro ao Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia (OLAF) sobre a empresa Tecnoforma e a ONG Centro Português para a Cooperação, ajudada a criar por Passos Coelho em 1996, por «por má utilização de fundos comunitários» durante o mandato de Miguel Relvas como SEC da Administração Local, isto é 6 anos depois. Obedientemente, o jornalismo de causas titula «União Europeia investiga negócios de Relvas e Passos». Não se conhece qualquer queixa da deputada sobre qualquer outra das inúmeras suspeitas de má utilização de fundos comunitários, nacionais, regionais e locais.
A deputada europeia Ana Gomes queixou-se em Dezembro ao Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia (OLAF) sobre a empresa Tecnoforma e a ONG Centro Português para a Cooperação, ajudada a criar por Passos Coelho em 1996, por «por má utilização de fundos comunitários» durante o mandato de Miguel Relvas como SEC da Administração Local, isto é 6 anos depois. Obedientemente, o jornalismo de causas titula «União Europeia investiga negócios de Relvas e Passos». Não se conhece qualquer queixa da deputada sobre qualquer outra das inúmeras suspeitas de má utilização de fundos comunitários, nacionais, regionais e locais.
@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (16)
29/05/2013
SERVIÇO PÚBLICO: A banca alemã já viu piores (e melhores) dias
Segundo o BaFin, o regulador bancário alemão, citado pelo Financial Times os bancos alemães, incluindo o Deutsche e o Commerzbank, reduziram no final do ano passado o défice de capital para cumprir as regras do Basileia III de 32 mil milhões para 14 mil milhões, vendendo activos, recalculando o risco de outros e, numa escala mais reduzida, aumentando o capital.
Os 14 mil milhões são ainda muitos milhões e reflectem uma situação da qual a banca alemã não se pode orgulhar, mas devemos colocar em perspectiva este défice de capital. Será preciso lembrar aos militantes da baixaria anti-germânica que a banca portuguesa teve que reforçar entre 2011 e Junho de 2012 o capital Core Tier 1 em mais de 5 mil milhões (de 28,7 para 33,9) e para tal tiveram que ser injectados nos 4 maiores bancos mais de 7 mil milhões, dos quais apenas 1,3 mil milhões foram dos accionistas e o restante foi dinheiro do Estado ou do Fundo de Recapitalização? (Fonte: «A supervisão do sistema bancário português: evolução recente e tendências futuras», Conferência X Fórum Banca, 6-11-2012) E para os distraídos será preciso lembrar que os activos dos bancos alemães valem muitas dezenas de vezes os activos dos bancos portugueses?
Os 14 mil milhões são ainda muitos milhões e reflectem uma situação da qual a banca alemã não se pode orgulhar, mas devemos colocar em perspectiva este défice de capital. Será preciso lembrar aos militantes da baixaria anti-germânica que a banca portuguesa teve que reforçar entre 2011 e Junho de 2012 o capital Core Tier 1 em mais de 5 mil milhões (de 28,7 para 33,9) e para tal tiveram que ser injectados nos 4 maiores bancos mais de 7 mil milhões, dos quais apenas 1,3 mil milhões foram dos accionistas e o restante foi dinheiro do Estado ou do Fundo de Recapitalização? (Fonte: «A supervisão do sistema bancário português: evolução recente e tendências futuras», Conferência X Fórum Banca, 6-11-2012) E para os distraídos será preciso lembrar que os activos dos bancos alemães valem muitas dezenas de vezes os activos dos bancos portugueses?
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Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (62) – Obama vs Bush - uma diferença retórica?
Mr Obama has occasionally resorted to a tactic favoured by his predecessor, George W. Bush, that enraged the left and earned criticism from Mr Obama himself when he was running for president: the signing statement, a sort of declaration of principles issued when a president signs a bill into law. Although these have been around since the early 19th century, Mr Bush used them like a line-item veto, identifying portions of laws he did not intend to enforce. Mr Obama has done the same, albeit far less often, arguing that Congress has no right to tell him what to do with the prisoners America is holding at Guantánamo Bay in Cuba, for instance.
28/05/2013
Chávez & Chávez, Sucessores (8) – Depois de ter chegado ao traseiro do povo, a revolução chávista chega à missa
Primeiro foi o traseiro do povo a quem a revolução chávista proporcionou 50 milhões de rolos de papel higiénico, em falta presumivelmente devido às manobras do imperialismo ianque. Agora falta, entre muitos outros produtos, o vinho para as missas.
Aonde é que já vimos isto? Em todo o lado onde uma clique, em nome do socialismo, com a ajuda de empresas nacionalizadas, da economia planificada, da luta contra os especuladores e dos racionamentos, esvazia as prateleiras.
É a grande oportunidade para Paulo Portas ressuscitar a sua encarnação de Paulinho das Feiras e partir para a Venezuela vender géneros de primeira necessidade, habitualmente disponíveis nas nossas feiras, em vez de navios asfalteiros que, dado o passado recente dos Estaleiros de Viana, ninguém sabe se serão construídos e, se forem, se serão aprovados e, se forem aprovados, se serão pagos.
Aonde é que já vimos isto? Em todo o lado onde uma clique, em nome do socialismo, com a ajuda de empresas nacionalizadas, da economia planificada, da luta contra os especuladores e dos racionamentos, esvazia as prateleiras.
É a grande oportunidade para Paulo Portas ressuscitar a sua encarnação de Paulinho das Feiras e partir para a Venezuela vender géneros de primeira necessidade, habitualmente disponíveis nas nossas feiras, em vez de navios asfalteiros que, dado o passado recente dos Estaleiros de Viana, ninguém sabe se serão construídos e, se forem, se serão aprovados e, se forem aprovados, se serão pagos.
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (5) – viagem ao interior das meninges de um crítico de cinema
A propósito do filme apresentado em Cannes «The Touch of Sin» do realizador Jia Zhang-ke, um crítico de cinema da Actual do Expresso, escreve que «o cineasta chinês … possui … um olhar amplo nas suas radiografias ao globo. Uma vez mais, pergunta-se o que está a acontecer às pessoas na China desde a viragem do país ao capitalismo selvagem e qual é o preço a pagar por esta nova forma de vida.»
Não sei se o realizador ou o crítico possuem um olhar amplo nas suas radiografias ao globo. Se possuíssem já se teriam perguntado o que aconteceu aos chineses no passado com a ditadura comunista de Mao Ze-dong e o seu cortejo de milhões de mortos (só em resultado do Grande Salto em Frente, 20 milhões morreram de fome, em 1958-60). E também não seria difícil saber o que aconteceu desde a viragem do país ao capitalismo selvagem: centenas de milhões de chineses saíram da pobreza mais absoluta e um realizador underground como Jia Zhang-ke, que teria sido internado num campo de reeducação antes da viragem ao capitalismo selvagem, conseguiu a partir de 2004 realizar vários filmes com o selo estatal.
Não sei se o realizador ou o crítico possuem um olhar amplo nas suas radiografias ao globo. Se possuíssem já se teriam perguntado o que aconteceu aos chineses no passado com a ditadura comunista de Mao Ze-dong e o seu cortejo de milhões de mortos (só em resultado do Grande Salto em Frente, 20 milhões morreram de fome, em 1958-60). E também não seria difícil saber o que aconteceu desde a viragem do país ao capitalismo selvagem: centenas de milhões de chineses saíram da pobreza mais absoluta e um realizador underground como Jia Zhang-ke, que teria sido internado num campo de reeducação antes da viragem ao capitalismo selvagem, conseguiu a partir de 2004 realizar vários filmes com o selo estatal.
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A atracção fatal entre a banca do regime e o poder (11) – Tudo em família
[Mais atracções fatais: pesquisa Google]
Outro exemplo do conúbio entre os Espíritos da banca do regime e o poder socialista, neste caso o poder local socialista na Câmara de Lisboa: num contrato de cessão de créditos da EPUL (para injectar liquidez neste elefante branco) a Câmara exigiria o visto prévio do Tribunal de Contas se o contrato fosse com o Santander (as cessões de crédito estão dispensadas segundo o TC), mas dispensá-lo-ia se o contrato fosse com o BES.
O Público recordou a propósito que Ricardo Salgado, o presidente do BES, e Manuel Salgado são primos, mas isso pode ser só coincidência. Deram-se conta de almas gritando a sua indignação e rasgando as vestes? Não? Eu também não.
[Lido no Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...]
Outro exemplo do conúbio entre os Espíritos da banca do regime e o poder socialista, neste caso o poder local socialista na Câmara de Lisboa: num contrato de cessão de créditos da EPUL (para injectar liquidez neste elefante branco) a Câmara exigiria o visto prévio do Tribunal de Contas se o contrato fosse com o Santander (as cessões de crédito estão dispensadas segundo o TC), mas dispensá-lo-ia se o contrato fosse com o BES.
O Público recordou a propósito que Ricardo Salgado, o presidente do BES, e Manuel Salgado são primos, mas isso pode ser só coincidência. Deram-se conta de almas gritando a sua indignação e rasgando as vestes? Não? Eu também não.
[Lido no Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...]
@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (15)
27/05/2013
Pro memória (115) – Mandem as contas para Paris
Mandem as contas das perdas dos swaps especulativos de taxa de juro, quase todos negociados durante os governos de José Sócrates, perdas que, mesmo depois de renegociadas, ficarão em pelo menos mil milhões. E mandem as que todas as semanas surgem dos buracos do queijo gruyère que foi a governação socialista - umas miudezas de dezenas ou centenas de milhares ou de um milhão, como é caso do contrato com a Critical Software.
Contratada em 2010 por ajuste directo para desenvolver a aplicação Citius Plus para suportar o novo Código do Processo Civil, a Critical Software não cumpriu os requisitos técnicos e funcionais definidos e o ministério da Justiça renegociou o contrato e aceitou pagar 500 mil por uma aplicação que, pelos vistos, só está instalada num pequeno número de tribunais e em breve será substituída.
Contratada em 2010 por ajuste directo para desenvolver a aplicação Citius Plus para suportar o novo Código do Processo Civil, a Critical Software não cumpriu os requisitos técnicos e funcionais definidos e o ministério da Justiça renegociou o contrato e aceitou pagar 500 mil por uma aplicação que, pelos vistos, só está instalada num pequeno número de tribunais e em breve será substituída.
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SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (17)
Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15) e (16)
O PIB caiu 3,9% em termos homólogos no 1.º trimestre (INE). É uma má notícia? É. A população empregada teve no mesmo período uma redução homóloga de 4,9% (INE). É uma má notícia? É. E as duas más notícias em conjunto são ainda piores? Não necessariamente, porque indiciam que são os postos de trabalho menos produtivos que se estão a perder. E sendo a baixa produtividade o maior handicap de longo prazo da economia portuguesa, alguém conhece algum caso em que a produtividade aumentou mantendo os mesmos postos de trabalho?
O PIB caiu 3,9% em termos homólogos no 1.º trimestre (INE). É uma má notícia? É. A população empregada teve no mesmo período uma redução homóloga de 4,9% (INE). É uma má notícia? É. E as duas más notícias em conjunto são ainda piores? Não necessariamente, porque indiciam que são os postos de trabalho menos produtivos que se estão a perder. E sendo a baixa produtividade o maior handicap de longo prazo da economia portuguesa, alguém conhece algum caso em que a produtividade aumentou mantendo os mesmos postos de trabalho?
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26/05/2013
De boas intenções está o inferno cheio (14) - O mais curto período de graça desde dona Maria II
Poiares Maduro ainda leva pouco mais do que um mês no governo e entrou já decididamente no período de desgraça, depois da primeira reunião da Concertação Social em que «saiu a meio do encontro e criticou os parceiros sociais por falta de preparação. Patrões e sindicatos não gostaram e estão a preparar uma resposta em conjunto.» (Expresso)
Muito provavelmente, Poiares Maduro tem toda a razão ao criticar a falta de preparação daquele pessoal que enxameia a Concertação Social. Estarão preparados mas para outras coisas e certamente não estão interessados em concertar-se. O próprio Poiares Maduro também estará preparadíssimo noutros domínios mas não para lidar com aquela gente e infelizmente as competências não se transferem de uns domínios para outros.
É mais um exemplo de os políticos amadores não substituírem os bons políticos profissionais. Quanto muito substituem os maus políticos profissionais. Aguardemos para ver se Poiares Maduro terá tempo e talento para fazer o seu caminho e se tornar um político capaz ou se envereda pelo caminho do Álvaro do ministério da Economia e começa a aviar anúncios de medidas raramente concretizadas, desbarata o reduzido crédito de que dispõe e, na ânsia de ser aceite por empresários manhosos e pelas suas corporações de pedintes, fica mais papista do que o papa.
Muito provavelmente, Poiares Maduro tem toda a razão ao criticar a falta de preparação daquele pessoal que enxameia a Concertação Social. Estarão preparados mas para outras coisas e certamente não estão interessados em concertar-se. O próprio Poiares Maduro também estará preparadíssimo noutros domínios mas não para lidar com aquela gente e infelizmente as competências não se transferem de uns domínios para outros.
É mais um exemplo de os políticos amadores não substituírem os bons políticos profissionais. Quanto muito substituem os maus políticos profissionais. Aguardemos para ver se Poiares Maduro terá tempo e talento para fazer o seu caminho e se tornar um político capaz ou se envereda pelo caminho do Álvaro do ministério da Economia e começa a aviar anúncios de medidas raramente concretizadas, desbarata o reduzido crédito de que dispõe e, na ânsia de ser aceite por empresários manhosos e pelas suas corporações de pedintes, fica mais papista do que o papa.
25/05/2013
ESTADO DE SÍTIO: Conselho de Estado, uma espécie de Conselho da Revolução
A última reunião do Conselho de Estado parece ter sido uma sessão pública de um micro-parlamento e foi relatada pelos jornais com grande soma de pormenores como se a sala estivesse cheia de jornalistas ou pejada de escutas. As minúcias mais interessantes em minha opinião são as relativas à intervenção do presidente do Tribunal Constitucional.
Joaquim Sousa Ribeiro, o presidente do Tribunal Constitucional, é uma alma encalhada nas contestações académicas coimbrãs de 1969 e foi nomeado pelo parlamento para o TC por proposta do seu amigo Alberto Martins – o estudante que interpelou a múmia presidencial do salazarismo, futuro fundador do MES, um clube de diletantes e bem-pensantes que se achavam acima do PS, onde acabaram por desaguar muitos deles em sucessivas levas, a primeira delas liderada por um futuro secretário-geral e presidente da República - Jorge Sampaio. Segundo o jornal SOL, «surpreendeu os restantes conselheiros com uma intervenção de cariz marcadamente ideológico e de crítica ao governo em funções – num tom de combate político». Possivelmente olhou, não sem um módico de razão, para Cavaco Silva como uma espécie de almirante Américo Tomaz do século XXI a ocupar sem legitimidade um lugar que por direito pertenceria a um ungido pela esquerda.
Ficou patente para quem tivesse dúvidas que o Conselho de Estado e a Constituição que o criou são garantes da perpetuidade de uma concepção de estado saída do PREC, ela própria um resíduo da mancebia espúria entre uma democracia de tipo ocidental e um estado do tipo soviético.
Joaquim Sousa Ribeiro, o presidente do Tribunal Constitucional, é uma alma encalhada nas contestações académicas coimbrãs de 1969 e foi nomeado pelo parlamento para o TC por proposta do seu amigo Alberto Martins – o estudante que interpelou a múmia presidencial do salazarismo, futuro fundador do MES, um clube de diletantes e bem-pensantes que se achavam acima do PS, onde acabaram por desaguar muitos deles em sucessivas levas, a primeira delas liderada por um futuro secretário-geral e presidente da República - Jorge Sampaio. Segundo o jornal SOL, «surpreendeu os restantes conselheiros com uma intervenção de cariz marcadamente ideológico e de crítica ao governo em funções – num tom de combate político». Possivelmente olhou, não sem um módico de razão, para Cavaco Silva como uma espécie de almirante Américo Tomaz do século XXI a ocupar sem legitimidade um lugar que por direito pertenceria a um ungido pela esquerda.
Ficou patente para quem tivesse dúvidas que o Conselho de Estado e a Constituição que o criou são garantes da perpetuidade de uma concepção de estado saída do PREC, ela própria um resíduo da mancebia espúria entre uma democracia de tipo ocidental e um estado do tipo soviético.
@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (14)
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