Os impulsos manipulativos deste governo, e em particular do seu primeiro ministro, não são novidade. O que pode surpreender é a intensidade que a manipulação atingiu com o caso do escândalo do diploma da universidade Independente. Para além das dezenas de spin doctors gravitando à volta do governo que se mostraram incansáveis nas últimas semanas, o próprio engenheiro Sócrates deu o exemplo na linha de frente telefonando «pelo menos seis vezes ao jornalista (do Público) que investigou a história», segundo o Expresso (a peça «Impulso irresistível de controlar» parece um aceitável exemplo de jornalismo sem causas).
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
31/03/2007
SERVIÇO PÚBLICO: José Sócrates, o controleiro
Os impulsos manipulativos deste governo, e em particular do seu primeiro ministro, não são novidade. O que pode surpreender é a intensidade que a manipulação atingiu com o caso do escândalo do diploma da universidade Independente. Para além das dezenas de spin doctors gravitando à volta do governo que se mostraram incansáveis nas últimas semanas, o próprio engenheiro Sócrates deu o exemplo na linha de frente telefonando «pelo menos seis vezes ao jornalista (do Público) que investigou a história», segundo o Expresso (a peça «Impulso irresistível de controlar» parece um aceitável exemplo de jornalismo sem causas).
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E agora José?
30/03/2007
SERVIÇO PÚBLICO: as flexibilidades inflexíveis
(Prima para ampliar as flexibilidades )
Hoje o governo publicou 64-portarias-64 inflexibilizando a flexibilidade de outros tantos departamentos de vários ministérios. Nos dias anteriores foram dezenas e nos dias seguintes hão-de ser mais dezenas de ejaculações legislativas flexibilizantes, no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE).
Não me parece que a alguma cabeça no governo ou a alguma entre as 7 centenas de milhares de utentes da vaca marsupial pública ocorra a mais ínfima e humilde dúvida acerca da utilidade social do monstro, que ajudam a manter e os alimenta, e da elevada probabilidade do resultado destas "reformas" ser o aumento da burocracia e a aplicação inexorável da lei de Parkinson (ver aqui Parkinson Law revisited).
Hoje o governo publicou 64-portarias-64 inflexibilizando a flexibilidade de outros tantos departamentos de vários ministérios. Nos dias anteriores foram dezenas e nos dias seguintes hão-de ser mais dezenas de ejaculações legislativas flexibilizantes, no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE).
Não me parece que a alguma cabeça no governo ou a alguma entre as 7 centenas de milhares de utentes da vaca marsupial pública ocorra a mais ínfima e humilde dúvida acerca da utilidade social do monstro, que ajudam a manter e os alimenta, e da elevada probabilidade do resultado destas "reformas" ser o aumento da burocracia e a aplicação inexorável da lei de Parkinson (ver aqui Parkinson Law revisited).
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29/03/2007
CASE STUDY: a centralidade euro-atlântica, o quinto império da doutora Vitorino
«Portugal será Plataforma Atlântica para mercados ibérico e europeu», titula o DE e continua:
Vejamos alguns portos europeus insignificantes que podem ensombrar o destino da plataforma atlântica da doutora Vitorino para os mercados ibérico e europeu. O arco do norte: Vigo, La Coruna, Gijon, Santander, Bilbao, Bordéus, St. Nazaire, Brest, Cherburgo, Le Havre, Calais, Dunquerque, Antuérpia, Roterdão, Amersterdão, Bremen, Hamburgo, Kiel, etc. O arco mediterrânico: Cádiz, Valencia, Tarragona, Barcelona, Marselha, Génova, Civitavecchia, Nápoles, etc.
A doutora Ana Paula Vitorino pode explicar-nos quem vai usar os ineficientes portos portugueses para descarregar e transportar depois por milhares de kms cargas para o Norte de França dispondo dum porto como o Havre, ou para o Sul da França com Marselha, ou para a Europa central com Amesterdão ou Hamburgo?
Talvez o maior obstáculo para alcançar o que está ao nosso alcance sejam os delírios que nos levam a imaginar atingir o inatingível.
Clique para ampliar - os pontos amarelos são as insignificâncias.
(Fonte: European Sea Ports Organization)
A secretária de Estado dos Transportes portuguesa garantiu hoje, na abertura do I Encontro Hispano-Luso Empresarial de Logística, em Salamanca, Espanha, que o Governo de Lisboa pretende "transformar" Portugal numa "plataforma atlântica" para os mercados ibérico e europeu.
Ana Paula Vitorino explicou, no discurso de abertura dos dois dias de trabalhos - que contam com cerca de 200 empresários das regiões Centro/Norte de Portugal e Castela e Leão a discutir as mais valias das plataformas logísticas -, que Portugal deve potenciar a sua centralidade euro-atlântica.
Vejamos alguns portos europeus insignificantes que podem ensombrar o destino da plataforma atlântica da doutora Vitorino para os mercados ibérico e europeu. O arco do norte: Vigo, La Coruna, Gijon, Santander, Bilbao, Bordéus, St. Nazaire, Brest, Cherburgo, Le Havre, Calais, Dunquerque, Antuérpia, Roterdão, Amersterdão, Bremen, Hamburgo, Kiel, etc. O arco mediterrânico: Cádiz, Valencia, Tarragona, Barcelona, Marselha, Génova, Civitavecchia, Nápoles, etc.A doutora Ana Paula Vitorino pode explicar-nos quem vai usar os ineficientes portos portugueses para descarregar e transportar depois por milhares de kms cargas para o Norte de França dispondo dum porto como o Havre, ou para o Sul da França com Marselha, ou para a Europa central com Amesterdão ou Hamburgo?
Talvez o maior obstáculo para alcançar o que está ao nosso alcance sejam os delírios que nos levam a imaginar atingir o inatingível.
Clique para ampliar - os pontos amarelos são as insignificâncias.
(Fonte: European Sea Ports Organization)
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28/03/2007
BLOGARIDADES: o que já não é mau
Eu sabia que alguém algum dia ia escrever isto: Os casais de hoje, modernos e desempoeirados, não são sexualmente mais felizes do que os de ontem. São é mais livres de sofrer, o que já não é mau.
Foi o marinheiro FNV num post inspirado.
Foi o marinheiro FNV num post inspirado.
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27/03/2007
ARTIGO DEFUNTO: fazer dos leitores otários
Aeroporto da Ota 2007-03-27 00:05
Novo aeroporto deve avançar já
A construção rápida de um novo aeroporto de Lisboa é a principal preocupação dos empresários, que recusam prolongar o debate público.
É urgente avançar com o novo aeroporto, seja em que localização for ...
Os vários empresários e especialistas contactados pelo Diário Económico concordam a uma só voz ...
Quem são os vários? António Mota (Mota-Engil, a maior construtora portuguesa), Diogo Vaz Guedes (Somague - Sacyr Vale Hermoso, a 2.ª ou 3.ª construtora ibérica), Pedro Gonçalves (Soares da Costa, uma das maiores construtoras portuguesas), Vera Pires Coelho (Edifer, idem), Vasco de Mello (Brisa, associado da Mota-Engil).
Assim vai o jornalismo de causas.
Novo aeroporto deve avançar já
A construção rápida de um novo aeroporto de Lisboa é a principal preocupação dos empresários, que recusam prolongar o debate público.
É urgente avançar com o novo aeroporto, seja em que localização for ...
Os vários empresários e especialistas contactados pelo Diário Económico concordam a uma só voz ...
Quem são os vários? António Mota (Mota-Engil, a maior construtora portuguesa), Diogo Vaz Guedes (Somague - Sacyr Vale Hermoso, a 2.ª ou 3.ª construtora ibérica), Pedro Gonçalves (Soares da Costa, uma das maiores construtoras portuguesas), Vera Pires Coelho (Edifer, idem), Vasco de Mello (Brisa, associado da Mota-Engil).
Assim vai o jornalismo de causas.
26/03/2007
CASE STUDY: Salazar, Felipão e o engenheiro Sócrates
Tenho dificuldade em encontrar um dia mais humilhante para a esquerda em geral, em particular para o PC (a nossa relíquia) e a esquerdalhada, do que o dia de ontem em que o professor Salazar, o Botas, bateu irremediavelmente Cunhal como «o maior português de sempre».
Já escrevi várias vezes aqui no Impertinências sobre o Botas, sob cujo regime vivi suficientes anos da minha vida. Recordo, outra vez, uma delas, escrita a propósito do SuperMário.
As razões do sucesso de Salazar in illo tempore e ainda hoje devem-se essencialmente às mesmas razões do sucesso de Scolari - uma visão e uma liderança perfeitamente adaptadas aos desafios e à época e à cultura local. Baseado na minha experiência de muitos anos a liderar songamongas portugueses (e outros) garanto, sem quaisquer dúvidas, que um e outro são mestres no estilo de liderança pater benignus. Um dia Scolari, como Salazar, cairá da cadeira e entrará em declínio, mas será recordado mais tarde como é hoje Salazar.
E o que acontecerá ao engenheiro Sócrates dentro de 40 anos? Alguém o recordará? Até pode ser, mas de modo completamente diverso. A semelhança de estilos é perfeitamente superficial. Sócrates também é autoritário, mas tem pouca autoridade. Sócrates não tem competências visíveis, para além da manipulação mediádica, o contrário de Salazar, um jurista e financista competente, e de Scolari, um jogador esforçado e um treinador experimentado. Sócrates é arrogante, o contrário da simplicidade e (aparente) humildade de Salazar e de Scolari. Sócrates quer impor a sua visão porque é a dele. Salazar impôs e Scolari impõe a sua visão porque são (se apresentam como) meros portadores dum desígnio.
Chegado a este ponto, antevejo a repulsa do liberalismo académico, na remota hipótese de algum dos seus representantes chegar até aqui. Então e o Homo Liberalensis? perguntarão. Não o vejo escondido nas profundezas da alma portuguesa à espera do dia da libertação, respondo.
Já escrevi várias vezes aqui no Impertinências sobre o Botas, sob cujo regime vivi suficientes anos da minha vida. Recordo, outra vez, uma delas, escrita a propósito do SuperMário.
Será preciso recordar que Salazar foi saudado pela esmagadora maioria dos que viveram a baderna republicana, entre 1910 e 1926, como um cirurgião que limpou a gangrena que corroía o tecido social e um contabilista que sabia fazer contas e pôs ordem no peditório das migalhas do orçamento? Que o fez impondo uma ditadura meio bafienta, não foi visto como um problema, pelo menos até ao fim da guerra, em 1945. Parecia mais um mal menor e necessário, comparado com o clima político-social que se vivia nessa altura na Europa continental, de Vilar Formoso até Vladivostoque. A oposição ao Botas limitava-se ao PC e a uma folclórica sucessão de conspirações falhadas em que a oposição republicana (a que, recorde-se, pertencia o doutor Soares) se embrulhava regularmente. O povo, esse, tratava da vidinha e via o Botas como um seguro contra devaneios, loucuras e assaltos à mesa do orçamento. O regime fassista mostrava contenção onde outros mostravam holocaustos e gulagues. E a coisa foi assim até ao início da guerra colonial. A partir daí e até à queda da cadeira e posterior passamento, o doutor Salazar foi de facto pouco apreciado pelas gerações que chegaram à idade da razão entre 1961 e 1968 e perceberam que iriam talvez morrer pela pátria do doutor Salazar, ainda que em quantidades relativamente moderadas face às que a baderna republicana tinha incompetentemente sacrificado na 1ª guerra - só na batalha de La Lys morreu o equivalente a mais de metade das baixas mortais na guerra colonial que durou 13 anos (7.000 e 12.000 respectivamente).Como se vê enganei-me redondamente. Pelos vistos, o Botas não é um cromo dinossáurico para a maioria dos que se deram ao trabalho de votar no concurso. E porquê? pergunta-se. Por uma daquelas coincidências que só podem ser explicadas por uma boa teoria da conspiração, a resposta à pergunta pode encontrar-se no ensaio que o blasfemo Pedro Arroja escreveu sobre Felipão e as razões do seu sucesso. É um texto tão na mouche (aparte as fantasias papistas) que só não o transcrevo porque pode ser lido aqui no seu habitat natural.
Para todos os que chegaram a idade da razão depois de 1974, o doutor Salazar, o Botas, é um cromo dinossáurico de que alguns dos cromos seus pais se queixavam nos intervalos de se queixarem do custo de vida que não lhes permitia comprar o ansiado plasma. Tudo por junto, deve haver uns 5% dos eleitores que se podem inflamar com as boutades do doutor Soares e mais 0,1% que se sentirão transportados pelos delírios do Ivan. Mesmo esta insignificância, no lugar do Ivan, eu não a consideraria como garantida, porque até a minha prima Violinda percebe que se há alguém «que se apresenta não como a solução para a crise, mas como um elemento de continuidade numa solução já existente» só pode ser o doutor Soares, que se vencesse as eleições seria o presidente de todos os situacionistas, 32 anos depois do almirante Tomás.
As razões do sucesso de Salazar in illo tempore e ainda hoje devem-se essencialmente às mesmas razões do sucesso de Scolari - uma visão e uma liderança perfeitamente adaptadas aos desafios e à época e à cultura local. Baseado na minha experiência de muitos anos a liderar songamongas portugueses (e outros) garanto, sem quaisquer dúvidas, que um e outro são mestres no estilo de liderança pater benignus. Um dia Scolari, como Salazar, cairá da cadeira e entrará em declínio, mas será recordado mais tarde como é hoje Salazar.
E o que acontecerá ao engenheiro Sócrates dentro de 40 anos? Alguém o recordará? Até pode ser, mas de modo completamente diverso. A semelhança de estilos é perfeitamente superficial. Sócrates também é autoritário, mas tem pouca autoridade. Sócrates não tem competências visíveis, para além da manipulação mediádica, o contrário de Salazar, um jurista e financista competente, e de Scolari, um jogador esforçado e um treinador experimentado. Sócrates é arrogante, o contrário da simplicidade e (aparente) humildade de Salazar e de Scolari. Sócrates quer impor a sua visão porque é a dele. Salazar impôs e Scolari impõe a sua visão porque são (se apresentam como) meros portadores dum desígnio.
Chegado a este ponto, antevejo a repulsa do liberalismo académico, na remota hipótese de algum dos seus representantes chegar até aqui. Então e o Homo Liberalensis? perguntarão. Não o vejo escondido nas profundezas da alma portuguesa à espera do dia da libertação, respondo.
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25/03/2007
ESTÓRIA E MORAL: a vida para além do orçamento
Estória
O governo anunciou com grande pompa que o défice foi 3,9%, inferior ao previsto (4,6%). Daquelas bocas não saiu nenhuma explicação convincente do milagre, que prosaicamente se deve ao aumento das receitas resultante de mais impostos e dum saque mais eficaz (1).
Quanto às despesas estamos conversados. As despesas correntes aumentaram ligeiramente abaixo da inflação e o que se reduziu foi o investimento. Não que eu chore por causa da redução do investimento público, antes pelo contrário, mas os factos são os factos.
O anúncio do governo foi acompanhado da habitual e deliberada ocultação do critério do défice: na óptica da contabilidade pública, para aprovação na Assembleia da República e apreciação pelo Tribunal de Contas, ou na óptica da contabilidade nacional para reportar ao Eurostat e à Comissão Europeia. Ópticas que costumam ter resultados significativamente diferentes.
A doutora Manuela Ferreira Leite, que deve saber do que fala, fez ela própria umas quantas perguntas no seu Ponto sem Nó do Expresso, cujas respostas do governo eu pagaria para ouvir. Perguntou quais os montantes de:
Moral
As statisticians (2) know well, data tortured long enough will almost always confess (no Economist, a long time ago).
Notas de rodapé
(1) Eficácia a creditar ao doutor Paulo Macedo, felizmente de regresso ao Millenium bcp. Felizmente? Sim felizmente, porque também nesta matéria são aplicáveis as funções zingarilho - quanto mais eficiência na cobrança mais delapidação na despesa.
(2) À primeira vista pareceria mais adequado falar de contabilistas. À segunda vista lembrei-me de ter lido algures que statisticians lack the guts to be accountants e resolvi que ficasse assim.
O governo anunciou com grande pompa que o défice foi 3,9%, inferior ao previsto (4,6%). Daquelas bocas não saiu nenhuma explicação convincente do milagre, que prosaicamente se deve ao aumento das receitas resultante de mais impostos e dum saque mais eficaz (1).
Quanto às despesas estamos conversados. As despesas correntes aumentaram ligeiramente abaixo da inflação e o que se reduziu foi o investimento. Não que eu chore por causa da redução do investimento público, antes pelo contrário, mas os factos são os factos.
O anúncio do governo foi acompanhado da habitual e deliberada ocultação do critério do défice: na óptica da contabilidade pública, para aprovação na Assembleia da República e apreciação pelo Tribunal de Contas, ou na óptica da contabilidade nacional para reportar ao Eurostat e à Comissão Europeia. Ópticas que costumam ter resultados significativamente diferentes.
A doutora Manuela Ferreira Leite, que deve saber do que fala, fez ela própria umas quantas perguntas no seu Ponto sem Nó do Expresso, cujas respostas do governo eu pagaria para ouvir. Perguntou quais os montantes de:
- regularização de dívidas fiscais?
- receitas antecipadas?
- venda de património (incluindo autarquias)?
- mais-valia da venda da venda da Galp?
- dividendos extraordinários?
Moral
As statisticians (2) know well, data tortured long enough will almost always confess (no Economist, a long time ago).
Notas de rodapé
(1) Eficácia a creditar ao doutor Paulo Macedo, felizmente de regresso ao Millenium bcp. Felizmente? Sim felizmente, porque também nesta matéria são aplicáveis as funções zingarilho - quanto mais eficiência na cobrança mais delapidação na despesa.
(2) À primeira vista pareceria mais adequado falar de contabilistas. À segunda vista lembrei-me de ter lido algures que statisticians lack the guts to be accountants e resolvi que ficasse assim.
23/03/2007
TRIVIALIDADES: (ainda) as trapalhadas do diploma
Em 07-03-2007 Fernando Sobral escreveu no Jornal de Negócios um artigo de opinião (O neurónio tecnológico) a propósito do deslumbramento do engenheiro Sócrates na sua visita à Finlândia por essa altura.
Um leitor com o pseudónimo Breogan escreveu um longo comentário a esse artigo com o título As tecnologias do eng sanitário! O comentário é um requisitório implacável, aparentemente fundamentado em factos (não necessariamente verdadeiros), que pretende desmontar a alegada encenação académica do engenheiro Sócrates. Vale uma leitura crítica.
Nota de rodapé
Este comentário chegou-me hoje por email. Não deixa de ser curioso que, tendo uma matéria factual tão impressiva sido tornada pública, a imprensa só agora, um ano depois e a propósito das trapalhadas de universidade Independente, a tenha começado a tratar. Também na bloguilha a repercussão foi aparentemente limitada - alguns blogues referiram-se-lhe pontualmente e a coisa morreu de morte natural.
Um leitor com o pseudónimo Breogan escreveu um longo comentário a esse artigo com o título As tecnologias do eng sanitário! O comentário é um requisitório implacável, aparentemente fundamentado em factos (não necessariamente verdadeiros), que pretende desmontar a alegada encenação académica do engenheiro Sócrates. Vale uma leitura crítica.
Nota de rodapé
Este comentário chegou-me hoje por email. Não deixa de ser curioso que, tendo uma matéria factual tão impressiva sido tornada pública, a imprensa só agora, um ano depois e a propósito das trapalhadas de universidade Independente, a tenha começado a tratar. Também na bloguilha a repercussão foi aparentemente limitada - alguns blogues referiram-se-lhe pontualmente e a coisa morreu de morte natural.
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ESTADO DE SÍTIO: as fixações freudianas do estado napoleónico-estalinista
É só um sintoma, mas o que dizer dum estado cujo poder executivo tem nos últimos 12 meses 873 ejaculações legislativas a propósito da caça? É uma média inumana de 3,5 ejaculações por dia útil.
22/03/2007
TRIVIALIDADES: as trapalhadas do diploma
Do ponto de vista das suas competências como líder político e primeiro ministro é irrelevante se o senhor José Sócrates é engenheiro civil, tem uma licenciatura em engenharia ou tem um qualquer outro diploma académico.
Do ponto de vista político, eu não confio num político que é uma construção mediática, que não é portador duma visão política e carece de autenticidade.
Se estas especulações se confirmarem é mais um passo na desconstrução do político José Sócrates.
Do ponto de vista político, eu não confio num político que é uma construção mediática, que não é portador duma visão política e carece de autenticidade.
Se estas especulações se confirmarem é mais um passo na desconstrução do político José Sócrates.
SERVIÇO PÚBLICO: desinteresse pelos conflitos de interesse
O ex-presidente do ISP (Instituto de Seguros de Portugal), entidade reguladora e de supervisão dos seguros, doutor Rui Leão Martinho, demitiu-se nos finais do ano passado e foi hoje nomeado presidente do Conselho de Administração da Tranquilidade, seguradora do grupo Espírito Santo, uma das empresas supervisionadas pelo ISP. (DE)
Não é a primeira basculação entre supervisão e operador supervisionado (o doutor Constâncio do BdeP já basculou várias vezes e o ISP tem um longo historial de basculações), mas a reincidência não despenaliza as piores práticas.
Num país que se leva a sério um ex-supervisor tem, por lei, um «período de nojo» de vários anos para poder assumir um cargo numa empresa supervisionada, por razões que não precisarão de ser explicadas.
Se um país não se leva a sério, não pode esperar que outros países o tomem a sério.
Não é a primeira basculação entre supervisão e operador supervisionado (o doutor Constâncio do BdeP já basculou várias vezes e o ISP tem um longo historial de basculações), mas a reincidência não despenaliza as piores práticas.
Num país que se leva a sério um ex-supervisor tem, por lei, um «período de nojo» de vários anos para poder assumir um cargo numa empresa supervisionada, por razões que não precisarão de ser explicadas.
Se um país não se leva a sério, não pode esperar que outros países o tomem a sério.
21/03/2007
BLOGARIDADES: estória do blogue quando jovem
Blogs: The evolution (*)
Sometime in 1971
Stanford's Les Earnest creates the "finger" protocol.
December 1977
The finger protocol becomes an official standard.
January 1994
Swarthmore student Justin Hall begins compiling lists of links at his site, links.net, and continues adding to the site for 11 years.
January 1995
Early online diarist Carolyn Burke publishes her first entry for Carolyn's Diary.
April 1997
Dave Winer launches Scripting News, which he calls the longest-running Web log currently on the Internet.
September 1997
Slashdot begins publishing "News for Nerds."
December 1997
Jorn Barger's RobotWisdom.com site apparently becomes the first to call itself a Web log.
Sometime in 1999
• Brad Fitzpatrick launches Livejournal, which he calls his "accidental success."
• Peter Merholz of Peterme.com declares he has decided "to pronounce the word 'weblog' as 'wee-blog.' Or 'blog' for short."
• The word "blog" first appears in print, according to dictionary publisher Merriam-Webster.
August 1999
Three friends who founded a San Francisco start-up called Pyra Labs create a tool called Blogger "more or less on a whim."
January 2001
First crop of blogs nominated for the "Bloggies" award.
October 2001
First version of Movable Type content management software becomes available.
February 2003
Google acquires Pyra and its Blogger software.
May 2003
First official version of WordPress open-source blogging software released for download.
October 2003
Six Apart releases first version of its Typepad blogging service.
January 2004
Boston-based Steve Garfield launches his video blog, considered one of the first such "vlogs."
October 2005
VeriSign buys Dave Winer's Weblogs.com. Around the same time, AOL snaps up blog publisher Weblogs Inc.
February 2006
Veteran blogger Jason Kottke abandons his yearlong attempt to live off of micropayments through his blog.
January 2007
Members of the Media Bloggers Association are among the first bloggers to receive press credentials from a federal court.
February 2007
Freelance video blogger Josh Wolf becomes the longest-serving journalist behind bars in U.S. history, on contempt charges.
(*) Fonte: Blogs turn 10 - who's the father?, Techrepublic
Sometime in 1971
Stanford's Les Earnest creates the "finger" protocol.
December 1977
The finger protocol becomes an official standard.
January 1994
Swarthmore student Justin Hall begins compiling lists of links at his site, links.net, and continues adding to the site for 11 years.
January 1995
Early online diarist Carolyn Burke publishes her first entry for Carolyn's Diary.
April 1997
Dave Winer launches Scripting News, which he calls the longest-running Web log currently on the Internet.
September 1997
Slashdot begins publishing "News for Nerds."
December 1997
Jorn Barger's RobotWisdom.com site apparently becomes the first to call itself a Web log.
Sometime in 1999
• Brad Fitzpatrick launches Livejournal, which he calls his "accidental success."
• Peter Merholz of Peterme.com declares he has decided "to pronounce the word 'weblog' as 'wee-blog.' Or 'blog' for short."
• The word "blog" first appears in print, according to dictionary publisher Merriam-Webster.
August 1999
Three friends who founded a San Francisco start-up called Pyra Labs create a tool called Blogger "more or less on a whim."
January 2001
First crop of blogs nominated for the "Bloggies" award.
October 2001
First version of Movable Type content management software becomes available.
February 2003
Google acquires Pyra and its Blogger software.
May 2003
First official version of WordPress open-source blogging software released for download.
October 2003
Six Apart releases first version of its Typepad blogging service.
January 2004
Boston-based Steve Garfield launches his video blog, considered one of the first such "vlogs."
October 2005
VeriSign buys Dave Winer's Weblogs.com. Around the same time, AOL snaps up blog publisher Weblogs Inc.
February 2006
Veteran blogger Jason Kottke abandons his yearlong attempt to live off of micropayments through his blog.
January 2007
Members of the Media Bloggers Association are among the first bloggers to receive press credentials from a federal court.
February 2007
Freelance video blogger Josh Wolf becomes the longest-serving journalist behind bars in U.S. history, on contempt charges.
(*) Fonte: Blogs turn 10 - who's the father?, Techrepublic
20/03/2007
ESTADO DE SÍTIO: visão de longo prazo
O primeiro-ministro anunciou ontem um programa de investimento de mil milhões de euros na requalificação das escolas secundárias até 2015. O programa começará com 4 num universo de 332 escolas. Para atingir em nove anos a totalidade das escolas, o investimento até ao final do programa terá que incrementar-se em média 50% em cada ano (se os custos de requalificação de cada escola forem em média aproximadamente iguais). Sabendo-se o apreço em que eleitores têm as obras, sejam elas rotundas, auto-estradas ou escolas, deverá entender-se que, com a dilação do investimento, o senhor engenheiro quer deixar os louros da obra feita para futuros governos e reserva para si a humilde tarefa dos anúncios. Bem haja.
Com o mesmo racional podia o programa agora anunciado cobrir um investimento (a preços constantes) de dez mil milhões de euros nos 94 anos que faltam até ao fim do século. Poderá o facto de não o ter feito significar que o senhor engenheiro Sócrates não tenciona recandidatar-se a um 4.º mandato? Bem haja, uma vez mais.
Com o mesmo racional podia o programa agora anunciado cobrir um investimento (a preços constantes) de dez mil milhões de euros nos 94 anos que faltam até ao fim do século. Poderá o facto de não o ter feito significar que o senhor engenheiro Sócrates não tenciona recandidatar-se a um 4.º mandato? Bem haja, uma vez mais.
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se non è vero
19/03/2007
SERVIÇO PÚBLICO: o aborto e a condição feminina
«NÃO acompanhei de perto a questão do referendo sobre o aborto e os esforços legislativos que se seguiram. Mas desde há mais de 20 anos que tenho um conhecimento razoável dos Estados Unidos, pelo que o melhor contributo que posso dar é, provavelmente, falar do caso americano, que em certo sentido 'vai à frente' do caso português.O aborto e a condição feminina, Luís Cabral, professor da Universidade de NY, no SOL
O controle reprodutivo - primeiro, a generalização dos meios contraceptivos, depois, a liberalização do aborto - teve um enorme efeito na condição da mulher americana. É notável o aumento de mulheres com curso superior ou pós-graduação, com participação activa na vida política, com carreiras profissionais onde há cinquenta anos praticamente não eram vistas. É, também, notável o maior equilíbrio de funções nas relações familiares.
MAS o que também salta à vista do economista (pelo menos deste economista) é aquilo que Diane Pearce caracteriza como a 'feminização' da pobreza: o facto de as mulheres representarem uma fracção cada vez maior dos pobres.
Um estudo recente de três economistas americanas sintetiza alguns dos factos da situação actual. A taxa de pobreza em famílias com dois adultos é de 7%. Em famílias com apenas um adulto, o valor sobe para um astronómico 40.3%. Dentro deste grupo, mais de 80% corresponde a mulheres solteiras. Tudo isto aconteceu nas últimas décadas; nos anos 50, o número de mães solteiras era entre um terço e metade do número actual.
TEMOS de ser cautelosos para não confundir correlação temporal com causalidade. Mas a explicação de George Akerlof, Janet Yellen e Michael Katz parece plausível. A ideia é que o controle reprodutivo reduz o poder de negociação da mulher. Até aos anos 60, a mulher pode exigir a promessa de casamento como condição para relações pré-matrimoniais. Após o choque tecnológico-legal-social da pílula e do aborto, esta condição perde peso. De facto, o 'casamento de pena1ty' tornou-se rapidamente uma coisa do passado.
Ora, quem perde com a mudança são as mulheres que não sabem usar a pílula; ou que acham que abortar é um crime; ou que, simplesmente, querem ter filhos. Perdem porque acabam como mães solteiras - algumas por opção, certamente, mas muitas por força das circunstâncias.
A mulher ganhou com a liberalização do aborto pois agora tem maior liberdade de escolha; logo, a condição feminina melhorou com o aborto liberalizado - este argumento está errado por dois motivos. Primeiro, porque não toma em consideração os efeitos indirectos que a liberalização do aborto teve, nomeadamente ao contribuir para desvalorização do casamento. Em segundo lugar, porque se trata de um raciocínio sobre a média quando de facto o impacto do aborto liberalizado foi muito diferente entre as mulheres ricas e as mulheres pobres.
PARA um economista, esta é a ironia do debate sobre a liberalização do aborto: enquanto que a defesa das mulheres mais pobres e desprotegidas é frequentemente apontada como argumento chave, a evidência dos Estados Unidos sugere que a liberalização piorou justamente a situação das mulheres mais pobres e desprotegidas.»
BREIQUINGUE NIUZ: a dream came true
O sonho do presidente da Galp de tornar «mais transparente» o mercado do gás natural com criação duma OPEP do gás tornou-se realidade. A Rússia, Irão, Venezuela, Argélia e Catar decidiram criá-la. Não havendo dúvidas sobre o que são os criadores, para afastar as dúvidas sobre o que será a criatura um diplomata árabe já esclareceu que será conduzida «por políticos, até mesmo a nível de Ministério de Negócios Estrangeiros».Quer a coisa que será conduzida por políticos, quer os sonhos do presidente da Galp, senhor engenheiro Oliveira de Figueira, ficaram assim mais transparentes.
18/03/2007
ARTIGO DEFUNTO: porque ri Berardo?
Esta semana os semanários de referência praticamente ignoraram Joe Berardo. O caderno Confidencial do Sol dedica-lhe um mísero 1/3 da capa com foto em pose pensador e só no interior se redime oferecendo-lhe toda a página 12 e 1/3 da página 13 com foto corpo inteiro. O caderno Economia do Expresso ainda é mais parco - dedica-lhe apenas 1/3 da página 13 com foto em pose de estadista.É pouco. Muito pouco para a visão que o senhor comendador tem para nos transmitir, os pensamentos que faz questão de partilhar connosco e as lições que tem para nos oferecer.
Porque ri Berardo? Tenho para mim que ele se ri com um sorriso esfíngico ao pensar como lhe é fácil que as suas causas também sejam causas do jornalismo de causas. Ele que até já foi aplaudido à entrada da AG da PT pelos empregados desta que ainda não tinham sido contemplados com a rescisão por mútuo acordo.
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ARTIGO DEFUNTO: as trombetas de Sócrates
O que há de notável nas conclusões do relatório da NAV sobre a Ota divulgadas pelos mídia? A incompetência demonstrada pelo governo e a falta de seriedade com que tem tratado este tema?Isso não é notável. O que é notável é a pronta e competente resposta da central de manipulação dos mídia que este governo tem montada.
Em poucas horas, a NAV informa que os constrangimentos serão removidos, a Força Aérea anuncia que mudará os voos, a NAER jura que não há estudos que ponham causa a opção Ota. Até aqui nada de extraordinário porque são os empregados bem-mandados do estado napoleónico-estalinista e o ministro a dizer a única coisa que poderia dizer em alternativa a pedir a demissão (o silêncio do primeiro-ministro, sempre pronto a soltar sound bites para a abertura dos telejornais, fala bem alto). Extraordinária é a oleada câmara de eco dos mídia. Nem me dou ao trabalho de fazer links. Eles são aos magotes.
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DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: o que fizeram ao dinheiro?
Nós tivemos 20 anos de fundos comunitários, e no final deste período temos um défice externo acima de 8% do PIB. As responsabilidades externas líquidas totais face ao exterior ultrapassam os 70%. A taxa de crescimento do Produto potencial baixou, a produtividade também. Analistas estrangeiros perguntam-me: o que fizeram ao dinheiro? O País está realmente diferente ao nível das infra-estruturas, do sistema rodoviário. Porém, em termos de capacidade competitiva face aos outros países não se notou nada. Temos uma economia pouco desenvolvida em termos de concorrência. E por isso é que é fulcral a abertura.(no Semanário Económico, entrevista a Carlos Andrade, economista-chefe do BES)
17/03/2007
CASE STUDY: l'exception française
Nos últimos 4 meses suicidaram-se 3 engenheiros da Renault. Das duas uma, ou é obra de puro acaso, o que é possível ainda que pouco provável, ou há uma ou várias causas comuns aos 3 suicídios.
A dúvida não é irrelevante, e a Renault parece ter encontrado a resposta ao anunciar que vai contratar 110 novos engenheiros, melhorar as condições de trabalho, e apresentou um plano aproximar as chefias das equipas de engenharia e «facilitar o diálogo». (Le Figaro)
É surpreendente? Nem por isso. No coração da Óropa social, no seio dum dos campeões nacionais as relações de trabalho estão ao nível dos finais da década de sessenta, quando as pedras da calçada foram levantadas e os assustados patrões franceses descobriram Peter Drucker com uma década de atraso e apressaram-se a desfraldar a bandeira da gestion participatif, a que foram timidamente acrescentando par objectifs.
São os frutos duma sociedade profundamente hierarquizada (*) em que os subordinados não têm qualquer controlo sobre o seu trabalho e as suas vidas, o que, sabe-se hoje, tem efeitos nefastos no sistema imunitário e na saúde mental.
(*) Como mostram os estudos de Geert Hofstede a França é o país europeu com o índice Power Distance mais elevado.
A dúvida não é irrelevante, e a Renault parece ter encontrado a resposta ao anunciar que vai contratar 110 novos engenheiros, melhorar as condições de trabalho, e apresentou um plano aproximar as chefias das equipas de engenharia e «facilitar o diálogo». (Le Figaro)
É surpreendente? Nem por isso. No coração da Óropa social, no seio dum dos campeões nacionais as relações de trabalho estão ao nível dos finais da década de sessenta, quando as pedras da calçada foram levantadas e os assustados patrões franceses descobriram Peter Drucker com uma década de atraso e apressaram-se a desfraldar a bandeira da gestion participatif, a que foram timidamente acrescentando par objectifs.
São os frutos duma sociedade profundamente hierarquizada (*) em que os subordinados não têm qualquer controlo sobre o seu trabalho e as suas vidas, o que, sabe-se hoje, tem efeitos nefastos no sistema imunitário e na saúde mental.
(*) Como mostram os estudos de Geert Hofstede a França é o país europeu com o índice Power Distance mais elevado.
16/03/2007
CASE STUDY: a doença é tão profunda que a poção tem que ser administrada em doses cavalares
Escreveu-se aqui no Impertinências «que a PT gastou no ano passado 229 milhões de euros para despedir por mútuo acordo, pré-reformar ou suspender 792 trabalhadores, à média de 300 mil por cabeça. Apenas um pouco mais do que pagou aos vários outros milhares com que fez acordos semelhantes nos anos anteriores. Mais 1.000 estão na fila de espera deste ano para receberem maquia semelhante.»
Acredite-se ou não, depois de ter feito a felicidade de milhares de songamongas que agora bóiam nas piscinas de hidroginástica, suam nos ginásios para abaterem uns centímetros às volumosas barrigas ou para endireitarem as protuberantes bossas, nem assim a PT consegue melhor do que um rácio de receitas por empregado de 75% da média dos 13 operadores incumbentes europeus, o que, em si mesmo, não é um benchmarking exaltante. (JN)
Acredite-se ou não, depois de ter feito a felicidade de milhares de songamongas que agora bóiam nas piscinas de hidroginástica, suam nos ginásios para abaterem uns centímetros às volumosas barrigas ou para endireitarem as protuberantes bossas, nem assim a PT consegue melhor do que um rácio de receitas por empregado de 75% da média dos 13 operadores incumbentes europeus, o que, em si mesmo, não é um benchmarking exaltante. (JN)
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