Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

22/04/2020

BREIQUINGUE NIUZ: A austeridade já não vem

Jornal de Negócios
Lembram-se da 1.ª página do Expresso «FMI já não vem», dois meses antes do FMI chegar?  Desta vez o semanário de reverência não foi a tempo e perdeu a cacha.

A evaporação de temas fracturantes, uma consequência inesperada da pandemia (3)

Continuação das evaporações anteriores (1) e (2)

Ainda outros temas até recentemente urgentes e avassaladores que se evaporaram dos mídia:
  • A luta contra a violência de "género"
  • O fim dos plásticos, esse material maligno que está a matar o planeta (afinal a "guerra" contra a pandemia não pode prescindir deles)
  • Maus tratos a animais, nomeadamente a utilização de animais em testes (afinal precisamos de testar neles a vacina contra o Covid-19)
  • O aeroporto do Montijo.
Ainda outras personalidades que também foram evaporadas:
  • O Dr. Pedro Nuno Santos (que fazia tremer as perninhas dos banqueiros alemães e agora parece um cachorrinho) e o pedronunismo 
  • A Dr.ª Joacine e o seu assessor de saias
  • O Dr. Mamadou Ba e a sua justa luta contra a bófia.
(Talvez continue)

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (10) - Qual é afinal a taxa de letalidade do Covid-19? (2)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

No post anterior lembrei a distinção entre taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.).

Concluí também que os valores da taxas de mortalidade, desta como da maioria das epidemias, não dá para impressionar ninguém e muito menos para criar o pânico, porque estamos a falar neste momento, no caso da taxa de mortalidade mais alta em todo o mundo (excluindo San Marino e Andorra, tão minúsculos que as taxas não significam nada), que é a da Bélgica, de 518 por milhão ou 51,8 por 100 mil ou 0,0518 por cento. Em Portugal é de 0,0075 por cento e a média mundial é 0,00225 por cento, um valor próximo do limite inferior do intervalo 0,001 a 0,007 por cento da estimativa dos CDCP da taxa de mortalidade mundial da gripe A (H1N1) de 2009 nos primeiros 12 meses.

Por isso, para impressionar alguém é preciso falar da taxa ou coeficiente de letalidade ou então confundir tudo, como fazem os jornais (ver a lista no post anterior), e chamar mortalidade à letalidade. Voltemos pois à taxa de letalidade da pandemia que se calcula pela relação

número de óbitos causados pela pandemia : número de infectados pela pandemia 

Parece simples, não parece? Mas não é, e os problemas de mensuração colocam-se quer no numerador quer no denominador.

Quanto ao numerador, o número de óbitos deveria ser o correspondente às mortes causados pelo Covid-19, não incluindo, como é o caso de Portugal e de vários outros países, as pessoas que morreram de uma qualquer outra doença mas estavam infectadas com Covid-19. Por exemplo, um estudo do ONS concluiu que a maioria dos mortos tinha pelo menos duas doenças e 91% tinha pelo menos uma doença.

Quando ao denominador, o número de infectados pela pandemia é ainda mais difícil determinar. O que as estatísticas oficiais mostram não é o número de infectados, é o número de testes positivos. Para se perceber a dimensão da diferença veja-se, por exemplo, o caso de Portugal onde foram feitos até agora 272 mil testes, ou seja apenas a menos de 3% da população. Como desses 272 mil testes cerca de 21 mil foram positivos divide-se 762 óbitos (que recorde-se inclui os "com Covid-19") por 21 mil infectados e obtém-se 7,7% e chama-se a isso a taxa de letalidade em Portugal. É claro que ninguém dá o lógico passo seguinte concluindo que,se fosse assim, mais tarde ou mas cedo, quase todos os portugueses estariam infectados e 770 mil estariam mortos por ou com Covid-19.

E porquê não fazem essa inferência lógica?  Não faria sentido, não é verdade? Estaríamos perante uma pandemia seis vezes mais mortal do que a pneumónica e toda a gente percebe que é um absurdo multiplicar por mil os 762 óbitos actuais. E ficam-se por aqui, sem perceber que, sendo o Covid-19 altamente contagioso e já se sabendo que nos indivíduos saudáveis é muitas vezes assintomático,  o número de infectados será obviamente muito maior do que os 21 mil positivos nos testes.

Em conclusão, sem esquecer que os óbitos atribuídos ao Covid-19 incluem mortes por outras doenças, a questão crucial é aquilo que imensa gente anda a dizer testar, testar, testar, incluindo o director-geral de OMS, nos intervalos de fazer a propaganda da China.

Entretanto, há um bom número de estudos por especialistas e instituições credíveis que publicaram estimativas do número de infectados e/ou da taxa de letalidade (infection mortality rate). Por exemplo (data da publicação, estudo/fonte e estimativa dos infectados ou da letalidade):

Em conclusão, se o número de infectados ainda não testados for, como tudo indica. muito maior do que o número de testes positivos, então a letalidade do Covid-19 é muito menor do que parecem mostrar os números actuais. Lá se vai pânico, a "guerra", o confinamento geral, o álibi para a suspensão dos direitos. os argumentos para fazer o Estado intervir ainda mais nas nossas vidas, a tiragem dos jornais e os sonhos húmidos da esquerdalhada.

(Continua)

21/04/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (9) - Qual é afinal a taxa de letalidade do Covid-19? (1)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Em primeiro lugar é necessário distinguir numa epidemia a taxa ou coeficiente de letalidade e a taxa de mortalidade. Na primeira compara-se o número de óbitos com o número de infectados pela epidemia e no segundo caso compara-se com a população de uma área (mundo, pais, região, cidade, etc.)

Uma epidemia pode ter uma alta taxa de letalidade e uma baixa taxa de mortalidade, como o ébola que é muito letal e contamina pouca gente devido precisamente à sua elevada letalidade. Ou o contrário, como a gripe A (H1N1) de 2009 que foi pouco letal mas infectou milhões 700 a 1.400 milhões ou 11 a 21% da população mundial de então, causando 200 mil mortes pelo que a sua letalidade terá sido entre 0,03 a 0,06 por cento ou 30 a 60 por 100.000 e a sua mortalidade teria andado por 0,003 a 0,006 por cento.

Repare-se desde já que, com 735 óbitos nesta altura, a taxa de mortalidade do Covid-19 em Portugal anda pelos 0,007 por cento. Ainda que admitíssemos que a mortalidade diária, que está a baixar, se mantivesse igual à média até aqui (21 por dia em 35 dias) por mais seis meses, teríamos no total cerca de 4.500 mortes ou seja aproximadamente o mesmo número que a gripe comum causa em média num inverno. Recorde-se, a propósito, que até agora ainda ninguém se lembrou de confinar os portugueses no inverno.

De onde, chegados aqui, podemos concluir que a agitar taxas de mortalidade o jornalismo de causas não assustaria ninguém (nem venderia jornais), mesmo se acrescentasse outra demagogia como a de a nossa taxa de mortalidade ser mais baixa porque somos os melhores dos melhores, pela razão óbvia que a nível mundial até hoje há cerca de 170 mil óbitos atribuídos ao Covid-19, ou seja uma taxa de mortalidade de 0,002 por cento ou 2,2 por 100.000.

Como os valores presentes das taxas de mortalidade não assustassem ninguém, o jornalismo de causas passou a chamar taxa de mortalidade à taxa de letalidade ou a alternar, como no caso do DN que ora chama mortalidade ora chama letalidade. Alguns exemplos:

  • 28-02 - «Taxa estimada de mortalidade global da Covid-19 é de 2%» (Público)
  • 04-03 - «Afinal, taxa estimada de mortalidade global do Covid-19 é de 3,4%, diz OMS» (Executive Digest)
  • 06-03 - «O novo coronavírus é igual à gripe? Não. Mata 26 vezes mais» (Sábado)
  • 19-03 - «Organização Mundial de Saúde (OMS) avançou na semana passada que a taxa de mortalidade do vírus se encontra nos 3,4%» (Expresso)
  • 21-03 - «Taxa de mortalidade do Covid-19 em Itália atinge aterradores 9%» (Visão)
  • 27-03 - «Portugal com taxa de mortalidade de 1,7% de Covid-19» (JN)
  • 29-03 - «a taxa de letalidade subiu para 2% » (SIC Notícias)
  • 08-04 - «Espanha ... 28 em cada 100.000 habitantes morreram devido à covid-19» (Zap)
  • 12-04 - «Em Portugal, a taxa de mortalidade situa-se agora ligeiramente acima dos 3%» (ionline)
  • 13-04 - «A taxa de mortalidade subiu para 3%, disse a ministra da Saúde» (DN)
  • 13-04 - «OMS diz que o novo coronavírus é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009» (Público)
  • 15-04 - «Portugal está com uma taxa de mortalidade de cerca de 5,5 por 100.000 habitantes devido à covid-19» (Visão)
  • 16-04 «Portugal tem taxa de letalidade de 3,3%. A média europeia é de 8,6%» (DN)
  • 19-04 - «A taxa de mortalidade belga está perto dos 15%» (Observador)
  • 20-04 - «o que fez baixar ligeiramente a taxa de mortalidade para 3,52%» (Observador)

É claro que qualquer leitor atento perceberia que se fossem taxas de mortalidade estaríamos a falar de centenas de milhar de mortos. Em Portugal 330 mil ou 550 mil, conforme os dias e os jornais, ou, no caso de Itália, mais de meio milhão. A confusão está garantida e o pânico está alcançado.

(Continua)

20/04/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (8) - Enquanto não houver vacina é preciso contacto fora dos grupos de risco para criar imunidade

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

«A gripe espanhola era um vírus muito mais perigoso, mas viajava de barco — demorou muito mais a transmitir-se. Agora um vírus viaja mais depressa, está em todo o lado. Dito isto, é importante as pessoas não entrarem em pânico: este é um vírus relativamente bonzinho.

Vamos pensar. Praticamente, não afeta crianças, adolescentes e jovens adultos. Temos de ter esta noção. E os grupos de risco são pessoas com mais de 70 anos ou com outras complicações de saúde. Embora acima dos 70 anos morrer não seja uma fatalidade, isso não acontece com a maioria desses pacientes. Tivemos o caso, muito bonito, de um idoso com 100 anos que no Hospital de São João recebeu alta passadas quatro semanas. É necessário ter medidas coletivas que protejam em especial estas pessoas sem — e esta é a minha opi­nião pessoal — estagnar a vida daqueles de quem depende o futuro. Os mais jovens não correm grande risco, e temos de arranjar maneira de que eles continuem a viver a sua vida, não pondo os outros em risco.

O confinamento total é muito importante nesta primeira fase, para os serviços de saúde não implodirem. Mas tem o senão de, ao mesmo tempo, não permitir que as pessoas fiquem infetadas. E sobretudo num vírus destes, em que temos uma grande parte da população que não corre riscos. O que vai ter de acontecer é, mais cedo ou mais tarde, passar para uma segunda fase. A imunidade populacional atinge-se de duas formas: permitindo a infeção ou vacinando. Há uma enorme corrida à vacina, com 75 entidades no mundo inteiro oficialmente à procura dela. Cinco destas instituições estão mais avançadas, mas para ter a certeza de que uma vacina é segura existe toda uma série de trâmites a seguir. E todos concordam que vai demorar pelo menos um ano. O que temos de perceber é se estamos preparados para esperar esse ano ou não.

Na minha opinião, não (estamos preparados). Estaríamos a diminuir tremendamente a capacidade dos nossos jovens, com sequelas para o futuro.

Tal como fechámos, lentamente teremos de começar a abrir. Tomar estas decisões é difícil, porque são sempre necessários 15 dias para se ver o efeito de uma medida. 

Há muita gente que esteve em contacto com o vírus e nunca se apercebeu. Pelos estudos feitos, provavelmente de 15 a 20% da população nunca teve qualquer tipo de sintoma. E entre 20 e 80% teve sintomas ligeiros.»

Excerto da entrevista à Revista do Expresso de Maria Manuel Mota, cientista e directora do Instituto de Medicina Molecular, uma voz no silêncio da comunidade científica portuguesa

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (28) - Em tempo de vírus (VI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Senhor Contente, Senhor Feliz, a mesma luta?

Aproprio-me outra vez desta rábula, que me parece perfeita para etiquetar o par a quem competiria conduzir os trabalhos de desencalhe do Portugal dos Pequeninos requeridos por erros nossos e a má fortuna, mais os primeiros do que a segunda, e que, em vez disso, o estão a encalhar cada vez mais.

Um e outro dedicam-se agora à competição de popularidade, nela usando nela o talento que o Senhor lhes emprestou para produzir sound bites em entrevistas, aparições e eventos em que se desdobram todo o santo dia. Chegará a altura em que tentarão empurrar um para o outro as responsabilidades pela provável maior crise económica desde Dona Maria II, sendo certo que neste momento a balança pende mais para o lado de S. Exª. que, movido pela hipocondria e pela compulsão irreprimível de protagonismo, inventou um estado de excepção mais apropriado a um PREC do que a medidas para combater uma gripe.

Mestres do ilusionismo

Em intensa competição com S. Ex.ª, o Dr. Costa aviou em menos de um mês uma dezena de entrevistas e conferências de imprensa e até fez uma performance na "Cristina" e outra no "Goucha". E ainda teve tempo para fazer o número do rebelde sem causa, contrariando Bruxelas e convidando os portugueses a fazer férias cá dentro. Atingiu o pináculo da prestidigitação tirando da cartola, a propósito dos aumentos da função pública, núcleo central da sua freguesia eleitoral, a fórmula «pode não haver condições, como pode haver». Teria feito sucesso nos tempos em que nas feiras da província, regiões a que hoje se chama interior, eram animadas por uma criatura a quem chamavam "vendedor da banha da cobra".

O Lehman Brothers do Dr. Costa

Ponto de situação em constante actualização: 66 mil empresas em lay-off; um milhão de trabalhadores em lay-off,  353 mil desempregados. «Tudo somado» diz o Dr. Centeno são 20 mil milhões de euros só este ano. Tudo somado? Nem pensar. E ainda ao que somar à soma há que subtrair a quebra da produção de bens e serviços que resultante das medidas criadas pelos medos e falta de coragem da dupla Senhor Contente, Senhor Feliz.

Perguntava há um mês e meio o outro contribuinte se o Covid-19 não seria para o Dr. Costa o que o Lehman Brothers foi para o Eng. Sócrates. E eu respondo, sem dúvida, embora com algumas diferenças, a começar pela génese de crises profundamente diferentes e a acabar na quebra de produção que vai ser um múltiplo da crise de 2011. Há contudo uma coisa em comum: o Dr. Costa tentará usar a pandemia como o Eng. Sócrates usou o Lehman Brothers, isto é como um álibi para então justificar anos de desgovernação e, no caso presente, para justificar medidas de combate à pandemia inadequadas e excessivas que estão a matar a economia.

«Nunca estivemos tão bem preparados»

O Dr. Centeno não tem as desculpas dos ignorantes para dizer estas baboseiras, quando na UE28 somos em termos de posição líquida de investimento internacional o 2.º país mais vulnerável, a seguir ao Chipre, e o 3.º na dívida pública, a seguir à Grécia e Itália (segundo o Expresso que em matérias de mostrar buracos é uma fonte credível).

19/04/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (7) - E se o presente "excesso" de mortes resultar da falta de mortes quando deveriam ter ocorrido?

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Um dos espantalhos agitados pelo jornalismo de causas para justificar a suposta imensa gravidade da pandemia do Covid-19 é o facto de o número de mortes estar a ser em muitas regiões e países superior à média nesta altura.

André Dias toca brevemente neste ponto, mas limita-se a constatar que o número diário de mortos não excede os máximos verificados em vários anos anteriores, o que sendo verdade pode não ser toda a verdade.

Há muito que se sabe que, por razões perfeitamente conhecidas, os meses de Inverno são os meses com maior mortalidade sobretudo nos grupos de risco e nomeadamente nos idosos. Ora o que teve de extraordinário o Inverno de 2019-2020 no hemisfério norte? Foi o Inverno mais quente desde que existem registos (os catastrofistas climáticos dizem "mais quente de sempre".

The northern-hemisphere winter of 2019-20 was the warmest ever on land
 E o que acontece nos Invernos mais suaves? A mortalidade cai. Vejamos o caso de Portugal, onde este ano a mortalidade diária caiu bastante nas 5 quinzenas até 15-Março e subiu na 6.ª quinzena quando precisamente tiveram lugar os primeiros 160 óbitos "pelo" e "com" Covid-19. 


Num ano "normal" teriam ocorrido nas 5 primeiras quinzenas cerca de 28 mil óbitos e só ocorreram cerca de 26 mil com toda a probabilidade "poupados" pelo Inverno suave. Muitos desses 2 mil óbitos "poupados" são de idosos ou pessoas de risco que viram a sua vida prolongada. Alguns deles, os 160 óbitos "pelo" e "com" Covid-19 registados na 2.ª quinzena de Março vieram a sucumbir.

Isso justifica o alarme? Nem por isso, se compararmos com o "excesso" de 367 mortes registado na segunda quinzena de Março de 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior, para não falar do "excesso" de 1.744 mortes registado na primeira quinzena de 2017 em relação ao mesmo período do ano anterior. E, no entanto, alguém mandou fechar o país? Isso nem fez primeiras páginas de jornais.

Dúvidas (300) - Eu também tenho essa dúvida?

«O PM atacou a Holanda por falta de solidariedade, criticando o seu governo pela recusa de emprestar dinheiro sem condicionalismos. Ora bem, soubemos esta semana que qualquer ajuda do governo à TAP será com condicionalismos, apesar da crise ser a mesma crise. Ou seja, na doutrina socialista, um país estrangeiro, apesar de europeu, tem mais obrigações em relação a outros países do que o governo de Portugal em relação a uma das principais empresas nacionais. O que dirão os holandeses quando souberem que o governo português não empresta dinheiro a fundo perdido a empresas do seu país? Mas exige que o governo holandês e outros governos se financiem para emprestar dinheiro a países como Portugal a fundo perdido

Pergunta-se João Marques de Almeida e eu com ele e com isto não quero significar que o governo português tenha de emprestar dinheiro dos contribuintes portugueses a fundo perdido a empresas portuguesas. Quero apenas significar que também não vejo porque diabo terão os governos estrangeiros de emprestar dinheiro dos seus contribuintes a fundo perdido ao Estado português que já tem os contribuintes portugueses a quem extorquir dinheiro.

SERVIÇO PÚBLICO: O estado do Estado Federal americano

«Denunciar Washington, DC como disfuncional é um cliché que se tornou aborrecido. No entanto, é verdade. Passei os últimos sete anos escrevendo sobre política americana. Naquela época, apenas algumas leis foram aprovadas pelo Congresso que realmente se pode afirmar que mudaram a América. As outras mudanças legislativas substanciais que surgiram da capital durante esse período não envolveram a legislatura. Eles vieram da Casa Branca, na forma de acções e ordens executivas, e do Supremo Tribunal.

A maior parte da energia política nos Estados Unidos está focada em mudar o que acontece em Washington. Mas a pandemia do Covid-19 é mais um lembrete da importância dos estados. Enquanto o presidente recebe aconselhamento do seu conselho - um augusto corpo de especialistas, incluindo sua filha e genro - sobre como reabrir a América, os governadores estaduais são os que terão que fazer os difíceis escolhas que o coronavírus impõe.

Isso me faz pensar se é possível um tipo mais saudável de federalismo. Os democratas, recordando a oposição aos direitos civis, normalmente vêem com desconfiança argumentos para devolver mais poder aos Estados. Os republicanos são a favor até que controlem a Casa Branca, nessa altura ficam mais interessados ​​em usar o poder federal para impedir um Estado como a Califórnia de adoptar a sua própria agenda progressista.

A diferença entre os índices de aprovação do presidente e os dos governadores estaduais é um lembrete de que é possível criar no nível estadual o tipo de consenso político que permite um bom governo. Acho que não é mais possível fazer isso a nível nacional, seja quem for o presidente. Washington passou a parecer-se cada vez mais com Bruxelas - necessária, mas distante, disfuncional e não amada - enquanto os estados se assemelham a nações. O progresso, em qualquer direcção, deve começar por reconhecer isso e dando-lhes mais poder.»

John Prideaux, US Editor, na newsletter Checks and Balance da Economist

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (6) - Os dados podem não reflectir adequadamente o impacto do Covid-19 (III)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.


«André Dias, PhD., é Doutorado em Modelação de Doenças Pulmonares pela Universidade de Tromso, na Noruega. A instituição que o acolheu é uma das mais prestigiadas do mundo na área de investigação em epidemiologia. https://www.helmholtz-muenchen.de/epi... 

Depois de ter publicado um artigo no jornal ECO e de ter escrito nas redes sociais sobre a forma, na sua opinião injustificada, como o mundo está a lidar com a pandemia do novo coronavírus, começou a ser insultado e a ser alvo de ataques de cibernautas que não aceitam, simplesmente, a sua versão dos factos. 

Esta entrevista foi feita à Qi News no dia 11 de Abril de 2020

Ao expor pontos de vista desalinhados, André Dias seria sempre insultado por gente não preparada para o contraditório e possuída pelo sentimento de manada dominante nas redes sociais. Mas pôs-se mais a jeito por não ter explicado que as taxas de mortalidade publicadas pelos mídia resultam de metodologias diferentes em cada país e, mais importante, não reflectem os dados reais, coisa que os jornalistas de causas, se percebessem, não estariam interessados em esclarecer porque esvaziaria a histeria que vende notícias e cria o pânico propício para se aceitar a intrusão do Estado e a limitação das liberdades, algo que torna húmidos os sonhos da esquerdalhada.

E não reflectem os dados reais pelas razões que expus aqui e aqui e que em síntese resultam de o número de óbitos no numerador estar sobreestimado, por incluir óbitos "com Covid" e não apenas "pelo Covid", e o número de infectados no denominador estar subestimado, porque há muitas pessoas que não têm sintomas ou tem sintomas tão ligeiros que são negligenciáveis e não foram submetidas a testes - há estimativas que apontam para o número real ser 5 a 10 vezes maior.

Quem afinal está disposto a ir contra a manada e colocar a pandemia nas suas proporções e as medidas para a combater na sua razoabilidade? Não muita gente e, em particular, não os políticos do regime que querem aproveitar boleia da "ameaça terrível" para fazer passar a mutualização da dívida institucionalizando um modo dos "pobrezinhos" viverem à custa dos ricos.

(Continua)

18/04/2020

Bons exemplos (132) - A justiça no seu melhor

Amjad Rihan, um engenheiro canadiano especialista em sustentabilidade, que foi partner da EY (Ernest & Young), um dos mais novos de sempre, denunciou um cliente no Dubai suspeito de lavagem de dinheiro e de contrabando de ouro. Como retaliação a EY despediu-o e Amjad Rihan propôs há dois anos uma acção nos tribunais ingleses contra quatro subsidiárias do grupo EY acusando-o que tinha sido forçado a pedir a demissão depois de ter descoberto a lavagem do dinheiro pelo cliente do Dubai, violando os seus deveres profissionais de integridade e objectividade para garantir que as questões que levantou na auditoria não fossem relatadas às autoridades.

O caso percorreu várias instâncias e dois anos depois foi agora resolvido pelo Supremo Tribunal que decidiu condenar a EY a pagar a Amjad Rihan uma indemnização de 10,8 milhões de dólares por o ter envolvido numa «conduta gravemente imprópria» para esconder as conclusões da auditoria. Note-se que isto se passou com um estrangeiro, no estrangeiro com uma empresa estrangeira, cliente de outra empresa estrangeira.

Enquanto isso, aqui nos Portugal dos Pequeninos qualquer acçãozeca da treta que envolva "conduta imprópria" salta de Herodes para Pilatos durante vários anos ou décadas e, se o crime não prescrever, o criminoso é inocentado por falta de prova, e, se não for inocentado, é condenado a uma pena da treta e se, for condenado a uma pena da treta, sai em liberdade passado pouco tempo sem pagar um centavo de indemnizações.

O coronavírus no agitprop do Novo Império do Meio (5) - Estatísticas de causas, a tradição ainda é a mesma coisa (II)

Continuação de outros posts.

Em retrospectiva, o que se passa na China em matéria de dados estatísticos é apenas uma reedição com sabor local do comportamento das autoridades dos Estados que fizeram parte do Império Soviético. A China, apesar de ter abandonado o comunismo, substituindo por um capitalismo do Partido Comunista, manteve e refinou a tradição de tratar a estatística como a arte de torturar os números até que eles confessem. E eles, os dados e os traidores ao Partido, acabam sempre por confessar.

Os indícios de falsificação dos dados relativos à pandemia Covid-19 pelo governo chinês eram cada vez mais fortes e as acusações que começaram pelo presidente americano foram prontamente descartadas pelo jornalismo de causas que não consegue abster-se de reacções pavlovianas a seja o que for que Trump diga, o que devido às suas constantes contradições mostra da parte dos jornalistas de causas algum talento para conseguirem estar contra duas coisas contraditórias.

Até que as autoridades locais de Wuhan reconheceram publicamente que cometeram um erro cuja correcção aumentou em 50% a mortalidade. Não sei se há alguém neste mundo, para além dos 90 milhões de membros do PCC, que acredite num erro de contagem desta magnitude.

Pela minha parte classificaria este discrepância não como um erro mas como o resultado da primeira contagem ter sido segundo os métodos próprios das estatísticas de causas.

17/04/2020

Portugal dos Pequeninos, a caminho na Rota da Seda para ser um satélite do Novo Império do Meio

«Financiamento para salvar TAP poderá vir do maior banco chinês», a acrescentar à participação no capital do grupo chinês HNA.

Citando de memória, participações de controlo em sectores que costumavam ser "estratégicos" na mão de grupos chineses todos eles ligados directa ou indirectamente à nomenclatura do Partido Comunista Chinês:
  • REN Rede Eléctrica Nacional - proprietário da infraestrutura eléctrica
  • Fidelidade - a maior seguradora 
  • BCP - segundo maior banco
  • EDP - maior produtor e distribuidor de electricidade
  • Brisa - maior operador de autoestradas em risco de ser controlada por um grupo estatal chinês

Uma Proposta Modesta Para Evitar que os Activistas Desperdicem Acções e Indignações

Em 1729 Jonathan Swift publicou um panfleto satírico com o título longo e insólito A Modest Proposal: For Preventing the Children of Poor People in Ireland from Being a Burden to Their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public.

Desde então, inúmeras Propostas foram baptizadas de «Proposta Modesta». Chegou a vez do (Im)pertinências apresentar também uma Proposta Modesta Para Evitar que os Activistas Desperdicem Acções e Indignações neste Portugal dos Pequeninos a que Falta Dimensão e aos Habitantes Pachorra.

Para aplicar a Proposta Modesta é indispensável separar os Activistas em diferentes classes de Acções, propor-lhes de seguida um Propósito e oferecer-lhes uma Viagem para destinos onde as suas indignações encontrem chão para dar frutos, por exemplo:

  • Activistas Feministas - Níger, Somália ou Mali, ou qualquer outro país onde as mulheres possam ser sujeitas a mutilação genital
  • Activistas Climáticos - China ou qualquer outro país que use intensamente o carvão
  • Activistas da Identidade de Género - Sudão, Irão, Arábia Saudita, ou qualquer outro país onde um gay possa ser condenado à morte 
  • Activistas que culpam Trump pelas mortes pelo Covid-19 - Bélgica, Espanha, Itália, França ou qualquer outro país com maior taxa de mortalidade por Covid-19 
  • Activistas admiradores de "Democracias" Musculadas - Federação Russa, Turquia ou qualquer outro país onde as liberdades sejam meramente formais
  • Activistas do Comunismo - Coreia do Norte, Cuba ou Venezuela ou qualquer outro país que faça parte da lista dos países amigos do PCP ou do BE.

(Work in progress)

16/04/2020

Dúvidas (299) - Como conseguem sem um Trump?

worldometer (às 14:30)
É uma pergunta estúpida? Talvez seja. É uma pergunta pertinente aos jornalistas de causas que fazem títulos e artigos a anunciar o Great American Disaster.

Dúvidas (298) - Podemos confiar na OMS? (com P.S.)

Reformulando a pergunta: podemos confiar no director-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus e na equipa que actualmente dirige a Organização Mundial de Saúde?

Vejamos alguns factos descritos pela revista The Atlantic (How China Deceived the WHO):

«Em Janeiro, quando a pandemia que agora consome o mundo ainda estava ganhando força, um pesquisador de Berkeley chamado Xiao Qiang estava monitorando as declarações oficiais da China sobre um novo coronavírus que se espalhava por Wuhan e notou algo perturbador. As declarações da Organização Mundial da Saúde, o organismo internacional que aconselha o mundo a lidar com crises de saúde, frequentemente faziam eco das mensagens da China. "Particularmente no começo, foi chocante quando eu vi repetidamente o director-geral da OMS, quando falou à imprensa ... quase citando directamente o que li nas declarações do governo chinês", ele me disse.

O exemplo mais notório veio na forma de um único tweet da conta da OMS em 14 de Janeiro: "As investigações preliminares conduzidas pelas autoridades chinesas não encontraram evidências claras da transmissão de humano para humano do novo coronavírus". Nesse mesmo dia, o boletim público da Comissão de Saúde de Wuhan declarou: "Não encontramos provas de transmissão de homem para homem". Mas, a essa altura, até o governo chinês estava fazendo advertências não incluídas no tweet da OMS. "A possibilidade de transmissão limitada de homem para homem não pode ser excluída", disse o boletim, "mas o risco de transmissão sustentada é baixo".

Sabemos agora que isso era catastroficamente falso e, nos meses seguintes, a pandemia global colocou grande parte do mundo sob um bloqueio sem precedentes matando mais de 100.000 pessoas.»

Acrescentemos outros factos:
  • Desde 14 de Janeiro a nomenclatura chinesa estava consciente que se tratava de uma pandemia e em Wuhan deixaram realizar um banquete para dezenas de milhar de pessoas e só no dia 20 Xi Jinping tornou pública a pandemia
  • Em 28 de Janeiro Tedros Adhanom Ghebreyesus foi a Pequim dar os parabéns a Xi Jinping por «estabelecer um novo padrão para o controle de epidemias», enquanto ainda nessa altura as autoridade chineses puniam quem espalhasse "boatos";
  • No dia 3 de Fevereiro quando já havia 17.238 infectados e 361 mortes na China e 151 casos confirmados em 23 países e 1 morte, Ghebreyesus, garantiu não se justificarem medidas que «interfiram desnecessariamente nas viagens e no comércio internacional» para impedir a propagação do coronavírus a partir da China; apesar de o médico chinês Li Wenliang ter alertado em Dezembro para o surto e ter sido intimidado pela polícia chinesa;
  • Durante vários meses a OMS desaconselhou o uso de máscaras (quando na China e por toda a Ásia eram maciçamente usadas);
  • Ajuda a perceber a subserviência de Ghebreyesus sabendo-se que a China foi um apoio vital para a sua eleição, dívida que ele começou a pagar ostracizando Taiwan e agora com a lavagem dos erros e da falsificação de dados sobre a pandemia pela China.
Agora já podemos esclarecer à dúvida com alguma segurança.

Post Scriptum:

Citando Paulo Tunhas que preencheu uma parte da minha ignorância sobre Tedros Adhanom Ghebreyesus: «pertenceu a um facinoroso movimento comunista na Etiópia, que muito o ajudou na sua eleição para o cargo que presentemente ocupa e que um dos seus primeiros gestos desde que eleito para esse cargo foi nomear Robert Mugabe para “Embaixador da Boa Vontade” da OMS.»

15/04/2020

CASE STUDY: Trumpologia (63) - A freguesia eleitoral aceita tudo

Mais trumpologia.

Personagens como Donald Trump suscitam sentimentos extremos: por um lado os seus detractores destilam ódio por todos os poros e rejeitam até o que aceitariam vindo de um dos seus; por outro os seus indefectíveis aceitam e até louvam os disparates mais óbvios e ignoram o que contradiz o que diz defender e até, por vezes, vai contra os interesses de uma parte significativa do seu eleitorado.

O exemplo mais recente de uma medida daquele último tipo faz parte do pacote de US$ 2 biliões de estímulo à economia e consiste numa alteração da fiscalidade de que resultam benefícios fiscais de US$ 90 mil milhões em 2020, dos quais 82% são destinados aos 43 mil contribuintes com rendimentos fiscais superiores a um milhão de dólares por ano e menos de 3% são destinados aos contribuintes com menos de 100 mil dólares, segundo os cálculos do Joint Committee on Taxation um órgão não partidário do congresso. (WP)

Uma parte significativa da base eleitoral de Trump são aqueles a quem Hillary Clinton chamou deplorables e inclui também o operariado branco que nas primárias democratas anteriores votou Sanders, a maioria com rendimentos abaixo de 100 mil dólares.

ADITAMENTO:

Esclarecendo o último parágrafo (que não tem relação nenhuma com «associar o Trump à esquerda radical»):

Pew Research Center

«... these results support the claim that Trump’s appeal to the white working class was crucial for his victory», Trump Voters and the White Working Class, Stephen L. Morgan, Jiwon Lee, Johns Hopkins University

14/04/2020

CASE STUDY: «A única função das previsões económicas é tornar respeitável a astrologia» - A economia portuguesa pós-pandémica (1)

Uma continuação deste post de há quatro anos, com um título que regista um statement de John Kenneth Galbraith, talvez o único que não devemos ignorar de um economista inspirado no que ele considerava ser keynesianismo, mas era mais uma espécie de marxismo serôdio.

Retorno a este tema a propósito das previsões do impacto na economia da pandemia, ou mais rigorosamente, do impacto das medidas resultantes do medo/ignorância/falta de lucidez (escolher ao gosto) da dupla presidente da República-primeiro ministro.


Chegados aqui, se o statement de JKG vos pareceu uma piada, sabendo-se que o país ficará confinado no mínimo um mês e, provavelmente, até às férias, e que o turismo, até agora o verdadeiro sustentáculo do Estado Sucial, é para esquecer este ano, a maioria das previsões citadas são uma confirmação post mortem dessa pérola única do pensamento económico de JKG.

Em tempo: registe-se que a previsão de S. Ex.ª o PR é provavelmente a mais rigorosa. Tal como o Monsieur Jourdain de Molière que fazia prosa sem o saber, talvez nem ele saiba que fez uma previsão.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (28) - Somos os melhores dos melhores a exaltar os nossos melhores

Outros portugueses no topo do mundo.

Depois de ter tido alta, Boris Johnson agradeceu ao enfermeiro português Luís e à enfermeira neo-zelandesa Jenny os cuidados que lhe prestaram no St Thomas' Hospital.

Em Portugal e na Nova Zelândia a coisa foi celebrada na imprensa como se pode ver nas seguintes pesquisas Google.


Mas há exaltações e exaltações. Como nos ensina S. Ex.ª, somos os melhores dos melhores e mostrámos também que somos os melhores a exaltar os nossos melhores.

13/04/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (27) - Em tempo de vírus (V)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Mestres do ilusionismo

Jura Nelson de Souza que «não vamos deixar cair nenhum grande investimento». Isto dito por um ministro do Planeamento de um governo que nas vacas gordas orçamentou o ano passado 4.853 milhões de investimento público e executou menos 900 milhões, só mesmo o Expresso pode levar a sério.

Nomeadamente, diz-nos ainda o semanário de reverência, que o «Ferrovia 2020 tem 69% do investimento em marcha». Como os restantes 31% ainda estão na fase de projecto, supõe-se que os 69% em marcha significam que já existe projecto, daí até à obra mover-se com a economia parada é precisa uma enorme fé só ao alcance dos crentes.

Não, isto não foi causado pelo coronavírus, foi causado pelo vírus socialista

No estudo relativo à 11.ª missão de avaliação ao pós-programa de resgate a CE são destacadas as maiores ameaças: problemas estruturais da despesa com (1) os salários da função pública (resultantes, recorde-se, das "reposições", 35 horas etc.), (2) a segurança social e (3) a despesa com saúde, problemas que tornam difícil a redução de uma dívida pública cujo rácio é um dos mais elevados do mundo. A quarta ameaça são os riscos para a estabilidade financeira com o aumento do crédito hipotecário e ao consumo. Com as consequências das medidas em curso para conter a pandemia tudo isto é história que apenas devemos recordar para concluir que partimos descalços para esta "guerra", como lhe chama o Dr. Costa, porque o socialismo vendeu as nossas botas.

Também as exportações já estavam a desacelerar antes da pandemia, e o défice da balança comercial de bens até Fevereiro aumentou 170 milhões para 1.547 milhões.

É claro que também não teve a ver com a pandemia a última queda da taxa de poupança das famílias para 6,7% do rendimento disponível, que compara com 13,0% da Zona Euro. Como disse o honorável capitalista Warren Buffett, é quando a maré baixa que se vê quem tem calções e no nosso caso nem cuecas, só talvez uns testículos mirraditos.