Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

30/09/2007

SERVIÇO PÚBLICO: da discussão nasce a luz (se a lâmpada não estiver fundida)

Embora correndo o risco de ser triturado pelo blasfemo jcd (eu andava a cogitar com os meus botões que o meu próximo carro seria um Prius), resolvi fazer uma boa acção (de boas intenções ...) e vir em socorro do operador incumbente de energia eléctrica (mais um pecado) que anda a distribuir lâmpadas de baixo consumo.

Segundo as dicas rapidinhas para o MarketWatch de Jennifer Openshaw, as lâmpadas fluorescentes compactas de baixo consumo são uma opção economicamente preferível às incandescentes convencionais. Aqui fica o resumo.




29/09/2007

CASE STUDY: a propósito de The Bourne Ultimatum

O cinema americano mainstream começou por mostrar a CIA, nas décadas de 40, 50 e 60, como uma agência patriótica que defendia os interesses dos EU por meios discutíveis, mas em geral aceitáveis nas circunstâncias. Nos finais da década de 60 e princípios da década de 70, a emergência contestatária dos baby boomers, pouco dispostos a seguir o exemplo dos seus pais e ainda menos a morreram no Vietname, foi o primeiro sinal da perda confiança dos americanos nas suas instituições. O episódio Watergate com a posterior resignação de Nixon foi o momento de viragem na opinião pública. Os meios liberais (esquerdistas pelos padrões europeus) tornaram-se especialmente cínicos a respeito do governo. A CIA, segundo esses meios, era uma organização sinistra que com eficácia aterradora organizava assassinatos, financiava e apoiava golpes de estado, mantinha no poder ditadores cruéis e corruptos, e nos intervalos fazia lavagens aos cérebros do seu pessoal e espiava e interferia na vida dos cidadãos americanos, apesar disso estar fora da sua missão.

Entretanto Hollywood, infestada pelos liberais, produzia dezenas de filmes mostrando duma forma ultra-fantasiosa essa aterradora eficácia da CIA, só contrariada pela acção de um insider (e, às vezes, de alguns outsiders) que heroicamente denunciava à imprensa, ou ao único officer impoluto sobrevivente, as maquinações ilegais de personagens funestas para protegeram as conspirações do director da CIA, do presidente ou dum seu adviser.

Muitas dessas actividades sinistras ficcionadas por Hollywood podem ser, e são, prosseguidas pela CIA, como pelas outras agências de espiões (seria oportunismo comparar a CIA com a NKVD e o seus sucessores KGB, do qual foi officer Vladimir Putin, e a SVR, manobrados por cordéis cujas pontas estão no Kremlin). O que parece ser puro domínio da ficção é essa putativa eficácia porque, em boa verdade, a CIA tem falhado em toda a linha desde a sua criação. Para citar apenas alguns dos seus falhanços mais clamorosos:
  • Em 1949 não antecipou a primeira bomba atómica soviética em 1949
  • Em 1950 não previu a invasão chinesa da Coreia do Sul
  • Foi surpreendida pelas revoltas anticomunistas na Alemanha de Leste em 1953 e na Hungria em 1956
  • O fiasco da Baía dos Porcos em 1961
  • Passaram-lhe ao lado os mísseis soviéticos para Cuba em 1962
  • O tiro no pé com o golpe de estado do partido Bath no Iraque em 1963
  • Não previu a guerra israelo-árabe de 1967
  • Foi surpreendida a invasão do Kweite em 1990
  • Não detectou nenhum dos preparativos para o atentado WTC em 2001, apesar das inúmeras pistas.
É claro que Hollywood apresentasse a CIA como uma agência essencialmente incompetente isso seria mais ridículo do que ameaçador.

28/09/2007

CASE STUDY: a quantidade de vitualhas é limitada

Luís contra Luís - dois luíses uma só luta
O que evidencia a crise do PSD? O costume. O afastamento do poder é a travessia do deserto para o PSD, como para o PS. À medida que a caravana se afasta do oásis da última passagem pelo governo, aumenta perigosamente a desidratação, desfalecem criaturas, falecem outras, começam as alucinações colectivas, chegam as miragens.

E porquê? Porque, como já muitos disserem e vários escreveram, a presença no governo, importante para todos os partidos, é o oxigénio que respiram os nossos partidos do arco do poder (que raio de expressão). Sem essa presença, não há mordomias nem sinecuras para distribuir, enfraquece a fé e desertam os fiéis. Durante as travessias do deserto sobrevive (mal) o aparelho, dividido por lutas fratricidas na disputa das poucas migalhas que caiem da mesa do orçamento.

Por isso, o fortalecimento do partido no governo, que incha à custa do fortalecimento da enfraquecida fé dos cristãos velhos e da recém-adquirida fé dos cristãos novos revigorada pelas vitualhas que a ocupação do aparelho de estado lhes proporciona, só pode fazer-se à custa do enfraquecimento do partido da oposição, que emagrece irremediavelmente, sem cristão novos e com a deserção en masse dos cristãos velhos.

É preciso esperar pelo cansaço dos eleitores, ele próprio também dependente do esgotamento das vitualhas do orçamento, e pelos primeiros sinais de desgaste do governo para os fiéis do partido da oposição vislumbrarem o longínquo oásis. Nessa altura, o líder de serviço, ou um dos seus challengers, sofrerá uma metamorfose, terá uma visão, e conduzirá as hostes à partilha dos despojos deixados pelo governo anterior.

Foi assim, é assim e assim será. Não há milagres. Levou séculos para chegar aqui, levará gerações para sair daqui. É mau? Já foi pior.

27/09/2007

ESTÓRIA E MORAL: Mugabe & Ahmadinejad contra os "brutos" ocidentais

Estória
«Os presidentes do Zimbabwe, Robert Mugabe, e do Irão, Mahmud Ahmadinejad, planeiam criar uma "coligação para a paz". Os dois chegaram a essa conclusão num encontro à margem da Assembleia Geral da ONU que decorre em Nova Iorque. Acusados pelos EUA de dirigirem "regimes tirânicos", Mugabe e Ahmadinejad terão sentido a necessidade de se unirem contra os "brutos" ocidentais.» (no DN)

Moral
Les bons esprits se rencontrent.

25/09/2007

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: milagres da regionalização

Com um atraso pantagruélico para os padrões online, aqui se publica o recorte do Correio do Minho de 18 de Maio sobre os prodígios gastronómicos d'Os Telhadinhos de Ponte de Lima, enviado pelo detractor habitual JARF.

[Clique para ver aumentar o prodígio]

23/09/2007

BLOGARIDADES: um sistema aberto não é um sistema fechado

Não é a primeira vez que Pacheco Pereira se revela desconcortável com a vulgaridade dominante na Web, na blogosfera e em especial no centro geométrico das blogaridades que é a bloguilha. Desta vez é mais evidente do que o costume. Refiro-me ao post ESTA' A INTERNET A MATAR A NOSSA CULTURA? publicado no dia 12 - já com barbas pela bitola da blogosfera.

Nesse post JPP faz eco do livro de Andrew Keen «The cult of the amateur» que tem como subtítulo o título do seu post. Esclareço que não li o livro, nem prevejo que venha a lê-lo, a não ser que a prosa resista 10 anos. Adoptando (com reservas) algumas das angústias de Keen, JPP conclui preocupado não saber «até que ponto se encontrará um qualquer equilíbrio que trave o lixo demagógico que hoje enche tudo impante da sua nova voz tecnológica e salve a "nossa cultura", mas não posso, em nome dessa mesma "cultura", deixar de valorizar o acesso de milhões à porta de um mundo em que habita o "espírito", mesmo que assustado com tanta confusão.»

Não se vê motivo para tamanha preocupação. Pelo contrário, a pletora de amadores na Web, um fenómeno natural resultante da banalização da internet, constitui uma evolução desejável de vários pontos de vista e reflecte a extensão duma literacia que umas décadas atrás estava reservada a elites, frequentemente decadentes e quase sempre cooptando-se no interior das suas capelas bafientas. Essa literacia é visível até na bloguilha onde milhares de portugas discorrem num português escorreito (*) e, frequentemente, com pertinência (ocorre-me agora que este blogue se chama Impertinências) sobre os mais variados temas. Pode não ser uma academia, mas é um fórum bastante ventilado onde se confrontam ideias. É um mercado de ideias, onde da quantidade se pode depurar a qualidade, como em quase tudo.

Das centenas de milhar de miúdos e praticantes de todas as idades - amadores - que com mais ou menos jeito chutam bolas em becos e campos pelados, podem surgir Figos e Cristianos Ronaldos e, pasme-se, até Mourinhos. Dumas centenas de criaturas em inbreeding, que vivem num raio de 10 quilómetros com centro no Estoril, que frequentaram os mesmos colégios, que vão às mesmas missas, que treinam uns com os outros, podem surgir uns outros amadores, uns Sousas Uvas, que episodicamente fazem um brilharete no râguebi. Não mais do que isso.

Que a qualidade sobrevive sem dificuldade à quantidade poderia deduzir-se do facto do Abrupto (que certamente JPP considerará um paradigma dos blogues) resistir tão bem à concorrência que até está entre os mais visitados da bloguilha. Não fosse a concorrência tão numerosa e o Abrupto teria muito menos freguesia.

(*) Há excepções. Algumas nelas notáveis, como o maradona que escreve com imensos erros por diletantismo, presumo.

20/09/2007

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: está por um fio

Para quem imagina a Turquia na EU como o cavalo de Tróia do islamismo e antevê as nossas mulheres todas cobertas por véus, é melhor mudar de ideias e não desvalorizar as turcas. Em ajuda desta antítese vem o Economist (provavelmente a melhor revista de economia, finanças e outras miudezas) esclarecer-nos sobre as preocupações das luminárias islâmicas:
«Nowadays, the Islamic intelligentsia seems less preoccupied with the veil than with whether it is appropriate for pious female Muslims to wear G-string knickers - because, as one luminary has opined, "they keep women in a permanent state of sexual arousal".»

16/09/2007

CASE STUDY: Bambi e The Joker, separados à nascença

Prima para ver em grande

DIÁRIO DE BORDO: se não fosse a ameaça das verrugas e do pé-de-atleta...

... deixava cair a corrente milagrosa lançada pelo fassista do Portugal Contemporâneo, que me chegou através doutro fassista d'O Insurgente, sob a forma do desafio: «enuncie dez características que, em sua opinião, separam e distinguem a nossa direita partidária (PSD e CDS) do PS e do governo».

Não é um desafio. Dez distinções é uma missão impossível. Em todo o caso, ocorrem-me as seguintes:
  • O primeiro ministro benze-se e a direita ainda não ergue o punho;
  • O líder do PSD percorre o circuito da carne assada aos beijinhos às mulheres de bata e o líder do PS faz o circuito das escolas a distribuir portáteis e a bajular os adolescentes («estás porreiro, pá?»);
  • A direita defende a redução da carga fiscal hic et nunc e o governo diz que só para o ano;
  • O PS pensa que é melhor não referendar o tratado europeu e diz que está a pensar nisso e a direita está a pensar nisso e diz que ainda não sabe se é melhor referendar.
Por agora não me ocorre mais nada. Haverá outras? Ignorabimus. Volto cá se me lembrar de mais. E quanto a continuar a corrente, no way.

15/09/2007

ESTÓRIA E MORAL: momento zen nacional

Estória

O Felipão falhou escandalosamente um murro nas ventas dum qualquer sérvio que, diz ele, chamou nomes à família Scolari. Foi censurado pelo falhanço? Foi condenado por não ter tentado um pontapé nas partes do ofensor? Foi demitido por não ter feito uma espera ao biltre à saída do estádio, como costumam fazer os adeptos do FêCêPê aos árbitros que não comem a fruta do Pintinho? Não, não e não.

Foi censurado pelo doutor Laurentino, um senhor secretário de estado do desporto que usa um capachinho, e que falou com grande pompa e circunstância, não se sabe se na qualidade de secretário se de adepto do futebol, sobre atitudes e comportamentos e bla bla.

Foi censurado pelo senhor presidente da república que viu a coisa do seu «sofá» como «um gesto lastimável»

Até aquela menina jornalista que, dizem, namora o senhor primeiro ministro veio escrever, possivelmente em sua substituição, ocupadíssimo com o plano tecnológico a distribuir portáteis aos meninos nas escolas, que ficou «varada com o upper cut falhado», deixando-nos na angustiante dúvida sobre se a vara se deveria a achar que teria sido melhor um jab de esquerda em vez dum upper cut de direita ou pelo falhanço, tout court.

Vou iniciar aqui e agora uma corrente de solidariedade e organizar um jantar de desagravo ao mister.

Moral

Quem não se sente não é filho de boa gente

12/09/2007

SERVIÇO PÚBLICO: antes a morte que tal sorte

As vítimas dos escombros dos paraísos socialistas batem os privilegiados do estado providência.

10/09/2007

CASE STUDY: leis duras e prática mole

Ele sabia do que falava
Este país pode ter, e tem, défices crónicos de diferentes naturezas. Por exemplo, défice orçamental, défice de literacia, défice de diligência, défice de vergonha, entre muitos outros.

Este país não tem um défice de legislação. Veja-se o exemplo recente da baderna na noite tripeira. Por acaso na noite tripeira, como podia ser na alfacinha, ou na do All Garbe. Segundo o Expresso «21 diplomas legislam sobre os bares e as discotecas». Se Filipe II de Espanha, I de Portugal, ainda fosse vivo diria, uma vez mais, que as leis em Portugal são duras, mas a prática é mole.

E porquê? Ora porque é mais fácil ser-se advogado, jurista, deputado, ou ministro, do que polícia (e muitas outras coisas).

08/09/2007

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: os cemitérios estão cheios de insubstituíveis

Imaginemos um país onde os mercados de capitais funcionassem normalmente, digamos. Supunhamos que uma das empresas com maior capitalização bolsista estivesse cotada há 7 anos acima dos 5,40, e captado aos accionistas milhões de euros em diversos aumentos de capital, e quatro anos depois estivesse cotada a pouco mais de 1,90. Decorrido outros três anos, ainda vacila na região dos 3,30.

Consegue-se imaginar que esse país venere como o maior gestor financeiro do planeta uma criatura que liderou essa empresa destruindo 2/3 do valor detido pelos seus accionistas nos quatro anos de 2000 a 2004?

Consegue-se imaginar que esse gestor seja apoiado por fracção significativa dos accionistas a quem destruiu valor para continuar a decidir os destinos dessa mesma empresa?

Consegue-se, se souber que esse país é Portugal, que a empresa é o Millenium bcp e que uma parte significativa dos accionistas são clientes do banco e lhe devem dinheiro (com parte do qual aliás compraram as suas accções), e que parecem dispostos a apoiar o do engenheiro Jardim Gonçalves na sua entronização vitalícia na liderança do Millenium bcp, ainda que por interposto procurador.

07/09/2007

ESTADO DE SÍTIO: a mão visível

Afastada, desde a queda do muro de Berlim, das opções de política económica praticáveis na Europa a intervenção directa do estado na economia via nacionalização, o segundo modelo mais pernicioso de intervenção estatal ainda ao dispor dos governos dirigistas é a política de subsídios com que os governos arruínam o funcionamento do mercado a pretexto de o melhorarem ou, como agora é o caso, de lhe diminuírem os efeitos indesejáveis nas classes mais desfavorecidas.

O montante dos subsídios que o governo atribui é por isso um bom indicador do grau de dirigismo económico e, consequentemente, da irremediável ineficiência na utilização dos recursos. É a este título muito esclarecedor da política económica praticada pelo governo socialista do engenheiro Sócrates que o montante das eufemisticamente chamadas «indemnizações compensatórias pela prestação de serviços públicos» tenha aumentado 6% em 2007. É também esclarecedor que o facto seja anunciado orgulhosamente pelo secretário de estado do Tesouro e Finanças e que do aumento do bolo orçamental, as empresas públicas, que é suposto prestarem o mesmo serviço em concorrência que as empresas privadas, se aboletaram com 90%.

Pode o governo anunciar as reduções do défice que lhe aprouver, à custa do aumento da carga fiscal, que isso nada contribuirá para a competitividade da economia e para o progresso do país, enquanto continuar a entropiar os mercados com a sua pesada mão visível.

06/09/2007

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: para quem gosta de gajas de todas as idades do homem



Three-minute video created by EggMan

[enviado por JARF, um notório apreciador de gajas]

ESTADO DE SÍTIO: frase assassina

«A meio do ciclo político deste Governo, se o país está cansado, o Governo está exausto, com excepção do primeiro-ministro, para quem governar tem uma parecença próxima com o jogging, com as vantagens e os defeitos de uma actividade que não se caracteriza por ter um destino, mas sim um trajecto.»
(PÔR OS PÉS NA TERRA, no Abrupto)

05/09/2007

02/09/2007

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: é muito injusto

O que terá levado a IAU a aprovar, fez agora um ano, critérios que rebaixaram Plutão ao nível dum qualquer calhau perdido no espaço? Ainda por cima um planeta que, não sendo grande (concedo, é pequenino, mas muito jeitoso), até tem 3-luas-3 uma das quais é uma bela duma lua que se pode ver ao longe.

Não concordo!

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: a nova encarnação do doutor Portas na Web 2.0

Secção Insultos à inteligência

Depois de ter sido sucessivamente o Paulinho da Feiras eurocéptico e uma figura de estado eurófila, a criatura entrou em reflexão sabática, espécie de casulo donde saiu a mariposa dum líder renovado com novo penteado, nova dentição, novo sorriso e novas propostas políticas que ultrapassam o engenheiro Sócrates pela esquerda.

No segundo dos 3 tubes que publicou da série «Há um caminho», o doutor Portas 2.0 preocupa-se com as taxas de juros e o silêncio do governo e do ministro anexo doutor Constâncio e promete dedicar os seus múltiplos talentos e «usar todos os meios do novo regimento da assembleia da República para que este tema, o crescimento económico, a questão dos juros e como limitar os danos para as famílias que estão endividadas e que têm crédito, nomeadamente para compra de habitação, esteja no centro da agenda política». Uns minutos atrás ficou uma contraditória declaração de fé na independência do BCE e nos impulsos intervencionistas do presidente Sarko.

É a demagogia em todo o seu esplendor. É isto que a direita portuguesa tem para oferecer no mercado das ideias.

Quatro bourbons para o doutor Portas por não conseguir deixar de seguir a sua natureza de farsante e três chateaubriands se acredita no que diz ou, em alternativa, quatro ignóbeis no caso contrário.

01/09/2007

CASE STUDY: série reis de África (18 and last, but not least)

Sua Majestade GOODWILL ZWELETHINI, King of Zulu, South Africa
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)

31/08/2007

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: não há bem que sempre dure, mas há mal que nunca acaba (pelo menos desde o século XVI)

- Lembras-te que há anos me falas que a Espanha não sei quê, que os espanhóis não sei que mais?
- Não estou a perceber.
- Pois, que o PIB espanhol cresce 3 ou 4 por cento, que o orçamento tem um superavit, que os espanhós fizeram as reformas, etc.
- Ah, sim! Lembro-me. No es verdad?
- Talvez tenha sido verdade. Ou tem sido verdade. Prepara-te para a má notícia.
- E qual é a má notícia?
-Que «a Moody's e a Standard and Poor's, as maiores agências mundias de rating, coincidem quanto à advertência de que o milagre económico espanhol impulsionado pelo consumo interno poderá conhecer "um final abrupto"» diz aqui o Diário Económico. Como vês não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, diz o povo e com razão.
-Hombre, mas nós já tivemos o final abrupto com 7 anos de avanço e nunca chegámos a ter os 3 ou 4 por cento de crescimento, o superavit, e as reformas.
-Desisto. Não há nada a fazer contigo.
[Inspirado numas conversas que eu cá sei, com um amigo que eu sei que ele sabe que eu sei, como disse uma vez aquela marmota do CDS ao Paulinho das Feiras]

30/08/2007

BREIQUINGUE NIUZ: tem o ministro toda a razão

Respondendo às críticas da oposição desconstrutiva (1) que o censuraram pela falta de segurança a propósito duma qualquer rixa, o recém-ministro da Administração Interna, vindo duma passagem fugaz pelo Tribunal Constitucional, deu à oposição o merecido troco à saída da reunião semanal do Conselho de Ministros garantindo que «Portugal dispõe de 50 mil membros das forças de segurança. Dá um rácio dos melhores da Europa e do mundo».(Público)

Tem o ministro toda a razão e se o digo é para mostrar que não é verdade:

  1. que a oposição tenha sempre razão
  2. que o Impertinências só dá com o pau no governo.
E para demonstrar a razão do ministro cito (2), duma só vez, 3 fontes com grande credibilidade (3):
«Segundo os números do Pocket World in Figures citado por Pedro Arroja ... o estado português é o 4.º mais policiado do mundo. É um estado policial, por assim dizer.

Total police personnel per 100.000 pop.
1. Mauritius 756
2. Italy 560
3. Barbados 516
4. Portugal 491

Portugal tem mais polícias por 100.000 habitantes do que o Casaquistão, que é o 7.º com apenas 464.»
Há uma interessante questão que fica, por agora, pendente que é saber onde se encontram tantos polícias que não aparecem quando são precisos.

NOTAS:

(1) Fica de fora o hipotético futuro líder doutor Menezes, que deixou claro, a respeito do tema que agora me ocupa, não ser «dos que fazem discursos permanentes de "bota abaixo"»;

(2) Nesta altura aproveito para marcar as minhas diferenças em relação a doutor Menezes, recentemente acusado de plágio. Aproveito também para esclarecer que, se há coisa que o doutor Menezes não faz, é copiar quem quer que seja. Ele é único.

(3) Por ordem de credibilidade: o Impertinências, o doutor Arroja e o Economist.

29/08/2007

CASE STUDY: quanto mais, menos

Lost in data migration

No Japão, um país com a indústria electrónica mais avançada do planeta, o serviço de segurança social não consegue relacionar 50 milhões de registos de pensões com os contribuintes entre os quais se encontram 14 milhões que nunca foram registados no sistema informático (ver aqui, por exemplo).

28/08/2007

ESTADO DE SÍTIO: como os deputados se vêem a si próprios

Algumas alterações ao Estatuto dos Funcionários Públicos, perdão dos Deputados, introduzidas por uma das últimas ejaculações legislativas da assembleia da República (Lei n.º 43/2007 de 24 de Agosto):

Artigo 8.º Perda do mandato
1 - ...
2 - Considera-se motivo justificado a doença, o casamento, a maternidade e a paternidade, o luto, força maior, missão ou trabalho parlamentar e o trabalho político ou do partido a que o Deputado pertence, bem como a participação em actividades parlamentares, nos termos do Regimento.
3 - ...
4 - Em casos excepcionais, as dificuldades de transporte podem ser consideradas como justificação de faltas.

Artigo 15.º Outros direitos

1 - ....
2 - Ao Deputado que frequentar curso de qualquer grau de ensino, oficialmente reconhecido, é aplicável, quanto a aulas, exames e outras prestações de provas académicas e científicas, o regime mais favorável de entre os que estejam previstos para outras situações.

27/08/2007

ESTÓRIAS E MORAIS: o papagaio fidelista

Estória

En Cuba, un niño regresa de la escuela a su casa, cansado y hambriento y le pregunta a su mamá:
-"Mamá, que hay de comer?"
-"Nada, mi hijo."
El niño mira hacia el loro que tienen y pregunta:
-"Mamá, por qué no loro con arroz?"
-"No hay arroz."
-"Y loro al horno?"
-"No hay gas."
-"Y loro en la parrilla eléctrica?"
-"No hay electricidad."
-"Y loro frito?"
-"No hay aceite."
El loro contentísimo gritaba:
-"¡¡¡VIVA FIDEL!!! ¡¡¡VIVA FIDEL!!!"


Moral

Cada um tem os admiradores que merece.

[Estória enviada por JARF]

25/08/2007

CASE STUDY: série reis de África (17)

Sua Majestade EL HADJ MAMADOU KABIR USMAN, Emir of Katsina, Nigeria
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)

24/08/2007

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: não há cura para esta maleita

Secção Still crazy after all these years

«O dirigente do PCP Vasco Cardoso acusou hoje o Governo de ser "o campeão" não só do desemprego mas também da precariedade, alegando que em Portugal um em cada quatro trabalhadores não tem um vínculo laboral. "Em vez da prometida criação de 150 mil postos de trabalho assumida pelo PS durante as últimas eleições legislativas, o que se verifica é que o número de desempregados cresceu desde a tomada de posse do Governo, de 399.300 para os actuais 440 mil", criticou.» (Público)

É inesgotável a minha admiração pela capacidade dos comunistas não aprenderem nem esquecerem nada. Será que estas criaturas não entendem que uma das causas do que eles chamam de «precariedade» é o excesso de garantias de emprego para toda a vida? É a função zingarilho em plena acção: quanto mais garantias mais desemprego. Não percebem que os pais dos recibos verdes são os «vínculos laborais» mais duradouros do que os casamentos pela santa madre igreja?

Não entendendo estas trivialidades, não espanta que as criaturas imaginem que o governo cria «postos de trabalho». Quanto muito, mais emprego a adicionar aos 750 mil utentes da vaca marsupial pública.

É por isso que também não espanta que levem com mais 4 bourbons e 4 chateaubriands. E agradeçam ao branco Cunha Martins 2006 (que ainda me está a amaciar o fígado) não levarem uns quantos ignóbeis.

23/08/2007

DIÁRIO DE BORDO: apesar do final de bom nível, com frutos secos e uma pequena sensação tostada

Pode faltar-me a inspiração, o talento e o tempo, por esta ordem, mas não me faltam temas para tratar aqui no Impertinências. Tenho uma lista de espera maior do que a das operações às varizes nos hospitais civis. A única forma de reduzir a lista é esperar que o tema perca a oportunidade - o equivalente à morte dos utentes varicosos.

Hoje é um daqueles dias. Olho para a lista transbordante de temas desafiantes e nada. Nem um clique. Em desespero, recorro à receita do casal Quevedo, magnanimamente dada a conhecer aos leigos na Atlântico, onde escreveram sobre as eleições para a cama (?) de Lisboa.

Fui a correr ao Carrefour, vasculhei as prateleiras, desencantei o branco Cunha Martins 2006, impacientei-me enquanto a botelha arrefecia no congelador, na companhia duma água das pedras, sentei-me, relaxei, saboreei.

«Com 13% Vol tem uma bonita cor amarelo-citrino de leve concentração. No nariz, apelativo e nada tímido mostra aromas de maçã Golden, relva e um toque tropical de manga a dar uma boa entrada. Nota-se ainda com o passar do tempo no copo um ligeiro aroma de manteiga que traz alguma complexidade.

Na boca, embora de estrutura ligeira, não é um vinho apenas citrino e refrescante, pois nota-se alguma profundidade aromática, onde a madeira está muito discreta, mas fez o seu papel. Tropical, maçã e ananás, ligeiramente doce embora com a acidez presente. O final é de bom nível, com frutos secos e uma pequena sensação tostada.

Um vinho claramente bem feito, excelente para o preço e que para quem tiver paciência que perca algum tempo com ele, apreciando-o, pois não é mais um branco de verão.
»

[no Vinho da Casa, de Paulo Miguel Silva, um jovem de 23 que só consegue escrever coisas como estas, que um cidadão comum só pode aspirar aos 40 anos, à custa de muito estudo dos cunhas martins e doutras honradas famílias].

Perdi tempo com ele, apreciei-o, vi-lhe o amarelo-citrino, cheire-lhe os aromas nada tímidos de maçã e de relva, dei-lhe uma boa entrada. Só o final me desiludiu. Nicles. A inspiração foice. Foice? Será foisse? Xente, estes 13 degraus acabarão cumigo. Ceria da ágoa das phedras?

22/08/2007

SERVIÇO PÚBLICO: as brincadeiras dos filhos da burguesia berloquista (3)

Destaque para a competente desmontagem que o Abrupto leva a cabo aqui e aqui da limpeza ética que os verdeufémios e os gaias estão a realizar nos seus sites para se inocentarem da delinquência de Silves.

Azar o deles. Estaline pode ter mandado queimar os livros de história, mas estas criaturas não conseguirão apagar o seu passado da Web.

CASE STUDY: série reis de África (16)

Sua Majestade SALOMON IGBINOGHODUA, Oba Erediauwa of Bénin, Nigeria
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)

20/08/2007

SERVIÇO PÚBLICO: as brincadeiras dos filhos da burguesia berloquista (2)

As brincadeiras dos filhos da burguesia berloquista subsidiadas pelo estado napoleónico-estalinista governado pelo engenheiro Sócrates.
«A página do Governo (citada em baixo) onde se apelava à participação na Ecotopia foi retirada de linha. (Muita coisa aconteceu neste domingo moroso...) Isto não isenta a responsabilidade do Governo na sua existência, e no compromisso que ela traduz. Falta também saber se o Governo subsidiou directa ou indirectamente a Ecotopia e porque razão os meus impostos servem para pagar estas palhaçadas. Sim porque a leitura dos documentos da Ecotopia não enganam ninguém na mistura de causas radicais, new age anti-cíentifico, misturado com um clima de utopia de acampamento com "democracia directa".» (Abrupto)

19/08/2007

ARTIGO DEFUNTO: os pobres que paguem a crise

O Sol deste fim de semana mostra-nos um case study do jornalismo económico praticado pelo jornalismo de causas. A notícia é um scoop e o título é um verdadeiro achado.

Outros títulos alternativos: «Os pobres portugueses ajudam os pobres americanos»; «A filantropia dos bancos americanos que emprestam dinheiro aos inadimplentes americanos prejudica os inadimplentes portugueses»; «Bancos portugueses encontram o álibi quase perfeito para aumentarem os spreads».

18/08/2007

SERVIÇO PÚBLICO: as brincadeiras dos filhos da burguesia berloquista

«Cerca de cem activistas (*) contra os OGM (Organismos Geneticamente Modificados) destruíram esta sexta-feira cerca de um hectare de milho transgénico cultivado numa herdade em Silves, enquanto o proprietário, em lágrimas, os tentava desmobilizar.»

(*) Eufemismo que o jornalismo de causas utiliza para designar delinquentes.

Ver aqui o vídeo da brincadeira dos filhos da burguesia berloquista depois duma noita nas discotecas algarvias.

17/08/2007

CASE STUDY: série reis de África (15)

Sua Majestade BOUBA ABDOULAYE, Sultan of Rey-Bouba, Cameroun
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)

16/08/2007

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: um país, dois sistemas (2)

Secção Padre Anchieta

O PIB cresceu 0,7% no 1.º trimestre e o governo facturou por conta dos amanhãs que iriam cantar. Os amanhãs não cantaram, o PIB cresceu 0,4% no 2.º trimestre e o governo, num momento de inspiração, disse pela boca do ministro das finanças que é «um padrão de comportamento intra-anual».

Se o governo quer ser creditado pelos 0,7%, tem que ser debitado pelos 0,4%. Se o senhor Jerónimo de Sousa quer debitar o governo pelos 0,4%, como anunciou ontem aos 200 maduros que se reuniram para o ouvir na Mata de Monte Gordo (uma espécie de Pontal comunista), devia ter-lhe creditado os 0,7% do 1.º trimestre.

O governo e o senhor Jerónimo de Sousa padecem de doenças da mesma família. O governo só trata da economia mediática (aquilo de que falam os «200 palhaços que vão à televisão falar de economia»). O secretário-geral comunista só trata de planos quinquenais.

O governo já teve ontem a sua conta com dois chateaubriands para o doutor Teixeira dos Santos e três pilatos para o engenheiro Sócrates. É justo que hoje se atribua ao senhor Jerónimo de Sousa três chateaubriands e cinco bourbons.

15/08/2007

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: um país, dois sistemas

Secção Insultos à inteligência

O PIB cresceu 0,7% no 1.º trimestre, o doutor Teixeira dos Santos disse: estamos no bom caminho, aproxima-se o fim das vacas magras, ou uma qualquer outra coisa parecida. O engenheiro Sócrates disse mesmo mais, já vejo a luz ao fundo do túnel.

O PIB cresce 0,4% no 2.º trimestre, o doutor Teixeira dos Santos diz que "estas oscilações são habituais e não preocupantes", que Portugal se está "a aproximar da média europeia" (Portugal deve ter desacelerado por solidariedade, digamos), "este é um padrão de comportamento intra-anual que não é de estranhar" (e o 1.º trimestre não foi de estranhar?). O engenheiro Sócrates desta vez não disse mesmo mais, por estar ausente em parte incerta.

Dois chateaubriands para o doutor Teixeira dos Santos e três pilatos para o engenheiro Sócrates e votos de continuação de boas férias.

14/08/2007

CASE STUDY: série reis de África (14)

Sua Majestade OBA JOSEPH ADEKOLA OGUNOYE, Olowo of Owo, Nigeria
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)

13/08/2007

BLOGARIDADES: correcção da correcção ou o criminoso volta sempre ao local do creme

Há um par de dias publiquei o Diário de Bordo «eu diria mesmo mais», a propósito das campanhas gay de angariação de novos aderentes a que se referia o post de João Miranda Adolescentes nas marchas gay.

Para ilustrar o deboche, juntei uma foto do post E agora um pouco de demagogia e desonestidade intelectual que também tenho direito, que não confirmei (por náusea) fazer parte do lote das 120 do Canal Parade Amsterdão 7 de Agosto.

Reparei hoje que o escrúpulo do insurgente Carlos G. Pinto o levou a fazer uma «correcção», preocupado com o facto da foto que publicou (e eu com ele) poder não fazer parte do deboche deste ano. É bem possível, mas permita-se-me a correcção da correcção - é igual ao litro porque no lote das 120 deste ano estão lá outras igualmente significativas, como estas (a 3.ª também foi publicado pel'O Insurgente):

[clicar para ver o deboche em grande]

11/08/2007

ESTADO DE SÍTIO: separados à nascença

Não sei se o que me chamou a atenção foi a foto (na página 14 do Confidencial) dos dois lustrosos figurões, quais gémeos separados à nascença, encenando um almoço no «Terreiro do Paço». Também poderia ter sido a citação destacada do gémeo doutor Bernardo Trindade, secretário de estado do Turismo, congratulando-se pelo «belíssimo ambiente entre governo e iniciativa privada», iniciativa ali à mesa protagonizada pelo outro gémeo, doutor Miguel Rugeroni, administrador da Espírito Santo Turismo.

Os dois gémeos partilham não apenas o look lustroso, as fatiotas cinzentas do mesmo alfaiate, os grizalhos, a bem-falância, mas também o mesmo patrão - o grupo Espírito Santo, apesar do primeiro estar temporariamente afastado do banco do mesmo grupo de que é director.

Partilhando ambos o optimismo em relação ao resultado do conúbio entre governo e iniciativa privada, o doutor Rugeroni, não muito confiante na noiva, faz um apelo ao noivo à altura do melhor da política salazarista do condicionamento industrial. Preocupado com os efeitos perversos do excesso (acha ele) de oferta já existente e com a anunciada pletora de novos projectos turísticos, o homem dos Espíritos sugere «alvarás», naturalmente administrados com parcimónia pelo noivo. Para que não haja confusões e para marcar a sua diferença, o homem dos Espíritos esclarece que «não seria um sistema de quotizações».

DIÁRIO DE BORDO: eu diria mesmo mais

«No entanto, nem todas as pessoas com comportamentos homossexuais são homossexuais biológicos. As comunidades homossexuais dependem da transmissão cultural para se formar e para se expandir. Para se formarem novas comunidades porque o baixo número de homossexuais na população torna difícil a formação de comunidades de pessoas com os mesmos interesses sexuais. Para se expandir porque quer os homossexuais biológicos quer os culturais precisam, para aderirem às comunidades homossexuais, de ultrapassar as barreiras culturais que as sociedades tradacionais colocam à homossexualidade.

Sendo assim, a selecção cultural tenderá a premiar a cultura gay que se auto-promove, quer através de manifestações públicas, quer através da arte e da literatura. Não é por isso estranho que a cultura gay tenha gerado manifestações públicas exuberantes como as paradas gay. E também não é estranho que se procure enquadrar adolescentes nessas paradas (ver aqui, e aqui). Os adolescentes são ao mesmo tempo um alvo fácil e apetecível. Fácil porque se encontram em formação. Apetecível porque garante a transmissão da cultura gay muito para além da próxima geração. Se as igrejas e os clubes de futebol procuram recrutar os seus futuros elementos nas camadas mais jovens, porque é que a comunidade gay não haveria de o fazer? Devemos esperar que a preocupação em transmitir ideias e comportamentos aos menores seja uma característica de qualquer cultura bem sucedida
[do post blasfemo Adolescentes nas marchas gay]
[foto da Canal Parade Amsterdão 7 de Agosto, também publicada pel'O Insurgente]

Eu diria mesmo mais, se a comunidade gay procura recrutar os seus futuros elementos nas camadas mais jovens, porque é que a comunidade homofóbica não haveria de o fazer?

08/08/2007

DIÁRIO DE BORDO/ARTIGO DEFUNTO: a náusea

Assistir a um qualquer dos telejornais é uma experiência nauseante para uma alma que ainda não esteja totalmente impregnada do paradigma jornalístico doméstico.

Telejornais que duram sempre mais de 30 minutos, por vezes até uma hora, atascando-se na lama das banalidades. Estagiário(a)s esganiçado(a)s aproveitam os minutos mediáticos a que têm direito, expelem ansioso(a)s dilúvios de palavras sobre trivialidades e fazem as perguntas fatais aos desgraçadinhos a quem enfiam o micro pelos queixos (tem alguma ajuda estatal? já recebeu o subsídio? a câmara/o governador civil/as autoridades já cá estiveram?). Câmaras manipuladas por potenciais realizadores, suspensos do primeiro subsídio, filmam as mãozinhas do entrevistado e os rostos alarves dos curiosos que espreitam por cima dos ombros uns dos outros.

07/08/2007

CASE STUDY: série reis de África (13)

Sua Majestade JOSEPH LANGANFIN, Benin
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)

06/08/2007

CASE STUDY: como que a assembleia geral dos lampiões

Até há 6 meses ninguém arriscaria prever que o discreto Millenium bcp, onde cada reunião do conselho de administração ou do conselho geral mais parecia um family gathering, realizaria assembleias gerais que mais pareceriam as do Sport Lisboa & Benfica.

60-sessenta-60 jornalistas e repórteres cobrem o mediático evento, que a estas horas acaba de ser interrompido sem que nada de substancial tenha sido resolvido (mais uma semelhança com as assembleias dos lampiões).

Quem diria que, desfeito o verniz da excelência, o Millenium bcp se revela tão genuinamente português? Luta surda pelo poder que os protagonistas negam, protestando juras de concordância, fidelidade e lealdade, pegas de cernelha, tudo de mistura com palhaçadas, desejos de mediatismo, bicos de pés, graxismo.

05/08/2007

ESTÓRIAS E MORAL: o sobrinho taxista vai abrir outra conta na Suíça

Estória n.º 1

Há um ano um munícipe de Oeiras apresenta na câmara um projecto de remodelação da sua moradia. Durante 4 meses o processo cria bolor em cima da secretária de um arquitecto. Após muitas insistências, o projecto de arquitectura foi finalmente (informalmente) aprovado no 6.º mês. Pelo meio algumas cenas kafkianas, como a insistência para harmonizar o projecto com os projectos originais das moradias próximas, todas elas já entretanto modificadas sem projecto aprovado («só nos interessa o que está no processo»). Os projectos de especialidade entregues imediatamente a seguir precisam de mais 2 meses para ser aprovados. Dez meses após a entrega do projecto, é emitida a licença de construção. Foi bastante rápido, disseram ao pobre munícipe criaturas conhecedoras dos meandros camarários.

[A quem possa interessar: o Decreto-Lei n.º 555/99 de 16 de Dezembro estipula um prazo máximo de 30 dias para deliberação da câmara neste tipo de obras. Perguntem a um juiz porque razão é mais fácil encontrar um autarca honesto do que um munícipe que tente obter uma decisão de aprovação tácita num tribunal.]


Estória n.º 2

Há 10 anos o IPE apresenta uma proposta à câmara de Oeiras para edificação na zona da Fundição de Oeiras. A proposta é chumbada com o argumento dum índice de construção excessivo (1,7) que a câmara queria reduzido para 1,5. Três anos depois a Fundição de Oeiras é comprada ao IPE por 30 milhões de euros por um «promotor» que a vende ao Invesfundo em 2006, por 44,4 milhões. Um ano depois, em 11 de Julho passado, a câmara aprova um outro projecto com um índice de ocupação de 1,85, que inclui 13 edifícios e 2 torres de 21 andares. Segundo o Sol, os terrenos da Fundição de Oeiras passarão agora a valer 113 milhões de euros.

A aprovação do projecto corre à velocidade da luz. A projecto apresentado em 29 de Junho obtém todos os pareceres uma semana depois (o da divisão de Trânsito e Transportes foi feito em 24 horas). O doutor Isaltino despacha o processo no sábado 7 de Julho e a câmara aprova-o na sua reunião seguinte de 11 de Julho.

Moral

It is inaccurate to say that I hate everything. I am strongly in favor of common sense, common honesty, and common decency. This makes me forever ineligible for public office. (H. L. Mencken)

04/08/2007

TRIVIALIDADES: geometria fractal - Cats in a bag

BREIQUINGUE NIUZ: um contabilista em Belém?

É difícil a uma criatura não contaminada pelo controleirismo serôdio do ministro doutor Santos Silva deixar de concordar com o veto do presidente da República ao vergonhoso estatuto do jornalista.

Para rejeitar o diktat corporativista da limitação aos licenciados do acesso à profissão de jornalista o professor Cavaco Silva tinha à mão argumentos de peso (uma inaceitável intromissão do estado napoleónico-estalinista no exercício da profissão) e até alguns politicamente correctos (a discriminação dos jovens vítimas do insucesso escolar). Como compreender que não tenha encontrado um fundamento melhor do que «o acréscimo de despesas de pessoal» (Expresso) que daí resultaria?

[É uma pergunta retórica. A impermeabilidade do professor Cavaco à política pura e dura e a sua insegurança face às ideias, que o leva constantemente a camuflar as escolhas políticas sob vestes pseudo-técnicas, não faria prever outra coisa.]

02/08/2007

ESTADO DE SÍTIO: «preços sociais»

Pior do que a desconfiança dos mercados endémica no estatismo do PS, na circunstância protagonizada pelo doutor António Costa, membro do governo em comissão de serviço na câmara de Lisboa, só o furor intervencionista do Zé e dos seus amigos berloquistas.

Pior do que qualquer deles em separado é o segundo encavalitado na primeira. O preço do voto do Zé nas sessões da vereação vai incluir uma medida que o falecido regime salazarista não desdenharia ter tomado: a obrigação a impor aos promotores imobiliários da venda de 20% das casas a «preços sociais». Para além do facto do diferencial do preço social para o preço de mercado ter que se fatalmente pago por quem não tem acesso à mordomia, acresce que tal imposição se presta a todo o tipo de expedientes que acabarão por lhe retirar todo o alcance «social».

31/07/2007

SERVIÇO PÚBLICO: tudo o que não é permitido é proibido

Pouco a pouco, o estado napoleónico-estalinista, superiormente dirigido pela vanguarda do partido Socialista, modifica o velho princípio do estado de direito «tudo o que não é proibido é permitido» no seu inverso. Veja-se o último e trivial acto da recém-criada Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), reencarnação da velhinha Direcção-Geral de Viação, eventualmente guarnecida com ex-militantes das juves reciclados na universidade Independente.

Segundo um esclarecimento da ANSR, conduzir de chinelos não é proibido ou, para usar o dialecto juridiquês da criatura, não é uma «conduta susceptível de consubstanciar a prática de uma contra-ordenação rodoviária».

Ainda bem que me esclarecem. Aguardo que decidam se posso conduzir com botas de montar.

CASE STUDY: série reis de África (12)

Sua Majestade NYIMI KOK MABIINTSH III, King of Kuba, D.R. Congo
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)

30/07/2007

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: eu diria mesmo mais, e porque não mais uma bastonada?

Secção Rilhafoles

«Advogados em todas as 248 esquadras da PSP e 400 postos da GNR, 24 horas por dia, como meio de assegurar o respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.
A ideia é defendida pelo candidato ao cargo de bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Magalhães e Silva, tem vindo a merecer o apoio geral da advocacia, dos dois outros candidatos ao cargo, António Marinho Pinto e Luís Menezes Leitão, e do actual bastonário
.» (DN)

Segundo as contas que alguém já fez, a coisa daria emprego para mais de 2.000 índios em três turnos. Eu diria mesmo mais, acrescentando mais uma bastonada às dos bastonários presentes passados e futuros, e porque não um jornalista, um médico (não vá a coisa ficar preta) e um psicólogo (por causa do stress pós-traumático) em cada esquadra?

É por estas, e por outras que agora não são para aqui chamadas, que eu acho que a nação está irremediavelmente fodida. Se estas criaturas fazem propostas destes jaez, o que se pode esperar da massa informe dos sujeitos passivos? Que paguem e não refilem. Claro.

Três bourbons e quatro chateaubriands para o bastonário em exercício e os candidatos.

29/07/2007

ESTADO DE SÍTIO: o bombeiro incendiário

Ao mesmo tempo que, com uma mão, o estado napoleónico-estalinista espolia os sujeitos passivos para financiar abortos, com a outra mão o mesmo estado espolia os mesmos sujeitos passivos para financiar putativos incentivos à natalidade.

Incentivos putativos, apenas isso. Se o governo e a esquerdalhada imaginam que oferecer um aborto que custa em média 800 € aos contribuintes não é um incentivo para banalizar o aborto, como podem os mesmos imaginar que um subsídio que não atinge 800 € pode ser um incentivo à natalidade?

28/07/2007

ESTADO DE SÍTIO: capacidade instalada

Num ofício escrito em socialês dirigido ao governo regional da Madeira, o ministério da Saúde do contenente garantiu que não haveriam de faltar abortos às madeirenses, porque a maternidade (?) Alfredo da Costa «tem capacidade instalada para assegurar a aplicação da lei».

CASE STUDY: chuva na eira e sol no nabal

Não sendo o Brasil um país contaminado por ideias politicamente liberais nem a economia brasileira particularmente desregulada, pelo contrário, a mão visível e pesada do estado está por todo o lado, como explicar a tão profunda desigualdade: 130.000 milinários brasileiros detêm o equivalente a metade do PIB do Brasil?

Sendo a desigualdade uma consequência natural da concorrência e um incentivo à diligência e à procura da ascensão social, a desigualdade extrema, como a do Brasil, ao arruinar sem remédio a expectativa da melhoria social, anula esse incentivo e abre o caminho à criminalidade - a apropriação por meios não contratuais.

23/07/2007

CASE STUDY: «make-work», not wealth

Ainda a propósito do mito da criação de riqueza à custa da criação de emprego, leia-se esta deliciosa anedota:
The make-work bias is best illustrated by a story, perhaps apocryphal, of an economist who visits China under Mao Zedong. He sees hundreds of workers building a dam with shovels. He asks: “Why don't they use a mechanical digger?” “That would put people out of work,” replies the foreman. “Oh,” says the economist, “I thought you were making a dam. If it's jobs you want, take away their shovels and give them spoons.” For an individual, the make-work bias makes some sense. He prospers if he has a job, and may lose his health insurance if he is laid off. For the nation as a whole, however, what matters is not whether people have jobs, but how they do them. The more people produce, the greater the general prosperity. It helps, therefore, if people shift from less productive occupations to more productive ones. Economists, recalling that before the industrial revolution 95% of Americans were farmers, worry far less about downsizing than ordinary people do. Politicians, however, follow the lead of ordinary people. Hence, to take a more frivolous example, Oregon's ban on self-service petrol stations.

22/07/2007

CASE STUDY: série reis de África (11)

Sua Majestade IGWE KENNETH NNAJI ONYEMAEKE ORIZU III, Obi of Nnewi, Nigeria
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)

21/07/2007

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: eu diria mesmo mais, não precisam de esperar pela próxima

Secção Universos paralelos

«As empresas não podem ficar à espera da próxima crise para procurarem soluções», disse o professor Cavaco Silva no 3.º encontro da COTEC. Tem toda a razão. As empresas não precisam de esperar pela próxima crise, têm todo o tempo para procurarem soluções ainda nesta.

Três chateaubriands para o professor Cavaco pela distracção.

TRIVIALIDADES: geometria fractal - Fabric of souls

ESTÓRIA E MORAL: aconchegando o défice

Estória

Durante a discussão do orçamento de 2005, o governador do BdeP doutor Vítor Constâncio não teve a menor dúvida em chumbar (e bem) o expediente de accounting cooking do ministro das Finanças doutor Bagão Félix que pretendia retirar as Estradas de Portugal do OE para suavizar o défice.

Bastaram pouco mais de 2 anos para o inconstante ministro anexo (petit nom inventado pelo agitador-evangélico doutor Louçã) ficar mortificado pela dúvida, pelo «caso difícil» segundo ele, resultante do mesmo expediente, ainda que mais sofisticado. Desta vez o governo inventou uma «Contribuição de Serviço Rodoviário» (um novo imposto) para financiar as Estradas de Portugal criando a ficção de que esta criatura será transformada, por um passe de mágica, numa empresa que presta e vende serviços garantindo por esta via receitas (o imposto) que cobrem mais de 50% das receitas totais (todas elas financiadas de facto pelo OE).

Na passada 5.ª Feira o PS garantiu a aprovação do passe de mágica criando um novo imposto de «6,4 cêntimos por cada litro de gasolina e de 8,6 cêntimos por cada litro de gasóleo (e promete) reduzir no Imposto sobre Produtos Petrolíferos».

Moral

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

19/07/2007

ESTADO DE SÍTIO: a montanha pariu um rato

O resultado prático do tão celebrado PRACE resume-se a 639 funcionários nas listas da mobilidade e uma redução da despesa este ano de meio milhão de euros, ou seja menos de 0,1% de utentes da vaca marsupial pública e menos de 0,001% da despesa pública.

O único deliverable de peso do PRACE foram as múltiplas ejaculações legislativas de resmas de decretos e portarias que atascaram o Diário da República nos últimos meses.

O que se aproveita de mais de dois anos de governação do engenheiro Sócrates? A redução do défice do orçamento à custa do aumento dos impostos (ver o post «O milagre da contenção das despesas») e a montagem duma central de manipulação que faria inveja ao doutor Paul Joseph Goebbels.

18/07/2007

CASE STUDY: série reis de África (10)

Sua Majestade ISIENWENRO JAMES IYOHA INNEH, Ekegbian of Bénin, Nigeria
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)


17/07/2007

CASE STUDY: a direita está a ficar cada vez mais à esquerda

Em dois interessantes posts (*) o blasfemo João Miranda explica a falência da direita, evidente uma vez mais nas eleições alfacinhas, pela demografia (o eleitorado de direita está a morrer), a educação da escola socialista, a dependência do estado napoleónico-estalinista e a asfixia da sociedade civil, a morte das ideias de direita (eu diria mesmo mais, a morte das ideias).

Parece-me bem, mas. Duvido que, para além duma correlação meramente circunstancial, se possa estabelecer uma relação de causa-efeito entre a falência da direita e o pletórica flatulência do estado ou vice-versa. Pelo menos não me parece no caso português, com uma direita culturalmente tão colectivista e amante do estado como a esquerda.

Talvez a falência da direita portuguesa resulte precisamente da sua semelhança com a esquerda portuguesa, da sua contaminação pelo colectivismo. Porque diabo haveriam os eleitores de preferir uma direita para manter o estado-providência quando a esquerda o faz com muito mais naturalidade e, uma vez ou outra, com mais competência?

E haverá esperança para o liberalismo em Portugal? Já havia razões para duvidar mas, já que João Miranda menciona os efeitos perversos da escola socialista, sempre vos digo que há boas razões para reforçar a dúvida. Se os novos paradigmas da biologia molecular se confirmarem e se o ARN tiver o efeito que se supõe possa ter na alteração do ADN, o falecido lamarckismo ressuscitará da tumba para onde Darwin o enviou. A nossa escola socialista seria então não apenas uma ferramenta de moldagem do crânio das criaturas que por lá passam, mas um veículo de modificação genética das gerações vindouras. Um veículo sujeito às leis da lotaria genética mas, em todo o caso, um veículo.

(*) O que está a acontecer à direita? e O que está a acontecer à direita? (II)

DIÁRIO DE BORDO: assino por baixo

«Hoje em dia é difícil arranjar uma boa mulher - asseada, ilustrada, neurótica, sexualmente competente, boa mãe - mas é fácil arranjar uma mulher boa : deprimida, técnico-sexualmente avançada, vadia e sem pachorra para conversas de biberons
(inspirado aforismo do marinheiro FNV do Mar Salgado)

16/07/2007

CASE STUDY: série reis de África (9)

Sua Majestade EL HADJ SEIDOU NJIMOLUH NJOYA, Sultan of Fumban and Mfon of the Bamun, Cameroun
(Créditos Gulf Air Co, via FM, no Barhein)