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09/01/2026

Lost in translation Found in translation – Unbabel, uma startup portuguesa, e uma Amália que é um karaokê alucinado

Há mais de 10 anos, a Unbabel, uma startup portuguesa dedicada à tradução automática, passou pela primeira vez no radar do (Im)pertinências. Registei então, com surpresa e alívio, o relativo desinteresse do jornalismo de causas doméstico, normalmente muito excitado pelos feitos dos patrícios (feitos frequentemente mais imaginados do que reais), esperançado de que a Unbabel escaparia à maldição do jornalismo promocional.

Da segunda vez, o ano passado, a Unbabel voltou a passar, desta vez pela mão do Dr. Montenegro que anunciou com pompa e circunstância durante a Web Summit o LLM português "Amália" que «partiria de uma base em open source já existente, o Tower LLM, da Unbabel». 

Dois meses depois desse anúncio, já a Unbabel parecia estar com «os dias contados» e tentava ser comprada, agarrando-se ao Amália como a uma tábua de salvação. Os vários adiamentos do projecto e a situação da Unbabel levaram-me a duvidar que alguma vez o "Amália" chegasse a cantar. 

A dúvida foi crescendo ao ser anunciada dois meses depois a venda da Unbabel à TransPerfect, por um valor simbólico depois de uma queda de 50% do volume de negócios (fonte), e há poucos dias soube-se que o fundo espanhol Buenavista, um dos accionistas, propôs uma “acção pauliana” para suspender todos os contratos, alegando as enormes perdas que os accionistas já tinham suportado. 

Fiz agora uma visita ao Chat "Amália" e perguntei qual a situação do "Amália" e recebi a seguinte intrigante resposta:
«sou um projeto independente e não estou relacionada com o modelo de linguagem "Amália" que está a ser desenvolvido com financiamento do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).»
O que me levou a perguntar «qual é o papel da Unbabel no desenvolvimento do “Amália”?» que teve a seguinte surpreendente resposta:
«A Unbabel desempenha um papel crucial no desenvolvimento do projeto "Amália", que é uma iniciativa financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em Portugal.» 

Antes de desistir por estar a ficar alucinado com o resultado da hallucination do "Amália", ainda percebi, pela descrição da arquitectura técnica, que, na verdade, não se trata de um modelo LLM, mas de uma aplicação para converter em português de Portugal o português do Brasil dos outputs dos modelos LLaMA (da Meta) e Mistral (da Mistral AI). Ou seja, o Amália, que não está relacionado com o modelo "Amália" financiado pelo PRR e é uma iniciativa financiada pelo PRR, não é o LLM Amália. É um karaokê do Amália.

12/04/2023

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (17) - A maldição do jornalismo promocional. Depois do "primeiro avião 100% português" tripulado, "um dos maiores aviões não tripulados""

Outras maldições do jornalismo promocional.

O ano passado foi o «primeiro avião 100% português», este ano vai ser «um dos maiores aviões não tripulados do mundo», ou seja, um drone, mas "drone" desvaloriza o feito que o jornalismo promocional pretende inculcar no bestunto dos leitores, porque até a empresa do genro do Paxá Erdogan fabrica na Turquia milhares desses zingarelhos.
 
Perdoe-se-me a falta de fé nestas promoções jornalísticas que ao longo dos anos têm "beneficiado" inúmeros projectos e empresas que depois de alguns anos ao colo do governo de serviço vêm a revelar-se fracassos. Alguns desses casos têm sido citados e acompanhados pelo (Im)pertinências, particularmente na série das maldições do jornalismo promocional

Neste caso é a Tekever cujo responsável vai avisando «o país, através do PRR, está a ajudar a financiá-lo. Queremos que, tal como fazem todos os outros países, Portugal, depois, ajude a levá-lo para o mercado, tornando-se também um cliente de referência. Mais do que comprá-lo, é preciso usá-lo.»

09/10/2022

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (16) - A maldição do jornalismo promocional. Depois da Web Summit a Air Summit e o primeiro avião 100% português

Outras maldições do jornalismo promocional.

Expresso

« (...) a maior cimeira de aeronáutica, espaço e defesa da Península Ibérica (...) 14 empresas da indústria de ponta da aviação, (...) 300 empregos qualificados, (...).

Será apresentado no Air Summit o avião português, uma aeronave tripulada regional ligeira com capacidade para 19 passageiros, 2000 quilos de carga e 2000 quilómetros de alcance (...)

A fábrica onde será construída parte da aeronave, com 18 metros quadrados (...) 

(...) a empresa está a equacionar avançar para manutenção de aviões de carga, e que está seria bem-vinda uma parceria com a TAP.  Adiantou ainda que será investido dois milhões de euros no equipamento da fábrica. (...)

Já foram investidos no cluster de Ponte de Sor 37 milhões de euros (...)»

A maior cimeira de aeronáutica, 14 empresas de ponta, 300 empregos, 18 metros quadrados (deve ser engano devido a inumeracia), 2 milhões de equipamento, 37 milhões de investimento. Terá esta gente noção do que é a indústria aeronáutica no mundo real?  

É um bom exemplo de uma espécie de jornalismo hiperbólico que vive em simbiose com o complexo de Eduardo Lourenço que assola a maioria dos habitantes do Portugal dos Pequeninos. Como nos outros casos de promoção tem uma elevada probabilidade de ser mais um flop.

20/01/2021

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (15) - A maldição do jornalismo promocional, o epílogo e a moral da estória (parte II)

Outras maldições do jornalismo promocional.

Em retrospectiva:

A Maló Clinic é um dos casos de sucesso mediático de empreendedores com amigos nos jornais, nomeadamente e não por acaso, no semanário de reverência que algum tempo antes da queda se referia, em tom encomiástico, a «Maló, o dentista global»:
«Não quis ser dentista, mas hoje orgulha-se do império criado. Aos 48 anos, Paulo Maló é dono do maior grupo dentário mundial, com clínicas nos quatros continentes»
Sete anos e quase 100 milhões de dívidas depois (mais de 3 vezes a facturação que não ultrapassa 30 milhões), o Grupo Maló Clinic foi adquirido pelo fundo Atena Equity Partners e está em Processo Especial de Revitalização a ver se lhe perdoam uma parte das dívidas.

Epílogo: «Contribuintes perdem trinta milhões com perdões à Malo Clinic»

Actualização: 

A Maló Esthetics foi mais um dos empreendimentos acarinhados pelo jornalismo promocional, neste caso abandonado à sua má sorte por Paulo Maló, o dentista global como o baptizou o Expresso no tempo em que tudo parecia correr bem. Depois de vários anos a perder dinheiro entrou agora em falência.

Moral da estória: 

O complexo político-empresarial socialista facilita com atalhos e subsidia com o dinheiro dos contribuintes, o jornalismo promocional promove e no final os sujeitos passivos voltam a financiar a «revitalização».

08/10/2019

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (14) - A maldição do jornalismo promocional, o epílogo e a moral da estória

Outras maldições do jornalismo promocional.

Em retrospectiva:

A Maló Clinic é um dos casos de sucesso mediático de empreendedores com amigos nos jornais, nomeadamente e não por acaso, no semanário de reverência que algum tempo antes da queda se referia, em tom encomiástico, a «Maló, o dentista global»:
«Não quis ser dentista, mas hoje orgulha-se do império criado. Aos 48 anos, Paulo Maló é dono do maior grupo dentário mundial, com clínicas nos quatros continentes»
Sete anos e quase 100 milhões de dívidas depois (mais de 3 vezes a facturação que não ultrapassa 30 milhões), o Grupo Maló Clinic foi adquirido pelo fundo Atena Equity Partners e está em Processo Especial de Revitalização a ver se lhe perdoam uma parte das dívidas.

Epílogo: «Contribuintes perdem trinta milhões com perdões à Malo Clinic»

Moral da estória: 

O complexo político-empresarial socialista facilita com atalhos e subsidia com o dinheiro dos contribuintes, o jornalismo promocional promove e no final os sujeitos passivos voltam a financiar a «revitalização».

27/09/2019

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (13) - A maldição do jornalismo promocional não falha

Outras maldições do jornalismo promocional.

Repetindo-me:

Como se poderá confirmar em outros posts desta série, o jornalismo promocional - uma variedade do jornalismo de causas - está frequentemente associado a uma maldição que leva as empresas promovidas a passar pelas maiores trapalhadas e no limite algumas delas a desaparecerem.

Espero que não seja o caso da Farfetch, uma plataforma de venda de artigos de luxo, o único unicórnio português - unicórnio segundo o jargão startápico é uma empresa tecnológica que foi avaliada em mais de mil milhões de dólares.

Mas receio que seja, porque desde 2007 até hoje, a Farfetch só perdeu dinheiro num total de quase 100 milhões de euros, dos quais 38 milhões só no ano passado, prejuízos que lhe comeram os capitais próprios negativos em quase 80 milhões de euros. É claro que existem a Amazon (desde a fundação), o Facebook (nos primeiros anos), a Tesla e várias outras empresas que perderam ou ainda perdem imenso dinheiro, crescem desalmadamente e estão cotadas em bolsa por dezenas ou centenas de vezes o seu valor contabilístico. Só que são todas elas empresas que criaram produtos ou serviços disruptivos o que não parece ser o caso da Farfetch. Pode ser que seja um unicórnio, mas até ver não apostaria neste cavalo.

Porém, a maior dúvida sobre o futuro radioso da Farfetch é a intensa paixão que está a provocar nos meios do jornalismo promocional, com destaque para o semanário de reverência que já tem um longo currículo de promoções falhadas.

Novos desenvolvimentos:

O texto acima foi escrito há quase dois anos e parece agora premonitório das últimas notícias que nos chegam:  

22/09/2019

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (12) - A maldição do jornalismo promocional, sempre

Outras maldições do jornalismo promocional.

A Maló Clinic é um dos casos de sucesso mediático de empreendedores com amigos nos jornais, nomeadamente e não por acaso, no semanário de reverência que algum tempo antes da queda se referia, em tom encomiástico, a «Maló, o dentista global»:
«Não quis ser dentista, mas hoje orgulha-se do império criado. Aos 48 anos, Paulo Maló é dono do maior grupo dentário mundial, com clínicas nos quatros continentes»
Sete anos e quase 100 milhões de dívidas depois (mais de 3 vezes a facturação que não ultrapassa 30 milhões), o Grupo Maló Clinic foi adquirido pelo fundo Atena Equity Partners e está em Processo Especial de Revitalização a ver se lhe perdoam uma parte das dívidas.

17/01/2018

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (11) - A maldição do jornalismo promocional, outra vez?

Como se poderá confirmar em outros posts desta série, o jornalismo promocional - uma variedade do jornalismo de causas - está frequentemente associado a uma maldição que leva as empresas promovidas a passar pelas maiores trapalhadas e no limite algumas delas a desaparecerem.

Desta vez foram a Nutrigreen (sumos e barras de fruta) e a Sousacamp (cogumelos) ambas praticamente falidas depois de PER (processos especiais de revitalização) falhados. O que têm ambas em comum, além dos PER? Várias coisas: (1) ambas foram financiadas pelo BES, cuja falta foi muito sentida; (2) têm como investidor comum a Espírito Santos Ventures; (3) foram "acarinhadas" pelos poderes do regime e muito visitadas pelas figuras de cera (a Sousacamp ainda em Julho do ano passado estava a receber com «pompa e circunstância» - palavras do semanário de reverência - o PR em exercício que lá foi verter os seus afectos) e, last but not least (4) ambas foram levadas ao colo pelo jornalismo promocional, com destaque para o venerável Nicolau Santos agora assolapado na presidência da Agência Lusa, a Tass do Dr. Costa.

17/11/2017

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (10) - A maldição do jornalismo promocional, outra vez?

Como se poderá confirmar em outros posts desta série, o jornalismo promocional - uma variedade do jornalismo de causas - está frequentemente associado a uma maldição que leva as empresas promovidas a passar pelas maiores trapalhadas e no limite algumas delas a desaparecerem.

Espero que não seja o caso da Farfetch, uma plataforma de venda de artigos de luxo, o único unicórnio português - unicórnio segundo o jargão startápico é uma empresa tecnológica que foi avaliada em mais de mil milhões de dólares.

Mas receio que seja, porque desde 2007 até hoje, a Farfetch só perdeu dinheiro num total de quase 100 milhões de euros, dos quais 38 milhões só no ano passado, prejuízos que lhe comeram os capitais próprios negativos em quase 80 milhões de euros. É claro que existem a Amazon (desde a fundação), o Facebook (nos primeiros anos), a Tesla e várias outras empresas que perderam ou ainda perdem imenso dinheiro, crescem desalmadamente e estão cotadas em bolsa por dezenas ou centenas de vezes o seu valor contabilístico. Só que são todas elas empresas que criaram produtos ou serviços disruptivos o que não parece ser o caso da Farfetch. Pode ser que seja um unicórnio, mas até ver não apostaria neste cavalo.

Porém, a maior dúvida sobre o futuro radioso da Farfetch é a intensa paixão que está a provocar nos meios do jornalismo promocional, com destaque para o semanário de reverência que já tem um longo currículo de promoções falhadas.

18/12/2016

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (9) - A maldição do jornalismo promocional – uma inversão

Como se poderá confirmar em outros posts desta série, o jornalismo promocional - uma variedade do jornalismo de causas - está frequentemente associado a uma maldição que leva as empresas promovidas a passar pelas maiores trapalhadas e no limite algumas delas a desaparecerem.

O caso ilustrado pela imagem seguinte é diferente. A empresa em causa tem uma longa experiência de trapalhadas antes de o jornalismo promocional lhe dedicar outra vez a sua extremosa atenção. Neste caso as trapalhadas precedem a promoção que fica a parecer um resgate de imagem.

Caderno de Economia do Expresso de 17-12-2016

Trata-se do Grupo Lena. Sim, esse mesmo Grupo Lena envolvido até ao pescoço nas embrulhadas do Eng. Sócrates. Só para recordar, dois títulos recentes do mesmo dia (16-09-2016): «Presidente do grupo Lena confessa subornos a Sócrates» «Grupo Lena desmente pagamentos a Sócrates» de um jornal «inimigo» (CM) e de um «amigo» (JN).

O artigo do Expresso é um paradigma do jornalismo promocional de que o jornal é um exímio praticante, nomeadamente no seu caderno de Economia, recheado de press releases disfarçadas de artigos geralmente assinados apenas pelas iniciais. Neste caso a promoção é prejudicada pela foleirice da foto do presidente. Sim, esse mesmo presidente citado nos dois referidos jornais.

14/04/2016

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (8) - A maldição do jornalismo promocional – ainda outra vez

Recapitulando:
A Bial é uma empresa farmacêutica portuguesa com uma excelente imprensa e o seu presidente Luís Portela tem sido levado ao colo pelos mídia ou, como costumo dizer, a empresa e o empresário são favoritos do que costumo chamar o jornalismo promocional. Não questiono a bondade nem o mérito da Bial e da família que a dirige, de quem tenho até impressão positiva, apenas registo o que parece ser mais uma ocorrência da maldição do jornalismo promocional – uma espécie do jornalismo de causas empresariais frequentemente praticado pelos pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam.

Depois do episódio das suspeitas de corrupção activa e passiva, burla ao SNS e falsificação de documentos, houve o episódio da morte num ensaio clínico e agora a confirmação pelo Expresso do offshore no Panamá, cuja existência fora negada pelo presidente da Bial Luís Portela, através do qual a família Portela tinha dinheiro no banco UBS.

É certo que, para a maioria das pessoas com juízo e sem preconceitos esquerdizantes, deter uma conta num offshore não é diferente de deter uma conta num onshore. O que faz diferença é, principalmente, como foi ganho, de onde vem e para onde vai o dinheiro e, secundariamente, se foi ou não fintado o fisco e aqui devemos relativizar o crime fiscal face ao grau de extorsão predatória.

Mas é claro que para quem diaboliza em absoluto os offshores, como o Expresso, fica difícil voltar a louvaminhar a Bial e a família Portela.

06/04/2016

A maldição da tabuada (30) – O multiplicação dos votos


Depois de apurados os resultados das primárias em cerca de 3/4 dos estados americanos, Bernie Sanders, o único candidato que se declara socialista - na Europa seria um social-democrata moderado -, pelas minhas contas terá conseguido até agora cerca de 5,5 milhões de votos democratas (resultados por Estado no Politico), bastante menos do que Hillary Clinton, a sua adversária para a nomeação pelo Partido Democrata, e igualmente menos do que o candidato republicano «fascista» Donald Trump em relação ao qual Sanders teve menos votos na maioria do Estados e nalguns muito menos. No final, talvez Sanders venha a ter um pouco mais de 10% do total turnout das primárias.

Um título como o do Expresso Diário, num artigo a propósito da publicação de um livro promocional (“Why Bernie Sanders Matters»), é um exemplo das operações de multiplicação que se aprendem nos manuais do jornalismo de causas.

31/08/2015

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (7) - A maldição do jornalismo promocional – sempre

Science4you é mais uma startup (com 7 anos de idade seria uma empresa madura mas no Portugal dos Pequeninos leva-se mais tempo a crescer) promovida por Nicolau Santos na sua página do caderno de Economia do Expresso. Considerando o registo das empresas de sucesso do complexo político-empresarial socialista promovidas pelo pastorinho da economia dos amanhãs que cantam, a Science4you é uma séria candidata ao insucesso nos próximos anos.

14/07/2015

Lost in translation Found in translation – Unbabel, uma start up portuguesa

«Texts by a machine translated, a trifle stilted may seem.

Portuguese tech entrepreneur and language technology expert Vasco Pedro understands that better than most.

“The promise of having machine translation that really works, hasn’t happened,” he explains. “I don’t think this is possible in the next 15 years.”

Spotting a market need among international companies, this 38-year-old with a life-long “passion for language” set about combining the speed of computerized translation and the subtleties of the human touch.

The result is Unbabel. Set up by Pedro and a bunch of PhD-touting surf buddies in 2013, the Lisbon-based company now has an office in San Francisco and runs a network of 30,000 translators working in 23 languages.

Revenue last year reached $150,000, but business this year has been jumping by over 30 percent a month. The goal of “hitting the million run rate by the end of the year” is now very doable, Pedro said.

After securing $1.5 million in funding from the likes of Google Ventures and Matrix Partners last summer, and building a customer base that includes Microsoft, Pinterest Yummly and HotelTonight, Unbabel has emerged as a star performer in Lisbon’s burgeoning startup scene

Continue a ler aqui.

Como o jornalismo português não parece ainda muito excitado, esperemos que a Unbabel não venha a ser mais uma vítima da maldição do jornalismo promocional.

12/07/2015

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (6) - A maldição do jornalismo promocional – outra vez

A Bial é uma empresa farmacêutica portuguesa com uma excelente imprensa e o seu presidente Luís Portela tem sido levado ao colo pelos mídia ou, como costumo dizer, a empresa e o empresário são favoritos do que costumo chamar o jornalismo promocional. Não questiono a bondade nem o mérito da Bial e da família que a dirige, de quem tenho até impressão positiva, apenas registo o que parece ser mais uma ocorrência da maldição do jornalismo promocional – uma espécie do jornalismo de causas empresariais frequentemente praticado pelos pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam.

Desta vez «estão em causa suspeitas de corrupção ativa e passiva, burla ao SNS e falsificação de documentos que podem envolver altos quadros do grupo presidido por Luís Portela, os quais terão sido denunciados por um ex-diretor da Bial».

Esperemos que não seja nada de cuidado. Em qualquer caso, recomenda-se outra vez aos empresários que no futuro liguem os desconfiómetros aos primeiros sinais de manteiga mediática.

03/04/2015

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (5) - A maldição do jornalismo promocional – ainda a Ydreams

Uma semana depois de ter escrito este post de 6 sobre a Ydreams, a Renascença consultou o Plano de Revitalização Especial (como é hoje conhecido o processo de falência) e fez aqui um resumo das asneiras de gestão e das desgraças auto-infligidas pela equipa mediática de António Câmara.

Está lá todo o paradigma das empresas de sucesso do socratismo e do jornalismo promocional que com ele conviveu em alegre simbiose. Sublinho apenas dois vectores: as parcerias com empresas do regime (neste caso a ES Ventures do GES) e os clientes principais (neste caso o Estado). Estava escrito nas estrelas.

Nas suas declarações à Renascença, António Câmara revela-se um perfeito Bourbon, como costumamos chamar no (Im)pertinências a quem nada esquece nem nada aprende, e prepara-se para torrar mais uns milhões aos credores se estes forem na conversa e se sacrificarem ao efeito Lockheed TriStar. Seria preferível seguir o seu próprio conselho e ir «dar aulas de ténis para o Estádio Nacional com um balde de bolas».

16/03/2015

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (4) - A maldição do jornalismo promocional

aqui escrevi sobre a YDreams liderada por António Câmara, empreendedor do ano em 2009 e um dos darlings empresariais do jornalismo de causas económicas. Nessa altura a Ynvisible, a nova empresa do grupo YDreams, acabada de entrar na bolsa de Frankfurt, estava a perder metade do seu valor numa semana.

Voltei a escrever quando já estavam por pagar subsídios de férias e salários e tinha começado a debandada do pessoal. Volto agora a fazê-lo quando, segundo o Expresso, a YDreams está afundada em dívidas de 18 milhões de euros e pediu um plano de revitalização especialO seu promotor António Câmara, até recentemente louvaminhado pelos pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam, aparece agora relegado para os «baixos» dos «altos e baixos».

É mais um caso em que em vez do venture capitalist se constitui uma coligação constituída pelo governo de serviço, a banca do regime com a Caixa à cabeça, tudo cozinhado pelos lóbis partidários e devidamente promovido pelo jornalismo de causas, que leva ao colo as empresas. Se tem sucesso, o empreendedor vende a empresa em poucos anos, vai viver dos rendimentos e passa a ser convidado para todos os fóruns sobre empreendedorismo e inovação onde é apresentado como um veterano a quem se pede conselho. Se não tem sucesso, é o calvário do costume: antes da débâcle tenta extrair uns dinheiros para os dias maus e, claro, deixa de ser convidado seja para o que for e o jornalismo de causas económicas tenta esquecer o caso e passa para o seguinte.

A YDreams é mais uma das fatalidades nas empresas de sucesso do regime atingida pela maldição do jornalismo promocional. Aqui fica o alerta aos candidatos a empresários do regime para se cuidaram assim que começam a ser falados pelos jornalistas profissionais da promoção, como o famoso Nicolau Santos.

Na fase de zombi em que entrou, a YDreams arrisca-se a ser atingida pelo efeito Lockheed TriStar e transformar-se numa pequena Qimonda que o Expresso (sempre ele) também promoveu em tempos e agora coloca à cabeça da lista dos «campeões dos incentivos» com 123 milhões recebidos de vários programas.

30/01/2012

A metalúrgica do regime afunda-se com ele (5)

Actualização de (1), (2), (3) e (4)

Já foi contado nos posts anteriores a estória resumida da Martifer, uma das empresas amigas do regime durante o socratismo, com vários favores prestados no activo e recebidos no passivo, foi-se afundando desde que entrou na bolsa em 2007, descendo de 10€ para pouco mais de 1€, apesar de levada ao colo pelo jornalismo promocional. Em 2007 foi comprada pela Mota-Engil, outra empresa do regime dirigida pelo ex-estradista Jorge Coelho.

Desde 2008 a Martifer só tem dado desgostos ao doutor Coelho. E continua, nos primeiros 9 meses contribuiu com um rombo de 13 milhões, não obstante estar a desfazer-se dos anéis ou dos dedos, não se sabe.

E os desgostos continuam. A unidade de Benavente da Martifer Construção com 120 trabalhadores vai fechar em Agosto. O homem do sindicato lamenta que «esta empresa recebeu apoios estatais para se instalar em vários concelhos e agora de um momento para o outro manda encerrar a unidade de Benavente que se dedica à metalurgia pesada». Pois. É a maldição da simbiose do jornalismo promocional com os «apoios estatais».

06/12/2011

NÓS VISTOS PELOS OUTROS: Somos os melhores

«TAP eleita a melhor companhia aérea da Europa», titulam o Económico, o JN, o Expresso, RTP, SICRádio Renascença, Público e incontáveis outras fontes - um indício seguro de notícia plantada.

Para qualquer pessoa que tenha viajado uma dúzia de vezes experimentando 3 ou 4 companhias, este título põe o desconfiómetro amarelo a piscar. Quando se faz uma busca no Google e se encontram dezenas de títulos exactamente iguais, o desconfiómetro fica amarelo fixo. Quando se procura quem atribui o prémio e se encontra uma revistazeca que atira sobre tudo quanto mexe (incluindo o Convento do «Espenheiro») e parece ter um conhecimento que data de 2004 com Fernando Pinto, o desconfiómetro fica vermelho fixo.

Conhecendo-se como as coisas funcionam na TAP com atrasos, greves, refeições que ficam em terra, só mesmo um patrioteirismo bafiento consegue ver na TAP qualidades de serviço justificando ser a melhor companhia aérea da Europa. O «somos os melhores» consegue ser ainda mais estúpido do que o «somos os piores» e, sabe deus, não ajuda nada a melhorar o padrão desse serviço.

Poderia compreender-se e aceitar-se a TAP para melhorar a sua degradada imagem pagasse publicidade para divulgar o «prémio». Não se compreende, nem deve aceitar-se, o jornalismo a soldo publicando qualquer coisa para fazer um jeito. Neste caso, como em muitos outros, este jornalismo promocional é uma espécie de maldição colada às empresas promovidas.

Para mais detalhes sobre o fundamento do prémio remeto para os comentários de um leitor do Económico, presumivelmente alemão (achtung!), apelidado num comentário seguinte pelo patriota “SLB” de «pobre de espírito armado em pato-bravo».

«Um prémio dado por uma revista de viagens não tem o mesmo valor (airlinequality.com) nem da real qualidade e serviços da companhia!
Que critérios foram utilizados, que Normas, que regras, que companhias estavam no concurso, TAP é uma companhia de 3 estrelas apenas não se pode comparar nem ganhar a companhias de 6 estrelas.
Se a amostra dos 16 mil inquiridos forem todos portugueses claro que já ganhou, vejo gente que engole notícias sem o mínimo crédito e ficam com o rei da barriga!
Este prémio falacioso mais me parece uma publicidade (o canto do cisne).
...
Já me aconteceu viajar na TAP em executiva e nem a comida embarcou... Que bela publicidade que fazem, fazem greve porque a redução da tripulação era um perigo para os passageiros, quando lhes foi oferecido viagens para os familiares, tudo deixou de ter sentido as ditas reivindicações! Profissionais de alto nível da hipocrisia!»

28/11/2011

A metalúrgica do regime afunda-se com ele (4)

(Continuação (1), (2) e (3))

Já foi contado nos posts anteriores a estória resumida da Martifer, uma das empresas amigas do regime durante o socratismo com vários favores prestados no activo e recebidos no passivo, foi-se afundando desde que entrou na bolsa em 2007, descendo de 10€ para pouco mais de 1€, apesar de levada ao colo pelo jornalismo promocional. Em 2007 foi comprada pela Mota-Engil, outra empresa do regime dirigida pelo ex-estradista Jorge Coelho.

Desde 2008 a Martifer só tem dado desgostos ao doutor Coelho. E continua, nos primeiros 9 meses contribuiu com um rombo de 13 milhões, não obstante estar a desfazer-se dos anéis ou dos dedos, não se sabe.

É a maldição do jornalismo promocional.