Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

10/07/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (91)

Outras avarias da geringonça.

Dá-se um pontapé numa pedra e sai de lá uma dúzia de precários. Havia 19 mil, segundo o Ronaldo das Finanças, e apareceram mais 28 mil, segundo a UGT, que é uma centralzita de sindicatos. Imagine-se os precários que a CGTP conseguirá desencavar. A todos estes ainda temos de adicionar os ministros porque, segundo disse o que gosta de malhar na direita e está agora a fazer as vezes do Costa, «todos os membros do governo são precários».

Não acreditam que o governo consiga colocar todos os precários? Fazem mal. O único precário que o governo não consegue retirar do estado precário é o país.

Estado empreendedor (104) - Nacionalizar o SEF e privatizar o SIRESP


São as sequelas das privatizações do governo neoliberal de Passos Coelho, ocorreu-me à primeira vista. À segunda vista, lembrei-me que o governo de Costa já tinha revertido a privatização da TAP e lá fui ler a peça e constatar que afinal a causa de demora é a falta de pessoal do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Segundo a aritmética da direcção do SEF citada pelo DN: «presentemente tem cerca de 230 elementos a efectuar o controlo da fronteira neste aeroporto, no ano passado eram 150 e no verão 195». Mas então, interroguei-me, de 195 para 230 não houve um aumento de 18%? E o aumento das chegadas não foi menos de 12%?

Para compreender é preciso ler explicação aritmética do diário da manhã: «Se descontarmos aos 230 os 45 estagiários, ficam 185, menos 10 que em 2016», completada com a do sindicalista: «a sua presença pouco adianta pois não têm ainda competências atribuídas».

E o PS não poderia "reverter" a nacionalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e votar a sua privatização como fez com o SIRESP?

09/07/2017

ESTADO DE SÍTIO: Habituem-se (9)

Outros Habituem-se

Expresso Diário
Mais um ou dois incêndios e o PS chega à maioria absoluta. Que o diga a Constança. Admirados? Não sei porquê. Vivemos hoje com menos stress, mais afectos, temos mais férias, trabalhamos menos (os funcionários públicos), mudamos de carro e o Costa não nos manda emigrar e não nos incita a sair da zona de conforto. Que mais quereis?

ACREDITE SE QUISER: Não foi o Salvador Sobral que disse

«Talvez por cansaço, sobranceria e falta de oposição», disse a propósito do descalabro da resposta do governo ao roubo em Tancos. Não, não é engano. Ele disse mesmo «falta de oposição» para explicar a falta de resposta do governo.

«Mais complicado seria se o presidente da República estivesse de férias», disse a propósito do primeiro-ministro ter ido de férias com duas graves crises ao colo. Não, não é engano. Ele disse mesmo isso, assumindo que seria o primeiro-ministro de facto e o outro um mero factótum.

Quem disse essas e outras não foi Salvador Sobral foi o presidente da República. O Salvador Sobral o que disse foi «sempre falei duas vezes antes de pensar», depois de ter dito perante uns milhares de papalvos «vou mandar um peido para ver o que é que acontece».

08/07/2017

Pro memoria (347) - A obra feita de Costa nos incêndios florestais

Quando Costa era “alérgico” a políticos que choram na TV durante as tragédias

«Em 2005 António Costa era o ministro da Administração Interna (MAI) do Governo de José Sócrates. Fazendo a história desse verão — o segundo pior de sempre em termos de incêndios em Portugal — há muita coisa parecida com o que se está a passar este ano. E algumas contradições também relevantes. 

Pouco depois de entrar em funções, em março, o MAI decidiu mudar os principais responsáveis da estrutura de combate aos incêndios — tal como este ano, essa alteração aconteceu em cima da época de fogos. A estrutura de proteção civil falhou, e um dos governadores civis recém-nomeados por Costa reconheceu que não percebia nada do que estava a fazer, no âmbito das suas competências de coordenação do combate aos fogos — porém, a julgar pelas declarações da ministra Constança Urbano de Sousa há poucos dias, bateu aquela saudade em relação aos governadores civis. Em 2005, a tragédia não impediu o primeiro-ministro de ir de férias — Sócrates fez malas para o Quénia, deixando Costa, o seu número dois, a chefiar o Governo. Depois, mal Sócrates voltou, foi a vez de o próprio Costa ir a banhos, apesar de o país continuar a arder. No final, perante as contas da área ardida e das vítimas mortais, Costa prometeu que nada voltaria a ser como era... Soa familiar?»

Martim Silva no Expresso Curto desta manhã

Registe-se como em poucas semanas o Expresso, depois de mais de um ano a fazer de semanário de reverência de Costa, mudou o seu tom. E esta não é uma peça isolada, pelo contrário. O paradigma mudou. Não sabemos por quanto tempo, mas mudou, e o ponto de viragem foi a edição de 1 de Julho onde numa dúzia de página foram coleccionados os factos relativos ao incêndio de Pedrógão Grande mostrando o falhanço em toda a linha do governo e o colapso do estado assistencialista que o PS (com a ajuda do PSD e do CDS) e agora o suporte do PCP e do BE tem vindo a montar.

Lost in translation (293) - "Crise" neste contexto pode traduzir-se por Sócrates e o PS


Ora leia-se o que escrevi há 8 anos no post «Estado empreendedor – (10) sequelas do assalto ao Millenium bcp»:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

07/07/2017

ARTIGO DEFUNTO: A lista de Salgado (3)

Continuação de (1) e (2)


«Um dos maiores furos jornalísticos dos últimos anos pariu um rato e, como é óbvio, ninguém diz nada e todos assobiam para o ar. Supostamente havia uma lista de jornalistas e políticos envolvidos nos Papéis do Panamá, mas tais figuras nunca saíram da toca. É um pouco incompreensível, para não dizer muito, que os jornalistas se defendam a si próprios. Mas quem tem a lista deve saber porque não a divulga...» escreveu hoje Vítor Rainho no jornal i.

Recordando:

Em Abril do ano passado o Expresso e a TVI divulgaram as primeiras informações sobre os Papéis do Panamá e na mesma ocasião foi referida a existência de uma lista de avenças e compensações pagas pelo GES a mais de uma centena de pessoas, incluindo políticos, gestores e jornalistas.

Mais tarde pressionado por o assunto ter sido morto (por causa dos jornalistas?) o Expresso publicou uma Nota Editorial onde esclareceu que «a lista de alegados pagamentos não está nos Panama Papers. Está no Ministério Público».

Seja lá onde estiver a lista de alegados pagamentos não seria possível os senhores jornalistas darem-nos a conhecer quais de entre eles estavam avençados pelo DDT?

De boas intenções está o inferno cheio (48) – A religião é a política por outros meios? (XX)

Outros posts sobre a religião como a política por outros meios.

Se estivesse no lugar do Papa Francisco (vade retro) em vez de, ou pelo menos antes de, reformar o mundo e ajudar a construir o socialismo, que como se sabe não correu bem no passado (União Soviética, Europa de Leste, China, etc.), nem corre bem no presente (Cuba, Venezuela, etc.), tentaria reformar a Curia Romana, obra que não estava a ser nada fácil.


A polícia do Vaticano interrompeu uma orgia gay, com drogas, no apartamento do secretário de um cardeal que é um dos conselheiros do Papa. Aconteceu no mês passado, mas só agora foi tornado público.

Não estava e não está a ser nada fácil. No entanto, aos olhos de um agnóstico, desinfectar a Curia Romana parece-me essencial para credibilizar o programa evangélico porque o credo quia absurdum est só esta a resultar com os populistas.

06/07/2017

Chávez & Chávez, Sucessores (58) - Democracia socialista

Outras obras do chávismo.

Apaniguados de Maduro invadindo o parlamento venezuelano

CASE STUDY: Não deixem que os factos atrapalhem uma boa ideia

Expresso Diário
«Esta descoberta altera a nossa visão sobre a dinâmica de uma infecção de malária e pode revelar-se bastante relevante, tendo em conta a alarmante tendência de obesidade, inclusive em regiões endémica da doença».

Incidência da malária (fonte)

Fonte

Notas:
(1) Título inspirado neste artigo de Paulo Ferreira no Eco.
(2) Não está em causa a investigação, o seu resultado e a importância teórica para a compreensão da malária e do seu tratamento. Está em dúvida a importância da sua aplicação prática no combate à malária, importância que está a ser trombeteada pelos mídia sempre disponíveis para afagar o carente ego lusitano.

Sound bites e nevoeiro informativo (2)

A realidade

Fonte
O spin
Até 16-06-2017 ver post anterior

28-06-2017 - «Portugal já tem luz verde para antecipar reembolsos ao FMI» (Jornal de Negócios) e 10 (dez) outras notícias plantadas no mesmo dia

30-06-2017 - «Portugal antecipou reembolso ao FMI e já pagou mais mil milhões» (Público) e 3 outras notícias plantadas no mesmo dia.

05-07-2017 - «Pagamento antecipado ao FMI de 10 mil milhões permite poupar 660 milhões» (jornal Eco) e 3 outras notícias plantadas no mesmo dia.

O PS que há no PSD também copia o spin (além das duas primeiras letras)

A propósito da profusão de notícias sobre o anúncio, a candidatura e a eleição de Morais Sarmento para um órgão inócuo do PSD (a assembleia distrital de Lisboa) foram plantadas dezenas de notícias nas últimas semanas que levariam um leigo como eu a imaginar que Morais Sarmento de mão dada com Ferreira Leite e Rui Rio iriam disputar a liderança ao suicidado Passos Coelho.

Na tentativa de perceber o que pretendiam os notáveis, cheguei ao artigo «Também sou candidato
contra Passos» de Sebastião Bugalho no SOL (sem link disponível), do qual transcrevo alguns parágrafos.

«Sete anos depois, finalmente, Passos Coelho tem um adversário assumido para disputar a liderança do PSD. «Nuno Morais Sarmento candidata-se contra Passos» lê-se por aí. Milagre. Só pode. Passado mais de uma década de sair da política ativa, Morais Sarmento abandona o estatuto de eterno candidato e lança-se contra Passos. Quem ler 'Sarmento candidata-se contra Passos' concluiria isso mesmo. Mas é mentira.

(…)

O mais lastimoso não é a dissimulação da tática, quando há militantes que já confundem órgãos dentro do seu partido e imprensa que confunde reuniões internas com congressos, mas os participantes nessa tática.

O Morais Sarmento que foi ministro de Durão Barroso nunca seria candidato a uma 'assembleia distrital de militantes' para morder calcanhares a um líder, enfrentava-o. A Manuela Ferreira Leite que foi presidente de partido não se sentaria à mesma mesa com alguém em tempos acusado de agredir um antecessor já de idade. Eu, pelo menos, achava que não.

O cúmulo da mesma lástima foi ver Rui Rio, que tantos louvam pela sua distinta moral e retidão política, vir a Lisboa massajar os ombros ao dito 'cacique' - citando o termo utilizado por Observador, Expresso e etc.

É esta a alternativa no PSD? Rio, que precisa de resguardar-se em Sarmento para fazer títulos nos jornais? Rio, que quer sacos de votos lisboetas por receio do congresso do próximo ano?

Essa, na verdade, não é a pergunta que mais interessa da referida lástima. É saber porque é que sete anos depois de Passos, o reformista, tomar finalmente o partido, não há uma cara decente para a sua direção candidatar às duas maiores câmaras municipais do país nem uma cara decente sequer para fazer frente a essa direção. É o deserto em ambas as frentes.

O PSD, não vendo futuro, olha para o passado. E o passado, pelos vistos, envelheceu mal. Se ser cabeça-de-lista à tal assembleia distrital de militantes, sendo que as quotas que votarão nele têm tanto de militância quanto um pombo, faz Morais Sarmento passar a 'candidato contra Passos', tenho a dizer que também eu me candidato à assembleia de condóminos do meu prédio. Contra Passos, claro. Quem mais?»

05/07/2017

ARTIGO DEFUNTO: Se quisermos saber o que se passou em Tancos é melhor ler a imprensa espanhola

Uma espécie de continuação daqui, dali, dacolá, dacoli e ainda deste post.

O chefe da tropa a afinar a pontaria
«Roubado o paiól de Portugal: guaritas vazias e soldados sem munição», titulou El País, um jornal espanhol de esquerda com um jornalismo profissional, ou seja bom, no género mau, em contraste com a maioria dos nossos, de esquerda com um jornalismo amadorístico e subserviente, ou seja maus no género mau.

Se o título arrasa a tropa lusitana e o seu chefe civil, o texto explica porquê.

«Como se provou, as deficiências da base de Tancos não eram segredo. Os assaltantes, mais de uma dúzia, leram o Diário da República, que em 19 de Junho abria um concurso para a reparação do lado norte, leste e sul da cerca pelo valor base de 316.000 euros. Para não haver dúvidas, os ladrões não entraram pelo oeste.

Chegaram com um caminhão, fizeram um buraco na cerca e foram em direcção a uma vintena de paióis, mas só entraram naqueles que tinham o material que precisavam (...). Certamente que em vossas casas levam mais tempo a encontrar os iogurtes no frigorífico. Eles tinham uma lista de compras, com a diferença de que tudo era grátis. (...)

Depois de se conhecer o Exército responsável por Tancos, se o Índice Global da Paz 2018 não atribuir o primeiro prémio a Portugal, será uma injustiça de pegar em armas.»

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (39) - É pior do que ele pensava

Outras preces.


Neste excerto de um artigo no Expresso Diário, Ricardo Costa, que conhecia Medina Carreira desde criança e com ele escreveu um livro a quatro mãos, evoca o seu comentário sobre o que disse Marcelo à SIC nesta entrevista a propósito da dívida pública.

Devo acrescentar um pensamento positivo ao que disse Marcelo e tanto preocupou Medina Carreira: tenho as maiores dúvidas que Marcelo acredite no que disse sobre a dívida pública (e sobre muitas outras coisas) e tenho a certeza que, ainda que tenha acreditado, não será preciso Cristo descer à terra para ele deixar de acreditar no que disse acreditar. Por isso, no lugar de Medina Carreira não teria ficado tão preocupado pelo que Marcelo disse.

04/07/2017

CASE STUDY: Trumpologia (22) - Trump também é uma espécie de tele-evangelista

Mais trumpologia.

Salvo erro, foi Nuno Morais Sarmento, muitos anos atrás, que cognominou com grande acerto Louçã de tele-evangelista quando este era uma presença ainda mais constante na televisão do que hoje. Desde então, Louçã tem sido o mais notório dos criadores de factos alternativos e de pós-verdades, quando estes termos ainda nem sequer existiam. Sem recuar mais no tempo, leia-se o que escreveu recentemente sobre o seu combate ao eucaplito, combate cujas premissas foram aqui e aqui reduzidos à sua dimensão de ignorância, arrogância e paranóia.

O que tem o tele-evangelismo de Louçã a ver com o trumpismo do Donald? Tem bastante. A caracterização do conteúdo (os factos alternativos e a pós-verdade), o estilo (demagogia) e o meio privilegiado (a televisão e as redes sociais).

«Made in America», o programa de protecção aos produtos americanos, é uma bandeira de Trump comparável ao combate aos eucaliptos de Louçã. Por exemplo no caso do aço, Trump pretende aumentar as taxas alfandegárias para limitar as importações e, segundo ele, trazer de volta os empregos que, sempre segundo ele, foram perdidos para a China e a Índia.

Recuemos a 2002, quando o governo de George W. Bush aumentou em 30% as taxas de importação do aço. Nessa altura foram destruídos 200 mil empregos nas indústrias que utilizavam o aço, um número superior ao dos empregos na indústria siderúrgica actualmente. (fonte Economist).

Se, como é provável, Trump usar na Organização Mundial de Comércio a excepção de «segurança nacional» para justificar o aumento das taxas, isso pode desencadear uma reacção dos países que importam produtos americanos, desde os aviões da Boeing ao sumo de laranja da Florida o que poderá comprometer todo o sistema de desmantelamento alfandegário penosamente construído desde o Uruguay Round com a criação da OMC e, no fim do dia, significar mais umas centenas de milhar de postos de trabalho perdidos por uma «boa causa».

ARTIGO DEFUNTO: Se quisermos saber o que se passou em Tancos é melhor ler a imprensa espanhola

Uma espécie de continuação daqui, dali, dacolá e dacoli.

Com grande alegria minha, e certamente de outros espíritos livres, e com grande mágoa dos muitos que querem aprisionar as meninges dos portugueses nos esquemas do spin e do agitprop da esquerdalhada, os jornais estão a tornar-se um bem transaccionável e estamos cada vez menos limitados à verdade a que o jornalismo indígena de causas decide que temos direito.

É certo que temos um problema de dimensão do mercado. O número de portugueses que querem saber a verdade é bastante limitado e por isso não há muitos jornais estrangeiros que gastem latim e tinta a produzir notícias sobre a jangada de pedra.

Os espanhóis, aqui mais à mão, são uma alternativa, como já se viu ao furarem o spin da tropa ao serviço de Costa nos incêndios.

E agora, outra vez, ao publicarem «el inventario de lo robado en el arsenal de Portugal que tiene en alerta a Europa», inventário que o ministro da Defesa ainda não devia conhecer, ocupado como tem estado, primeiro com o namoro entre os alunos do Colégio Militar e depois com as boas práticas de segurança, como aqui lembrou Helena Matos.

03/07/2017

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

Medina Carreira, durante anos um dos poucos com coragem de desmascarar
o spin socrático e dizer a verdade que os portugueses não queriam ouvir

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (90)

Outras avarias da geringonça.

A beleza de uma democracia, mesmo meio asmática, como a nossa, com uma mídia relativamente livre, ainda que impregnada pelo jornalismo de causas e atrelada a interesses corporativos variados, como a nossa, é, como o tio Abraão descobriu, «pode-se enganar a todos por algum tempo, pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos sempre».

Seria isso que Costa, caso lhe restasse um módico de lucidez e integridade, estaria prestes a descobrir a propósito do caos da resposta do seu governo ao incêndio de Pedrógão Grande que após duas semanas de spin e manipulação pura e dura está a vir à tona.

02/07/2017

Alguém pode explicar a diferença entre um CAC e um comptable?

Há uns três anos, Ricardo Salgado com o propósito de épater les journalistes e enfumaçar os mídia (ou talvez por mera ignorância) chamou «commissaire aux comptes» (sic, sem ser a do Balsemão) ao seu contabilista que o ajudou a fabricar as contas da Espírito Santo Internacional (ESI) e na altura já estava a dar com a língua nos dentes.

Acontece que «commissaire aux comptes» (CAC) é o equivalente francês ao revisor oficial de contas. Machado da Cruz, a criatura a quem o DDT chamava CAC, é o comptable que entre outras coisas, como aqui escrevi há três anos, que em países civilizados costumam ser crimes sujeitos a prisão, confessou que terem sido inventados activos em Angola no valor de 1,3 mil milhões para cobrir um passivo da ESI e esconder perdas que no final atingiram 2,2 mil milhões. Tudo isto com instruções de Ricardo Salgado e o conhecimento de outros.

Alguém pode explicar a diferença aos jornalistas do Expresso que insistem em chamar CAC a Machado da Cruz? («O testemunho do seu commissaire aux comptes foi vital para o MP») Ponham os olhos no diário do regime que já percebeu a diferença. 

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (51) O clube dos incréus reforçou-se (XVI)

Outras marteladas e  O clube dos incréus reforçou-se.

O intervencionismo do BCE, que copiou com atraso a Fed e o BoE, adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario de Julho de 2012, está cada vez mais parecido como terapêutica com a sangria dos pacientes praticada pela medicina medieval para tratar qualquer doença, incluindo a anemia.

Ou, pelo lado dos pacientes, está cada vez mais parecido com a administração de metadona que os induz em desespero cada vez que antecipam a redução da dose. Como foi o caso do discurso de Sintra do Super Mario ter gerado momentaneamente pânico nos mercados, só apaziguado depois de vários lugar-tenentes (incluindo até o nosso ministro anexo, agora residente em Frankfurt) terem explicado aos leigos a interpretação autêntica do que se passaria nas meninges do Mestre. Chegámos assim ao ponto em que a hermenêutica dos discursos do Super Mario assume o papel da leitura das folhas de chá no Tarot.

Por razões fáceis de entender, estas políticas continuam a merecer a reverência, sobretudo em países como o nosso em que o Estado vive directa e sobretudo indirectamente, pela indução de confiança nos mercados, a expensas do BCE. Proliferam assim as luminárias que vêem a União Europeia e as miríficas políticas de mutualização da dívida como o alfa e ómega da salvação sem esforço das finanças arruinadas da pátria.

É por isso relativamente raro alguém com conhecimento de causa atrever-se a contrariar este cânone. Devemos, portanto, saudar as poucas vozes desalinhadas e, na circunstância, relevar este post de Tavares Moreira no 4R salientando os efeitos perversos e as consequências indesejadas destas políticas do BCE.