Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

11/07/2015

Conversa fiada (14) - Mais um Verão de sofrimento e privação para os jovens de um país empobrecido pela austeridade


Pro memoria (247) - Não esquecer na altura de colocar a cruzinha na mãozinha

«Ou seja, e desculpem a insistência, no momento mais marcante da vida do Euro, naqueles momentos da História em que não se pode errar, muitos membros da direção do PS, ilustres dirigentes do partido, com responsabilidades no passado, estão ao lado do governo mais revolucionário que alguma vez existiu na União Europeia. Um governo anti-europeu, anti-mercado, marxista, inspirado no regime chavista da Venezuela e aliado da extrema-direita. E estão do lado da Frente Nacional, do Ukip, da Liga do Norte e das extremas-esquerdas europeias. Contra os seus partidos irmãos europeus, como por exemplo os socialistas franceses e o SPD alemão. Em relação à Grécia, o governo português está mais próximo dos socialistas franceses, alemães e italianos do que o PS. Extraordinário.»

«Os revolucionários na Grécia e o PS», João Marques de Almeida no Observador

10/07/2015

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Quanto à invenção da democracia têm-se dúvidas. Quanto à demagogia está provado


«O conceito da democracia até pode ter sido inventado na Grécia, apesar da sua aplicação em terras helénicas ser discutível, tanto na altura como agora mesmo: vide referendo em que 61% da população afirmou não querer mais austeridade e que faz imediatamente a seguir o Tsipras? Propõe mais austeridade que antes! Agora onde não há dúvidas é que também foi na Grécia que se inventou a demagogia!»

De um email de AB

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Grécia por Porto Rico

Secção Assault of thoughts

Como é sabido, Obama tem pressionado a UE para atirar mais dinheiro para cima da Grécia comprando o governo Syriza-Anel para que não se venda à Rússia, a exemplo do que os EU fazem ao Paquistão com o sucesso conhecido: venda da tecnologia da bomba nuclear à Coreia do Norte, apoio do exército paquistanês aos taliban no Afeganistão e hostilidade contínua ao maior aliado dos EU na região – a Índia, o único país na região que se pode considerar ter um regime democrático.

É neste contexto que tem mais piada a boutade de Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças, na conferência do Bundesbank, em Frankfurt, comparando a dívida de 65 mil milhões de euros de Porto Rico com 313 mil milhões da Grécia:
«Num dia destes fiz uma oferta ao meu amigo Jack Lew [o secretário de Estado do Tesouro do governo Obama], poderíamos ficar com Porto Rico na zona euro se os Estados Unidos estivessem dispostos a ficar com a Grécia na união do dólar.»
Quatro afonsos para o Wolfgang por dizer o que não ousam os songamongas que frequentam aquelas instâncias bruxelenses onde só se dizem eufemismos.

Bons exemplos (98) – A troika não passou As instituições não passaram por lá… (2)

[Uma espécie de confirmação daqui]

Quem disse que não era possível reduzir a despesa pública? Perguntem ao Osborne.


De boas intenções está o inferno cheio (36) – A religião é a política por outros meios? (IX)

Terão sido os efeitos de mastigar folhas de coca que levaram o papa Francisco a aceitar como presente de Evo Morales, o presidente da Bolívia, «uma cruz formada por um martelo e uma foice» e a vituperar a «especulação financeira» e o «consumismo»? Oremos para que a cruz com o martelo e uma foice não inspire ao papa Francisco uma espécie de evangelismo vermelhusco para «garantir um futuro melhor para os nossos irmãos mais frágeis e para as minorias mais vulneráveis». Já se viu esse evangelismo em acção e hoje não há desculpas.
Ocupado com martelos, foices e o aquecimento global, o papa fica sem tempo para limpar as manchas de pedofilia que guarnecem várias igrejas e as manchas de corrupção nas finanças do Vaticano.
Clicar para ver o martelo e a foice em todo o seu esplendor
Repito a minha inquietante dúvida: até mesmo para um papa como Francisco a coisa é um bocadinho esotérica ou sou eu, agnóstico, que estou a ver mal?

Quem também já teve uma epifania e acredita que «Jesus aprovaria o casamento entre pessoas homossexuais» foi o antigo presidente Jimmy Carter.

09/07/2015

Ele queria Heidi no Bundesregierung

Segundo o café expresso do Expresso, um Senhor chamado Fernando Sobral escreveu no Negócios:
«Merkel é como 007: por detrás da sofisticação não há amor, honra, amizade profunda. Só interesses.» 
O que diria o Senhor Sobral se soubesse que Lord Palmerston durante 4 décadas à frente do Foreign Office, defendendo os interesses ingleses contra a Rússia e a França, disse:
«A Inglaterra não tem nem amigos eternos, nem inimigos eternos, mas apenas interesses eternos

CASE STUDY: Um imenso Portugal (12)

O cerco da investigação ao ex-presidente Lula aperta-se. Escapou ao Mensalão mas está mais difícil escapar ao Petrolão e é cada vez mais provável vir a ser apanhado. Depois de um ex-primeiro-ministro português na cadeia iremos assistir à prisão do seu amigo ex-presidente brasileiro com quem fez o negócio da Oi? Uma retrospectiva deste negócio pode ser vista na etiqueta Vivo por Oi.

«O documento abaixo reproduz a movimentação de uma conta secreta na Suíça aberta pelos empreiteiros para pagar propina. Segundo Ricardo Pessoa, foi dela que saíram 2,4 milhões de reais que reforçaram o caixa da campanha do ex-presidente Lula em 2006 - dinheiro desviado dos cofres da Petrobras que chegou ao Brasil em uma operação financeira totalmente clandestina e ilegal. O delator contou que a UTC, a lesa, a Queiroz Galvão e a Camargo Corrêa formavam o consórcio que venceu a licitação para construir três plataformas de petróleo. Como era regra na estatal, um porcentual do contrato era obrigatoriamente reservado para subornos. A conta foi criada para o "pagamento de comissionamentos devidos a agentes públicos em razão das obras da Petrobras, ou seja, o pagamento de propinas", disse Pessoa. Ela também ajuda a dificultar o rastreamento de corruptos e corruptores. Foi dessa fonte clandestina que saiu o dinheiro que ajudou Lula a se reeleger.

Revista Veja de 8 de Julho
Para comprovar a existência da conta secreta, o empreiteiro apresentou ao Ministério Público extratos com as movimentações. Batizada de "Controle RJ 53 - US$", a planilha registra operações envolvendo 5 milhões de dólares em pagamentos de propina. Além de financiar o caixa dois de Lula, a conta suíça foi utilizada para pagar os operadores do PT na Petrobras. Entre as movimentações listadas pelo empreiteiro estão pagamentos ao ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, um dos responsáveis pela coleta das propinas destinadas ao PT. Os repasses à campanha de Lula foram acertados entre Ricardo Pessoa e o então tesoureiro petista, José de Filippi. Era o próprio empreiteiro que levava os pacotes de dinheiro ao comitê da campanha em São Paulo. A entrega, como VEJA revelou em sua edição passada, era cercada de medidas de segurança típicas de organizações criminosas. Ao chegar à porta do comitê, o empreiteiro dizia a senha "tulipa". Se ele ouvia como resposta a palavra "caneco", seguia direto para a tesouraria. Se confirmados pela Justiça, os pagamentos via caixa dois são a primeira prova de que o ex-presidente Lula também foi beneficiado diretamente pelo petrolão.»


Note-se que no caso de Lula os montantes depositados são um quarto dos 20 milhões de que alegadamente beneficiou o preso 44. Registe-se também este desvelo pela Suíça dos socialismos temperados e tropicais.

08/07/2015

Curtas e grossas (20) - Por fim, algo em que há que dar razão a um deputado do Syriza

«Europe has not show much wisdom over the last century. It launched two world wars and had to be saved by the Americans. (…) Now with the creation of monetary union it has acted with such foolishness, and created such a disaster, that it is putting the very union in doubt, and this time there will be no saviour. It is the last throw of the dice for Europe.»

Costas Lapavitsas, professor de economia na Universidade de Londres (mais um) e deputado pelo Syriza ao parlamento grego, citado pelo Telegraph. Lamentavelmente as propostas políticas do professor Lapavitsas são ainda mais foolish e criariam um disaster de ainda maiores proporções.

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (31) – O mito da deflação (VI)

Outras marteladas.

Um dos incréus sobre as virtudes do alívio quantitativo adoptado pelo BCE tem sido Daniel Gros do Centre for European Policy Studies (CEPS). Num artigo publicado no Negócios, com o sugestivo título «Um placebo chamado QE», Daniel Gros põe o foco num aspecto raramente tratado: a avaliação do impacto do alívio quantitativo e da sua eficácia para obter os efeitos que o BCE diz pretender com a sua adopção, isto é o combate à deflação – uma espécie de inimigo imaginário muito conveniente para escamotear os reais problemas. Aqui vai um excerto com a sugestão de leitura completa.

«Em termos concretos, o BCE está a medir o sucesso da sua política actual de acordo com a taxa de inflação esperada em 2020-2025. Este valor, calculado a partir dos preços dos diferentes tipos de títulos, indexados e não indexados, a cinco e dez anos, baseia-se no pressuposto um tanto heróico de que todos os mercados para esses títulos funcionam de forma eficiente.

Isto representa uma contradição fundamental. É suposto que o QE funcione através de "efeitos de equilíbrio de portefólio", o que implica que os mercados não são totalmente eficientes: as compras de títulos de longo prazo afectam as condições financeiras, alterando os tipos e a quantidade de activos financeiros que o público detém. Como é que se pode usar os preços de mercado como um indicador de inflação num futuro distante e, simultaneamente, justificar o QE, alegando que a maioria dos investidores se limita a certas classes de cativos e, portanto, não segue os sinais de mercado de forma eficiente?

Outro problema com o uso da taxa de inflação esperada a cinco anos, dentro de cinco anos, para avaliar a eficácia do QE é que a taxa está correlacionada com os preços do petróleo. Na verdade, quando os preços do petróleo diminuíram no ano passado, as expectativas de inflação também caíram (medidas, contudo, de forma imperfeita). E o anúncio do QE por parte do BCE coincidiu com o início da recuperação dos preços do petróleo, pelo que se poderia esperar um aumento das expectativas de inflação.

Com tais coincidências e contradições provenientes de quase todos os aspectos do debate em torno do QE, parece que avaliar a eficácia da política é mais uma arte do que uma ciência. Infelizmente, isso deixa muito espaço para distorções e preconceitos.
»

07/07/2015

ACREDITE SE QUISER: O teorema de Euclides

«O novo ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, teve hoje a sua primeira prova de fogo, com a reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro. Como tantas vezes nos últimos meses, este foi mais um encontro em que sobraram as dúvidas e escassearam as respostas. De acordo com os relatos da reunião, os ministros ficaram surpresos pelo facto de o governo grego não ter apresentado qualquer nova proposta. E por ter levado em vez disso notas escritas à mão.»

 Do email Expresso Diário

Já não há pachorra. Além das más políticas, amadorismo e incompetência confrangedores.

Pelo teorema de Euclides (de Alexandria, que talvez não fosse grego) foi demonstrado que o conjunto dos números primos é infinito. O teorema de Euclid Tsakalotos, em fase de demonstração, postula que é infinito o número de reuniões para chegar a um acordo com a troika as instituições.

Lost in translation (245) – Reconhecimento da independência de Angola, disse ele

«Não há dúvidas de que o reconhecimento tardio da independência de Angola levou a que nem sempre as relações com Portugal sejam boas. Há coisas que deixam marcas para sempre», disse Otelo Saraiva Carvalho comandante operacional da revolta militar de 25 de Abril e cúmplice dos atentados bombistas das FP25.

Não vou discutir as ideias da criatura, vou apenas contrariar a semântica lembrando que em 1975 a potência colonial se demitiu das suas responsabilidade de organizar um processo eleitoral minimamente decente, que a tropa de que ele foi um dos chefes fugiu como ratos das colónias, deixando-as à mercê de bandos armados e assim o poder foi entregue a um desses bandos, precisamente o promovido pelas correntes políticas e ideológicas que suportaram e usaram a criatura. Um bando que se foi convertendo durante 40 anos no suporte de uma cleptocracia extractiva.

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.


Maria Barroso, actriz, diseuse, activista política, a quem só encontro talento e qualidades e uma fraqueza - mas não dizem que o amor é cego?

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (30) - One size doesn’t fit all

Outras marteladas.

Uma das razões porque o alívio quantitativo, por muito que possa ser (e não o é em todas as circunstâncias) uma medicina adequada aos Estados Unidos, não é provavelmente uma medicina adequada para tratar das doenças da Europa. E escrevo doenças no plural porque se todos os países da UE, com excepção do Reino Unido (guess why), partilham o sintoma crescimento anémico, as doenças portuguesas não têm nada a ver com as doenças alemãs, para citar apenas o óbvio ululante.

Fonte: Economist
E uma das razões porque o alívio quantitativo não pode ter os mesmos efeitos resulta de nos EU e na UE as fontes de financiamento das empresas serem completamente distintas (veja-se o diagrama). O funding por obrigações tem nos EU um peso quase 4 vezes superior ao que tem na UE. Com o crédito bancário a situação é inversa: o seu peso na UE é 4 vezes superior ao dos EU. De onde resulta que a banca tem um papel muito mais importante no financiamento das empresas do que o banco central a entornar triliões de dólares ou de euros, ainda que isso belisque o ego do Super Mario e a fé dos crentes das poções mágicas da impressora de euros.

06/07/2015

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (10) - Sumário executivo das conclusões da reunião dos amigos de Alexis

«O lirismo dominou o encontro "A crise europeia à luz da Grécia", debate também realizado na sexta-feira e abrilhantado pela ausência de divergências. O calibre dos nomes envolvidos explica o estilo e o consenso: Louçã, Pacheco Pereira, Manuel Alegre, o Prof. Freitas, um economista da CGTP e, claro, os imparáveis deputados do BE. A bem da síntese, eis o tom geral: a Europa é uma ditadura (valha-nos Deus); a Grécia simboliza a democracia (desde tempos imemoriais, para não falar do velho esclavagismo e da pedofilia clássica); os gregos resistem ao poder do dinheiro (excepto quando é dado); os gregos, à imagem dos jogadores da bola, levantam a cabeça (excepto para pedir); os gregos são dignos (na medida em que o parasitismo é um critério de dignidade); os gregos, em suma, são patriotas - já os alemães que preferem a Alemanha ou os portugueses que preferem Portugal são traidores. Seja em que país for, patriota é o sujeito que dá a vida ou, vá lá, levanta um cartaz pela Grécia.»

Patriotas e parasitas, por ALBERTO GONÇALVES no DN

ESTADO DE SÍTIO: Próximo passo - respeitemos a democracia.


Referendo nos 19-1 sobre o 3.º resgate e o 2.º perdão ao um. Espera-se uma vitória da democracia.

Curtas e grossas (19) – São ambos marxistas

Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis são ambos confessadamente marxistas. O primeiro no género Lenine e o segundo no género Groucho. E por falar em Groucho, uma citação,
«A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todos os lados, diagnosticá-los incorrectamente e aplicar as piores soluções.»
Actualização:
Em substituição do marxista género Groucho, que hoje se demitiu via Twitter com o estrondo habitual próprio do seu ego super-expandido, surge Euclid Tsakalotos, um outro marxista talvez do género Trotsky. É a troca da palhaçada pelo maquiavelismo. A vida não ficará mais fácil para as múmias paralíticas bruxelenses.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: A via rápida grega

Três posts de O Insurgente muito úteis para se perceber como os gregos chegaram onde se encontram:

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (42) – Hoje como há 600 anos

«History seems to repeat itself these days. The heated debate about Grexit from Europe may have deeper roots than one realizes. Here is what Aeneas Sylvius Piccolomini, humanist and future pope (1405-1464), wrote about the Council of Basel (c.1435) in his Commentaries: 
 “At that time the Greeks had promised the Council that they would come to Latin territory to discuss the question of union. Being a poor nation, with a talent for begging, they asked to be reimbursed for their expenses. To that end they demanded some 70,000 gold florins. In order to scrape together such a sum the Council promised plenary indulgences and remission of all their sins to those who would contribute money to the cause.”»
«A poor nation, with a talent for begging - Fifteenth-century echoes in a 21st-century Grexit», Marcello Simonetta no Politico

05/07/2015

SERVIÇO PÚBLICO: Se a Grécia sair da Eurozona, como ficam os 19-1?

Abreviadamente: muito melhor. As únicas consequências negativas são: ficamos com menos azeite e menos praias. A seguir os detalhes calculados pelo WSJ:
  • A população diminui 3,2% e a idade média também diminui 
  • O PIB diminui 1,8% para o PIB per capital aumenta 1,5% 
  • A dívida total diminui 3,4% e a dívida privada diminui 0,9% 
  • A produção de azeite diminui 24,5% 
  • Os cristãos ortodoxos diminuem 84% 
  • Os casamentos diminuem 4,1% e os divórcios 2% 
  • A área diminui 4,6% e a linha da costa 31,3% 
  • A altitude média diminui 157 metros 
  • O número de fumadores diminui 4,8%