Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

20/08/2021

Vivemos num estado policial? (21) - Sim vivemos. E por isso pedimos meças à UE (e ao mundo)

 Outros casos de polícia.

Revista do Expresso

Como venho repetidamente a escrever, Portugal é um dos países com mais polícias por habitante na UE e elsewhere. No caso da UE somos o sexto país em número de agentes mas, apesar disso, estamos na média de gastos com as polícias em percentagem do PIB porque nos polícias e em todas as profissões os salários médios portugueses são mais baixos do que a média da UE (porque recorde-se a produtividade do trabalho em Portugal é 65% da média da UE).

Se o Dr. Costa deixar o Dr. Cabrita cumprir o prometido o ano passado, até 2023 a polícia terá mais 10 mil efectivos o que provavelmente colocará Portugal no topo da UE ou mesmo do mundo.

Mas onde os polícias portugueses mais se distinguem é no seu exacerbado sindicalismo. No último levantamento que fiz há dois anos existiam 17 sindicatos de polícias, tendo o 16.º 451 associados e 459 dirigentes e delegados e o 17.º sindicato 27 polícias todos dirigentes sindicais. O desvelo policial pelo sindicalismo resulta do «trabalho sindical» dos dirigentes dar quatro folgas por mês e o dos delegados sindicais 12 horas.

Em Setembro os polícias irão fazer uma vigília em S. Bento a reivindicar o aumento do subsídio de risco dos agentes da PSP e dos militares da GNR. Faz todo o sentido, porque o salário dos polícias é apenas para ficarem sentados no interior das esquadras. Se se quiser que os polícias façam o trabalho policial expondo-os à meteorologia e aos contactos com a população, nem sempre agradáveis, será preciso pagar-lhe devidamente.

19/08/2021

Possible unintended consequences of Mr Biden's decision


What if the New Middle Kingdom has already begun suggesting to the Taiwan government to see this withdrawal from Afghanistan as an anticipation of what will happen to Taiwan when it happens?

18/08/2021

A liberdade de imprensa e o politicamente correcto

«Although people of different political stripes in Western countries rarely find common ground on political correctness, they may have more in common than compatriots in other parts of the world. A recent survey conducted by Ipsos Mori, a pollster, on behalf of King’s College London asked 23,000 adults in 28 countries about their attitudes towards free speech. They asked respondents to rate, on a scale from zero to seven, how they felt about using potentially hurtful words when speaking with people from different backgrounds to their own. A zero would mean that they felt that “people are too easily offended”; a seven would mean they thought it was necessary to “change the way people talk”.

More than half of respondents in America, Australia, Britain and Sweden rated themselves between zero and three (excluding those who answered “don’t know”), meaning they were the most likely to feel that the general public are too sensitive when it comes to speech. At the other end of the scale, Chinese, Indians and Turks were the least likely to say people were being too sensitive—fewer than one-fifth of the people from these countries responded with a scale of zero to three—instead believing it was necessary to modify their language.

What affects these attitudes across countries? Using an index of press freedom from Reporters Without Borders, a watchdog, we found a strong correlation between the extent of press freedom and individual attitudes towards language. Although people living in places with less press freedom are most receptive to what the Anglosphere would call “political correctness”, it may be that, in countries such as China, cautious use of language is required for self-preservation. That might add fuel to conservatives’ fire that political correctness could somehow erode democratic norms.

The survey also asked respondents whether or not they agreed that “culture wars” were dividing their countries. Americans and Indians were among the most likely to say that they were, with about three-fifths agreeing. By contrast, fewer than one-tenth of Japanese and one-fifth of Russians and Germans thought that culture wars were divisive. Yet country-level responses to this question bear little relationship to their attitudes about offensive speech. Although Americans and Britons are similarly exercised about political correctness, just one-third of Britons are concerned about divisive culture wars.»

People in the West are least worried about hurtful speech

17/08/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (62) - Em terra de cegos, quem tem um olho é rei e quem tem dois é o quê?

A queda acentuada do ritmo de vacinação desde a primeira semana de Julho com a descida da média de 150 mil doses para 70-80 mil nas semanas seguintes parece estar a estabilizar ao redor da média semanal de 90 mil.

Em relação à vacinação completa dos maiores de 18 anos, depois de uns vergonhosos primeiros quatro ou cinco meses, Portugal está bem posicionado no pelotão da frente no quadro da EU/EEA.

ECDC

Quase todos os objectivos estão a ser atingidos ou serão muito provavelmente atingidos nas datas anunciadas. Agradecei o trabalho do Sr. Almirante insultado por um bando de grunhos no sábado à noite em Odivelas, que até hoje o Dr. Costa não se dignou apreciar, possivelmente porque a criatura não tem ficha no PS, 

Após semanas de um concurso de dislates com vários participantes, nomeadamente a Dr.ª Graça e o Dr. Marcelo, que se revelou um inesperado especialista em vacinação, a primeira sucumbiu e recomendou a vacinação do escalão etário 12-15 anos, o que só em Marte seria uma prioridade considerando os adultos que faltam vacinar e o facto desse escalão representar uma percentagem negligenciável dos infectados e num total de 18 mil óbitos apenas haver dois no escalão 10-19.

Compare-se com a Inglaterra que no escalação 12-15 anos apenas vai vacinar os jovens clinicamente vulneráveis ou que vivam com adultos de risco com doenças graves.

16/08/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (98) - Em tempo de vírus (LXXV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Remodelar? Acham que o Dr. Costa é tolo?

Por que cargas de água haveria o Dr. Costa de fazer o que a oposição, que perdeu o norte e arrisca-se a perder o país, quer que ele faça? Por que haveria ele de mandar embora os seus amigos de sempre, ou o seu rival que ele espera continue a ser torrado, ou o lastro que, sendo descartável, lhe dá jeito para entreter a oposição? Logo que ele que na sua fase chinesa aprendeu que se deve manter os amigos por perto e os inimigos ainda mais perto.

A ciência é o que o Dr. Costa quiser

Depois de já ter dito tudo e o seu contrário, a Dr.ª Graça da DGS acabou a recomendar a vacinação dos jovens dos 12 aos 15 anos, recomendação suportada pelos pareceres técnicos desse grande epidemiologista que temos a sorte de ter em Belém. Faz todo o sentido porque, como é sabido, este grupo etário representa prá aí uns 5 % dos infectados e dois ou três dos 18 mil mortos e, ao contrário do que vem dizendo o Sr. Almirante da task force, não temos vacinas a menos, temos vacinas a mais. Se dúvidas houvesse, o Dr. Costa tê-las-ia arrumado definitivamente como uma decisão puramente técnica. Ditosa pátria que tal filho teve!

Take Another Plan. O Dr. Pedro Nuno Santos não salvando o que não tem salvação, ao menos ajuda a Ryanair

Com as operações a metade de 2019 em Agosto e Setembro, a TAP continua a queimar os 1.700 milhões que já recebeu dos contribuintes que em breve se esgotarão, enquanto revê o plano de reestruturação que a CE devolveu.

O Sr. O'Leary não tem mesmo nenhuma razão para tratar mal o Dr. Pedro Nuno comparando-o a Pinóquio, quando a TAP está a dispensar pilotos que a Ryanair se propõe recrutar num lote de mais de 300 profissionais que anunciou pretender contratar para as operações portuguesas e investir 300 milhões dariam imenso jeito ao Dr. Pedro.

Dr. Pedro Nuno, o Anunciador

O Dr. Pedro pode não ter o talento de um gestor mas não se lhe pode negar o talento para fazer anúncios. O mais recente foi o segundo anúncio do concurso de electrificação da linha entre Tunes e Lagos - o primeiro concurso foi anulado. É assim que o pedronunismo, passo a passo, se mostra uma doutrina indispensável a um governo socialista promovendo, antes da obra feita, a obra anunciada, obra com a vantagem de ter apenas um pequeno peso para o erário público, uma verba modesta para preparar concursos.

15/08/2021

Bons exemplos (139) - O governo do país que inventou o nepotismo recruta internacionalmente directores de museus


Ó Dr. Costa mande lá a Dr.ª Graça Fonseca seguir o exemplo do dotore Dario Franceschini.

Mitos (314) - Usar o "hidrogénio azul" é pior do que queimar o gás natural de onde é extraído

 "Industry has been promoting hydrogen as a reliable, next-generation fuel to power cars, heat homes and generate electricity. It may, in fact, be worse for the climate than previously thought."

"It is seen by many as the clean energy of the future. Billions of dollars from the bipartisan infrastructure bill have been teed up to fund it.

But a new peer-reviewed study on the climate effects of hydrogen, the most abundant substance in the universe, casts doubt on its role in tackling the greenhouse gas emissions that are the driver of catastrophic global warming.

The main stumbling block: Most hydrogen used today is extracted from natural gas in a process that requires a lot of energy and emits vast amounts of carbon dioxide. Producing natural gas also releases methane, a particularly potent greenhouse gas.

And while the natural gas industry has proposed capturing that carbon dioxide — creating what it promotes as emissions-free, “blue” hydrogen — even that fuel still emits more across its entire supply chain than simply burning natural gas, according to the paper, published Thursday in the Energy Science & Engineering journal by researchers from Cornell and Stanford Universities."

For Many, Hydrogen Is the Fuel of the Future. New Research Raises Doubts via SEJ

14/08/2021

SERVIÇO PÚBLICO: A fuga de um laboratório chinês é a explicação mais plausível para a propagação do SARS-Cov-2 (e a China começa a admiti-lo)

«The lead figure in the World Health Organisation’s work on the origins of Covid-19 has given a remarkable interview to Danish TV. Peter Ben Embarek has revealed just how much political pressure the investigation came under and made clear that he thinks the lab leak hypothesis should not, pace the official report, be dismissed as extremely unlikely.

Embarek told TV2 ‘Until 48 hours before we finished the whole mission, we still had no agreement that we would talk about the laboratory part in the report, so there was a discussion right up to the end about whether to include it or not.’ He said that, ‘initially, they [the Chinese] didn’t want anything about the laboratory included because it was impossible and so it would be a waste of time. We insisted on including it because it was part of the whole issue about where the virus came from.’ He adds, ‘I said: "Listen. We need to include this, otherwise we don’t have a report. It's not going to be approved or accepted as a reasonable, credible report.’”

Embarek also makes clear the obstacles that were put in him and his team’s way: ‘We didn't get a look at lab books or documents directly from the lab. We got a presentation and then we got to talk about and ask the questions we wanted to ask, but we didn't get to look at any documentation at all.’ As he points out, the behaviour of the Chinese side raises questions:
‘We should investigate the hypothesis of a laboratory leak, it is for several reasons. One of them is the way in which the Chinese government has behaved. They have tried to suppress all research in this area. We can't know if it's because they're just trying to control the narrative or if it's because they have something to hide.’
Certainly, the fact that the laboratory moved location in December 2019 does raise suspicions. As Embarek recalls, ‘I ask the management, “How old is this lab?” And they say: “Well, it's from December 2019. We moved to these new laboratories on 2 December 2019.”’ As he points out, ‘It is interesting that the lab moved on 2 December 2019. That's the period when it all started, and you know that when you move a lab, it's disruptive to everything.’

Embarek posits that one likely explanation for the origin of a virus is a laboratory staffer being infected as they were collecting samples: ‘An employee who got infected in the field by taking samples is one of the likely hypotheses. That’s where the virus jumps directly from a bat to a human. In that case, it would be a laboratory worker rather than a random villager or other person who has regular contact with bats. So it's actually in the likely category.’

What is becoming increasingly clear is that the dismissal of the lab leak theory back in March 2020 was a huge mistake. Embarek’s interview backs up Matt Ridley’s view that the lab leak theory is looking increasingly plausible.

Given the amount of time that has elapsed, we will probably never know for sure what the origins of Covid-19 are. But it is becoming clearer by the day that the Chinese government conducted a cover up, for whatever reason, that made the whole situation even worse than it needed to be.
»

How China tried to suppress the lab leak investigation, James Forsyth na Spectator

Por coincidência, ou talvez não, o site estatal chinês Global Times publicou no dia 6 uma entrevista em inglês com Jeffrey Sachs, da Universidade Columbia e presidente da comissão do Lancet sobre a Covid-19, que menciona expressamente a possibilidade de fuga do vírus durante as pesquisas. O facto de ter sido publicada uma explicação até agora sempre negada pela nomenclatura chinesa indicia o uso dos habituais processos tortuosos para preparar a mudança da tese oficial.

13/08/2021

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (49) - Qual a letalidade da Covid-19? (8) O caso de Portugal 16 meses depois

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de Qual a letalidade do Covid-19? (7) Ainda o caso de Portugal

Recordando a distinção entre taxa de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.).

Recordando também algumas das patetices que os mídia publicaram no início da pandemia: 
  • 06-03 - «O novo coronavírus é igual à gripe? Não. Mata 26 vezes mais» (Sábado)
  • 19-03 - «Organização Mundial de Saúde (OMS) avançou na semana passada que a taxa de mortalidade do vírus se encontra nos 3,4%» (Expresso)
  • 29-03 - «a taxa de letalidade subiu para 2% » (SIC Notícias)
  • 12-04 - «Em Portugal, a taxa de mortalidade situa-se agora ligeiramente acima dos 3%» (ionline)
  • 13-04 - «A taxa de mortalidade subiu para 3%, disse a ministra da Saúde» (DN)
  • 13-04 - «OMS diz que o novo coronavírus é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009» (Público)
  • 16-04 «Portugal tem taxa de letalidade de 3,3%. A média europeia é de 8,6%» (DN)
  • 19-04 - «A taxa de mortalidade belga está perto dos 15%» (Observador)
  • 20-04 - «o que fez baixar ligeiramente a taxa de mortalidade para 3,52%» (Observador)
Como tem evoluído afinal a taxa de letalidade em Portugal?


Como seria de esperar, sendo o número de infectados testados e conhecidos sempre inferior ao número real total de infectados, à medida que foram feitos mais testes o denominador aumentou mais rapidamente do que o numerador. Como mostra o gráfico, de um máximo inferior a 5% a taxa de letalidade vem descendo gradualmente e estabilizou na região dos 1,8%.

12/08/2021

Lost in translation (354) - É como se dissesse que a nomeação da Mesa diz respeito aos assistidos da Santa Casa da Misericórdia

«As eleições alemãs não são só dos alemães. Vai ser eleito o futuro governo da maior economia da Europa, por isso os escrutínios dizem respeito à União Europeia e ao mundo.» (Lido no semanário de reverência)

Por esta ordem de ideias, poderíamos defender que as eleições portuguesas não são só dos portugueses, também dizem respeito aos nossos benfeitores e aos credores dos 275 mil milhões.

Mudar as métricas do problema não muda a essência do problema

«The figures are stark: 44.8 per cent of grades were A or A*, up from 38.5 per cent last year and 25.2 per cent in 2019. Analysis by exams regulator Ofqual also picked up a widening in the attainment gap for students who are on free school meals, deprived pupils and black pupils. But given these results weren't based on the same assessment as last year, and certainly not comparable to the exams taken by pupils in normal years, is it really fair to call this grade inflation? Next year's A-levels will be similarly abnormal. What is probably of greater concern, as we discuss on our latest Coffee House Shots podcast, how employers and admissions offices at further and higher education institutions can distinguish between the grades of the three different Covid cohorts, and those attained by students under 'normal' conditions. It's not even that easy to compare within the results, given different schools adopted different methods of teacher estimates. Some were far more rigorous and less generous than others. 

The most immediate impact of these results is that there is now a serious squeeze on university places, to the extent that some medical schools are offering students who achieved their offer grades £10,000 to switch to a course at another university. On this, there are fears once again that the most disadvantaged young people will end up at less prestigious institutions because they are much more likely to need the £10,000 than their peers. The government is paying £6,500 of the grant and the university £3,500.

Elsewhere, it will be harder for students who've done better than expected to move up, or indeed for those who've missed a place by just one grade to find a suitable university because so many students have achieved the offer grades and there are therefore use fewer empty spaces. Admissions service Ucas estimates that around 80,000 students will get a place through clearing this year. 

Once they're at university, though, the Covid generation may not be able to move on from the disruption of the past two years. A large number of institutions, including 20 out of the 24 Russell Group members, have said that some of their teaching will continue to be online in the new academic year.»

Excerto da newsletter da Spectator de 10 de Agosto

Ao contrário deste ano em que as médias desceram, no ano lectivo passado passou-se algo semelhante em Portugal, mas pelos vistos ninguém se preocupou seriamente com o problema que foi varrido para baixo do tapete.

11/08/2021

Proposta Modesta Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações (7) - Áctivistas exigi que todos órgãos tenham um representante de cada género

Outras propostas modestas

Em 1729 Jonathan Swift publicou um panfleto satírico com o título longo e insólito A Modest Proposal: For Preventing the Children of Poor People in Ireland from Being a Burden to Their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public.

Desde então, inúmeras Propostas foram baptizadas de «Proposta Modesta». O (Im)pertinências, com quase quatro séculos de atraso, apresentou já várias, algumas delas, como esta, Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações.

A minha proposta de hoje é inspirada pela nomeação de um juiz para o U.S. Court of Appeals noticiada com títulos que, com pequenas variações, são do tipo «Biden nominates first LGBT federal appeals court nominee. E porquê a inspiração? perguntareis. Porque a juíza Beth Robinson, que pertencia ao Supremo Tribunal de Vermont desde 2011, foi nomeada, ao que parece, sobretudo ou principalmente ou mesmo exclusivamente, por ser uma lésbica assumida.

O que me leva a perguntar, admitindo que no U.S. Court of Appeals já devem existir os dois géneros bíblicos, digamos assim, porquê discriminar os outros 109 géneros (de 112 até agora inventariados )? 

De onde a minha proposta:
Áctivistas do Correctês e do Inclusivês de todo o mundo ousai lutar pela representação de todos os géneros em todos os órgãos públicos e privados!

10/08/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (61) - "S" na caderneta do Sr. Almirante e "MI" nas cadernetas do prof Marcelo e da DGS

Mantém-se a queda acentuada do ritmo de vacinação desde a primeira semana de Julho com a descida da média de 150 mil doses para 70-80 mil nas últimas semanas. Provavelmente a explicação, como já referi, são as férias das milícias do Almirante e dos "utentes". 

Fazendo um ponto de situação de dois dos múltiplos objectivos que foram sendo sucessiva e confusamente anunciados:
Só no início da primeira semana de Agosto, com dois meses de atraso, foram atingidas percentagens de ou perto de 100% (fonte ECDC):

99,9% dos +80
100% dos 70-79
97,7% dos 60-69 anos.

Como mostra o quadro seguinte, estão completamente vacinados três quartos dos maiores de 18 anos e em relação há duas semanas atrás (cfr. este post) houve um progresso de 16%.
ECDC

Dependendo do que seja quase toda e de qual seja a população elegível (continua a ser discutido) e do inevitável impacto das férias no mês de Agosto, nesta altura, a 7 semanas do fim de Setembro com 5,3 milhões totalmente vacinados, não é seguro que o objectivo seja atingido. 

Por último sublinhe-se que a bagunça da vacinação dos menores, com o professor Marcelo a enfiar o chapéu de epidemiologista, está a ser mais um episódio ridículo e lamentável.

09/08/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (97) - Em tempo de vírus (LXXIV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

A linguagem corporal é muito expressiva
O PS tem uma ambição: fazer de todos portugueses funcionários públicos ou, pelo menos, aumentar a freguesia eleitoral

A Dr.ª Leitão anunciou que se prepara para contratar mais uma leva de funcionários públicos o que dito pela ministra da Modernização do Estado confirma a suspeita de que para o PS modernizar o Estado sucial é enchê-lo de utentes da vaca marsupial pública. Recorde-se que o governo de Passos Coelhos reduziu 68,7 mil funcionários públicos de 727,8 para 659,1 mil e o governo do Dr. Costa, que começou por declarar praticar a regra "saem dois entra um" substituída depois por sai "um entra um", tem praticado a regra de "sai um e entram n", tendo aumentado os 659,1 mil que recebeu para 718,8 mil no final do ano passado.

L'état c'est nous, y compris la Carris

A autópsia que o Observador levou a cabo na Carris revelou que a empresa pública de transportes alfacinhas está hoje completamente ocupada por apparatchiks socialistas. Muito naturalmente, o Dr. Medina falando há tempos num jantar da célula do PS (eles chamam-lhe "sectorial") anunciou aos apparatchiks «Estamos a contratar mais pessoas, a contratar mais trabalhadores. Espero, aliás, que os possamos convencer da nossa estratégia e que venham a ser trabalhadores do PS e da secção do PS da Carris.»

Take Another Plan. Oito meses depois, o plano do Dr. Pedro Nuno ainda não foi parido

A comissária da Concorrência escreveu ao Dr. Pedro Nuno Santos dando várias más notícias. A primeira foi que os 3,2 mil milhões de dinheiro dos contribuintes não vão chegar. A segunda que não percebe porque os privados não entram com a grana. A terceira é que acharia melhor a TAP vender uns slots à concorrência. A primeira já toda a gente tinha percebido, com a possível excepção do Dr. Pedro Nuno. A segunda indicia que a Dr.ª Margrethe não tem em boa conta os privados portugueses, os quais, não obstante, já saltaram de paraquedas poupando-se ao crash do Dr. Pedro Nuno. A terceira é como sugerir a uma família arruinada que venda uns lotes da sua quinta hipotecada à banca.

Vem a propósito dizer que o único privado na TAP que sabia de aviação foi despachado pelo Dr. Pedro Nuno e está agora a encomendar 220 aviões eléctricos por mil milhões para operar no Brasil.

08/08/2021

Dúvidas (316) - Será por acaso que apenas um quarto da humanidade vive em regimes democráticos?

 “Power and paranoia”, the cover title to your special report on the Chinese Communist Party (June 26th), might equally well be the result of unfettered capitalism, so why pick on China? The Economist does a decent job of presenting the pros and cons of government policies, but you seem incapable of seeing the basic role of government as most people in the world view it.

The vast majority of the globe’s inhabitants believe that the purpose of government is to maintain stability, tranquillity and national defence, and not to protect individual liberty or provide social equality. For most, those ideals are the antithesis of traditional social norms. I especially think you have a bad take on China. The fact that there were only ten dynasties in a 4,000-year history shows that rocking the boat was considered an affront to the ancestors, the gods and to humanity. Laws made sure the masses fell in line. It worked for them, where democracy may never.

Until you recognise that most cultures are still built on a firm foundation that ranks stability—from the rule of kings, dictators or imams—as the paramount necessity of a society’s existence, you will never understand the world as most people see it.

Kirk Lovenbury 

(Carta de um leitor da Economist) 

O caso da China é a este respeito particularmente interessante. Repare-se que de todas as ideologias ocidentais foi o colectivismo marxista a única profundamente adoptada, hoje reduzido a doutrina oficial da nomenclatura do PCC como religião do Estado. Note-se também que, para quem pense que a democracia liberal resulta automaticamente da prosperidade, a China é o exemplo mais notório que é melhor pensar duas vezes.

07/08/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Teremos de decidir se somos ou não capazes

«Com a sucessão das crises do século XXI, a realidade ficou intensamente mais nítida e cruel. São enormes as debilidades do investimento, da criação de novas produções e de novas vias de exportação consolidada. Estas crises mostraram as fragilidades fundamentais da economia e da sociedade e a pobreza de ambas. Tornaram mais visíveis a falta de capital e de ciência, a mediocridade das estruturas empresariais e a fraqueza dos grupos económicos. Sublinharam a reduzida competência do Estado e dos governos. Patentearam a venalidade de tantos políticos democráticos, assim como a corrupção e o nepotismo que parecem ser, entre nós, costumes impunes ou aceitáveis.

Este último aspecto, o da corrupção, do nepotismo e do favoritismo, é particularmente cru, num país com tanta pobreza. A incapacidade do sistema político para combater tais deficiências e a dificuldade da justiça para punir e prevenir são especialmente dolorosas num país tão desigual. (...)

Para sair das crises, para curar as feridas, para relançar e criar a economia e para finalmente desenvolver, vai ser necessário repensar e partir com novas bases. Os últimos anos mostraram que não se pode nem deve adiar mais. Mostraram que as escolhas são cada vez mais inevitáveis e inadiáveis. Há muito que não estávamos diante de dilemas essenciais. Como poucas vezes no passado, vamos decidir, nos próximos dois a três anos, se queremos ou não ter mercado e iniciativa privada. Se nos organizamos para o desenvolvimento económico. Se damos confiança aos investidores nacionais e estrangeiros. Se somos capazes de novos grandes projectos. Se queremos realmente promover a colaboração do público com o privado. Se queremos cuidar das bases económicas indispensáveis ao Estado social e à sua consolidação. Se estamos ou não à altura de crescer economicamente mais do que os restantes países europeus ou grande parte deles.
»

Excerto de Tempo de decisões, António Barreto

06/08/2021

A fuga do paraíso do Novo Império do Meio dos chineses que votam com os pés

Economist

Já que estamos a falar da China de Xi Jinping, sempre acrescento que os diagramas não carecem de ser explicados porque «uma imagem vale mais do que mil palavras», como lembrou Confúcio, um filósofo muito apreciado pelo Imperador em exercício (cfr. por exemplo este seu discurso).

05/08/2021

CASE STUDY: A coragem da desistência ou o culto dos desgraçadinhos e os portugueses na vanguarda

A propósito da decisão da ginasta Simone Biles - a melhor do mundo, diz-se -  não competir em várias provas, alegando que estava a enfrentar problemas mentais, uma comovente onda de solidariedade percorreu os mídia nacionais e internacionais e, ao que parece, as redes sociais (não tenho a certeza porque não consumo o produto) enaltecendo frequentemente a «coragem de uma desistência».

É claro para mim que, não havendo nada a censurar à mocinha por ter sucumbido ao peso da responsabilidade e à enorme expectativa dos fãs, também não haveria nada a exaltar. Afinal trata-se de uma atleta profissional de alta competição em dedicação exclusiva que deveria estar preparada para enfrentar estas situações. Mostrou que não estava e, no seu pleníssimo direito, desistiu, mas daí a legiões de jornalistas de causas várias e patetas de várias outras profissões se curvaram perante o feito, ou melhor perante o não feito, vai uma grande distância.

O assunto não justificaria gastar tinta com ele, não fora o facto da unanimidade à volta da exaltação da desistência ser em si mesmo muito revelador das mudanças ideológicas e culturais introduzidas pelos movimentos politicamente correctos, da identidade de género, etc., em suma pelo chamado marxismo cultural que contamina uma boa parte da intelectualidade (mais uma batalha que a direita está a perder na guerra das ideias). A unanimidade foi tão evidente que as únicas vozes dissonantes que encontrei foram, et pour cause, de dois humoristas (José Diogo Quintela e Tiago Dores).

E, já que estou com a mão na massa, sempre acrescento que um fenómeno induzido por essas mudanças é a crescente feminização das sociedades, feminização caracterizada pela prevalência do estereotipo feminino (sim isso existe, como existem os cromossomas sexuais X e XY), o que, como mostra o modelo 5-D de Geert Hofstede (amplamente citado neste blogue) inclui a simpatia pelo desafortunado, a valorização do underdog e o ciúme pelo sucesso. É nesta matéria das sociedade femininas que podemos dizer com toda a propriedade que os portugueses estão desde há muito no topo do mundo entre os países mais femininos (ver em especial este post).

04/08/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (196) - Nepotismo e altruísmo na grande família socialista

«Como refiro, no “Manual de Gestão de Empresas Familiares”, que publiquei recentemente, as ações de nepotismo e altruísmo estão presentes, com grande frequência, nestas empresas.

No exercício de ações de nepotismo, os acionistas familiares impõem membros da família, sem os conhecimentos e qualificações adequadas, para lugares de direção e administração das suas empresas.

Na adoção de ações de altruísmo, os acionistas e administradores familiares admitem para os quadros das suas empresas, numa postura quasi caritativa, membros da família, claramente incapazes de executarem com eficiência e qualidade as funções que lhes são atribuídas.

Ambas as situações, que negam princípios de meritocracia na seleção e admissão de quadros para estas empresas, produzem danos relevantes nas mesmas e estão na base de muitos insucessos.

Nos casos em que as administrações das empresas familiares são compostas exclusivamente por membros da família, a destruição de valor, originada pelas ações de nepotismo e altruísmo, aumenta exponencialmente.

À semelhança do exercício de teoria comparada, que realizei no meu livro, entre as empresas familiares e as alianças estratégicas, proponho um exercício semelhante para a situação atual da família socialista, na sua relação com as entidades públicas.

Esta família considera ser proprietária do Estado, onde se incluem todas as entidades públicas, pelo que desenvolve, à semelhança do que ocorre nas empresas familiares, ações de nepotismo e altruísmo.
Neste exercício de teoria comparada, o Partido Socialista é o acionista familiar, o Conselho de Ministros o conselho de família, e a Cresap o gestor do protocolo de família.

Com o beneplácito da Cresap, a família socialista, numa aproximação de nepotismo, impõe os seus militantes para a direção e administração de todos os órgãos públicos.

Com a cumplicidade destes dirigentes, admitidos desta forma, a família socialista desenvolve ações de altruísmo, admitindo para os vários organismos públicos, militantes socialistas, sem a adequada preparação técnica e profissional.

A família socialista açoriana é o expoente máximo desta aproximação.

Estas ações de nepotismo e altruísmo, da família socialista, no poder há dezenas de anos, explicam o atraso estrutural e a pobreza do nosso país.

Dir-me-ão que o mesmo aconteceu, na família social-democrata, a que pertenço.

É verdade. Infelizmente.

Mas em muito menor extensão. Felizmente.»

Nepotismo e altruísmo, Luís Todo Bom no Expresso