Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

11/07/2008

BLOGARIDADES: bom no género mau (ACTUALIZADO)

Aqui no (Im)pertinências concorda-se com João Miranda que escreveu há dias: «José Sócrates foi o melhor Primeiro-Ministro dos últimos 15 anos. E isto inclui a última fase de Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso e Santana Lopes

O Pertinente já disse que até ver admite votar em Sócrates. O Impertinente nunca (1) votará no senhor engenheiro precisamente porque o considera o melhor no género «Primeiro-Ministro dos últimos 15 anos» (2). Ou seja, o senhor engenheiro é bom no género mau. É bom a aplicar a péssima doutrina colectivista do estado social, assistencial e intrusivo e «é notável na gestão mediática e na manipulação dos média, através das legiões de spin doctors que gravitam ao seu redor» (reconheceu o Pertinente num momento de lucidez exacerbada).

(1) A não ser quando o challenger for o professor doutor Louçã ou o senhor Jerónimo Teixeira.
(2) Ou dos últimos 30 anos, com a possível excepção de Sá Carneiro que não teve tempo de mostrar em acção o seu pensamento liberal.

PS:
Eu sabia que o homem do PCP se chama Jerónimo de Sousa, mas, o que é que querem, por uma incontornável coisa freudiana que me deu chamei-lhe Teixeira.

10/07/2008

O sucesso do insucesso (ainda outra vez)

«Depois do sucesso no exame nacional de Matemática do 12.º ano, com a média nacional dos alunos internos a disparar para os 14 valores (em 20), agora foram os alunos do 9.º que revelaram uma melhoria muito significativa em relação à prova de 2007. A percentagem de negativas caiu de 72,8 por cento para 44,9 por cento, o que significa que há menos 38,3 por cento de notas negativas face à prova de 2007.» (Público)

Como é que ninguém se tinha lembrado disto antes! Se é verdade que o governo Sócrates não muda a realidade, ninguém pode acusá-lo de não se esforçar por mudar a nossa percepção da realidade.

It's true, stupid.

Não me recordo da administração Bush ter pedido desculpas pelas centenas de dislates que George W. disse durante os dois mandatos e pelas asneiras que fez (não me peçam exemplos para o caldo não se entornar). Porque haveria de pedir desculpas por uma opinião bastante popular e substancialmente correcta?

Além do próprio e duns quantos italianos distraídos, quem discordará que Berlusconi é no mínimo «um dos mais controversos líderes na história de um país conhecido pela corrupção governamental (e) é visto por muitos como um diletante político que apenas obteve o seu alto cargo por meio da considerável influência exercida sobre os media nacionais, até sido obrigado a demitir-se em 2006». Pois não é que a Casa Branca pediu desculpa por esta nota biográfica distribuída à imprensa?

Felizmente a aposentadoria está à vista.

09/07/2008

O sucesso do insucesso (outra vez)

«A taxa de reprovação de 7 por cento dos 36.674 alunos que fizeram este ano a prova de Matemática A é menos de metade da verificada no ano passado (18 por cento) e cerca de um quarto da de 2006 (29 por cento), indicam os dados oficiais distribuídos hoje à tarde pelo Ministério da Educação (ME).» (ver mais)

É o que se pode chamar apropriadamente obra feita e duradoura. É o resultado do respeito do direito dos alunos a terem sucesso.

08/07/2008

TRIVIALIDADES: novas bichezas (1)

Todos os anos são acrescentadas mais umas centenas ou milhares às espécies conhecidas. Em 2006 segundo o "State of Observed Species" foram descobertas ou descritas pela primeira vez 16.969 novas espécies, entre elas este simpático bichinho baptizado de Oxyuranus temporalis e considerado uma das serpentes mais venenosas no mundo.

Originária da Austrália, a bicha parece ser bastante rara. Apesar da raridade, suspeito que em Portugal existam vários espécimenes de Oxyuranus temporalis, como por exemplo a doutora Isabel Pires de Lima (pelo menos é o que devem ter pensado os senhores engenheiro Sócrates e o doutor Luís Miguel Cintra depois de lerem a carta aberta (*) «ao Aristocrata da Cultura Luís Miguel Cintra».

(*) É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada. É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários. [Glossário das Impertinências]

07/07/2008

Os europeus em geral não se podem queixar da globalização. Os portugueses em particular podem-se queixar deles próprios.

A new book * by a pair of academics from America's Johns Hopkins University finds lots of facts to cheer Europeans up. European consumers (ie, all Europeans when they are shopping) are big winners from globalisation, which has delivered cheap imports, held down inflation and kept interest rates low. Despite the fuss about China and India, the EU's share of world exports rose slightly between 2000 and 2006. What is more, two-thirds of Chinese exports involve foreign brands, a good chunk of which are European. Nor does a “made in China” tag mean big revenues for Chinese firms. In a recent speech defending globalisation, the EU trade commissioner, Peter Mandelson, cited a University of California study into who gains when an iPod is sold in America for $299. Only $4 stays in China with the firms that assemble the devices, Mr Mandelson explained. $160 goes to American companies that design, transport and retail iPods. A similar pattern holds for many European products.

Europeans worry a lot about wage competition. The researchers note that globalisation is not just about wages, but more broadly about finding efficiencies anywhere along complex supply chains. After all, most non-EU employees of European firms live in America, not China (EU and Swiss firms employ some 3.5m workers in America). Yes, European jobs have been lost by offshoring, but unevenly. In France only 3.4% of jobs lost in 2005 could be blamed on offshoring, though there has been a wave of factory closures more recently (see article). Portugal has suffered more: a quarter of its job losses between 2003 and 2006 involved jobs heading overseas, mostly to new EU members.


* “Globalisation and Europe: Prospering in the New Whirled Order”. By Daniel S. Hamilton and Joseph P. Quinlan, Centre for Transatlantic Relations.

[Ver mais aqui]

06/07/2008

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: os eleitores europeus provavelmente são idiotas

- É uma infâmia o que os políticos europeus e os eurocratas pensam dos eleitores.
- Ah sim? E o que pensam eles?
- Alguns dizem, mas todos pensam, que referendar o tratado não faria sentido porque os eleitores são incapazes de o compreender.
- A avaliar pelas justificações de alguns irlandeses que votaram não, se calhar os políticos têm razão. De resto, eles estão em boa posição para avaliarem os eleitores.
- Mas isso é o insulto à inteligência dos eleitores.
- Não. Não me parece. É mais o resultado da auto-avaliação dos eleitos. Não esqueças que foram estes eleitores que os escolheram.

05/07/2008

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: As notícias da continuação do pântano estão longe de ser exageradas

Depois de 3 anos de governo maioritário (um dos 3 únicos dos últimos 34 anos) o que resta dos tímidos ímpetos reformistas do engenheiro Sócrates? Praticamente nada. As reformas do SNS e do ensino hibernaram à espera duma nova oportunidade que poderá não chegar. A reforma da administração pública ficou reduzida a trabalhar para o ranking.

As reformas que não foram feitas durante a vigência do discurso dos amanhãs que cantam, ainda menos vão ser feitas a um ano das eleições, com o reconhecimento das «dificuldades sérias» e as «preocupações sociais», por um lado, e o anúncio repetido vezes sem conta das grandes obras, por outro.

Se, como parece provável, o melhor resultado do PSD for fazer o PS perder a maioria, os portugueses têm como praticamente certo mais uma década no pântano. Não que as coisas pudessem ser muito diferentes com um governo PSD liderado pela doutora Ferreira Leite. O que se poderia esperar duma equipa comprometida até à medula com a medicina que foi administrada pelos governos anteriores do PSD? Mais do mesmo. Até mesmo os gurus que, como todos os gurus, imaginam que a falta de ideias novas, ou simplesmente ideias, do líder é um terreno fértil para cultivar as suas receitas, acabarão por desertar o mais tardar quando perceberem que a aposta do doutor Cavaco para a reeleição não passa por aí.

03/07/2008

ESTÓRIA E MORAL: branqueamento de governação

Estória

Após 3 anos de governação do engenheiro Sócrates, tudo corria pelo melhor. A economia prosperava, as liberdades ampliavam-se, as reformas da administração pública chegavam a bom termo, o défice reduzia-se sem que fosse necessário reduzir a despesa pública, o governo anunciava um pacote de grandiosas obras que fariam a inveja da Óropa, a inducação melhorava sem que fosse necessário estressar as tenras meninges dos infantes, a saúde não piorava apesar de se gastar mais dinheiro com ela, as pilhas de processos nos tribunais já não incomodavam ninguém.

Corria. Já não corre. «A nossa economia vai passar por um abrandamento, como todas as economias europeias» e nós vamos passar por «dificuldades sérias» profetizou ontem na RTP o senhor engenheiro, antecipando com a sua clarividência, coragem e frontalidade aquilo que a maioria, acreditando nas balelas do governo até à semana passada, não conseguiria antecipar, imaginando ainda viver naquele oásis que já tinha sido dum ministro das finanças do professor Cavaco e foi depois trespassado para o ministro da economia do senhor engenheiro. O senhor engenheiro não explicou se o abrandamento e as dificuldades sérias que mencionou serão iguais ou parecidas com as dos últimos 8 anos, 3 dos quais sob o seu governo.

Moral

É possível enganar todos durante algum tempo. É possível enganar alguns sempre. Não é possível enganar todos sempre.

A ver vamos, disse o cego.

02/07/2008

Hocus pocus, tontus talontus, vade celerita jubes


Se a Europa do Sul, incluindo Portugal, fica mal colocada no European Innovation Scoreboard o que propõe a Cotec para melhorar a posição? «Introduzir métricas que reconheçam processos inovadores específicos do Sul da Europa».

Se o índice de preços no consumidor da Argentina evidencia uma elevada inflação, o que faz o governo da família Kirchner? Retira do cabaz do índice os produtos cujos preços que aumentam mais.

Se os resultados dos exames de Matemática são maus, o que faz a ministra da Educação? Baixa os padrões de modo a que não se possa «distinguir aqueles que efectivamente trabalham dos que pouco trabalham».

30/06/2008

A propósito da reacção dos comunistas e dos bloquistas ao Código do Trabalho

Deve ser possível encontrar um racional subjacente à tese da esquerda marxista, tese (quase) sempre desmentida pela história económica, de que da maior flexibilidade dos mercados de trabalho resultam maior desemprego e salários mais baixos. Deve ser o mesmo racional que tornava inevitável nos países capitalistas mais desenvolvidos a revolução comunista, que afinal de contas veio a dar-se nos países atrasados pré-capitalistas.

29/06/2008

BREIQUINGUE NIUZ: Puf! O senhor engenheiro não precisa de lei

O senado romeno aprovou no dia 26 uma lei que obriga as televisões e rádios a incluir pelo menos metade de notícias positivas, evitando assim o «extraordinário poder nocivo (e os) efeitos irreversíveis na saúde e na vida das pessoas» das notícias negativas.

Sem lei mas com a ajuda dos seus spin doctors e da necessidade dos jornalistas tratarem das suas vidinhas, o senhor engenheiro Sócrates cumpriu sempre os mínimos. É o mercado de trabalho a funcionar.

28/06/2008

O sucesso do insucesso

A directora regional de educação do norte, apparatchik que se tornou célebre com a instauração de um processo disciplinar a um professor por ter contado uma anedota sobre José Sócrates, sugeriu agora aos conselhos executivos para excluírem da correcção das provas «aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média (porque) os alunos têm direito a ter sucesso».

Uma conspiração para congelar a mobilidade social e perpetuar o parasitismo das elites merdosas que se impõem ao país e transmitem por via do esperma feliz, para usar a expressão de Warren Buffett, à sua prole o status que herdaram, não faria melhor do que esta clique que há mais de trinta anos se obstina a promover a mediocracia nas nossas escolas.

27/06/2008

ESTADO DE SÍTIO: para o governo do senhor engenheiro o aborto é uma forma de maternidade

Por razões profissionais, frequento o site do Diário da República Electrónico pelo menos uma vez por semana. Comecei por ler esta manhã em diagonal os sumários para escolher as ejaculações legislativas que não posso evitar (muito poucas). Cumpri o ritual mas confesso que nem reparei no Decreto-Lei n.º 105/2008 de 25 de Junho cujo sumário considerei anunciar mais uma das abundantes e insignificantes acções assistenciárias que o estado social nos proporciona a custos sumptuosos. A coisa rezava assim: «Institui medidas sociais de reforço da protecção social na maternidade, paternidade e adopção integradas no âmbito do subsistema de solidariedade e altera o Decreto-Lei n.º 154/88, de 29 de Abril».

Foi preciso visitar O Insurgente para realizar o que tinha perdido. Dispõe assim o Artº 4, nº2:

«O subsídio social de maternidade é garantido às mulheres nas situações de parto de nado-vivo ou morto, de aborto espontâneo, de interrupção voluntária da gravidez nos termos do artigo 142.º do Código Penal ou de risco clínico para a grávida ou nascituro.»

26/06/2008

CASE STUDY: quanto mais, menos

Frequentemente, o tema dos salários milionários de alguns gestores é tratado ou numa perspectiva moralista (e não é que a moral não tenha nada a ver com o tema, que tem) ou, mais raramente, pelo liberalismo académico, numa suposta perspectiva de mercado (e não é que o mercado não tenha nada a ver com isto, que tem, mas pouco). De acordo com a perspectiva moralista, os salários milionários são injustamente excessivos. Segundo a perspectiva liberal, são o que têm que ser, ponto final. Num caso como noutro, é uma vista do céu - do céu igualitário ou do céu dos mercados perfeitos. Um dia destes, Nuno Garoupa abordou o tema um pouco mais próximo do purgatório do Portugal do presente (A ineficiência dos salários milionários, Jornal de Negócios).

«Suponhamos pois que os salários milionários pagam em Portugal uma espectacular e significativa criação de valor para os accionistas ou para o Estado por parte desses gestores. O paradoxo está em que quando mais significativa é a criação de valor mais submergida está a economia portuguesa. Quando quase não havia salários milionários a economia portuguesa vivia momentos de expansão, agora que se generalizou a prática dos salários milionários a economia portuguesa estagnou para pelo menos duas décadas.

Existe uma explicação simples para este paradoxo. Em termos agregados, certamente a significativa criação de valor que justifica os salários milionários fez-se por predação, e não por ganhos de produtividade. Claro que existem muitos salários milionários que realmente pagam inovação, competência, risco com ganhos de produtividade importante (muito provavelmente esses gestores estão mesmo assim remunerados abaixo do valor da sua produtividade marginal). Mas a realidade da economia portuguesa não pode deixar dúvida, a grande maioria destes salários e pensões milionárias remunera a procura de rendas e quasi-rendas. As rendas e quasi-rendas geradas podem até justificar esses mesmos salários do ponto de vista dos accionistas, mas certamente não da sociedade. São uma externalidade negativa que impede o crescimento económico.
»
Um exemplo que poderia integrar a categoria dos EXTREMÓFILOS, inventada por Pacheco Pereira para a Alêtheia, é o da recém-demitida administração do Millenium bcp que facturou durante mais de 20 anos os salários mais milionários do país, enquanto destruia mais de metade do valor para os accionistas (os 4-5 euros porque os accionistas compraram as acções em sucessivos aumentos de capital entre 2000 e 2002 reduziram-se a menos de 2 euros).

25/06/2008

Somos todos turcos (hoje)













Somos todos turcos (hoje)
Impertinente
Pertinente

ARTIGO DEFUNTO: a ingenuidade notável

«A Airplus, concorrente da Portugal Telecom no concurso para os canais pagos da Televisão Digital Terrestre (TDT), está a pôr os trunfos todos em cima da mesa.
Estando para breve a pré-decisão do júri em relação a esta parte do concurso, a Airplus consegue um aliado de peso. Luís Nazaré, que saiu em Abril da presidência dos CTT, junta-se à Airplus, como figura de proa, mas sem poderes executivos. Hoje Luís Nazaré deverá ser anunciado como presidente não executivo da Airplus TV Portugal, apurou o Jornal de Negócios.
»

Notável não é o «trunfo» e «figura de proa» Luís Nazaré, sair da bolsa de excedentários do PS, em trânsito da administração dos CTT, directamente para a administração de um candidato ao concurso público da TDT. Notável também não é o doutor Pais do Amaral interessar-se pelos seus 20% que acabou de comprar na AirPlus e deter o know-how para «viabilizar» a coisa. Nada disto é notável e muito menos singular. Notável é a ingenuidade, chamemos-lhe assim, da jornalista de serviço ao relatar a coisa como a mais natural no mundo dos concursos.

Neste caso o ridículo pode mesmo ser mortal

«Quando vejo este carrossel de países em torno de Putin e Medvedev, fico indignado. A Europa torna-se ridícula.» Palavras de Jacques Delors ditas o domingo passado numa entrevista. É o que distingue um europeísta visionário da multidão de eurocratas que pululam entre Bruxelas e Estrasburgo, mais preocupados em manter os seus pequenos feudos e as suas tenças do que com a Europa, seja lá o que for a Europa.

24/06/2008

ESTADO DE SÍTIO: de queda em queda

Depois de ter deixado cair as reformas da administração pública, do SNS, da justiça, e a segurança dos cidadãos, o Governo deixa cair despedimento por inadaptação ao trabalho.

23/06/2008

O Sócrates deles é melhor do que o nosso Zapatero

Zapatero reduce un 30% la oferta de empleo público y congela el sueldo a los altos cargos [El País]

Compare-se o crescimento previsto do PIB e o superavit orçamental em Espanha com o nosso crescimento (metade) e o crónico défice do orçamento português.

22/06/2008

ARTIGO DEFUNTO: a revolta da ignorância (e da demagogia, já agora)

Quem tenha um módico de conhecimento do funcionamento duma empresa sabe que a facturas de bens vendidos ou serviços prestados não pagas pelos clientes, depois dum período de hibernação sob a forma de provisões, serão finalmente abatidas aos proveitos e, consequentemente, aos lucros. Em qualquer empresa que tenha os consumidores finais como clientes haverá um rácio médio de incobráveis que inevitavelmente terá que será considerado com um componente do custo a incluir no preço final do produto ou serviço pago pelo cliente.

Isto é tão trivial que até agonia explicar. Será? Então como explicar a histeria dos robins dos bosques que enxameiam a nossa política, dos jornalistas de causas e até de insuspeitas luminárias gritando a sua indignação perante a «proposta» da Entidade Reguladora do Sector Eléctrico (ERSE) que faria suportar pelos consumidores o que já é suportado? [Ver aqui a «revolta» do doutor Afonso Candal, o herdeiro do lugar da bancada do PS outrora do famoso Carlos Candal]

Contra esta idiotia generalizada, apenas se levantou no Sol a voz do doutor Sérgio Figueiredo, que dificilmente se pode considerar neutral, como ele próprio reconhece, uma vez que é o administrador-delegado da Fundação EDP.

20/06/2008

Aguardo ansiosamente os novos bloqueios

Na conferência de imprensa de ontem o ministro Mário Lino anunciou mais uma ejaculação legislativa, como costuma escrever o Impertinente, autorizando (?) o transportador a aumentar automaticamente (?) os preços contratados quando os combustíveis aumentarem mais de 5 por cento, e obrigando o cliente a pagar num prazo máximo de 30 dias, sob pena de contra-ordenação com coima.

É difícil imaginar medida mais arbitrária e intervencionista que até um governo chefiado pelo secretário-geral do PCP hesitaria em tomar. Ficamos à espera de novos bloqueios e acções de intimidação pelos consumidores dos serviços de transportes e dos credores do Estado para equilibrar as coisas.

19/06/2008

DIÁRIO DE BORDO: Não há nada de (especialmente) errado com os nossos rapazes


Se alguma coisa está errada neste país não são os profissionais de futebol, onde se consegue extrair um grupo que está entre os 8 melhores da Europa. Se há coisa errada neste país é a mediocridade das nossas elites, dos nossos políticos, dos nossos intelectuais, dos nossos cientistas, dos nossos empresários, dos nossos dirigentes, dos nossos técnicos, que nos empurram para a merda há 5 séculos. Acaba-se o sucesso no futebol como ersatz do sucesso na vidinha e fica o aumento da gasolina, o corte nas férias, as prestações atrasadas.

Uma pergunta inocente e politicamente incorrecta

Segundo o Público, «um homem morreu ontem depois de cair de um viaduto da Circular Regional Externa de Lisboa (CREL), em Pinheiro de Loures, informaram os bombeiros

O que estiveram a fazer no local «nove bombeiros da corporação de Loures, apoiados por três viaturas, e uma equipa da emergência médica»?

18/06/2008

BREIQUINGUE NIUZ: Estamos a convergir - é bom para a nossa auto-estima

«Estados Unidos, Malta e Portugal são os três países de um conjunto de 41 analisados por um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) onde as crianças com onze anos revelam maior excesso de peso.» (Sol)

A doença dos portugueses é um sintoma não de morbidez, mas de grande vitalidade, já o escrevi no (Im)pertinências várias vezes. Neste caso particular da obesidade infantil, isso ainda é mais verdade. Pois não será certo que reflecte um desvelo pelas nossas criancinhas que as põe no topo do ranking mundial, destaque só igualado, talvez, pelo sucesso dos nossos jovens profissionais de futebol?

16/06/2008

ESTÓRIA E MORAL: o som do silêncio

Estória

Durante vários dias o país teve as estradas bloqueadas pelos camionistas que, seguindo o exemplo dos armadores da pesca, puseram em prática acções que configuram o lockout proibido pela Constituição, perante a passividade das autoridades policiais. Enquanto isso o governo tentava apaziguar o crocodilo alimentando-o com a esperança de ser comido em último lugar, como teria dito outra vez Winston Churchill, se ainda por cá andasse.

Durante todo esse tempo, o silêncio da líder da oposição doutora Manuela Ferreira Leite foi ensurdecedor, dando razão aos seus detractores que a acusam de não ter ideias para o país. Tal não pareceu incomodar os seus spin doctors que, contudo, deveriam começar a olhar para a aparente falta de ideias da líder mais como uma ameaça do que uma oportunidade para a sua prolixa produção intelectual.

Moral

It is better to keep your mouth shut and be thought a fool than to open it and remove all doubt.

15/06/2008

E se de repente o futebol catalisasse a química política

E se a saída anunciada de Scolari, um treinador motivacional (dizem os especialistas), tiver um impacto significativo no rendimento da selecção (a fraca exibição da equipa e o resultado de há pouco com a Suíça indiciam essa possibilidade)? E se, por via disso ou doutra qualquer razão, a esperança morrer ingloriamente na praia, ou seja nos quartos de final? Acaba-se o sucesso no futebol como ersatz do sucesso na vidinha e fica o aumento da gasolina, o corte nas férias, as prestações atrasadas. E se a isso acrescentarmos as corporações outra vez na rua a exigir do governo mais umas migalhas do orçamento?

13/06/2008

ESTÓRIA E MORAL: um homem precavido

Estória

Como é sabido, o doutor Cadilhe depois de se candidatar a presidente do Millennium bcp, do qual já recebia uma pensão vitalícia (fala-se dumas dezenas de milhar de euros mensais) pelos poucos anos em que foi administrador, foi convidado a presidir ao BPN em substituição duma figura sinistra, também membro dum dos governos do professor Cavaco, em demissão sob pressão do BdeP, que entretanto se lembrou que lhe competia a supervisão da banca, depois do escândalo Millennium bcp.

Após ter garantido que as regras do Millennium bcp, que o fariam perder a pensão ao exercer funções noutro banco, seriam ajeitadas à sua situação, o doutor Cadilhe começou a constituir equipa. Sabendo que estão em curso no BdeP e na CMVM inquéritos ao BPN, o doutor Cadilhe precata-se e convida o doutor Rui Pedras do Conselho Directivo da CMVM até agora responsável pela investigação ao BPN.

Moral

Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

12/06/2008

O buzinão de Sócrates

«O direito de manifestação e de protesto pacífico e o recurso a formas de luta como a paralisação e a greve são, nos termos legais, inteiramente legítimos», disse hoje o primeiro-ministro depois de ter assistido impávido ao lockout dos transportadores com bloqueio das estradas e intimidação.

Acrescentou que «o Estado de direito não pode pactuar com a chantagem, a intimidação e a violação dos direitos e liberdades dos outros», depois de ter entregue o estado de direito ao poder das estradas e de baquear à chantagem, intimidação e violação dos direitos e liberdades dos outros.

As medidas do acordo ou bases de entendimento (esta discussão semântica terá durado um par de horas) constituem uma retirada em toda a linha, um prémio à chantagem, intimidação e violação dos direitos e liberdades dos outros e um incentivo à adopção da mesma estratégia por outras corporações. Estas medidas incluem coisas absurdas como:
  • Portagens reduzidas entre as 22h00 e as 7h00
  • Majoração das despesas de combustíveis no IRC
  • Indexação do frete ao aumento do Gasóleo e prazo de 30 dias
  • Imposto Único de Circulação de camiões congelado por três anos
  • Adopção de uma forma especial de pagamento do IVA
  • Apoios ao abate e renovação de frotas e à formação profissional

11/06/2008

PUBLIC SERVICE: slaughtering some of environmentalism's sacred cows

Inconvenient Truths: Get Ready to Rethink What It Means to Be Green

The environmental movement has never been short on noble goals. Preserving wild spaces, cleaning up the oceans, protecting watersheds, neutralizing acid rain, saving endangered species — all laudable. But today, one ecological problem outweighs all others: global warming. Restoring the Everglades, protecting the Headwaters redwoods, or saving the Illinois mud turtle won't matter if climate change plunges the planet into chaos. It's high time for greens to unite around the urgent need to reduce emissions of greenhouse gases.

Just one problem. Winning the war on global warming requires slaughtering some of environmentalism's sacred cows. We can afford to ignore neither the carbon-free electricity supplied by nuclear energy nor the transformational potential of genetic engineering. We need to take advantage of the energy efficiencies offered by urban density. We must accept that the world's fastest-growing economies won't forgo a higher standard of living in the name of climate science — and that, on the way up, countries like India and China might actually help devise the solutions the planet so desperately needs.

Some will reject this approach as dangerously single-minded: The environment is threatened on many fronts, and all of them need attention. So argues Alex Steffen. That may be true, but global warming threatens to overwhelm any progress made on other issues. The planet is already heating up, and the point of no return may be only decades away. So combating greenhouse gases must be our top priority, even if that means embracing the unthinkable. Here, then, are 10 tenets of the new environmental apostasy
.

10/06/2008

A factura da manipulação tarda, mas não falta

Qual é a responsabilidade do governo no aumento dos combustíveis? Nenhuma, se nos esquecermos do ISP e não nos lembrarmos que os utilizadores devem pagar os custos da poluição ambiental e, ainda neste caso, se também nos esquecermos que as receitas do ISP servem para tudo menos para melhorar o ambiente.

O que deve fazer o governo para conter o aumento dos combustível? Nada. A ser assim, porque esperam os armadores da pesca e os transportadores que o governo faça alguma coisa, isto é reduza o preço dos combustíveis? Talvez porque uns e outros se habituaram a ouvir os «200 palhaços que vão à televisão falar de economia» (César das Neves) e acreditam nos poderes miraculosos que o governo finge ter.

ESTADO DE SÍTIO: O que é que eles quiseram dizer?

Durante a sua viagem à Argélia, no seu papel de garoto propaganda (chamou-lhe um jornalista qualquer), o engenheiro Sócrates disse para o chefe de Estado argelino Abdelaziz Bouteflika «Portugal e Argélia partilham uma visão progressista das relações internacionais em que devem assentar os valores da paz». O que queria o senhor engenheiro dizer com «partilham» e «visão progressista»? Estaria o PM a falar para os órfãos do MFA?

«Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas» disse o professor Cavaco Silva ontem em Viana do Castelo. Estaria o PR a falar para os órfãos da Mocidade Portuguesa?

«As responsabilidades que envolvem o exercício do Presidente da República recomendam um esclarecimento sobre aquilo que disse: ou se trata de um lamentável equívoco ou existe outra explicação para a utilização do termo», disse o camarada Jorge Cordeiro da CP do PCP. Estaria o membro da CP a falar para órfãos do PREC?

09/06/2008

A função zingarilho aplicável aos campeonatos europeus de chuto na bola

Segundo parece, o Euro 2008 terá um impacto na economia europeia de 1,4 mil milhões de euros, isto é 75% superior ao impacto do Euro 2004 organizado por Portugal. Em contrapartida, enquanto neste último o governo de Guterres torrou mais de mil milhões para construir 8 novos estádios, a maioria dos quais está actualmente destinado às moscas, no Euro 2008 a Áustria e a Suíça (tal como a Bélgica e a Holanda em 2000) partilharam a organização e construíram apenas 2 novos estádios. É caso para invocar a pertinência das funções zingarilho: quanto mais miséria, mais espavento.

Ocorre-me, a propósito, perguntar se no âmbito da Responsabilidade civil extracontratual do Estado e seus agentes prevista na Lei 67/2007 de 31-12 será ainda possível accionar judicialmente António Guterres e seu ministro-adjunto do primeiro-ministro com a tutela do Desporto, que por coincidência se chamava José Sócrates.

08/06/2008

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: da igualdade pirosa à igualdade pilosa dos géneros

Na minha geração, as feministas assanhadas queimavam os sutiãs (não é verdade, mas podia ser), não rapavam os pêlos dos sovacos e das pernas, nem o buço. Na geração dos meus netos, as netas das feministas assanhadas e as outras netas convencem os namorados a depilarem os pêlos das pernas, do peito e doutros sítios. É uma estratégia mais inteligente para o mesmo objectivo: a igualdade pilosa dos géneros.

07/06/2008

ESTADO DE SÍTIO: há um Goebbels no Portal do Cidadão (e em muito outros sítios)

Portugal é o 3º melhor ao nível da Banda Larga
De acordo com o Broadband Efficiency Índex, Portugal teve a terceira melhor performance dos 30 países da OCDE no grau de eficiência na adopção da Banda Larga. A Islândia e a Bélgica lideram o índex.

[Portal do Cidadão, 4 de Junho]

Portugal desce no “ranking” da Banda Larga da OCDE
Portugal desceu no “ranking” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que revela os dados sobre a penetração da banda larga. Num “ranking” de 30 países, Portugal ocupa o lugar 24.

[Jornal de Negócios, 5 de Junho]

05/06/2008

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: o desenvolvimento económico sem causas

Há dois anos o Banco Mundial reuniu uma comissão dedicada a estudar o desenvolvimento económico. Não para teorizar sobre receitas para o crescimento, mas para analizar em detalhe as razões do sucesso dos únicos 13 países do globo que conseguiram alcançar uma taxa de crescimento superior a 7% ao longo de pelo menos 25 anos consecutivos, a contar em 1950. O crescimento, dizem, não é um milagre, mas pode ser explicado e até repetido.

Como se pode imaginar são quase todos asiáticos (China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coreia (Sul), Malasia, Oman, Singapura, Taiwan e Tailandia) mas não só: Malta, Botswana e Brasil completam a lista. Poder-se-ia acrescentar India e Vietnam, que vão nos 15 anos.
Não há muito em comum entre eles, são grandes e pequenos, autoritários e democráticos, e razoavelmente espalhados pela Terra.
O resultado final deste exercício foi agora publicado e aponta para uma mescla DE recomendações heterodoxas, umas profundamente liberais, outras profundamente de esquerda.

O mercado, a mobilidade laboral, a globalização económica (este considerado como o principal) são essenciais mas também o termo da desigualdade dos géneros, a segurança económica a melhoria na educação e sua extensão a toda a sociedade, a arte de bem governar.... Foram em particular identificados cinco factores que todos esses países tem em comum. Com efeito todos:
1. Exploraram plenamente a abertura da economia mundial
2. Mantiveram estabilidade macroeconómica.
3. Apresentam altas taxas de poupança e de investimento.
4. Deixam aos mercados a aplicação dos recursos disponíveis a investir
5.Tem governos empenhados, credíveis e capazes.

As estratégias baseadas no mercado interno e na aprocura interna não podem ter sucesso, porque fácilmente atingem o limite. E não pode haver limite a prazo, e não autorga à economia a mesma liberdade para especializar-se no que melhor produz.

A democracia é que não parece ser um requisito imprescindível.

O meu papel consistiu em ler os jornais e fazer de relator para vocês: não participei nos trabalhos da comissão (deixei vaga a 21ª cadeira) que integrou académicos, políticos, governadores de bancos centrais, maioritáriamente de países em desenvolvimento. E dois prémios Nobel da Economia.

O crescimento não é um objectivo em si mesmo. Mas é importante porque é essencial para conseguir aquilo que preocupa toda a gente: redução da pobreza, emprego produtivo educação, saúde e oportunidade de ser criativo. É sob este último ponto de vista que a comissão e eu achamos que vocês têm todos razão.

(Os créditos vão para Walter Oppenheimer, autor do artigo a partir do qual compus a minha nota. Gostava até de transcrever o parágrafo final:

"A abertura à economia global á qualificada como a característica compartilhada mais importante e lição central deste relatório. Os países de alto crescimento beneficiam-se de duas formas: por um lado importam ideias, tecnologia e conhecimento do resto do mundo; por outro exploram a procura global para os seus bens, gerada num mercado grande e elástico. Para dizê-lo de forma simples, importam o que o resto do mundo conhece e exportam o que o resto do mundo necessita.")


[de um email de JARF que, não morrendo de amores pelos mercados, percebe que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal]

04/06/2008

Greve dizem eles. Lockout digo eu.

Embarcações de pesca estão paradas como forma de protesto (?) contra o aumento do preço dos combustíveis. Nuns casos essas embarcações são propriedade de armadores que as mantém amarradas, geralmente com o apoio dos pescadores. No caso da pesca artesanal os pescadores, eles próprios proprietários das embarcações, fazem o mesmo.

Os jornais e o ministro da Agricultura e das Pescas falam em greve. Segundo a Wikipedia (definições pouco rigorosas, mas que para o caso servem):

  • Greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho realizada por trabalhadores com o propósito de obter benefícios, como aumento de salário, melhoria de condições de trabalho ou direitos trabalhistas, ou para evitar a perda de benefícios.
  • Lockout é a recusa por parte da entidade patronal em ceder aos trabalhadores os instrumentos de trabalho necessários para a sua actividade.
Se esta paralização da pesca for classificável, estará mais para o lado do lockout do que da greve. Acontece que segundo o Artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa «é garantido o direito à greve» mas «é proibido o lock-out».

02/06/2008

SERVIÇO PÚBLICO: oito razões para nos alegrarmos com a alta dos preços do petróleo

SHADES OF GREEN
$8-a-gallon gas
Commentary: Eight reasons higher prices will do us a world of good

SAN FRANCISCO (MarketWatch) -- For one of the nastiest substances on earth, crude oil has an amazing grip on the globe. We all know the stuff's poison, yet we're as dependent on it as our air and water supplies -- which, of course, is what oil is poisoning.
Shouldn't we be technologically advanced enough here in the 21st Century to quit siphoning off the pus of the Earth? Regardless whether you believe global warming is threatening the planet's future, you must admit crude is passé.

Americans should be celebrating rather than shuddering over the arrival of $4-a-gallon gasoline. We lived on cheap gas too long, failed to innovate and now face the consequences of competing for a finite resource amid fast-expanding global demand.
A further price rise as in Europe to $8 a gallon -- or $200 and more to fill a large SUV's tank -- would be a catalyst for economic, political and social change of profound national and global impact. We could face an economic squeeze, but it would be the pain before the gain.
The U.S. economy absorbed a tripling in gas prices in the last six years without falling into recession, at least through March. Ravenous demand from China and India could see prices further double in the next few years -- and jumpstart the overdue process of weaning ourselves off fossil fuels.
Consider the world of good that would come of pricing crude oil and gasoline at levels that would strain our finances as much as they're straining international relations and the planet's long-term health:
(Continue a ler aqui)

01/06/2008

A diplomacia económica portuguesa em acção

Depois de Angola e da Venezuela, o governo, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, abre uma nova frente: Paraguai, Segundo o Expresso, Portugal já é o principal investidor europeu e o ministro antevê um futuro radioso para a cooperação entre os dois países. Haverá um fio condutor escondido que proporcione um racional alternativo à evidência?

ESTADO DE SÍTIO: mais dum mesmo, outra vez

Só distraídos poderiam esperar que algum dos três candidatos com hipóteses nas directas do PSD poderia seria outra coisa do que mais dum mesmo - um mesmo que é o mesmo de sempre com os retoques idiossincráticos dos candidatos e as pequenas diferenças que separam os seus correligionários.

O doutor Santana Lopes seria igual a si próprio e já nos mostrou suficientemente o seu self durante 30 anos. Talvez tivesse algumas ideias que exporia com reconhecida eloquência, mas provavelmente as suas ideias menos más não seriam novas e as suas ideias novas não seriam boas. O seu PPD/PSD já deu o que tinha a dar, ainda que o próprio Santana Lopes tenha virtualidades de nos animar durante mais uns 20 ou 30 anos.

O doutor Passos Coelho rapidamente deixaria cair as suas veleidades liberalizantes para ficar prisioneiro da realidade que é a do aparelho do PSD que apostou nele e a que ele próprio pertence há mais de 20 anos. Aparelho que se sustenta da ocupação do estado que tenta parasitar com a mesma gula vampírica de sempre.

A ideia mais elaborada que a doutora Ferreira Leite tem para governar o país, se lhe derem a oportunidade (um se de tamanho XL), é a reedição do cavaquismo com 20 anos de atraso, agora matizado com umas preocupações sociais. Recorde-se que o cavaquismo durante 10 anos compôs os cacos do estado que recebeu do Bloco Central e criou as fundações para o monstro voraz que hoje consome metade da riqueza produzida pelo país.

No final 4 anos de socratismo durante os quais o governo dissipou ingloriamente todo o crédito de que dispôs para fazer as reformas indispensáveis para o país sair do limbo, ficará o ressentimento de interesses ameaçados, mas nunca postos em causa, e de desigualdades sociais arbitrárias e inúteis de que não resultou maior competitividade. É este o país doente que espera a doutora Ferreira Leite e não se vê que as suas medicinas possam curá-lo.

30/05/2008

Já quase me esquecia de perguntar

A AG do Millenium bcp aprovou por maioria superior a 2/3 a proposta do Conselho Geral e de Supervisão para manter a KPMG como auditores. Serão os mesmos accionistas prejudicados durante anos pelas manobras de Jardim Gonçalves, das quais resultou a destruição maciça de valor (acções compradas a 5 euros nos aumentos de capital pouco tempo depois estavam cotadas a 3 e agora a menos de 2 euros), que aprovaram a escolha dos auditores que durante esses anos não escutaram, não viram e não falaram?

Auditors at work

29/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: tirou-me as palavras do teclado

Secção Perguntas impertinentes

Frequentemente, o doutor Mário Soares demonstra-nos que o seu pensamento político já ultrapassou o prazo de validade. Foi assim ontem, outra vez, quando perorou ao DN sobre os seus fantamas recorrentes. A este propósito, leiam-se as palavras certeiras de Camilo Lourenço no Jornal de Notícias:
«Há anos que me interrogo sobre o que leva Mário Soares a falar de questões que não domina. Ontem, a propósito das assimetrias sociais em Portugal (problema gravíssimo), Soares falou, no “DN”, sobre várias matérias: globalização, neoliberalismo, papel do Estado... Do que disse, destaco o ataque à globalização, a quem responsabiliza pelos problemas do mundo, e o apelo ao fortalecimento do Estado, a quem pede para “não entregar a riqueza aos privados” (tirada curiosa, vinda de quem iniciou a abertura da economia aos privados).

Na questão da globalização, Soares parece não saber que a queda das barreiras alfandegárias tirou da miséria mais de 150 milhões de chineses e centenas de milhões de indianos, coreanos, vietnamitas, brasileiros e mexicanos. Por outro lado, esquece-se de que foram os preços baixos, filhos da globalização, que permitiram ao mundo ter hoje acesso a coisas que, sem ela, não poderia pagar.

É impressionante como alguém a quem o País tanto deve (é também graças a si que hoje posso escrever estas linhas) assine um texto que podia ter sido parido por Hugo Chávez ou Fidel Castro.

Compreende-se que Soares queira, em nome da ala esquerda do PS, manietar Sócrates, mas para isso não precisa de fazer má figura. É que a globalização fez mais pelo combate à miséria e democratização do bem-estar, no mundo, do que todas as políticas socialistas juntas desde Marx e Engels.
»
Só faltou perguntar: onde está a riqueza criada pelo Estado que Mário Soares pede para não entregar aos «privados»?

Atribuo ao doutor Soares cinco bourbons, por continuar igual a si próprio, e três chateaubriands, por não lhe ter ocorrido a pergunta cuja resposta teria evitado alguns dislates.

28/05/2008

Milagre: Ângelo Correia teve uma revelação

“O País só olhará para o partido doutra maneira se houver um novo líder, um rosto novo, uma janela aberta sobre o País, que deixe entrar uma lufada de ar fresco. Senão continuará o mofo, o bafio, o mesmo do passado”, afirmou. Segundo disse, a mudança em Portugal “não se fará com os do costume” e “cada pessoa tem o seu tempo”. (Público)

Depois de ter apoiado (fabricado) Luís Filipe Menezes, Ângelo Correia foi visitado pela Nossa Senhora de Fátima que lhe revelou o quarto segredo.

Don't blame racism. Just go to school.


[Nearer to overcoming, May 8th 2008, The Economist print edition]

27/05/2008

CASE STUDY: sempre atrasados

Décadas depois da Europa ter abandonado o colonialismo, ainda defendiamos o «Ultramar». Décadas após a queda dos regimes de inspiração fascista na Europa, ainda tínhamos o Botas, a Mocidade Portuguesa e a Legião. Décadas depois da Europa ter abandonado as nacionalizações, estávamos a nacionalizar 30% do VAB. Décadas após o declínio dos partidos comunistas e da dissolução do esquerdismo, assistimos a um segundo fôlego do PCP e do Berloque de Esquerda.

Décadas depois dos ventos liberais terem soprado, chegaram-nos à costa umas tímidas brisas vagamente liberais que despenteiam as cabeleiras geralmente muito compostinhas dos candidatos a presidente do maior partido da oposição.

26/05/2008

Ele sabe do que fala

Segundo o Jornal de Negócios, «especuladores são os principais responsáveis pela subida do preço do petróleo» disse Georges Soros numa entrevista ao Daily Telegraph. Soros, precisamente, «the man who broke the Bank of London» numa célebre quarta-feira negra há 16 anos e que acaba de ser multado por um tribunal francês em 2 milhões de euros por insider trading.

25/05/2008

As coisas nunca estão tão más que não possam melhorar

Para calibrar a mira do (Im)pertinências e compensar o pendor jeremíaco dos últimos dias, deve dizer-se que Portugal subiu em 2008 duas posições no World Competitiveness Scoreboard do IMD.

[clicar para ampliar]

24/05/2008

DIÁRIO DE BORDO: A propósito de A Matemática das Coisas, de Nuno Crato

[daqui]

Mãezinha

A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.

28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido

desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos...
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)
Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.

Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maior sossego,
às horas em que entrava e saía do emprego.

Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.


António Gedeão / Rómulo de Carvalho, professor de liceu, investigador, pedagogo, divulgador e poeta

23/05/2008

ESTADO DE SÍTIO: as coisas nunca estão tão más que não possam piorar

Desde há pelo menos 7 anos (para não recuar até ao século XVI) que o país é o paraíso para qualquer jeremias, sobretudo para os jeremias medíocres e pouco imaginativos, visto que as coisas estão habitualmente tão pouco promissoras que se exige apenas um esforço mental evanescente para fazer constatações ou projecções pessimistas, ou mesmo catastrofistas.

Aqui no (Im)pertinências, onde se pratica um jeremismo de excelência, é sentido um vácuo de desafios. É por isso com um certo fastio que aqui se trata amiúde da confirmação que as medidas do costume, aplicadas pelos sujeitos do costume, só podem ter os resultados do costume.

Tudo isto a propósito dos Indicadores de Conjuntura do BdeP, ainda com a tinta fresca, a que nem os valorosos esforços do ministro anexo doutor Constâncio conseguem transmitir o ânimo que certamente o senhor engenheiro Sócrates espera da instituição.

Ele é o indicador coincidente mensal da actividade económica que volta a portar-se mal em Abril. Ele é o indicador coincidente mensal do consumo privado que lhe segue o exemplo. Ele é a confiança dos consumidores que continua pasmada, a confiança na indústria transformadora, na construção e no comércio a retalho que estão na mesma ou pioraram. Ele é o saldo do comércio externo que voltou a agravar-se. E não, não é só o problema dos combustíveis, porque mesmo excluindo estes as importações aumentaram mais do que as importações.

A única coisa que parece continuar a correr bem é o saque dos sujeitos passivos. O primeiro quadrimestre viu a receita de impostos directos aumentar 7,2% e a do IVA aumentar 5%. A despesa corrente primária do Estado aumentou 3,6%, mais de 1 ponto percentual acima da inflacção, evidenciando a boa saúde do monstro que o professor Cavaco recebeu dos seus antecessores, alimentou com zelo e legou aos seus sucessores. Estes, honra lhes seja feita, têm-se portado à altura da insaciável voracidade do Moloch.

22/05/2008

Pensamento do dia (2)

Vivemos cada vez mais, perseguimos a quimera do amor por toda a vida, liquidámos o casamento para toda a vida e fugimos à inevitabilidade do fim do emprego para toda a vida.

21/05/2008

BREIQUINGUE NIUZ: j'aime le béton, il a dit

Prenunciado pelo doutor Nazaré, que por seu turno, fora prenunciado pelo doutor Constâncio, «Mário Lino diz que, até aqui, se desvalorizou a importância do sector da construção no crescimento económico, na criação de emprego e no combate do défice orçamental e equilíbrio das contas públicas. E fala de "preconceito" e "interesses partidários" naqueles que invocam a sua "política de betão"

Durante décadas de salazarismo, de marcelismo, de cavaquismo, a política de betão foi vilipendiada por preconceito e interesses partidários, como todos sabemos. O doutor Lino disse ontem na Conferência da AECOPS «Jamais avec moi. Ça sufit.» e anunciou um ciclo original em que o betão vai ter o lugar que lhe compete.

19/05/2008

CASE STUDY: o nosso problema é «uma orografia complexa»

Agitou-se o ministro anexo doutor Constâncio, na sua intervenção de sexta-feira, a clamar contra as «ideias que apontam para a redução do peso do Estado» e logo o doutor Nazaré lhe faz eco esta manhã enaltecendo os méritos do investimento em obras públicas.

Ao contrário do doutor Constâncio cujo argumentário se perde na estratosfera da macroeconomia, o doutor Nazaré recorre a argumentos mais terrenos. Alguns deles parecem à primeira vista argumentos para os adversários do seu pensamento.

Exemplo deste último tipo de argumentos é a sua tese da evidente falta de resultados dos fundos comunitários torrados na formação profissional demonstrar implicitamente que o caminho a seguir é torrar outros fundos comunitários e o dinheiro dos contribuintes em auto-estradas, IPs e ICs que ninguém usa.

Para o doutor Nazaré esse investimento em vias rodoviários permitirá contornar «uma orografia complexa, uma mobilidade humana limitada e uma assimetria gritante entre o litoral e o interior, largamente ditada por séculos de isolamento geográfico». Segundo o doutor Nazaré «a admiração que alguns estrangeiros exprimem perante o descongestionamento de algumas das nossas auto-estradas é ilusória». A leitura do quadro seguinte extraído do relatório da Brisa permite perceber a admiração de alguns estrangeiros e a ilusão do doutor Nazaré, que teve a sorte de não nascer na Suiça (nem na Irlanda).

[Clicar para ampliar]

Pensamento do dia

Se um dia lhe disserem que o seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se que a Arca de Noé foi construída por amadores. Quem construiu o Titanic foram profissionais.

18/05/2008

SERVIÇO PÚBLICO: o doutor Teixeira dos Santos dá um tiro no pé

No final do ano passado a AR aprovou o Regime da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado e Demais Entidades Públicas (Lei 67/2007 de 31 de Dezembro). O diploma teve a ameaça de veto do PR, que levou a introduzir alterações no projecto inicial, e certamente terá tido o beneplácito do governo.

O novo regime, além de redefinir a responsabilidade do estado, estabelece (artigo 8.º n.º 1) que «os titulares de órgãos, funcionários e agentes são responsáveis pelos danos que resultem de acções ou omissões ilícitas, por eles cometidas com dolo ou com diligência e zelo manifestamente inferiores àqueles a que se encontravam obrigados em razão do cargo». É difícil não concordar com uma disposição que responsabiliza quem causa voluntariamente ou por incúria danos aos sujeitos passivos, vítimas do arbítrio do estado napoleónico-estalinista.

Como seria de esperar neste país de fazedores de leis «avançadas» e não aplicadas, ninguém pensou seriamente nas consequências de tal ejaculação do órgão legislativo. Passados 5 meses, perante o risco de redução do saque dos contribuintes, resultado do cagaço dos funcionários fiscais, fiéis executores da política do pague primeiro e reclame depois, , o governo pela boca do ministro das Finanças vem agora corrigir a pontaria com uma patacoada dita «à entrada de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia».

«O Estado vai de facto constituir um seguro que permite cobrir a sua [dos funcionários] responsabilidade civil extracontratual", disse hoje Fernando Teixeira dos Santos, em Bruxelas» (Público). Não explicou o ministro como pode o governo «constituir um seguro», nem como irá o governo compelir legalmente as seguradoras a praticá-lo e a subscrevê-lo, nem quem irá pagar o respectivo prémio.

Também não explicou como irá o governo fintar o quadro legal da actividade seguradora que considera «como contrários à ordem pública os contratos de seguro que garantam ... Responsabilidade criminal ou disciplinar» (artigo 192.º do Decreto-Lei n.º 94-B/98 de 17 de Abril).

16/05/2008

Their son of a bitch

Não fico espantado quando ouço o que dizem ou escrevem (os mais afoitos) adeptos do FCP, numa linha estratégica tortuosa de desculpabilização, os mais assanhados, ou de relativização, os mais envergonhados, de Pinto da Costa e dos seus pit bulls no caso Apito Dourado e nas outras trapalhadas mafiosas em que se envolveram. Afinal tratando-se dum presidente dos lampiões ou dos lagartos, uns e outros adoptariam, seguramente os primeiros, provavelmente os segundos, a mesma estratégia. Há apenas uma diferença de tom. No caso do FCP, dum tom ressabiado ridiculamente provinciano.

Espanta-me um pouco mais que luminárias liberais tripeiras afinem pelo mesmo diapasão. Ocorre-me o que se diz que o presidente Franklin D. Roosevelt terá dito em 1939 a propósito do apoio ao ditador Somoza: «he may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch». A mesma frase foi reiteradamente aplicada para justificar as cumplicidades da administração americana com muitos outros ditadores, um pouco por todo o mundo.

15/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: será a doutora Manuela Ferreira Leite o dom Sebastião do PSD?

Secção Padre Anchieta

Questionada pelo Público sobre o que pensava sobre o casamento das bichas e dos sapatões, a doutora Manuela aos costumes disse nada. Também disse nada a todas as outras questões que o Público colocou aos candidatos a presidente do PSD.

Tudo indica que a doutora Manuela, e com com ela muitos dos seus apoiantes, considera que a único atributo relevante para o candidato é o seu carácter, particularmente a sua putativa integridade, presumindo-se que a sua é inquestionável, não se podendo dizer o mesmo da dos outros, em particular do menino guerreiro.

Por este critério, se eu votasse nessas eleições, proporia a ressurreição, seguida de candidatura, de várias figuras que por esse critério mereceriam mais o meu voto do que a doutora Manuela. Por falta de tempo indico apenas o venerando professor doutor António de Oliveira Salazar, que além de ter sido incorruptível, sabia mais de Finanças Públicas e de gestão do orçamento do estado, como se viu.

Enquanto aguardo a ressurreição do venerando, ofereço à doutora Manuela mais 3 chateaubriands, pela sua convicção inabalável, e 2 bourbons pela sua inabalável convicção.

13/05/2008

Jantar - o remédio para a fome

O Clube dos Economistas vai realizar no dia 28 de Maio, quando passa mais um aniversário da revolução fassista (ou será contra-revolução?), um jantar para debater o tema "A Crise Alimentar: Suas Origens e Consequências".

Um dos oradores convidados será a Dra. Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar contra a Fome. Terá a seu cargo o catering?

Não há jantares à borla. A coisa custa 35 euros, julgo.

12/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: será o doutor Passos Coelho um liberal clandestino?

Secção Assaults of thoughts

«Os portugueses que querem uma sociedade mais estatizada, mais controlada, com uma democracia musculada podem escolher o PS. Os portugueses que querem uma sociedade mais livre, onde os cidadãos estejam no centro das atenções, onde o Estado se coloque numa posição de parceria com a sociedade, podem votar no PSD». Foi o que disse hoje o doutor Passos Coelho. Supondo que ele que quer significar o que as palavras que disse podem significar, como pôde ter sido presidente do cóio de carreiristas medíocres que é a JSD (e as outras juventudes, já agora)? Como pôde fazer um percurso e conviver sem sobressaltos com o caldo popularucho e sócio-democrata que tem sido o PSD nos últimos 20 anos (boa vontade minha)?

Não espero que o doutor Passos Coelho seja um liberal, espécie mal caracterizada e mais rara na paisagem nacional do que o lince da serra da Malcata. Espero que ao menos não sinta aquele desvelo colectivista pelo estado assistencial, omnipresente e omnipotente, desvelo endémico no PSD e, já agora, nessa criatura informe que é o CDS, e, claro, inscrito no código genético do PS.

Dois ou três talvez afonsos, se o doutor Passos Coelhos quis dizer o que tem dito, e três ou quatro talvez chateaubriands, se disse o que tem dito só para ser singular.

Qual será mais real?


10/05/2008

Est-ce qu'ils sont des pédés ou c'est juste pour épater le bourgeois?

O ministro da Cóltura brasileiro Gilberto Gil num momento íntimo com o cantor Lulu Santos (visto no perspectivas)

08/05/2008

CASE STUDY: a Eslovénia não tem um engenheiro Sócrates

Se tivesse, andaria a substituir importações. Também não tem um plano tecnológico.

Em vez disso, têm empresas como a Pipistrel que vai produzir o Taurus Electro, o primeiro avião eléctrico a ser comercializado que custará cerca de 85.000 Euros.

07/05/2008

Propostas de pós-graduação (últimas)

Uma vez mais segundo o inquérito 2008 do Guia Expresso do Estudante, as últimas (não por falta de matéria, mas por esgotamento da pachorra) «propostas» notáveis de pós-graduações, mestrados e doutoramentos.

A Faculdade de Motricidade Humana apresenta refrescantes pós-graduações como Golfe (6 meses) e Yoga - da Intervenção à Gestão (2 semestres). Quem não se fica atrás é a Escola Superior de Educação Jean Piaget de Arcozelo que nos propõe Gestão de Academias e Fitness (10 meses).

O Instituto Superior de Agronomia, perdido o seu objecto principal como o desaparecimento do último agricultor, dedica-nos pós-graduações em Arboricultura Urbana (150 horas) e Gastronomia Molecular: do Laboratório para a Cozinha (não nos diz qual a duração, mas isto é coisa para 4 semestres).

Até a Universidade Católica, outrora tão sisuda, nos proporciona na sua Faculdade de Ciências Humanas, uma pós-graduação em Educação da Afectividade e da Sexualidade (2 semestres), muito útil para a saída do armário de adolescentes com obsessões masturbatórias.

A Universidade Lusófona do Porto avança com imprescindíveis pós-graduações em Formação de Psicoterapeutas de Orientação Transpessoal (2 anos) e Mediação de Conflitos em Contexto Escolar (1 semestre).

A Universidade Portucalense Infante D. Henrique, por seu turno, oferece uma pós-graduação elitista (apenas aberta a licenciados) de 3 meses em Gestão e Administração de Condomínios.

Para quem espere que a Escola Superior de Marketing e Publicidade se dedique a pós-graduações mercantilistas e prosaicas, desiluda-se. Comunicação e Semiótica é uma das suas propostas mais estimulantes para 4 semestres.

06/05/2008

BREIQUINGUE NIUZ: a ressurreição da doutrina da substituição de importações segundo o engenheiro Sócrates

«Na cerimónia de apresentação de um novo projecto da tecnológica alemã Qimonda, realizada hoje em Vila do Conde, José Sócrates, citado pela agência Lusa salientou que "Portugal tem hoje um 'cluster' nas energias renováveis que não tinha há três anos", tendo acrescentado que o país "está agora a produzir o que antes era importado porque era demasiado sofisticado para ser feito em Portugal".» (Diário Económico)

Com 60 anos de atraso, o melhor do pensamento económico do engenheiro Sócrates ressuscitou a doutrina da substituição das importações, imaginada pela esquerdalhada que infestava a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) no princípio dos anos cinquenta, que deu um pouco por toda a América Latina os resultados conhecidos. E também por cá o marcelismo a adoptou ao colo da adesão à EFTA, com resultados obscurecidos pelas trapalhadas do PREC. Abandonada por todos, incluindo as luminárias que aconselham o presidente Lula da Silva, parece ter sido acolhida como doutrina oficial do governo (pelo menos nessa manhã).

Este soluço doutrinal foi produzido durante a inauguração da fábrica da Qimonda que fabricará células solares cujo sofisticado processo de produção não incorpora uma só patente, um módico de tecnologia gerado pelas sinapses de cientistas portugueses.

05/05/2008

Propostas de pós-graduação (3)

Sempre segundo o inquérito 2008 do Guia Expresso do Estudante, mais «propostas» de pós-graduações, mestrados e doutoramentos.

A Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, um verdadeiro alfobre, oferece-nos também um mestrado de 4 semestres em Observação e Análise da Relação Educativa, uma excelente ferramenta para interpretar vídeos sobre a disputa de telemóveis entre docentes e discentes.

A Faculdade de Economia da mesma universidade não fica atrás e propõe-nos uma pós-graduação em Sociologia - Mobilidade e Identidades que só peca pela insuficiência dos 3 trimestres previstos.

Esta universidade excede-se quando, além das citadas pós-graduações, nos oferece na sua Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais um mestrado de 4 semestres em Gestão e Manutenção de Campos de Golfe, já devidamente saudado na blogosfera como um marco nesta matéria.

Na outra extremidade do país, a Universidade do Minho apresenta um naipe de imperdíveis pós-graduções. Ele é o Design de Jeans Wear (1 semestre), ele é a Engenharia Humana (2 semestres), ele é a Modelação em Manequim (1 semestre). E vários utilissimos mestrados, como a Educação - Área de Especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária (de Natureza Profissional) ou Estudos da Criança - Área de Especialização em Associativismo e Animação Sócio-Cultural, ambos com a duração de 4 semestres.

04/05/2008

Propostas de pós-graduação (2)

Sempre segundo o inquérito 2008 do Guia Expresso do Estudante, mais algumas «propostas» notáveis de pós-graduações, mestrados e doutoramentos que nos hão-de levar ao Olimpo das qualificações.

Da Faculdade de Letras de Coimbra chega-nos o mestrado Ensino de Inglês e de outra Língua Estrangeira no Ensino Básico ou de Inglês e de Outra Língua Estrangeira no 3.º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, com uma duração de 4 semestres digna do comprimento do título. 4 semestres são certamente suficientes para um ucraniano falar um português quase perfeito mas podem não ser suficientes para um licenciado português em Línguas Modernas aprender a ensinar jovens portugueses a falar mesmo imperfeitamente Inglês ou outra Língua Estrangeira.

O mestrado Vitimização da Criança e do Adolescente, proposto pela Faculdade de Medicina de Lisboa com a duração de 4 semestres, é sem dúvida um dos mais promissores nas saídas profissionais. Esperamos ansiosamente pelo mestrado Vitimização do Adulto que resolveria o desemprego dos licenciados em Psicologia e Ciências Sociais, aos quais também é proposto a Vitimização da Criança e do Adolescente.

A Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve oferece um must em pós-graduações: Ensino de Competências Comutativas na Aula de Inglês. A «proposta» só é manchada por uma duração reduzida face às complexidades da Comutatividade que não se compadecem com uma meras 25 horas.

Amanhã pode haver mais.

03/05/2008

CASE STUDY: a realidade raramente se conforma com o dogma do politicamente correcto

A esquerdalhada em geral, e em particular as seitas do politicamente correcto e dos movimentos Elbêgêtê, têm cada um per se e todos no conjunto a capacidade de ocupar os mídia ou pelo menos servirem-se deles como suas câmaras de eco. Daí a lenda da vulgata gay, raramente posta em causa, do peso crescente que a comunidade gay teria na sociedade. Até um semanário que se leva a sério, como o Expresso, publicou nos finais de 2005 um encomiástico artigo com o título «Um milhão de portugueses são homossexuais» (aqui citado).

Acontece que os factos conhecidos não parecem confirmar as estatísticas de causas propaladas pelo jornalismo de causas. É o caso do Inquérito Saúde e Sexualidade (2007) do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, citado pelo Público, que abrange uma amostra substancialmente superior à dimensão habitual neste tipo de estudos (3.643 entrevistas, contra 1.980 indivíduos na sondagem citada pelo Expresso).

Segundo o inquérito, apenas 3,7% dos homens e 3,9% das mulheres se definia como homo, bi ou «outra» (sexo com animais?). Percentagens que pouco diferiam dos que confessaram ter tido relações homo no último ano: 3% dos homens e 3,4% das mulheres. Sendo conhecidas as práticas sexuais standard nestes grupos, se a pergunta se referisse às relações homo nos últimos 5 anos as percentagens não deveriam diferir significativamente.

O pior está para vir: 78,4% dos homens e 63,6% desaprovam as relações homossexuais. Uma das autoras do inquérito, a doutora Sofia Aboim, extrai daí a conclusão abusiva que «Portugal ainda é um país homofóbico», fazendo equivaler o juízo moral sobre a homossexualidade à vontade da sua proibição, à boa maneira das milícias do politicamente correcto que mal disfarçam o desejo de proibir as opiniões heréticas.

02/05/2008

Propostas de pós-graduação (1)

Segundo o inquérito 2008 do Guia Expresso do Estudante, a oferta de pós-graduações, mestrados e doutoramentos atinge a pantagruélica cifra de 1.500 «propostas» no ensino público e privado, universitário e politécnico.

Atinge-se um índice de 15 «propostas» de pós-graduação por 100.000 habitantes (o facto deste índice ser possivelmente idiota torna-o bastante apropriado para o efeito). Se não temos gente qualificada não será por falta de «propostas».

É difícil destacar algumas, mas vou tentar.

O mestrado da Universidade Aberta de Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares, coisa para 4 semestres, é algo aliciante para um jovem licenciado aprender a arrumar os 132 livros da escola C+S da Amareleja.

Outro mestrado imperdível da Universidade de Coimbra é Lazer e Desenvolvimento Local, obra de 3 semestres que deixarão os mestrando preparadíssimos para organizar excursões promovidas pela câmara de Condeixa-a-Nova.

A Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra propõe uma pós-graduação de duração indeterminada em Consentimento Informado, como área de especialização do Direito da Medicina. Nada mais útil para o graduando estar apto a explicar aos sexagenários os benefícios duma ecografia prostática.

Amanhã há mais.

01/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: atraso irremediável e razão antes de tempo

Secção Óbvio Ululante

«"Os governos PSD/PP nada mudaram em relação aos anteriores governos de Guterres” e mostraram “total incapacidade de fazer a reforma da Administração Pública, que nem sequer foi enunciada”. “Estes senhores [o actual Governo do PS] pelo menos enunciaram-na». O que se fez foi “contabilidade criativa” e “martelar os défices”. ... a situação do País “não se transforma com a visão contabilística”.»

É difícil não estar de acordo com o que disse ontem o engenheiro Mira Amaral, numa sessão de promoção da candidatura do doutor Passos Coelho, com um atraso de meia dúzia de anos, a respeito do papel da doutora Manuela Ferreira Leite como superministra do governo do doutor José Barroso.

É ainda mais difícil não estar de acordo, em princípio, com o candidato quando disse «para mudar Portugal, não é preciso andar rodeado de amigos, “basta escolher os melhores”». Em princípio, sublinho em princípio, porque no fim a coisa é bem mais complicada. É preciso saber se o eleitorado, composto por sujeitos passivos, membros do partido do estado, funcionários públicos, aposentados, e outros, pretende mudar Portugal. É também conveniente saber se os melhores estão disponíveis para ser escolhidos pelos medíocres.

Na dúvida, atribuo 3 chateaubriands ao engenheiro Miral Amaral pelo atraso e dois afonsos (à consignação) ao doutor Passos Coelho pelo pensamento arrojado.