Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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01/06/2026

Crónica da passagem de um governo (52a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… lançar os concursos para a concessão de exploração do lítio, há dez anos a serem estudados?

O Dr. Passos Coelho tem razão. Um político não deve ser um “prostituto sem carácter

É por isso que o Dr. Passos Coelho deveria ter concorrido à eleição deste fim de semana para escolher o líder do PSD em alternativa a deixar o Dr. Ventura saltar-lhe para o colo.

O Dr. Montenegro também tem razão. Governar é uma maratona

É por isso que há profissionais que correm a maratona em duas horas e amadores que precisam de quatro horas e até há quem faça um passeio durante a prova e nunca termine.

.. e ao km 10 está a alcançar o pior dos dois mundos: não toma medidas impopulares e fica impopular…

A sondagem do Barómetro da Aximage para o DN já mostrava a queda do PSD e dias depois a sondagem Expresso/SIC confirmava que o PS tem mais quatro pontos percentuais de intenções de voto do que a AD e a direita perdeu a maioria, também porque o PUAV (Partido Unipessoal do Dr. Ventura) perdeu cinco pontos percentuais o que prenuncia o megafone do Dr. Ventura a subir os decibéis e a ajustar a pauta ao que ele imagina está nas meninges dos que ele imagina constituem o seu eleitorado.

O pior de tudo para o Dr. Montenegro é que a sua avaliação é negativa e até desceu nos simpatizantes do PSD, os quais, ainda assim, lhe deram nas eleições para presidente uma maioria africana de 95%. Pelo menos esses parecem felizes.

Mais tentáculos do polvo socialista “imergiram” e, uma vez mais o ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor

Continuando a tradição criativa de baptizar as operações, desta vez a Judiciária chamou “imergente” à operação em que investiga e detém por suspeita de «crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia», cinco quadros do PS e entre eles Duarte Moral, diretor de comunicação do Dr. Carneiro, e a sua (do Dr. Moral) mulher, envolvendo contratos no total de 2 milhões incluindo com uma empresa do próprio Dr. Moral. Por não inesperada coincidência, o Dr. Moral, já havia sido assessor do Dr. Costa quando este presidiu à Câmara de Lisboa.

Dois dias antes da “imergência” do caso do Dr. Moral, a mesma Judiciária fez buscas na empresa Águas de Gaia, no âmbito da operação "Águas Turvas" (lá está, a Judite no seu melhor) que envolve a gestão do ex-presidente socialista Eduardo Vítor Rodrigues que perdeu o mandato no ano passado condenado peculato e também a gestão do Dr. Filipe Menezes do PSD (lá está, o Bloco Central a funcionar)

Take Another Plan. Por falar em polvo, a TAP é um operador verdadeiramente internacional

Já sabíamos há muito que, pela mão do Dr. Lacerda Machado, o “melhor amigo de sempre” do Dr. Costa, que esteve envolvido no SIRESP, na compra dos helicópteros Kamov, na reversão da privatização da TAP, na resolução do caso dos lesados do BES, no acordo do CaixaBank com Isabel dos Santos, no caso dos lesados do Banif e na tentativa de solução do crédito malparado da banca, a TAP comprou a VEM que o Dr. Lacerda Machado disse o ano passado no parlamento foi o melhor "negócio dos últimos 50 anos".

Ficámos agora a saber que entre 2015 e 2023 dois funcionários da TAP e um da venezuelana Plus Ultra, estão envolvidos num caso que envolve também o Dr. Zapatero (lá está, a solidariedade socialista) de um esquema de furto de peças à TAP e a várias companhias de aviação portuguesas que lhes rendeu quase 8 milhões de euros de vendas a vários operadores, incluindo a TAP (fonte).

(Continua)

27/02/2024

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (208) - Mais do que vergonha

Público

Mais do que vergonha, é estupidez porque (1) admitem a decomposição em que deixam o Estado sucial que ocuparam durante oito anos, (2) por isso julgam necessário encontrar um culpado e (3) não encontram ninguém mais à mão do que uma criatura há anos retirada da política - ainda assim, vá lá, não apontaram o Botas ou o Dr. Marcelo (o padrinho do que está em Belém).

É também um insulto à inteligência dos eleitores que não são estúpidos.

19/01/2024

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (206) - Não é por acaso que um partido como o PS está bem colocado para governar um país como Portugal

«O Partido Socialista é, cada vez mais, o partido do regime. (...) não é partido do regime quem quer e só porque quer. É também preciso que o deixem ser.

O grande sonho do PS consiste em transformar-se numa espécie de PRI mexicano, o Partido Revolucionário Institucional! Só o nome é um programa! Único na história a juntar, na mesma designação, revolução e instituição! O PS conseguiu meter tudo dentro. Do liberalismo ao socialismo, passando pelo corporativismo. Tanto ajuda, apoia, subsidia e controla a economia privada como a empresa pública. Foi o maior obreiro da Constituição, mas também o seu mais importante revisor ou revisionista. Dentro de si cabem todos. Há lugar para todos e acredita em tudo, desde que esteja no poder e que os seus dirigentes desempenhem as primeiras funções.

Na verdade, dentro do PS, há de tudo. Santos e demónios. Polícias e ladrões. Virtuosos e bandidos. Maçons e católicos. Rigorosos e trafulhas. Por isso se sucedem a si próprios, por isso se alternam. Neste PS, está o público e o privado. O nacional e o estrangeiro. O judeu e o palestino. O americano e o russo. Guterres e Sócrates. Costa e Santos. Tudo cabe no PS que consegue sempre mudar de pele sem mudar de corpo. Melhor ainda, o PS é capaz de criticar, com aparente inocência, o que está mal no país  e não corre bem por sua própria responsabilidade. Com enorme sentido da oportunidade, faz o mal e a caramunha.

Sempre o PS teve uma predilecção pelos serviços públicos. É o seu melhor lado, a sua primordial inspiração. Acontece que é crente, mas não praticante. O estado actual em que se encontram muitos serviços púbicos faz-nos pensar em ciclos de bancarrota ou situações depois de catástrofe natural. As cidades são esvaziadas, é o termo, dos seus habitantes tradicionais. (...)

Tiveram tantas políticas económicas, agrícolas e industriais, quanto os ministros que nomearam e não foram poucos. Com igual firmeza, foram centralistas, descentralizadores e regionalistas. Construíram incansavelmente o Serviço Nacional de Saúde, que estão em vias de destruir ou deixar decair com cuidadosa minúcia. Tiveram várias políticas de educação, ao sabor dos ministros, com cujas ideias, as boas e as más, navegaram alegremente. Foram campeões do endividamento e brilharam pelo modo como reduziram o mesmo. Levaram o país à bancarrota e pediram assistência financeira internacional. Quando havia recursos, gastaram tudo o que havia para gastar e foram, depois, autores dos primeiros grandes programas de austeridade. Defendem a abertura de fronteiras, são tolerantes e amigos dos imigrantes, mas os seus governos são os que mais permitiram o desenvolvimento do tráfego de mão-de-obra ilegal e a sobre-exploração de trabalhadores estrangeiros. (...)

Nem sempre é mau haver um partido de regime. Ou antes, um partido de regime não tem só más consequências. (...)  Mas também tiveram péssimas consequências políticas e sociais, sem falar na corrupção a pior chaga dos partidos de regime. Na verdade, a constituição de uma “grande família” de regime e partido é muito negativa para as liberdades e a honestidade. E tenhamos consciência de que, em democracia, um partido destes é assim porque os votos querem e os outros o deixam ser.»

 António Barreto (no Público, texto também disponível no seu blogue)

17/11/2023

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (205) - Começo a suspeitar que esse silêncio se deve à escassez de gente honrada


«Qualquer outro partido que fizesse metade, um terço destas patifarias e trapalhices, já teria sido engolido vivo. O Partido Socialista, o seu corpus e a sua ideologia esparsa e difusa, tanto é de esquerda como de centro como não é nada a não ser a favor da sobrevivência política e pessoal, possui uma resistência aos escândalos e desaires que os outros partidos não têm. António Costa é o perfeito exemplar deste estado de coisas. Passos Coelho foi crucificado por muito menos. O PS sobreviveu ao escândalo da Casa Pia, a única vez que correu perigo sério e em que atiraram a matar para destruir o partido e seus dirigentes, sobreviveu à demissão de Guterres, e fuga, sobreviveu ao escândalo de Sócrates, único na história de democracia portuguesa, sobreviveu aos erros e horrores da pandemia (que não foi o sucesso imputado a Costa, que a certa altura estava mais interessado em trazer para Portugal um campeonato de futebol do que no confinamento, chamando a isto um “prémio” aos médicos e trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde — a mais asinina frase da democracia portuguesa) e sobreviveu aos escândalos deste Governo. Pedrógão, Tancos, negócios corruptos da Defesa, o transfronteiriço de outro nomeado de Costa com cadáveres no armário, e as guerras com os professores e os médicos. Fora o resto. A pouco e pouco, por inércia, incompetência e arrogância do Governo, vimos esboroarem-se o SNS e a educação pública.

Ora nada disto faz parar o PS para pensar. O PS julga-se o único partido competente e inteligente para governar a pátria, e acha-se o destinatário de um direito divino. O PS comporta-se como uma monarquia, com famílias reais, uma aristocracia que não renuncia aos privilégios, uma corte de serventes e serviçais, e direitos dinásticos. O mote real é “Habituem-se!”. A insígnia é “contra tudo e contra todos”.

São socialistas e basta, o título sugere uma supremacia moral. Este PS não aceita pactos de regime, usa a direita ou a esquerda conforme lhe convém para se manter à tona. E acha-se a única garantia contra o Chega e a ameaça corporizada em André Ventura. Na verdade, usa Ventura como o papão da democracia, tal como usara Passos Coelho como o papão da austeridade e da justiça social.

Com o mestre da sobrevivência António Costa, todas estas características se acentuaram, agravadas pelo facto de o pessoal político se ter desqualificado. A aristocracia dos tempos da fundação era agora um corpo de videirinhos e trepadores sociais, com raras exceções. A prova disto é que em Portugal a única coisa que se discute é dinheiro, ou a falta dele.»

Um fraco rei, Clara Ferreira Alves

20/11/2022

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (202) - À justiça o que é da justiça, mas quem se mete com o PS, leva

 «Foi também assim quando em 2003 o então Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusou o deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso, no âmbito do processo Casa Pia. De imediato o PS passou a apresentar-se como vítima de uma cabala. Os mais de 100 rapazes e raparigas que se estima terem sido vítimas de abusos passaram rapidamente para segundo plano, com os incidentes processuais a dominarem as discussões. (Entre os vários incidentes processuais houve um que teve por base a inclusão pelo Ministério Público de cartas anónimas no processo. Era então tese dominante em Portugal que tal inclusão violava o Código do Processo Penal e que estas cartas deviam ter o caixote do lixo como destino. Face ao entusiasmo presente com as denúncias anónimas no caso dos abusos praticados por sacerdotes católicos presumo que a jurisprudência do caixote do lixo passou à História.)

Catalina Pestana, que fora nomeada provedora para recuperar a Casa Pia no meio de tal tormenta, passou de personalidade admirada e respeitada a pouco menos que odiosa porque nunca deixou de denunciar o papel desempenhado nesses abusos ou no seu encobrimento por personalidades com poder político nomeadamente da área socialista. E o Procurador-geral da República que chegou a ser ameaçado de demissão (por causa das declarações de uma sua assessora de imprensa!) acabou isolado e denegrido.»

Helena Matos no Observado

23/02/2022

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (201) - Um regedor socialista e a doutrina Somoza

A estória é a de um presidente socialista de junta que se opõe indignado às filmagens na sua freguesia (Santa Maria Maior) de uma produção da Netflix, não obstante a câmara municipal de Lisboa ter uma comissão para promover filmagens em Lisboa que teve um certo sucesso ao autorizar até agora mais de milhar de pedidos para filmar, dos quais 119 na freguesia dessa criatura, sem ao que saiba nenhum protesto.

O que mudou agora?, questiona-se Helena Matos, admitindo um caso de «demência socialista». Não me parece, a começar porque os socialistas não sofrem de demência socialista. Eles sabem muito bem o que querem e o que não querem e o que fazer para o atingir ou para o evitar, respectivamente. 

Neste caso, para o regedor em causa, estas filmagens não têm nada a ver com as anteriores promovidas pela vereação do Dr. Costa e do seu delfim Dr. Medina, putativo futuro ministro das Finanças. E esse é o quid. Estas filmagens são promovidas pela vereação de Carlos Moedas a quem não se aplica a doutrina Somoza, por não ser obviamente their son of a bitch.

12/02/2022

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (200) - O combate à corrupção tem sido minado pelo PS

«Em resumo, é todo o edifício do combate à corrupção que tem sido minado pelo PS ao longo dos anos e que agora fica mais claramente comprometido com a maioria absoluta, nomeadamente quando abunda o dinheiro a chegar da União Europeia e quando todas as promessas de transparência são cuidadosamente esquecidas. Também a justificação dada para a morosidade da Justiça, que resultaria dos megaprocessos, não colhe, dado que os mesmos atrasos acontecem em processos de menor dimensão, como seja o processo das golas que ardem, ou dos inúmeros pequenos casos de políticos e das suas famílias acusados de realizarem rendosos negócios com o Estado. Para António Costa, pensando provavelmente no caso do SIRESP, basta afirmar que à justiça o que é da justiça e à política o que é da política, para que o problema político da corrupção fique resolvido. Certo, de que os gabinetes de advogados assumirão o resto da tarefa de usar todos os truques do arsenal jurídico para evitar, ou adiar, as mais que prováveis condenações. (...)

Muitos eleitores votaram no PS na expectativa de que o partido, liberto das imposições do PCP e do Bloco de Esquerda, retomará o caminho da governação sensata dos tempos de Mário Soares. Enganam-se, porque se é verdade que os partidos podem mudar, os seus dirigentes fazem-no raramente e no PS os herdeiros de António Guterres e de José Sócrates não mudam nunca. Arrisco-me por isso a afirmar que vamos ter na próxima legislatura mais Estado e menos liberdade, mais impostos e mais taxas e menos concorrência, mais escolhas de quadros por amiguismo e menos por critérios de mérito, mais corrupção e menos transparência.

No PS impera o tradicional culto da amizade, que as sucessivas visitas à prisão de Évora contribuíram para celebrizar. Por isso os empresários que se cuidem, o Estado socialista não só não entende que não precisem do Estado, como não lhes tolera os lucros. Os ideais do Bloco de Esquerda e do PCP continuarão bem vivos na governação Socialista, na TAP, na fuga à concorrência, nos casos da ferrovia e dos transportes públicos. Ou nas combinações secretas sobre o hidrogénio, a acrescentar a duas décadas de colossais favores feitos pelo Estado aos afilhados do PS na energia. Para trás, ficou a industrialização do país, o crescimento das exportações e o investimento, nomeadamente o investimento na indústria.»

Excerto de Qual o futuro da nova maioria absoluta?, um artigo de Henrique Neto, um homem com um passado insuspeito que conhece bem o PS, de que foi militante até à sua saída em 2009 em ruptura com o animal feroz

27/11/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (199) - À boleia das bodycams, o Dr. Costa a querer ser o Sr. Xi da Jangada de Pedra

«Como se não houvesse já um abuso generalizado da recolha de imagens no espaço público e a absoluta ausência de verificação da legalidade dos sistemas (graças à diluição de competências da autoridade responsável), o Governo demissionário quis criar uma verdadeira sociedade controlada, à boa imagem da ditadura chinesa. Para isso tentou passar uma lei absolutamente abusiva que só se alterou na especialidade graças à quantidade de pareceres humilhantes que recebeu. Mas fica o registo da tentativa – e da aceitação acéfala – que a maioria dos deputados fez deste projeto que dava às forças de segurança o controlo de um dos melhores mecanismos para minar a democracia e as liberdades individuais.

O projeto foi reduzido à utilização de imagens recolhidas por drones e por agentes da autoridade no exercício de funções. Mas a verdade é que o número de câmaras no espaço público cresce sem controlo e pouco ou nada se sabe sobre a forma como os registos são armazenados – e esta lei, que agora foi aprovada, vem simplesmente agravar o problema. O texto é propositadamente ambíguo, para permitir interpretações que conduzam facilmente ao abuso das liberdades. (...)

Mas a lei original, que passou no Parlamento, era muito pior. A lei original tornava todo e qualquer espaço público alvo de videovigilância, sem respeito pelas liberdades individuais nem proteção dos cidadãos. Pior, permitia a que se usasse inteligência artificial e se fizesse a recolha de dados biométricos. (...)

Toda a discussão foi feita em tempo recorde, com desprezo absoluto pelos princípios democráticos. (...)

É difícil saber se os deputados deixaram passar este monumento à ditadura por absoluta ignorância ou por influência de um qualquer lobby securitário liderado por um ministério da Administração Interna que vê ameaças onde elas não existem. (...)»

António Costa, o inesperado big brother, Diogo Queiroz de Andrade no Jornal Eco

NOTA: Na verdade este episódio é principalmente vergonhoso para o PS (exceptuando Cláudia Santos e Isabel Moreira que votaram contra), cujo governo apresentou o projecto de lei. Mas não exclusivamente, porque, além das duas deputadas PS, só votaram contra a aprovação na generalidade BE, PCP, PEV e IL  (ver Projeto de Resolução 119/XIV/1), uma votação que é um exemplo das limitações da visão unidimensional esquerda-direita.

12/10/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (198) - Será mais do mesmo. Nunca deu certo e desta vez não vai ser diferente

[Este post é uma espécie de continuação de Será mais do mesmo. Nunca deu certo e desta vez não vai ser diferente na Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa de ontem]

«Há já alguns meses que assistimos às primeiras iniciativas ditas do PRR, Plano de Recuperação e Resiliência. Já se pode confirmar que se trata do maior plano de despesa da história do país. E já foi possível verificar que aqueles fundos ou são gastos directamente pelo governo, ou investidos de acordo com os planos do governo, ou distribuídos pelo governo. A decisão, a iniciativa e a acção pertencem ao governo. Como se sabe que o Estado não tem actualmente competência técnica e científica suficiente, vai necessitar dos contributos empenhados e muito bem pagos de empresas nacionais e estrangeiras, de faculdades e universidades, de laboratórios e organizações que, no conjunto, ficarão dependentes do governo. O sector público e o Estado crescem com este plano. Os sectores privados, civis e académicos, científicos e culturais, ficarão muito mais dependentes do governo. A convicção de que um membro do governo, um director da Administração, um funcionário público ou um encarregado de missão das autoridades, só por serem do sector público, são mais competentes, mais leais, mais sérios, mais produtivos, mais responsáveis e mais honestos, é eterna no PS. A certeza de que os funcionários públicos e os organismos do Estado, assim como os membros do governo, são mais capazes de criar emprego, investir, produzir, gerir e organizar, é inabalável.»

Excerto da Grande Angular - Um apetite insaciável de António Barreto

21/09/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (197) - A omertà no PS

«Se a relação pessoal e mental do PS com o mundo das empresas é escassa e por vezes conflituosa, o mesmo se passa com a sua relação com as questões da fé e da igreja. As chamadas causas fracturantes afastaram o PS da sua moderação em relação ao catolicismo. Hoje em dia, é difícil perceber a diferença entre BE e PS nesta matéria. O politicamente correto é cada vez mais intrusivo, hegemónico e, já agora, pouco preocupado com a liberdade.

Ora, nas reacções à morte de Jorge Sampaio, ficaram evidentes as diferenças: o PS antigo tinha traços de liberdade e pluralismo que o PS actual desconhece. Por exemplo, o PS de Soares e Sampaio era poroso em relação ao mundo das empresas e à sociedade civil, porque tinha uma forte relação com a advocacia. A elite socialista trabalhava no mundo do Direito, quer nas universidades, quer nos escritórios de advogados. Não dependiam de cargos de nomeação política. Eram senhores, não boys. Por outro lado, o PS era poroso em relação ao mundo católico devido à intimidade com os católicos progressistas. Onde está essa proximidade e tolerância hoje em dia?

Lamento, mas o PS de hoje é cada vez mais uma seita fechada agarrada ao poder sem porosidade com o exterior até nas suas relações pessoais. Comporta-se mesmo como uma seita. Quando um dos seus membros comete uma óbvia infração pública, como José Magalhães, os outros calam-se. Há uma omertà no PS.»

O PS de Sampaio e Soares ainda existe?, Henrique Raposo

04/08/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (196) - Nepotismo e altruísmo na grande família socialista

«Como refiro, no “Manual de Gestão de Empresas Familiares”, que publiquei recentemente, as ações de nepotismo e altruísmo estão presentes, com grande frequência, nestas empresas.

No exercício de ações de nepotismo, os acionistas familiares impõem membros da família, sem os conhecimentos e qualificações adequadas, para lugares de direção e administração das suas empresas.

Na adoção de ações de altruísmo, os acionistas e administradores familiares admitem para os quadros das suas empresas, numa postura quasi caritativa, membros da família, claramente incapazes de executarem com eficiência e qualidade as funções que lhes são atribuídas.

Ambas as situações, que negam princípios de meritocracia na seleção e admissão de quadros para estas empresas, produzem danos relevantes nas mesmas e estão na base de muitos insucessos.

Nos casos em que as administrações das empresas familiares são compostas exclusivamente por membros da família, a destruição de valor, originada pelas ações de nepotismo e altruísmo, aumenta exponencialmente.

À semelhança do exercício de teoria comparada, que realizei no meu livro, entre as empresas familiares e as alianças estratégicas, proponho um exercício semelhante para a situação atual da família socialista, na sua relação com as entidades públicas.

Esta família considera ser proprietária do Estado, onde se incluem todas as entidades públicas, pelo que desenvolve, à semelhança do que ocorre nas empresas familiares, ações de nepotismo e altruísmo.
Neste exercício de teoria comparada, o Partido Socialista é o acionista familiar, o Conselho de Ministros o conselho de família, e a Cresap o gestor do protocolo de família.

Com o beneplácito da Cresap, a família socialista, numa aproximação de nepotismo, impõe os seus militantes para a direção e administração de todos os órgãos públicos.

Com a cumplicidade destes dirigentes, admitidos desta forma, a família socialista desenvolve ações de altruísmo, admitindo para os vários organismos públicos, militantes socialistas, sem a adequada preparação técnica e profissional.

A família socialista açoriana é o expoente máximo desta aproximação.

Estas ações de nepotismo e altruísmo, da família socialista, no poder há dezenas de anos, explicam o atraso estrutural e a pobreza do nosso país.

Dir-me-ão que o mesmo aconteceu, na família social-democrata, a que pertenço.

É verdade. Infelizmente.

Mas em muito menor extensão. Felizmente.»

Nepotismo e altruísmo, Luís Todo Bom no Expresso 

14/06/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (195) - Talvez o silêncio resulte de já não haver gente honrada no PS

A comunicação pela câmara de Lisboa dos dados pessoais de organizadores de várias manifestações de protesto às embaixadas dos países a cujos regimes autocráticos as manifestações eram dirigidas incluíram Venezuela e Rússia e conseguiram ao PS, que ocupa ininterruptamente a câmara de Lisboa há 14 (catorze) anos, uma atenção dos mídia internacionais infrequente, por exemplo: 

E o que fazem o Dr. Medina e o seu padrinho Dr. Costa? Ambos lavam as mãos.

O Dr Medina leva a desvergonha ao limite comparando em entrevista à RTP a manif contra o regime putinesco com a manif de estudantes contra o governo de Cavaco Silva em que participou na adolescência e desencava uma manobra de diversão para estúpidos promovendo uma inauguração do Parque Gonçalo Ribeiro Telles que só estará pronto no próximo ano.

O Dr. Costa faz-se de morto durante vários dias e tenta matar o assunto com um «não vejo como possa haver responsabilidade política de algo que não passa do balcão da Câmara de Lisboa», declaração que seria comparável ao professor Marcelo Caetano, questionado sobre as informações sobre cidadãos portugueses arquivadas na Rua António Maria Cardoso, responder «não vejo como possa haver responsabilidade política de algo que não passa dos arquivos da DGS».

19/05/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (194) - O modelo de gestão Jota

«Somos o único país europeu “gerido” por uma classe sui generis, única no mundo ocidental. O nosso Governo e os cargos de liderança técnica da administração e empresas públicas são ocupados por indivíduos vindos da política, principalmente da Juventude Socialista, sem qualquer experiência profissional nos privados, onde seria preciso apresentar resultados e aproveitar oportunidades. Tais “jotas” não têm capacidades nem técnicas, nem de gestão, se não para trocarem votos internos como forma de vida e autopromoverem-se comentando-se a si próprios nas TVs e nos jornais intimidados ou subornados com dinheiro do Etado. Políticos que são notícia e, simultaneamente, a comentarem eles próprios a notícia, é caso caricato e único na Europa.  Só assim é possível disfarçar que o pensamento “estratégico” destes “dirigentes” vindos da Juventude Socialista consiste em não pensarem em nada, mas imitarem e dizerem sim a tudo o que políticos seniores, igualmente mentirosos e incompetentes, como Sócrates, Vara, Costa ou Cabrita lhes ensinam. É o modelo de gestão “Jota”.»

A TAP nem a lista verde britânica aproveita, Pedro Caetano vive em Londres e escreve sobre o modelo de gestão Jota, a propósito da TAP mas poderia ser sobre outra qualquer empresa do complexo político-empresarial socialista.

21/01/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (193) - Da bancarrota financeira à bancarrota moral

«Olhe-se apenas para a vergonha que estamos a passar na Europa por causa do inconcebível caso José Guerra. As notícias falam por si. "Metade do Parlamento Europeu contesta nomeação de José Guerra". "No Parlamento Europeu, PPE, Liberais e Verdes acusam o governo de António Costa de tentar corromper o Estado de Direito". E há mais. Assim de repente e sem esforço de memória, aqui ficam mais alguns casos só dos últimos meses: magistrados e PJ a vigiar jornalistas, o caso SEF e a inconcebível proteção de Cabrita, o desnorte da CNE. Há mais, mas não quero deixar o leitor atordoado. E, se recuássemos até 2015, com Tancos pelo meio, os casos ocupariam uma edição inteira deste jornal. O histórico é brutal e diz-nos que a inação por compadrio e a ação por nepotismo do PS está a destruir a própria dignidade do Estado. O PS levou o Estado à bancarrota financeira. O PS, através destes sucessivos casos, está a levar o Estado à bancarrota moral.»

O PS está a destruir o Estado, Henrique Raposo no Expresso

09/01/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (192) / Lost in translation (345) - Governo podia ter escolhido quem bem entendesse, disse o do Dr. Costa


«A quem compete designar o procurador na procuradoria europeia? Ao Governo. E o Governo podia ter escolhido quem bem entendesse.» perguntou e respondeu a si próprio o Dr. Costa no parlamento a propósito da nomeação do Dr. José Guerra.

Em vista das regras próprias para esta nomeação que foram ignoradas pelo governo, tive dificuldade em perceber o Dr. Costa e submeti a sua declaração ao nosso tradutor automático (um web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data). Eis o resultado.

Só lembraria ao diabo nomear para uma procuradoria que tem por missão fiscalizar a aplicação dos fundos, que o governo pretender torrar como muito bem entender, uma criatura que não fosse da minha máxima confiança. Ora o Dr. Guerra começa por ser irmão de dois outros Drs. Guerra, a saber:

  • «o procurador do caso Casa Pia a quem (eu disse) que era preciso ligar com urgência a ver se se conseguia evitar a prisão iminente de Paulo Pedroso»
  • «o presidente do Instituto de Conservação da Natureza no tempo em que este torceu pareceres para viabilizar o Freeport».

Acresce que o nomeado Dr. Guerra «trabalhou no Eurojust sob a liderança de José Lopes da Mota, que por acaso integra hoje o gabinete de Francisca Van Dunem apesar de ter sido condenado a uma pena de suspensão de 30 dias por ter pressionado os procuradores do Ministério Público que estavam a investigar, olha a coincidência, o Freeport e José Sócrates»

Ora, quem mais além do Dr. José Guerra poderia ser nomeado pelo meu governo? Só se fosse algum dos seus irmãos, mas estavam já colocados em lugares da minha confiança.

Nota: suspeito que o web bot leu o artigo de José Manuel Fernandes sobre este assunto. Percebo. Afinal é um web bot de AI e pode escolher ler quem muito bem entenda.

11/07/2020

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (191) - O algodão não engana. Isto é o socialismo lusitano

O Montepio, petit nom da Associação Mutualista Montepio, que tem no seu bojo a Fundação Montepio, o banco Caixa Económica Montepio Geral e a SGPS Montepio Seguros que detém a Lusitania, a Lusitania Vida e a Futuro (pensões), entre outras, é talvez a instituição portuguesa mais ocupada pelo aparelho socialista. Fizeram-se lá durante anos e ainda hoje, impunemente e com o apoio e participação de proeminentes luminárias socialistas, as maiores violações à lei, à ética empresarial e aos princípios e boas práticas de gestão.

Ao fim de muitos anos e muitos escândalos, Tomás Correia, uma espécie de dom Corleone de serviço ao mutualismo (ver este historial), foi finalmente deixado cair e procura-se agora um substituto. O nome mais recente em cima da mesa é o de Luís Campos e Cunha, que teve a insensatez de aceitar ser ministro das Finanças de Sócrates e a coragem e o bom-senso de sair do comboio em andamento quando percebeu o que lá se iria passar, dando lugar a Teixeira dos Santos, um executor manso e acomodado, que só dissidiu a pouco dias de não haver dinheiro para pagar os salários dos funcionários públicos   

Trilema de Žižek
O Dr. Campos e Cunha foi agora "indigitado" nas páginas dos jornais «como o rosto de uma alternativa à atual administração do Montepio». Inevitavelmente é um socialista - o outro contribuinte fez-lhe o teste que se revelou positivo - que tem a seu favor algumas atenuantes, ou seja é bom no género mau. Se não tivesse sido feito esse teste, quando fez saber em resposta à sua "indigitação" que «só avançaria com apoio do poder político», confirmou sem margem para dúvidas a autenticidade do seu socialismo e o processo em curso no Montepio confirma o ADN deste socialismo de compadres.

07/07/2020

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (190) - No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito


«O PS não é só um partido, é uma máquina voraz com uma insaciável vocação de poder; não surpreende, portanto, que seja o elevador social preferido de alguns que, em circunstâncias normais, nunca passariam do rés-do-chão. Colonizar o Estado com os seus, como aqui sinalizei, é a primeira coisa que o PS faz quando chega ao poder; não só para satisfazer as vastas e fiéis clientelas, como alguns mais incautos podem pensar, mas para eliminar qualquer espécie de atrito ou necessidade de prestação de contas e de contraditório. E é nessa mesma linha que, na primeira oportunidade que tem, se vê livre das vozes e poderes mais incómodos, como procura fazer com a comunicação social e como fez com Joana Marques Vidal.»

Não há anjos em São Bento, Pedro Gomes Sanches no Observador

Um dos exemplos da voracidade do PS e do seu controlo sobre os mídia é a participação no comentário político de dirigentes partidários no activo e ocupando lugares públicos. É uma situação que em qualquer país civilizado não teria lugar. É verdade que quase todos os partidos o fazem, mas com o PS as coisas assumem proporções escandalosas, como no caso de Fernando Medina, o presidente da câmara de Lisboa onde sucedeu a António Costa e de quem se diz lhe sucederá na liderança do PS. A exemplo de Costa, a quem Pacheco Pereira ofereceu um palco no seu programa Quadratura do Círculo para minar a liderança de António Seguro, Medina dispõe de um púlpito na TVI24 onde faz comentário político.

Além da TVI24, Fernando Medina faz igualmente comentário político num programa de debate da Rádio Renascença onde ele e João Taborda da Gama, filho de Jaime Gama (cá está, outra vez, a grande família socialista), simulam confrontar-se. Apesar de se dizer próximo do CDS, João Taborda da Gama parece estar quase sempre de acordo com Medina. Poderia ser mera coincidência, não fosse o caso de Gama ter dois contratos de assessoria jurídica com a câmara de Lisboa, de nomeação directa, pelos quais factura uma bela soma de 17 mil euros por mês.