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08/05/2015

Mitos (195) – O contrário do dogma do aquecimento global (V)

Continuação de (I), (II), (III) e (IV)

LEMA: O contrário do dogma do aquecimento global não é o dogma do não aquecimento global. É a dúvida sistemática sobre a evolução do clima e dos factores que a condicionam.

Pode ser o aquecimento global, pode ser o arrefecimento global, pode ser o ciclo das manchas solares, podem ser alterações do campo magnético, pode ser uma alteração do eixo terrestre, pode ser qualquer coisa induzida pelas actividades humanas. Ou não.

Evidentemente que o jornalismo de causas também pratica a ciência de causas, o que se aceita como religião, digamos. Como religião, o jornalismo de causas ainda está na fase pré-Galileu sem saber que que a Terra e pur se muove. Daí escrever coisas disparatadas como «a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiu um nível recorde em março, mais um sinal evidente do aquecimento global», invertendo a relação causal que está no cerne da crença do aquecimento global devido à acção humana – um pouco à maneira de Chateaubriand que, diz-se, abençoou a divina providência por fazer passar os rios pelo meio das cidades.

Por falar em ciência de causas e aquecimento global, leia-se este artigo de Christopher Booker também a propósito do «hottest March since records began in 1880» e vejam-se os dois diagramas seguintes antes e depois do «ajustamento» feito pelos cientistas de causas.

17/04/2013

Mitos (107) – O contrário do dogma do aquecimento global (III)

Continuação de (I) e (II)

LEMA: O contrário do dogma do aquecimento global não é o dogma do não aquecimento global. É a dúvida sistemática sobre a evolução do clima e dos factores que a condicionam.

Pode ser o aquecimento global, pode ser o arrefecimento global, pode ser o ciclo das manchas solares, podem ser alterações do campo magnético, pode ser uma alteração do eixo terrestre, pode ser qualquer coisa induzida pelas actividades humanas. Ou não.

O certo é que os últimos dados mostram que, diferentemente do que a ciência de causas do aquecimento global vem tentando fazer-nos acreditar, as médias móveis de 5 anos das temperaturas globais nos últimos 10 anos têm-se mantido estáveis, apesar do aumento de emissões de dióxido de carbono e de outros gases e substâncias que contribuem para o aquecimento da atmosfera, como o diagrama seguinte mostra.


As razões poderão ser várias e estão descritas em «A sensitive matter» (Economist March 30th) , mas o facto básico é: está em causa o fundamento das teses do ambientalismo militante. Como estão em causa os modelos até agora desenhados para prever o comportamento do sistema caótico do clima.

09/09/2020

Mitos (307) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXIV)

Outros posts desta série

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Fonte

«Os incêndios no Ártico produziram mais emissões de carbono neste ano do que em qualquer ano já registado, de acordo com cientistas do Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS), uma agência da UE. Até agora, em 2020, milhões de hectares dentro do Círculo Polar Árctico foram incendiados, libertando 244 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, em comparação com 182 milhões de toneladas em todo o ano passado. (Antes de 2019, o recorde era de 110 milhões de toneladas em 2004.) Os números do Global Carbon Project, uma rede de cientistas, sugerem que os incêndios deste ano geraram mais emissões de carbono do que, digamos, a Malásia ou a Espanha queimando combustíveis fósseis em um ano inteiro .

Os especialistas temem que os incêndios possam ser uma evidência de um círculo vicioso das mudanças climáticas. Os incêndios florestais do Ártico - especialmente aqueles que queimam na zona rica em carbono entre a tundra e a floresta boreal - emitem uma ampla gama de poluentes, incluindo monóxido de carbono, óxidos de nitrogénio, compostos orgânicos voláteis e partículas sólidas de aerossol. Ao consumirem matéria orgânica, também liberam dióxido de carbono e metano, gases de efeito estufa que causam o aquecimento global. O CAMS estima as emissões de cada incêndio medindo sua “potência radiante”, a taxa de calor radiante gerado pelo incêndio e calculando a quantidade de biomassa queimada necessária para produzi-la. Incêndios maiores e mais quentes são um sintoma e uma causa da mudança climática, que está ocorrendo mais rapidamente no Ártico do que em qualquer outro lugar. Eles não apenas liberam grandes quantidades de gases de efeito estufa que aquecem o planeta mas também deixam cicatrizes escuras e fuligem, aumentando a quantidade de calor que a região absorve do sol.»

Este é mais um fenómeno indicia que estão em curso mudanças climáticas. É pouco sério negá-lo ainda que isso só por si não demonstre que essas mudanças se devem exclusivamente à acção humana. E é pouco inteligente transformar uma questão essencialmente científica em armas de arremesso ideológico. O contrário do dogma do aquecimento global não é outro dogma, é uma atitude inquisitiva e a dúvida cartesiana.

10/05/2019

Mitos (288) - O contrário do dogma do aquecimento global (XX)

Outros posts desta série

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Um dos efeitos nefastos atribuído ao aquecimento global que recorde-se, segundo a vulgata da ciência de causas do clima, resulta exclusivamente da actividade humana - ou abreviadamente do capitalismo -, é a extinção maciça das espécies. Um milhão de espécies estão ameaçadas segundo o relatório da agência ambiental da ONU Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services, de um total cujas estimativas variam entre dois ou três milhões até quase dez milhões - o estudo das espécies sofre do mesma maldição da tabuada que assola as nossas elites.

A ser assim, e até pode ser, estaria em curso a sexta extinção maciça da história do planeta. A primeira foi a extinção do final do Ordovícico há 445 milhões de anos, resultante da redução da concentração de dióxido de carbono na atmosfera causada pela diminuição da actividade vulcânica. Pausa para respirar, foi exactamente o contrário do que estará agora a acontecer devido exclusivamente, recorde-se outra vez, à actividade humana. De onde, podemos concluir que por agora estamos livres da extinção do Ordovícico. 

As três seguintes tiveram causas variadas em que o capitalismo parece estar inocente, aliás a segunda até parece uma maldição para o movimenta vegan, uma vez que se julga ter resultado de uma expansão da cobertura vegetal seguida do crescimento explosiva de algas (para mais pormenores ler este artigo do Observador onde está tudo muito bem explicadinho para leigos como nós) .

Fast forward e chegamos à quinta extinção maciça, a mais conhecida, no final do Cretácico, para aí há 66 milhões de anos, que parece ter resultado do impacto de um enorme asteróide na planície de Yucatan no actual México. Foi desta que resultou o extinção dos dinossauros, com excepção evidentemente dos apparatchiks do PCP.

A escala das cinco extinções maciças e, pelo menos na quinta, a rapidez, são tais que envergonham a obra humana. Ou seja, neste caso, o capitalismo, a exploração do homem pelo homem. Sendo certo que o comunismo, que, como se sabe, é o contrário do capitalismo, enquanto durou parece ter produzido mais danos ambientais do que o capitalismo, sem contar claro com os danos à espécie humana cujo número de vítimas se estima entre 70 e 100 milhões.

17/07/2026

Mitos (355) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXIV) - O Paradoxo de Crutzen e a Lei de Morton

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Em retrospectiva, que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja, para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que, levada às suas últimas consequências, conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

Negar os factos do progressivo aquecimento global exige cada vez mais uma fé quase religiosa (ver, por exemplo, os gráficos do post anterior desta série), fé que tem vindo a ser substituída pela fé contrária nos efeitos miraculosos das medidas defendidas pelo áctivismo ambiental, apesar dos avisos de há vinte anos do Prémio Nobel da Química Paul Crutzen que no seu ensaio «Albedo enhancements by stratospheric sulfur injections: a contribution to resolve a policy dilemma?» chamava a atenção para o paradoxo do ar limpo em que a redução da poluição atmosférica poderia aumentar o aquecimento global por via da redução do albedo (capacidade de reflexão da radiação solar pela superfície terrestre).

Pois bem, parece que é isso que está a acontecer: a redução dos poluentes atmosféricos, como o dióxido de enxofre (SO₂) e a fuligem, que, por um lado, reduzem a chuva ácida que mata milhões de pessoas anualmente e, por outro, têm o efeito de reflectir a luz solar e, assim, reduzir o aquecimento global.

Voltarei a este assunto e, entretanto, alinhavo, por agora, duas conclusões não sobre o clima, mas sobre a mente humana. A primeira, é que estamos, mais uma vez, perante um exemplo da Lei das «consequências imprevistas da acção social intencional» enunciada por Robert K. Merton em 1936.  A segunda é que estamos perante outro exemplo da difícil convivência do mundo real em geral, e da ciência em particular, com cérebros ideológicos (Leor Zmigrod, "The Ideological Brain") saturados com doses maciças de convicções inabaláveis alimentadas nas últimas décadas pelas redes sociais e há séculos pelo jornalismo de causas. E acrescento uma previsão: os que têm negado o aquecimento global vão passar a atribuir o inexistente aquecimento global às medidas para o mitigar. 

24/10/2019

Mitos (296) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXII)

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Os factos mostram cada vez mais que estão acontecer fenómenos que mostram mudanças climáticas caracterizadas por um aumento das temperaturas médias e extremas. Seria inútil negar isso, apesar de décadas de manipulação de dados por parte dos cientistas de causas ambientais que têm tido o efeito da fábula do pastor mentiroso e do lobo. Outra coisa diferente e atribuir essas mudanças exclusivamente à acção humana, o que evidentemente não explica as mudanças climáticas extremas que ocorreram no passado que não podem ser atribuídas à acção humana.

O texto seguinte refere objectivamente factos que que indiciam essas mudanças, mas peca por meter pela porta do cavalo uma conclusão não demonstrada quando refere em grande parte impulsionado pelas actividades humanas.

29/09/2012

Mitos (83) – O contrário do dogma do aquecimento global (II)

(Continuação daqui)

LEMA: O contrário do dogma do aquecimento global não é o dogma do não aquecimento global. É a dúvida sistemática sobre a evolução do clima e os factores que a condicionam.

Pode ser o aquecimento global, pode ser o arrefecimento global, pode ser o ciclo das manchas solares, podem alterações do campo magnético, pode ser uma alteração do eixo terrestre, pode ser qualquer coisa induzida pelas actividades humanas ou não. As explicações variam consoante a ciência de causas em causa. O certo é que no dia 16 de Setembro a superfície gelada do Ártico não passava de 3,4 milhões de Km2, pouco mais de 1/5 do mínimo anterior em 2007.


Fonte: Economist, Sep 22

23/04/2023

Mitos (329) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXIX) - Como explicar as mudanças climáticas no Saara à luz da ortodoxia ambientalista?

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que levada às suas últimas consequências conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

O texto seguinte é um excerto da entrada Sahara Desert da New World Encyclopedia a que cheguei depois de uma reflexão vagabunda sobre o tema controverso das causas das incontroversas mudanças climáticas. 

«O clima do Saara sofreu uma enorme variação entre húmido e seco nas últimas centenas de milhares de anos. Durante a última era glacial, o Saara era maior do que é hoje, estendendo-se para o sul além de seus limites atuais.[1] O fim da era glacial trouxe tempos mais húmidos para o Saara, de cerca de 8000 a.C. a 6000 a.C., talvez devido a áreas de baixa pressão sobre as camadas de gelo em colapso ao norte. 

Uma vez que as camadas de gelo se foram, a parte norte do Saara secou. No entanto, não muito tempo depois do fim das camadas de gelo, a monção, que atualmente traz chuva para o Sahel, veio mais ao norte e neutralizou a tendência de secagem no sul do Saara. A monção na África (e em outros lugares) é devido ao aquecimento durante o verão. O ar sobre a terra torna-se mais quente e sobe, puxando o ar frio e húmido do oceano. Isso causa chuva. Paradoxalmente, o Saara estava mais húmido quando recebeu mais insolação no verão. Por sua vez, as mudanças na insolação solar são causadas por mudanças nos parâmetros orbitais da Terra.

Por volta de 2500 a.C., a monção havia recuado para o sul, aproximadamente onde está hoje,[3] levando à desertificação do Saara. O Saara é actualmente tão seco quanto era há cerca de 13.000 anos.

Durante os períodos de um Saara húmido, a região tornou-se uma savana, e a flora e a fauna africanas tornaram-se comuns. Durante o período árido seco seguinte, o Saara reverte para condições desérticas. A evaporação excede a precipitação, o nível de água em lagos como o Lago Chade cai e os rios se tornam wadis secos. A flora e a fauna anteriormente difundidas recuam para o norte até as Montanhas do Atlas, para o sul para a África Ocidental, ou para o leste no Vale do Nilo e, em seguida, para sudeste até as terras altas da Etiópia e Quênia ou noroeste através do Sinai para a Ásia. Isso separou populações de algumas espécies em áreas com climas diferentes, forçando-as a adaptar-se.»

20/08/2012

Mitos (82) – O contrário do dogma do aquecimento global

O contrário do dogma do aquecimento global não é o dogma do não aquecimento global. É a dúvida sistemática sobre a evolução do clima e os factores que a condicionam.

Foi recentemente publicado um estudo de uma equipa liderada por James Hansen, do Goddard Institute for Space Studies que faz parte da NASA, sobre a ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos como ondas de calor. Sendo James Hansen um militante da causa do aquecimento global de origem humana, à pala da qual já foi preso várias vezes por participar em manifestações, a reacção normal dos negacionistas seria de deitar pela borda fora tal estudo. Mais devagar.

Vejamos os métodos e os dados e esqueçamos os propósitos. O estudo cobriu as temperaturas médias à superfície da Terra em milhares de pequenas áreas durante 60 anos de 1951 até 2011 e mediu os desvios em relação à média durante cada uma das seis décadas. O resultado foi 6 conjuntos de dados que se ajustavam, como seria de esperar, a curvas de Gauss, as quais normalizadas usando as respectivas médias e os desvio-padrões puderam então ser comparadas. A representação dessas curvas normalizadas no gráfico seguinte torna visível que década após década o «sino» se desloca para a direita e se achata claramente, ou seja  a dispersão se acentua, e a frequência de temperaturas mais altas é crescente.


Estes são os factos estatísticos. Quais as causas dessa maior frequência? Isso é outro assunto.

(Fonte: «Bell weather - A statistical analysis shows how things really are heating up», Economist Aug 11th)

10/12/2019

Mitos (299) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXII)

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Um exemplo de lucidez e independência raro entre os militantes de causas ambientais (e, para ser honesto, igualmente raro entre os militantes do negacionismo) é o de Bjorn Lomborg, Director do Copenhagen Consensus Center. A demonstrar isso mesmo, escreveu há duas semanas no Project Syndicate um artigo desmistificando o alarmismo à volta da inundação resultante do degelo em várias partes do mundo. Aqui vai um excerto e a sugestão de ler o resto.

«As últimas notícias alarmantes sobre as mudanças climáticas são que enormes extensões de terra densamente habitada estarão submersas em 2050, com as suas cidades "apagadas". Esses relatórios - que apareceram no The New York Times e em muitos outros meios de comunicação - baseiam-se em bom trabalho de pesquisa de cientistas da Climate Central, mas eles entenderam mal a história.

Isso faz parte de um padrão prejudicial. A mudança climática é um problema criado pelo homem que precisamos resolver, mas muitas das notícias sobre seus supostos efeitos assustam-nos sem razão e enganam-nos sobre como agir.

O artigo, publicado no mês passado na Nature Communications, mostra que as estimativas anteriores do impacto do aumento do nível do mar estavam erradas, porque se baseavam em medições do nível do solo que às vezes incluíam erroneamente as alturas das árvores ou das casas. Por outras palavras, a vulnerabilidade ao aumento do nível do mar foi subestimada. Isso é importante.

Mas a mídia usou isso para criar uma visão distópica de 2050. O Times publicou um mapa aterrador mostrando que o sul do Vietname “quase desaparecerá” porque estará “debaixo d'água na maré alta”. O Times disse aos leitores: “Mais de 20 milhões de pessoas no Vietname, quase um quarto da população, vivem em terras que serão inundadas. ”E alertou para efeitos semelhantes em todo o mundo.

Esta notícia tornou-se viral. Bill McKibben, fundador da organização ambiental 350.org, twittou que "As mudanças climáticas estão encolhendo [o] planeta, da maneira mais assustadora possível". O cientista climático Peter Kalmus disse que já se preocupou em "ser rotulado como 'alarmista'", mas notícias como essa o fizeram adoptar o termo.

O que a mídia deixou de mencionar é que a situação no sul do Vietnã hoje é quase idêntica  à situação projectada em 2050.»


06/08/2019

Mitos (292) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXI)

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

A propósito das últimas notícias que dão conta de que ondas de calor estão a acelerar degelo na Gronelândia (e também estão derreter os poucos neurónios do jornalismo de causas climáticas), é oportuno lembrar que se isso são factos indesmentíveis, o que põe em causa as teses negacionistas, outra coisa é concluir apressadamente que isso se deve à acção humana que é o que quer concluir a ideologia anti-capitalista da climatologia de causas.

Vamos então aos factos. O diagrama seguinte não deixa grandes dúvidas sobre a tendência para o aumento do degelo na Groenlância, e estamos a falar de 3 mil milhões de toneladas (ou metros cúbicos) de água em cada dia.

Greenland’s ice sheet is melting unusually fast
O outro facto que convém ter em devida conta é que alguns milhares de anos atrás, onde hoje encontramos um solo com uma ainda uma espessa camada de gelo, encontrávamos então um solo coberto por uma floresta luxuriante e um clima ameno, que nem mesmo os militantes do aquecimento global atribuem à acção humana.

Já que estamos a tratar da mitologia climática, aproveito para desmistificar mais uma crença da mesma religião, a saber: a da inevitabilidade do aumento dos fogos florestais em consequência do aquecimento global. Vejam-se o mapa e o diagrama seguintes que mostram que os incêndios florestais têm mais a ver com a pobreza e que as mudanças na agricultura poderão minimizar os efeitos das mudanças climáticas.

Fonte: Economist

28/11/2022

Mitos (324) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXIX) - Áctivistas do ambiente ide moer a cabeça dos líderes dos países em vias de desenvolvimento

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que levada às suas últimas consequências conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

Um dos dogmas do áctivismo ambientalista é que crescimento e ambiente são incompatíveis. E, como eles querem significar capitalismo e democracia liberal, daí resulta que é necessário desmantelar o Estado liberal e substituí-lo por um Estado omnipresente ocupado por "ambientalistas". Estamos assim perante uma renovação do mito marxista, desta vez substituindo a ditadura do proletariado e o Estado comunista pela ditadura do ambientalismo e o Estado amigo do ambiente, num caso e noutro à custa das liberdades e da prosperidade.
Acontece que a evidência dos factos mostra as economias capitalistas modernas a serem capazes de conciliar crescimento com preservação do ambiente. Veja-se o gráfico acima que mostra nos Estados Unidos a evolução cada vez mais divergente do crescimento da economia (medido pelo PIB) e do volume de emissões de gases com efeito de estufa (nomeadamente dióxido de carbono, metano e óxido nitroso).
E não apenas os Estados Unidos estão a crescer e a diminuir as emissões em termos relativos desde meados da década de 90 e em termos absolutos desde a primeira década deste século. A maioria das economias mais desenvolvidas está a conseguir fazê-lo como os exemplos no gráfico anterior mostram. Quem ainda não consegue reduzir o ritmo relativo (face ao PIB) nem o ritmo absoluto das emissões são os "países em vias de desenvolvimento" (nalguns casos mais apropriadamente chamados de em vias de subdesenvolvimento), como a China, e quase todos democracias apenas formais e vários deles autocracias. É claro que há várias razões para isto acontecer (como o peso crescente dos serviços nas economias avançadas) mas o certo é que o contributo para as emissões virá cada vez mais desses países.

27/09/2024

Mitos (341) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXI) - Pero que las hay, las hay

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
______________

A revista Science acabou de publicar um interessante artigo («A 485-million-year history of Earth’s surface temperature») com os resultados de estimativas  por uma equipa de investigadores de universidades americanas e britânicas (Emily J. Judd da universidade do Arizona e seis outros investigadores) das temperaturas médias globais à superfície a partir de mais de 150 mil provas fósseis abrangendo um período de 485 milhões de anos. O estudo revelou que as temperaturas variaram muito mais do que até agora se pensava, como se pode ver no diagrama abaixo, e confirmaram o papel decisivo do dióxido de carbono nas mudanças de temperatura. 
 
[PhanDA designa o método adoptado no estudo para estimar as temperaturas médias globais à superfície
durante o éon Farenozóico que abrange a existência de vida na Terra] 

Não sendo esta a minha praia, remeto os interessados para a leitura do paper e apenas saliento que as conclusões evidenciam a falta de fundamento da tese implícita na dramatização mediática do aumento das temperaturas globais de que os terráqueos desde a Revolução Industrial estão a subverter uma suposta harmonia climática existente num passado idílico. Como confirmam «uma forte correlação entre o dióxido de carbono atmosférico (CO2) e as temperaturas médias globais à superfície, identificando o CO2 como o controlo dominante nas variações no clima global fanerozóico e sugerindo uma sensibilidade aparente do sistema terrestre de ~ 8 ° C» . Como ainda confirmam os aumentos das temperaturas de natureza antropogénica nos últimos 300 mil anos, que contudo não são significativos à escala do Fanerozóico e, segundo Emily J. Judd  em entrevista ao Washington Post, «mesmo nos piores cenários, o aquecimento provocado pelo homem não empurrará a Terra para além dos limites da habitabilidade».

De onde, me permito concluir que se, por um lado o estudo mostra que o histerismo climático não parece ter fundamento, por outro confirma que as mudanças climáticas estão de facto a ocorrer e, ainda que possam não ter as consequências que o histerismo climático trombeteia, têm consequências e seria inteligente fazer o que pudermos para mitigar os seus efeitos.

26/01/2016

Mitos (219) - O contrário do dogma do aquecimento global (XI)

Continuação de (I), (II), (III), (IV), (V), (VI), (VII), (VIII), (IX) e (X).

Em retrospectiva, que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Uma vez mais, o ano passado foi decretado o ano mais quente de sempre desde 1880 (ver o NOAA, por exemplo). Talvez, mas convém colocar algum cepticismo nestas conclusões científicas porque já não é a primeira vez que os dados são aldrabados por boas causas.

Ainda assim, o homo sapiens só por cá anda há uns 200 mil anos e as acções humanas com impacto potencial no clima têm uns 150 anos. Entretanto, esta bola em que vivemos já roda há uns 4 a 5 milhões de anos durante os quais o clima variou imenso. E ainda antes da Revolução Industrial actuaram e ainda actuam várias causas potenciais de aquecimento do planeta não atribuíveis directamente à acção do homem moderno.

Por exemplo, há uns 15 mil anos, os índios que então habitavam o actual Canadá, andavam a pé, não tinham nem automóveis, nem indústria, exterminaram os mamutes e extinguiram a pradaria substituída pela tundra.

Por exemplo, estima-se que as flatulências dos bovinos, essencialmente metano, um gás 25 vezes mais nocivo para o efeito de estufa do que o dióxido de carbono, são responsáveis por 14% do aquecimento global desde o princípio da Revolução Industrial. As emissões com origens em veículos representam nos Estados Unidos uns 20% do total. A nível mundial, possivelmente  representam menos que os traques e os arrotos das vacas.

Por estas e por outras, o bom senso aconselha a um quantum satis de cepticismo para equilibrar as certezas dos fiéis das várias seitas e, em particular, da seita da Christiana Figueres, secretária executiva da UN Framework Convention on Climate Change.

04/03/2018

Mitos (270) - O contrário do dogma do aquecimento global (XVIII)

Outros posts desta série.

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Um paper recente ("Climate Impacts From a Removal of Anthropogenic Aerosol Emissions") publicado em Janeiro,  confirma as conclusões de um outro de Abril de 2016 ("Amplification of Arctic warming by past airpollution reductions in Europe") no sentido de a redução da poluição atmosférica poder ter o efeito indesejado de aumentar o aquecimento global. Citando em linguagem simples o resumo do primeiro paper:
«Para manter o aquecimento global no intervalo 1,5 a 2° C, precisamos de reduções maciças de emissões de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, as emissões de aerossóis serão fortemente reduzidas. O estudo demonstra como a limpeza de aerossóis, predominantemente sulfatos, pode adicionar meio grau de aquecimento global adicional, com impactos que aumentam o aquecimento proveniente dos gases de efeito estufa. O hemisfério norte é mais sensível à remoção de aerossóis do que o aquecimento de gases de efeito estufa, devido à origem actual das emissões de aerossóis. Isso significa que importa não só se alcançamos ou não metas climáticas internacionais. Importa igualmente como chegamos lá.»
De onde temos mais um exemplo de que é melhor desconfiar das soluções simplistas baseadas na ciência ambiental de causas.

13/12/2015

Mitos (216) - O contrário do dogma do aquecimento global (X)

Continuação de (I), (II), (III), (IV), (V), (VI), (VII), (VIII) e (IX).

Que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo que cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico onde predomina a racionalidade para o campo ideológico e inevitavelmente político onde predomina a crença.

Quando analisamos as clivagens políticas esquerda-direita ou, mais rigorosamente, estatismo-liberalismo, verificamos que os crentes do aquecimento global por intervenção humana na sua esmagadora maioria rejeitam uma visão liberal das sociedades humanas e, por consequência, rejeitam o capitalismo e a democracia liberal e defendem o reforço do papel do Estado na economia e na sociedade em nome de uma utopia anónima - as utopias com nome nas últimas décadas ficaram com mau nome.

Tudo isto é razoavelmente evidente a qualquer observador atento, mas até recentemente não tinha conhecimento de um propósito confessado e de uma agenda assumida de «mudança do modelo económico de desenvolvimento que tem reinado desde pelo menos há 150 anos», isto é do capitalismo, por parte dos adeptos do «global warming man-made». Até que li o que disse Christiana Figueres, secretária executiva da UN Framework Convention on Climate Change numa conferência de imprensa em Bruxelas a 3 de Fevereiro:
«This is the first time in the history of mankind that we are setting ourselves the task of intentionally, within a defined period of time, to change the economic development model that has been reigning for at least 150 years, since the Industrial Revolution. This will not happen overnight and it will not happen at a single conference on climate change…It is a process, because of the depth of the transformation.»
A quem ainda possam restar dúvidas sobre o que estas palavras significam acrescente-se que Christiana Figueres «said last year that Communist China, the world’s top emitter of greenhouse gas, is “doing it right” regarding climate change while calling the U.S. Congress “very detrimental” in the fight against global warming.»

24/12/2020

Mitos (309) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXV)

Outros posts desta série

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

As mudanças climáticas são tratadas nos mídia quase sempre com um fervor religioso incompatível uma abordagem racional, já não digo científica. É raro encontrar uma alma que aborde a coisa com o cepticismo, o equilíbrio e a dúvida cartesiana que o tema exige, como se faz João M. A. Soares no artigo As alterações climáticas e a escala temporal do homem no universo de onde respigo o excerto seguinte:

«Mas façamos agora o mesmo exercício – porque é o Homem, “esse malvado”, que nos interessa aqui – e imaginemos um segundo relógio virtual que tem o seu momento “zero horas” aquando do início da Terra (há 4,5 mil milhões de anos) e o seu momento “24 horas” agora, neste exacto dia e neste preciso momento em que lê este texto:

- O relógio começou pois a contar o tempo quando o Universo se formou e só às 6h00 da manhã se terá verificado o início da fotossíntese;
- Às 13h18 começou a formar-se uma atmosfera rica em oxigénio;
- Só às 21h12 se regista a primeira vida (unicelular) sobre o planeta;
- Às 22h00 regista-se o aparecimento dos primeiros vertebrados terrestres;
- Às 22h54, fruto de milhões de anos de movimentos telúricos, do resultado da fotossíntese e do correspondente desenvolvimento da vida vegetal, ocorre a “idade das florestas de carvão”;
- Às 23h05 (estamos quase na meia-noite !!!) surgem os precursores dos hominídeos (grandes primatas);
- Às 23h18 terá existido e proliferado o Austrolophitecus, uma diferenciada variedade dos hominídeos;
- Às 23h37 ter-se-á diferenciado o Homo habilis (“primo” afastado dos primatas que conhecemos), já capaz de fabricar instrumentos e utensílios rudimentares, enquanto evolui simultaneamente o Homo erectus, já capaz de usar e dominar o fogo;
- Às 23h55 (há 200 mil anos) os primeiros humanos começam a distinguir-se dos restantes primatas. Repare-se que foi apenas há cinco minutos !!! (em relação ao momento actual);
- Às 23h59 minutos (há apenas um minuto!!!) concretiza-se a extinção impõe-se o Homo sapiens…!

E para não continuar, pode concluir-se que Cristo nasceu há… 0,04 segundos!!!!

Tudo isto afinal para dizer que é de uma enorme soberba e jactância que os “sábios”, com os seus (indiscutivelmente) sofisticados computadores e modelos matemáticos da evolução do Planeta (usando apenas 150 anos de dados estatísticos), os activistas de agendas totalitárias e os políticos oportunistas, nos venham “garantir” que é preciso “salvar” o Planeta e que são os 7,8 mil milhões de humanos os PRINCIPAIS responsáveis por mudanças cósmicas tão complexas como as alterações climáticas.»

15/04/2014

Mitos (166) – O contrário do dogma do aquecimento global (IV)

Continuação de (I), (II) e (III)

LEMA: O contrário do dogma do aquecimento global não é o dogma do não aquecimento global. É a dúvida sistemática sobre a evolução do clima e dos factores que a condicionam.

Uma vez mais se confirma o lema com o último relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) se, como escreveu a Economist, «the final version appears to have been fought over paragraph and comma between those who want to describe dispassionately what they think is happening and those who want to scare the world into taking action.»

03/09/2017

Mitos (262) - O contrário do dogma do aquecimento global (XVI)

Outros posts desta série.

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Fonte
É claro que correlação não é causalidade. É claro que, em qualquer caso, a correlação entre o número de catástrofes e a quantidade de gases com efeito de estufa na atmosfera, em particular do dióxido de carbono. não permite provar que o aumento desses gases seja a causa determinante do aumento do número e intensidade das catástrofes naturais. É ainda mais claro que nada disso permite provar que o aquecimento global (supondo que este está provado) tenha como causa determinante o aumento da quantidade de gases com efeito de estufa na atmosfera.

E também é claro que as emissões com origem humana não são as únicas a contribuir para o aumento do dióxido de carbono na atmosfera. Para ficar por Portugal, nos incêndios de 2010 até 15 de Agosto, os 70 mil hectares de floresta e mato ardidos emitiram um milhão de toneladas de CO2 equivalente, o mesmo que a 29 milhões de automóveis a viajarem de Lisboa ao Porto (estimativa da Quercus). Nos incêndios deste ano até 31 de Julho os 128 mil hectares ardidos libertaram 2,9 milhões de toneladas de CO2 (estimativa da Agência Portuguesa do Ambiente) o equivalente (segundo as contas da Quercus) a 84 milhões de automóveis a viajarem de Lisboa ao Porto ou (segundo as minhas contas) o equivalente a todos os 5,4 milhões de veículos ligeiros existentes em Portugal a circularem durante quatro ou cinco meses.

Mas, sejamos honestos, é igualmente claro que tudo isto ainda menos suporta as teses negacionistas.

29/09/2022

Mitos (323) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXVIII) - Por agora, só se pode concluir as temperaturas extremas são o resultado mais óbvio das hipotéticas mudanças climáticas

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que levada às suas últimas consequências conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

O exemplo mais notório e recente de histeria climática foi dado pelo secretário-geral da ONU que disse há duas semanas «I have never seen climate carnage on the scale of the floods here in Pakistan», o que em si mesmo pode ser verdade ou mentira, dependendo do que o Eng. Guterres viu até hoje. 

Henrique Pereira dos Santos denunciou no Corta-fitas a «visão moralista e conspirativa do mundo (e a) pura manipulação» do SG da ONU. Porém, em minha opinião, não o fez da forma mais adequada visto que reproduziu um diagrama do Our World in Data com as mortes causadas por todos os desastres naturais entre 1900 e 1920, incluindo os que não têm relação com as mudanças climáticas, porém numa escala que no que respeita às temperaturas extremas não evidencia a relação com as hipotéticas mudanças climáticas que se têm vindo a verificar nas últimas décadas.  

Quando se analisam separadamente os dados relativos a mortes pelo tipo de desastres naturais com uma possível relação com as mudanças climáticas, como é o caso da seca, das inundações, tempestades e temperaturas extremas, emerge uma outra realidade, como os diagramas seguintes mostram.  

Our World in Data

E a conclusão é que ao contrário dos desastres naturais provenientes de seca, inundações e tempestades em que não parece possível estabelecer uma relação com as mudanças climáticas que, por hipótese, estão a ocorrer mais intensamente nas últimas décadas, no caso das temperaturas extremas, cujo número de mortes tem aumentado exponencialmente, essa relação ressalta muito claramente.