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31/03/2025

Crónica de um Governo de Passagem (46)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro deveria agradecer ao Dr. Ventura o cartaz

Com o cartaz em que põe lado a lado o Dr. Montenegro e o Eng. Sócrates para ilustrar os “50 anos de corrupção, o Dr. Ventura dá um tiro no próprio pé e uma preciosa ajuda ao Dr. Montenegro, que fica com mais uma (boa) razão para reforçar o “não é não”. Para retribuir, o Dr. Montenegro dá ele próprio um tiro no pé ao apresentar queixa contra o Dr. Ventura por o ter tentado ajudar com o cartão.

Como que a confirmar que há menos gente a acreditar no Dr. Pedro Nuno para governar o país e menos gente a acreditar que o Dr. Ventura seja uma alternativa ao Dr. Pedro Nuno, as sondagens mostram que as intenções de voto nos partidos de ambos estão a descer, o primeiro para 23,1% e o segundo para 13,2%.

A vitória do PSD na Madeira parece ter mostrado que o eleitorado já está por tudo e prefere o mal conhecido ao mal desconhecido.

Esgotada a Spinunviva, vamos à “maior obra de Espinho

Em mais duas páginas completas do caderno principal, o semanário de reverência, pela pena do mesmo jornalista que andou a tentar extrair sumo do caso do “palacete” do Dr. Montenegro, tenta agora em duas páginas tirar sumo do caso da “maior obra de Espinho, em que a suspeita sobre a malfeitoria do Dr. Montenegro é ter sido sócio de uma sociedade de advogados que interveio na obra em nome da câmara de Espinho e o projectista contratado pela câmara ser o mesmo que desenhou o “palacete” do Dr. Montenegro.

A justiça expedita consiste em juntar o investigador e o juiz na mesma pessoa

Até ao caso da “maior obra de Espinho”, um visado por uma investigação da PJ (Judite para os amigos) num determinado caso era presumível culpado até ser demonstrada a sua inocência, ou até mais tarde, de cada vez que um qualquer jornalista amigo de um inimigo do visado enchia uma página de um jornal amigo do inimigo com referências tortuosas e redondas ao caso, que imediatamente eram citadas por outros jornais como provando para além de qualquer dúvida que o visado era culpado.

Deixou de ser assim com o caso da investigação da venda do edifício da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), em que o Dr. Luís Neves, a celebridade que ocupa o cargo de director da Judite, veio dizer urbi et orbi que o Dr. Fernando Gomes, ex-presidente da FPF apesar de alvo das buscas estava inocente.

«Contas públicas robustas», carga fiscal pesada

Face ao excedente orçamental de 2024 (0,7%), o Dr. Miranda Sarmento felicita-se antecipando «contas públicas robustas» em 2025. Esqueceu-se de mencionar que a robustez se ficou a dever a mais um aumento em 2024 da carga fiscal para 35,7%, ao aumento de 8,9 mil milhões da dívida pública, apesar da descida do rácio face ao PIB, e à não execução de 1,6 mil milhões do investimento previsto segundo o princípio da autoestrada mexicana do PS.

Don't get carried away by the carry-over

Como aqui lembra o economista Óscar Afonso, «mais de metade do crescimento previsto para 2025 resulta de um efeito estatístico (…) de carry-over (que) justifica 1,4 p.p. – ou seja, 61% – do crescimento económico projetado de 2,3% para 2025».

Boa Nova

O Dr. Pinto Luz, o substituto do Dr. Pedro Nuno no ministério as Infraestruturas, iluminou-nos com mais uma previsão a de que «em Junho, mais de 13 mil fogos estarão construídos». 

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Continua a aumentar em bom ritmo o número de “utentes” sem médico de família. Nos últimos 12 meses terminados em Fevereiro esses utentes (assim se designam no Estado sucial os contribuintes que usariam o SNS se pudessem) aumentaram 36 mil para mais de 1,5 milhão. Segundo o Dr. Montenegro, no final de 2025 todos os utentes teriam um médico de família. É caso para dizer que o Dr. Montenegro parece estar a abusar da trumpolinice.

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