Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

16/03/2025

Pro memoria (438) - O pensamento do Dr. Ventura antes de ser o presidente Ventura. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

O jornalista Gustavo Sampaio escreveu “Os Políticos São Todos Iguais!" escarafunchando o passado de vários políticos portugueses e o Expresso publicou um artigo com uma versão reduzida de um capítulo dedicado ao populismo. Nesse artigo Gustavo Sampaio passa em revista o passado doutrinário do Dr. Ventura e mostra-nos que esse pensamento mudou, o que é natural porque todo o mundo é composto de mudança. O que alguns, como eu, podem não apreciar é que a epifania que atingiu o Dr. Ventura há uns cinco anos, e que os seus seguidores verão como o caminho da escuridão para a iluminação, é vista como o caminho da pouca luz para a obscuridade ou talvez a procura de um produto para um mercado. 

«... argumentou contra o securitarismo, contra o populismo penal, contra os políticos que procuram ganhar votos com o acicatar dos medos e dos preconceitos» (tese de doutoramento)

«... países como Portugal e a Irlanda não devem esquecer o seu passado e devem acolher o maior número de migrantes» (artigo de opinião)

«Hoje, tornou‑se uma espécie de gíria popular — ou uma certa elite intelectual — atacar a comunicação social. Digo isto completamente livre nesta matéria. Nós, em Portugal, temos tido a sorte de ter meios de comunicação social capazes de tocar com o dedo na ferida. […] Temos que ter alguma cautela quando apontamos o dedo à comunicação social.»

«Quando perguntam ao Presidente dos EUA (Trump) porque é que ele usa o Twitter, é porque dá um poder enorme não haver nenhuma espécie de intermediário. Eu escrevo o que quiser. Ninguém me faz a pergunta, sequer”, explicou Ventura. “Na verdade, por trás desta perceção está a lógica de os intervenientes políticos se quererem furtar aos intermediários que fazem perguntas. É incómodo. É muito mais fácil (recorrer às redes sociais). E é por isso que se utiliza isto. […] É esta a lógica das fake news, que são perniciosas, porque nos levam à negação e à defesa permanente. Mas, sobretudo, porque são capazes de convencer em períodos de grande turbulência noticiosa.»

«O Estado manterá nas suas mãos uma função arbitral, de regulação e de inspeção sediada em organismo dependente da Presidência do Conselho de Ministros. Essas funções seriam exercidas sobre todos os graus de ensino não superior (planos de estudo, exames, etc.). As instalações escolares passariam, num primeiro momento, para a tutela da Direção‑Geral do Património, que, de seguida, as ofereceria a quem nelas demonstrasse interesse, dando‑se prioridade absoluta aos professores nelas lecionando nesse momento. Os professores que pretendessem assumir a posse do seu estabelecimento de ensino criariam uma empresa ou uma entidade coo­perativa para a qual transitaria a propriedade desse estabelecimento.» (programa político do Chega de 2019)