Em consequência do aumento da mortalidade resultante da Covid-19, pela primeira vez em décadas a esperança de vida diminuiu em todos os países, com excepção das mulheres dinamarquesas, norueguesas e finlandesas. Diminuiu mais nos homens do que nas mulheres e menos nos países com melhor qualidade de vida, como se pode ver no gráfico seguinte.
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A redução da esperança de vida tem muitos efeitos negativos, principalmente nos que morreram antes de tempo e nas suas famílias, e, como quase tudo na vida, tem pelo menos uma consequência positiva: os sistemas de segurança social baseados do regime distributivo (pay-as-you-go) sem ajustamento da esperança de vida ganharam uma pequena folga da sustentabilidade resultante da morte prematura de pensionistas actuais e futuros.
No caso do sistema português em que a idade da reforma depende da evolução da esperança de vida aos 65 anos o efeito líquido é mais difícil de antecipar. Seria de esperar que a redução da esperança de vida à nascença fosse acompanhada da redução da esperança de vida aos 65 anos e, em consequência, de uma antecipação da idade da reforma. Contudo, não foi o que aconteceu e a idade de acesso à pensão de velhice voltará a subir em 2022 para 66 anos e sete meses, ou seja, no caso português o sistema acumula a melhoria da sustentabilidade resultante dos dois factores, isto é de menos pensionistas actuais e futuros e do diferimento no acesso à reforma.
