O jornal Nascer do Sol (que raio de nome) publicou no passado sábado o artigo de opinião Sousa Mendes no Panteão: justifica-se? (sem link disponível) de Rodrigo de Sá-Nogueira Saraiva que pretende reduzir o mito do herói Aristides à sua real dimensão, bem mais modesta.
Segundo o autor: (1) Aristides era monárquico, nunca foi opositor do regime e teve comportamentos eticamente censuráveis; (2) o regime nunca perseguiu os judeus e distanciou-se das posições nazis a este respeito; a posição do regime era de conceder visto a qualquer refugiado que o solicitasse; (4) Aristides ajudou judeus mas em muito menor número do que lhe é atribuído e ajudou não judeus ricos; (5) Aristides foi meramente suspenso com metade do ordenado até à reforma e não expulso, apesar do seu comportamento irregular.
Em conclusão, escreve Sá-Nogueira Saraiva:
Num nível mais profundo, contudo, trata-se de um mito de legitimação do atual regime. Ao afirmar que houve um herói português que se levantou contra a perseguição dos judeus e que fui punido por isso, está-se, por implicação, a afirmar que o salazarismo era pró-nazi, o que os historiadores sabem não ser verdade, e antissemita, o que espero ter mostrado ser falso. Mas creio ser essa razão profunda da desinformação que se criou em torno deste caso tão complexo: descredibilizar o Estado Novo e apresentar a Terceira República como um triunfo contra as forças do mal.
Não são raras estas manipulações da história para legitimar regímenes. Numa sociedade aberta, têm, contudo, de ser confrontadas.
Foi o que aqui tentei fazer.