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12/04/2019

A mentira como política oficial (46) - O segredo de polichinelo da negociação do programa de resgate

Uma boa medida da eficácia da máquina de agritprop do Partido Socialista foi a mentira, construída com a ajuda do que é hoje a geringonça e a armada de jornalista de causas instalada nas redacções, contando com a incompetência da coligação PSD-CDS para a desmascarar, sobre quem foram os responsáveis pela negociação do memorando e o programa de resgate da troika.

Poul Thomsen, director do departamento europeu do FMI e primeiro responsável pela equipa da troika em Portugal, em entrevista ao Público foi muito claro sobre o papel do governo de Sócrates. Ora leia-se:
«Quando a crise chegou a Portugal, houve claramente um sentido de unidade dentro do corpo político. Quando negociei o programa aqui com o governo socialista, ao mesmo tempo discuti discretamente - mas com o total conhecimento do Governo - com o então principal partido da oposição. E houve um claro entendimento sobre o que é que a maioria política em Portugal poderia apoiar. E isso permitiu que, quando se deu uma mudança de governo mais tarde, não se realizassem praticamente mudanças no programa.»
Na verdade, tratou-se de um segredo de polichinelo da classe política, que a oposição que viria mais tarde a constituir a geringonça escondeu cuidadosamente dos olhos da populaça que entre indignações e lamentações não se deu conta de nada - como disse um poeta qualquer, vivem sem dar por nada e morrem sem dar por isso.

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