Está escrito nos manuais. Num país colectivista com uma grande distância hierárquica onde o respeitinho é muito bonito, uma estratégica de comunicação baseada num informalismo formal (*) só pode dar mau resultado. O que conseguiu Álvaro Santos Pereira com a sua obsessão mediática e esforço promocional para ser popular e reduzir distâncias (Senhor ministro? Tratem-me por Álvaro)? Conseguiu em poucos dias ascender ao 37.º lugar «mais poderoso da economia portuguesa», um ranking ridículo do Negócios, com o petit nom de «Alvarinho de Viseu» que «tem um super-Ministério nas suas mãos. Mas (não se sabe se) será um super-ministro?»
Arrisca-se a ninguém mais o levar a sério. E não me venham dizer que é a falta de experiência ou o perfil demasiado técnico. Vejamos um exemplo conhecido e politicamente incorrecto: António Oliveira Salazar, o Botas, com uma carreira exclusivamente académica chegou ao governo como ministro das Finanças com menos 2 anos do que o Alvarinho e a primeiro-ministro 7 anos depois. A falta de experiência política e até de vida não o impediu de perceber como funciona a alma portuguesa, nem o impediu de escolher as atitudes adequadas ao tempo em que vivia e ao seu propósito.
Renovo os votos para que ASP, passadas as excitações preliminares, se concentre nas externalidades que dependem do Moloch estatal.
(*) A definir no Glossário quando tiver pachorra.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
01/07/2011
30/06/2011
Como funciona a mente de um artista independente
Margarida Gil, realizadora de 4 filmes subsidiados nos seus 60 anos de idade - OK, Malick também só fez 4 longas-metragens - e presidente da Associação Portuguesa de Realizadores, entende que «pensar que a bilheteira vai ser o suporte do cinema português, ou mesmo do outro cinema, dá vontade de rir».
A vontade de rir deve-se ao programa de governo não acabar com os subsídios mas «ter em conta os resultados de bilheteira e o número de espectadores obtidos pelos filmes anteriores dos produtores e realizadores candidatos a apoios».
Segundo esta realizadora do cinema independente, «as bilheteiras não pagam os filmes» e por isso o referido princípio para pagar subsídios «vai ser outra perda de tempo que vai custar muito dinheiro ao país».
Reconheço alguma razão à insigne realizadora: pensar que a bilheteira vai ser o suporte do cinema português dá vontade de rir. E subsidiar filmes de realizadores incapazes de ter um público dá o quê? Aos sujeitos passivos dar-lhes-à vontade de chorar.
A Margarida Gil só lhe daria vontade de chorar se lhe cortassem de vez os subsídios e a deixassem, e a todos os seus colegas independentes, obrigada a viver do produto da sua arte.
A vontade de rir deve-se ao programa de governo não acabar com os subsídios mas «ter em conta os resultados de bilheteira e o número de espectadores obtidos pelos filmes anteriores dos produtores e realizadores candidatos a apoios».
Segundo esta realizadora do cinema independente, «as bilheteiras não pagam os filmes» e por isso o referido princípio para pagar subsídios «vai ser outra perda de tempo que vai custar muito dinheiro ao país».
Reconheço alguma razão à insigne realizadora: pensar que a bilheteira vai ser o suporte do cinema português dá vontade de rir. E subsidiar filmes de realizadores incapazes de ter um público dá o quê? Aos sujeitos passivos dar-lhes-à vontade de chorar.
A Margarida Gil só lhe daria vontade de chorar se lhe cortassem de vez os subsídios e a deixassem, e a todos os seus colegas independentes, obrigada a viver do produto da sua arte.
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CASE STUDY: The case for Arabs aren't happy
The bottom line
The Arabs aren't happy! But where?
They're not happy in Gaza. They're not happy in Egypt. They're not happy in Libya. They're not happy in Morocco. They're not happy in Iran. They're not happy in Iraq. They're not happy in Yemen. They're not happy in Afghanistan. They're not happy in Pakistan. They are not happy in Saudi. They are not happy in Somalia. They are not happy in Sudan. They're not happy in Syria. They're not happy in Lebanon.
The Arabs are happy! But where?
They're happy in Australia. They're happy in Canada. They're happy in England. They're happy in France. They're happy in Italy. They're happy in Germany. They're happy in Sweden. They're happy in the USA. They're happy in Norway. They're happy in every country that is not Muslim.
And who do they blame?
Not Islam. Not their leadership. Not themselves.
Whom do they blame then?
They blame the countries they are happy in!
[Sent by AB, a notorious PIG (politically incorrect guy)]
Explicações pedidas devem ser dadas
«Há que saber se Portugal tomou uma decisão de renunciar definitivamente à construção da alta velocidade ou se adia a decisão de construir a alta velocidade» considerou o ministro do Fomento espanhol, perante a decisão do governo português suspender o investimento no TGV.
Perante o ziguezague dos sucessivos governos portugueses, percebe-se perfeitamente a dúvida que assalta o ministro espanhol. No lugar deste governo, eu responderia que a decisão de suspender do lado português o trajecto Lisboa-Madrid teria resultado da decisão do lado espanhol de suspender a partir de 1 de Julho os trajectos que ligam Toledo, Cuenca e Albacete por só terem 9 dos 2.190 passageiros previstos por dia.
A propósito dos 2.181 passageiros em falta, recorde-se que o professor Avelino de Jesus disse disse há uns tempos à Comissão de Obras Públicas que os estudos do TGV estavam «empolados» no que respeita às previsões de passageiros porque «os consultores dizem o que as pessoas que fazem a encomenda querem ouvir». Tendes aqui um oportuno exemplo.
Perante o ziguezague dos sucessivos governos portugueses, percebe-se perfeitamente a dúvida que assalta o ministro espanhol. No lugar deste governo, eu responderia que a decisão de suspender do lado português o trajecto Lisboa-Madrid teria resultado da decisão do lado espanhol de suspender a partir de 1 de Julho os trajectos que ligam Toledo, Cuenca e Albacete por só terem 9 dos 2.190 passageiros previstos por dia.
A propósito dos 2.181 passageiros em falta, recorde-se que o professor Avelino de Jesus disse disse há uns tempos à Comissão de Obras Públicas que os estudos do TGV estavam «empolados» no que respeita às previsões de passageiros porque «os consultores dizem o que as pessoas que fazem a encomenda querem ouvir». Tendes aqui um oportuno exemplo.
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29/06/2011
DIÁRIO DE BORDO: So far not so good (3)
Álvaro Santos Pereira, o novo super-ministro da Economia, do Emprego e das Obras Públicas parece estar a falar demais e excessivamente preocupado com a sua projecção mediática. Já tivemos disso que chegasse durante os últimos 6 anos. Deveria saber que, do mesmo modo que a economia não depende dos 200 palhaços que vão à televisão falar de economia, também não depende do ministro da economia ou, mais exactamente, quanto mais dele depender, pior.
Façamos votos para que ASP, passadas as excitações preliminares, se concentre nas externalidades que dependem do Moloch estatal.
Façamos votos para que ASP, passadas as excitações preliminares, se concentre nas externalidades que dependem do Moloch estatal.
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Conversa fiada,
E pur non si muove
O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Pode ser só descontrolo verborreico
«Em relação ao seu (dele Pertinente) post “A profecia falhada do inefável intriguista” estou convencido que desta vez, o MRS simplesmente se enganou.
Depois de ele ter avançado com os nomes (o do Bernardo Bairrão e o de outra pessoa cujo nome não me recordo – terá sido o Morais Leitão?) notei logo na altura que o próprio se apercebeu que tinha dado uma informação que não podia ter dado (na altura cheguei a interpretar que até não queria ter dado). Houve ali um momento de hesitação ou, melhor, de quebra de ritmo, que mereceria ser estudado e guardado como exemplo para as aulas de “Falar em público” ou “Retórica 1”. A recuperação do ponto de vista oratório foi fantástica mas os dados e os danos estavam lançados.
Desta vez, não acho que tenha sido intriga. Simplesmente, o homem está a envelhecer e, no meio do alto débito verborreico que caracteriza as intervenções do MRS, escapou-lhe uma informação, muito provavelmente verdadeira – basta ver as reacções subsequentes em diversos órgãos de comunicação social – que simplesmente não queria (nem podia) dizer. Não foi a tempo de corrigir e a partir de aí deixou andar.»
[Email de AB]
Esclarecimento impertinente e irrelevante:
É bem possível que tenha sido como escreve AB. Ainda assim, no caso de MRS, já se consumaram por reincidência contumaz duas coisas. Primeira, inverteu-se o ónus de prova. Segunda, o benefício da dúvida transformou-se no prejuízo da certeza.
Se as patetices, sacanices e intrigas que ele constrói fossem de um outro pateta qualquer, não teriam grande importância. No caso dele, com um auditório de mais de 1 milhão (I guess), a irresponsabilidade é muita porque, entre o que diz por inconsciência verborreica e o que diz por safadeza, lança a confusão no espírito já confuso de pelo menos 90% dos patetas que o ouvem.
Depois de ele ter avançado com os nomes (o do Bernardo Bairrão e o de outra pessoa cujo nome não me recordo – terá sido o Morais Leitão?) notei logo na altura que o próprio se apercebeu que tinha dado uma informação que não podia ter dado (na altura cheguei a interpretar que até não queria ter dado). Houve ali um momento de hesitação ou, melhor, de quebra de ritmo, que mereceria ser estudado e guardado como exemplo para as aulas de “Falar em público” ou “Retórica 1”. A recuperação do ponto de vista oratório foi fantástica mas os dados e os danos estavam lançados.
Desta vez, não acho que tenha sido intriga. Simplesmente, o homem está a envelhecer e, no meio do alto débito verborreico que caracteriza as intervenções do MRS, escapou-lhe uma informação, muito provavelmente verdadeira – basta ver as reacções subsequentes em diversos órgãos de comunicação social – que simplesmente não queria (nem podia) dizer. Não foi a tempo de corrigir e a partir de aí deixou andar.»
[Email de AB]
Esclarecimento impertinente e irrelevante:
É bem possível que tenha sido como escreve AB. Ainda assim, no caso de MRS, já se consumaram por reincidência contumaz duas coisas. Primeira, inverteu-se o ónus de prova. Segunda, o benefício da dúvida transformou-se no prejuízo da certeza.
Se as patetices, sacanices e intrigas que ele constrói fossem de um outro pateta qualquer, não teriam grande importância. No caso dele, com um auditório de mais de 1 milhão (I guess), a irresponsabilidade é muita porque, entre o que diz por inconsciência verborreica e o que diz por safadeza, lança a confusão no espírito já confuso de pelo menos 90% dos patetas que o ouvem.
28/06/2011
A profecia falhada do inefável intriguista
Um dia a jornalista Inês Serra Lopes disse (ou escreveu?), a propósito do professor Marcelo, que não se pode confiar num homem que traz um cabide no carro para pendurar o casaco. Não tenho a certeza ser essa uma razão para desconfiar - poderia ser só uma obsessão pela roupa engomada. Em contrapartida, não tenho dúvidas que não se pode confiar num contador de estórias como a do jantar de vichyssoise que jurou ser mais fácil Cristo descer à terra do que ele ser candidato a presidente do PSD, montou ao governo pateta de Santana Lopes uma armadilha de alegada censura, entre muitas outras, e também garantiu no domingo passado, sabe-se lá com que intuitos, que Bernardo Bairrão, administrador da Fosse como fosse, é mais um prego para o caixão da credibilidade do inefável intriguista. A sua aparente popularidade é, só por si, um índice da maturidade e do espírito crítico da nossa opinião pública.
ESTADO DE SÍTIO: O estado do Estado de Sócrates
Estado recente de algumas das realizações de José Sócrates:
- O quarto maior desemprego (12,6%) dos países a OCDE, desemprego que no conjunto desses países está a melhorar;
- Terceira maior quebra de emprego na Zona Euro e quinta maior na UE-27, ao contrário da média europeia;
- Maior queda da produção industrial (-3,6% em Abril), comparada com o crescimento da Zona Euro e EU-27;
- O serviço da dívida em Junho de 6,5 mil milhões só pôde ser cumprido com o adiantamento do empréstimo do FMI/CE/BCE sem o qual Portugal entraria em incumprimento («não precisamos de ajuda», lembram-se?);
- Exposição da banca portuguesa à dívida pública ultrapassando 40 mil milhões ou cerca de 40% da dívida total, consequência da relação promíscua entre o governo e a banca do regime;
- Dívidas a fornecedores que ultrapassam 3,7 mil milhões de euros ou 2,2% do PIB (bem que o Pertinente tinha o desconfiómetro ligado)
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Abyssus abyssum invocat,
E agora José?,
ecoanomia
27/06/2011
Lost in translation (111) – o ministro não se impressionou com os representantes da «maioria social», teria ele dito se fosse sincero
«Não fiquei com qualquer impressão, pelo que não posso dizer que tenha ficado muito impressionado», disse aos jornalistas o doutor Carvalho da Silva, patrão da CGTP há 35 anos e representante da «maioria social», após a reunião com o novo Ministro da Economia, Emprego e Obras Públicas. No lugar dele, teria ficado impressionado por uma criatura com uma incumbência tão pesada ainda ter tempo e paciência para ouvir a cassete CGTP.
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Conformismo encapotado de realismo
«Portugal é um país socialista. Os portugueses gostam de ter o Estado a acompanhar a sua vida, a regular, a tomar conta, a fornecer apoios e serviços, a prometer benesses. O ideal de vida da população média é o funcionário público, com trabalho à secretária, horário fixo, emprego seguro, promoção automática.
Esta verdade é antiga e manifestou-se de várias formas. Pombal chamou-lhe "despotismo esclarecido", Fontes Pereira de Melo "modernização e progresso", Salazar "Estado corporativo", mas era isto que queriam dizer. Fomos socialistas na Casa da Índia e na Casa do Douro, no condicionamento industrial, adesão à EFTA e mercado único.
Somos um país em que acusar alguém de "fins lucrativos" é ofensivo e a simples presença de privados na saúde e educação lança alarme. É verdade que depois todos dizem mal do Estado, escolas e hospitais públicos e acabam por ir à privada. Criticar o Governo, câmaras e serviços é desporto institucional. Os políticos são todos horríveis e os burocratas incompetentes e abusadores. Mas não vivemos sem eles.»
Até aqui, não posso estar mais de acordo do que escreveu César das Neves hoje no DN. É a parte do deixar de dar graxa. Começo a discordar com «isto não é bom nem mau» e com o conformismo encapotado de realismo de «o liberalismo não floresce nestas terras. Fora de uma pequena elite, que gosta de lamentar o país, a sociedade é assumidamente estatista. E será durante séculos». É parte do ficar tudo na mesma em vez de mudar de vida.
Uma elite que se demite de contribuir para mudar o país pode não ser pequena mas não é elite.
Esta verdade é antiga e manifestou-se de várias formas. Pombal chamou-lhe "despotismo esclarecido", Fontes Pereira de Melo "modernização e progresso", Salazar "Estado corporativo", mas era isto que queriam dizer. Fomos socialistas na Casa da Índia e na Casa do Douro, no condicionamento industrial, adesão à EFTA e mercado único.
Somos um país em que acusar alguém de "fins lucrativos" é ofensivo e a simples presença de privados na saúde e educação lança alarme. É verdade que depois todos dizem mal do Estado, escolas e hospitais públicos e acabam por ir à privada. Criticar o Governo, câmaras e serviços é desporto institucional. Os políticos são todos horríveis e os burocratas incompetentes e abusadores. Mas não vivemos sem eles.»
Até aqui, não posso estar mais de acordo do que escreveu César das Neves hoje no DN. É a parte do deixar de dar graxa. Começo a discordar com «isto não é bom nem mau» e com o conformismo encapotado de realismo de «o liberalismo não floresce nestas terras. Fora de uma pequena elite, que gosta de lamentar o país, a sociedade é assumidamente estatista. E será durante séculos». É parte do ficar tudo na mesma em vez de mudar de vida.
Uma elite que se demite de contribuir para mudar o país pode não ser pequena mas não é elite.
Vou esperar mais algum tempo antes de me declarar admirador de António Mexia (4)
[Continuação de (1), (2) e (3)]
Já ficou bastantemente patente o que por aqui pensamos da gestão de António Mexia, cujos resultados são bastante questionáveis, a não ser no tocante ao notável retorno mediático, aparentemente muito graças a Sérgio Figueiredo que assim retribui a sinecura da Fundação EDP. Mira Amaral, um bom conhecedor do sector da energia, pode não estar motivado nas suas críticas pela mais pura das intenções, mas o que escreveu no artigo seguinte no Expresso vale por si mesmo como exame objectivo dos resultados da gestão de Mexia.
A EDP E AS EÓLICAS
«Mexia recebeu uma ótima empresa com engenheiros e quadros do melhor que há em Portugal e com uma excelente posição no Brasil, onde a dupla Talone-Jorge Godinho fez um notável trabalho de recuperação.
Esta EDP apostou quase tudo no boom do crescimento das eólicas. Em Portugal, tal foi completado com investimentos em bombagem destinada a acumular o excesso de produção eólica.
A EDP está em 90% dos seus negócios dependente de mercados regulados e de contratos de longo prazo como os CAE e os CMEC.
A febre de crescimento tem sido tão elevada que o Free Cash-Flow tem sido negativo, o que significa que o pagamento dos dividendos tem sido feito com a emissão de dívida. A EDP pagou de 2006 a 2010 mais em encargos financeiros do que em dividendos. A dívida líquida já anda pelos 16,3 mil milhões de euros (quase 10% do PIB português!) e o rácio NET DEBT/EEBITDA é já 4.66, dos mais elevados das utilities europeias similares. A EDF, Iberdrola e Endesa têm respetivamente 2.33, 3.46 e 0.60. Mas não é apenas o nível absoluto da dívida que preocupa, mas também os riscos que podem afetar os cash-flows regulados e ainda a tendência de aumento dos custos de capital.
Pôs-se em causa o equilíbrio entre crescimento e criação de valor e a diferença entre o retorno do investimento (ROI) e o custo do capital (Wacc) (*) é tendencialmente negativa.
Enquanto o Presidente da República aconselhava a passarmos férias cá dentro, devido ao desequilíbrio externo, a nossa EDP investia alegremente no estrangeiro em parques eólicos, sujeitos a grandes riscos políticos, regulatórios e também de mercado.
A prova de que o mercado já antecipou esses riscos está na chocante cotação atual da EDP Renováveis (cerca de 4 euros por ação) quando foi colocada a ação no mercado a 8 euros no IPO! Falta vento a estas ações. Se nós, comuns e mortais gestores, tivéssemos feito isto, o que diria a imprensa...
Assim:
1. O risco país vai penalizar o custo de capital da EDP pressionando os encargos financeiros de uma dívida em que 53% é a taxa variável;
2. O acordo com a troika põe em causa os pressupostos da EDP sobre a ausência de riscos nos seus cash-flows em Portugal porque a estabilidade regulatória das tarifas políticas das renováveis, dos CAE e dos CMEC é questionada, pedindo-se revisões em baixa, e porque se tem de aplicar o 3.º pacote comunitário da liberalização que vai levar as receitas e as margens a baixarem;
3. O nível de consumo também certamente se reduzirá em Portugal;
4. Nos EUA há riscos regulatórios e políticos, com a prometida e falhada legislação Obama, e riscos de mercado com o efeito do 'shale gas' sobre os preços da eletricidade. Na Escócia, onde se investiu no offshore eólico, há tremendos riscos dum projeto pioneiro em ambiente muito hostil.
Em suma, a tal escala que Mexia tanto gosta é de alto risco, o impasse estratégico é evidente mas o retorno mediático tem sido elevado... »
(*) Weighted average cost of capital
Já ficou bastantemente patente o que por aqui pensamos da gestão de António Mexia, cujos resultados são bastante questionáveis, a não ser no tocante ao notável retorno mediático, aparentemente muito graças a Sérgio Figueiredo que assim retribui a sinecura da Fundação EDP. Mira Amaral, um bom conhecedor do sector da energia, pode não estar motivado nas suas críticas pela mais pura das intenções, mas o que escreveu no artigo seguinte no Expresso vale por si mesmo como exame objectivo dos resultados da gestão de Mexia.
A EDP E AS EÓLICAS
«Mexia recebeu uma ótima empresa com engenheiros e quadros do melhor que há em Portugal e com uma excelente posição no Brasil, onde a dupla Talone-Jorge Godinho fez um notável trabalho de recuperação.
Esta EDP apostou quase tudo no boom do crescimento das eólicas. Em Portugal, tal foi completado com investimentos em bombagem destinada a acumular o excesso de produção eólica.
A EDP está em 90% dos seus negócios dependente de mercados regulados e de contratos de longo prazo como os CAE e os CMEC.
A febre de crescimento tem sido tão elevada que o Free Cash-Flow tem sido negativo, o que significa que o pagamento dos dividendos tem sido feito com a emissão de dívida. A EDP pagou de 2006 a 2010 mais em encargos financeiros do que em dividendos. A dívida líquida já anda pelos 16,3 mil milhões de euros (quase 10% do PIB português!) e o rácio NET DEBT/EEBITDA é já 4.66, dos mais elevados das utilities europeias similares. A EDF, Iberdrola e Endesa têm respetivamente 2.33, 3.46 e 0.60. Mas não é apenas o nível absoluto da dívida que preocupa, mas também os riscos que podem afetar os cash-flows regulados e ainda a tendência de aumento dos custos de capital.
Pôs-se em causa o equilíbrio entre crescimento e criação de valor e a diferença entre o retorno do investimento (ROI) e o custo do capital (Wacc) (*) é tendencialmente negativa.
Enquanto o Presidente da República aconselhava a passarmos férias cá dentro, devido ao desequilíbrio externo, a nossa EDP investia alegremente no estrangeiro em parques eólicos, sujeitos a grandes riscos políticos, regulatórios e também de mercado.
A prova de que o mercado já antecipou esses riscos está na chocante cotação atual da EDP Renováveis (cerca de 4 euros por ação) quando foi colocada a ação no mercado a 8 euros no IPO! Falta vento a estas ações. Se nós, comuns e mortais gestores, tivéssemos feito isto, o que diria a imprensa...
Assim:
1. O risco país vai penalizar o custo de capital da EDP pressionando os encargos financeiros de uma dívida em que 53% é a taxa variável;
2. O acordo com a troika põe em causa os pressupostos da EDP sobre a ausência de riscos nos seus cash-flows em Portugal porque a estabilidade regulatória das tarifas políticas das renováveis, dos CAE e dos CMEC é questionada, pedindo-se revisões em baixa, e porque se tem de aplicar o 3.º pacote comunitário da liberalização que vai levar as receitas e as margens a baixarem;
3. O nível de consumo também certamente se reduzirá em Portugal;
4. Nos EUA há riscos regulatórios e políticos, com a prometida e falhada legislação Obama, e riscos de mercado com o efeito do 'shale gas' sobre os preços da eletricidade. Na Escócia, onde se investiu no offshore eólico, há tremendos riscos dum projeto pioneiro em ambiente muito hostil.
Em suma, a tal escala que Mexia tanto gosta é de alto risco, o impasse estratégico é evidente mas o retorno mediático tem sido elevado... »
(*) Weighted average cost of capital
26/06/2011
Estado empreendedor (48) – o aeroporto que só abre aos domingos
[Continuação de outras aterragens: aqui ,aqui, aqui e aqui]O aeroporto de Beja poderia ser eleito o paradigma do investimento público. A estória já foi contada no (Im)pertinências várias vezes (ver os links acima) e à medida da passagem do tempo mais se aprofunda o buraco e quanto mais se aprofunda o buraco mais se insiste na abordagem Lockheed Tristar.
O Expresso deste fim de semana dedica uma página ao caso do aeroporto que só abre aos domingos, onde um check-in de 16 turistas num Embraer leva tanto tempo como o de 200 turistas num Airbus, onde os aviões de 49 lugares partem com 7 passageiros, onde nenhum turista dos poucos que chegam fica em hotéis da região e onde um «empresário» filosofa que «vai demorar anos e um investimento considerável em promoção» (efeito Lockheed Tristar).
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Semper idem: accerrima proximorum odia
Escritos de Pacheco Pereira como este ou aquele exalam ressaibo em estado puro. Não escreve sobre o que faz o governo, escreve sobre quem escreve ou fala do governo com «o discurso do poder interiorizado» impregnado pela «balofice nacional que nos assaltou». Como se estivesse desapontado com a «boa imprensa» que todos os governos de maioria costumam ter durante algum tempo. Como se esta gentinha não merecesse ter ganho as eleições.Com aqueles mesmos critérios e aquela mesma abordagem, o que diria Pacheco Pereira se em vez deste governo tivéssemos um outro com a mesma «boa imprensa», liderado pela Dr.ª Ferreira Leite e composto pelos compagnons de route do cavaquismo branqueados das suas responsabilidades? Iria queixar-se duma «balofice» e dum «situacionismo» semelhantes aos que Cavaco Silva desfrutou em certos períodos dos seus governos?
Declaração de interesse: o meu suporte a este governo resume-se a considerá-lo a menos má das alternativas a concurso e, essencialmente por isso, concedo-lhe durante algum tempo o benefício da dúvida.
25/06/2011
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Fim da árvore genealógica
- Mãe, vou casar!
- Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?
- Não é moça. Vou casar com um moço... O nome dele é Murilo.
- Você falou Murilo.... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não.... Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora.... Ou isso.
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora.... Meio macho.
- Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea.... E quando eu vou conhecer o meu. A minha.... O Murilo?
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
- Tá! Biscoito.... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?
- Por quê?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o Papai não vai aceitar?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... . Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metade com bigode.
- Mãe, que besteira.... Hoje em dia.... Praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja.... Pra poder apresentar pra tua irmã.
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada.... Quem é?
- Uma tal de Veruska.
- Como?
- Veruska...
- Ah!, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
- Mãe!!!...
- Tá.., tá..., tudo bem...Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...
- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hétero.... A Veruska.
- Que Veruska?
- Namorada da Bel...
- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado.... E a atual namorada da tua irmã . Que é minha filha também.... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é.... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero....
- De quem?
- Da Bel.
- Mas. Logo da Bel?! Quer dizer então.... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska.
- Isso.
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por aí...
- Por outro lado, a Bel....,além de mãe, é tia.... Ou tio.... Porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska.... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
- Exato!
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o quê?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe?!!....
- É swing, sim! Uma troca de casais.... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...
- Mas....
- Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior.... Com incesto no meio..
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei!!!.... E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero,o espermatozóide..... A única coisa que eu entendi é que...
- Que....?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente.... vai ser f***.
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24/06/2011
CASE STUDY: Um exemplo de transparência na governação que chegou atrasado
Depois de (mais) um escândalo envolvendo o ministro Palocci, a presidente presidenta Rousseff desobrigou o governo de divulgar informação sobre os custos das obras relacionadas com o Mundial de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Foi uma decisão prudente quando já se antecipa a irremediável derrapagem das obras e dos orçamentos, o que criará o maior dilúvio de corrupção já visto pelo Brasil e o Brasil já viu muitos - esta terra ainda vai cumprir seu ideal / Ainda vai tornar-se um imenso Portugal. Estão em causa compensações por trabalhos a mais e por encurtamento dos prazos, em cima de cambões e adjudicações pela porta do cavalo, que no final custarão milhares de milhões de reais. (*)
Se José Sócrates ainda por aí andasse, poderia ter havido uma assistência técnica mútua. Sócrates explicaria a Rousseff como usar as PPP para chutar para a frente os custos dos elefantes brancos e Rousseff explicaria a Sócrates como ficar sentado em cima das contas e mandar o Tribunal de Contas de férias. Como parte da cooperação, Rousseff emprestaria José Dirceu para montar um esquema de mensalão e pagar os votos da oposição superando a falta de maioria no parlamento – teria sido possível aprovar o PEC4, o PEC5, o PEC6, etc. Talvez nem fosse preciso Rousseff emprestar Dirceu, porque este já trabalha para a Ongoing que, como braço da banca do regime, faria parte da equipa da casa.
(*) Algumas estimativas do Mundial de Futebol de 2014 a multiplicar pelo rácio de derrapagem: estádios 2 mil milhões; ampliação dos aeroportos mais de 5 mil milhões de reais; TGV mais de 10 mil milhões (sim também eles!)
Se José Sócrates ainda por aí andasse, poderia ter havido uma assistência técnica mútua. Sócrates explicaria a Rousseff como usar as PPP para chutar para a frente os custos dos elefantes brancos e Rousseff explicaria a Sócrates como ficar sentado em cima das contas e mandar o Tribunal de Contas de férias. Como parte da cooperação, Rousseff emprestaria José Dirceu para montar um esquema de mensalão e pagar os votos da oposição superando a falta de maioria no parlamento – teria sido possível aprovar o PEC4, o PEC5, o PEC6, etc. Talvez nem fosse preciso Rousseff emprestar Dirceu, porque este já trabalha para a Ongoing que, como braço da banca do regime, faria parte da equipa da casa.
(*) Algumas estimativas do Mundial de Futebol de 2014 a multiplicar pelo rácio de derrapagem: estádios 2 mil milhões; ampliação dos aeroportos mais de 5 mil milhões de reais; TGV mais de 10 mil milhões (sim também eles!)
Lost in translation (110) – Rigor? Já fizemos engenharia orçamental no passado. Voltaremos a fazê-lo no futuro, queria ele dizer (XXVI)
[Mais engenharias orçamentais: pesquisa Google]
Até ao lavar dos cestos ainda é vindima, diz o povo. No caso das trapalhadas orçamentais e contabilísticas do socratismo, o lavar dos cestos vai prolongar-se por anos. Vejamos algumas das últimas trapalhadas e engenharias orçamentais:
Até ao lavar dos cestos ainda é vindima, diz o povo. No caso das trapalhadas orçamentais e contabilísticas do socratismo, o lavar dos cestos vai prolongar-se por anos. Vejamos algumas das últimas trapalhadas e engenharias orçamentais:
- 165 mil euros de subsídios de compensação foram pagos a juízes mortos. Perguntas: o que é um subsídio de compensação? faz muita diferença para o funcionamento da justiça o juiz estar vivo ou morto?
- O presidente e vogais da Comissão Nacional de Protecção de Dados receberam indevidamente mais de 180 mil euros desde 2006 por acumulação de pensões. Pergunta: o facto de ninguém ter dado por isso em 5 anos significa que estes dados estavam bem protegidos?
- O Tribunal de contas identificou despesas irregulares num montante superior a 2,8 mil milhões de euros, que quase triplicaram relativamente a 2009. Pergunta: se o governo Sócrates se mantivesse até ao fim do mandato conseguiria que toda a despesa pública fosse irregular?
- A execução orçamental dos 5 primeiros meses do ano apresentada pelo governo resulta uma redução de quase 90% do défice. Perguntas: qual é a parte deste milagre que se deve a só terem sido contabilizados 13,9% dos juros orçamentados e 22,5% das despesas orçamentadas para o ano em 40% do tempo (5 em 12 meses) e ao prazo médio de pagamento ter aumentado de 89 para 123 dias? Como foi possível este milagre conviver com o aumento de 67% no crescimento da dívida pública relativamente a 2009? (contas de Tavares Moreira no 4R)
23/06/2011
DIÁRIO DE BORDO: O exemplo vem de cima (2)
Já aqui escrevemos, «nunca esquecer, mas mesmo nunca: o exemplo. Para os portugueses o mau exemplo vem sempre de cima. O bom exemplo nem por isso.»
Passos Coelho está a viajar hoje para Bruxelas na TAP, tendo mandado trocar as cinco reservas de executiva para económica. São apenas sinais? Pois são sinais, mas tirai lá o «apenas» porque a política nos dias que correm é quase só sinais.
Passos Coelho está a viajar hoje para Bruxelas na TAP, tendo mandado trocar as cinco reservas de executiva para económica. São apenas sinais? Pois são sinais, mas tirai lá o «apenas» porque a política nos dias que correm é quase só sinais.
CONDIÇÃO MASCULINA / LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: Os homens vistos por uma mulher inteligente e sensível
Homens
por Fernanda Montenegro
O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.
Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem os Homens!' Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:
1. Habitat
Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro.
Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.
2. Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantém viçosos, felizes e realizados durante todo o dia.
Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.
3. Carinho
Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor.
Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.
4. Respeite a natureza
Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher.
Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.
5. Não anule sua origem
O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie.
6. Cérebro masculino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino.
Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade. Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça.
E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele...
Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma. E minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor!
Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom! Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.
Com carinho,
Fernanda Montenegro
[Para quem não saiba, Fernanda Montenegro não é uma dondoca da socialite brasileira; Fernanda Montenegro é uma das maiores actrizes da sua geração.]
por Fernanda Montenegro
O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.
Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem os Homens!' Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:
1. Habitat
Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro.
Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.
2. Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantém viçosos, felizes e realizados durante todo o dia.
Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.
3. Carinho
Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor.
Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.
4. Respeite a natureza
Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher.
Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.
5. Não anule sua origem
O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie.
6. Cérebro masculino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino.
Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade. Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça.
E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele...
Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma. E minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor!
Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom! Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.
Com carinho,
Fernanda Montenegro
[Para quem não saiba, Fernanda Montenegro não é uma dondoca da socialite brasileira; Fernanda Montenegro é uma das maiores actrizes da sua geração.]
22/06/2011
Mitos (44) - a pesada herança da longa noite fascista (VII)
[Mais heranças: I, II, III, IV, V e VI]
A escola pública fascista, durante décadas o elevador de mobilidade social, foi transformada pela esquerda na escola caviar, na maioria dos casos uma fábrica de patetas diplomados sofrendo de iliteracia e/ou de inumeracia crónicas.
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| Como os cromos situacionistas ou do reviralho conseguiam fazer provas com parêntesis dentro de parêntesis |
A escola pública fascista, durante décadas o elevador de mobilidade social, foi transformada pela esquerda na escola caviar, na maioria dos casos uma fábrica de patetas diplomados sofrendo de iliteracia e/ou de inumeracia crónicas.
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