Não se esperem milagres da vitória da CDU-CSU nas eleições alemãs e do novo chanceler Friedrich Merz. Ainda assim, há alguns sinais positivos, desde logo pela maior afluência às urnas desde a reunificação, com 83% dos eleitores registados, depois pelos instintos pró-mercado de Friedrich Merz e as suas declarações no sentido de terminar a imigração ilegal, eliminar o limite constitucional à dívida e aumentar os gastos de defesa (entretanto foram iniciadas negociações com o SPD para aprovar um aumento de 200 mil milhões) e, nomeadamente, que a Alemanha deveria contribuir para construir uma «capacidade de defesa europeia independente» em substituição da NATO e que era «uma prioridade absoluta fortalecer a Europa o mais rápido possível, para que alcancemos a independência dos EUA».
A má notícia é a previsível dificuldade de encontrar um parceiro adequado e confiável para governar. Os créditos democráticos, duvidosos para ser benigno, da AfD, a sua simpatia pelo putinismo, que partilha com uma boa parte da extrema-direita europeia, e o seu oportunismo que lhe permite conciliar a oposição à ampliação da gigafactory da Tesla em Grünheide com a aceitação do apoio de Elon Musk, agora convertido a patrocinador de um MAGA Internacional, não são boas referências e colocam a fasquia de uma cooperação no máximo de convergência pontual em temas como a imigração.
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