Uma espécie de continuação de Sinais positivos chegam da Alemanha.
Dizer que a economia alemã está estagnada é assim uma espécie do óbvio ululante de Nelson Rodrigues. Se a esse óbvio acrescentarmos que, em contrapartida, a economia portuguesa atravessa um bom momento, isso já entra no domínio da fé, sabendo-se que os problemas estruturais de décadas da economia portuguesa garantem que continuaremos por mais algumas a coxear atrás da Óropa. Para citar só dois desses problemas estruturais: uma produtividade por hora trabalhada de menos de 60% de Alemanha e um stock de capital por trabalhador inferior ao da Grécia, cerca de metade do de Espanha e menos de um terço do da Alemanha.
Economist |
De volta à Alemanha, por baixo da superfície estão em curso mudanças que estão a modificar o perfil da economia com a transferência de emprego dos sectores tradicionais onde a crise é mais profunda para sectores mais modernos com maior dinamismo. Como o gráfico mostra, em apenas um ano nos sectores da química, automóvel e metalúrgico foram destruídos de 40 mil postos de trabalho que em contrapartida foram criados em sectores com maior dinamismo. O capital de risco investido anualmente entre 2020 e 2024 mais do que duplicou o investido nos cinco anos anteriores. Se o novo governo fizer as reformas necessárias, como as que foram feitas pelo governo Schröder no início do século, quando a Alemanha atravessava uma crise semelhante, é perfeitamente possível que a economia ressurja como então ressurgiu.
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