«It is usually futile to try to talk facts and analysis to people who are enjoying a sense of moral superiority in their ignorance.»Thomas Sowell
O historiador Rui Ramos faz no artigo «Não se distraiam com as malas» um exercício de relativização política das falhas morais dos deputados do Chega na esfera pessoal, por comparação com as falhas morais dos deputados do PS e do PSD na esfera política no exercício de funções públicas.
É um exercício que pode ser feito, mas é um exercício perigoso se a relativização for levada ao ponto de poder ser confundida com uma limpeza ética do partido do Dr. Ventura. É também um exercício enganador porque os partidos do regime têm cinco décadas de ocupação do aparelho de Estado e o Chega não tem nenhuma, pelo que a comparação das falhas políticas não faz o menor sentido com um partido que ainda não teve a oportunidade de mostrar do que é capaz nesse domínio.
Diferentemente fará algum sentido um juízo probabilístico de antecipar o que farão, se e quando o Chega for um partido de poder com ocupação do Estado, os seus deputados que até agora revelaram em média uma qualidade política, profissional, pessoal e ética que, para dizer o mínimo, não os distingue dos outros.